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A MENSAGEM Á IGREJA EM LAODICÉIA
A MENSAGEM À IGREJA EM LAODICÉIA
“E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia: Tenho aqui o amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto”. Apocalipse 3:14.
Laodicéia é o escorregamento de Filadélfia
Vamos durante este tempo, estudar um pouco a palavra do Senhor. Hoje estamos chegando à sétima igreja, das sete desta profecia de Apocalipse 2 e 3. Hoje estamos chegando à consideração da igreja em Laodicéia. Apocalipse capítulo 3 desde o versículo 14. Se esta é a última das sete igrejas pelas quais o Senhor profetiza, quer dizer que esta igreja representa à igreja dos últimos tempos e é uma mensagem bastante séria. Eu não sei qual seja mais sério, se a de Tiatira ou a de Laodicéia; de qualquer jeito, a de Tiatira, que é tão grave, não foi lhe dito que poderia ser vomitada de Sua boca, mas a Laodicéia sim, se não se arrepender; ou seja, que esta última mensagem dada às igrejas, representando à igreja contemporânea, é uma mensagem séria; não há outra igreja depois desta; esta representa a última, a igreja dos tempos finais. A igreja de Éfeso representa aquele período apostólico imediatamente depois do apostolado original; a igreja em Esmirna representa o período das perseguições; a igreja de Pérgamo representa aquele período depois das perseguições, a partir de Constantino, quando a igreja e o Estado começaram a juntar-se e o cristianismo adotou parte do paganismo e o paganismo se cristianizou por fora, mas sem uma verdadeira conversão; depois a igreja em Tiatira representa aquela da idade média, aquelas épocas escuras da chamada “Pornocracia”, que não vamos falar dela; depois a igreja de Sardes representa à igreja da Reforma que saiu daquele período de escuridão, mas que não completou as coisas que deviam ser restauradas.
Por fim, a igreja em Filadélfia representa aquela visão no corpo de Cristo que supera as divisões denominacionais; uma igreja missionária, uma igreja cristocêntrica, uma igreja bíblica, uma igreja à qual o Senhor abre a porta. Mas encontramos que o Senhor nesta passagem que vamos ler, dizer à igreja em Filadélfia (3:11): “Eis que cedo venho; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa”; isto é, que era necessário que, o que o Senhor revelou a Filadélfia para superar a condição de Sardes, deve ser retido. Os vencedores o retêm, mas os que não o retêm caem numa situação que depois é expressada em Laodicéia. Laodicéia representa o escorregamento de Filadélfia porque Laodicéia já não é outra vez o protestantismo clássico que está representado ali em Sardes. Aqui, Laodicéia vem depois das revelações claras da centralidade de Cristo, da palavra de Deus, da unidade do corpo de Cristo, guardar a palavra da paciência, levar a cruz do Senhor; isto foi já revelado no período de Filadélfia e os vencedores chegarão até o fim: “Eis que cedo venho, retém o que tens”; isto é, os vencedores na posição de Filadélfia serão assim achados na vinda do Senhor; terão na vinda do Senhor pessoas que estarão na posição de Filadélfia espiritualmente falando, bem como terão pessoas que estarão na posição de Tiatira; a Tiatira é menciona a segunda vinda do Senhor, portanto, terão pessoas que serão achadas na situação católico-romana que é expressada por Tiatira, outros achados na situação de Sardes, do protestantismo; outros achados na situação de Filadélfia. Mas alguns deslizaram, não reteram o que o Espírito já deu à igreja e entraram numa questão que está aqui descrita como vamos ler em toda esta mensagem do Senhor a Laodicéia, que retrata de maneira profética estes tempos. Eu creio que, o que o Senhor diz aqui à igreja em Laodicéia é bastante sério. Então vamos fazer o seguimento desta mensagem a Laodicéia. Primeiro lhes digo que quanto à crítica textual não existem variações nos manuscritos; todos os manuscritos dizem bem como aparece nesta tradução, de maneira que não é necessário fazer aclarações a respeito.
Profundidade histórica de Laodicéia
Façamos a primeira aclaração quanto à cidade de Laodicéia. A cidade de Laodicéia foi fundada no século III antes de Cristo, por volta do ano 250 a.C., por um rei chamado Antíoco II, Seleuco Antíoco II, da dinastia dos antíocos; no caso dele, dos seléucidas de Antíocos, antes que se dividissem. Ele teve uma esposa que ele amou muito, que se chamou Laodicé; então ele fundou a cidade de Laodicéia em honra de sua esposa Laodicé. Há seis cidades chamadas Laodicéia, fundadas em honra a Laodicé, mas que são distintas uma das outras, porque esta é Laodicéia de Lico; há um rio chamado Lico e esta cidade fica ao sul do rio Lico, na Ásia Menor; esta de apocalipse, portanto, é conhecida como Laodicéia de Lico; ou seja que as outras Laodicéias não têm nada a ver com esta; esta é a cidade que foi fundada por Antíoco II no século III antes de Cristo. Esta cidade chegou a ser uma cidade muito forte durante o império romano, que foi o império que surgiu depois da era dos Antíocos. Digamos que os Romanos, como diz Daniel 11, tiraram a hegemonia dos Antíocos e estabeleceram a hegemonia romana. A cidade de Laodicéia fica num cruzamento de importantes vias, de maneira que chegou a ser uma capital muito grande; Laodicéia chegou a ser uma cidade rica, uma cidade comercial, uma cidade bancária, uma cidade onde tinha muitas indústrias, uma cidade onde se produzia muita roupa; era uma cidade rica, era uma cidade próspera; todas as principais estradas passavam por Laodicéia, tanto as que vinham do norte, como as do oriente, como as de ocidente, juntavam-se ali e todo o comércio se centralizava, de tal maneira que Laodicéia com o tempo chegou a ser como uma espécie de metrópoles que tinha 20 aldeias dependendo dela e se lhe chama nos documentos antigos: “Metrópoles de Laodicéia”. Exteriormente Laodicéia era uma cidade próspera, uma cidade rica, uma cidade de banca, de muitos estabelecimentos bancários, comerciais, industriais, e as pessoas seguramente estavam muito felizes; ali tinha trabalho, tinha dinheiro, tinha uma vida fácil na parte econômica.
Um grande terremoto
O curioso é que esta cidade foi várias vezes sacudida por contínuos terremotos até que foi destruída completamente; hoje em dia não existe a cidade de Laodicéia; Laodicéia foi varrida por um terremoto, a única coisa que ficou, foi umas ruínas, que ficam na Turquia, e os muçulmanos lhe puseram um nome muçulmano, que quer dizer “Castelo antigo”, na palavra muçulmana traduzida; ou seja, os restos de um grande castelo que tinha existido; isso é a única coisa que sobrou, isto é, foi totalmente destruída por sucessivos terremotos até que teve um que a derrubou de tal maneira, que nunca mais a voltaram a reedificar. É curioso porque a Bíblia, que fala do juízo do Senhor sobre Babilônia no tempo final, também diz que o Senhor se lembrou de Babilônia, e se elevou a ira no cálice e derramou o cálice, a sétima taça sobre Babilônia; diz que veio um terremoto a nível mundial, que arrasou com a grande cidade que era Roma, Babilônia, e com as outras cidades; inclusive mudou a geografia; muitas ilhas desapareceram, muitos morros mudaram de lugar. Isso é o que está profetizado ao final sobre Babilônia, sobre o que é a Laodicéia final, o que chegará a ser o ecumenismo final, com uma mistura de cristianismo com ocultismo e com outras coisas. Laodicéia antiga foi destruída por um terremoto, e a igreja final, o cristianismo infiel do tempo do fim, será destruído também por um terremoto mundial. Então, vejamos como a história qualifica a profecia.
Os direitos do povo
Agora sim, vamos ler a mensagem. Como não tem comentários textuais ou variantes textuais, vamos seguir lendo e comentando; primeiro o leremos e depois seguiremos comentando. Apocalipse 3:14 a 22. Faremos a leitura primeiro, de uma só vez, para que o Espírito fale a cada um de nós, e depois voltaremos e comentaremos, com a ajuda do Senhor: “E”; se dão conta, que não tinha dito até aqui “E”? Sempre era vírgula: Escreve ao anjo da igreja em Éfeso; escreve a Esmirna; escreve a Pérgamo, mas agora diz: “E”, como quem diz, depois de tantas vírgulas, esta é a última conjunção, então é a final: “E”. Esta palavra “E” é a palavra grega kai, que pode ser traduzida por: também ou finalmente ou por fim. “14E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”; quer dizer que existe um espírito tipicamente laodizaico dentro da cristandade, que está representado logicamente nas lideranças; mas o Senhor se dirige precisamente a esse espírito que caracteriza o que se pode chamar a época de Laodicéia. “14E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”. O que significa a palavra Laodicéia? A palavra Laodicéia vem de duas palavras gregas que são: laos e dikesis, que significam: Laos, o povo, os laicos; a palavra laicos vem de laos que é a palavra que significa o povo, e dikesis, que é a palavra que significa justiça ou direito. Se você escuta a palavra “teodicéia”, quer dizer: o direito divino; mas a palavra Laodicéia, são os direitos humanos, os direitos do povo; quer dizer que a palavra Laodicéia está representando a época final; e é curioso que o nome da palavra nomeia o espírito da época e é o espírito dos chamados “direitos humanos”. Quando foi que se tivemos notícia de que se tenha insistido tanto nos assuntos dos direitos humanos como nos últimos tempos? Digamos, desde a revolução francesa e da revolução americana pra cá, digamos assim, que começou a ser introduzido o espírito dos direitos humanos. Não é que tenha um pouco de mau nos direitos humanos, só que as vezes os direitos humanos pretendem ir além do direito divino, como se tivesse direito de negar a Deus, como se tivesse direito de negar a autoridade de Deus, como se tivesse direito de negar a palavra de Deus. Chegou a época em que as pessoas pretendem ter mais direitos legítimos.
A última palavra às igrejas
Quando dizemos que o espírito de Laodicéia é um espírito que o Senhor repreende, não queremos dizer que o Senhor não quer os direitos humanos. O que Ele não quer é que exista uma anarquia onde não seja reconhecida a autoridade da palavra do Senhor, Amém? Mas fixem-se em que só na palavra “Laodicéia”, se nos está mostrando o espírito tumultuoso, o espírito anárquico, o espírito competitivo do tempo do fim. Não foi assim em Tiatira. Tiatira foi terrível, mas Tiatira foi ditatorial; teve uma ditadura césaro-papista na Idade Média; também compare-o com essa época e você se dará conta de que Laodicéia e Tiatira são completamente diferentes, Amém? Como fala o Senhor então a Laodicéia? Ele está dando aqui a última palavra às igrejas; é a última palavra do Senhor às igrejas; depois vai falar dos selos, das trombetas, das taças da ira, mas aqui Ele está falando às igrejas, e é a última palavra do Senhor às igrejas, e por isso a nenhuma outra igreja Ele se apresenta como o Amém; mas aqui Ele está terminando; então olhem como se apresenta à igreja: “Isto diz o Amém...”; ou seja, a última palavra, assim é, assim seja, o Senhor é o Amém. Nos profetas, Deus é chamado de o Deus do Amém; é como dizer, o Ômega. Bem, como o Alfa é o princípio, a Ômega é o fim; o Senhor é o princípio e o fim; então sempre ao final se diz amém. Mas o Senhor diz que Ele é o Amém; ou seja, que Ele tem a última palavra; e esta é a última palavra à igreja em sua história universal.
O princípio da criação de Deus
Então diz o Senhor: “Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto.” Esta expressão do Senhor também como o princípio tem criado dificuldades de entendimento a alguns; porque tinha dito o Amém e agora diz: o Princípio; em outras partes tinha dito o Primeiro e o Último, o Alfa e a Omega, o Princípio e o Fim; agora, como está ao final, diz primeiro o Amém, mas depois diz: o Princípio; porque Ele não é somente uma coisa, senão a outra, o que é o final é o que é o princípio. “O princípio da criação de Deus.” Esta expressão deu lugar a alguns maus entendidos, porque se interpretou de maneira isolada do resto da revelação. Que o Senhor Jesus Cristo se apresenta como o princípio da criação de Deus, não quer dizer que Ele seja a primeira criatura de Deus, porque Ele é Deus mesmo. No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. A expressão “o princípio da criação de Deus” quer dizer que por meio dele todas as coisas foram criadas, que nada tem origem sem Ele. “Todas as coisas por ele foram feitas, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). Isso quer dizer que o Senhor, que é o Amém, é também o princípio da criação de Deus. Se tomamos a criação de Deus no sentido antigo, desde o nada até a existência, à nova criação, nos dois sentidos Ele é princípio da criação de Deus; tanto da velha como da nova; as duas são a criação de Deus; Ele é a origem de todas as coisas; sem Ele nada tem existência; agora este é o que fala; ou seja, este é o diagnóstico do Senhor à cristandade dos últimos tempos, a última palavra de Deus à Igreja.
Vomitar-te-ei da minha boca
“15Eu conheço tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem deras fosses frio ou quente! 16Mas porquanto és morno, e não frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. Palavra seríssima do Senhor; nunca o Senhor tinha falado palavras tão fortes. Que coisa mais desagradável é o vômito! Mas ser considerados como algo que lhe produz ao Senhor vômito, quer dizer que é algo que o Senhor considera asqueroso.
O que é o que o Senhor considera tão asqueroso? A indiferença, que não é nem água e nem limonada, nem fu nem fa; o Senhor quer que seja bem definido; Ele prefere que seja frio a que seja morno. Agora, que quer dizer frio? Frio quer dizer que não tem força, que não tem ânimo; Ele prefere que uma pessoa lhe diga: Senhor, não tenho forças, não sei nada; se tu não me ajudas, não posso nada; ou que esteja fervente, quente, em espírito, servindo-lhe, em verdadeiro espírito e verdade. Ele prefere que estejamos servindo do todo coração ou que estejamos reconhecendo nossa total impossibilidade, nossa total frieza e que estejamos a seus pés reconhecendo que não somos nada; mas o pretender ser e não ser; pretender que sejamos quentes, quando não somos tão quentes, somos mornos, isso ao Senhor lhe resulta em algo difícil. Sempre as coisas mornas são usadas para provocar vômitos; sempre se associou o água morna para produzir vômito. “16Mas porquanto és morno, e não és frio nem quente, te vomitarei de minha boca”; isto é, não posso engolir-te, não posso suportar-te nesta situação; como quem diz: se não vences isto..., graças a Deus que há vencedores da situação de Laodicéia, mas se não vences, que galardão vais ter? O galardão é para os que vencem; se não venceres, vomitar-te-ei de minha boca, não posso engolir-te, não posso aceitar-te nessa situação de indiferença. Que o Senhor nos ajude. A nenhuma outra igreja se chamou de morna, mas só a Laodicéia; quer dizer que o cristianismo dos últimos tempos não é um cristianismo consagrado; as pessoas se dizem cristãs sem serem verdadeiramente cristãs. Fixem-se no que o Senhor explica o que é a indiferença: “Porque (essa palavra “porque” aí está explicando a indiferença) tu dizes...” Ai, ai, ai! Aqui o Senhor está profetizando qual seria a confissão positiva da cristandade dos últimos tempos. Fixem-se: “tu dizes”; essa é uma confissão positiva; não está dizendo: sou magro, sou débil, preciso tua ajuda, não; sem ser verdadeiramente forte, está confessando coisas que não são. Quando em outra época se tinha ouvido falar tanto dos direitos humanos, da confissão positiva e da teologia da prosperidade como nesta época? Nenhuma outra época teve esta ênfase, mas por todas as partes que você for, você liga um televisor em programas de evangélicos e escuta uma quantidade de pregações de todas partes e esse é sua ênfase: confissão positiva, riqueza, propriedades, prosperidade, esse é a ênfase atual; e o Senhor já o tinha dito: “tu dizes”; essa é tua confissão; parece confissão positiva, mas o Senhor não ensina essa confissão; Ele diz que essa não é a realidade: “17Porque tu dizes: Eu sou rico, e me enriqueci”. Que outra época teve tanta riqueza, facilidades, geladeiras, aparelhos, tecnologia? “Tu dizes: Eu sou rico, e me enriqueci, e de nenhuma coisa tenho necessidade”. Se fosses frio, reconhecerias tua necessidade, mas não reconheces tua necessidade; está enganado, está enganando-se com sua própria auto-imagem que não é aprovada por Deus. “Dizes: Eu sou rico, e me enriqueci, e de nenhuma coisa tenho necessidade.” Que terrível é esta frase! O sentir-se satisfeito sem Deus, o sentir-se satisfeito com a riqueza material e não com Deus, isso é terrível. Dizes que não tens necessidade de nada, sentes-te satisfeito, estás feliz. Quantos parques há hoje em dia? Quando é que teve tantos parques como agora: como Disneylândia, Disneyworld, etc., televisão, novelas, distração? Ninguém tem que ter necessidade de Deus; “e não sabes”; isso quer dizer ignorância da realidade espiritual, uma época caracterizada pela ignorância espiritual. Pode ter cultura secular, cultura exterior, pode ser intelectual, mas não espiritual.
Riqueza material, pobreza espiritual
“Não sabes que tu és um desventurado”; um desventurado que diz ser rico, é melhor ser frio e dizer-lhe: Senhor, sou um desventurado; e saber que é um desventurado; então podes pedir-lhe ajuda, mas como diz que não é, sendo; sendo desventurado diz que é rico; Ele diz: “não sabes que tu és”; o Senhor diz: tu és um desventurado; ou seja, tua riqueza não é a verdadeira bem-aventurança; tua satisfação, tua comodidade, não é a verdadeira bem-aventurança.
“Não sabes que tu és um desventurado, miserável, pobre”. À igreja em Esmirna que passava perseguições, o Senhor diz: conheço tua pobreza; mas entre parêntese lhe diz: mas tu és rico; ainda que tinha pobreza material, era rico espiritualmente; do contrário, este era rico materialmente mas pobre espiritualmente. Dizes que és rico, mas não sabes que és pobre; ou seja, estás enganado; o que tu consideras de valor, o que tu estimas, é um engano. Paulo dizia: o que eu estimava como ganho, agora o considero uma perda com o objetivo de ganhar a Cristo. Paulo viu, mas Laodicéia não viu.
Que coisa séria é não ver! “Pobre, cego e nu”. Não vê; qualquer um vê sua vergonha, sua vergonha é pública. “18Por tanto, (aleluia! As últimas palavras do Senhor às igrejas) eu te aconselho que de mim (porque as riquezas que tens não são de mim, meu conselho é que de mim; tu dizes que és rico, mas essa não é verdadeira riqueza; verdadeiramente espiritualmente tu és pobre) compres ouro refinado em fogo”. Aqui o Senhor usa a palavra “compres”; quer dizer: paga o preço para ter a verdadeira riqueza espiritual.
Comprar é pagar o preço
Muita gente quer direitos humanos, quer riquezas, quer prosperidade; as palavras que sempre dizemos: saúde, dinheiro, amor, casa, carroça, bolsa, tudo fácil na terra, mas não quer a cruz, não quer o caminho estreito, não quer pagar o preço, e o Senhor a esta igreja lhe diz: “compres”; quer dizer: paga o preço, compra ouro; o ouro representa o metal mais valioso, que representa a natureza divina, o que é legítimo de Deus, o que é verdadeira riqueza espiritual. “Compres ouro refinado em fogo”; ou seja, o de Deus, que é capaz de passar a prova; o fogo é a prova; essa é a verdadeira riqueza, o que não se queima quando passa pelo fogo, essa é riqueza; mas o que se desfaz no fogo, o que quando vem a prova não permanece, é pura palha; mas o que passando a prova sobrevive, essa é verdadeira riqueza e essa se obtém com o pagar o preço; para obter do Senhor o que é o Senhor em nós e não nós somente.
“De mim”, isto é, eu sou o que tenho este ouro, que passa a prova do fogo. Eu passei pela prova, passei pela morte, mas veja que Eu vivo; compra, paga o preço para ter o meu e não te enganes com o teu; compra de meu ouro refinado em fogo, para que sejas rico.
Não é que o Senhor esteja no meio de uma teologia da prosperidade promovendo uma teologia da miséria, não; a alternativa da prosperidade não é a teologia da miséria, é a teologia da riqueza espiritual, essa é a alternativa, a riqueza da cruz; essa é a alternativa à teologia da prosperidade.
“Para que sejas rico”. O Senhor quer que sejas rico, mas verdadeiramente rico, como Ele disse: “19Não tenhais tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde ladrões minam e furtam; 20senão ajuntai tesouros no céu, onde nem traça e nem a ferrugem corroem, e onde ladrões não minam nem furtam” (Mt.6:19-20). Essa é a verdadeira riqueza, Amém? Compra, paga o preço, para que não estejas satisfeito com o teu nem com o do mundo, senão com o que Eu te dê; o Meu é tua verdadeira riqueza; aí sim, serás verdadeiramente rico.
“E vestimentas brancas para vestir-te”. Veja que roupa o Senhor queira dar: vestimentas brancas! O que Ele está dizendo à igreja? Parece que nem sequer se lembra de estar justificada, parece que no meio de sua prosperidade, no meio de sua alegria do mundo, no meio de seu desfrute dos benefícios da terra, esquece-se de cuidar ou estar em paz com Deus; porque se o Senhor está dizendo que precisa comprar-lhe vestimentas brancas para que não vejam sua vergonha, quer dizer que seus pecados estão sendo vistos pelos anjos de Deus, pelos demônios, não só por Deus, e até pelos homens também, que ainda que somos cegos, mas as vezes vemos.
O preço das vestimentas
Então quando o Senhor diz: compres vestimentas brancas, é porque uma parte da cristandade está em pecado, está vivendo em pecado, não confessou seus pecados, não acertou suas contas com Deus, acostumou-se a viver com contas acumuladas em sua consciência, adormecido, narcotizado pela prosperidade do mundo. Ai, Senhor Jesus, que terrível! “Compres ouro refinado em fogo, para que sejas rico, e vestimentas brancas para vestires”. Há que pagar o preço para andar em vestimentas brancas; é por graça. Por isso o irmão Dietrich Bonhoeffer, que foi um mártir do Senhor na Alemanha, (foi morto durante o tempo de Hitler; o mataram por ser fiel a sua consciência cristã. Ele disse uma frase que foi colocada como título de um livro que ele escreveu, muito bom livro: “O preço da graça”. Alguém pensa que a graça é grátis, mas ele falava do preço da graça, o que custou ao Senhor para dar-nos a graça e o que custa a nós viver na graça e não no ego, nem no natural, o preço da graça; por isso lhe diz: compra ouro refinado em fogo, e vestimentas brancas para vestir-te. Não estou dizendo que o sacrifício de Cristo não nos perdoa gratuitamente, mas para viver na graça, há que negar a si mesmo; podemos viver em Cristo por graça. O que quiser, venha e beba gratuitamente da água da vida, mas as vezes preferimos viver no humano, no natural, na carne e não no Espírito. Então para receber essa graça temos que negar a nós mesmo, primeiro crer, mas estar disposto a viver na fé, no novo homem.
Então diz: “e que não se descubra a vergonha de tua nudez”. Esta palavra me parece tão misericordiosa, porque as vezes nós, quando somos um pouco legalistas, queremos que o Senhor envergonhe em público aos outros: Esse tem um pecado, como muito me agradaria que o Senhor lhe descobrisse a falta diante de todos. As vezes essa é nossa atitude e nos alegramos muito mais quando alguém é descoberto e envergonhado do que quando é guardado; alegro-me que o pilharam; mas o Senhor não é assim: O Senhor diz: “que não se descubra a vergonha de tua nudez”.
Deve ocorrer somente quando é já necessário envergonhar às pessoas, como aconteceu com Davi que fez as coisas escondidinhas e não queria se arrepender; o Senhor teve que trazer a Natan, para lhe dizer: Tu o fizeste em segredo, agora em público tuas mulheres vão ser violadas; por que? Porque o tinha feito em segredo; mas a intenção do Senhor é cobrir-nos; compra de mim vestimentas brancas para vestir-te, e estarás justificado e limpo; confessa teus pecados e arrepende-te, ponto, para que não se descubra a vergonha de tua nudez, não deixes tuas coisas escondidas, confessa-as ao Senhor; se falhaste com alguém, pede perdão e arruma e pronto, acabou-se; o sangue me limpou; nunca mais o Senhor se lembrará, nem quer que você se lembre também; esquece. Mas enquanto estivermos guardado, a palavra é: estás nu, estás com umas vergonhas visíveis, paga o preço para que andes com vestimentas brancas e não se descubra; essa é a misericórdia de Deus que não quer envergonhar-nos, quer cobrir-nos: “que não se descubra a vergonha de tua nudez, e unge teus olhos com colírio, para que vejas”. Quer dizer que com nossos olhos naturais não vemos a realidade; pensamos que vemos e o Senhor diz: não sabes que és cego. Uma pessoa que não sabe que é cega, é uma pessoa que pensa que vê, mas não está vendo a realidade, está vendo alucinações, está obcecado com alguma coisa, mas não conhece a realidade, por isso não sabe que é cega. Uma pessoa que sabe que é cega, diz: Sou cego, não entendo Senhor, não entendo. Mas porque dizes que sabes... Ai Senhor! É melhor dizer como Jó: não entendo, eu falava o que não entendia; então Deus poderá abrir os olhos a alguém; mas se alguém pensa que já entendeu tudo, não sabe que está cego.
O colírio de Deus
Tenha o Senhor misericórdia de nós, de mim e de todos nós. “Unge teus olhos com colírio”; isto é, aplica a teus olhos algo que te faça ver. Você pensa que está vendo, mas o que está vendo não é a realidade, está enganado com tuas imaginações; o colírio é algo diferente do natural, o colírio é algo que opera na vista, que não está na pessoa. Nós precisamos que o Senhor abra nossos olhos, unja nossos olhos; mas o Senhor diz que nós devemos ungir nossos olhos; ou seja, que temos que ir ao Senhor para que o Senhor nos abra os olhos. Quando alguém pensa que está vendo, irmãos, é tão terrível, porque esse alguém nunca tem a oportunidade de reconhecer seus erros. Eu recordo quando estava sob a influência do branhamismo, durante os anos 73 ao 75; eu pensava que estava correto; eu lia, parecia-me correto o que lia, parecia-me bíblico; e enquanto eu pensei isso, nunca me dei conta do erro. Um dia se me ocorreu uma dúvida que foi do Espírito Santo; fui e me apartei a um lugar para orar, e lhe disse: Senhor, a mim, isto parece correto, mas quem sabe eu possa estar equivocado e não me dei conta; tu és o que sabes; eu quero seguir-te, ensina-me a verdade. Se isto que me parece a verdade, é a verdade, confirma-me; mas se estou equivocado e eu não consigo me dar conta, mostra-me. Quando fiz essa oração com sinceridade ao Senhor, aí, pouco a pouco, o Senhor começou a mostrar-me os erros que eu estava metido, e pouco a pouco fui tendo luz, porque era terrível suportar tantos erros inesperadamente. Eu ia no ônibus e me vinha à mente: mas este versículo diz tal coisa e o irmão aqui, que eu tenho respeito, diz outra coisa; e começou esse conflito; mas se ele é um profeta de Deus e eu quem sou, mas a Bíblia segue dizendo isto; tinha que escolher entre o que diz a palavra de Deus e o que diz outra pessoa. E quando aceitei isso e tive que ser dissidente por honrar ao Senhor e à verdade, aí se me mostrou um outro pouquinho; se és fiel no pouco, se te dará mais. Outra coisa, aqui há outro erro, aqui neste assunto de casal, divórcio e poligamia, aqui há um erro; aqui neste assunto que nega a Trindade, aqui há outro erro; aqui neste assunto da segunda vinda de Cristo há outro erro; e me começou a mostrar erro depois de erro, um depois de outro; se fores fiel num pouquinho e dependeres dele, e só confiares Nele e não em sua própria prudência, Ele te poderá ungir os olhos com colírio. É o que diz Provérbios: “5Confia no Senhor de todo teu coração, e não te apóies em tua própria prudência. 6Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará tuas veredas” (Prov. 3:5-6). Mas se alguém confia em sua própria prudência, que tudo está bem, sinto-me satisfeito; não tenho necessidade de nada, aqui estou contente, não vai ter mais. Que nunca fiquemos contentes com menos do que a plenitude de Cristo; que sempre procuremos mais de Cristo; que sempre tentemos ir mais adiante; ame mais ao Senhor que ao próprio ambiente, inclusive mais do que à Igreja; ame ao Senhor, avance em direção ao Senhor, siga ao Senhor, procure o Senhor. Senhor, preciso da tua luz; então Ele irá confirmar o que é Dele. Não há problema. Que perigo há? Nenhum; o que é Dele, Ele vai confirmar, mas o que não é dele, Ele vai mostrar e vai livrar-te. Temos que pô-lo em primeiro lugar em tudo; não temas ser dissidente se é por amor ao Senhor e sua Palavra, porque você não é nosso antes de ser do Senhor; você é do Senhor, amém? Primeiro o Senhor. Então quando eu digo ao Senhor: “faça o que o Senhor quiser”. Eu penso que está correto, mas pode ser que esteja equivocado e não me dou conta; aí Ele me mostra aos poucos; se for fiel a esse pouquinho, Ele me mostra outro pouquinho, depois outro pouquinho e outro pouquinho, e assim vai me mostrando e me corrigindo. Somos passiveis de erros e a pessoa fanática é a que pensam que vê e nunca duvida de que poderia estar equivocada; por isso é que temos que colocar o Senhor antes da nossa auto-complacência. Senhor, se estou enganado, desengana-me Senhor. Amém? Unge meus olhos com colírio para que veja, não aconteça que pense que estou vendo e sou cego, espiritualmente cego. Recomendo-lhes muito esse livro do irmão Austin Spark, “Ver - Visão espiritual, homens cujos olhos viram o rei”. Tremendo livro!
Deus castiga aos que ama
Agora, depois dessa palavra de que és cego, miserável, nu, morno, vomitar-te-ei, alguém pensaria, mas será que o Senhor está chateado comigo? Olhem o que diz: “19Eu repreendo e castigo a todos os que amo”. Quando uma pessoa é amada pelo Senhor passa por provas difíceis, não porque Deus não o ame, senão precisamente porque Ele o ama: “Eu repreendo”, e não só repreendo, “castigo”. Alguns dizem que Deus não castiga, mas aqui diz o Senhor que Ele castiga aos que ama: “repreendo e castigo a todos os que amo”. Há graus diferentes nas duas palavras. Repreender é admoestar, chamar a atenção, mas ainda não te acontece nada; mas se te chamou a atenção e não queres seguir ao Senhor, então tem que passar da repreensão ao castigo e o castigo pode ser uma coisa difícil que nos acontece, mas por que? Porque Ele nos ama, quer-nos livrar dos enganos; isto é, aos que amo, Eu os repreendo e os castigo. E diz mais: “Sê pois, zeloso”. Aqui zeloso é o contrário de morno. Morno é o que está satisfeito, não zeloso; o Senhor é zeloso e quer que nós sejamos zelosos. Uma pessoa zelosa é uma pessoa que quer as coisas puras e não misturadas nem mornas; o contrário de morno aqui é zeloso: “Sê pois zeloso, e arrepende-te”. O Senhor dá tempo à igreja em Laodicéia, à cristandade dos últimos tempos para arrepender-se e ser zelosa; isto é, ser uma pessoa que ama ao Senhor com cuidado: “20Eis que estou à porta e chamo”. Esta é uma das frases mais tremendas.
O Senhor do lado de fora da Igreja
O Senhor não diz que está dentro, senão fora; está querendo entrar mas nós estamos aqui com nossa festa, dizendo coisas, estando embriagados em nossas cobiças e o Senhor está batendo à porta. Ele não diz: estou dentro, não, estou à porta e chamo.
Que coisa terrível! As vezes ter programas, estruturas, ter de tudo e não ao Senhor mesmo; mas isso o diz o Senhor à igreja em Laodicéia; Ele quer entrar. Agora, neste apelo, Ele chama à igreja, mas como Ele sabe que não toda a igreja vai ser vencedora, então fala aos indivíduos. Diz assim: “Eu estou à porta e chamo; se algum ouve minha voz”. Se alguém distingue o que é o que verdadeiramente o Senhor diz e o que Ele quer, estará disposto a abrir-lhe a porta ao Senhor em vez de estar enganado pensando que vê e não vê. “Se alguém ouve minha voz”; porque é que alguns não ouvem; se tem ouvido, ouve, mas se alguém ouve, abrirá a porta ao Senhor. Ele fala a toda a igreja: “Escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”, fala ao espírito da igreja do tempo final. Se no meio desse espírito, alguém ouve minha voz, minha voz, porque as vezes ouvimos muitas vozes e especialmente nos tempos finais está profetizado que se ouviriam muitas vozes, muitos falsos profetas e até milagres e sinais, mas não é a voz do Senhor; mas se no meio dessa batalha do engano final, alguém, um ou outro por aí, ouvir minha voz e depois de ouvir abrir a porta e não deixar ao Senhor de fora, senão que chamar ao Senhor para dentro, então o Senhor diz: “entrarei em sua casa”.
A cristandade de nome, sem o Senhor dentro, mas se me abrir a porta “entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele comigo”. Sempre o comer juntos era uma forma de como o Senhor representava a comunhão; a comunhão é comer juntos. “cearei com ele, e ele comigo”, cear juntos: “21Ao que vencer”. Isto sim é tremendo, terá vencedores nas condições de Laodicéia; e se você compara os galardões, a nenhuma igreja se lhe oferece um galardão tão grande como à igreja em Laodicéia; compare todos os galardões. A Éfeso, lhe darei a comer da árvore da vida. A Esmirna, não sofrerá dano da segunda morte. A Pérgamo, uma pedrinha branca. A Tiatira, lhe darei autoridade sobre as nações. A Filadélfia, o farei coluna no templo de meu Deus e nunca mais sairá de ali, mas aos vencedores do fim se lhes promete o maior galardão; olhem o que diz: “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em Meu trono, (que coisa tremenda!) bem como eu venci, (ao que vencer como eu venci) e me sentei com meu Pai em Seu trono”. O Pai quer delegar ao Filho tudo, e o Filho quer delegar aos vencedores finais, tudo. “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em Meu trono, bem como eu venci, e me sentei com Meu Pai em seu trono”. Esta sim é a verdadeira riqueza, esta se é a verdadeira glória. “22O que tem ouvido (para ouvir Sua voz) ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Que o Senhor nos encontre despertos, conceda-nos arrepender da indiferença e nos conceda pagar o preço para ter ouro verdadeiramente espiritual, vestir-nos verdadeiramente com vestimentas brancas e ter os olhos ungidos para ver verdadeiramente. Que Deus nos ajude. A paz do Senhor Jesus seja com os irmãos. -
A MENSAGEM À IGREJA EM FILADELFIA
A MENSAGEM À IGREJA EM FILADÉLFIA
“E escreve ao anjo da igreja em Filadélfia: Isto diz o Santo, o Verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre”. Apocalipse 3:7
Crítica textual
Irmãos, vamos dar continuidade com a ajuda do Senhor, ao estudo que estamos fazendo paulatinamente do livro do Apocalipse. Estamos no capítulo 3 e hoje corresponde-nos uma porção super especial, uma porção com a qual Deus nos quer ensinar; é a mensagem à igreja em Filadélfia. Está em Apocalipse 3:7 a 13. Vou ler todo o texto de uma só vez; enquanto estiver lendo, vou fazer uma pequena observação quanto a crítica textual; neste caso não é muito amplo; depois voltaremos sobre nossos passos a considerar os versos um por um. Diz assim o Senhor Jesus a João, o apóstolo:
“7Escreve ao anjo da igreja em Filadélfia: Isto diz o Santo, o Verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre. 8Eu conheço tuas obras; tenho aqui, pus adiante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar; porque ainda que tens pouca força, guardaste minha palavra, e não negaste Meu nome. 9Eis que Eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem ser judeus, e não o são, senão que mentem; eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e reconheçam que eu te amo. 10Porquanto guardaste a palavra de minha paciência, eu também te guardarei da hora da prova que tem de vir sobre o mundo inteiro, para provar aos que moram sobre a terra. 11Eis que, eu venho cedo; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa. 12Ao que vencer, eu o farei coluna no templo de meu Deus, e nunca mais sairá dali; e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, a qual desce do céu da parte de meu Deus, e meu nome novo. 13O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Quanto a crítica textual, somente ali no primeiro verso desta mensagem, o 7, ali onde diz: “o Santo, o Verdadeiro, o que tem a chave de Davi”; nesta tradução, colocou-se a tradução mais correta: “a chave de Davi”. Há alguns manuscritos posteriores, manuscritos chamados minúsculos dos últimos séculos, que mudam neste lugar e dizem: “a chave do Hades”; outros dizem: “a chave do inferno, da morte e do Hades”. Há um só que diz por aí: “a chave do paraíso”; mas a maioria dos manuscritos e os mais antigos dizem como esta tradução o diz: “a chave de Davi”. Todo o restante concorda nos demais manuscritos; a única divergência na crítica textual é nesse pontinho, mas aqui a versão em espanhol, Reina Valera do 60 tem a tradução mais acertada; isto é, é mais fiel à maioria dos textos e aos textos mais antigos. Isso então somente quanto a crítica textual.
A cidade de Filadélfia
Ao olhar a mensagem à igreja em Filadélfia, começamos a pensar um pouquinho na cidade de Filadélfia; é importante ver o sentido da história da cidade, porque Deus utilizou estas cidades no sentido profético; todo o Apocalipse é uma profecia; portanto, aquela cidade não era somente uma cidade histórica, ainda que fosse uma cidade histórica; mas a igreja nessa cidade tinha umas condições com as quais o Senhor queria projetar profeticamente. É interessante ver o nome de Filadélfia, de onde vem a palavra Filadélfia, etc. Esta cidade de Filadélfia, não a igreja, senão a cidade foi fundada dois séculos antes de Cristo por um rei, Eumenes de Pérgamo; ele tinha um irmão que se chamava Atalo, o qual era muito fiel a Eumenes, era um irmão que o apoiava em tudo no governo, no qual Eumenes podia confiar. Eumenes trocou o nome de Atalo para Filadelfo; isto é, um irmão fraternal, um irmão no qual se pode confiar. Por isso essa cidade foi fundada por Eumenes em homenagem a Atalo, seu irmão e o nome dado foi Filadélfia, já que era um irmão muito fiel para ele, e por isso essa cidade foi chamada de Filadélfia. Mas Deus sabia o que ia fazer quando usasse esse nome para projetar profeticamente. Aqui o Senhor fala a uma igreja histórica. Filadélfia fica mais ou menos a uns 120 quilômetros ao sudeste de Sardes. Aqui temos o círculo das sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, ao sudeste de Sardes, e Laodicéia; esse é mais ou menos o círculo das sete igrejas, de maneira que Filadélfia é uma cidade que está a 120 quilômetros ao sudeste de Sardes. Esta cidade é uma cidade que está numa região muito fértil; é tão fértil que realmente é uma cidade muito bendita; e o curioso, como lhes dizia, é que das sete cidades, somente duas cidades sobrevivem até o dia de hoje, que são: Esmirna, à qual o Senhor não reprova nada, e Filadélfia, à qual o Senhor também não reprova nada.
Coluna e baluarte da verdade
Hoje em dia, essa cidade está sob o governo dos turcos; foi tomada por eles na época em que os muçulmanos se estenderam; foi onde o cristianismo durou mais tempo depois da invasão dos muçulmanos; e até o dia de hoje existe um depoimento cristão em Filadélfia; claro que no lugar onde se reuniam os cristãos em Filadélfia, os muçulmanos fizeram uma mesquita e mudaram o nome da cidade e a chamaram Alá Seher, ou seja, cidade de Deus; isto é, mesmos os muçulmanos a chamam de Filadélfia: Cidade de Deus. Agora, há uma questão curiosa nessa cidade; até o dia de hoje existe uma coluna grandíssima, muito antiga; desde a antigüidade se construiu uma coluna grandíssima em Filadélfia; e Filadélfia está numa zona sísmica, onde têm constantes tremores e até terremotos, mas essa coluna que simboliza a cidade de Filadélfia, bem como a torre Eiffel simboliza Paris e o Big Ben simboliza Londres, assim essa coluna simboliza Filadélfia; não caiu essa coluna que é tão antiga, apesar dos terremotos que teve. Laodicéia, que está um pouquinho depois de Filadélfia, foi totalmente arrasada e não sobrevive; mas Filadélfia sobrevive até hoje com um nome muçulmano, Alá Seher, cidade de Deus, e no entanto, essa coluna está em pé, esse é um símbolo. O Senhor disse que ao vencedor faria coluna do templo de Deus e nunca sairia dali; a igreja é chamada coluna e baluarte da verdade. De todas as igrejas, Esmirna e Filadélfia são as igrejas que o Senhor não repreende, mas é somente a Filadélfia que Ele abre uma porta. Esmirna está em prova, mas Filadélfia passou a prova e por isso se abre a porta. Então eu creio que todas as igrejas, porque isto o Espírito o diz às igrejas, todas as igrejas tem que aprender da mensagem do Senhor a Filadélfia. Primeiro, porque não a repreende; segundo, porque Ele abre uma porta; quer dizer que esta igreja, a da cidade de Filadélfia, na Ásia Menor, é uma igreja conforme ao coração de Deus, uma igreja onde o Senhor respalda, onde o Senhor abençoa; o abrir uma porta quer dizer: eu estou contigo, não importa que tenhas pouca força, não importa que sejam poucos, não importa que sejam débeis, eu lhes abro uma porta que ninguém pode fechar; o que eu fecho ninguém pode abrir, e assim também a que eu abro ninguém pode fechar. A única igreja que o Senhor abre uma porta é para Filadélfia e não lhe reprova nada; portanto, todos nós temos que aprender, todas as igrejas têm que aprender de Filadélfia, quais são as coisas que o Senhor aprova em Filadélfia, porque o Senhor revela Seu coração e o que é que se percebe que Ele quer da igreja, na maneira como Ele fala a Filadélfia?
Credencial do Santo e Verdadeiro
Vamos começar a repassar estes versos um por um. Vamos ao primeiro. Como aos demais, diz-lhes: “Escreve ao anjo da igreja em Filadélfia”. Agora olhem como se apresenta o Senhor à igreja. A cada igreja se apresenta com uma credencial diferente. Por que? porque a igreja X ou Y está numa situação X ou Y; então o Senhor, segundo a situação, apresenta-se à igreja. Ele não se apresenta a todas com as mesmas credenciais, senão que a cada uma se apresenta segundo o que a igreja precisa dele. Agora a Filadélfia se apresenta desta maneira: “Isto diz o Santo”; é interessante isto.
Precisamente na história da Igreja, olhando profeticamente esta mensagem, vocês recordam quando tínhamos visto aquela passagem de Joel que diz que o que ficou da lagarta comeu o gafanhoto, o que ficou do gafanhoto comeu o devorador; e o destruidor comeu o que do devorador tinha ficado, mostrando como a planta do Senhor foi comida; mas depois o Senhor diz: Vos restituirei o que comeu a lagarta, o gafanhoto, o devorador, o destruidor. Na história da Igreja vemos que desde a Reforma existe uma recuperação; essa recuperação começou desde Sardes, a época do protestantismo com a justificativa pela fé; mas não basta só justificativa; não é somente ser justificados, senão ser santificados; vocês recordam que depois da época protestante, da época luterana, da época do primeiro protestantismo, começou com Wesley e com outros irmãos essa ênfase na santidade de Deus; e aqui justamente, o Senhor a essa igreja, a de Filadélfia, se apresenta como “o Santo e o Verdadeiro, o que tem a chave de Davi”, e explica o que isso quer dizer, com a seguinte frase: “o que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre”. Esta expressão, “a chave de Davi”, aparece pelo Espírito Santo no livro de Isaías 22:22.
A chave de Davi
Os convido a que leiamos essa passagem ali para que entendamos o contexto no qual o Senhor estreou esta expressão na Bíblia. “Profecia sobre o vale da visão”; está na parte onde diz: O corrupto Sebna será substituído por Eliaquim. Sebna era um sacerdote que se tinham encarregado dos tesouros, mas por ser infiel, foi substituído por outro sacerdote que se chama Eliaquim. Leiamos essa passagem de Isaías 22:15 a 25 para ter o contexto onde aparece esta expressão inicial, que só aparece nestes dois lugares, uma no Antigo, que é esta, e outra no Novo, que é a que lemos em Filadélfia. “15Jeová dos exércitos diz assim: Vê, entra a este tesoureiro”. Fixem-se na palavra “tesoureiro”, porque os sacerdotes eram os tesoureiros, e eles guardavam os tesouros e tinham uma chave, e essa chave era colocada nos ombros; essa função sacerdotal de tesoureiros foi instituída por Davi. Davi foi o que encarregou aos sacerdotes o cuidado dos tesouros da casa de Deus, inclusive os tesouros reais. Por isso se chamava “a chave de Davi”, porque eram os tesouros da casa de Deus com os que ia construir o templo e eram os tesouros do rei Davi. O sacerdote, pois, tinha essa chave e ele a guardava no ombro; por isso se diz: a chave sobre seu ombro, diz a Escritura; eles tinham a chave no ombro e ninguém podia entrar nesses tesouros, senão o que tinha a chave, que era o sacerdote encarregado. O Senhor é o que tem a chave de Davi; isto é, Ele é o que tem os tesouros de Deus, o encarregado dos tesouros de Deus, o que abre e ninguém fecha e o que fecha e ninguém abre; ou seja, o depositário da parte de Deus, das riquezas; por isso essa palavra “tesoureiro” aqui é. Diz: “vá a este tesoureiro, a Sebna (mas este tesoureiro se mostrou indigno) o mordomo, e diz: 16Que tens teu aqui, ou a quem tens aqui, que lavraste aqui sepulcro para ti, como o que em lugar alto lavra sua sepultura, ou o que esculpe para sim morada numa penha?” Ele começou a fazer para si as coisas, começou a utilizar para si mesmo o que era do Senhor, começou a construir sua casa, construiu até um sepulcro, um sepulcro luxuoso; até o sepulcro de Sebna já estava preparado por Sebna.
“17Tenho aqui que Jeová te transportará em forte cativeiro, e de verdade te cobrirá o rosto”. Como quem diz: nem o sepulcro irás utilizar.
“18Te jogará com impulso, como a bola por terra extensa; lá morrerás, e lá estarão as carroças de tua glória, oh vergonha da casa de teu senhor”. Ele não era o Senhor, ele era o mordomo, mas estava trabalhando para si. É como disse o Senhor na parábola àquele mordomo: Dá conta de tua mordomia; que fizeste com o que pus em tuas mãos? Ele o estava usando para si mesmo, estava malversando os bens que o Senhor lhe tinha dado. “19Te arrojarei de teu lugar, e de teu posto te empurrarei. 20Naquele dia chamarei a meu servo Eliaquim filho de Hilquias”. Este era irmão do profeta Jeremias; Hilquias é aquele que descobriu os rolos no tempo de Jeremias; aqui está profetizado em Isaías. “21E o vestirei de tuas vestimentas, e o cingirei com teu cinto, e entregarei em suas mãos o teu domínio; (essa era a chave) e será pai ao morador de Jerusalém e à casa de Judá”. Que tinha que fazer o mordomo com a chave? Tinha que usar esses bens para benefício do povo de Deus. “Será pai ao morador de Jerusalém, e à casa de Judá. 22E porei a chave da casa de Davi sobre seu ombro; e abrirá, e ninguém fechará; fechará, e ninguém abrirá”.
O tesoureiro da casa de Deus
Por aquela função que se lhes tinha delegado a estes sacerdotes como mordomos e tesoureiros da casa de Davi para o povo de Deus, estes eram figura do verdadeiro Sumo Sacerdote, verdadeiro mordomo, verdadeiro ungido, ecônomo de Deus, que é Cristo, que é o que tem a autoridade de abrir e ninguém fechar; fechar de forma que ninguém a abra. “E porei a chave da casa de Davi sobre seu ombro, e abrirá, e ninguém fechará; fechará, e ninguém abrirá. 23E o fincarei como prego em lugar firme; e será por assento de honra à casa de seu pai”. Um prego firme é onde se podem pendurar as coisas; num prego frouxo não se pode pendurar nada; o outro sacerdote, que era como um prego frouxo não se pode confiar nada porque cai. Se nos podem confiar coisas e se mantêm penduradas ou se caem; é importante isto.
“24Pendurarão dele toda a honra da casa de seu pai, (o que tinha que pendurar? A honra da casa do Pai) os filhos, e os netos, todos os copos menores, desde as xícaras até toda classe de jarros.
25Naquele dia, diz Jeová dos exércitos, o prego fincado em lugar firme será tirado; (esse era Sebna) será quebrado e cairá, e o ônus que sobre ele se pôs se jogará a perder; porque Jeová falou”.
Sebna era alguém no qual não se podia confiar; tinham entregado os tesouros a ele, porém ele era corrupto, usou-os para si mesmo; de outro modo Eliaquim viria depois de Sebna, e ele sim seria digno de confiança, se penduraria nesse prego firme a honra da casa. Este capítulo nos aclara o que significa essa expressão de Apocalipse aqui no verso 7 onde diz “o Santo, o Verdadeiro, o que tem a chave de Davi”; essas palavras as falou Isaías por inspiração do Espírito Santo, sabendo que aqueles sacerdotes eram figura do verdadeiro Sumo Sacerdote, o verdadeiro tesoureiro da casa de Deus em quem Deus pôs sua confiança, pendurou Sua própria honra, a testemunha fiel e verdadeira, o Santo; por isso, com esse capítulo de fundo, esta frase tem muito significado. Quiçá se não tivéssemos lido Isaías não teríamos compreendido o significado da chave de Davi; agora entendemos o que se quer dizer do Senhor Jesus, que é quem tem a chave de Davi.
Em outra passagem diz que a tem sobre Seu ombro. “O que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre”. Por que o Senhor começa a apresentar-se assim à igreja em Filadélfia? Porque vai dizer daqui a pouco, que Ele vai abrir uma porta. Ah! Não importa as portas que abram os homens, essas, os homem ou o diabo pode voltar a fechar. Agora, importa não só as portas que fecham os homens, mas também se é Deus quem as abre. Aqui também é o Senhor que vai abrir a porta, apresenta-se como o que tem a chave e que abre e ninguém fecha. Irmãos, isto é tão importante para nós, pois temos que ver quais foram as causas que moveram ao Senhor para que Ele esteja disposto a abrir e não deixar que ninguém feche, porque se nós entendemos o coração do Senhor e nos pormos na mesma linha do Senhor, no Espírito, a mesma palavra será também para nós, porque essa igreja nos representará se formos iguais, se cumprimos como quem diz estas expectativas do Senhor; mas para que nós possamos dizer que somos Filadélfia, temos que encher estas expectativas; porque, irmãos, as vezes as portas se nos fecham porque não fazemos as coisas da forma correta. O que abre e ninguém fecha, é o Senhor; o mesmo que se fechar, ninguém abrirá. Quando Esaú chorou pela primogenitura, pôde prantear tudo o que queira, mas não se lhe abriu a porta; a primogenitura era de Jacó. Ainda Moisés, vocês recordam, quando quis que se lhe perdoasse e pudesse entrar na terra, Deus lhe disse: Basta! Não me fales mais disto. Irmãos, quando Deus nos fecha a porta, é terrível; há que preencher os requisitos do Senhor para que Ele nos abra a porta.
Uma porta aberta
Agora, o que abre a porta, é o Santo, o separado, não só do imundo, senão do comum. O comum às vezes também destrói as coisas e não só o imundo, o pecado. “8Eu conheço tuas obras; (nesse momento não disse quais eram suas obras, mas as aprovou, pelo que prossegue) tenho aqui, pus diante de ti uma porta aberta, (por isso se apresentou como o que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fecha e fecha e ninguém abre) a qual ninguém pode fechar”. Quer dizer que a partir da igreja de Filadélfia, primeiro no histórico, depois no profético, há uma continuidade.
Quando vocês vêem a história de todas as sete igrejas históricas do Ásia Menor, a que mais perdurou foi Filadélfia; ainda no tempo dos muçulmanos, aí esteve essa comunidade; depois os muçulmanos tomaram à força o lugar, estabeleceram uma mesquita onde os irmãos se reuniam, mas a comunidade sobrevive até o dia de hoje. Até o dia de hoje há cristãos na cidade de Filadélfia, até o dia de hoje há uma comunidade cristã, onde em outras cidades tudo é islamismo. Mas falando no sentido profético, já vimos o período primitivo, o período das perseguições, o período da igreja católica antiga, o período medieval, o período da Reforma; Filadélfia é algo além da Reforma, algo mais avançado do que o protestantismo comum e corrente que está representado por Sardes. Filadélfia representa, como o nome o diz, o amor fraternal, a verdadeira comunhão do corpo de Cristo; fileo, adelfo, isso é o que quer dizer Filadélfia. Fileo é o amor fraternal, o afeto fraternal; adelfo quer dizer, irmão. Filadélfia é o afeto fraternal, a comunhão dos irmãos, a ação e prática do corpo de Cristo. O protestantismo era nominalismo; tens nome de que vives, mas estás morto; por outro lado, Filadélfia é amor fraternal; a ênfase agora não é somente sair de Babilônia, sair do catolicismo romano, senão que é viver a realidade cristocêntrica, espiritual e bíblica do corpo de Cristo, vivê-la em espírito e em verdade; essa é Filadélfia.
O Senhor fala a um período da igreja onde o Espírito Santo começa a restaurar a visão da realidade do corpo de Cristo, a verdadeira comunhão do corpo de Cristo no Senhor; a igreja em Filadélfia; e lhe abriu uma porta. Quando isso começou a ser restaurado no século XIX, através de muitos irmãos, essa mesma época coincidiu com o período das missões. O período das missões coincide com o período quando o Espírito Santo começou a mostrar pouco a pouco o corpo único de Cristo; e assim começaram as grandes missões, os grandes missionários na Índia, na África, na China. Quando foi essa época? Esta mesma época que supera o protestantismo clássico e o denominacionalismo e trabalha no plano do corpo de Cristo; esses são os irmãos que mais trabalharam, na Nova Zelândia, por lá, nesses lugares longínquos. “Pus adiante de, ti uma porta aberta”. Essa é para quem? Para ela, para que ela passe, para que a igreja saia e atue; o Senhor lhe abre a porta, que saia de suas quatro paredes, que vá por todas as partes levando o que o Senhor aprova. Ele quer que o que Ele aprova, flua. Porque pôs uma porta aberta o que tem a autoridade, o que tem a chave de Davi? Qual é a razão? Por que razão o Senhor lhe abriu uma porta? Nós queremos que se nos abra também uma porta? Olhemos as razões do Senhor: “ainda que tens pouca força...”.
Isso não incomodou ao Senhor para que Ele fechasse a porta; o Senhor não se engana com as aparências. Parece que o papado é grande, tem multidões, tem vidros de cores, tem mosteiros e um montão de nomes raros, tem muitas coisas, mas o que o Senhor diz de Roma na Bíblia? Que é Babilonia. Diz a João: Vêem, eu te mostrarei a queda, o juízo sobre a grande prostituta. O Senhor tem juízo para a grande prostituta, mas para Filadélfia tem uma porta aberta.
O que diz o Senhor? Por que te abri uma porta? “Porque ainda que tens pouca força...”. Não importa a aparência, não importa que sejam poucos, ao Senhor o que lhe importa é que sejam achados fiéis, que sejam verdadeiros; claro, isso não é para justificar que sejamos poucos, não; devemos ser muitos, para isso se abre a porta, mas o que importa ao Senhor é a fidelidade; diz aqui que isso é o que importa ao Senhor. Por que razão Ele abre a porta a Filadélfia? “Porque ainda que tens pouca força, guardaste minha palavra e não negaste meu nome”. Duas coisas que são chaves: Guardaste minha palavra e não negaste meu nome; duas coisas que para o Senhor são importantes; se guardamos Sua palavra, se somos fiéis a Sua palavra. Ele disse: minha palavra não sai de mim vazia; antes voltará e fará aquilo para o qual foi enviada; então o Senhor abre a porta à Sua palavra através de Filadélfia. Como tu, Filadélfia, guardaste minha palavra, eu te abri uma porta; para que? Para que leves minha palavra. Agora, se nós começamos a acomodar-nos ao século, à época, ao costume, ao mundo, à religião, então somos desonestos para com a Palavra. Eu sei que se nós nos adaptássemos ao comum, teríamos muita aceitação; mas se somos fiéis à Palavra, aqueles que não estão na Palavra vão molestar. Filadélfia é o depoimento conservador (conservando as coisas do Senhor) contra o liberalismo modernista.
Filadélfia é cristocêntrica
Sempre os remanescentes que aprenderam um pouco da Palavra, foram perseguidos na história da Igreja; mas o Senhor aprova que sejamos fiéis a Sua palavra; o que Lhe importa é Sua palavra; guardaste minha palavra e não negaste meu nome; somos cristocêntricos, não temos outro nome, não deixamos que outro nome desloque o único nome. Somos cristãos, não precisamos ser luteranos ou calvinistas ou ginistas ou witneslistas, ou qualquer coisa dessas; que Deus nos guarde. A vocês e a mim; guarde a todo mundo; nós somos cristãos. Sempre que se começa a falar às igrejas diz: Em Cristo Jesus; Paulo, apóstolo de Jesus Cristo; Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo; à igreja de Deus que está em Cristo. Ao Senhor, o que lhe interessa é ser o centro, ser a vida, ser o tudo, ser o ambiente e o que devemos procurar; não devemos ser identificados porque sejamos pré-tribulacionistas ou pos-tribulacionistas ou porque falamos em outras línguas (não das nações), ou anti-carismáticos; nenhuma outra coisa tem que identificar; ou porque batizamos assim ou assim; é o nome do Senhor, somos cristãos, para nós o que importante é Cristo, a quem queremos é a Cristo, o que nos importa é procurar andar em Cristo, o que valorizamos é o que é Cristo; não queremos pôr sobre nós outros nomes, não queremos ter nome de vivos e estar mortos, queremos guardar Seu nome, guardar o Nome não só no exterior, senão no interior. O nome representa à pessoa, representa a vida; ou seja, tentar andar em Cristo, ser cristocêntrico; valorizar o que é Cristo e a Palavra; essas duas coisas para o Senhor são importantes; ao Senhor não lhe impressionam as outras coisas; estas são as coisas que Ele mostra que lhe impressionam; por isto te abri uma porta, porque guardaste minha palavra e não negaste o meu nome; essas duas coisas guardemos. Sejamos cristocêntricos, que nosso tudo seja Cristo, nosso centro seja Cristo e nossa diretriz seja Sua palavra; e sejamos fiéis a Sua Palavra ainda que ninguém mais esteja de acordo, ainda que seja difícil, ainda que nos custe, sejamos fiéis à Palavra e ao Seu nome; e essa é a base pela qual Ele nos abrirá uma porta. Agora, quer dizer que isso é fácil? Não, claro que não é fácil; olhem o que teve que enfrentar Filadélfia; está no verso seguinte: “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás”. Oh! Aqui aparece outra vez a sinagoga de Satanás; as duas únicas igrejas que o Senhor não repreende que são Esmirna e Filadélfia, as duas têm que lutar com a sinagoga de Satanás; em nenhuma outra parte se menciona a sinagoga de Satanás, senão em Esmirna e em Filadélfia; parece que quando a igreja quer ser fiel, o diabo tem seu substituto que se engrandece e que pretende ser algo; o que dizia esta sinagoga de Satanás? Diz: “da sinagoga de Satanás, aos que se dizem ser judeus e não o são”. Ah! Desde o princípio da igreja teve esse sentimento de semitismo; não o contrário de anti-semitismo; não estou propagando o anti-semitismo, mas também não um judaizamento da igreja. Gálatas nos mostra que tinha pessoas que queriam judaizar a igreja; guardar outra vez as festas; e é curioso que ao mesmo tempo que o Espírito Santo está guiando pela Palavra e cristocêntricamente, o diabo está querendo judaizar a igreja, gente dizendo ser judeu, ser messiânico, sem sê-lo; por que? Porque então se são, consideram-se superiores; consideram que os gentis são inferiores e o Senhor está dizendo que não é assim.
Os pretendidos messiânicos
Há pessoas que dizem ser algo para pretender ter autoridade sobre os demais; como Paulo dizia: eu mesmo antes tinha como grande estima o ser hebreu de hebreus, fariseu de fariseus; ele era como dizer da linhagem de Abraão, da tribo de Benjamin; ele pretendia ser algo. Hoje em dia as pessoas dão um grande valor a essas coisas; como se coloca o candelabro? À direita ou à esquerda; à direita; e estão pondo kippá (cobertura sobre a cabeça dos homens), e um montão de coisas, judaizando outra vez, dizendo que as pessoas têm que guardar outra vez a lei de Moisés; esse foi o problema que teve a igreja primitiva. É necessário, diziam aqueles fariseus, obrigar aos gentis a guardar a lei de Moisés, a circuncidar-se; isto é, voltar a judaizar. É curioso que o Senhor, paralelamente à igreja em sua normalidade, à igreja na aprovação do Senhor, ao corpo de Cristo segundo o coração de Deus, mostra como o Seu povo é molestado, resistido, menosprezado como se Deus não o amasse, porque o povo amado, dizem, somos nós os judeus, ainda sem sê-lo, dizendo que são; no entanto o Senhor diz uma coisa séria a estes que pretende ser judeus e não o são; diz: “Eu...” Isso sim é terrível; o Senhor mesmo, nem sequer mandou um anjo, Ele mesmo defende a honra de Sua igreja que é fiel a Ele e a Sua palavra. “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás aos que se dizem ser judeus e não o são, se não que mentem; tenho aqui, eu...” Isto é terrível! Porque alguém pode escapar da mão dos homens, alguém pode esconder-se, mas da mão de Deus quem se esconde? Quando Deus nos põe a mão no nosso pescoço, é terrível. Irmãos, quando não vemos a mão de Deus obrigando a uma pessoa a se humilhar e confessar seus pecados, não vimos ainda a autoridade de Deus direta atuando, mas quando Deus diz: “eu farei que venham e se prostrem a teus pés, e reconheçam que eu te amei”. Terrível! Porque eles diziam ser judeus, o povo amado, os outros eram gentis, imundos, cachorros; e agora o Senhor mostra a estes que pretendem ser messiânicos, que Ele amava a igreja em Filadélfia, à que não nega Seu nome e guarda Sua palavra, não deixa cair por terra Sua palavra, como se diz a Samuel. Irmãos, delicado, não é verdade? “Eu farei que venham e se prostrem a teus pés, e reconheçam que eu te amei”. O Senhor jurou: diante de mim se dobrará toda joelho. Muitos podem blasfemar o que quiserem enquanto aqui vivemos, mas quando chegar o tempo de se cumprir esta palavra, toda língua confessará Seu nome e toda joelho se dobrará; mas não só o Senhor fará isso relativo si mesmo, senão que tomará a sinagoga de Satanás e a obrigará a reconhecer aos que Ele amou, que eles menosprezaram, como fizeram com Amam. Amam molestou a Mardoqueu e planejou a forca para Mardoqueu; tinha-a já pronta, e o rei lhe perguntou: Que há que fazer a um homem a quem o rei quer honrar? E pensando Amam que era ele, disse: Pois, ponham-no no cavalo do rei e o primeiro ministro o leve dizendo: Assim se fará com o homem a quem o rei quer honrar; pois, faça Amam com Mardoqueu, disse-lhe o rei; Amam teve que levar àquele a quem ele humilhava, e depois foi enforcado na forca que ele tinha preparado para Mardoqueu (Ester 6). Irmãos, Deus sabe o que faz, Deus tenha misericórdia, e nos ajude a ser humildes, fiéis e singelos; e aqui Deus explica as razões quando vai humilhar diante de ti àqueles que se fazem gracejos contigo, que te menosprezam. Aqui diz por que. “Porquanto guardaste a palavra de minha paciência”; e a razão também pela que o Senhor guardará da hora da prova aos fiéis de Filadélfia: “Porquanto guardaste a palavra de minha paciência, eu também te guardarei da hora da prova que tem de vir sobre o mundo inteiro para provar aos que moram sobre a terra”.
Te guardarei da hora
Quando eu estudava as posições escatológicas, o verso mais forte do pré-tribulacionismo para mim era este; não encontrava outro verso tão forte. Te guardarei, não só da prova; porque podemos estar numa prova e ser guardados da prova, ainda passando a prova, como diz um versículo: povo meu, entra em teus aposentos, entre até que passe a indignação; porque o Senhor sai a percorrer a terra em juízo; por isso diz a Seu povo que se esconda em seu aposento enquanto passa a turvação; quer dizer que Seu povo estaria na terra enquanto passa a turvação, mas estaria guardado em seus aposentos. Mas aqui o Senhor diz não somente te guardarei da prova, senão da hora da prova, quer dizer que é provável que os irmãos fiéis, no momento mais difícil não estejam cá. Agora, significa isso necessária e biblicamente o rapto ou o arrebatamento, que o Senhor vai arrebatar a alguns? Significa somente isso, é a única possibilidade para entender isto? Não há outro versículo onde isto possa ser cumprido, que não seja necessariamente um arrebatamento antes da tribulação? Eu encontrei um versículo, e os quero mostrar. Apocalipse 14:12 e 13, para que vocês vejam a relação da paciência da Igreja; diz o Senhor, que pela paciência, porque guardaste a palavra de minha paciência, isto é, porque foram fiéis, estiveram dispostos a suportar, a levar a cruz, então por isso os guardará da hora; e aqui há uma maneira como no contexto da paciência, Deus guarda da hora, não necessariamente com o arrebatamento, mas sim guarda da hora pela paciência; e está aqui em Apocalipse 14:12 e 13, que diz: “12Aqui está a paciência dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Guardaste minha palavra e não negaste meu nome. “13Ouvi uma voz que desde o céu me dizia: Escreve: Bem-aventurados daqui em adiante”. Qual é este “aqui”? Refere-se ao período da marca da besta. Vejamos o contexto desde o versículo 9: “9E o terceiro anjo os seguiu, dizendo a grande voz: Se alguém adora à besta e a sua imagem, e recebe a marca em sua fronte ou em sua mão, 10ele também beberá do vinho da ira de Deus, que foi esvaziado, não misturado, no cálice de sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e do Cordeiro; 11e a fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos.
E não têm repouso de dia nem de noite os que adoram à besta e a sua imagem, nem ninguém que receba a marca de seu nome”. Está falando de plena tribulação. “12Aqui está a paciência”. Essa é a paciência, nesse contexto. “Aqui está a paciência dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”. E nesse contexto diz: “Ouvi uma voz que desde o céu me dizia: Escreve: Bem-aventurados de aqui...”. Qual é este “aqui”? É o momento em que começa a exigir-se a marca da besta e tudo isso: “Bem-aventurado de aqui em adiante (o tempo do terceiro anjo) os mortos que morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansarão de seus trabalhos, porque suas obras com eles seguem”. Se alguns morrerem no Senhor, descansarão de seus trabalhos, suas obras com o seguem e serão guardados da hora da prova”.
Há uma maneira de ser guardados da hora da prova: Morrer no Senhor. Nos últimos tempos é uma bem-aventurança morrer, porque diz daqueles na quinta trombeta, vocês recordam que sairão aqueles espíritos demoníacos do abismo, e os homens procurarão a morte e não a acharão; durante cinco meses serão atormentados e buscarão morrer e não poderão morrer, ainda querendo; e, no entanto, aqui a bem-aventurança é morrer. Os ímpios não podem morrer e têm que tomar o cálice da ira; beberão e não poderão recusar-se; de outra forma, estes bem-aventurados, quando os outros não podem morrer, estes sim podem morrer. “Bem-aventurados de aqui em adiante os mortos que morrem no Senhor”. Nesse contexto do terceiro anjo, da besta, a marca da besta, nesse tempo difícil: Bem-aventurados de aqui em diante os que morrem no Senhor; os outros não podem morrer, mas estes morrerão no Senhor. Descansam de seus trabalhos e suas obras com eles seguem. Em que contexto será bem-aventurado morrer e escapar da hora da prova? No contexto quando os outros não podem morrer, quando está o assunto da besta, da imagem. Aqui está a paciência, e que diz a Filadélfia? Diz justamente isso: “Porquanto guardaste a palavra de minha paciência”.
O galardão dos vencedores
Vamos a outros detalhes em Apocalipses 3. “10Porquanto guardaste a palavra de minha paciência, eu também te guardarei da hora da prova que tem de vir sobre o mundo inteiro, para provar aos que moram sobre a terra”. Enquanto o mundo inteiro está sendo provado numa hora da prova, na grande tribulação, os vencedores que guardaram a palavra de Sua paciência, são guardados da hora da prova. Bem-aventurados os que morrem no Senhor, porque suas obras com eles seguem e descansam de seus trabalhos: “11Tenho aqui, eu venho cedo; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa”; essa é uma frase séria, aqui não está falando da salvação, senão da coroa. A coroa é um lugar no reino, a coroa é o galardão dos vencedores. “Que nenhum tome tua coroa”. Por isso mais adiante diz: “Ao que vencer”. Que sucede se eu não sou fiel? Não está dizendo que um salvo vá ser perdido; o que está dizendo é que outro pode tirar sua coroa. Esperava-se que fosse você o que ocuparia esse trono, mas você não foi fiel, outro foi mais fiel do que você. Eu esperava que fosse você, mas não foi, então outro; mas o Senhor diz que não quer que ninguém tome nossa coroa. “Eis que cedo venho, retém o que tens”. Pode-se cair do nível de Filadélfia e deslizar-se à condição de Laodicéia, que é o que vem depois de Filadélfia. Esse estado de Filadélfia pode perdurar até a vinda do Senhor porque diz: “Eu venho cedo”. Se retiveres o que tens, te acharei no estado de Filadélfia que eu aprovo, mas se não guardares o que tens, estarás deslizando à condição de Laodicéia e outro tomará tua coroa: “Ao que vencer, eu lhe farei coluna no templo de meu Deus”. A igreja é coluna e baluarte da verdade, e justo nessa cidade de Filadélfia há uma coluna até o dia de hoje, e os turistas vão vê-la; antiga, não é nova, não é uma coisa que alguém a fez agora; vem da antigüidade. Teve tremores, terremotos e aí está essa coluna. Senhor Jesus! “O farei coluna no templo de meu Deus”. Esse é o corpo de Cristo. O princípio do corpo aparece desde o começo. Filadélfia: amor fraternal, guardando a palavra, guardando o Nome, guardando a palavra da paciência. “O farei coluna no templo de meu Deus, e nunca mais sairá dali”. É uma recompensa eterna, é uma recompensa do reino no templo. “Coluna no templo”. Estes são os vencedores.
Agora, hoje ninguém pode entrar no templo antes que se cumpram as 7 pragas das sete taças da ira de Deus. Por isso me inclino mais ao pós-tribulacionismo que ao pré-tribulacionismo.
“E escreverei sobre ele o nome de meu Deus”; esse pertence à Yahveh; o nome do Senhor está sobre os vencedores; “e o nome da cidade de meu Deus, a Nova Jerusalém”; este pertencerá à Nova Jerusalém, está escrito sobre ele; há uns que não estarão perdidos, mas que estarão fora, inclusive reinando fora da Nova Jerusalém. Diz Apocalipse 21 e 22 que aqueles reis das nações trarão sua glória e sua honra à Nova Jerusalém e nenhum imundo pode entrar, mas esses reis são de fora e vêm honrar ao Senhor na Nova Jerusalém, mas estes não estarão fora, senão na Nova Jerusalém; eles são a Nova Jerusalém; o nome estará neles. Os vencedores de Filadélfia asseguram lugar na Nova Jerusalém; eles são a Nova Jerusalém; o nome da Nova Jerusalém está neles. Agora esta outra frase misteriosa: “e meu nome novo”. O Senhor tem um nome novo, além de Seu nome conhecido; esse nome novo está aqui em Apocalipse 19; não diz qual é só diz que tem, além de Seu nome, um nome novo; e diz Apocalipse 19:11 o contexto: “11Então vi o céu aberto, e tenho aqui um cavalo branco, e o que o montava se chamava Fiel e Verdadeiro, e com justiça julga e briga. 12Seus olhos eram como chama de fogo, e tinha em sua cabeça muitos diademas; e tinha um nome escrito que ninguém conhecia senão ele mesmo”. Na recompensa a Pérgamo o Senhor diz que ao vencedor daria uma pedrinha branca com um nome novo escrito que ninguém conhece, senão o que a recebe; isso se refere ao nome teu, ao nome definitivo. No Oriente é muito comum que as pessoas, segundo a etapa de sua vida, tenham um nome; quando ocorre um acontecimento grande em sua vida e há uma mudança, eles adotam um nome de acordo a essa mudança; depois acontece outra coisa, casaram-se e tomaram outro nome; isso é normal no Oriente. Jacó foi chamado Israel quando venceu. Já não te chamarás mais Sarai, senão Sara; isto é, o nome representa à pessoa em seu estado. Agora, nós temos um nome que é o nome provisório, não é nosso nome definitivo. Apocalipse 19:12 fala do nome do Senhor que ninguém conhece; não é Jesus, porque Jesus todos os que somos salvos o conhecemos; mas falando do que é um novo nome, primeiro em nosso sentido e depois no do Senhor, em nosso sentido diz, que ao que vencer, será dado um nome novo; o que você chegará a ser ao final como Deus te conheceu; Deus conhece o que você vai ser; agora você estás em processo, ainda que não chegaste a tua posição definitiva.
Quando chegares a vencer e for o que Ele esperava que tu fosses, então teu nome representará o que chegaste a ser para o Senhor e que Ele já sabia; então te dará como recompensa, esse nome. Esse nome quer dizer que o Senhor sabe quem és tu para Ele e te nomeia com esse nome; mas o Senhor mesmo, veio, fez-se homem, morreu por nossos pecados, ascendeu e foi feito Senhor e Cristo; e como diz aqui, recebeu um nome sobre todo nome, e novo; um nome que ninguém conhece senão Ele mesmo; por isso diz: “e tinha em sua cabeça muitas diademas; e tinha um nome escrito que ninguém conhecia senão ele mesmo”. Só Ele sabe quem é Ele. Diz em 1 Coríntios 2, que o espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém, que o homem natural não discerne as coisas que são do Espírito.
Que quer dizer? Que há uma hierarquia no discernimento; o espiritual julga para abaixo ao natural e o discerne, mas o natural não pode julgar para acima, não conhece ao espiritual, não o discerne; assim nós podemos conhecer aos que são como nós, mas aos que estão num nível superior a nós, não os distinguimos bem; quanto mais o Senhor Jesus está numa posição que ninguém conhece o que Ele conhece; por isso Ele tem um nome que expressa para Ele o que Ele é, mas ninguém conhece isso; no entanto, ao vencedor diz que o Senhor escreverá sobre ele Seu nome novo; isso é como se o Senhor se fosse revelando cada vez mais profunda e mais profundamente à pessoa. Revelar-te Seu nome, isto é: eu me chamo Garavito, não, não é isso, nem me chamo tal, senão o que significa esse nome; isso é algo muito profundo, porque, irmãos, diz que a vida eterna é que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo. Cada vez há que o conhecer mais; não bastará a eternidade para conhecê-lo, mas prosseguiremos conhecendo-o e os vencedores receberão esse nome novo, como quem diz conhecerão mais profundamente e mais de perto ao Senhor. O Senhor conhece tudo e por isso ninguém conhece Seu nome, senão Ele mesmo; só sabe Ele quem é Ele, de acima para baixo; mas ao vencedor, escreverá sobre ele Seu nome novo. Agora, amamos ao Senhor Jesus e é o mesmo Senhor Jesus; somos cristãos, mas quem é o Senhor Jesus agora? É o mesmo Senhor Jesus, mas está numa posição glorificada, uma posição exaltada; mas Ele quer revelar-se e se revela a seus vencedores. Ao que vencer, sobre ele escreverei meu nome novo. Que mistério! “O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” Isto no contexto dos vencedores. Penso que isto que lemos e comentamos, que mastigamos em nosso interior, possa falar a nós. Deus conceda que sejamos achados entre estes e que venhamos a reter o que recebemos. -
ARREPENDIMENTO
ARREPENDIMENTO
O primeiro chamado do evangelho é ao arrependimento; sem arrependimento não a evangelho. O chamado a fé inclui o arrependimento. A palavra grega traduzida para arrependimento é “METANOIA”, que é composta de duas palavras, “meta”, mudança, transformação, e “nous”, mente; tem a ver com a mudança da nossa mente, pois, como diz em provérbios 23-7: “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é...”A pessoa se comporta segundo o ânimo com que enfrenta a vida, e tal ânimo é segundo o pensamento que ela abriga. Não pode, pois, mudar a sua conduta enquanto se tem no coração uma atitude negativa e de inimizade contra Deus. O propósito do evangelho é a reconciliação do homem com Deus, com os demais homens, e com o resto da criação. Daí a urgente necessidade de uma “metanoia”, que dizer, de um verdadeiro arrependimento, a mudança de uma atitude diante de Deus, dos homens e da natureza.
“Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça...” (Atos 17:30-31). A introdução do evangelho é esta: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4:17); isso é o que Jesus começou a pregar e o que mandou seus apóstolos pregarem.“Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.” (Lc 24:46-47). Jesus, pois, declarou: “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.” (Lc 13:5); e o apostolo Pedro, com as chaves do Reino, quando foi perguntado pelo que haviam de fazer, abriu as portas com a irremovível declaração: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (Atos 2:38); e na porta chamada formosa, declarou: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados; a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério...” (Atos 3:19-20).
Não podemos começar a edificar o Reino de Deus sem arrependimento. Somente pessoas arrependidas entram no Reino; Não pode ter entrada quem permanece com o seu coração duro contra Deus, e os homens, destruindo a terra, sem reconhecer os seus pecados e obstinando-se soberbamente em suas ofensas ao Criador e suas criaturas.
Arrependimento significa, pois, reconhecimento da nossa culpabilidade, unido-a a uma confissão desta, pedindo perdão a onde corresponda, se só a Deus, o também aos homens em caso de haver-los ofendido; então com sinceridade e honestidade, decidir abandonar de agora em diante esse pecado, e propor-se, esperando e contando com á ajuda de Deus, a não más pratica-lo, procurando na medida do possível restituir o dano, tenha sido este contra a confiança, a honra, os bens,ou qualquer outra coisa. Nosso arrependimento deve abranger a todo pecado, injustiça ou transgressão, pois, néscio seriamos reservando-nos ao luxo de acariciar alguns pecados favoritos deixando apenas aqueles que menos nos escravizam. Devemos ser drásticos e honestos com nós mesmo, acatando na confiança e esperança da Sua Graça, a demanda divina. O Arrependimento é, pois, uma atitude integra de coração que se volta a buscar e fazer a perfeita vontade de Deus, apesar da nossa debilidade.
A graça de Deus é que faz o Espírito Santo nos convencer do pecado, da justiça, e do juízo; sim, é Deus que nos concede o arrependimento (2Tm 2:25). Por isso diante da nossa vileza e dureza, devemos a Deus levantar nossos olhos, pedindo que a sua graça nos converta (Jr 31:18). Enquanto tenhamos consciência da nossa responsabilidade, elevemos nossas suplicas a Deus, para que não nos abandone em nossos pecados, de sorte que nos fortaleça para o arrependimento. Sua graça que não tem tirado a nossa responsabilidade, e possibilitará nossa sincera conversão.
Além disso, o arrependimento não é uma experiência de uma única vez, de sorte que deve ser a experiência imediata diante de qualquer queda; a igreja também é chamada ao arrependimento (Ap 2: 5, 16, 22; 3: 3,19), e muito mais quando sabemos que não só há pecados de ação, se não que também de omissão, que dizer, quando sabemos que devemos fazer o bem e não fazemos (Tg 4:17).
À Apostasia voluntária que renega de Cristo lhe expondo ao vitupério, afasta a possibilidade de um futuro arrependimento (Hb 3:12-13); pelo qual a igreja, isto é, cada cristão, não deve deixar deslizar seu coração no endurecimento do pecado. A morada de Deus é um espírito contrito e humilhado, o qual assim, não será por Ele desprezado (Sl 34:18; 51:17; Prov.16:19; 29:23; Ecls. 7:8; Miq. 6:8).
Extraído do livro Fundamentos de Gino Iafrancesco V. -
A MENSAGEM À IGREJA EM SARDES
A MENSAGEM À IGREJA EM SARDES
“E escreve ao anjo da igreja em Sardes: O que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas, diz isto: Eu conheço tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto”. Apocalipse 3:1
Uma mensagem profética da Sardes histórica
Vamos ao livro do Apocalipse, que estamos estudando as sextas-feiras com a ajuda do Senhor e hoje chegamos ao capítulo 3, os versículos 1 ao 6 que correspondem à mensagem do Senhor à igreja em Sardes. Fizemos um seguimento de todas estas igrejas anteriores: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira e hoje estamos chegando a Sardes; hoje estaremos vendo algo relativo à igreja em Sardes. Os irmãos sabem, porque a estamos lendo em primeiro lugar, num sentido gramático-histórico, que teve uma igreja histórica no Ásia Menor, o que hoje é Turquia, a península de Anatolia, que se chamou Sardes? Se vocês imaginarem o mapa da península de Anatolia, verá: Éfeso, depois sobe a Esmirna, sobe a Pérgamo, depois vem Tiatira e depois desce um pouco a Sardes, depois baixa a Filadélfia e Laodicéia.
Então, agora estamos em Sardes. Sardes foi, pois, uma igreja no Ásia Menor no tempo em que o apóstolo João estava vivo, e esta carta foi enviada pelo Senhor através de João ao anjo da igreja em Sardes; ou seja, que teve uma igreja histórica chamada Sardes; digo teve, porque a cidade de Sardes já não mais existe. Perto de onde estava a cidade, existe uma pequena vila chamada Sarte que vem do mesmo nome de Sardes, mas não é aquela antiga cidade, senão uma população pequena que tomou o nome da cidade antiga; a cidade antiga já não existe. Destas sete cidades somente existem Esmirna e Filadélfia hoje em dia, e são as duas únicas igrejas às quais o Senhor não repreende; as demais não existem hoje.
Sardes é uma das que não existem, mas não somente estamos olhando o aspecto geográfico histórico desta condição da igreja em Sardes, senão que como víamos ao princípio do Apocalipse, ao final do Apocalipse se nos diz que o Apocalipse inteiro é uma profecia, portanto, estes capítulos 2 e 3 de Apocalipses são proféticos e não somente históricos; são históricos, mas as condições históricas são usadas pelo Senhor para profetizar porque estas condições históricas estão descritas pelo Senhor dentro de algo que o Senhor mesmo chamou profecia; portanto, há uma profecia; assim que lemos não somente a respeito da igreja histórica antiga de Sardes, onde teve homens tão sobressalentes como Melitón de Sardes, um grande líder da igreja primitiva que o Senhor usou muito e que toda a antigüidade cristã recordava com muito carinho, e dele sobreviveram alguns escritos, senão que estamos vendo através da mensagem à Sardes histórica, uma mensagem profética; de maneira que a condição de Sardes representa este quinto período da história da igreja. Na Bíblia há profecia a respeito de Deus mesmo. Jeová será um, e um o Seu nome; é uma profecia a respeito de Deus; há muitas profecias a respeito de Cristo, há profecias a respeito do Espírito, profecias a respeito de Israel, profecias a respeito das nações, profecias inclusive a respeito dos anjos, profecias a respeito do resto da criação. Como não vai ter profecias a respeito da igreja! Estes capítulos 2 e 3 de Apocalipses são profecia.
Resumo profético-histórico
O Senhor chama de profecia a todo o Apocalipse; de maneira que se olhamos a história da igreja, vemos como se corresponde com períodos históricos que ao comparar esses períodos com a profecia, vemos como concordam e assim o temos estado vendo: Éfeso, relativo à igreja primitiva, imediatamente depois da morte dos últimos apóstolos; estava ainda vivo João; depois veio o período das perseguições com os imperadores romanos, aquelas grandes dez perseguições que terminaram com a de Diocleciano, o que está representado em Esmirna, que quer dizer amargura, prova, perseguições. Terás perseguição por dez dias, diz o Senhor, e justamente teve dez grandes perseguições romanas. Depois veio Constantino e o diabo mudou a tática de ataque contra a igreja; agora já não a atacou com perseguição, senão misturando-a com a política do Estado, misturando o paganismo com o cristianismo, e essa mistura é a que aparece em Pérgamo, pois isso é o que quer dizer Pérgamo: muito misturado, muito casado; então esse período que hoje em dia se chama o período da igreja católica antiga, antes do papado, o período desde Constantino e os seguintes séculos até começar bem forte o papado, esse é o que se chama o período de Pérgamo. Depois já veio a idade média, a época terrível do absolutismo papal, inclusive como alguns historiadores o chamaram: a pornocracia papal, porque teve muitas coisas totalmente escandalosas que se fizeram; dizem que em nome de Deus se fizeram negócios para perdoar pecados; o papa autorizava ao cardeal pelo poder pontifício a ter relações com um moço, por exemplo; eram coisas que aconteciam e eram de conhecimento público, coisas terríveis; foi um período como diz aqui, de Jezabel; esta Jezabel é a grande prostituta. A grande prostituta é Roma. Este período de Tiatira representa precisamente aquela época medieval que durou muito tempo, que representa o romanismo em seu estado pior, como foi manifestado na história do cristianismo; mas o Senhor permitiu que tivesse outra etapa posterior a Tiatira; Deus não deixou que as coisas ficassem nessa situação, senão que providenciou a Reforma protestante para que muitas pessoas saíssem daquela condição babilônica e procurassem ao Senhor. Esse período posterior a Tiatira, posterior ao papismo da idade média, é o período da Reforma e é o período que está representado nesta mensagem a Sardes.
Os escapados
A palavra Sardes significa: escapados. Justamente, alguns escaparam de Babilônia, como o Senhor disse: Saí de Babilônia. Babilônia é claramente identificada pelo apóstolo João como Roma. João diz: Babilônia é a cidade que reina sobre os reis da terra (Ap. 17:18); e nesse tempo de João quem reinava era Roma, vestida de púrpura e escarlata; em fim, seu pior estado é Tiatira. Mas teve pessoas que escaparam da condição de Tiatira, saíram do romanismo; e alguns dos que saíram foram fiéis; outros dos que saíram foram infiéis; por isso vamos ver que a mensagem a Sardes é agridoce; tem um pouco de doce por causa dos fiéis, os que não mancharam suas roupas que andarão adiante do Senhor em roupas brancas; mas há outros que são azedos, e nos damos conta de que já em Tiatira, o Senhor diz que Tiatira tinha filhos; Jezabel tinha filhos e também a grande prostituta tem também filhas; ou seja, da mãe que era Roma, nasceram-lhe outras filhas que não são precisamente Roma, que saíram de Roma, mas que não foram fiéis e por isso o Senhor também lhes chama prostitutas; por isso diz de Roma, a mãe das prostitutas. A grande prostituta, a mãe, é Roma; mas há umas que saíram de Roma e não mantiveram sua fidelidade e o Espírito Santo também lhes chama de prostituta. Este aspecto negativo faz que o Espírito Santo por meio de João lhe chame de prostituta e que o mesmo anjo chame de prostitutas a alguns que saíram de Roma, mostra-nos que no protestantismo teve uma parte fiel e uma parte infiel. A parte fiel é o remanescente que o Senhor vai dizer aqui, como vamos ler, que guardaram suas roupas e que estarão com ele em roupas brancas; mas a parte infiel, que não é precisamente Roma, senão que vem depois, que saiu de Roma, que escapou de Roma, que é o que quer dizer Sardes, é a que representa esse protestantismo degradado. Não é porque somos protestantes que vamos dizer que não há nada de mau para se dizer do protestantismo, porque o Senhor fala à igreja com clareza, profetiza-lhe para que a igreja se purifique e se arrependa, porque se não se arrepender, vai seguir sendo isto que o Senhor lhe denuncia, então vai encontrar no tribunal de Cristo, perda, não da salvação, mas do galardão.
Vamos, pois, ler nesses dois sentidos: gramático-histórico e profético, e ainda num terceiro, porque esta mensagem, diz o Espírito, é para todas as igrejas; ou seja, que se um pouco disto se dá entre nós, em qualquer parte, o Senhor nos fala com Sua palavra para nos ajudar a sair disso. Lembrar-nos-emos de que essas são palavras diretas do Cristo ressurreto, glorificado, que apareceu a João e falou estas palavras para as igrejas, para nós. Ponhamos, pois, entendimento ao que nos diz o Senhor. Vamos fazer primeiro a leitura de uma só vez; depois lhes mencionou um pontinho de crítica textual que é muito mínimo neste caso de Sardes, e depois voltamos sobre nossos passos para comentar os versos. Antes de comentá-los, façamos a leitura completa para tê-lo mais claro. Já com este preâmbulo sabemos que está falando à igreja histórica antiga de Sardes, ao período da Reforma e seguinte e a todas as igrejas que em qualquer situação se pareçam ao que diz o Senhor aqui. “1Escreve ao anjo da igreja em Sardes: O que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas, diz isto: Eu conheço tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. 2Sê vigilante, e afirma as outras coisas que estão para morrer, porque não achei tuas obras perfeitas adiante de Deus. Lembra-te, pois, do que recebeste, e ouviste; e guarda-o, e arrepende-te. Pois senão vigiares, virei sobre ti como ladrão, e não saberás a que hora virei sobre ti. 4Mas tens umas poucas pessoas em Sardes que não têm machado suas vestimentas, e andarão comigo em vestimentas brancas, porque são dignas. 5O que vencer será vestido de vestimentas brancas, e não apagarei seu nome do livro da vida, e confessarei seu nome adiante de meu Pai, e adiante de seus anjos. 6O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas” ( Ap. 3:1-6). Comecemos pela maneira como o Senhor se apresenta a Sardes. Quando o Senhor se apresentou a cada igreja, Ele se apresentou segundo a necessidade da igreja, segundo a condição da igreja. Você vê que há uma correspondência entre a condição da igreja e o aspecto de si mesmo que o Senhor a mostra, em sua respectiva condição.
Reforma protestante
Sardes é como se fosse um novo começo, porque estivemos vendo que teve uma degradação; a degradação começou em Éfeso que deixou o primeiro amor; já vemos em Esmirna a sinagoga de Satanás, já depois vemos em Pérgamo a doutrina dos nicolaítas; em Éfeso eram obras; já em Pérgamo é doutrina dos nicolaítas, doutrina de Balaão, até chegar a Jezabel e as profundidades de Satanás; e tínhamos visto que essa degradação da igreja estava profetizada, primeiro no sentido gramático-histórico para Israel, mas sabendo que Israel é figura do povo de Deus, que estava profetizado em Joel. Recordam que em Joel vimos o aspecto da degradação; agora vamos ver como o Senhor também diz que sairia dessa degradação pouco a pouco. Vejamos dois versos em Joel. Da vez passada quando vimos a degradação ou a apostasia que tomava parte da cristandade, vimos que estava representado também como em Israel, em Joel 1:4 onde dizia: “O que ficou da lagarta comeu o gafanhoto, e o que ficou do gafanhoto comeu o devorador, e o destruidor comeu o que do devorador tinha ficado.” Ou seja que entrou em inverno essa planta e a vida se foi às raízes, e afora estava fazendo um frio terrível. Graças a Deus que depois do inverno vem a primavera e Deus tinha dito no capítulo 2: “25E vos restituirei os anos que comeu a lagarta, o gafanhoto, o devorador e a destruidor, meu grande exército que enviei contra vocês. 26Comereis até saciar-vos, e louvareis o nome de Jeová vosso Deus, o que fez maravilhas convosco; e nunca jamais será meu povo envergonhado. 27E conhecereis que no meio de Israel estou eu, e que eu sou Jeová vosso Deus, e não há outro; e meu povo nunca jamais será envergonhado”. Satanás fez da cristandade na idade média uma coisa terrível, de tal maneira que se não tivesse sido por alguns homens de Deus como Pedro Valdo, como Pierre de Bruise, como Jerônimo Savonarola, como Henrique de Lausana, como Arnaldo de Brescia, inclusive, como Francisco de Assis, como Bernardo de Claraval, o cristianismo ficaria envergonhado. Os anjos, diz o Senhor, em sua parábola de Mateus 13, diziam: mas, não semeaste boa semente? Como é que tem discórdia? Se o que tu, Senhor Jesus, que és o semeador, semeaste, que é a palavra de Deus, como é que a cristandade chegou a ser o que é, por exemplo, no tempo de Alexandro VI, o papa Borgia e todos esses papas terríveis? O Senhor disse: Eu restituirei. Sai dela (Babilônia) povo meu; bem como em Israel eles se apartaram de Deus e foram parar cativos em Babilônia, mas depois Deus tirou algum remanescente de Babilônia e o trouxe de volta à Jerusalém e restabeleceu a casa e restabeleceu a cidade, assim também no Novo Testamento há uma misteriosa Babilônia, que é Roma, da qual tem que sair o povo do Senhor. Sai dela; há uma saída e essa saída começa precisamente com Sardes.
Sardes quer dizer “escapados”; são os primeiros que saem quando começa a Reforma protestante; a justificação pela fé. Aqui é onde se fala das vestimentas brancas, porque justamente, essa é a época da justificação pela fé; teve pessoas fiéis, teve pessoas que realmente foram justificadas pela fé; mas teve nessa época outros, que como o príncipe era luterano e não católico, então o país era luterano; tinha nome de ser cristão, mas não tinha nascido de novo. Todo denominacionalismo começou juntamente com a Reforma; a mesma igreja protestante foi em grande parte denominacional. Na Itália e na América Latina, todos eram católicos; então as pessoas, só de nascer na América Latina onde papai e mamãe, segundo a carne, nasceram já eram considerados católicos. Hoje qualquer um que você perguntar, dirá que é católico porque nasceu num país católico. Se nascesse na Alemanha, era evangélico luterano ainda que nunca tivesse nascido de novo; bastava com ter nascido simplesmente em Inglaterra para ser anglicano, estava nas listas; e, se estivesse trabalhando, o Governo lhe descontava o dízimo do salário para pagar ao clero anglicano. As pessoas têm nome de que vive, mas só nome, não tem vida; só um remanescente, umas poucas pessoas são verdadeiramente regeneradas, verdadeiramente justificadas. Por isso quando o Senhor se apresenta a eles, esse é um novo começo, mas neste novo começo não está a igreja em seu princípio. Um primeiro começo foi em Éfeso e em Éfeso aparecem também as sete estrelas, aparecem os sete candeeiros; já em Sardes sim, aparecem as sete estrelas, mas não os candeeiros; pois ainda a igreja não foi restaurada em sua normalidade. Mal está por começar a restaurar o evangelho, a justificação pela fé, a leitura da Bíblia, mas ainda não a visão clara do corpo de Cristo; por isso em Éfeso diz: “O que tem as sete estrelas em sua destra, o que anda no meio dos sete candeeiros de ouro”. Na igreja primitiva, o Senhor não somente tinha em suas mãos às estrelas da liderança e a obra, mas também movia entre os candeeiros porque as igrejas primitivas, cada uma era um candeeiro. A igreja em Éfeso era um candeeiro, a igreja em Esmirna era um candeeiro, a igreja em Pérgamo era um candeeiro, a igreja em Sardes era um candeeiro, a igreja em Jerusalém era um candeeiro, a igreja em Corinto era um candeeiro. No princípio as igrejas são da cidade; você não vê nomes, não se colocavam nome às igrejas. O Senhor diz: a igreja em Éfeso, a igreja em Esmirna, a igreja em Jerusalém, a igreja em Corinto, ou em Colossos, ou em Filipos; o que tinha nome era a cidade, e o nome que eles tinham era o do Senhor; eles eram cristãos.
Assim que o Senhor ao princípio tinha as sete estrelas e andava entre os candeeiros; mas na época da Reforma a eclesiología bíblica foi totalmente distorcida; o papado distorceu a eclesiología da Bíblia; começaram a surgir diferenças entre bispos e presbíteros que para Paulo eram a mesma coisa; Paulo chama aos bispos, presbíteros, anciãos da igreja em Éfeso e lhes diz: o Espírito Santo vos pôs por bispos (atos 20); escreve a Tito como deve ser os anciãos, porque o bispo deve ser assim e assim; Paulo está trocando bispo com presbítero, com ancião; de outra forma, lá pelo século II, III, começa esse processo de clericalismo, onde aparecem os bispos sobre os anciãos, onde os santos já não são sacerdotes, agora os sacerdotes são só os clérigos; depois aparecem arcebispos sobre os bispos, depois aparecem patriarcas nas principais cidades tendo jurisdição além de sua localidade.
Início da Restauração
Quando o apóstolo Paulo nomeia aos anciãos, diz que se estabelecessem anciãos em cada cidade, bem como eu te mandei; a jurisdição dos anciãos, dos bispos, é a cidade; mas lá pela época do romanismo, que ainda estava imaturo, aparecem dioceses episcopais que vão além de sua localidade; aparece um sistema papal; começa a crescer; o esvaziamento que deixou Constantino quando se mudou para Constantinopla, que era Bizâncio, depois mudou o nome para Istambul, deixou um esvaziamento de poder no povo romano que estava acostumado por séculos a um governo mono polar, monolítico; então o bispo de Roma, especialmente Leão Magno, apareceu como a autoridade forte em Roma e começou a se declarar como o sucessor de Pedro, como o vigário de Cristo, e que todos tinham que ir a ele, que ele tinha a última palavra; e isso se foi desenvolvendo até quando se chegou a Bonifácio VIII. Bonifácio VIII escreveu uma bula, Unam Santam, onde tomava uma passagem de Jesus que disse a Pedro: alguém tem uma espada? Aqui há duas espadas, disse-lhe Pedro. Ah! Basta; isso o interpretou Bonifácio VIII dizendo que essas duas espadas eram o poder político e o poder religioso que tinha o papa; olhem a exegese papal dessas passagens; e dizia que se o imperador não era coroado pelo papa não era válido, e o papa dizia que tinha direito a liberar aos súditos do imperador, do governo do imperador. Olhem como cresceu esse monstro, como a eclesiología simples do Novo Testamento começou a enredar-se e a mudar-se; começou o nicolaismo, a conquista do laicado, que é o que quer dizer nicolaismo. Nicao: conquistar, laos: os laicos, o povo; o clericalismo, até chegar a tirar o sacerdócio do povo. Pedro dizia: vocês sois nação santa, real sacerdócio, povo adquirido por Deus (1 Pe.2:5); o mesmo diz Apocalipse: limpou-nos com Seu sangue, fez-nos reino e sacerdotes; mas agora já ninguém era sacerdote, ninguém podia orar diretamente, ninguém podia ler a Bíblia diretamente; agora até queimavam as pessoas com bíblia e tudo; na cristandade até essa loucura sucedeu; teve uma degradação; realmente o verme comeu toda a planta, mas o Senhor disse: “Restituirei”; começou com a Reforma um início de restauração, mas só um início. A eclesiología na época da Reforma ainda não tinha sido restaurada. Por isso, olhem como começa: “O que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas”, mas não diz que anda entre os sete candeeiros; isso se o tirou. Por que o Senhor, ainda que tivesse dito uma parte, não disse a outra? Porque ainda que tivesse dito a outra, nesse tempo, as coisas ainda não eram assim; no tempo da Reforma, a eclesiología não tinha sido restaurada; tinha a eclesiología romanista e depois começou a eclesiología dos príncipes, onde Henrique VIII era rei da Inglaterra e cabeça da igreja anglicana. O Senhor não podia dizer que andava entre os candeeiros, porque os candeeiros não tinham sido restaurados ainda; a eclesiología estava baixa, mas o Senhor sim tem seus mensageiros em sua mão; ainda que houvesse coisas que não tinham sido restauradas, algumas começaram a sê-las.
Escolástica da ortodoxia sem vida
Deus usou Lutero, por exemplo, para restaurar a justificação pela fé, a autoridade das Escrituras, o princípio da Reforma: só fé, só graça, só a Escritura; isso começou a ser restaurado. O Senhor começou a fazer: restituirei o que comeu a lagarta, o gafanhoto e o devorador; o primeiro que se restaurou foi a justificação pela fé; por isso aqui neste contexto fala de pessoas com vestimentas brancas; isso não se falou nas outras mensagens, mas aqui se falou porque correspondia precisamente com a mensagem, a tônica do Espírito na época, era a justificação. No entanto, o Senhor fala não somente ao remanescente fiel; Ele fala a todos os que se fazem chamar cristãos.
“Conheço tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto”. Isso, ter nome, é o que caracteriza a Sardes, o que caracteriza o protestantismo; todo mundo quer pôr sobre se um nome. A Filadélfia, que supera a condição de Sardes, o Senhor lhe diz: Guardaste meu nome. Mas aqui: tens nome de que vives. O denominacionalismo começou com o protestantismo; aí começaram a aparecer muitos nomes. Em filosofia, o nominalismo, que é uma facção da filosofia, começou com Guillermo de Occam na linha do protestantismo. Qualquer que um que lê a história da Igreja e a história da filosofia vai saber sobre o que estou me referindo, o nominalismo. Que quer dizer isso? Formulismo, formalismo, escolástica de ortodoxia sem vida, institucionalismo; temos um tremendo título, sinos, órgão de tubos, pessoa jurídica, temos de tudo e não há vida. Isso é o que o Senhor está denunciando: as aparências religiosas, o formulismo, o nominalismo, o denominacionalismo, o institucionalismo; tudo isso está embaixo profetizado. Essa é tua condição: conheço tuas obras e isto é: tens nome de que vives, mas estás morto. Não tens a vida do Senhor na verdade; alguns sim, há uma minoria que sim, mas no geral só tem o nome de cristãos; muitas pessoas hoje se chamam cristãs e não são cristãs. Conheci a um pastor que aqui há duas pessoas que o conhecem, o irmão Aniceto Mario Franco, um servo do Senhor em Brasil; e há uma colônia luterana no sul do Brasil, em torno de duas mil famílias; e lhe dizia o pastor luterano, não estou falando contra os luteranos, estou contando um fato para ilustrar; minha idéia não é falar contra ninguém, senão que Deus nos fale para ajudar-nos; dizia este pastor luterano a Aniceto: de todas estas duas mil famílias que vieram da Alemanha a formaram colônias lá no Rio Grande do Sul, e em Santa Catarina, no Sul do Brasil, somente 26 pessoas são nascidas de novo; só 26 são regeneradas; outros, como nasceram em Alemanha e a religião do governo é o luteranismo, então são luteranos; não é que tenham lido a Lutero e estejam de acordo com Lutero; levam o nome, mas não entendem nada. Ontem estávamos analisando uma tese que o filho de nossa irmã Yolanda está fazendo para a universidade do estudo de ciências sociais; e nessa tese estava estudando umas coisas, e eu a estava lendo para poder lhe ajudar a melhorá-la; e justamente ele mencionava algumas coisas neste sentido: o mero nominalismo, a mera aparência. Pode ser um grupo de 10, 12 pessoas, às vezes reunindo-se numa catedral gigantesca; aparece o título, aparece tal, aparece qual, mas quando tu vais à realidade não há Espírito, não há vida; alguns poucos sim. “Tens umas poucas pessoas que andam comigo em vestimentas brancas”. Embranqueceram suas roupas no sangue do Cordeiro; há gente verdadeiramente justificada. No movimento protestante, da Reforma para cá, teve gente que verdadeiramente entendeu, teve gente que verdadeiramente esteve por Cristo, compreendeu a justificação, compreendeu a epístola aos Romanos e foram justificados, caminharam com Deus e foram fiéis; pode-se mencionar a muitos que foram fiéis, mas muitos dos que vieram depois não o foram; no entanto, tinham o nome. Tens nome (aí está, aparência, formulismo, institucionalismo, denominacionalismo) de que vives e estás morto.
Há outra coisa que o Senhor discerne; porque esse é o discernimento do Senhor ao qual não lhe enganam as catedrais, os órgãos de tubos; isso não engana ao Senhor; Ele fala como são as coisas, na realidade. Outra coisa que o Senhor diz: “Sê vigilante, e confirma as outras coisas que estão para morrer, porque não achei tuas obras perfeitas adiante de Deus”. O que eles receberam que era de Deus foi-se perdendo e isso sucede na história do protestantismo; o Espírito Santo move um remanescente fiel, e esse remanescente fiel descobre a palavra do Senhor e o Senhor verdadeiramente tira de Babilônia e verdadeiramente restaura com esse remanescente; mas depois vem outra geração que somente eram filhos, tios, sobrinhos, parentes, mas que não têm o Espírito do Senhor, e já à próxima, segunda e terceira geração, somente fica o nome do que foi. Com tudo o que foi Wesley, foi tremendo, mas depois dele, o que é o metodismo, é outra coisa diferente; agora, por exemplo, em Hamburgo, estão casando em templos luxuosos feitos pelo Estado, todo ato bem formal, uma cerimônia muito bonita; casa-se uma teóloga com uma advogada, lesbianas, casadas, em pleno culto, em plena catedral. Estão-se casando lesbianas e são luteranos ou metodistas. Há teólogos que confessam seu ateísmo; há teólogos que se chamam teólogos da morte de Deus; podem-se dizer nomes próprios: Altiser, Hamilton, Paul Vão Buren, Robinson; alguns deles dizem: eu sou episcopal, cristão e ateu. Por que ateu? Porque não acredita em Deus; mas então se não acredita em Deus como é que é cristão? Bom, mas é que Jesus foi um homem que pôde trazer uma boa sociedade, e se as pessoas tiverem mais ou menos a moral de Jesus, pode-se viver em sociedade dessa maneira; ele não está falando do céu, nem de Deus, nem da eternidade, somente do útil que é a moral de Jesus para que a sociedade possa sobreviver; e que é presbiteriano ou episcopal porque pertence a essa denominação.
Muitos vivem dos dízimos da denominação e ensinam na contramão da Bíblia no mesmo seminário. Negam o nascimento virginal de Cristo, negam a ressurreição de Cristo, negam a inspiração da Bíblia, negam-lhe umas quantas epístolas ao apóstolo Paulo e vivem da denominação; pregam suas barbaridades e blasfêmias desde o púlpito, com luzes de cores, com órgãos de tubos. Tens nome de que vives, mas estás morto. Por isso o Senhor não fala somente da grande prostituta, senão que a prostituta teve filhas, também infiéis ao Senhor, que têm a semente dos homens e não a semente da palavra de Deus; isso está claramente.
Institucionalismo denominacional
Agora diz aqui: “confirma as outras coisas que estão para morrer”. O avivamento recupera coisas, mas depois os seguintes que vêm, deixam morrer; como dizia o Senhor: as ovelhinhas que vêm detrás, em vez de encontrar águas limpas, encontram águas sujas; em vez de encontrar pastos suculentos, encontram pastos amassados como diz o Senhor em Ezequiel 34; as gerações seguintes não são fiéis ao Senhor. Samuel foi fiel ao Senhor, mas não seus filhos; Davi foi fiel ao Senhor, mas não seus filhos. O Senhor não tem netos, como dizia o irmão David Duplesis; cada filho de Deus tem que receber diretamente ao Senhor, porque as coisas vão se perdendo e isso sucedeu na cristandade. “Sê vigilante, e confirma as outras coisas que estão para morrer”. Já morreram algumas e outras ainda não estão mortas, que quer dizer? Como vai dizer a seguir, que ainda no protestantismo o depósito de Deus está fragmentado e incompleto. Alguns se organizam ao redor de uma experiência, digamos, falam em línguas, então fazemos a igreja pentecostal.
Outros dizem: não há que batizar a meninos, senão aos adultos e nós batizamos aos adultos, então fazemos a igreja e lhe pomos um nome, identificamo-nos com nome: Os batistas. Há outros, somente a justificação por fé, a santidade, viver de maneira metódica, então fazemos o metodismo. Não, o governo da igreja não é de bispos, senão de muitos presbíteros, então façamos o presbiterianismo e aí começa esse nominalismo, por nomes, organizar-se ao redor de porções incompletas. O Senhor não deu o dom de línguas para criar uma igreja pentecostal, senão para que toda Sua Igreja saiba que estão vigentes os dons espirituais. O batismo não é para fazer uma igreja de batismos; o batismo é para todo o povo. Tudo o que o Senhor dá a uns e a outros, deve verter-se ao corpo e é para enriquecer a todo o corpo; mas o que acontece quando há essa falta de integridade no conselho, no depósito de Deus? O que diz aqui o Senhor: “Lembrar-te, pois, do que recebeste e ouvido”; lembrar-te, retém o conselho de Deus e “guarda-o, e arrepende-te”. Arrepende de que? De deixar morrer as coisas, de ser parcialista, de ser nominalista, de ser incompleto. Paulo escreveu à igreja em Tessalônica: preciso voltar a vocês, para completar a fé. O ônus apostólico é que a fé seja completa; a fé que uma vez foi dada aos santos deve ser retida; mas lembrar-te do que recebeste, porque não achei tuas obras perfeitas. “Pois se não velares, virei sobre ti como ladrão, e não saberás a que hora virei sobre ti”. O Senhor está falando que quando Ele vier encontrará algumas pessoas na cristandade, nessa cristandade específica do protestantismo que estarão em nominalismo, em formalismo, em institucionalismo, em denominacionalismo, incompleto seu depoimento, somente coisas parciais, atomizado (Ação de reduzir a gotículas de dimensões muito pequenas), dividido e assim será achado pelo Senhor em Seu regresso. Alguns serão achados no estado católico romano porque a Tiatira é mencionado a segunda vinda. Alguns serão achados no estado protestante que o Senhor repreende; não a todos; o Senhor diz: tenho alguns poucos que são fiéis; mas o Senhor considera a esses fiéis uma minoria frente ao comum; e quando diz: “as outras coisas que estão para morrer; porque não achei tuas obras perfeitas”, quer dizer que uma obra que não é perfeita e que tem partes mortas, que não estão vivas, que não estão inclusas, isso quer dizer a atomização, que o conselho de Deus está incompleto nos grupos atomizados do protestantismo. E precisamos a plenitude da palavra, a plenitude da comunhão do corpo para que o Senhor possa sentir-se satisfeito, como se diz depois a Filadélfia à qual não repreende. Filadélfia é a superação do protestantismo caído; não só o romanismo caiu, também no protestantismo teve quedas e isso o delata o Senhor aqui.
Agora diz, graças a Deus: “4Mas tens umas poucas pessoas em Sardes, que não mancharam suas vestimentas”. O Senhor apesar de que fala tão forte, porque Ele tem que dizer a verdade, Ele reconhece que isso não é com todos; ele reconhece que há uma minoria, há um remanescente que é fiel; e é curiosa, a história da cristandade no protestantismo, a recuperação progressiva da verdade que teve, o que o Senhor disse: “restituirei”, foi através de remanescentes; sempre foram os remanescentes os que fizeram avançar o protestantismo de uma coisa à outra. Lutero trouxe a justificação por fé, não a santificação; foi um remanescente, Wesley e os que estavam com ele, os que avançaram. Depois dentro do mesmo movimento de santidade que tinha na história da igreja, o metodismo, os nazarenos, etc., teve alguns que recuperaram os dons espirituais, a previdência, a profecia, etc., mas não foi todos; foi um remanescente; e ainda dentro do mesmo pentecostalismo, a visão do corpo, o depósito de Deus, o conselho de Deus, é recuperado por remanescentes; e o Senhor fala aqui: “tens umas poucas pessoas em Sardes, que não mancharam suas vestimentas”. Aqui o Senhor está dizendo que os reconhece remanescentes; e o curioso é que esses remanescentes os identifica como verdadeiros isentados que não mancharam suas roupas; ou seja, pessoas regeneradas e santificadas, que é o que quer dizer as vestimentas brancas; são vestimentas brancas em justificação e em santificação; isso foi o que justamente se deu no período protestante, no remanescente. E segue dizendo: “e andarão comigo em vestimentas brancas, porque são dignas”. Aqui nos damos conta de que esta palavra “dignas” que está falando, já não é somente a justificação que é por graça, senão a santificação e a vitória para o galardão. Por isso diz: “porque são dignas”; ou seja, são pessoas que não somente são justificadas, senão que são vencedores, por isso se aplica a palavra “digna”; e segue dizendo: “e andarão comigo em vestimentas brancas, porque são dignas. O que vencer...” Aqui você se dá conta de que da mesma forma que em Tiatira, o Senhor começa a chamar primeiro aos vencedores.
Apelo aos vencedores
Quando você olha a carta a Éfeso, o Senhor chama à igreja primeiro; diz: O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas; e depois menciona aos vencedores. Em Esmirna, primeiro menciona a igreja e depois os vencedores. Em Pérgamo, primeiro menciona a igreja, depois os vencedores; mas em Tiatira, que caiu nas profundezas de Satanás, já não se pode falar da generalidade; agora somente os vencedores primeiro; primeiro menciona aos vencedores; o mesmo aqui no caso de Sardes; o Senhor tem as sete estrelas em sua destra, mas já não pode dizer a Sardes que anda entre os candeeiros como disse ao princípio, porque já não é como ao princípio; morreram certas coisas; então agora, o que é que o Senhor lhe diz? Diz-lhe somente que tem as sete estrelas, que alguns andam em roupas brancas; mas “o que vencer”, é o que diz primeiro; ou seja que o Senhor está apelando aos vencedores, aos que estão vencendo aquilo que Ele repreende do catolicismo e do protestantismo, porque Ele é o sumo sacerdote que tem o dever de manter os candeeiros funcionando, e tinha uma tesourinha que era a espervitadeira para tirar o mau: tenho contra ti isto, aí está a espervitadeira; mas também: tens isto, aí está adicionando azeite. O Senhor está reprovando com a tesourinha e aprovando ou reforçando o que aprova, amém? Então por isso chama primeiro aos vencedores. Hoje em dia, desde a época de Tiatira em diante, o Senhor chama aos vencedores primeiro. Se toda a igreja não chegar ao nível que o Senhor espera, pelo menos os vencedores chegarão ao que o Senhor quer; se não todos são vencedores, que alguns o sejam, ainda que sejam poucas pessoas.
“O que vencer será vestido de vestimentas brancas”. Esse é a ênfase no protestantismo, isso é o que se permite aos vencedores, verdadeiramente isentados, crucificados, santificados, vencedores: “será vestido de vestimentas brancas”; e aqui diz algo muito sério, que como lhes disse da vez passada que o mencionamos, requer um estudo longo que pra hoje não dá tempo, mas vamos adiantar um pouquinho.
O livro da vida
Outra parte da promessa, e note a quem promete e em que contexto está esta promessa: está no contexto dos vencedores.
Vocês sabem que o Senhor tem para os vencedores a recompensa do milênio; receberão faculdade de julgar os que venceram à besta, a sua imagem, que puseram sua vida pelo Senhor; se sentarão com Cristo e reinarão mil anos.
O livro da vida - para interpretar e entender bem o livro da vida que vai dizer aqui, temos que tomar todos os versículos que falam do livro da vida. Se você tomar só este versículo do livro da vida, você não vai entender bem; você tem que tomar todos os versículos da Bíblia que falam do livro da vida para entender todos esses versículos. Se você tomar todos, irás entender que há seções no livro da vida; há coisas que estão escritas no livro da vida desde o princípio do mundo e há um momento em que alguns são reescritos no livro da vida. Estes do livro da vida que aparecem em Sardes está no contexto dos vencedores, no contexto do milênio; esse é o contexto do livro da vida; não está falando no contexto geral do livro da vida.
Hoje não podemos, por causa do tempo, estudar a fundo com todos os versos, mais pormenorizados a estes versos; o livro da vida é complexo; há que ter todos os versos que falam do livro da vida na Bíblia e então irás entender as seções que tem; o que está escrito ao princípio do mundo, o que se escreve depois, o que se confirma.
Então, com esse preâmbulo o Senhor adiciona ao galardão dos vencedores em Sardes: Ser vestidos de vestimentas brancas e não apagarei seu nome do livro da vida; ou seja, que no livro da vida há uma seção onde estão os nomes dos vencedores; nem todos os cristãos são vencedores.
Se algum cristão não é vencedor, não estará na seção dos vencedores, no livro da vida. “Não apagarei seu nome do livro da vida, e confessarei seu nome diante de meu Pai, e diante de seus anjos”. Fixem-se em como o Senhor também relaciona o galardão com o problema da igreja. Qual era o problema da igreja? Nominalismo. Tem nome de que era, mas não era; mas quando o Senhor confessa um nome, esse sim é. Nós chamamos ao mau de bom e ao bom de mau. Diz o Senhor em Malaquías que quando Ele vier as pessoas compreenderão quem na verdade serve a Deus e quem não serve. Hoje muitos que não lhe servem aparecem como servidores, e os mais fiéis servidores aparecem como se fossem os piores hereges; foram queimados; a Savonarola, o queimaram; a João Hus, o queimaram; a William Tyndale, o queimaram; a muitos servos do Senhor, os mataram; foram tidos como os piores. Bem aventurados sois, quando tomarem vosso nome como mau, porque vosso galardão é grande nos céus, porque assim fizeram vossos pais com os profetas. Os que estão procurando nomes hoje em dia, esse é um problema do protestantismo, querer aparecer. As vezes tiramos cartões de conselheiros e nos oferecemos a aconselhar a todo mundo; repartimos os cartões sem saber com que demônio vamos encontrar. Não é que o Senhor não nos usa numa situação para uma tarefa, senão que nós nos auto-promovemos; isso é típico do protestantismo; mas o Senhor diz: confessarei seu nome. Quando o Senhor confessa o nome, aí sim é verdade; o Senhor não chama a um gato pelo nome de lebre, o Senhor chama gato ao gato e lebre à lebre. Então o Senhor sabe que no protestantismo há esse problema de nomes, que queremos nomes, aparências, discursos de promoção, e o Senhor diz: assim não é; mas se andas em vestimentas brancas comigo, não apagarei teu nome e confessarei teu nome; não só não o apagarei dessa seção de vencedores que é para o milênio, não o apagarei, senão que o confessarei, confessarei seu nome; e diz aqui: “diante de meu Pai, e adiante de seus anjos”; porque nós, como diz o Senhor Jesus, procuramos glória dos homens. Não diz assim Jesus? Como podeis vocês ser verdadeiros, se procurais glória uns dos outros.
O que procura a glória de Deus, esse é fiel e verdadeiro; por isso Paulo dizia aos Gálatas: Se procurasse ainda o favor dos homens, não seria servo de Cristo; ou seja, os verdadeiros querem ser reconhecidos pelo céu ainda que a terra os tenha pelo pior. O importante é isso: diante do Pai que tem sete olhos para vasculhar o mais profundo; que não se engana com as aparências, e adiante de seus anjos que vêem todas as barbaridades que fazemos, assim é. Mas o Senhor diz: “confessarei seu nome diante de meu Pai, e diante de seus anjos”. Todos nós queremos que se fale bem de nós; às vezes os políticos pagam para que digam: Bravo, doutor fulano. Sabemos que isso é pura palha, isso está comprado, isso é nominalismo; mas quando o Senhor fala bem de alguém, como quando Arão e Mirian falaram mal de Moisés, o Senhor falou bem de Moisés; essa opinião de Deus, essa é a verdadeira, não a do homem. Então, isso é o que o Senhor nesta situação de nominalismo, de aparências, de discussões, de rivalidades; nessa condição o Senhor promete aos vencedores que irá confessar seus nomes diante do Pai e diante de Seus anjos; será reconhecido no céu, ainda que na terra, devido a tanto negócio, não tivesse sido reconhecido. “O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”; ou seja, o Senhor chama aos vencedores primeiro. Agora, essa é a diferença nas três primeiras igrejas; nas quatro últimas apela primeiro aos vencedores, mas depois fala a todas as igrejas; mas fala também: Se algum tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas; ou seja, o Senhor ensina a todas as igrejas tratando de frente com o protestantismo através desta mensagem a Sardes, o qual profetiza essa época da Igreja. Que o Senhor, irmãos, nos ajude para que nos encaminhemos bem e não se achem em nós os males que o Senhor repreende.
Na crítica textual só há uma diferença com esta tradução, ali onde diz: “O que vencer”; no original grego diz: “O que assim vencer”; isso é o que diz no grego. Amém, irmãos!
ES -
A MENSAGEM À IGREJA EM TIATIRA
MENSAGEM À IGREJA EM TIATIRA
“E escreve ao anjo da igreja em Tiatira: O Filho de Deus, o que tem olhos como chama de fogo, e pés semelhantes ao bronze polido, diz isto”. Apocalipse 2:18.
Uma misteriosa Babilônia.
Vamos ao Livro do Apocalipse capítulo 2, versículo 18. Estamos chegando com a ajuda do Senhor a Sua mensagem à igreja em Tiatira; isto é, Tiatira foi uma igreja histórica daquela época do Senhor Jesus, do apóstolo João, do Ásia Menor, o que hoje se chama Turquia. Subindo de Éfeso, passando por Esmirna, por Pérgamo, e agora tomamos a direção de Pérgamo para o sudeste, descendo um pouquinho obliquamente desde o norte de Anatólia ou Turquia para o sudeste, uns 32 quilômetros; não é tão longe de Pérgamo; ali estava a cidade histórica de Tiatira onde se deram umas condições sumamente dolorosas ao coração do Senhor e que devem sê-lo também ao coração nosso. Quiçá não tenha uma carta que reflita mais até onde pode cair a igreja, inclusive para provar o que são as profundidades de Satanás; no entanto, o Senhor Jesus a segue tratando de Igreja e segue sendo fiel e segue falando e dando saída; é profunda esta carta. Esta carta a Tiatira representa a maior descida na história da Igreja; se olhamos o que se costuma chamar “a idade das trevas”, eras da escuridão ou do obscurantismo, e não obscurantismo em relação com o chamado iluminismo, senão obscurantismo relativo à espiritualidade, com Cristo; porque hoje em dia algumas pessoas usam a palavra obscurantismo a partir da posição do chamado iluminismo e do racionalismo, mas eu não uso a palavra obscurantismo desde o iluminismo, senão desde a espiritualidade, desde a palavra de Deus. A nenhuma destas sete igreja, o Senhor falou tanto. Se você compara quantos versículos falou a Éfeso - sete; a Esmirna, uma igreja que estava em plena perseguição - quatro; a Pérgamo falou também poucos; depois vocês podem comparar, mas em Tiatira falou com uma dúzia de versículos; é a igreja que Ele mais fala, a que mais dirige Suas palavras; e no entanto, a igreja que caiu em maior profundeza. Antes de ler a mensagem a Tiatira, eu gostaria que lêssemos uma passagem que nos ilustra este processo das igrejas em descida, como depois também relativo à restauração. A igreja foi descendo desde Éfeso por Esmirna até Pérgamo e por Pérgamo até Tiatira; e depois começou a ser restaurada pouco a pouco desde Sardes, Filadélfia até os vencedores de Laodicéia. Laodicéia em si é uma igreja contra a qual o Senhor tem muitas queixas, mas há vencedores sobre essa situação. Para entender esse processo de decadência e restauração da igreja, vamos ao livro de Joel, vamos ler ali algumas expressões do Espírito Santo por este profeta. Primeiramente vamos ao capítulo 1; vou ler desde o versículo 2. Estas palavras foram ditas primeiramente pelo Senhor a Israel; isto aconteceu inicialmente com Israel, antes de serem levados cativos a Babilônia, e depois foram livrados de Babilônia, e regressaram à Jerusalém; mas vocês recordam que no Novo Testamento também há uma misteriosa Babilônia da qual sai e muda para uma Jerusalém celestial. A história de Israel é tipológica; assim que quando vemos esta profecia, tem um primeiro sentido primário gramático-histórico em relação a Israel e num segundo sentido, alegórico ou tipológico em relação à igreja.
Então vamos vê nos dois sentidos. Joel 1:2: “2Ouvi isto, anciãos, e escutai todos os moradores da terra. Aconteceu isto em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?” Que boa pergunta. Que é o que aconteceu nos dias passados e que está acontecendo em nossos dias? É uma pergunta do Espírito. O Espírito nos pergunta sobre o que aconteceu no povo e diz aqui: “3Disto contareis a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e seus filhos à outra geração”. Deus diz que isto contaremos; Deus quer que ponhamos atenção ao sentido da história, da intervenção de Deus, também do diabo e na nossa história.
A árvore comida pela praga
Então diz assim: “4O que deixou o gafanhoto cortador comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador comeu-o o gafanhoto destruidor”; ou seja que estamos vendo uma degradação de uma árvore; essa árvore representa ao povo do Senhor, mas primeiro vem uma larva; deixaste teu primeiro amor, as obras dos nicolaítas, e começou essa larva, essa lagarta, a comer primeiro as folhinhas; mas diz: o que deixou a lagarta... A lagarta é a primeira etapa, a larva que começa a comer. Diz: o que ficou da lagarta comeu o migrador; depois já estamos vendo que em Esmirna aparece algo assim que se chama “a sinagoga de Satanás”; no meio da perseguição começa a comer mais e depois diz: “o que ficou do migrador comeu o devorador”; esse é outro animalzinho, já vemos em Pérgamo, que ao que antes era feitos, obras, dos Nicolaítas em Éfeso, sinagoga de Satanás em Esmirna, é doutrina de Balaão e doutrina dos nicolaítas em Pérgamo; e por fim diz: “e o destruidor comeu o que do devorador tinha ficado”; ou seja, o ataque de Satanás contra a árvore do Senhor. Ele disse que Ele era uma árvore e nós éramos os ramos dessa árvore. Ele disse: “Eu sou a videira, vocês os ramos” (João 15:5). Quando o estavam levando à cruz, as mulheres de Jerusalém choravam por Ele, e Ele disse: “28Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, senão chorai por vocês mesmas e por vossos filhos. 31Porque se com a árvore verde fazem estas coisas, o que se fará com o seco?” (Lucas 23:28,31). A árvore verde é a vida divina em toda sua preciosa manifestação; agora, Ele tinha que se manifestar na Igreja; nós somos os ramos da vida do Senhor, mas há um ataque de Satanás contra a Igreja, uma luta; bem como o Senhor foi morto na cruz, mas depois pela vida divina ressuscitou, assim também a vida divina que foi dada à Igreja é atacada por Satanás até levar à Igreja às profundidades de Satanás, como vamos ver aqui; no entanto, como o Senhor ressuscitou, começa então a restaurar e a recuperar a parte de Deus na Igreja até vencer. Os últimos vencedores serão vencedores de tudo; mas antes teve um processo de degradação até que o destruidor comeu o que deixou o devorador, que tinha comido o que deixou o migrador; que tinha comido o que deixou a lagarta. Já em Tiatira vemos a condição de máxima decadência da Igreja. O Senhor em vez de ficar calado foi a ela que Ele mais falou, reconheceu nela algumas coisas boas e lhe fez notório, os graves erros.
Crítica textual
Agora sim, vamos ler a mensagem a Tiatira de uma só vez para ter em conta os detalhes textuais, tendo revisado isto, porque cada vez o reviso para que os irmãos o conheçam, mas o importante é o texto. Depois voltamos ao texto sobre nossos passos. Leiamos primeiro de uma só vez a mensagem do Senhor para ter tudo presente ao seguir comentando.“18E escreve ao anjo da igreja em Tiatira: O Filho de Deus, o que tem olhos como chama de fogo, e pés semelhantes ao bronze polido, diz isto: 19Eu conheço tuas obras, e amor, e fé, e serviço, e tua paciência, e que tuas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras. 20Mas tenho contra ti...” Esse “umas poucas coisas” mal alguns manuscritos o dizem, não todos; os mais antigos não o dizem, mas resulta que no grego não soa como bem entendido; então alguns escribas agregaram uma palavrinha que ali se traduz em três palavras como para fazê-lo mais gramatical. “Tenho contra ti: que toleras que essa mulher Jezabel”; alguns manuscritos não dizem: “essa”, senão “tua mulher Jezabel”. Uns dizem: “essa”, outros dizem “tua”, e ao comparar uns manuscritos com outros fica difícil decidir qual dos dois será o original. Se a alguns pareceu muito forte chamá-la “tua mulher” e lhe puseram “essa” ou foi ao contrário que dizia “essa” e o quiseram personalizar e disseram: “tua”. Os eruditos não sabem por qual dos dois tipos de manuscritos decidir, assim que deixo para que vocês decidam. Eu penso que ainda que seja uma ou outra coisa, terá muito o que dizer. “Tenho contra ti que essa (ou tua) mulher Jezabel, que se diz profetisa, ensine e seduza a meus servos a fornicar e a comer coisas sacrificadas aos ídolos. 21E lhe dei tempo para que se arrependa, mas não quer arrepender-se de sua fornicação. 22Tenho aqui, eu a jogo em cama, e em grande tribulação aos que com ela adulteram, se não se arrependerem das obras dela. 23E a seus filhos ferirei de morte, e todas as igrejas saberão que eu sou o que vasculha os rins e o coração; (claro, a palavra “mente” era mais entendível, mas o que disse Deus foi “rins”, ou seja, o mais profundo de teu ser; aqui dentro estão os rins. Os rins e o coração, disse o Senhor) e vos darei a cada um segundo vossas obras. 24Mas a vocês e aos demais que estão em Tiatira, a quantos não têm essa doutrina, e não conheceram o que eles chamam as profundidades de Satanás, eu vos digo: Não vos imporei outro ônus; 25mas o que tendes, retende-o até que eu venha. 26Ao que vencer e guardar minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, 27e as regerá com vara de ferro, e serão quebradas como vaso do oleiro, como eu também a recebi de meu Pai; 28e lhe darei a estrela da manhã. 29O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Esta igreja de Tiatira é a primeira igreja à qual o Senhor apela primeiro aos vencedores. Até aqui o Senhor tinha apelado à igreja inteira. O que tem ouvido ouça o que o Espírito diz às igrejas; apela, chama a todas as igrejas e depois menciona aos vencedores. Depois a partir daqui, Tiatira, o Senhor começa a apelar primeiro aos vencedores; a igreja chegou a uma condição tão degradada que o Senhor tem que chamar a vencedores. Não sei se vocês se deram conta de que aparecem vários níveis de pessoas em Tiatira. Por um lado, o Senhor elogia as coisas boas, e por outro lado, repreende as coisas gravíssimas; e, no entanto, o Senhor a todos esses que levam o nome de cristão, que se dizem Seu povo, Ele fala a todos eles.
Sacrifício contínuo
Você encontra coisas muito preciosas como as que aparecem ali no primeiro versículo; diz: “Eu conheço tuas obras, e amor, e fé, e serviço, e tua paciência, e que tuas últimas obras são mais do que as primeiras”. Isto é um grande incentivo e é um incentivo por muitas coisas e o Senhor não iria dizer isso, se isso não existisse. Tanto na Tiatira histórica como no período da história da Igreja que profeticamente está representado pela mensagem a Tiatira, porque estas sete igrejas são tipologias proféticas, ou seja, essas igrejas históricas, o Senhor está falando a essas igrejas históricas e por essas igrejas históricas Ele está profetizando, porque este livro é uma profecia do princípio ao fim. Então temos que o interpretar não só historicamente, senão também profeticamente. Teve uma Tiatira histórica. A palavra Tiatira quer dizer: “sacrifício contínuo”; a palavra “tisiastério”, que é de onde vêm as raízes da palavra Tiatira, quer dizer o altar do incenso, o altar do louvor; então a palavra Tiatira significa “sacrifício contínuo”. Alguns, por causa da presença de Jezabel nesta profecia, chamaram-lhe “mulher dominante”; por causa de Jezabel então relacionaram Tiatira com mulher dominante, mas no grego é “sacrifício contínuo”. Nessa época foi quando se estabeleceu a missa como um sacrifício repetido e onde os alimentos, a farinha, o elemento água misturado com a farinha ou o azeite, o elemento veio (hóstia), foram adorados com adoração latréutica (excelência de Deus e submissão dos homens), como se fosse Deus mesmo, por causa de uma doutrina que surgiu na idade média, que é a doutrina da transubstanciação, com a qual se dizia que os elementos se convertiam na carne e no sangue de Cristo; então como tem que se adorar a Deus e adorá-lo em Cristo, eles então adoraram a hóstia, adoraram a farinha, adoraram o vinho, como se fora a Deus mesmo; isso sucedeu nessa época; e esse sacrifício constante de adoração, quando se levanta, isso é o que quer dizer a missa, um sacrifício contínuo; não o sacrifício único de Cristo que foi feito uma vez para sempre, senão continuado; então chegou a considerar-se um sacrifício contínuo, incessante e isso é o que significa Tiatira.
Pano de fundo geográfico e histórico
Agora, Tiatira era uma cidade que se caracterizava pelas pinturas; inclusive a palavra pintura e Tiatira têm uma relação. Vocês recordam que a primeira convertida de Tiatira foi Lídia; ela era uma vendedora de púrpura de Tiatira, somente que nesse momento estava em Filipos, porque ela, ainda que fosse de Tiatira, comerciava a partir de Tiatira; o que faziam em Tiatira era produzir tintura. Tinha uma raiz de uma planta que eles utilizavam e produziam umas tintas púrpuras e escarlatas, e eles faziam umas telas e as tingiam; esse era o principal negócio de Tiatira. Tiatira também está relacionada com Tiro, pois devido à localização geográfica de Tiatira, e devido ao comércio com Tiro, chegou a ser uma cidade importante, ainda que não tão poderosa como Pérgamo, como Esmirna e como Éfeso em outros assuntos. Tiatira chegou a ser forte no aspecto comercial e no aspecto militar. Por que no aspecto militar? Porque depois de Esmirna, Pérgamo, vinha Tiatira que estava fazendo limite entre o reino de Lisímaco que era para o norte e o de Selêuco que era para o sul; então ficava numa situação fronteiriça; e fixem-se no curioso da localização geográfica de Tiatira. Tiatira tem uma história de mudança constante de governo; há inconstância. Agora estava governando um determinado império, mas como ela ficava em zona fronteiriça, as vezes o outro império prevalecia, então dominava a Tiatira. Tiatira estava num vaivém constante; as vezes reinava o rei de Pérgamo; as vezes reinavam os descendentes de Selêuco, depois reinava outra vez Roma; ou seja que Tiatira estava sempre sob diferentes governos; estava como dizer num vaivém e era um lugar forte quanto a comércio, igual a Tiro. Vocês sabem que Jezabel era filha do rei de Tiro, e vocês sabem a quem se chama espiritualmente o rei de Tiro na Bíblia? Ao diabo. Se vocês quiserem ver, vamos a Ezequiel capítulo 28 e vocês vão dar conta de que por trás do rei de Tiro, o rei físico, estava o rei espiritual, os governadores das trevas deste século. Ezequiel capítulo 28, mostrando que o verdadeiro rei de Tiro não era o fantoche que aparecia como político, senão o espírito de Satanás mesmo que manejava. Vamos vê-lo em Ezequiel 28, e isto o menciono por causa da relação com Tiro e com Jezabel e a relação com o comércio e com Tiatira também. Agora, o que era que se vendia em Tiatira? Vendia telas de púrpura e de carmesim; a púrpura é o que veste o chamado purpurado que é o colégio episcopal, e o escarlata é do colégio cardenalicio; e justamente, isso aparece ali em Tiatira; e Lídia era vendedora das telas; mas essas telas se usavam para essas posições de honra no império romano que depois passaram a ser de honra nas hierarquias romano-papistas.Ezequiel 28:12: “12Filho de homem, levanta lamentações sobre o rei de Tiro”. O que vai falar aqui é de Satanás, porque Satanás é o verdadeiro rei espiritual que maneja ao rei de Tiro; é o personagem que expressa esse tipo de governo, que é a personalidade espiritual, o caráter de Satanás. O Senhor, ao identificar a Satanás por detrás deste rei de Tiro, já fala diretamente ao que está detrás. Fala ao que está detrás, e diz assim: “o rei de Tiro, e diz: Assim disse Jeová, o Senhor: Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e acabamento de formosura. 13No Éden, no horto de Deus estiveste; de toda pedra preciosa era tua vestimenta; de rubi, topázio, diamante, crisólito, cornalina, jaspe, lazulita, turquesa, berilo; de ouro eram feitos os teus pingentes e as tuas lantejoulas.; os primores de teus tamboriles e flautas estiveram preparados para ti no dia de tua criação. 14Tu, querubim da guarda”. Agora vemos quem era o verdadeiro rei de Tiro; não era o fantoche senão o títere, o querubim. O rei físico era o fantoche, o títere era o querubim; por isso Paulo fala em Efésios dos governadores das trevas deste mundo; por isso em Daniel 10, o príncipe de Pérsia, títere, aparecia representado no príncipe da Pérsia natural. O príncipe de Grécia, títere, o espírito principado demoníaco, influenciava o império grego; aqui vemos o que influenciava o governo de Tiro, o comércio e tudo isso, era o mesmo querubim rebelde, o mesmo Satanás.
Pés semelhantes ao bronze polido
Vamos outra vez a Apocalipse 2 para seguir a mensagem a Tiatira; mas temos que ver tudo o que implica a palavra Tiatira, a história de Tiatira, como isso tem uma influência e como isso tem também uma tipologia. A igreja em Tiatira é a igreja numa situação muito difícil; nós lemos em Joel para mostrar até onde se degradou a igreja; e ainda o Senhor a segue chamando igreja. O Senhor diz: Escreve ao anjo da igreja em Tiatira, e diz que alguns chegaram às profundidades de Satanás; isso não aparece em Éfeso, nem em Esmirna, Pérgamo, Sardes, Filadélfia, e nem em Laodicéia; as profundidades de Satanás aparecem somente em Tiatira; e, no entanto, o Senhor a chama “a igreja” e é um candeeiro, e de ouro; mas isso por causa dos vencedores. Vamos ler ali muito lentamente. Como se apresenta o Senhor ao anjo da igreja em Tiatira e à igreja? “O Filho de Deus”; lá eles tinham o culto de Apolo e o culto de uma Sibila, e aqui diz: “O Filho de Deus, o que tem olhos como chama de fogo”; ou seja, o que penetra até o mais profundo, e por isso diz: o que vasculha os rins e o coração, os olhos como chama de fogo. E diz mais: “e pés semelhantes ao bronze polido”; que era uma das coisas que se produzia em Tiatira. Em Tiatira se produzia o bronze polido obtido com ligas de metais que se produzia justamente em Tiatira; faziam escudos de bronze polido, de maneira que as pessoas de Tiatira sabia o que era esse metal e o Senhor se mostra a eles como o que tem os pés de bronze polido; como quem diz: vocês conhecem o processo para que este metal aparece; e eu tenho pés disso, eu passei pelo forno, eu passei pelo juízo, eu vasculho todas as coisas. O pecado é juízo em mim; aqui é onde mais pecado se apresenta; então Ele se apresenta como o que julga o pecado, o que vasculha os rins e o coração; aqui diz “a mente”, mas o Senhor disse: os rins, nefrus, de onde vem a palavra nefritis, ou seja, inflamação dos rins. Essa é a palavra que o Senhor Jesus usou. O que vasculha os nefrus, os rins e o coração. “Olhos como chama de fogo, e seus pés semelhantes ao bronze polido”; é o Senhor que julga o pecado. Como o problema de Tiatira era pecado até o mais profundo, o Senhor se apresenta como o que julga o pecado e o que passou pelo juízo do pecado; é muito profundo. O Senhor faz as duas coisas: por um lado, o juízo do pecado; por isso ele trata com o pecado e por isso ele vai castigar. Diz: “eu a lanço em cama”, etc. “e a seus filhos ferirei de morte”. Ele é o Senhor que julga o pecado, os mais profundos pecados. Se se arrependerem podem ser livres. Por isso Ele diz: dei-lhes tempo para que se arrependesse; ou seja que o Senhor pode solucionar, se se arrependerem. Como é misericordioso o Senhor! Não só julga o pecado, senão que Ele sofreu pelo pecado para nos livrar do mais profundo pecado; e ainda das profundezas de Satanás o Senhor pode livrar porque Ele é o que tem pés como bronze polido; Ele foi até o Hades, o Seol, e tomou as chaves do inferno e da morte. Então fala aos que são fiéis em Tiatira. Pois apesar da situação tão terrível em que eles se encontravam, ainda assim tinha gente fiel; este período da igreja corresponde à chamada idade média; ou seja, mais ou menos depois do período patrístico. Depois de Constantino esse período patrístico representa a era de Pérgamo. Depois começou o que se chamou a pornocracia, o governo de papas corruptos, de papisas de Roma; até de mulheres, a papisa Joana, que era uma mulher disfarçada de papa e se chamava “João VIII” e era uma papisa; bem como aparece uma Jezabel nesses tempos de pornocracia papal, aparece uma mulher chamada Marosia e outra pessoa chamada Lucrecia Borja, das que vocês ouviram umas barbaridades que sucediam lá no papado, e todas essas prostituições e coisas; compravam o papado por meio de dinheiro, nomeavam a um menino de oito anos de cardeal porque com o posto de cardeal tinha se muitos benefícios que todos os Estados tinham que pagar; e teve papas até de onze anos, e teve papas filhos de papas, uma coisa terrível; ou seja, a igreja e o chamado cristianismo chegou à mais profunda degradação na idade média; inclusive teve papas como um dos Silvestres de quem dizem que foi mago negro; teve vários papas que foram acusados de bruxaria, outros de assassinato, de incesto; muitas coisas se deram; por isso se fala das profundidades de Satanás; isso se viu na história, na idade média, a idade das trevas, século VIII, século IX, século X, século XI, século XII, século XIII, século XIV, século XV; foram os séculos do pior tipo de gente que se dizia cristã, fazendo as piores coisas e se diziam cristãos.
Um remanescente fiel
No entanto, no meio de todo esse sistema, tinha gente santa que não estava nessa posição, mas que tolerava a Jezabel dizer-se o que não era, mas mantinham fidelidade; pessoas como Francisco de Assis, como Bernardo de Claraval, como os pré-reformadores anteriores à Reforma que a vez passada mencionei, como Arnaldo de Brescia, como Jerônimo Savonarola, como Pierre de Bruise, como Henrique de Lausana; estes foram líderes que estiveram subterraneamente sendo fiéis ao Senhor, ensinando a palavra, como também foram John Hus, John Wicleff; todos esses grandes homens de Deus tiveram que se enfrentar a todo esse sistema. Então o Senhor a um grupo fala de ser fiel; a esses diz o Senhor: “Conheço tuas obras, e amor, e fé, e serviço, e tua paciência, e que tuas ultimas obras são mais do que as primeiras. Mas tenho umas poucas coisas contra ti”; aqui está o que o Senhor desaprovava: “que toleras”. Fixa-te, tu vês muitos desses grandes homens santos, como São Francisco de Assis, no entanto, ele mesmo aceitava o papado, aceitava esse sistema, ainda que ele era um santo. Eu lhes contei uma vez a história como ele foi e pediu permissão ao papa Julio II para que se lhe permitisse fazer uma ordem para obedecer o evangelho; pedia permissão ao papa para obedecer o evangelho. O papa, como viu que a Pierre de Bruise e Pedro Valdo e os valdenses não lhes tinham dada permissão e eles tinham feito as coisas a sua maneira, então ele politicamente lhe deu permissão de obedecer o evangelho e aí surgiu a ordem dos franciscanos descalços que se vestiam com túnicas, sempre se amarravam com um cordão e somente comiam o que lhes davam; por isso os chamaram mendicantes, que foram os que evitaram que se perdesse a Europa para o cristianismo; porque se não tivesse tido a reação destes homens, era tal a maldade que tinha nos altos clérigos, que as pessoas teriam tornado ateias, se não tivesse esses grupinho que estavam ali; como dizer, os que não tinham essa doutrina que eles chamam as profundidades de Satanás; ou seja que teve alguns que foram fiéis, mas muitos dos que eram fiéis ao Senhor aceitavam a doutrina nicolaíta, aceitavam o catolicismo, aceitavam a hierarquia papal anti-bíblica; uns não, uns si; então o que o Senhor diz à igreja? “Tenho contra ti que toleras...”; ou seja, que há coisas que o Senhor não quer que toleremos na igreja, e o Senhor nos cobra.
A Jezabel histórica e a espiritual
Fixem-se em que o Senhor não falou com Jezabel; Ele queria que seus representantes, os que andam em Seu Espírito, fossem os que declarassem o que era Jezabel; mas eles a toleraram; então o Senhor diz: “tenho contra ti que toleras que essa mulher”; outros dizem “tua mulher Jezabel, que se diz profetisa”; não que fora, mas que se diz profetisa: “ensine e seduza a meus servos a fornicar e a comer coisas sacrificadas aos ídolos”. Aqui aparece primeiro uma Jezabel histórica, uma mulher chamada Jezabel ou que foi chamada pelo Senhor Jezabel para recordar quem era a Jezabel antiga; já teve uma Jezabel no passado. Quem era a Jezabel do passado nos tempos de Elias? Era a filha do rei de Tiro, uma mulher pagã, adoradora de Baal, adoradora de Astarté, que se casou com o rei Acabe em Samaria e que instaurou o culto a Baal, o culto a Astarté em Israel e perseguiu aos profetas de Deus, e o último que ficou foi Elias e também o procurava para matá-lo e jurou que mataria a Elias; disse-lhe: te matarei; e foi quando Elias teve que fugir ao Sinai caminhando tremendamente e depois teve que voltar outra vez. Essa mulher Jezabel era uma pagã, mas era uma pagã que estava em autoridade sobre o povo de Deus, era a esposa do rei Acabe e exerceu autoridade e impôs sua religião sobre o povo de Deus. Quando o Senhor utiliza esse nome, Ele está fazendo alusão a essa situação; a situação que teve em Israel em tempos de Acabe, quando uma mulher pagã, feiticeira, filha do rei de Tiro, que vocês sabem era o fantoche principal de Satanás nesse tempo, assuntos de comércio, ela se dizia profetisa; não que fora profetisa, mas dizia ser. A quem está comparando Jezabel? À grande prostituta que lemos da vez passada em Apocalipse 17, e que está comparando com esta Jezabel; é a pornocracia papal da idade média que se dizia ser como diz em Apocalipse 18; olhem o que diz essa mulher, Babilônia, a grande Roma; diz no verso 7: “Quanto a si mesma se glorificou e viveu em deleites, dai-lhe em igual medida tormento e pranto; porque diz em seu coração; eu estou sentada como rainha, e não sou viúva, e não verei pranto”. Isso é o que ela diz que está sentada como rainha, não sou viúva e não verei pranto. Ela pretende ser algo, ela não é uma profetisa de Deus, é falsa, não nasceu de novo, ela é pagã, ela não deve ser tolerada pela igreja, mas a igreja estava tolerando a essa mulher Jezabel, que se dizia profetisa, exercia autoridade sobre os servos de Deus, seduzia aos servos de Deus a fornicar e a comer coisas sacrificadas aos ídolos. A fornicação material qualifica a fornicação espiritual; a mistura da palavra de Deus com o paganismo, com o assunto do nepotismo, do dinheiro, dos parentes, da corrupção; tudo isso está qualificado em Jezabel.. Jezabel qualifica à igreja católica romana da idade média, da época do obscurantismo; é a que, quando leres estas palavras, não há outra que possa ser identificada como ela. É que talvez vocês não leram a história, mas tinha épocas onde inclusive até os cadáveres se desenterravam. Um papa desenterrava o cadáver do outro para tirar do cadáver os dedos da bênção e depois o atiravam no Tibre e desfaziam as ordenações eclesiásticas que tinha feito o papa anterior; às vezes tinha três papas brigando entre si. O que chegou a fazer o cristianismo foram coisas terríveis. Da grande prostituta Ele diz que está saciada com o sangue dos servos; instaurou a inquisição, a tortura; torturas terríveis eram feitas. A uma pessoa que estava sendo queimada lhe punham uma estátua da virgem no nariz, diga: salve rainha; o pobre morrendo lá, metiam-lhe a estátua de Maria pelo nariz para que invocasse a Maria, em vez de invocar a Cristo. Se vocês lessem o que foram realmente esses anos terríveis, que até os mesmos historiadores católicos o reconhecem. Nos Anais de Baronio, ali está toda esta história que estou contando e os mesmos o reconhecem; teve uma degradação: o gafanhoto comeu o que restava; teve aí seiva nas raízes para que depois brotasse, alguns clandestinos, perseguidos, como aqueles que mencionei que fizeram algo. Mas aparece Jezabel qualificando essa época, uma posição de governo, aquela grande prostituta, Roma, Babilônia, Jezabel, que se diz profetisa; isto é, pretende falar em nome de Deus e as pessoas a toleravam, inclusive os servos, muitos a toleravam, como mencionei Francisco de Assis, Bernardo de Claraval, eles toleravam o romanismo; foram homens fiéis, mas o Senhor disse: tenho contra ti que toleras esta mulher que se diz... o que dizia ela? Falar em nome de Deus, ser profetisa, que mais? Ensinava, mas o que ensinava? Idolatria e fornicação espiritual e material; então aí está retratada perfeitamente a pornocracia papal dos séculos médios; está perfeitamente profetizado; Jezabel que se diz profetisa e ensina a meus servos; o Senhor reconhece que servos seus estão enganados por esta rainha pagã que reina sobre o povo de Deus, que diz ser profetisa e ensina aos servos do Senhor. “E lhe dei tempo para que se arrependa”; olhem como é o Senhor, “dei-lhe tempo”. Sabem quanto durou essa época? Como mil anos durou o período de Tiatira, porque o período patrístico começa a passar para o período da idade média mais ou menos desde os anos 500 até o 1500, porque surgiu a Reforma; já a reforma é outra época que é a que segue: Sardes; mas como durou mil anos e por isso alguns católicos dizem que esse é o milênio, porque eles reinaram sobre os reis durante esses mil anos, então dizem que esse é o milênio; mas foi uma farsa do milênio, um pseudo-milênio, porque reinaram de forma terrível, não mártires, senão torturadores.“21E lhe dei tempo”; aí está o período que mais durou de todos estes períodos, é Tiatira; no período da igreja o que mais durou, era um cristianismo que o Senhor lhe permitiu séculos e séculos, para ver se se arrependia, mas não quis arrepender-se; o Senhor várias vezes a levou a arrepender-se; quantos concílios procurando reformar essa situação escandalosa e nada, sempre a justificavam. Qualquer que estude a história do catolicismo, a história dos concílios, dá-se conta de que muitas vezes se quis reformar e nunca foi possível. “Dei-lhe tempo”; foi o período mais longo de todos; o Senhor fala doze versículos, permite quase mil anos. “Dei-lhe tempo para que se arrependa, mas não quer arrepender-se de sua fornicação. Eis que Eu a arrojo em cama”; esta palavra cama no grego é clinen, de onde vem a palavra clínica; é cama de doença, arrojo-a em clínica; em cama, mas de clínica, leito de doença, leito de morte, leito de dor; ela tinha fornicado em sua cama, agora em sua cama vai sofrer as dores, na mesma cama onde ela fornicou; ali nessa mesma cama vai sofrer as dores.
Juízo à grande prostituta
Vamos ver um pouco de Apocalipse aqui; depois voltaremos com mais detalhe, mas para adiantar este aspecto, vejamos o que diz da grande prostituta no capítulo 17:16: “E os dez chifres que viste na besta, estes aborrecerão à prostituta”. Ela tinha fornicado com os reis da terra; sempre os núncios estão como os enviados dos embaixadores; sempre o protocolo mais elevado é o do Vaticano; inclusive até mesmo aos Presidentes é ordenado sair de costas e não de frente; e alguns lhe beijam o anel e tudo; fornicando com os reis da terra, sempre. Agora, o que vai acontecer? “Estes aborrecerão à prostituta, e a deixarão desolada e nua; e devorarão suas carnes, e a queimarão com fogo”. É possível, que num próximo conclave para eleger um novo papa ou num próximo concílio, que venham a colocar uma terrível bomba no Vaticano; não uma bomba dessas pequenas, senão uma grande; porque diz que a grande prostituta será devorada, consumida com fogo; esse é o juízo que Deus tem para ela; é muito provável que isso possa suceder. Já muitas vezes teve ataques ao Vaticano, mas aqui diz: será consumida com fogo; não será um incêndio somente, senão será consumida; a queimarão com fogo. Agora, isso não diz que procederá de Bin Laden, senão destes dez que têm o plano do anticristo. Diz que Deus pôs em seus corações o exercer o que Ele quis, pôr-se de acordo e dar seu reino à besta, até que se cumpram as palavras de Deus. Esses reinos europeus darão a autoridade ao anticristo, à besta; mas como não pode vir a besta enquanto não for tirada Roma, então ela será queimada, a prostituta, que é Roma, com fogo, e então virá o anticristo; isso era o que dizia Paulo aos Tessalonicenses.
Sabemos quem o detém até agora, até que seja tirado do meio; o império romano; não podia vir o império do anticristo, enquanto estivesse o romano; e não pode prosperar nem a besta, nem o anticristo, até que estes dez reinos queimem a Roma, a prostituta. João diz que a prostituta é Roma. Diz, essa mulher é a cidade que reina sobre os reis da terra, e essa era Roma, não nos equivoquemos; Roma é a grande prostituta, é a Jezabel que fornica com os reis da terra; inclusive servos de Deus, gente que quer servir ao Senhor, mas lhe dão posições na hierarquia e vão dando posições nos bancos: o Banco Ambrosiano, o Banco Vaticano, e uma série de coisas que não dá tempo para contar; demorar-me-ia muito a dizer esses dados. No entanto, vão-se corrompendo; ensina a meus servos a fornicar, e a comer coisas sacrificadas aos ídolos; a idolatria, o paganismo se misturou no cristianismo desde essas posições, desde Roma; isso está profetizado e se cumpriu tal como Deus disse: dei-lhe tempo, quanto tempo? E não quiseram arrepender-se: “Eis que Eu a arrojo em cama”, em clínica, em doença, “e em grande tribulação”. Recorde-se que o Senhor à igreja em Tiatira fala de sua segunda vinda. “25Mas o que tens, (fala aos fiéis) retém até que eu venha”. Que quer dizer: “até que eu venha”? Quer dizer que quando o Senhor vier terá os vencedores de Tiatira que serão recompensados. Quer dizer que o estado de Tiatira, o catolicismo romano, representado em Tiatira, continuará até a vinda de Cristo, porque o Senhor diz aos vencedores para que retenham o que têm até que Ele venha. Quando o Senhor vier, encontrará muita gente no estado de Tiatira. Muitas pessoas católico-romana, alguns ainda em seus negócios, vaticanos, etc., até com narcotráfico e com suicídio de banqueiros, e a pugna dos maçons e o opus-dei por controlar ao Vaticano; todas essas coisas, até que o Senhor venha, porque a grande prostituta será julgada pelo Senhor de duas maneiras: uma maneira, queimada com fogo; outra, o terremoto; o Senhor se lembrará de Babilônia e produzirá um terremoto mundial; o terremoto mundial que falamos aos irmãos. Diz a Bíblia que é por que o Senhor se lembra das fornicações de Babilônia; isso é o que produzirá o terremoto; isso o diz a sétima taça, que é esse terremoto mundial. “22Eis que Eu a lanço em cama, e em grande tribulação aos que com ela adulteram“; os que adulteram com a prostituta em ecumenismo, os que se metem nessas coisas, adulteram com ela; servos do Senhor misturados com ao Vaticano e seus negócios; entrarão em grande tribulação; aí diz, arrojo-os em grande tribulação aos que adulteram com ela. Temos que ter cuidado, não é mesmo irmãos? Não há que adulterar com Jezabel, porque então nos toca grande tribulação. “Se não se arrependerem de suas obras”. Aqui mostra que ela é a que faz essas obras, e que convida ao ecumenismo, faz os grandes negócios e é a que convida ao Vaticano aos pastores, também aos bruxos, também aos muçulmanos e aos rabinos, e lhes manda a passagem, dá-lhes dinheiro, “as obras dela”, ela é a líder. Por isso diz: aos que com ela adulteram, os arrojarei em grande tribulação; a ela em cama e a eles em grande tribulação; “se não se arrependerem de suas obras”. Há que se arrepender das obras de Jezabel, das obras da grande prostituta. “E a seus filhos”; a Jezabel histórica teve filhos naturais, mas a Jezabel espiritual, do período de Tiatira, a grande prostituta, tem filhos espirituais, tem seguidores, tem muitos cardeais, muitos arcebispos, muitos bispos, muitos padres e muitas freiras e pessoas que a segue: “E a seus filhos”, estes são os filhos da grande prostituta: “a seus filhos ferirei de morte”; por isso o Senhor disse: “Saí dela povo meu, para que não participes de seus pecados e não recebais parte de suas pragas”; as pragas são as sete taças da ira; vêm contra a grande prostituta; e se os filhos de Deus, do povo de Deus, não saírem de Babilônia, então sobre eles virão as pragas e essas pragas é a morte. “23E a seus filhos ferirei de morte e todas as igrejas saberão...”; quando virem o castigo de Deus a estas pessoas, “todas as igrejas saberão que eu sou o que vasculha os rins e o coração, e vos darei a cada um segundo vossas obras”. Agora, quer dizer que só teve essa perversidade? Não, teve gente fiel, aqui estão os fiéis, aqui está o remanescente, aqui estão aqueles cristãos que nessa época terrível tiveram que estar em clandestinidade, protestando, ensinando e sendo perseguidos: “Mas a vocês e aos demais que estão em Tiatira”; aqui vemos três níveis: vocês, que é a igreja em geral, a do meio; Jezabel, que é com a que estão fornicando, e os demais que estão em Tiatira, mas que são fiéis. São três níveis: vocês e os demais; tinha falado de Jezabel e seus filhos, que eles o toleram; ainda que não participam, toleram-na; não devem tolerá-la. “A vocês e aos demais que estão em Tiatira, a quantos não têm essa doutrina”. O ensino de fornicação e idolatria e de profecia da Jezabel que pretende ser algo, pretende falar em nome de Deus, diz: eu sou rainha, enriqueci-me, não verei pranto, não serei viúva. Os que não têm essa doutrina. Teve nessa época de Tiatira, nas cidades da idade média, pessoas que não foram romanista, que não foram papista, e o Senhor aqui está nomeando: “os demais que estão em Tiatira”, não eles, os demais que estão em Tiatira e não têm essa doutrina, “e não conheceram o que eles chamam de as profundezas de Satanás”. Para que o Senhor Jesus fale isso, Ele que conhece tudo o que se faz em segredo e para que Ele chegue a dizer que teve pessoas que falavam das profundezas de Satanás, mas teve alguns que não souberam disso, a esses que ignoraram isso, o Senhor os aprova. O Senhor diz: “e não conheceram o que eles chamam as profundezas de Satanás, eu vos digo: Não vos imporei outro ônus; mas o que tendes, retende-o até que eu venha.” Agora, qual era a situação destes vencedores? Clandestinidade, perseguição, a inquisição; então a estes que não estavam nos postos de poder, estes que eram perseguidos e clandestinos, a estes diz o Senhor: “Ao que vencer e guardar minhas obras”, as do Senhor; não é fazer o que passa na nossa cabeça, senão o que o Senhor tem preparado para Ele fazer conosco e nós com Ele. “Guardar minhas obras”; nós temos que guardar Suas obras, o que Ele preparou de antemão para Ele fazer conosco e nós com Ele; se o guardamos, se não deixamos que se perca essa oportunidade, senão que entendamos que isso preparou o Senhor para fazê-lo conosco e nós o fazermos com Ele, “E guardar minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações”; porque eles eram os perseguidos, os degradados, os clandestinos; “lhe darei autoridade”; agora a que dizia ser, irá para a cama de tribulação e fogo; aqui diz: “lhe darei autoridade sobre as nações, e as regerá com vara de ferro, e serão quebradas como o vaso do oleiro, como eu também a recebi de meu Pai”; como recebi autoridade das nações? Diz o Senhor: caminhando meu caminho; se vocês caminham meu caminho estreito, esta será vossa recompensa: autoridade sobre as nações, mas não só uma autoridade, sem mim, senão com este complemento: “e”, é o complemento, porque não se pode ter autoridade sem este complemento: “e lhe darei a estrela da manhã”; agora Jesus, vocês sabem que Ele mesmo se identificou a si mesmo como a estrela da manhã, ali em Apocalipse 22:16; o Senhor Jesus diz: “Eu Jesus enviei meu anjo para vos dar depoimento destas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a linhagem de Davi, a estrela resplandecente da manhã”. Agora, o Senhor é também o sol de justiça, mas por que não diz: lhe darei o sol de justiça? Porque o sol da justiça é quando Ele vier em Sua segunda vinda; mas antes que o Senhor venha em sua segunda vinda, Ele é a estrela da manhã. Ele é o que nos alumia na escuridão; estas pessoas foram as que tiveram que viver nos tempos escuros; então o Senhor será a luz dos vencedores nos tempos do obscurantismo, nos tempos das trevas. “Lhe darei a estrela da manhã”. Eu me darei a eles para alumiá-los na escuridão. Não só quando Ele vier, esse é o sol de justiça. Ele poderia apresentar-se de outra maneira, mas se apresentou como a estrela da manhã, o que alumia nas idades escuras, na escuridão. Por isso é que a alguns dos servos do Senhor, que foram servos de Deus antes da época da reforma, chamam-lhe por esse nome. Nos livros de história da Igreja, John Wicleff era chamado de o luzeiro da manhã ou a estrela da Reforma; antes de vir a época da Reforma, teve pré-reformadores que fizeram esse trabalho. O Senhor a esses vencedores lhes dará Seu próprio ser, mas neste sentido: “lhe darei a estrela da manhã”, autoridade e a estrela da manhã; e a que diz estar em autoridade, irá para cama em tribulação e morte, e os que estavam sendo perseguidos e clandestinos, mantendo um testemunho em meio às dificuldades, o Senhor não lhes adicionará mais ônus. “Lhe darei a estrela da manhã. O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. A nós nos diz isto o Espírito; não só a essa época. O que disse a essa época, o que disse a outras igrejas, diz a nós; temos que aprender do sentimento do Senhor a respeito destas coisas. Vamos orar e dar graças ao Senhor.
Continua com: Mensagem à igreja em Sardes. -
A MENSAGEM À IGREJA EM PÉRGAMO
A MENSAGEM À IGREJA EM PÉRGAMO
“E escreve ao anjo da igreja em Pérgamo: O que tem a espada aguda de dois fios, diz isto”. Apocalipse 2:12.
Detalhes da crítica textual
Vamos abrir a palavra do Senhor no Livro do Apocalipse 2:12 a 17, na mensagem correspondente à igreja em Pérgamo. Mensagem do Senhor Jesus à igreja em Pérgamo; portanto, do Espírito às igrejas; a todos nós. Vou fazer a primeira leitura de uma só vez como costumamos fazê-la e também para ter em conta os detalhes da crítica textual baseados nos manuscritos mais antigos. Então vou ler o capítulo 2 desde o verso 12 até terminar a mensagem a Pérgamo:
“12E escreve ao anjo da igreja em Pérgamo: O que tem a espada aguda de dois fios diz isto: “13Eu conheço onde moras”, (a palavra “tuas obras” não aparece nos manuscritos mais antigos, senão somente em alguns; parece que a intenção de alguns escribas era igualar a saudação em todas as igrejas, mas nos manuscritos mais antigos diz
. “12Eu conheço onde moras, onde está o trono de Satanás; mas reténs meu nome e não negaste minha fé, nem ainda nos dias em que Antipas minha testemunha fiel foi morto entre vocês, onde mora Satanás”. A palavra “nem ainda”, sim é original, mas ainda há discussões porque alguns manuscritos não a têm; porque a palavra “ainda,” ais no idioma grego, é similar à terminação ais da palavra anterior; então alguns escribas ao ver um ais, pensaram que já tinham escrito o segundo ais e a saltaram, mas em outros manuscritos aparece; aqui no Textus Receptus, que é no que se baseia a tradução Reina e Valera, está correto essa passagem: “nem ainda nos dias em que Antipas minha testemunha fiel foi morto entre vocês, onde mora Satanás. 14Mas tenho umas poucas coisas contra ti: que tens aí aos que retêm a doutrina de Balaão, que ensinava a Balaque a pôr tropeço ante os filhos de Israel, a comer de coisas sacrificadas aos ídolos, e a cometer fornicação. 15E também tens os que retêm a doutrina dos nicolaítas”. A expressão “a que eu aborreço” prove da mensagem a Éfeso onde é autêntica em todos os manuscritos; alguns escribas posteriores igualaram a expressão e a agregaram também a Pérgamo, mas não está nos manuscritos mais antigos. “16Por tanto, arrepende-te, pois se não virei a ti cedo, e brigarei contra eles com a espada de minha boca. 17O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, darei do maná escondido”. A palavra “a comer”, é um arranjo, um enfeite que alguns escribas fizeram posteriormente; não está em todos os manuscritos. “E lhe darei uma pedrinha branca e na pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguem conhece senão aquele que o recebe”. Que mensagem tremenda é esse! Tanto à Pérgamo histórica, como ao período da Igreja que se corresponde com a mensagem a Pérgamo.
Apanhado histórico
Vamos primeiro falar um pouquinho da cidade de Pérgamo para ter uma visão histórica. Pérgamo ficava a menos de 100 quilômetros ao norte de Esmirna, na mesma linha que de baixo para cima vai de Éfeso a Esmirna e Pérgamo; e depois volta para o oriente, para Tiatira, e depois vai baixando outra vez para o sul.
Então Pérgamo também é uma cidade antiga, também foi uma cidade importante do império romano; mas o mais terrível é que na cidade de Pérgamo existia um acúmulo de cultos pagãos, maior do que existia em outras cidades; ali se adorava a muitos deuses, mas o do principal santuário era o de Asclépio ou Esculápio; é o mesmo nome; quando vocês o lerem na história: Asclépio, refere-se a Esculápio; é o mesmo. Esculápio era o deus serpente; e uma mulher chamada Nicágora, que era como uma espécie de bruxa, feiticeira, trouxe à cidade de Pérgamo uma tremenda serpente e foi entronizada na cidade de Pérgamo; mas para um lado da cidade de Pérgamo, tem um morro alto; e esse morro era cheio de templos e de altares às diferentes divindades, e ali estava o altar a Asclépio, ou seja a Esculápio, ou seja à serpente. Até hoje em dia, médicos e farmacêuticos, não sei se os dentistas também, têm um símbolo de uma serpente enrolada; umas são com duas cabeças, outros com uma cabeça chegando a beber de uma taça; vocês o vêem no escudo dessas carreiras; essa serpente é Esculápio, porque lá iam celebrar culto à serpente e a ser curados pela serpente; então se adorava à mesma serpente Esculápio; por isso o Senhor diz: “onde está o trono de Satanás”. Esse altar de Pérgamo depois foi roubado, porque realmente muitos dos países ocidentais roubaram os monumentos antigos do Egito, Arábia, Turquia, e os levaram a seus museus; ao de Londres ou ao do Louvre em Paris; no caso do altar de Pérgamo, ele foi levado a Berlim e hoje está no museu de Berlim; o altar do trono de Satanás foi levado a Berlim.
Depois o ocultismo nazista usou muito dessas coisas; vocês sabem que os nazistas foram ocultistas; estavam vinculados com a ordem de Thule, vinculados com os Iluminatis, através de Rudolph Hess, que se suicidou em Spandau; um dos mais famosos, e muito ocultismo; até hoje em dia se publicam aqui na Colômbia muitos livros de ocultismo nazista: “O cordão dourado”, “Kundalini”; todas essas coisas do ocultismo são muito comuns na Colômbia; gente anti-semita também há aqui na Colômbia; por isso há que se contar essas histórias. Em Berlim está esse altar de Pérgamo; ou seja, que lá se adorava a Satanás diretamente, e tinha outras deidades nesse morro onde estava aquele altar. Por isso é que o Senhor diz: “Eu sei onde moras, onde está o trono de Satanás, mas reténs meu nome”. Hoje em dia, a cidade de Pérgamo já não existe, foi totalmente varrida; como lhes disse da vez passada, somente há duas cidades destas sete que estão em pé, e são justamente aquelas às que o Senhor não lhes reprovou nada, que são Esmirna, que hoje em dia é a cidade de Izmir, e Filadélfia; estas duas cidades estão em pé hoje; as demais não existem.
Pérgamo não existe; abaixo do lugar onde ficava Pérgamo que era um planalto, há um vilarejo que recorda o nome de Pérgamo e que se chama Bérgama; hoje em dia existe um vilarejo, uma aldeia, perto de onde era Pérgamo, que se chama Bérgama. Agora vamos ver no sentido profético.
A fortaleza de Tróia
A raiz pergus quer dizer: fortaleza ou torre alta, porque era como a fortaleza; sabem de que cidade? De Tróia; a fortaleza da cidade de Tróia era Pérgamo, Pérgus; a antiga Tróia que vocês conhecem, pelas guerras de Tróia, ou de Homero e todas aquelas coisas; então a fortaleza dessa cidade que se chamava Pérgus, é Pérgamo. Ali, pois, em Pérgamo, estava a doutrina de Esculápio, ou seja, do mesmo diabo, e ali também se formou a escola de Pérgamo.
Teve uma escola famosa que se chamou a Escola de Pérgamo que foi uma escola que tomou a linha neoplatônico; o neoplatonismo teve essa escola filosófica que foi muito importante em Pérgamo, e dessa escola surgiu nada menos que Juliano o apóstata; não sei se vocês sabem quem era Juliano o apóstata. A pessoa que fundou essa escola foi Edésio da Capadócia, mas era também um discípulo de um personagem ocultista do passado; não sei se vocês ouviram falar de Orfeu, tudo o que é o ocultismo de Orfeu e dos babilônios; o ocultismo babilônio dos caldeus o trouxe a Grécia um homem que se chamou Jámblico; Jámblico foi o que passou as teurgias caldeias à mitologia grega e à filosofia grega; e um discípulo de Jámblico, Edésio, era o que trazia toda essa linha de Orfeu e de outros de antes.
Aglaofamus foi um personagem que trouxe de Egito a Grécia os mistérios Órficus e Jámblicos trouxe os mistérios caldeus e um discípulo de Jámblico cujo nome é Edésio foi o que fundou em Pérgamo esta famosa Escola de Pérgamo; ou seja, o ocultismo; a vertente ocultista passou por Pérgamo e dessa escola foi que surgiu esse imperador romano chamado Juliano o apóstata, que foi um imperador descendente de Constantino, que se chamou o apóstata porque quis restituir o paganismo depois de que as perseguições imperiais, pelo constantinismo, tinham passado. O tempo das perseguições corresponde a Esmirna; depois veio o tempo do período de Constantino e uma paganizacão do cristianismo e uma cristianização pagã do império que corresponde a Pérgamo; no entanto teve um descendente de Constantino que era desta Escola de Pérgamo. Quis refutar o cristianismo e reviver de novo o paganismo; inclusive quiseram levantar de novo à Babilônia e não puderam, porque uns raios e relâmpagos apareceram e não puderam restaurar a Babilônia, mas queriam restaurar Babilônia. Teve outro famoso neoplatônico também da Escola de Pérgamo que se chamou Salustio, o famoso Salustio; há obras clássicas de Salustio; era dessa linha de Pérgamo. Agora, à igreja em Pérgamo, como vemos aqui, lhes aparece o Senhor contando alguns detalhes que vamos ver agora melhor sobre o nicolaismo, sobre o balaismo. A história diz que a igreja histórica de Pérgamo cedeu ao gnosticismo; desgraçadamente cedeu ao gnosticismo; o gnosticismo conseguiu vencer aos que não se mantiveram fiéis e se misturaram com o gnosticismo.
Muito casado
Vejamos agora, parte por parte, a mensagem a Pérgamo no sentido histórico, e depois no sentido profético; então comecemos pelo princípio: “Escreve ao anjo da igreja em Pérgamo”. A palavra Pérgamo, que é aquela cidade histórica, tem um sentido etimológico que vem de per, que quer dizer muito; em química, por exemplo, fala-se de hiperclorito de tal coisa; a raiz per quer dizer muito. Soluço é pouco, per é muito. Gamo vem da palavra casamento; por exemplo, poligamia quer dizer casado com muitas mulheres; bem como uma mulher casada com muitos homens, poliandría. A palavra gameta, parte feminina das plantas. Então Pérgamo quer dizer: muito casado. O Senhor nesta mensagem à igreja está dizendo que está numa condição muito misturada e que Ele vai descrever aqui a seguir; mas já ao mencionar a palavra Pérgamo e escolher a Pérgamo para projetar a profecia, o Senhor está dizendo que é uma época de mistura. Sucedeu que Satanás não pôde vencer à igreja em muitos séculos de perseguições; a primeira geração dos primeiros apóstolos, com Nero e passando por todos aqueles 10 imperadores perseguidores, que da vez passada recordamos, terminando com Diocleciano, que foi o pior perseguidor, cuja perseguição durou dez anos e que se propôs acabar com o Cristianismo e queimar os livros sagrados; Satanás não pôde destruir o Cristianismo através da perseguição; provou-o muitas vezes e de muitas maneiras; então Satanás mudou de tática. Se não podia destruir o Cristianismo com perseguição, agora ia abrir-lhe as portas do mundo, as portas do Estado; ia permitir que o Cristianismo escalasse posições altas na sociedade. Os que antes eram os templos pagãos iam ser postos em mãos dos cristãos, e Satanás começou a misturar o cristianismo com o paganismo, com o poder, com a política, com o clero, com a classe alta, a elite, e começou a paganizacão do cristianismo; e esse período de paganizacão é o que está representado nesta igreja de Pérgamo, a igreja histórica e a igreja profética de Pérgamo, no período a partir do edital de Nantes com Constantino.
Casal idólatra
O imperador Constantino era um pagão, um adorador do sol invicto e de Mitra. O mitraísmo era uma religião muito comum no império romano; então este imperador teve uma experiência: ele viu uma cruz no céu e uma voz que lhe disse: com este sinal vencerás. A partir daí, ele começou a aprovar o Cristianismo; a partir daí Constantino venceu a Majencio, venceu a Licinio, que eram seus rivais no império; e ele chegou a tomar o poder do império romano e ditou o edital de tolerância, no qual o Cristianismo já não era perseguido, porque desde Nero até Diocleciano o Cristianismo era proibido. Ser cristão era um delito; não era roubar, matar, simplesmente ser cristão. Agora Constantino ditou a tolerância e depois entrou na moda o Cristianismo, ficou na moda entre os pagãos, e muitos começaram a aceitar o Cristianismo, ou pelo menos, a moda do Cristianismo. Uma coisa é nascer de novo e outra coisa é a moda; então teve cristãos legítimos a quem o Senhor mesmo reconhece, mas também teve uma paganizacão. Por exemplo, estava a estátua de Júpiter olímpico com um raio na mão, então lhe tiraram o raio e o chamaram São Pedro; então agora as pessoas vai a Roma e beija o pé da estátua de Júpiter Olímpico, dizendo que ele é São Pedro; já tem o pé agastado; ou seja, paganizando. Às coisas pagãs foram dando nomes cristãos. A antiga Semirámis, mulher de Nirode que deificou a Nirode e chegou a chamar-se “a rainha do céu” no paganismo antigo babilônico, e que foi a origem de Isis, de Izuara, de Astarté, de Astarote, que até hoje em dia se chama a rainha do céu, foi mudada para Maria; mas Maria, quando você lê no Novo Testamento, era muito singela, muito humilde; mas você via que tinha uma adoração à rainha do céu que depois foi sendo dada a Maria. A Maria foi dada uma adoração como se dava a Deus, e há muitas pessoas que quase adoram mais a Maria do que a Deus e à Cristo. Se você menciona a Deus, imediatamente mencionam a Maria como para pô-la no mesmo plano de Deus; isso foi uma paganizacão a partir dessa época, quando começou em Éfeso a ser engrandecida porque era uma adoração pagã que já existia; então como foi tirado o paganismo, tinha que tomar as festas pagãs.
O Cristianismo e a religião babilônica
Tinha a festa do sol invicto, então disseram: Como vamos acabar com as festas destas pessoas? Já faz tempo estão celebrando estas festas. Vamos dizer que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, vamos celebrar o natal; então a festa do sol invicto é a festa que hoje em dia é o natal. Realmente Jesus não nasceu em dezembro, senão em outubro, ora, hoje se adora como se fosse o natal, porque era a festa do sol invicto que celebrava Constantino, como também muitas outras festas. Por exemplo, existiam as virgens vestais que eram as que cuidavam do fogo sagrado; então a algumas virgens, era proibido casar, ter relações; elas tinham que observar o celibato obrigatoriamente; então começou o celibato obrigatório e começaram as freiras e os monges, tomando algo cristão misturado com algo pagão para ir adaptando o cristão ao pagão, de maneira que o Cristianismo se tingia de paganismo e o paganismo de Cristianismo; isso é o que quer dizer Pérgamo: muito casado, muito misturado; eu estou sintetizando as coisas porque só podemos ver nos princípios gerais, mas se vocês querem ver enriquecimento disso, há muitos livros onde essas coisas se explicam com muito detalhe.
Por exemplo, recomendo-lhes o livro “As Duas Babilônias” de Alexander Hislop, onde mostra que a Babilônia pagã se infiltrou no Cristianismo e como o pagão se misturou com o cristão.
Também outra obra de Ralph Woodrow que se chama “Babilônia a religião dos mistérios”; é outra obra onde isso está ilustrado de uma maneira muito boa. Há outra obra que não a recomendo, mas a menciono, de Madame Blavasky, onde ela demonstra a identidade dos símbolos maçônicos e católicos. Terrível! Mostrando como isso vem do paganismo antigo e como chegam a ser similares, parecidos, e as vezes, idênticos. Isto só para ilustrar o que quer dizer Pérgamo; a situação de Satanás, já não usando a perseguição, senão usando a mistura, usando o ecleticismo, a mistura.
A espada de dois fios
Com essa situação, como tem que se apresentar o Senhor? O que tem a espada de dois fios haver com isto? Ante uma situação de mistura o Senhor tinha que apresentar como o que tinha a espada. Esmirna estava em perseguição, então Ele se apresentou como o que esteve morto e viveu. Mas de outra forma, Pérgamo estava em mistura, então Ele se apresentou naquilo que Pérgamo precisava. Que precisava Pérgamo? O que tem a espada de dois gumes, e que penetra até separar o alma e o espírito, as juntas e os ligamentos e discerne as intenções e os pensamentos do coração, como diz claramente ali em Hebreus 4:12. Ali o Senhor tem que separar o que é de Deus, do que é do homem, o que é do diabo; o que é santo do que é profano; o que é precioso do que é vil; o que é do Espírito do que é do alma; o que é da carne, o que é celestial do que é terrenal, o que é diabólico, porque tudo estava misturado; então como tem que se apresentar o Senhor quando a igreja está misturada? Qual é a necessidade da igreja? A palavra do Senhor que separa o que é sim do que não é; o verdadeiro do falso; essa era a necessidade de Pérgamo e assim se apresenta o Senhor: o que tem a espada de dois fios diz isto.
Sumo pontífice de Roma
Então começa o Senhor a dizer..., claro, o Senhor compreende por que Pérgamo é Pérgamo. Então Ele começa dizendo-lhe: “Eu conheço onde moras”; claro, é que em Pérgamo estava o trono de Satanás, “onde está o trono de Satanás”. Eu conheço onde moras, eu sei onde estás; estás no ambiente de maior ecleticismo, de maior paganismo, da filosofia pagã, do culto a Esculápio, etc. O Senhor conhece, eu conheço onde moras, onde está o trono de Satanás. Veja que o sumo sacerdócio babilônico que se transladava de sumo pontífice babilônico em sumo pontífice, porque o título “sumo pontífice” vem de Babilônia, então, quando o rei Atalo III de Pérgamo, porque ele era de Pérgamo, ele cedeu o reino de Pérgamo e parte da linha onde ele exercia autoridade, cedeu-o ao império romano; então os imperadores romanos assumiram o direito sobre Pérgamo e assumiram o sumo pontificado. Então o sumo pontífice de Babilônia, na época de Ciro venceu a Babilônia, os sumos sacerdotes de Babilônia fugiram para Pérgamo e estabeleceram o culto de Esculápio em Pérgamo. Então quanto Atalo III entregou Pérgamo ao Império Romano, o sumo sacerdócio babilônico que estava em Pérgamo passou ao César de Roma; então o César de Roma passou a ser chamado de o sumo pontífice, com as mesmas vestimentas que são usadas ainda hoje; que diz Apocalipses 17 da grande prostituta, que podemos ler ali. Depois veremos isso com mais detalhe, agora só para ilustrar.
A grande prostituta
Apocalipse 17:1: “1Veio então um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo dizendo-me: Vêem cá, e te mostrarei a sentença contra a grande prostituta, a que está sentada sobre muitas águas; 2com a qual fornicaram os reis da terra, e os moradores da terra se têm embriagado com o vinho de sua fornicação. 3E me levou no Espírito ao deserto; e vi a uma mulher sentada sobre uma besta escarlata cheia de nomes de blasfêmia, que tinha sete cabeças e dez chifres”. E fixem-se aqui, as vestimentas que usavam nessa época é a mesma que se usa ainda hoje em Roma. E diz: “4E a mulher estava vestida de púrpura e escarlata, e enfeitada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio de abominações e da imundícia de sua fornicação; 5e em sua frente um nome escrito em mistério: Babilônia a grande, a mãe das prostitutas e das abominações da terra”.
Agora, se vocês querem ver quem é esta Babilônia no tempo de João, diz João no capítulo 17, verso 18: “E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra”. Quem reinava sobre os reinos da terra quando João vivia? Roma era o império romano; então esta grande prostituta era Roma. Do sumo pontificado babilônico passou aos césares de Roma, e João está dizendo: Olhem-na, veste-se de púrpura, veste-se de escarlata, enfeita-se com ouro, pedras preciosas, tem um cálice de ouro, fornica com os reis da terra. É Roma, diz João; ainda não tinha existido já o papado; era o império romano quando João o assinalou, mas sucedeu que como o sumo pontificado de Babilônia por Pérgamo chegou a Roma, quando Constantino aceitou o Cristianismo, no entanto, seguiu sendo o sacerdote do paganismo; ainda Constantino exerceu os dois sacerdócios, porque ele usava a religião como instrumento da política endinheirada do império.
Depois morreu Constantino e seus filhos continuaram com o sacerdócio e seguiram sendo sumos pontífices até que um dos descendentes de Constantino, da idade média, que se chamou Graciano, o imperador Graciano sentiu-se muito incomodado ao ser chamando de sumo pontífice e renunciou ao título de sumo pontífice. Eles já tinham mudado de Roma para Constantinopla. Quando Graciano recusou o título de sumo pontífice, então o bispo Damaso de Roma, que está na lista dos Papas, assumiu o título, e desde aí foram inclusive adotando as mesmas vestimentas, essa mitra em forma de peixe que era a cabeça do peixe dos sacerdotes babilônicos e as mesmas vestimentas; até hoje vestem com púrpura; o colégio episcopal é púrpura, o cardenalicio é escarlata, com ouro, pedras preciosas; ou seja, está perfeitamente identificada na Bíblia.
Morando onde mora Satanás
Então, realmente, a palavra de Deus nos mostra que teve uma paganizacão do Cristianismo primitivo; como Satanás não pôde destruí-los com perseguição, misturou o paganismo; o que era bíblico, começou a tirá-lo, e o que era pagão começou a pô-lo; então em vez de confiar na palavra do Senhor, na Bíblia, começaram a confiar no sumo pontífice e aí se apartaram da palavra de Deus; no entanto, seguem-se chamando cristãos; então o que diz o Senhor? Diz: “Eu conheço onde moras, onde está o trono de Satanás; mas reténs meu nome”; seguem sendo chamados de cristãos; então eu me faço responsável, já que te chamas por meu nome, então eu tenho que te falar, eu tenho que assumir a responsabilidade já que te dizes que acreditas em mim, então eu vou tratar de falar-te e corrigir-te, porque eu repreendo e corrijo aos que amo. Ao que não é filho legítimo, não se reprende, ao bastardo não se corrige; ao próprio se corrige. Diz mais: “E não negaste minha fé”; se tu vês qual era a fé daquele período do concílio de Nicéia e os seguintes concílios de Constantinopla e da Calcedônia, era uma fé cristológica correta. “Não negaste minha fé”; aí se vê que a doutrina e o fundamento cristológico, foi correto; o concílio de Nicéia começou com Constantino, mas o que ele proclamou? A divindade de Cristo. Depois o Concílio de Constantinopla: a divindade do Espírito Santo. O concílio da Calcedônia: as duas naturezas: divina e humana da pessoa de Cristo; ou seja, que foi correto quanto ao nome e a fé do Senhor Jesus; nesse sentido, o Senhor ainda diz que está em Pérgamo, aonde mora Satanás, e vai repreender ainda outras coisas; reconhece que é cristão, que não negou Seu nome e que guardou Sua fé.
O depoimento de Antipas
Por isso diz: “e não negaste minha fé”, e diz: “nem ainda nos dias em que Antipas minha testemunha fiel foi morto entre vocês, onde mora Satanás.” Ou seja, na Pérgamo histórico, teve uma perseguição histórica e teve um nome histórico em Pérgamo que era o mesmo que dizer: o bispo de Pérgamo que se chamava Antipas. Há um irmão primitivo, que se chama Simão Metafrastes; ele traz notícias de Antipas de Pérgamo, aquele Antipas antigo. Ele diz que foi um homem de Deus, muito usado por Deus em Pérgamo, e que foi perseguido pelos sacerdotes satanistas de Esculápio, e que eles fabricaram um boi de bronze e o colocaram para ser cozido dentro desse boi e lá ele ficou orando e adorando a Deus enquanto era cozinhado; e morreu adorando e louvando ao Senhor.
Essa é a história de Antipas de Pérgamo, como a conta Simão Metafrastes. Há também outras notícias a respeito de um livro antigo que se chamava “Os Atos de Antipas”, mas realmente se perdeu, não sobreviveu até hoje, não se encontrou mais; existiu um livro “Atos de Antipas”. Andreas de Cesarea e Arastos mencionam esse livro; então foi um personagem histórico, do qual algumas notícias ficaram na antiga Pérgamo e na história primitiva. Este foi um mártir de Cristo e este mártir histórico da cidade de Pérgamo qualifica aos que foram fiéis no meio dessa situação de mistura; ainda que tivesse mistura tiveram alguns que foram fiéis e foram perseguidos. A palavra Antipas tem uma dupla etimologia grega que é anti que quer dizer: na contramão de, e pas que quer dizer: tudo, de onde vem panteísmo. Antipas, pois, quer dizer: na contramão de tudo; ou seja, que Antipas não aceitou essa condição e esteve na contramão dela, como se diz de muitos fiéis que, inclusive, quando viram a mezcolanza, foram ao deserto. Aí viveram os monges do deserto, e alguns foram mortos, foram perseguidos. Antipas qualifica a esses cristãos fiéis.
Outras testemunhas
Agora, a palavra Antipas é uma contração da palavra Antípater, bem como Silvano se contrai em Silas, Epafrodito se contrai em Epafras; assim Antipater se contrai em Antipas, mas Antípater é contra o papado; isso é o que quer dizer Antípater, contra o pai que se chama o pai dos pais; ou seja que Antipas foi como dizer o primeiro anti-papa, o primeiro que não esteve de acordo com a mistura do Cristianismo com o paganismo, o primeiro que foi fiel, mas foi perseguido; é o início daqueles remanescentes que tiveram que passar ao longo da história da igreja depois dos períodos quando a política e a religião cresceram na idade média, a idade escura; ou seja, o que depois veremos em Tiatira; teve sempre uma corrente subterrânea que manteve a fidelidade a Deus e aos textos sagrados e não esteve submetida ao sistema; por exemplo, o caso de Arnaldo de Breschia, Pierre de Bruise, Henrique de Lausana, o caso de Pedro Valdo e os valdenses; mas todos eles tinham já desde antes esta tipo de pensamento; o mais antigo deles é Cláudio de Turín. Cláudio de Turín é desta época, antes de passar a Tiatira propriamente dita.
Então, está muito bem profeticamente descrito o período desde Constantino até que surgiu o papado definitivo; ainda aqui era um processo do paganismo, ainda não tinha o papa como o teve depois; só Nicolau I foi o que depois a se mesmo colocou a coroa do céu, do purgatório e da terra, mas isso foi muito depois. Antes, o centro do Cristianismo não estava em Roma, senão que tinha vários patriarcas como o de Constantinopla, como o de Jerusalém, como o de Éfeso, como o de Alexandria, o de Antioquia, que são os que até hoje se chamam ortodoxos, lá no Oriente, que não aceitam o primado do papa; ou seja, um papa em cima deles, senão como era na antigüidade, todos iguais. Então, aqui está perfeitamente descrito esse período histórico da igreja.
A doutrina de Balaão
Agora fala o Senhor: “Mas tenho umas poucas coisas contra ti.” Aqui me chama a atenção que o Senhor diga: “poucas coisas”; não que seja pouca coisa, senão que as coisas são poucas; não tenho muito, mas o que tenho é definido são duas coisas que o Senhor não aprova duas coisas principais que Ele menciona aqui e são estas: “que tens aí aos que retêm a doutrina de Balaão, que ensinava a Balaque a pôr tropeço ante os filhos de Israel, a comer de coisas sacrificadas aos ídolos, e a cometer fornicação.” Quando estudamos o Livro das Jornadas e chegamos à jornada 42 (estudo feito com a igreja da Colômbia e transcrito; também do Gino), a dos Campos de Moabe, ali estivemos olhando a história de Balaão, em Números desde o capítulo 22; ali se nos conta tudo relativo à Balaão; agora, por causa do tempo, não podemos ler tudo, mas vocês em sua casa, depois, podem ler; somente fazemos menção de Números capítulo 22: O anjo e o asno de Balaão; no capítulo 23 Balaão abençoa a Israel; no capítulo 24: Profecias de Balaão; no capítulo 25 Israel vai a Baalpeor.
Na Bíblia se fala da doutrina de Balaão, do erro de Balaão e do caminho de Balaão. Fala em Apocalipse da doutrina de Balaão e em 2ª a Pedro e na epístola de Judas, do erro de Balaão e do caminho de Balaão; estas coisas estão relacionadas, ainda que não são o mesmo. A história de Balaão está aqui em Números desde o capítulo 22 até o 25. Ele era um profeta que tinha dons proféticos, e inclusive as profecias de Balaão aparecem na Bíblia e se cumpriram; ali onde diz: Profecias de Balaão, ele profetizou não só a respeito de Israel ele profetizou a respeito dos cananeus, dos assírios, e essas profecias tiveram cumprimento; inclusive no século passado, no século XX, uma missão holandesa de arqueologia em Peniel, Galaad, descobriu umas advertências de Balaão escritas num mural, e eu as incluí no livro Sefer Gitaim; ali os irmãos as têm. Balaão era um profeta que profetizava coisas verdadeiras e se cumpriam as palavras de Balaão; inclusive varias das profecias de Balaão estão registradas na Bíblia como da parte de Deus; inclusive sobre aquela estrela que surgiria de Jacó; uma profecia cristológica aparece precisamente nas profecias de Balaão; ou seja que Balaão tinha um apelo, tinha um dom, mas ele foi impuro, seus motivos eram impuros; ele queria a riqueza que se oferecia e queria as honras.
Balaque prometeu a Balaão, honras e riquezas, e ainda que ele ao princípio aparentasse, um não, eu não posso falar senão o que Deus me diga, ele fez toda a cortesia necessária para parecer um verdadeiro profeta, mas em seu coração ele amava o lucro.
O erro de Balaão
O Novo Testamento pelo Espírito Santo diz que o erro de Balaão foi que ele amou o lucro da mentira, ele misturou as coisas de Deus com outras coisas; misturou o amor ao dinheiro, o amor à fama; e justamente, nesse ambiente de Pérgamo, quando Satanás começava a oferecer o mundo à igreja para distraí-la, ali está retratado Balaão, perfeitamente. Então Balaão disse: vou ver que me volta a dizer Deus, como se Deus fosse mudar de opinião; aí se demonstra que ele queria ir e receber esses presentes, e receber essas coisas; então Balaão se foi, só que o anjo o resistiu e quando ia amaldiçoar, Deus lhe mudava a maldição e tinha que abençoar porque Deus não lhe deixava amaldiçoar, senão que mudava a maldição em bênção, porque Deus tinha abençoado a Seu povo e disse “Meu povo”. Olhem em que contexto o diz Deus e como o Espírito nos fala também para este tempo. Deus disse: Quão formosas são tuas tendas, oh Jacó, tuas habitações, oh Israel!” Não há iniqüidade em Jacó; ou seja, Deus via a seu povo através da expiação e disse: um povo que não será contado entre as gentes.
Um banquete ecumênico
O povo do Senhor é um povo separado, um povo próprio de Deus que o mundo não conta com ele, e isso o disse justamente por meio de Balaão; mas então Balaão criou uma maneira para que o povo fosse amaldiçoado; não se podia amaldiçoar ao povo diretamente, mas sim misturar. Se Deus aborrecia o paganismo e o tipo de vida daquelas nações pagãs, os moabitas e todos aqueles, então Balaão inventou um banquete ecumênico no qual se misturava o povo de Deus com o povo que não era de Deus e celebravam juntos; claro que ali se movia dinheiro, ali se movia a elite, e então Balaão fez essa festa; e disse a Balaque que fizesse uma festa e convidasse aos israelitas. Os israelitas foram à festa e começaram a fornicar na festa, a embebedar-se e a adorar ídolos, a comer coisas sacrificadas aos ídolos. É a idolatria misturada com a verdade da palavra de Deus.
Balaão provocou idolatria; olhem o que diz que ensinava Balaão, capítulo 2, verso 14: “Balaão, que ensinava a Balaque a pôr tropeço ante os filhos de Israel, a comer de coisas sacrificadas aos ídolos e a cometer fornicação”. A idolatria e a mistura com o paganismo foi a doutrina de Balaão; isto é, o ecumenismo; pessoas que querem dinheiro, andar de braços dados com as pessoas da classe alta, aparecer por lá no Vaticano, ou nesses lugares elevados, então não se mantêm fiéis à verdade, à Palavra, senão que cedem e depois querem guiar ao povo a isso mesmo; guiar ao povo ao banquete de Baal-peor, ao banquete da mistura, guiar ao povo ao ecumenismo. A unidade do corpo de Cristo é uma coisa muito diferente do ecumenismo. O ecumenismo é pôr numa mesma panela: sapos, cobras, asteriscos, exclamações, como se desenham; isso não é a unidade do corpo de Cristo, ao misturar ali vudu com islamismo, com animismo, com judaísmo, com budismo, com ateísmo, com rosa cruz e com Cristianismo; isso não, isso é eclecticismo, isso é ecumenismo falso, esse é o banquete de Baal-peor, esse é o tropeço, a arapuca; então o Senhor nos fala no contexto de Balaão; o Senhor diz que Seu povo é um povo que não será contado entre as gentes, separado para Deus; é fiel a Cristo e à palavra do Senhor. Há que deixar as pessoa impuras no seu lado e seguir com o Senhor, por outro lado. A espada separa o precioso do vil, o santo do comum e do mundano.
Denúncia do nicolaismo
Não somente tinha o Balaãoismo, como também o nicolaismo, que já tinha sido denunciado suas práticas em Éfeso e que agora em Pérgamo, eram mais do que fatos, era uma doutrina. Então diz: “E também tens aos que retêm a doutrina dos nicolaítas”. Em Éfeso tinha dito: “que eu aborreço” e que o escriba a adicionou também aqui. O nicolaismo já era doutrina em Pérgamo; tanto a imundícia da parte histórica que estivemos estudando, a parte histórica do nicolaismo histórico e no sentido profético etimológico: conquistador dos laicos, esse clericalismo que começou a subir, que o Senhor aborrecia em Éfeso; no entanto, em Pérgamo foi tolerado e foi aceita a doutrina nicolaíta, ou seja que os fatos, as atitudes, foram justificando, e quando foram justificando, ficaram comum e normal, e se tornou em doutrina; depois tornou instituição e se institucionalizou a conquista do laicado tirando os direitos do sacerdócio ao laicado e assumindo-o um clericado exclusivo; dizendo que só eles tinha a validez. Conquistar: Nicolau, conquistar os laicos, ao laicado; esse clericalismo foi ocorrendo desde Constantino; aí foi quando começou esse processo e se justificou; por isso se chama doutrina dos nicolaítas.
No aspecto histórico foi também um ramo gnóstico que prevaleceu em Pérgamo e destruiu a igreja em Pérgamo; então a cidade foi destruída também. No aspecto profético se mostra todo esse desenvolvimento dessa hierarquia que não existia em sua singeleza, no evangelho primitivo, mas que depois vemos na história da Igreja; chega ao ponto do papa exigir ter autoridade para nomear os reis, os imperadores; de tal maneira que se um imperador não se submetia ao papa, o papa liberava os súbditos da obediência ao imperador e por isso todos os imperadores tremiam; isso não aconteceu de um dia para o outro; teve um processo que começou a desenvolver precisamente neste período que se chama Pérgamo, a igreja católica antiga.
Não tolerar aos que retêm a doutrina
Diz agora o Senhor: “16Por tanto, arrepende-te”. Notem, aqui o Senhor não está dizendo a Balaão que se arrependa, nem aos nicolaítas que se arrependam, senão à igreja, aos cristãos que têm a doutrina de Balaão; não que a tenham eles, senão que toleram aos que a têm; fixem no que disse no verso 14: “Mas tenho umas poucas coisas contra ti: que tens aí aos que retêm a doutrina de Balaão”. O Senhor não está repreendendo aos da doutrina de Balaão, esses são pagãos; mas aos cristãos, os que reconhecem Seu nome e não negam Sua fé; no entanto, estão tolerando isso: tenho contra ti que tens aí, não deves tê-los, não deves permitir isso no meio de ti, sendo cristãos, tolerastes esse tipo de ecleticismo com o paganismo e essa tipo de clericalismo e de nicolaismo. Muitos cristãos legítimos, santos verdadeiros, toleravam esse sistema; inclusive, grandes homens de Deus que Deus usou em muitas coisas, você vê elementos pagãos, ainda em suas coisas. Por isso Ele esta dizendo: reténs isto aí e isto o tenho contra ti: “E também tens aos que retêm a doutrina dos nicolaítas”. O Senhor fala aos mais próximos; tu não a tens, mas reténs aos outros como se isso não fora nada mau. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Senhor, tu não aceitas isso. Então diz: “Por tanto, arrepende-te”; ou seja, há que se arrepender de ter entre nós os que retêm a doutrina de Balaão e a doutrina dos nicolaítas. Há que se arrepender. Arrepender-se quer dizer: reconhecer que isso está mau e não o admitir em nosso meio. Não ser indiferente quando alguém está querendo é política, dinheiro; nada, manter distância. Um povo que não será contado entre as gentes.
A intervenção do Senhor
Então diz: “pois se não, virei a ti cedo”. O Senhor não se demora em intervir, e diz como vai intervir. Eu sei o que vou fazer: “Virei a ti cedo, e brigarei contra eles”. Notem, não diz contra ti, porque tu és minha igreja, tu estás suportando isso, mas eu não vou suportar; se tu continuas suportando, então eu vou ter que vir com a espada de minha boca contra eles, vêem? Mas o Senhor quer que nós façamos as coisas para que Ele não tenha que intervir; se não intervimos, Ele intervém. E diz: “e brigarei contra eles com a espada de minha boca”. O que era que se avizinhava depois do período de Pérgamo? Uma guerra entre os que eram instrumentos da palavra do Senhor e os que mantiveram essa questão misturada; tiveram que receber o depoimento dos fiéis, dos que denunciavam o clericalismo, o amor às riquezas e todo esse montão de clericalismo que tinha; sempre teve cristãos que usaram a palavra de Deus e brigaram contra eles. Virei e brigarei; aqui o Senhor usa aquele remanescente pequeno, aquele remanescente como Antipas para brigar. E diz mais: “O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas“. O Senhor fala a todas as igrejas. “Ao que vencer, darei do maná escondido”. Qual era o maná escondido? Quando os israelitas recolhiam o maná, Deus tinha dito que recolhessem só o que iam comer nesse dia porque no outro dia estaria estragado, decompunha-se. Quando alguém recolhia para o outro dia, ele se descompunha; no entanto, Deus disse a Arão que recolhesse um pouco de maná e o pusesse na urna, no arca do pacto, que esse maná não se corromperia, senão que esse maná estaria dentro da arca para memória da vitória de Deus; ou seja, Deus os libertou de Egito e lhes deu a comer pão do céu. O Senhor nos libertou do mundo e nos deu a comer Cristo; Cristo é o verdadeiro maná; ou seja, o maná incorruptível representa o Cristo ressuscitado; ao que vencer, isto é, ao que deixe de viver na carne misturado, o que se separar a viver por mim, “lhe darei do maná escondido”, ou seja, a vida fruto da ressurreição; a vida ressuscitada é para aqueles que se separam para Deus, aqueles que andam no Espírito, vivem a vida de ressurreição, alimentam-se da ressurreição e obviamente ressuscitarão com Cristo. O que comer de mim, Eu ressuscitarei no último dia.
O galardão em Pérgamo
Mas não somente o Senhor promete o maná escondido. O diz também. “e”, ou seja, que aqui o galardão é duplo: “lhe darei uma pedrinha branca e na pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguem conhece senão aquele que o recebe”. Que interessante a pedrinha branca! Na antigüidade se votava com pedrinhas brancas ou pretas. Por exemplo, aos juízes se apresentava um caso de um criminoso e fazia seu juízo; depois de examinar tudo, então vinham aqueles juízes e votavam; então o que votava a favor, positivamente, punha uma pedrinha branca: é inocente; o que votava na contramão, punha uma pedrinha preta: é culpado. Se tinha, por exemplo, sete juízes e cinco pedrinhas eram pretas, era culpada.
Agora, o Senhor nos diz que nos dará uma pedrinha branca é como quem diz: eu voto por tua aprovação, eu te declaro inocente; se vences te declaro inocente e te declaro herdeiro; mas não somente a pedrinha branca, porque a pedrinha branca ainda é muito impessoal. O Senhor porá na pedrinha branca que cada vencedor dará Sua aprovação, lhe porá um nome novo que ninguém conhece, senão o que o recebe; esse é o nome novo da pessoa. Um dos galardões é que terás o nome definitivo com o qual Deus te conheceu, porque conheceremos como fomos conhecidos; agora nós estamos em processo. Um dia, se seguirmos com o Senhor, e formos vencedores, e amadurecermos em Cristo, um dia seremos o que Ele sabia que íamos ser; esse dia Ele nos porá um nome que corresponde com o que nós somos.
Uma relação pessoal
Olhem, irmãos, o fato que ninguém conheça esse nome, quer dizer que a relação de Deus com cada pessoa é muito especial; Deus não tem relações em série, como dizer, Deus não nos fez como sabões, todos iguais; saem, e vão nos cortando e todos são iguais; não, cada pessoa é específica, cada pessoa tem uma história especial com Deus, cada pessoa tem uma personalidade específica, cada pessoa tem um lugar específico no plano de Deus, algo irrepetível; não há ninguém repetido; para o Senhor todos são irrepetíveis; por isso ninguém, senão Ele mesmo conhecerá sua verdadeira identidade, a que o Senhor conhece. Eu te dou um nome. O nome na Bíblia representa o que a pessoa é; esse nome vai dizer o que você significa para o Senhor; você especificamente, teu lugar, porque Ele tem relação com outros, mas Ele te criou a ti para teres uma relação específica contigo, irrepetível; você é especial para Deus; se você consegue vencer e consegue aquilo que Ele planejou, então Deus te dirá qual é o nome que diz o que tu significas para Ele. A pedrinha branca da aprovação de Deus vem com teu próprio nome, como quem diz: tu és para mim isto, eu te criei para isto, a ninguém mais fiz para isto. Quem tinha que fazer isto era você, tu o fizeste e és para mim isto, e ninguém mais o saberá, por que? Porque nossa relação é íntima e pessoal.
Nós conhecemos algumas coisas uns de outros, mas há algo que é só do Senhor e nós, porque essa é tua identidade, irrepetível, com uma relação irrepetível que Deus tem. Por isso, não é suficiente que tenha muitos que se salvem; é necessário que cada um se salve e seja vencedor. Alguém que falte é um esvaziamento, como dizia o irmão Rick Joyner: Se estão todos os filhos na mesa, cada um é especial; não porque está este vai suprir o lugar do outro; eu quero que também este venha, porque este é assim, este tem este temperamento, este outro, este outro e aqui está a cadeira vazia; não importa que as outras cadeiras estejam cheias, esta está vazia, esta há que ser cheia e quando se encher, este significa para ti isto, a este se encomenda isto, àquele lhe encomendas outra coisa; com cada um ten uma relação especial; e essa relação, esse significado teu para o Senhor, esse nome que expressa tua posição irrepetível no coração de Deus estará nesse nome; porque isso é que na Bíblia é o nome, dizer quem é para ti.
Por isso as vezes Deus mudava o nome das pessoas; antes Jacó era um enganador; o dia que Jacó foi honesto, venceu, então Deus lhe disse: já não vais chamar mais Jacó, agora vais chamar Israel; agora o nome Israel era o que Jacó tinha chegado a ser; bem como lhe mudou o nome a Jacó por Israel, a Simão por Pedro, assim vai fazer contigo; agora enquanto, eu sou Gino, tu és Jimena, tu és Marlene, tu és Jorge, tu és Angelita, cada um é cada um; mas quando chegares a ser o que Deus esperava que tu fosses e expressar o que Deus esperava de ti e vencesse, esse dia Deus te dirá quem és tu eternamente e definitivamente. Aí não serás mais Jacó, senão Israel; aí Deus te dará um nome de vencedor: “Ao que vencer lhe darei uma pedrinha branca”, ou seja, um voto de reconhecimento, uma bola positiva, amém? mas com teu próprio nome, que só tu e o Senhor conhecem, ninguém mais; quer dizer, tua relação irrepetível com Deus, teu lugar especial e por toda a eternidade, no reino de Deus. Que precioso isto! O que vencer darei isto. Amém! O Senhor nos abençoe, irmãos. Vamos agradecer ao Senhor.
Continua com: Mensagem à igreja em Tiatira. -
A MENSAGEM À IGREJA EM ESMIRNA
MENSAGEM À IGREJA EM ESMIRNA
“E escreve ao anjo da igreja em Esmirna: O primeiro e o último, o que esteve morto e tornou a viver, diz isto”. Apocalipse 2:8.
Conheço tua tribulação, mas tu és rico
Vamos, irmãos, ao livro do Apocalipse 2: 8 a 11. É a porção correspondente à mensagem do Senhor Jesus pelo apóstolo João, dirigido ao anjo da igreja em Esmirna. O Senhor nos concede esta nova oportunidade de voltar a refrescar nossos corações com esta palavra; voltar a considerar. Confiamos que o Espírito possa aumentar nossa luz a respeito desta palavra que lemos; as vezes pensamos que vimos tudo e de repente o Senhor nos alumia mais; assim que tenhamos alguém coração aberto ao Senhor; que o Senhor realmente nos fale. Irmãos, se o Senhor não nos falar, não nos tocar quando lemos Sua Palavra, somos daqueles que não têm ouvido para ouvir. Ter ouvido para ouvir é ser tocado quando a Palavra do Senhor nos chega. É triste quando a palavra do Senhor passa longe e não nos toca; somente quando a palavra do Senhor nos toca é que ela tem efeito positivo, efeito espiritual, efeito transformador. A Palavra ouvida sem nos tocar não nos transforma, mas o espírito da Palavra nos transforma. Para que a Palavra do Senhor nos toque, devemos tomá-la como do Senhor, nos abrir a ela e pedir ao Senhor que nos toque hoje, agora, com Sua Palavra; aí o Senhor nos tocará. Vocês se deram conta de que as vezes, na televisão, fazem propagandas onde o boneco toca a tela para que as pessoas se apercebam e não siga sem perceber; porque as vezes alguém segue como inerte e quando tocam o sino, alguém diz: bom, aí vem é alguma propaganda; prestem atenção à propaganda que vou mostrar; e assim também nós lemos a Palavra da mesma forma como quando vemos televisão; temos que ter nossa tela tocada para que não sigamos de longo, mas para que sejamos tocados. Estes dois capítulos, o 2 e o 3 de Apocalipse, são a Palavra do mesmo Senhor à igreja. O Senhor em dois capítulos diz à igreja o que tem que dizer, o que é suficiente para que a igreja avance, para que a igreja caminhe.
Aqui nesta passagem, o Senhor diz algo para a igreja que sofre. A igreja as vezes não sofre, as vezes está rica, não tem necessidade de nada, como é o caso de Laodicéia, e não sabe que é pobre. De outra forma, aqui se passa ao contrário; ela vive pobreza, ela vive tribulação, ela vive blasfêmia de outros, ela vive ataques do diabo, e no entanto o Senhor diz que ela é rica. Então, irmãos, vamos ler direto a Apocalipse 2:8 a 11, e depois voltaremos sobre nossos passos para mastigar, para digerir o que lemos. Diz o Senhor Jesus: “8E escreve ao anjo da igreja em Esmirna: O primeiro e o último, o que esteve morto e viveu, diz isto”. O verso 9 eu vou ler conforme aos manuscritos mais antigos, então vou saltar a parte que diz: “tuas obras”, que só aparece em manuscritos tardios; certos escribas quiseram uniformizar todas as saudações, então as uniformizaram; mas os manuscritos mais antigos dizem assim: “9Eu conheço tua tribulação, e tua pobreza (mas tu és rico)”; e isso quem o diz é o Senhor Jesus, que consolador é! Irmãos em tribulação e irmãos em pobreza e o que o Senhor lhes diz: “tu és rico”, como quem diz, não sabes o que tens e o que tenho preparado para ti; “teu és rico” e já, considera-o já; não, serás, “(és rico), e a blasfêmia...”. “9Eu conheço tua tribulação, e tua pobreza e a blasfêmia dos que se dizem ser judeus, e não o são, senão sinagoga de Satanás.” Esta expressão forte é da boca do Senhor Jesus; quem fala aqui é o Senhor Jesus. “10Não temas em nada (no grego diz: “nada temas”) o que vais padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vocês no cárcere, para que sejais provados, e tereis tribulação por dez dias. Se fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida. 11O que tem ouvido ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, não sofrerá dano da segunda morte”. É até aqui a mensagem direta do Senhor Jesus à igreja em Esmirna.
Localização e apanhado histórico de Esmirna
Esmirna era uma cidade que ficava quase a 100 quilômetros, ou alguém pouco menos, ao norte de Éfeso; também era próxima à costa da península Anatolia, o que é hoje Turquia sobre o mar Egeu; 58, 60, 70 quilômetros para o norte, estava Esmirna, entre Éfeso e Pérgamo. Pérgamo ficava mais ou menos à mesma distância de Esmirna do que Éfeso, mas para o norte; Éfeso para o sul; Esmirna também era alguém porto; ou seja, estava também cerca de alguém vale onde outro rio desembocava da mesma maneira como Éfeso, a cidade para o sul; uma cidade bastante antiga e misteriosa, porque várias vezes se levantou das cinzas, muitas vezes foi arrasada e no entanto, não ficou arrasada como ficou Éfeso, como ficou Laodicéia. Inclusive Alexandre Magno, quando morreu, seu reino foi dividido em quatro, quatro generais; a alguém deles, a Lisímaco correspondeu essa porção do império de Alexandre Magno, o que hoje é Turquia; de maneira que Lisímaco levantou das cinzas outra vez à cidade de Esmirna que tinha sido destruída.É curioso que quando olhamos estas cidades das sete igrejas do Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, somente aquelas duas cidades onde estava a igreja à qual o Senhor não reprovou nada, somente essas duas cidades sobrevivem até o dia de hoje; nenhuma das outras cidades existe hoje, nem Éfeso, nem Pérgamo, nem Tiatira, nem Sardes, nem Laodicéia. Laodicéia foi varrida totalmente por alguém grande terremoto e nunca mais voltou a ser levantada; a todas aquelas igrejas às quais o Senhor as repreendeu, se não se arrependerem, não só desapareceram, senão que as cidades desapareceram; essas cidades não existem hoje.Mas Esmirna é uma das principais cidades que existe hoje em Turquia; chama-se Izmir; Izmir é o nome dessa grande cidade cerca de Istambul, alguém pouco mais para o sul, e existe hoje como uma grande cidade; o Senhor conservou essa cidade. Várias vezes foi perseguida; essa cidade também foi presenteada por Atalo, que foi alguém dos reis que reinou em Pérgamo e que doou uma porção de terra da península Anatolia, o que hoje é Turquia, e que era a Ásia Menor; a doou a Roma; de maneira que Esmirna passou a ser de Roma; e então, como Esmirna ficava na terminação de alguém caminho que vinha desde o Oriente, que chegava até aí para depois passar para Europa, então, quando se vinha da Europa, a primeira cidade grande em importância à que se chegava, e desde onde saía influência ao resto da Ásia Menor, era Esmirna.
Perseguição em Esmirna
Este rei, pois, outorgou o governo desta região e especialmente como cidade mais importante a Esmirna; depois este lugar foi transferido a Pérgamo, mas num determinado tempo foi Esmirna; sucedeu uma coisa: o Estado romano pedia que a lealdade deles fosse demonstrada adorando ao imperador; de maneira que por ser Esmirna alguém lugar importante, justamente, em Esmirna, não nas outras cidades, mas sim em Esmirna, estabeleceu-se o templo ao imperador e se estabeleceu a adoração do imperador. Imaginem que coisa tremendamente difícil tocou à igreja na cidade de Esmirna, porque lá, se tu não adoravas ao César, se não sacrificavas adiante do César, dizendo: ¡Ave César! César é o kirios, é o Senhor, então eras considerado traidor do Estado, traidor da pátria; então ali em Esmirna começou uma perseguição terrível porque, ainda que os irmãos davam ao César o que era do César, o César estava pedindo mais do que lhe correspondia, estava pedindo o que correspondia a Deus, estava pedindo a primeira lealdade e adoração.Os cristãos sempre são leais à autoridade, e a reconhecem como posta por Deus, mas não podem ir além do que Deus diz, não podem adorar ídolos e muito menos a homens que apodrecem e se tornam vermes, como se fossem Deus. Então, os cristãos não adoraram ao César, e justamente lá em Esmirna se desatou uma perseguição onde muitíssimos irmãos morreram; os cristãos eram considerados como se fossem ateus, porque não acreditavam nos deuses do politeísmo romano. Policarpo era líder da igreja em Esmirna, no tempo quando o apóstolo João escreveu esta carta de parte do Senhor Jesus. João estava na ilha de Patmos e o Senhor lhe disse que escrevesse essa carta e a enviasse às sete igrejas; de maneira que quando João em vida enviou a carta a Esmirna, quem estava à frente da igreja em Esmirna, era alguém discípulo de João, era Policarpo; Policarpo recebeu essa carta de maneira direta; e aos pés de Policarpo estava Irineu, que é também alguém personagem importante da igreja em Esmirna. Depois que morreu Policarpo que foi martirizado, então teve outro homem de Deus chamado Pionio de Esmirna, que esteve assumindo a direção por parte do Senhor da igreja em Esmirna e também foi terrivelmente martirizado; em Esmirna muitos cristãos morreram. Os irmãos de Esmirna escreveram um documento que, se tivermos tempo, vou ler sobre o martírio de Policarpo, mas ao final quando terminemos, pelo menos 10 minutos ou 15, se tivermos tempo.
A Deidade em serviço para morte
Não devemos interpretar a mensagem a Esmirna somente no sentido histórico. Esta mensagem foi primeiramente, historicamente, de João a Esmirna, em mãos de Policarpo; no primeiro sentido gramático-histórico, esta carta foi dirigida à Esmirna da Ásia Menor; e nesse primeiro sentido histórico, os dez dias da perseguição foram 10 dias de vinte e quatro horas que se cumpriram na história da igreja em Esmirna, a Esmirna local; mas também devemos entender que este livro não é somente uma carta a uma igreja histórica, senão que é uma profecia; ou seja que essa igreja histórica, as condições em que ela vivia, serviam de profecia, de modelo, projetava uma profecia para aquele período dos mártires na história da igreja. A palavra Esmirna etimologicamente quer dizer: “amargura”, o mesmo que a palavra “Mara”. Quando estivemos vendo as jornadas, vimos a palavra “Mara”. A palavra Mara é em grego, mas inclusive tem raízes parecidas. Mara também se traduz para: “Morra”, se traduz também para “Mirra”. Vocês recordam da mirra; eram umas plantinhas das quais se tirava uma essência, para fazer um perfume com o qual se embalsamava aos mortos, era um perfume que se usava para que o cheiro da morte fosse vencido pelo perfume; ou seja, a mirra é o perfume que vence a morte; essa é a mirra. Ao Senhor Jesus, quando era menino, os magos de Anatolia (porque no grego, o que se traduz Oriente, diz Anatolia), trouxeram-lhe três coisas: ouro, incenso e mirra; como dizendo: o ouro representando a divindade; o incenso representando o sacerdócio, o serviço, e a mirra representando a morte; como dizendo que eles reconheciam ao rei dos judeus como a deidade em serviço para morte. Essa foi a vinda do Senhor Jesus: Emanuel, Deus conosco. O Senhor se fez homem para salvar-nos morrendo; a deidade em serviço para morte. Ouro, incenso e mirra. Em Cantares vocês vêem que a esposa diz que seu amado é para ela como alguém molho de mirra que repousa entre seus seios; ou seja, que Cristo é mirra no coração da amada. Aquela que é a igreja, que ama ao Senhor, tem o Senhor em seu coração como uma cruz vivente.
Quando alguém vive no Espírito, negando-se a si mesmo, esse alguém vive com esse molhinho de mirra entre os peitos. Se alguém anda na carne, no eu, sem negar-se a si mesmo, esse alguém não é como uma esposa amada; o Senhor anda por Seu lado e esse alguém anda por outro; mas a amada não anda longe do Senhor, senão que segue ao Senhor na cruz, segue ao Senhor na negação de si mesmo. Constantemente o Senhor permite que à nossa vida cheguem assuntos, as vezes pequenos, as vezes grandes, as vezes médios, as vezes inesperados, as vezes bem esperados, dificilmente esperados; as vezes sem que nos demos conta pela direita, as vezes pela esquerda, as vezes por detrás, as vezes de frente; todos esses casos são permissão do Senhor para conduzir-nos à cruz; Ele quer dar-nos uma nova oportunidade de negar-nos a nós mesmos; não devemos considerar as moléstias como moléstias, senão como oportunidades que o Senhor nos está dando nesse dia para negar-nos a nós mesmos; isto é, para carregar a nosso amado como alguém molhinho de mirra entre nossos peitos. Diz a palavra do Senhor em Cantares: “Meu amado é para mim como alguém molhinho de mirra, que repousa entre meus peitos” (Cnt. 1:13); ou seja, a morte a si mesmo, a morte sacrificial, mas não a morte, senão o cheiro do perfume, a fragrância que vence a morte. A mirra é a fragrância que vence a morte; aí está a morte, mas a mirra vence a morte; ou seja, a vida de ressurreição no Espírito é a fragrância da mirra que vence a morte. Então, a igreja em Esmirna, é a igreja na fragrância que vence a morte. A palavra Esmirna vem também de Mirna, também de mirra, morra, Mara, também a palavra Marta e Mirta; todas essas palavras estão relacionadas: Marta, morra, Mirta, mirra, Mara, mirna e Esmirna; todas essas palavras estão relacionadas e significam isso: a amargura, o sofrimento, mas não alguém sofrimento sem sentido, senão o sofrimento que desprende a fragrância que vence a morte. Esmirna é mirra, é o perfume que vence a morte; é por isso que os mortos eram embalsamados com mirra; foi por isso que quando as mulheres foram embalsamar ao Senhor Jesus, entre as espécies que levavam, levavam mirra; claro que o Senhor se lhes adiantou e não o puderam ungir; só Maria Madalena, quando Ele estava ainda vivo, pôde O ungir; Jesus disse: antecipou-se a ungir meu corpo para a sepultura.
O período dos mártires
Então, Esmirna, além de ser essa igreja histórica, representa, na história da Igreja, o período específico dos mártires; vocês sabem que a história cristã teve o período apostólico, que está representado e continuado por Éfeso; então depois vieram aquelas perseguições que teve no século I, no século II e no século III e até começos do século IV; todo esse período foi de grandes perseguições; teve muitas perseguições pequenas, mas comandadas, como dizê-lo assim, desde o Estado romano, desde o César, em dez grandes perseguições; a pior foi a última, a de Diocleciano que durou dez anos; ou seja que o que ali (em Esmirna) foi dez dias, no período histórico foram dez anos e dez perseguições; ou seja que o Senhor está falando em forma profética quando líamos ali dos dez dias. Então, depois desse período apostólico, vem o período dos mártires, a era dos mártires, depois seguida pelos outros períodos da igreja, de Constantino, depois o edital de tolerância; teve a mistura do cristianismo com o paganismo, com o Estado; depois vem o absolutismo medieval, depois a época da Reforma, a época dos irmãos e das missões e a época contemporânea; esses períodos da história cristã, da Igreja cristã, estão profetizados pelo Senhor Jesus, e cada período se corresponde com a situação que vivia cada uma destas igrejas, a qual projetava profecia de parte do Senhor. Tinha muitas outras igrejas. Cerca de Laodicéia estava Colossos; aí perto estava também Hierápolis, estava Filomélia, estava Magnésia, estava Nicéia, estava Calcedônia; todas essas eram igrejas que tinha, mas o Senhor escolheu sete, e cada uma dessas sete vivia uma situação por meio da qual o Senhor estava profetizando e estava falando, não só a essa igreja, senão pelo Espírito a todas as igrejas e profetizando o que viria. A segunda igreja mencionada foi Esmirna e o segundo período da história da igreja foi a era dos mártires; e há uma perfeita concordância entre a era dos mártires e a mensagem a Esmirna.Voltemos a ler alguém pouquinho a mensagem a Esmirna. O Senhor sabe como se apresenta a cada igreja, já o dissemos; o Senhor se apresenta a cada igreja segundo o que a igreja precisa. Se tu precisas ser pastoreado, Ele se apresenta como o Pastor; se estás perdido e precisas ser salvo, ele se apresenta como o Salvador; mas as vezes se apresenta como o Senhor; as vezes como o Mestre, segundo o que se precise. Aqui a igreja está passando por uma situação terrível e vai passar mais ainda; então o Senhor se apresenta como o primeiro e o último, o que esteve morto e viveu; isso é o que precisa a igreja que está em perseguição, reconhecer do Senhor Jesus. A igreja deve vê-lo como o Primeiro; Ele é a fonte de todas as coisas, nada existe sem Sua vontade, nem sequer uma folha de uma árvore se move sem que Deus o queira, e o Primeiro, aquele por quem Deus criou todas as coisas, aquele que tem que dar inclusive permissão ao diabo, porque o diabo não atuaria sem permissão; o diabo queria provar a Pedro e o Senhor lhe disse: Simão, Simão, Satanás te pediu para ser joeirado; não podia joeirá-lo sem permissão; então o Senhor, numa situação tão terrível, quando parece que tudo está na nossa contramão, porque não só tinha tortura, tinha também despojo, tinha também fome, tinha divisão das famílias, destruição; a perseguição é algo terrível: fogo, espada, despojo e cativeiro; é terrível a perseguição; então o Senhor se apresenta à igreja como o Primeiro, o Senhor fala à igreja como o que tem o controle de todas as coisas; e não só como o Primeiro, porque na história humana há alguns que subiram, mas foram abaixados; o Senhor não só é o Primeiro, Ele também é o Último; Ele é o Último, Ele é o que tem a última palavra; a Ele não se escapa nada, Ele é o Primeiro e Ele é o Último; o Princípio e o Fim; o Alfa e a Ômega; então, a igreja em perseguição tem que ver isto. Sempre que estamos numa situação difícil, não é porque Deus não o tenha permitido, ou porque o diabo se desprendeu da mão de Deus e nos agarrou d surpresa em algum descuido; Deus dormiu, então o diabo nos pôs uma armadilha; não é assim; devemos saber isto, que há alguém Soberano que é o que permite, o que põe reis, o que tira reis, o que faz o dia bom e também o dia da adversidade; o que diz: Eu firo e Eu saro; e como diz em Lamentações: “Por que se lamenta o homem vivente? Lamente-se o homem em seu pecado” (Lm. 3:39). Terá algum mal na cidade, o qual Jeová não tenha feito?” (Am. 3:6). Ou seja que Deus se apresenta como o Soberano, como o que dirige tudo, o que permite inclusive aos demônios fazer até certo ponto algo, mas só até certo ponto.
Ao Senhor não se escapam as coisas; as coisas podem escapar a algum chefe guerrilheiro ou paramilitar que parece que governa, mas as frentes militares fazem o que querem por seu lado; com o Senhor não sucede isso, ao Senhor nenhuma frente se lhe escapa o controle. Mas o Senhor diz: dez dias e são dez dias. Tenho aqui que o diabo fará isto; o Senhor poderia dizer: diabo, não o faças; mas o Senhor diz: fará isto e diz porquê, para que sejais provados. Deus explica para que permite os problemas, para que sejais provados. Deus não nos evita o ser provados, Deus nos prova, Deus quer que nosso amor, nossa fidelidade seja provada e por isso as vezes permite dias de adversidade; a igreja deve saber isto, e quando o estiver vivendo deve lembrar-se, Senhor, tu és o Primeiro e o Último, mas adiciona mais: eu estive morto; o que esteve morto e viveu diz isto; o que fala é alguém que tem autoridade para pedir-nos que sejamos fiéis até a morte porque Ele foi fiel até a morte; parecia que tinha sido abandonado.
Esteve morto e reviveu
Hoje dizem, se você se envolver com Cristo, vai ser crucificado, como que dizendo para não se meter com Cristo; mas o Senhor sim, Ele se deu, porque se não, ninguém se salvaria, e Ele disse: ninguém me tira a vida, senão que eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dá-la e tenho poder para voltar a tomá-la; e a deu; por isso diz: eu estive morto; como quem diz, eu não peço a vocês que façam algo que eu não fiz; eu passei primeiro, eu sei o que é isso e eu estou em vocês para lhes ajudar a passar por isto; eu passei primeiro, eu estive morto, mas estou aqui e vivo pelos séculos dos séculos. Eu tenho as chaves do Hades e da morte. Ele é o que tem o controle; portanto, Ele pode colocar-nos numa situação que não agrada a carne, mas que agrada ao espírito. É necessário que através de muitas tribulações entremos no reino de Deus; e essa palavra “muitas” e “necessário”, é delicada, mas é palavra de Deus. “É necessário que através de muitas tribulações entremos no reino de Deus” (Atos. 14:22). Como diz: “Porque é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam” (2 Ts. 1:6); e também diz que nós estamos demonstrando que somos dignos do reino pelo qual padecemos; “se padecemos com Ele, também reinaremos com Ele”. Eu penso que quando estivermos na glória, o que mais vai nos alegrar é ter estado dispostos a caminhar com o Senhor pelo caminho mais difícil e mais estreito; quando estivermos no mais difícil, lembrar que essa é a base para desfrutarmos com Cristo do mais glorioso. Se não nos lembramos de que Ele é o Primeiro, que Ele é o Último, que estamos sendo provados e que temos que sair gracioso em união com Ele dessa prova; podemos fraquejar, mas Ele fala isto para que não fraquejemos; há que ter em conta tudo isto para não fraquejar nos momentos difíceis. Ele tem o controle, Ele me está provando, mas Ele viveu para ajudar-me, Ele vive e porque Ele vive, eu vivo, e eu sei que isto que é tão difícil vai produzir fruto de glória. Como diz Paulo: “Porque esta leve e momentânea tribulação, produz em nós alguém eterno peso de glória” (2 Co. 4:17). Isso é o que procura o Senhor e Ele quer impressionar-nos profundamente com suas mensagens, porque Ele sabe o que nos espera; o tempo final não é tempo fácil, é tempo de dificuldades, e se nos enganamos, irmãos, vamos ser surpresos; mas Deus não quer que sejamos surpresos. “Lembrai-vos que já vo-lo tinha dito antes”, diz o Senhor. “Vem a hora quando qualquer que vos matar, pensará que rende serviço a Deus”. “Todos os que quiserem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguição” (2 Tm. 3:12). “Bem aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça (e todas as classes de coisas que faça a chamada “justiça” contra nós, diz o Senhor), porque deles é o reino dos céus” (Mt. 5:10). Grande é vosso galardão nos céus; por isso é que diz à igreja: tu és rico, porque grande é teu galardão.
O Senhor conhece nossa tribulação
Diz no verso 9: “eu conheço tua tribulação”; que bom que o Senhor diga isso: “conheço tua tribulação”. Irmãos, os manuscritos mais antigos dizem: “eu conheço tua tribulação”; não diz: “eu conheço tuas obras”. Claro, o escriba disse: Bom, mas aqui disse: eu conheço tuas obras, ali também, ali também; bom, claro que foi alguém erro de João, do Espírito Santo, então vamos homogeneizar as coisas e colocou: “conheço tuas obras”. Isso dizem os manuscritos recentes, mas o Senhor não se põe a falar-nos de obras quando estamos em perseguição; não, Ele não. Porque é que quando estamos em problemas, estamos em aperto, pensamos que Ele não sabe, pensamos que Ele não ouve, mas Ele diz: “Eu conheço tua tribulação e tua pobreza”. Alguém pensa: Senhor, mas não me atingiu; Senhor, está tudo tão apertado. “Eu conheço”; ah! Então algo o Senhor está fazendo; se Ele conhece e ainda não o tira é porque é necessário e é para o bem. Quando o Senhor diz. “eu conheço”, é para que não tenhamos esse sentimento de abandono. Senhor, mas estou em tribulação, estou em pobreza. Eu conheço. Alguém irmão, como ele o disse publicamente, eu vou dizer publicamente. O irmão Ariel, vocês o conhecem. Uma vez ele nos contou que ele pedia a Deus e pedia e pedia; parecia que o Senhor não lhe ouvia. Senhor, mas tu não me ouves, Senhor, mas tu não me ouves; e o Senhor falou com voz audível: “Eu não sou surdo”. O ele olhou e não tinha ninguém por perto; isso passou a Ariel, ele nos contou essa experiência. O Senhor não é surdo e o Senhor nos ama. Fixem-se no que estava pensando e dizendo Jó; e no entanto, que era o que Deus dizia de Jó? Satanás, viste a meu servo Jó, que não há outro como ele na terra? Isso era o que Deus pensava e sentia de Jó, mas Jó, como estava em problemas, se lhe morreram os filhos, perdeu os bens, perdeu a saúde, os amigos, a esposa, quiseram que se suicidasse, que amaldiçoasse a Deus, terrível caso! Ele não sabia o que lhe passava, e ele calculava segundo o que vivia subjetivamente e pensava que Deus tinha sido injusto com ele; dizia alguém montão de coisas e no entanto depois disse: Eu falava o que não entendia; depois entendeu; para que o Senhor inspirou o livro de Jó? Para dar-nos ânimo; Ele sabe, como diz a Escritura: “O homem nasce para a aflição” (Jó 5:7); isso está escrito: O homem nasce para a aflição. Não viemos a esta terra a passar férias, viemos para vencer e conhecer a glória de Deus; para isso viemos; não somente para passar férias; então há que saber isso: que o homem nasce para a aflição. Jesus disse: “No mundo tereis aflição; mas confiai, eu venci ao mundo” (Jo. 16:33); isso é o que diz aqui: Confiai em mim, eu venci o mundo. Então Ele diz: Conheço tua tribulação; não penses que Deus não sabe onde te aperta o sapato, não sabe quanto te falta; Ele sabe. “Conheço teu tribulação e tua pobreza, (mas tu és rico)”; ainda em tribulação tu és rico, ainda em pobreza és rico; e Deus diz que ele sim sabe de verdadeira riqueza. E diz: “e conheço a blasfêmia...”. alguém diz: Senhor, não te dás conta do que me estão fazendo? Sim me dou conta. As vezes nos fazem coisas: Conheço. “Conheço a blasfêmia dos que se dizem ser judeus, e não o são”; ou seja, tinha pessoas que para fazer-se grandes sobre os demais, diziam alguém pouco de si mesmos que não era; somente para merecer preeminência, merecer honra, para manipular, para controlar; então diziam ser judeus e não o eram. O que era o que eles verdade eram? Sinagoga de Satanás. É terrível! Porque as sinagogas eram de Deus; nas sinagogas se reuniam os judeus para adorar a Deus; mas estas pessoas chegaram a aborrecer tanto aos cristãos que em suas próprias sinagogas se fizeram instrumentos de Satanás e blasfemavam contra o Senhor, contra a verdade e contra os santos; mas o Senhor diz: “eu conheço”. O permites? Sim, o Senhor o permite, mas o conhece. Esta mensagem é para que saibamos: Ele é o Primeiro, é o Último, esteve morto mas vive, e conhece a tribulação e a pobreza e nos considera ricos. Conhece a blasfêmia e depois diz: “Não temas em nada”, nada temas; “não temas em nada” traduz aqui bem a versão Reina e Valera. Não temas em nada. Ai Senhor! porque quando alguém está frente à tribulação, frente à morte, frente ao despojo, frente à pobreza, frente à tortura, frente à perseguição, frente à desagregação da família, frente à clandestinidade, nas catacumbas como os cristãos dessa época, tu não temas; o Senhor no meio dessa situação diz: “não temas”. Alguém diz: Senhor, mas tira-me o problema e não temo; não, no meio de tudo, não temas. Alguém diz: Ui! Por fim já tenho o salário seguro, a conta corrente segura; mataram a Tirofijo, mataram ao Macaco Jojoy, mataram ao das AUC; não, não é isso; o Senhor diz: não temas, no meio dos problemas. Diz: “Em nada temas o que vais padecer”. Vais padecer; não temas o que vais padecer; ou seja que o temor aumenta o padecimento. O temor as vezes é pior que o padecimento; alguém vê que vão aplicar-lhe alguma injeção e grita, e desmaia, e depois e um furinho de nada, mas o susto era terrível, verdade? O temor. A amídala do cérebro segregando nosso temor, mas sim o Senhor nos diz que não devemos temer, Ele sabe, Ele nos ajuda.
Devemos ser provados
Há irmãos que passaram terríveis perseguições. O irmão Richard Walguémbrant esteve quatorze anos preso na Romênia sob o governo comunista; sofreu muito; ele chegou a um ponto quando se esqueceu de tudo e do único que se lembrava era do Senhor Jesus; punham-no frente a alguma parede, levantado um giz entre o nariz e a parede e não podia deixar cair o giz da parede, porque se não, golpeavam-no e sem dormir; quando estava dormindo, acordavam-no. Terrível! Ele diz que esqueceu de tudo e do único que se lembrava era: Senhor Jesus! Tudo se esqueceu, menos o nome do Senhor Jesus; terrível sofrimento; só se lembrava do nome do Senhor Jesus; e ele diz: Centrem-se no Senhor Jesus, respire devagar, calmo, concentre-se no Senhor Jesus, não esteja temendo que vão fazer-me algo, concentrem-se no Senhor Jesus. O Senhor diz: “10Não temas o que vais padecer. Eis que o diabo lançará (o Senhor já o sabia e o deixou, se dão conta
a alguns de vocês no cárcere, para que sejais provados, e tereis tribulação por dez dias”. Alguns, não são todos, mas o Senhor atribuiu que alguns vão a prisão; o Senhor anuncia cativeiro para alguns, não todos, mas alguns. Sempre há a possibilidade de que alguns vão, por alguma armadilha de Satanás, a parar no cárcere; há essa possibilidade; porque estamos falando não só da histórica Esmirna, nem só da era dos mártires, senão que o Espírito fala isto a todas as igrejas. Em qualquer momento pode suceder, mas então que diz ali? “Para que sejais provados”; essa é a explicação; o Senhor já explicou; devemos saber que qualquer pequena ou grande moléstia, qualquer surpresinha ou grande surpresa, é para que sejamos provados; não nos deve surpreender a situação; é para que sejamos provados; e o desejo dele e de todos os anjos, é que vençamos a prova; e Ele venceu, e vive, para que nós vivamos; Oxalá confiemos, oxalá creiamos. O Senhor não nos deixa enganar; neste mundo isso é o normal; o caminho é estreito.
As dez perseguições
1. Nero Cláudio César. “E tereis tribulação por dez dias”. Aparte desses dez dias da Esmirna histórica, a era dos mártires constou de dez grandes perseguições que estão profetizadas ali, projetadas nesses dez dias. Cada dia uma perseguição. A primeira, a de Nero, onde morreu Paulo que foi decapitado e Pedro que foi crucificado, e para não se sentir morrendo como o Senhor pediu que o pusesse cabeça abaixo, que o crucificassem cabeça para baixo. André morreu crucificado num madeiro em forma de alguém xis; por isso ao xis lhe chamam a cruz de Santo Andrés. São Lorenzo foi queimado, assado vivo; muitas outras coisas; podem-se contar multidões de mártires. Nero incendiou a cidade de Roma e jogou a culpa nos cristãos, e Satanás meteu uns preconceitos terríveis contra os cristãos. Diziam que os cristãos eram ateus, diziam que se reuniam em segredo e que punham um menino embaixo da farinha, e aos que os iniciavam, faziam-lhes fincar na farinha com uma faca e apagavam as luzes; não tinha luzes destas que temos, senão que tinham uns candelabros e que o candelabro estava amarrado a um cachorro e moviam o cachorro e o cachorro tombava o candelabro, e aí se começava a ter incesto e toda classe de orgias e comiam esses meninos. Isso cria a gente romana, porque isso era o que dizia as pessoas; e o mais triste era que principalmente eram os judeus que tinham recusado a Cristo os que soltavam esses contos para que as pessoas imaginassem o pior; pensavam que adoravam a cabeça de alguém asno e das coisas piores; o diabo fez crer às pessoas e as pessoas crêem no primeiro que lhes contam; diziam que eles estavam acostumados às lutas de gladiadores e das feras; agora queriam aos cristãos no circo; e quando Nero queimou a cidade de Roma, porque cria ser um grande arquiteto e queria fazer uma nova Roma feita por Nero, então jogou a culpa nos cristãos e começou a primeira grande perseguição em que morreram os apóstolos principais ali.
2. Domiciano Tito Flavio. Depois, quando o apóstolo João, que foi da época do Apocalipse, veio Domiciano, que foi chamado de um segundo Nero, foi dito que Nero reviveu; ele mandou fazer uma imagem de si mesmo e mandava que lhe adorassem; por isso, quando os cristãos da igreja primitiva falavam da besta revivida, eles aplicavam primeiramente a Domiciano e à adoração de sua estátua, o qual era uma projeção antecipada de alguém tipo da perseguição final, da besta final; porque a besta era, mas não é e será; isto é, teve alguém cumprimento, mas só típico, porque o final está no futuro; ou seja que a linguagem de João servia para projetar a situação no futuro. Então este Domiciano foi o segundo grande perseguidor e foi o que mandou a João à ilha de Patmos. Quando ele morreu, então João foi liberto de Patmos; regressou a Éfeso, escreveu seu evangelho e escreveu mais três cartas que estão na Bíblia.
3. Trajano Marco Ulpio. O terceiro foi Trajano; Plinio o jovem que servia como legado imperial em Bitínia, escreveu uma carta a Trajano dizendo-lhe: Eu não sei se vamos matar a todos os cristãos, sem que tenham cometido nenhum erro; não sei o que devo fazer, porque são quantidades e não são pessoas más; que faremos? Então Trajano lhe respondeu: Bom, se ninguém os denunciar, deixe-os calmos, mas se os denunciarem castiga-os. Que terrível justiça! Então Tertuliano, que era um advogado, escreveu uma apologia, uma defesa, defendendo dos cristãos; se dirigiu ao imperador mostrando-lhe como estavam sendo injustos; que não tinham por que persegui-los, porque eram pessoas boas, normais, por que então se alguém os denunciasse é que ele seriam castigados, mas se não os denunciavam, eles eram então deixados; se verdadeiramente são perigosos, tinha que os matar ou tinha que os encontrar e castigá-los, mas se os deixavam sem procurá-los, é porque realmente tinham consciência que eram inocentes; então, o que se perseguia era o nome cristão, não era porque tivesse matado, ou roubado; é cristão, então adore ao César: não, então diretamente para a morte. Ali na biblioteca temos as atas dos mártires; terrível é conhecer isto, mas é bom conhecê-lo, ainda que é terrível. Mas isso foi assim, e em toda a história da igreja teve perseguição em algum momento. Aqui mesmo na Colômbia, há irmãos de nossa geração que estão morrendo, que estão sendo assassinados; há irmãos nos Planos Orientais que têm sido serrados com moto serras; a um irmão lhe rançaram um olho com uma colher; a outros lhes obrigaram a cavar suas próprias sepulturas e depois os mataram; a outros queimam com gasolina. Coisas terríveis! Não estou falando só daquela época, também há perigo nesta época.
4. Marco Aurélio. Foram dez perseguições: Nero, Domiciano, Trajano; depois veio Marco Aurélio, o famoso imperador filósofo, escritor de Meditações. Hoje os grandes estadistas lêem a Marco Aurélio, porque no papel, na filosofia, era muito bom; mas se vocês vissem as crueldades que se fizeram contra os cristãos; este grande imperador filósofo. Sêneca era um grande filósofo, foi o preceptor de Nero, mas que fez Nero? De que servia uma filosofia e uma ética sem Deus? Isso é o que demonstrou a ética sem Deus; melhore os homens, melhore os governantes; veja que os filósofos e os mais retos, foram os piores perseguidores do Cristianismo; nenhuma outra religião era perseguida. O império romano se jactava de ser civilizado. Quando iam açoitar a Paulo, Paulo disse: Se permite açoitar a algum cidadão romano? Imediatamente se assustaram, porque os romanos eram civilizados, aprovavam todas as religiões, ainda os judeus estavam aprovados, menos os cristãos; os cristãos eram os únicos perseguidos, porque era delito ser cristão; se se confessava cristão, merecia a morte, nada mais; e imperadores como Marco Aurélio, fizeram as perseguições mais terríveis; essa é a contradição da filosofia e da ética humana; eles não conhecem a Deus.
5. Sétimo Severo Lucio. Veio o quinto que se chamou Sétimo Severo, foi a quinta perseguição.
6. Maximino Trácio Caio Julio Vero. Depois veio um que, bom, nosso irmão Maximino vai querer mudar seu nome. O sexto imperador que fez uma perseguição terrível, chamou-se Maximino.
7. Décio Caio Mesio Quinto Trajano. O sétimo imperador que foi também terrível foi Décio; a sétima perseguição geral contra os cristãos foi a do imperador romano Décio. 8. Valeriano Públio Licíinio. O oitavo se chamou Valeriano, foi terrível.
9. Galério. O nono foi Galério.
10. Diocleciano Caio Aurélio Valério. O décimo, que foi o mais terrível, ele se propôs sistematicamente varrer o cristianismo, matar a todos os cristãos, destruir os escritos cristãos, queimá-los; dez anos durou essa perseguição; foi a mais sistemática, a mais terrível. Diocleciano, essa foi a última daquelas perseguições, e só fez com que os cristãos se multiplicassem. Como dizia Tertuliano: o sangue dos cristãos é semente. A pessoas viam gente correta morrendo feliz com o Senhor, glorificando a Cristo, perdoando aos verdugos, e muitos se convertiam, inclusive alguns juízes; alguns soldados que os levavam aos tribunais, ao ver a inteireza, a alegria com que os cristãos iam à morte, viam seus rostos cheios de luz, de confiança, se maravilhavam. Uma vez um cristão débil negou ao Senhor, e um dos soldados viu que se tirava uma coroa, e disse o soldado: Eu quero essa coroa; e foi e morreu com o outro. Que coisa tremenda! Ninguém tire tua coroa. Sucederam histórias tremendas. Então diz: “Tereis tribulação por dez dias.” Aí está, dez grandes perseguições gerais do império romano na era dos mártires: Nero, Domiciano, Trajano, Marco Aurélio, Sétimo Severo, Maximino, Décio, Valeriano, Galério e Diocleciano, terríveis personagens que perseguiram ao Cristianismo; mas o Senhor diz: “Sê fiel até a morte”. Essa frase é importante, porque alguém diz: Até aqui, já não consigo mais. Não, até a morte. Eu estive morto, mas veja que estou vivo. Eu te darei a coroa da vida. “Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida”. E diz: “11O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” Ou seja, Deus quer falar-nos a todos, e quer estar falando hoje. O número 10 das perseguições também representa a rejeição do mundo em geral, pois com o 10 se representa também à humanidade. E depois a recompensa é conforme a prova. Qual era a prova? A morte, a tribulação, o fogo, a espada, o cativeiro, o cárcere, o despojo, tiram-te as coisas, perdes tudo. “Até a morte, e eu te darei a coroa da vida”. Então, a recompensa tem haver com aquele tipo de luta.
A RECOMPENSA
Qual é a recompensa? “O que vencer”. O Senhor sempre apela aos vencedores; terá vencedores. “O que vencer, não sofrerá dano da segunda morte”. Como venceu a primeira morte, o Senhor o exime de passar pela segunda morte. Qual é a segunda morte? A segunda morte é o lago de fogo e enxofre, o lago que arde com fogo e enxofre. Em Apocalipse 20, você vê isso e o texto diz assim, no verso 15: “E o que não se achou inscrito no livro da vida foi lançado ao lago de fogo”; e no verso 14: “E a morte e o Hades foram lançados ao lago de fogo. Esta é a segunda morte”. Ser jogado no lago de fogo; o Hades não é ainda a Geena, que é o lago de fogo. As pessoas morrem; se morre em Cristo vai ao Paraíso; se morre sem Cristo vai ao Seol, e depois, depois do reino, do milênio, dos mil anos, virá o juízo do trono branco; e todos os seres humanos, todos os que morreram, vão ser apresentados no trono branco; o que a pessoa pensou, atuou, suas intenções, seus fatos, suas obras, estão escritas em livros; abriram-se os livros. Somente daqueles que reconheceram seus pecados e foram perdoados pelo sangue de Cristo, foram apagados dos livros os seus pecados. Como diz o Senhor: nunca mais me lembrarei de teus pecados; quando os reconheceu e pediu perdão; se não, tudo está exposto. Com que motivo fizeste as coisas? Que fizeste? Que disseste? Tudo está registrado; vem o juízo e o que não se achou inscrito será jogado no lago de fogo, e essa é a segunda morte; ou seja que a segunda morte é a Geena, a perdição eterna. No geral é a perdição eterna, mas há algo que se chama o dano da segunda morte.
Dano da segunda morte
Há a possibilidade de que algum cristão não vencedor conheça o dano da segunda morte de maneira temporária, diz a Escritura. É necessário entender isto; ou seja que se é alguém cristão, o Senhor lhe é fiel; mas se sendo cristão viveu como alguém mundano, tem que conhecer, pelo menos em parte, o que merece sua conduta. Por isso o Senhor diz: “O que vencer, não sofrerá dano da segunda morte”; mas não fala do que não vencer. Mas o que fala o Senhor do que não vencer? Vamos ler isso em Mateus; vamos ao evangelho de Mateus; palavras do Senhor Jesus para que nós temamos corretamente e não vivamos como cristãos uma vida irresponsável. Olhem o que diz o capítulo 5; primeiro lhes chamo a atenção ao início da conversa: “1Vendo a multidão, subiu ao morro; e sentando-se, vieram a ele seus discípulos. 2E abrindo sua boca lhes ensinava, dizendo...”. A quem lhe está falando o Senhor Jesus? Aos discípulos, aos seus; não ao mundo. Diz: Bem aventurados vocês, os que chorais, porque sereis consolados. Vocês os pobres de espírito, porque vosso é o reino. O está falando a seus discípulos é todo o Sermão no Monte, desde as bem-aventuranças, é tudo falando o Senhor Jesus aos discípulos. Vocês sois o sal da terra. Vocês sois a luz do mundo. Não penseis, vocês, discípulos, e então, chega o verso 21, no contexto do Sermão no Monte; Jesus falando aos discípulos, não aos incrédulos: “21Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e qualquer que matar será culpado de juízo. 22Mas eu vos digo que qualquer que se enojar contra seu irmão, será culpado de juízo; (está falando aos irmãos) e qualquer que diga: Néscio, (quanto mais algo pior) a seu irmão, será culpado ante o concílio; (será juízo, inclusive por várias pessoas) e qualquer que lhe diga: Louco, (como será algo pior) ficará exposto ao inferno de fogo”. Se tu vês essa palavra no grego, não diz Hades, senão Geena; ou seja, que ficará exposto ao dano da segunda morte. Se não vencer, ficará exposto ao lago de fogo. Agora, será isso eternamente? Não, é temporário, porque o Senhor morreu pela pessoa que creu, mas porque creu, o Senhor é fiel, mas porque o outro foi infiel, conhecerá um pouco do que experimenta o perdido. Por isso a seguir diz: “23Por tanto”; fixem-se no que vai dizer a seguir, tem base no anterior; Ele acaba de dizer que se nós pecamos desta maneira contra os irmãos, ou pode ser por exemplo, com a pornografia, se alguém olha uma mulher para cobiçá-la, já adulterou com ela em seu coração; e se ela se veste de forma a fazer-se cobiçar, também é responsável. E diz: melhor é do que entres no céu sem um olho; o diz a seus discípulos; que com ambos olhos ser jogado à Geena de fogo; isso, uma passagem temporário pelo fogo da Geena, chama-se o dano da segunda morte. O que vencer, não sofrerá dano da segunda morte, mas e o que não vencer? é como este irmão aqui, que é um irmão, que é um discípulo, mas que trata mal, odeia, aborrece a seu irmão, ou vive uma vida libertina dizendo que é cristão, diz que é irmão, mas se embebeda, fornica, mente, é egoísta, etc. etc., não luta contra si mesmo, senão que se dá a liberdade de pecar; sim, fala do Senhor, menciona ao Senhor, mas não corrige sua vida. O que vencer, esse sim, não sofrerá dano da segunda morte, mas e o que não vencer? “23Por tanto, (fixem-se em que Ele vem falando em continuidade; o que vai dizer a seguir, é sobre a base do que disse, não é algo diferente do que Ele está falando; Ele está desenvolvendo a mesma idéia) se trazes tua oferta ao altar, e ali te lembras de que teu irmão tem algo contra ti, 24deixa ali tua oferenda adiante do altar, e anda, reconcilia-te primeiro com teu irmão, e então vêem e apresenta tua oferta. 25Põe-te de acordo com teu adversário logo, (não é para ser lerdos em isto, não há que pensar que vamos ter muito tempo. Que é esse logo
enquanto estás com ele a caminho, (enquanto não morreu nenhum dos dois ou não veio o Senhor, temos que nos arrumar porque se se acabou o caminho, morreu um, morreu o outro ou veio o Senhor, então que vai passar? Se não nos pusemos de acordo, se não arrumamos nossos problemas, se não confessamos nossos pecados e nos arrependemos, então que vai passar
não seja que o adversário te entregue ao juiz.” Para que não pensemos que isso é injusto, nem sempre se faz correções imediatas, porque então ninguém escaparia, todo mundo estaria aterrorizado; cada vez que alguém pecasse, ia morrer de medo, então todos iriam obedecer a Deus, mas ninguém iria amá-lo. Então, as vezes parece que Ele não faz nada, mas de vez em quando faz algo, antes do juízo, para que a gente tema. Então diz aqui: “Não seja que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz ao verdugo, e sejas jogado no cárcere. 26Em verdade te digo que não sairás dali, até...” Graças a Deus que não disse: ponto; por isso estou dizendo que é temporário; este cárcere é aquele inferno de fogo. Se dão conta? O dano da segunda morte, não é a segunda morte definitiva, mas há o dano. Se a pessoa viveu como ímpio, conhecerá o que irá sofrer ímpio; mas como crente, quando tiver pago o último centavo, então sairá; mas até que não tenha pago o último centavo, não sairá dali: “Em verdade te digo que não sairá dali, (ali, o cárcere, e vem falando qual era esse cárcere: o inferno de fogo, ou seja, a Geena de fogo) até que pagues o último centavo”. Isso significa que o Senhor vai fazer justiça. O salmista diz que a afronta de cada pessoa se voltará sobre sua cabeça; como tu fizeste, se fará contigo; tudo o que saiu de ti, voltará sobre ti. Se sair ódio, receberás esse ódio; se julgaste com dureza, serás julgado com dureza. Se foste misericordioso, receberás misericórdia. Se não julgaste, não terás juízo, mas se julgaste, terás juízo com o mesmo juízo com que julgaste; ou seja que, irmãos, o dano da segunda morte quer dizer, algum castigo temporário; não diz que é eterno; diz: “até que pagues o último centavo”; é um castigo de servos.
Servos fiéis e infiéis
Vamos ao evangelho de Lucas 12:41. Aqui se fala não dos incrédulos, senão dos servos, dos discípulos, dos irmãos, dos filhos de Deus, dos nascidos de novo. Diz: “41Então Pedro disse: Senhor, dizes esta parábola a nós, ou também a todos? (a parábola do servo que devia estar esperando que seu senhor viesse; viver com a expectativa de encontrar ao Senhor) 42E disse o Senhor: Quem é o mordomo fiel e prudente ao qual seu senhor o porá sobre sua casa, para que a tempo lhes dê sua porção?” Está falando dos servos, do ministério mesmo; não está falando do mundo inteiro. Quem é o mordomo ao qual seu senhor pôs sobre sua casa, para que lhes dê o alimento a tempo? Fala de servos que têm encomenda de Deus, e depois diz: “43Bem-aventurado aquele servo ao qual, quando seu senhor vier, o achar fazendo assim.” Oxalá nos ache o Senhor dando alimento a Sua casa sempre. Diz o Senhor: “44Em verdade vos digo, que lhe porá sobre todos seus bens. 45Mas se aquele servo (esse mesmo) disser em seu coração: Meu senhor demora em vir; (vou dar uma relaxada; é só por pouco tempo, pode ser que o Senhor não venha enquanto estou aqui dançando) e começar a golpear aos criados (tratar mal aos outros servos do Senhor) e às criadas, e a comer e beber e embriagar-se, (viver para a carne) 46virá o senhor daquele servo em dia que este não espera, e à hora que não sabe, e lhe castigará duramente, e lhe porá com os infiéis”. Qual é o lugar dos infiéis? O cárcere, a Geena; “e lhe porá com os infiéis”; aos servos infiéis; ou seja que há castigo também; não só recompensa para os que vencerem, senão castigo para os que não vencerem de entre os servos. “47Aquele servo que conhecendo a vontade de seu senhor, não se preparou, (há que se preparar para servir ao Senhor e ser achado fiel; as vezes não o servimos porque não nos preparamos; há que se preparar para o servir e o receber) nem fez conforme a sua vontade, receberá muitos açoites”. Aqui não fala de eternidade, fala de parte e de muitos, não fala de eternidade, mas sim fala de castigo e castigo forte: “48Mas o que sem saber fizer coisas dignas de açoites, será açoitado pouco; (nem todos terão o mesmo número de açoites, senão segundo o que tenha feito enquanto estava no corpo, seja bom ou seja mau; e o Senhor pagará a cada um segundo foram suas obras) porque a todo aquele a quem se deu muito, muito se lhe demandará; (Senhor Jesus! Vocês não vêem que o Senhor demandará muito a nós
e ao que muito se lhe tenha confiado, mais se lhe pedirá”. Se lhe deu cinco, que fizeste com os cinco? Se lhe deu dois, não vai dizer que fizeste com os cinco, senão que fizeste com os dois? se lhe deu um, que fizeste com o um?
Salvo como por fogo
Vamos a I Corintios 3. É somente para terminar de ilustrar um pouquinho isto ainda relativo à correção, o castigo, o dano que recebe o crente não vencedor. Em I Corintios 3:12 e seguintes, diz: “12E se sobre este fundamento (Jesus Cristo, o Senhor) alguém edificar ouro, prata, pedras preciosas, (são coisas de valor, ou se não) madeira, feno, palha, (o que fizemos para o Senhor foi pura palha) 13a obra de cada alguém se fará manifesta; porque o dia a declarará, pois pelo fogo será revelada; e a obra de cada um, o fogo a provará”. O ouro passa mais puro ao outro lado do fogo, o fogo não lhe faz nada, porém o purifica; o mesmo com a prata e com as pedras preciosas, saem mais preciosas; mas a madeira, o feno e a palha não saem do outro lado; eles ainda aumentam o fogo. “14Se permanecer a obra de alguém que sobre edificou, (estes são crentes, estão no fundamento) receberá recompensa. 15Se a obra de alguém se queimar, ele sofrerá perda”. Fixem-se na palavra “sofrer” e fixem-se na palavra “perda”, mas não é da salvação, é sofrimento e é perda, mas não é perda da salvação, senão do galardão que é o reino no milênio; então se perde o galardão que é no milênio, onde estará durante o milênio? No cárcere, sofrendo o dano da segunda morte. Então diz aqui: “15Se permanecer a obra de alguém que sobre edificou, receberá recompensa. 16Se a obra de alguém se queimar, ele sofrerá perda, conquanto ele mesmo será salvo, (é sofrimento, é perda, mas não da salvação, senão do galardão) como que pelo fogo”. Salvo pelo fogo, é alguém salvo que tem que passar pelo fogo. Coisa terrível! Então, irmãos, eu penso que o Senhor nos ajudou a entender um pouquinho. O que vencer não sofrerá dano da segunda morte. O Senhor não diz do que não vencer, mas aqui diz o que acontece com o servo mau, negligente, o que peca e não se arrepende, o que não corrige seus assuntos a tempo, entretanto está no caminho; então, irmãos, penso que essas palavras são importantes. Penso que por causa da hora, já não vou ter o tempo de ler o que ia ler. De maneira que vamos dar por findo aqui.
*Continua com: Mensagem à igreja em Pérgamo. -
UMA CASA PARA DEUS / 1
A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.
Uma Casa para Deus
(1ª Parte)
Gino Iafrancesco
Vamos a Gênesis, o livro dos princípios. No capítulo 2, desde o verso 4, nos mostra como foi desenhado o homem. No capítulo 1 nos fala da missão do homem. E agora, no capítulo 2, para que tal missão possa ser cumprida, nos mostra a constituição do homem. A constituição do homem é segundo a missão do homem.
Deus quer ser contido e expresso. Deus quer delegar autoridade, dar sua própria vida, e que nós sejamos seus colaboradores. Então, ele fez um homem tripartido, com espírito, alma e corpo. É o templo para Deus, é o vaso para Deus. Nosso espírito é o Lugar Santíssimo, nossa alma é o Lugar santo, e nosso corpo é o átrio.
Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; farei uma ajudadora idônea para ele". Em Romanos diz que Adão é figura do que havia de vir, e em 2ª Coríntios que Eva representa à igreja. Então, vamos nos concentrar um pouquinho nesta parte.
Casamento e edificação
Gênese 2: 18: "E disse o Senhor Deus, não é bom que o homem esteja só; lhe farei...". Que descanso saber que é Deus que diz: "lhe farei...". Não foi um problema de Adão, foi um presente de Deus. Eva não podia se fazer sozinha. Assim, Deus decidiu fazer também para o seu Filho Jesus Cristo uma ajudadora idônea. O Rei quis fazer as bodas para o seu Filho. É Deus que determinou isto, e ele tem todo o poder, e ele está fazendo, e o levará totalmente a concretização.
A palavra que em Gênese 2:22 se traduz como 'fez', pode-se traduzir mais exatamente como 'edificou'. Aqui começamos a ver pela primeira vez a união de edificação e esposa. "Edificou-lhe uma mulher". Sua companheira, que tem que ser sua esposa, é uma edificação. Ao longo de toda a palavra do Senhor, encontramos sempre este duplo motivo: casamento e edificação. Ao longo da Bíblia, vemos muitos casamentos: o casamento de Adão e Eva, de Jacó e Raquel, de Abraão e Sara, de Isaque e Rebeca. Através dessas relações de casais, Deus está revelando algo a respeito de si mesmo e de sua relação com o seu povo. Por toda a Bíblia vemos este motivo de casal desde o princípio e até o final de Apocalipse. Ali aparece também um casal - o Cordeiro e a esposa do Cordeiro.
Quando o Senhor se revelou a Jacó em um sonho, este viu uma escada que ligava o céu com a terra. Acima estava o Senhor, e abaixo estava Jacó, com a sua cabeça sobre a pedra de cabeceira, e anjos subiam e desciam, ligando o céu com a terra. Quando Jacó despertou, assustou-se e disse: "Quão terrível é este lugar! Não é outra coisa que a casa de Deus e porta do céu" (Gên. 28:17). Neste lugar, que ele chamou Bet-el (Casa de Deus), o céu e a terra se unem. E aí encontramos outra vez, intercalado com a edificação, o casal.
O tabernáculo se chama 'tabernáculo de reunião'; a arca se chama 'arca da aliança'. E aliança e reunião nos falam de casal, nos falam de comunhão, e também de edificação. Então, na edificação de Eva, no nome que Jacó colocou àquela pedra naquele lugar, Bet-el, vemos que Deus começa a introduzir o motivo da edificação da casa de Deus.
A palavra "casa" também tem a conotação de "família". Por exemplo, a casa de Leví se refere à família de Leví; a casa de Jacó, a casa de Israel, tem a conotação de família. Assim casal, família, edificação, casa, todas estas coisas, estão relacionadas.
A graça e a responsabilidade
Em Êxodo 25, Deus diz a Moisés que peça ao povo, a aqueles que de coração, voluntária e espontaneamente, queriam colaborar com Deus, para fazer para ele o santuário, para que ele possa morar entre nós como um Pai no meio de sua família, sendo nosso Deus, e nós sendo seus filhos e filhas.
"O Senhor falou com Moisés, dizendo: Diga aos filhos de Israel que tragam para mim uma oferta; de todo varão cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta". Claro que, para vir voluntariamente, precisamos ser sustentados pela graça, e a graça sustentará a nossa vontade. O Espírito revela qual é a vontade de Deus. Agora podemos olhar para o Senhor e dizer-lhe: "Senhor, desejo poder, desejo querer; necessito sua graça para fazer a sua vontade". E o Senhor disse: "Aquele que vem a mim, não lhe lançarei fora" (Jo. 6:37).
Então, aqui, Deus pede certos materiais especiais ao seu povo, para levantar-lhe um santuário. Ele nos pede o que devemos lhe dar. Não é o que nós queremos lhe dar, mas sim o que ele nos pede. Ele edifica a sua casa com o que ele nos pede, e é claro que ele tem provido o que nos pede. Mas ele não vai vir e te dizer: "Bom, faz o que você achar melhor", mas sim dirá a você: "Quer cooperar comigo? Coopera nisto, me traga isto, me entregue isto". Todas estas coisas que ele nos pede, é a provisão de Deus em Cristo; ele faz sua casa com tudo àquilo que ele nos proveu em Cristo, e ele proveu para todos, com um coração sincero.
Deus quer colaboradores, e nenhum colaborador pode fazer nada sem a graça. Mas a graça não quer fazer nada sem os seus colaboradores. A graça capacitará por graça os colaboradores, para que eles colaborem responsavelmente, esforçando-se na graça.
Então, para começar a casa de Deus, temos que entender que esta casa é de uma reunião, um tabernáculo de reunião, arca da aliança. Reunião e aliança é matrimônio. Como um homem pode casar-se com uma mulher que não quer casar-se com ele? Agora, ele quer casar-se. A pergunta não é se ele quer. Ele já disse que quer. Agora, você quer? Essa é a pergunta: Também você quer?
A visão da Casa de Deus
Agora, vamos dar uma olhada panorâmica neste capítulo. Depois de nos dizer o que Deus quer, de nos mostrar o seu desejo de contar com a nossa responsabilidade, e nos prover a graça, - isto é, Cristo - que nos capacita para sermos responsáveis; então ele começa a descrever a casa de Deus de dentro para fora, e começa descrevendo primeiramente a arca do pacto.
Esta arca, dentro do Santíssimo, representa a formação de Cristo na igreja. Depois ele descreve a mesa dos pães; continuando, o candelabro; em seguida, o tabernáculo e posteriormente o altar. O primeiro que ele descreve tem haver com a casa. Depois, a partir do capítulo 28 e o 29, descreve o sacerdócio, a consagração sacerdotal, as vestimentas sacerdotais, e prossegue com o altar do incenso, a pia de bronze. E assim, continua descrevendo os exercícios sacerdotais.
Vejamos 1ª Pedro. No versículo 2:4, encontramos o seguinte. "achegando-vos para ele, pedra viva, desprezada certamente pelos homens, mas para com Deus escolhida e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados...". "achegando-vos para ele ... sois edificados". As frases ditas depois de "achegando-vos para ele...", são frases explicativas. Quem é ele? A pedra viva.
A maneira de sermos edificados é achegando-nos a ele: "Sois edificados como casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus...".
Notemos que Pedro está sintetizando em três assuntos -casa espiritual, sacerdócio santo e sacrifícios espirituais- o que o Espírito Santo tinha desenvolvido com detalhes em Êxodo. Nos capítulos 25, 26 e 27 temos a descrição da casa; nos capítulos 28 e 29, a descrição do sacerdócio, e no restante de Êxodo, em Levítico e em outros lugares, temos a descrição dos sacrifícios.
Vamos nos deter um pouco na primeira: "achegando-vos para ele... sois edificados como casa espiritual". A descrição da casa espiritual aparece muitas vezes na Bíblia. Já vimos que Eva é uma edificação de Deus para Adão. Em seguida vemos Deus revelando-se a Jacó; e Jacó compreende a revelação, e vê que Deus quer uma relação celestial com a terra. E ele colocou um nome que expressa a síntese dessa revelação: Bet-el, casa de Deus.
Ou seja, que essa mulher edificada por Deus corresponde a Bet-el, e Bet-el corresponde a este santuário, e o tabernáculo corresponde depois ao templo, e corresponde à visão de Ezequiel. A Ezequiel foi mostrada a casa de Deus quando o povo estava sendo infiel e estavam cativos na Babilônia. Deus seguia sonhando com a sua casa, e apesar da cidade e do templo estar arrasado, Deus disse a Ezequiel: "Se eles se arrependerem dos seus pecados, mostra-lhes o desenho da casa".
Deus sempre quis essa casa, porque ela é a esposa do seu Filho. O Rei quis fazer as bodas para o seu Filho. Deus fez tudo para Cristo; Deus deu tudo ao seu Filho. Mas o mais precioso que lhe quis dar, junto com a sua plenitude, é uma esposa, uma ajudadora idônea que seja como ele, feita do próprio material dele, para que ele pudesse dizer o que não podia dizer da girafa, nem da galinha: "Isto é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne". Ou seja: "Esta é como eu". Ele se reconhecerá nela, e estará sempre com ela, e fará tudo com ela. Esse é o presente que o Pai quis dar ao Filho. Agradou ao Pai dar ao Filho toda plenitude; mas toda a plenitude do Pai, que está no Filho, pelo Espírito passou à igreja, para que essa plenitude divina, que passa pelo Pai, o Filho e o Espírito, agora retorne ao Filho em forma de igreja.
Então, quando diz: "Casa espiritual", quando diz os detalhes do tabernáculo, a edificação do templo, a restauração do templo, a visão do templo, e em seguida o Senhor Jesus e a edificação da igreja, tuda fala da mesma coisa. De maneira que, quando vemos a edificação de Eva, vemos a Bet-el, vemos o tabernáculo, o templo, o cativeiro e a destruição, a diáspora ou dispersão, a restauração, a visão; tudo isso está falando da mesma coisa, e fala a nós. Fala do mistério de Cristo.
Duas leituras: cristológica e eclesiológica
No santuário, vemos que Deus começa a revelar de dentro para fora. Passa do Santíssimo, da arca, ao santo, a mesa e o candelabro, e depois segue para o átrio, o altar. Há um altar de ouro, outro altar de bronze no átrio, e em seguida revela-se o sacerdócio, as vestimentas, a constituição sacerdotal, o altar do incenso, e distintas classes de sacrifícios em Levíticos. Casa, sacerdócio e sacrifícios espirituais.
Ainda que primeiro refere-se à arca, que tem haver com Cristo, porque primeiro é a cabeça e depois é o corpo, no entanto, primeiro Deus vai edificando o tabernáculo, e quando já está terminado coloca o arca no Santíssimo. Poderíamos começar a estudar a arca, mas primeiro teria que levantar o tabernáculo para colocar a arca.
Na revelação, primeiro é a arca, e depois o tabernáculo; mas na prática é necessária a edificação do tabernáculo, para a entronização da arca. Foi depois que Salomão terminou o templo, que a arca foi entronizada.
Sempre antes de descrever a arca, a mesa, o candelabro, o altar, o tabernáculo, Deus diz a seu povo: "Farás...". "Farás uma arca desta maneira ... Farás uma mesa para os pães da proposição; a farás assim ... Farás um candelabro; o farás assim ... Farás um santuário, um tabernáculo, conforme o modelo que te mostrei no monte ... Você faz tudo, mas conforme o modelo que eu te mostrei".
O modelo é mostrado por Deus, as provisões vêm de Deus. Mas quem tem que fazê-lo somos nós.
Há vários níveis de leitura deste capítulo 26 de Êxodo. Em primeiro lugar, há uma leitura histórica; se desejar, arquitetônica. Você lê sobre o passado, como era construído o templo. Trata-se do aspecto físico; do véu para fora, por assim dizer.
Para Paulo, que foi escolhido por Deus para trazer a revelação do mistério de Cristo, para administrar o que é o corpo de Cristo, Deus o preparou como um artesão de barracas. Ele sabia como se unia uma cortina com a outra. Paulo tinha que edificar o corpo de Cristo, e a edificação do corpo de Cristo está tipificada no tabernáculo. Paulo tinha que ser um fabricante de tendas para entender este capítulo.
Mas, toda a Palavra do Senhor, nos fala do mistério de Cristo. E a primeira parte do mistério de Cristo fala da Cabeça. Portanto, há uma segunda leitura, cristológica. Quer dizer, podemos ver em todos esses detalhes da casa de Deus, no tabernáculo, o Cristo de Deus.
O verbo 'tabernaculizou entre nós', essa palavra foi usada oportunamente pelo Espírito Santo (João 1:14). A tradução diz 'habitou', 'morou'. Mas o grego diz 'tabernaculizou', e também João nos faz lembrar quando o Senhor Jesus disse: "Destruí este templo, e em três dias o levantarei". Eles diziam: "Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e você em três dias o levantará?". Mas ele falava do templo do seu corpo, e quando ressuscitou, levantou em três dias o templo.
E esse templo refere-se em primeiro lugar ao Senhor Jesus. Mas todos aqui sabemos que o templo também abrange a igreja, e o que aconteceu com Cristo, aconteceu a favor da igreja. Se ele morreu, é para que morrêssemos com ele. Se Cristo morreu por todos, logo todos morreram. Então, do nível de leitura cristológico, devemos passar a um segundo nível, agora eclesiológico, sem negar o nível cristológico.
Cristo também tem corpo, e, portanto, também à expressão de Cristo como um corpo que tem muitos membros. Cristo (1ª Cor. 12:12) é como um corpo que tem muitos membros, e embora sejam muitos os membros e têm distintas funções, são um só corpo, assim também Cristo.
O corpo de Cristo é a segunda parte do mistério de Cristo. Portanto, tem que ter também, junto com a leitura cristológica, uma leitura eclesiológica.
Inclusive, há outra leitura depois, que é escatológica. Acaso não fala também Apocalipse do "tabernáculo de Deus com os homens"? Mas agora estamos no tempo eclesiológico. Não vamos negar uma nem a outra. Vamos ler esta, mas não vamos ler tudo. Não vamos dizer tudo; nenhum de nós pode dizer tudo.
A construção do tabernáculo
Então, vamos a Êxodo 26:1. "Farás...". Isto tem que ser feito assim. "...o...". Não "...um dos...". Não há senão um só templo de Deus, um só corpo de Cristo. Por toda parte, a Bíblia fala do corpo de Cristo. Todos os ministros de Deus sejam apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres foram postos por Deus para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo.
Você é pastor no corpo de Cristo e para o corpo de Cristo, ou é algo inferior? De que você é membro? Do corpo, ou de algo inferior? É um dos mestres do corpo de Cristo para ensinar o corpo de Cristo? Ou você não se deu conta que é do corpo e está trabalhando em algo inferior?
Todos os membros do corpo de Cristo pertencem ao corpo, formam um só corpo com todos os outros, e devem edificar um só corpo. Fará um só tabernáculo, uma só tenda. É claro que, enquanto se constrói, vemos tábuas por aqui, estacas por lá; mas isso não é para sempre. Tudo isso tem que unir-se para, juntos, edificarmos uma só tenda.
"Farás o tabernáculo de dez cortinas de linho torcido, azul, púrpura e carmesim; e o farás com querubins de obra primorosa". Os materiais que aparecem aqui nestas cortinas nos falam de Cristo. O azul nos fala do celestial, fala-nos do Verbo de Deus que estava com Deus, e era Deus, mas também se fez homem. Encarnou-se para derramar o seu sangue; por isso, aparece a cor vermelha, o carmesim ou escarlate. E o mesmo que se humilhou foi exaltado sobre todas as coisas, e aparece o púrpuro real.
Quando se mescla o azul com o vermelho, dá o púrpuro. E o Senhor Jesus se humilhou, encarnou-se, mas foi exaltado novamente. Voltou para a glória. "Pai, glorifica-me tu ... com aquela glória -azul - que tinha contigo antes que o mundo existisse". Mas o azul descendeu, vestiu-se de vermelho, e subiu roxo, a realeza. Agora ele voltou a tomar a sua glória, mas agora em humanidade. Antes tinha sua glória em divindade, e voltou a tomá-la, agora em humanidade. Glorificou a humanidade com a sua glória.
Por isso diz Paulo: "...aos que de antemão conheceu, também os predestinou ... E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Rom. 8:29-30). Quando ele glorificou nossa humanidade? Quando ele se vestiu de nós. Nós fomos postos nele, e ele se vestiu de nossa humanidade; passou-a pela morte, pela ressurreição, e a glorificou. Nossa glorificação se deu em sua glorificação. E agora o Espírito Santo toma o que é dele e passa a nosso espírito, e o está passando a nossa alma, e o está passando a nosso corpo, e terminará de passar totalmente.
Nele fomos glorificados. Por isso é que aparecem estes tecidos aqui. Só que agora são dez. Dez cortinas de linho torcido, que fala da justificação, das ações justas dos santos, de azul, de púrpura e de carmesim. Mas agora não é uma só cortina, mas dez. As cortinas do tabernáculo se referem à edificação do corpo de Cristo. Cristo em nós, o que ele é e o que ele conseguiu, formando-se em nós. Estas cortinas são as mais interiores; referem-se ao novo homem. Mas, por que são dez? O número dez é o número da generalidade.
Em Gênesis capítulo 10 aparece a lista das nações. Todas as nações estão representadas nesse dez. Quando aparece o governo mundial, que abrange todo mundo, são dez chifres os que lhe dão o seu poder. E agora os globalistas dividiram a terra em dez regiões. Uma federação de dez porções está destinada a ser a federação do governo mundial.
O número 10 na Bíblia representa esta generalidade. Por exemplo, os filhos de Deus esperando a Cristo eram dez virgens. A generalidade está representada em dez.
Seguimos lendo no versículo 2: "O comprimento de uma cortina será de vinte e oito côvados, e a largura da mesma cortina de quatro côvados ...". O comprimento de uma cortina, de vinte e oito côvados, ou seja, sete por quatro. O sete é o número da obra perfeita de Deus. Deus faz todas as coisas em sete: sete selos, sete trombetas, sete taças. Mas o número da criação é o quatro. Porque Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, além disso, Deus quis fazer a criação. Então, o número da criação é o número quatro.
Por isso os querubins ou serafins que representam a criação, os querubins, com quatro asas, têm quatro rostos, representando a criação, os quatro ângulos da terra. Em Apocalipse 4 Deus é adorado pela criação, "...porque tu criastes todas as coisas, e por sua vontade existem e foram criadas". O quatro é o número da criação, e o número de sete por quatro é a obra de Deus na criação. Por isso, as cortinas tinham que ter vinte e oito côvados.
E diz: "...todas as cortinas terão uma mesma medida" (V. 2). Não há uma raça superior a outra. Aos olhos de Deus, todos somos iguais; Deus não faz acepção de pessoas. "Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra". Uma com a outra: Colômbia com o Chile, Chile com o Brasil... Todas as nações, as etnias, as raças, as classes sociais, todas as cortinas.
Primeiro, começa por um lado: cinco por aqui, cinco por lá. Mas, ao final, os mais opostos, são unidos. "Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra..." (v.3). Uma com a outra; não sem a outra. Com a outra. E as outras cinco cortinas, unidas uma com a outra. Sim, o Senhor tem uns e outros. "...por meio dele ambos temos entrada por um mesmo Espírito ao Pai" (Ef. 2:18). Ambos, os judeus e os gentis. "Também tenho outras ovelhas que não são deste redil; aquelas também devo trazer ... e haverá um rebanho, e um pastor" (Jo. 10:16).
Claro, o Senhor tinha feito promessas aos judeus, terei que ir "primeiro aos judeus, e depois também aos gregos". Primeiro, trabalhava com uns por aqui, depois com outros por lá. "Pedro, você é apóstolo da circuncisão, trabalha por lá. Paulo, você é apóstolo dos gentis, trabalha por lá. Quantos anos esteve trabalhando, Paulo? Vêem, vou dar uma revelação, Gálatas 2. Vais subir a Jerusalém e, em particular, vais conversar com Tiago, com Cefas e João". E então, Deus promoveu a comunhão de uma equipe com a outra, e depois que se reconheceram mutuamente, deram-se a destra de companheirismo, para edificar um mesmo tabernáculo.
Não é que uma equipe de servos de Deus edifica uma denominação, e o outro edifica a rival, e todas ficam mortas no campo de batalha. Não, uns e outros. Devem deixar-se unir com outros irmãos, umas equipes com outros, chegar a reconhecerem-se como membros do mesmo corpo. Diz que Tiago, Cefas e João, "...vendo a graça que nos tinha sido dada", porque o que atuou por lá, atuou também por aqui. Porque o que importa é o atuar de Deus.
Então, segue dizendo aqui: "Cinqüenta laçadas..." (v.5). Pentecostes, cinqüenta. Laçadas: Enlaçados pelo Espírito, são de azul. "Cinqüenta laçadas farão na primeira cortina...". Aqui os judeus primeiro. "...e cinqüenta laçadas farão na orla da cortina que está no segundo grupo (a dos gentis); as laçadas estarão contrapostas uma à outra". Os cinqüenta laços de azul, celestiais, falam da comunhão, no Espírito, de um mesmo corpo. Ainda os mais contrapostos são entrelaçados para formar, com todas as cortinas, uma só tenda.
"Fará também cinqüenta colchetes de ouro..." (v.6). por que "também"? Porque as laçadas unem, mas os colchetes apertam. E há colchetes de ouro, mas também tem de bronze. Os de ouro unem as cortinas de dentro, e os de bronze unem as cortinas de pêlo de cabra. A casa de Deus é feita com seres humanos. Por dentro, lindas cortinas de linho azul; por fora, cortinas de pêlo de cabra, tratado. Porque nós somos pecadores que somos salvos, incorporados na casa de Deus, e o pecado é tratado na casa de Deus.
Os colchetes que unem as cortinas de linho são de ouro. Diz: "...o amor de Cristo nos constrange" (2ª Cor. 5:14). São colchetes de ouro. Mas o pêlo de cabra, a do homem exterior, requer colchetes de bronze. O bronze representa disciplina. Às vezes não queremos discernir o corpo de Cristo, e então cometemos juízo. Não o juízo eterno. Ah, uma enfermidade, ou até morreu antes de tempo. Colchetes de bronze. Não seria melhor nos entendermos?
Sabe o que diz Paulo aos santos? "...ninguém defraude nem engane em nada a seu irmão; porque o Senhor é vingador de tudo isto, como já lhes temos dito e testificado" (1ª Tess. 4:6). "Lhes ensinamos e lhes demos exemplos concretos". O Senhor é vingador das ofensas que se fazem aos irmãos. Necessita-se de colchetes de bronze para mantê-los unidos. Porque as cabras não andam unidas; elas andam saltando daqui para lá. Por isso são necessários colchetes de bronze, a mão poderosa da disciplina de Deus, para manterem juntos a irmãos que não podem estar juntos.
Mas isso é depois. Primeiro descreve as de dentro. "...colchetes de ouro, com os quais enlaçará as cortinas uma com a outra, e se formará um tabernáculo" (v.6). Ah, alguém poderia pensar: "Bom, já se formou, no número 6", mas o Senhor sabe. "Fará deste modo cortinas de pêlo de cabra para uma cobertura sobre o tabernáculo; onze cortinas fará" (v.7). E são mais largas. Estas de pêlo têm trinta côvados. É uma carga; seu pecado é uma carga da igreja, mas na igreja se trata o pecado dos membros da igreja. Sim, na igreja se cometem pecados, e se tratam, pois é uma carga.
Então disse Deus: "O comprimento de cada cortina será de trinta côvados, e a largura de cada cortina de quatro côvados; uma mesma medida terão as onze cortinas" (v.8). Aqui há algo adicional. A outra é de vinte e oito côvados, esta de trinta. As outras eram dez, estas onze. Terá que tratar isto na igreja. Então diz assim: "E unirá cinco cortinas aparte e as outras seis cortinas aparte; e dobrará a sexta cortina na frente do tabernáculo" (v.9). Ou seja, é a porta.
A cortina número onze está na porta, mas não é deixada pendurando como as demais, mas sim é enrolada e lançada para trás, igual o Senhor Jesus tomou os nossos pecados, e os lançou para trás. Por isso, na porta, a cortina não está pendurada, mas sim enrolada para trás, porque o Senhor Jesus condenou o pecado na carne, e ele tratou com o pecado. E quando alguém entra pela porta, trata-se o pecado. Era a cortina número seis. A onze, que era a seis, cinco e seis. A onze era a seis, o número do homem.
Deus faz sua casa com seres humanos, conosco, os que temos caído, e em nossa carne temos a lei do pecado e da morte operando.
Mas o Senhor, agora por cima dessa cortina, põe outra, Aleluia!, e diz: "E fará cinqüenta laçadas na orla da última cortina do primeiro grupo, e cinqüenta laçadas na orla da primeira cortina do segunda grupo" (v.10). Já explicamos a primeira vez, é o mesmo para aqui. "Fará deste modo cinqüenta colchetes de bronze..." (v.11). Você pode notar? Para tratar o homem interior, é de ouro, a natureza divina; o amor de Cristo nos constrange. Mas, para tratar com o velho homem, é de bronze - disciplina.
"...os quais colocará pelas laçadas; e enlaçará os grupos para que se faça uma só coberta" (V. 11). O Senhor tratará conosco, com nossa natureza de cabra, para fazer uma só cortina, com todos os nossos irmãos, que também em sua carne são tão fracos como nós. Porque são do mesmo comprimento, também têm trinta côvados. Todos somos igualmente pecadores e miseráveis na carne, mas o Senhor nos dá vida por dentro, e disciplina por fora. A casa de Deus se edifica com vida e disciplina; vida para o homem interior, e disciplina para o homem exterior.
E diz mais: "E a parte que sobra das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobra, pendurará nos fundos do tabernáculo. E um côvado de um lado e outro côvado do outro lado, que sobra ao longo das cortinas da tenda, pendurará sobre os lados do tabernáculo a um lado e ao outro, para cobri-lo" (vv. 12-13). Na igreja se cobrem os pecados. Tiago diz: "...cobrirá multidão de pecados". Quando fala com o seu irmão, quando trata com a situação de seu irmão com o objetivo de ganhá-lo, é proteção para a igreja.
E diz: "Fará também para a tenda uma coberta de peles de carneiros tingidas de vermelho..." (v.14). Em cima da cobertura de pêlo de cabra, o Senhor põe peles de carneiro tingidas de vermelho. O carneiro é o macho das ovelhas, é o Senhor Jesus. "...tingidas de vermelho...", porque os pecados são cobertos, até os pecados que se cometem na igreja. O Senhor pagou por eles. As peles de carneiro se referem ao seu próprio sacrifício. "...de vermelho...", nos falando do sangue. Ele purifica à igreja. Não somente morreu pelos pecados individuais; ele se entregou pela igreja, para santificá-la, e apresentar-se a si mesmo uma igreja pura, santa, sem mancha e sem ruga. O Senhor cobre à igreja.
E a última cortina de fora, diz assim: "...e uma coberta de peles de texugos em cima" (v.14). Os texugos não são muito bonitos. Lá nos desertos de Israel e do Sinaí, são como uns ratos grandes, de pele grossa; peludos, feios. No entanto, isso era o que se via do tabernáculo. O bonito estava por dentro: o ouro, a glória. Por fora, parecia um rato imenso. Já somos filhos de Deus!, mas o mundo não nos conhece. A Jesus não o conheciam, foi menosprezado. Homem de dores, o vimos, mas não o estimamos.
"Ah, não é este o filho do carpinteiro, cujo pai e mãe nós conhecemos? Conhecemos tudo dele!". Não conheciam nada! Mas pensavam que conheciam. Menosprezaram-no. "Sem atrativo para que o desejássemos". A glória estava por dentro; por fora, ele era humilde. "Tivemos-lhe por açoitado, por ferido, por abatido". Por fora, era uma aparência de rato, de texugo.
E a Escritura também diz o mesmo de nós. "Agora já somos filhos de Deus -diz João- mas ainda não se manifestou o que havemos de ser". Por isso o mundo não nos conhece, o mundo nos vê por fora. Narizes longos, chatos, sem um olho, coxos... Mas por dentro, a glória de Deus! Gloria ao Senhor!
(Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006). -
UMA CASA PARA DEUS / 2
A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.
Uma Casa para Deus
(2ª Parte)
Gino Iafrancesco
As tábuas
E "farás para o tabernáculo tábuas de madeira de acácia, que estejam retas" (Ex. 26:15). Isto é bem complicado, pois as acácias são bem tortas - como nós. Mas o Senhor toma torto, e o endireita. Graças a Deus que ele não esperou que fôssemos retos - nos tomou tortos como somos, mas ele nos endireita.
"O comprimento de cada tábua será de dez côvados, e de um côvado e meio a largura". Aqui torna a aparecer o número 10, que fala da universalidade. Cada tábua tem dez côvados de comprimento, e um côvado e meio de largura. Todas as tábuas são iguais. Deus não faz acepção de pessoas. Não importa a raça, a classe social, a nacionalidade, a cultura. Isso não conta para ele. O que o Senhor valoriza é que pertençam a ele. Deus quis ter toda classe de seres humanos. Para ele, cada homem tem o mesmo valor.
Mas agora aparece um problema. Diz: "...e de um côvado e meio a largura". Vemos que a largura não é uma medida completa. O número 'um e meio' é um número imperfeito. O número de Deus é 3, um número completo, perfeito. Mas 'um e meio' quer dizer que não está completo, que essa tábua tem que estar com outra tábua. Juntos, temos três.
Essas tábuas nos falam dos crentes. Os crentes são membros de um corpo; não podemos ser completos em nós mesmos; necessitamos dos nossos irmãos. Por isso, o Senhor Jesus disse: "...onde estão dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mat. 18:20).
Há promessas que foram dadas à igreja. Por exemplo, o Senhor Jesus disse: "...as portas do Hades não prevalecerão contra ela" (Mat. 16:18), contra a igreja. Se eu, como indivíduo, segundo o meu pensamento e parecer, pretendo me abrigar debaixo dessa promessa, ela não é para mim. As promessas dadas às pessoas, são para as pessoas; mas as promessas apresentadas à igreja, somente como igreja podemos obtê-las.
Então, a promessa de que as portas do Hades não prevalecerão, é uma promessa feita à igreja, como igreja. Temos que ter consciência de igreja, quer dizer, que não é você sozinho, nem eu sozinho, nem a soma de dois sozinhos, mas sim Cristo entre os dois. "...se dois de vós concordarem na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á feito" (Mat. 18:19). Temos que nos pôr de acordo, e esse acordo é o próprio Senhor Jesus, porque ele é a nossa paz. Por isso as tábuas não têm a largura suficiente em si mesma; têm uma meia medida, nos mostrando que temos que estar em comunhão com o outro, para fazer a medida completa.
Deus quer que estejamos em comunhão. Por isso, Eclesiastes 4 nos fala que "o cordão de três dobras não se rompe logo" (V. 12) e que "Melhor são dois do que um; porque têm melhor paga do seu trabalho" (V. 9).
O irmão Watchman Nee nos recordava este principio naquela passagem onde diz que um perseguirá mil, e dois perseguirão a dez mil. Se eu, por meu lado, persigo mil, e ele, por seu lado, persegue mil, nos escapam oito mil. Mas se juntos perseguimos o inimigo, vencemos a dez mil! Não é um mais um. Não, aqui não é uma questão de somar.
O irmão Nee também dava um exemplo: Se você tiver um copo, e esse copo se quebra em pedaços, e em cada pedacinho você coloca a máxima quantidade de água possível, ao juntar todos os pedacinhos, essa quantidade de água será pouca. Mas se todos eles formam um só copo, o copo pode conter mais água. Por isso, um perseguirá mil, mas dois não só a dois mil, mas sim a dez mil. "Porque onde estão dois ou três congregados em meu nome, ali estou eu...", diz o Senhor. Esse é o princípio da igreja.
Verso 17: "Duas espigas terá cada tábua, para as unir uma com a outra; assim farás todas as tábuas do tabernáculo". Deus quer que as tábuas estejam unidas uma com a outra. Esses encaixes nos falam de como são unidas uma tábua com a outra. Cada tábua está sobre bases de prata, e se une mediante uma espiga, um entalhe, com a tábua que está a sua direita e com outra espiga que está a sua esquerda. As tábuas estão unidas uma com a outra. Somos uma mesma coisa - somos o seu Corpo.
Continuemos lendo. Diz o verso 18: "Farás, pois, as tábuas do tabernáculo...". Teria que prepará-las; eram acácias. João Batista disse: "O machado já está posto sobre a raiz das árvores; portanto, toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo" (Luc. 3:9). Ou seja, que essas árvores representam os seres humanos, bem tortos, como as acácias. Mas diz: "Farás, pois, as tábuas para o tabernáculo...". Ou seja, evangelizarás às pessoas, as discipularás e, dessas acácias tortas, farás tábuas para o tabernáculo.
E agora, diz o seguinte: "...vinte tábuas para o lado meridional, ao sul. E farás quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas; duas bases debaixo de uma tábua para as suas duas espigas, e duas bases debaixo de outra tábua para as suas duas espigas. E do outro lado do tabernáculo, do lado do norte, vinte tábuas, e as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma tábua, e duas bases debaixo da outra tábua". Já são quarenta tábuas e oitenta bases.
A prata, na Bíblia, representa a redenção. O siclo do resgate, a moeda do templo, era de prata. Cada um devia pagar um siclo de prata por seu resgate. Quer dizer que a redenção é o preço que o Senhor pagou para nos recuperar, e está representada pela prata. Portanto, uma tábua sobre bases de prata quer dizer que são pessoas redimidas. E quando são duas bases, é confirmação, é segurança, é verdade: essas pessoas são salvas, e pertencem à casa de Deus.
Em cada base, há uma espiga a sua direita, e uma espiga à esquerda. Isto quer dizer que temos que nos unir não só com os da direita, mas também com os da esquerda; com estes irmãos... e com aqueles irmãos. Naturalmente, nós, às vezes, temos preferências; mas na comunhão nunca devem prevalecer as preferências humanas.
O ser humano, em si mesmo, tem simpatias e tem antipatias; mas, na casa de Deus, nem as simpatias, nem as antipatias devem ter lugar. Na casa de Deus, a inclusividade de Cristo: todos os que ele recebera são nossos irmãos. Nós não podemos escolher os irmãos; temos que aceitar os irmãos que o nosso Pai gerou. Não somos nós que dizemos quais irmãos nós gostamos; é Deus que diz quem são os nossos irmãos.
Deus quer que tenhamos irmãos com narizes largos, que às vezes se metem onde as pessoas não querem, e também irmãos com narizes chatos... Deus gerou toda classe de filhos, e são nossos irmãos. Por isso, cada tábua deve estar disposta a ser unida com as demais tábuas, por um lado, e por outro lado.
Eu sei que exercer a prática de estar unido com pessoas que nos são simpáticas, é fácil. Mas, em Cristo, devemos nos exercitar em ter comunhão com os irmãos que para a carne são antipáticos. É fácil abraçar os que nos agradam, mas devemos abraçar a todos, porque isto agrada a Deus; devemos ter como irmãos aos que Deus tem como filhos. A quem o Senhor recebeu, nós devemos recebê-los.
A nossa receptividade com os filhos de Deus deve ser a mesma de Deus. A igreja não pode ser menor do que é. Tampouco pode ser maior. As tábuas têm que estar em bases de prata - têm que ser pessoas redimidas. Mas, todos os redimidos, todos os que o Seu sangue limpou, e os que o Seu Espírito regenerou, são nossos irmãos. Nosso coração deve alargar-se para que possa caber todos os que cabem no coração do Senhor.
Deus ordenou vinte tábuas para o norte, vinte tábuas para o sul, seis para o ocidente e duas tábuas nas esquinas. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo...". Posterior, porque o Senhor começou no oriente, porque o sol sai no oriente. O lado posterior é no ocidente, porque o sol circula para o ocidente. "...farás seis tábuas. Farás também duas tábuas para as esquinas do tabernáculo nos dois cantos posteriores...".
No oriente, Deus não colocou nenhuma tábua. No ocidente colocou seis, e na esquina entre o ocidente e o norte, e na outra esquina entre o ocidente e o sul, colocou uma tábua e outra tábua. As tábuas do norte e do sul têm esta direção, e as do ocidente esta outra direção; mas as tábuas das esquinas não têm nem uma nem a outra, mas sim são oblíquas, mas unem às duas. 20 + 20 + 6 + 1 + 1 = 48 tábuas.
Deus escolheu que em sua casa houvesse quarenta e oito tábuas - o corpo de Cristo representado em quarenta e oito tábuas. 48 é o resultado da multiplicação de 6x8. O número 6 é o número do homem, criado no sexto dia. Mas o 8 é, depois do 7, um novo começo; representa a ressurreição. O homem foi feito no sexto dia. Depois da queda, converteu-se em um velho homem. Mas, ao ser redimido, ressuscitado juntamente com Cristo, é um novo homem. Portanto, as 48 tábuas representam o novo homem, que é o corpo de Cristo. (Ver Efésios 2:11-16).
Vejamos por que no oriente não há nenhuma tábua: porque o Senhor é zeloso. Por um lado, ele disse: "Não terás deuses alheios diante de mim" (Ex. 20:3). E também o Senhor Jesus disse: "Nem sejais chamados mestres..." (Mat. 23:10). A palavra ali não é didaskalos como aparece em Efésios 4, que se traduz como mestres ou tutores. Em Mateus 23, onde a tradução Reina-Valera diz mestres, a palavra é cateketes, de onde deriva 'catequista', que significa modelo. Podemos ter irmãos que nos ensinem, mas não podemos tê-los como modelos.
Muitos irmãos nos podem ensinar. Deus quer que na igreja ensinemo-nos uns aos outros, exortemo-nos uns aos outros, e que aquele que tem esse dom de ensinar, ensine. Pode ser um didaskalos, mas não um cateketes; não um mestre no sentido de modelo. A ninguém chameis mestre no sentido de modelo, ao qual se deva amoldar, porque só um é o seu cateketes, só um é o seu catequista, só um é o seu modelo, o Cristo.
Por isso, no oriente não pode haver nenhuma tábua, porque não há outro mediador entre Deus e os homens. Todas as tábuas estão ao redor, todos juntos fazemos recepção ao Senhor, todos olhamos para o oriente. Orientamo-nos pelo oriente, e o Sol da justiça é o Filho de Deus. Sai pelo oriente, tem entrada direta, sem mediadores, no corpo de Cristo. Na porta do oriente, só podia entrar Deus. O príncipe entrava por um flanco. Hoje em dia, a porta do oriente está fechada. Ninguém pode entrar por ela, só o Messias.
No lado da porta do oriente, há uma porta estreita por onde o príncipe - por representar autoridade - tem que passar com cuidado; porque pela porta do oriente só pode entrar o Senhor. Por isso diz: "Porque há ... um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1ª Tim. 2:5). "...ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo. 14:6).
Todas as tábuas têm a mesma medida, e estão aos pés do Senhor, rodeando-O; mas ninguém pode ficar nesse lugar. O que se põe como cabeça, fica sem cabeça. "E também àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, tragam para cá, e decapitai-os diante de mim", diz o Senhor (Luc. 19:27). Todos os que se puserem por cabeça, ficarão sem cabeça.
As tábuas de esquinas
Vejamos outros detalhes destas tábuas que rodeiam ao Senhor. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo, ao ocidente, fará seis tábuas". Então, aqui são vinte; por este outro lado, vinte, e por lá, seis. Mas o número 20 é um número incompleto. Se fosse 21, ou seja, 3x7, então seria algo bonito. E se fosse 7... Deus completa a sua obra em sete, mas não em seis. Mas ele completa este seis, e completa estes vinte, colocando tábuas de esquinas.
Note que, no povo de Deus, às vezes, uns filhos de Deus caminham numa direção. Por exemplo, os calvinistas têm uma direção, e os arminianos têm outra; às vezes os pentecostais têm uma direção e os não pentecostais tem outra. E, se continuarem assim, se chocam. Então, o Senhor tem que ter alguns filhos que são como catalisadores.
Vocês sabem o que, na química, é um catalisador? Por exemplo, um elemento que, por si só, não se pode mesclar com outro elemento. Não se suportam, resistem-se; pode haver uma explosão. Mas, então, há um terceiro elemento que pode ter comunhão com este elemento e pode ter comunhão com aquele outro elemento, e assim permite que os outros dois elementos, que não podem se ver nem pintados, estejam juntos.
Na casa de Deus é necessário essa classe de irmãos pacificadores, que procuram que os irmãos não caiam nos extremos, mas sim completem os vinte para que sejam vinte e um, e completem os seis para que sejam sete. As tábuas de esquinas! "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mat. 5:9). Na casa de Deus é necessário irmãos conciliadores, irmãos que procurem evitar os extremos, que procurem ver o lado bom de cada um e possam assim estar juntos.
O 6 se completa por um lado: 7; pelo outro lado: 8. Números de Deus. E o 20 se completa com o 21. Às vezes, nós somos um pouco quadrados, às vezes não aceitamos outro tipo de pensamento que seja um pouco diferente do nosso e, se seguirmos nessa direção, vamos nos chocar constantemente com os nossos irmãos.
Estamos analisando as coisas; não chegamos ao fim. Cada um tem o direito de procurar entender da melhor maneira possível, e pode contar aos outros o que parece estar vendo; mas nada disso é definitivo, nada disso é dogmático. Temos que seguir entendendo juntos, porque a palavra do Senhor diz "compreendendo com todos os santos" as riquezas de Cristo. O que me falta, você o tem; o que você não tem, outro o tem, e, entre todos, temos tudo.
O corpo tem que ser como um grande pijama. Um irmão gordo tem que ter um pijama grande, porque se for pôr o pijama de um menino, não vai caber o pé. Necessita um que seja para ele. Assim também, o Senhor Jesus é muito grande, e a sua plenitude necessita um grande pijama, que é o corpo de Cristo. Nossa estreiteza denominacional ou de escola não permite que caiba a perna do Senhor. Ele tem que caber na plenitude dos irmãos.
A inclusividade do corpo de Cristo significa, no mínimo, três coisas. Primeiro, o corpo deve receber tudo o que é de Cristo, todas as riquezas de Cristo. Pode ser que alguém não goste dessas línguas tão estranhas, que alguns interpretem; mas o Senhor deu o dom de línguas também. Então, todos os dons, todos os ministérios, toda a Palavra, todos os aspectos da Palavra; claro, cada coisa com a sua importância.
Os instrumentos do ministério têm cada um, a sua importância. Há colheres pequenas, há garfos, há grelhas para assar carne... Não vamos pôr a colher no lugar da arca. Não, ela tem o seu lugar. É necessário pôr cada coisa em seu lugar, dar a cada coisa a sua medida: o que é primário, em primeiro; o que é secundário, em segundo, e o que é terciário, em terceiro. A palavra de Deus diz: Primeiro, segundo, terceiro. O Senhor diz o que é maior e o que é menor.
Às vezes, irmãos, no povo de Deus, têm desordenado a hierarquia de valores. Então, os irmãos que tomam esta linha se chocam com aqueles que tomam aquela outra linha, e Deus tem que pôr amortecedores, nas esquinas e dizer: "Espere irmão. Sim, sim, é evidente que o irmão é pós-tribulacionista, ou pré, mas é irmão! É evidente que aquele duvida das línguas, e diz que isso era para o tempo dos apóstolos, mas é irmão!
Há coisas que são primárias, que são maiores, que são mais importantes, que são camelos! E há coisas que são mosquitos. Quando temos a consciência distorcida, coamos o mosquito, e engolimos o camelo. Então, irmãos, necessitamos do corpo de Cristo - irmãos que nos ajudem a colocar a cada coisa no seu lugar.
Às vezes, nós, que estamos entendendo a igreja, pomos o candeeiro no Lugar Santíssimo. E vem por aí alguém apresentando a outro Jesus. Mas, como diz que ele também entende a igreja, então, metemos na panela sapos e cobras. Vocês estão se dando conta, irmãos? Primeiro é a arca. Se não apresenta o mesmo Jesus dos apóstolos, Deus e Homem verdadeiro, o Filho de Deus... Isso é o que está em primeiro, a arca.
A primeira coisa fundamental é o próprio Senhor. Deus trino. O Filho, Deus com o Pai, e Homem verdadeiro, tentado em tudo, semelhante a nós; no propiciatório, morto por nossos pecados, para que sejamos justificados pela fé. A essência do evangelho, o que primeiro Paulo pregou: que Cristo - a arca - morreu pelos nossos pecados. "...primeiramente lhes ensinei o que também recebi: Que Cristo morreu por nossos pecados, conforme às Escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, conforme às Escrituras" (1ª Cor. 15:3-4).
Esse é o fundamento, é o principal. A isso se refere a arca, a isso se refere o propiciatório: à pessoa e obra do Senhor Jesus, a essência do evangelho, que é sobre o Filho, que morreu por nossos pecados. "Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro" (1ª Tim. 1:15). O primeiro é primeiro. Quando começamos a pôr ordem em nossa escala de valores, começamos a ver o precioso dos irmãos, e podemos passar por cima dos mosquitos.
Necessitamos de tábuas de esquinas, irmãos que ajudem à pacificação, à reconciliação, a acalmar os ânimos; catalisadores, pacificadores.
Os gonzos
Êxodo 26:24: "...as quais - as tábuas - se unirão desde baixo...". Quer dizer, edifica-se de baixo para cima. "...e deste modo se juntarão por seu alto com um gonzo". O gonzo (argolas) está em cima, ou seja, que Deus exerce certa pressão para que mantenhamos o nosso lugar em conformidade com as demais tábuas. Não podemos ir para lá ou para cá; necessitamos uma pressão divina. É como se fosse outra espécie desses colchetes de ouro que sustentavam os tecidos do interior, e os colchetes de bronze que sustentavam a cobertura de pêlo de cabra.
O amor de Cristo nos constrange, mas a disciplina está representada no bronze. Então, vemos também a mão corretora de Deus. E agora vemos também outra espécie de colchete, mas que é um gonzo. Que já não é para as cortinas, mas sim para as tábuas, para retê-las em seu posto, para que não se adiantem, nem se atrasem, nem se entortem para um lado nem para o outro.
Por exemplo, uma vez, Paulo estava em uma cidade; foi-lhe aberta uma porta ali, mas não teve descanso em seu espírito, por não ter achado o seu irmão Tito. Há coisas que têm que ser feita com outros, e se não estiver o outro, a coisa fica torcida. Precisamos ter sensibilidade no espírito, para saber que devemos estar com um irmão. Às vezes, Pedro fala, e os Onze o respaldam; às vezes, João fala; às vezes, Paulo. Qualquer um que fale, os Onze estão detrás. Levantou-se Pedro com os Onze, ou seja, eles tinham consciência do corpo, consciência de colegiado.
Iremos ver essa conscientização em Atos 1, do 15 em diante. Aqui estão os apóstolos no cenáculo, orando para que viesse o Espírito Santo. Eles são a igreja, eles são como o tabernáculo. E o dia de Pentecostes, a nuvem de glória vai descer sobre o tabernáculo e vai enchê-lo. Mas então, o tabernáculo tem que estar preparado. Mas por lá há algo que falta.
Então diz: "Naqueles dias Pedro se levantou no meio dos irmãos (e os reunidos eram como cento e vinte em número) - como os cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas quando Salomão inaugurou o templo, quando foi colocada a arca no Santíssimo - e disse: Varões irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura em que o Espírito Santo falou antes por boca de Davi a respeito de Judas, que foi guia dos que prenderam a Jesus...". E olhem o verso 17, como fala Pedro: "...e era contado conosco, e tinha parte neste ministério...".
Olhe a consciência de Pedro: eles contavam um com o outro. Não era André sozinho, não era Tiago sozinho, não era Pedro sozinho. Pedro contava com eles, e eles contavam um com o outro. Quando uma pessoa via a Pedro, lembrava-se que João estava associado a ele, e o completava, o protegia, o ajudava. E também se cuidavam mutuamente. Era consciência de colegiado, consciência de equipe.
Em outro capítulo, diz que há diversidade de ministérios; cada qual tem o seu próprio serviço. Isso, por um lado. Mas, por outro lado, todos juntos têm o ministério da Palavra do Novo Pacto, do Espírito, da justificação, da reconciliação.
Eles eram muitos, mas o Novo Pacto é um só, a Palavra é uma só, o Espírito é o mesmo, a justificação que todos anunciam é a mesma, a reconciliação que todos promovem é a mesma. Ou seja, que o ministério do Novo Testamento é um bolo completo. Mas Pedro tinha um pedaço, João outro, Tiago outro, André outro, Bartolomeu outro.
Aí temos a plenitude de Cristo no corpo: tudo o que é de Cristo, em todos os irmãos, e cada irmão funcionando na plenitude da sua função. Mas as vezes, bem, como Saul, dizemos: "Ai! Este Davi! As pessoas estão dizendo que Davi matou dez mil e que Saul só mil. Vou cravar-lhe uma lança! Davi me incomoda".
Mas, quando viu o corpo, você sabe que tudo o que tem de Cristo é só uma parte, e que necessita tudo o que todos têm de Cristo, para que, como igreja, tenhamos o pijama grande, para que o Senhor caiba. Porque se o Senhor vai pôr o seu pé neste meu pijama, não lhe basta. Ele é muito grande e muito rico; cabe a samaritana por aqui, Nicodemos também, e o zelote, e o publicano; todos cabem.
"Judas", diz Pedro, "tinha parte neste ministério". Quando ele diz: "...este ministério", e em seguida diz no verso 23 da mesma maneira: "E assinalaram a dois: a José, chamado Barsabás, que tinha por apelido Justo, e a Matias. E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra qual destes dois escolheste, para que tome parte neste ministério e apostolado...". O ministério, o apostolado, é o bolo completo. E Judas tinha uma parte, da que caiu, e então a ocupou Matias.
Mas, note a consciência colegiada que tinha Pedro: "...e era contado conosco, e tinha parte neste ministério". Olhe como também Paulo falava, em 2ª Coríntios 4:1. No capítulo 3, tinha falado já do ministério da justificação, e no capítulo 5, vai falar sobre o ministério da reconciliação. Esse, o ministério da justificação, o da reconciliação, o do Espírito, o da Palavra, o do Novo Pacto, é o bolo completo.
"Pelo qual, tendo nós este ministério, segundo a misericórdia que recebemos, não desmaiamos". "Tendo nós este...". Não você, o teu e eu o meu, que, por um lado, também é certo, mas não o podemos levar ao extremo do individualismo. O seu pedaço e o meu pedaço, e o pedaço de todos, é este ministério que nós temos. Por isso, as tábuas têm que estar uma com a outra, unidas por encaixes, mas também por gonzos e por barras. E todas as barras têm a mesma direção, e todas mantêm ajustado e aperfeiçoado o mesmo tabernáculo.
As barras
Êxodo 26:26. "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas de um lado do tabernáculo". Ou seja que por aqui, pelo sul, operam os cinco ministérios. Também são de madeira de acácia; são seres humanos. Mas Deus as desenhou para que, em comunhão com as outras barras, mantenham estas tábuas em ordem. Ou seja, que há três maneiras de manter as tábuas em ordem: por baixo, através dos encaixes; por cima, através dos gonzos, e pelo meio, através das cinco barras.
"E ele mesmo constituiu a uns, apóstolos...", que é a barra do meio, que vai de um extremo ao outro. Esses são os apóstolos. E há também profetas, evangelistas, pastores e mestres. Cinco barras, também de madeira; também terá que cobri-las de ouro, como as tábuas. Então, diz assim: "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas". As barras são para as tábuas: o ministério é para a edificação do corpo de Cristo, para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério.
"...e cinco barras para as tábuas do outro lado do tabernáculo, e cinco barras para as tábuas do lado posterior do tabernáculo, ao ocidente". Pelo sul, estão os cinco ministérios, pelo norte também, pelo ocidente também. No oriente, está só o Senhor, porque o que orienta a todos é a Cabeça.
Mas o Senhor quis que a sua Casa fosse aperfeiçoada, edificada, pelos ministros que ele deu à igreja. Então, diz no verso 28: "E a barra do meio passará pelo meio das tábuas, de um extremo ao outro". Das cinco barras, ressaltou esta, porque diz a Palavra: "...primeiramente apóstolos, em seguida profetas, em terceiro mestres, em seguida os que fazem milagres, depois os que curam, os que ajudam, os que administram..." (1ª Cor. 12:28).
Verso 29: "E cobrirás de ouro as tábuas...". Terá que cobrir as tábuas com ouro e também as barras. Não temos que ver a tábua, só o ouro que a cobre. Revestidos de Cristo, escondidos nele. A barra não se vê, a tábua não se vê; se vê o ouro. Deus nos esconde, para que nós não apareçamos, mas sim apareça somente o ouro.
"E cobrirá de ouro as tábuas, e farás suas argolas de ouro para colocar por eles as barras; também cobrirá de ouro as barras". Observem que diz que as tábuas têm suas argolas. A cada tábua correspondem cinco argolas de ouro. Claro que da madeira não brotam argolas; é do ouro que saem as argolas. E, para que são as argolas? Para colocar as barras por elas, quer dizer, para assentar, apoiar e sustentar o ministério.
Cada tábua, junto com a que está ao lado e a do outro lado, todas as vinte daqui, recebem as cinco barras. Cada barra recebe a plenitude do ministério. Não há tábua que tenha uma só argola, ou só duas argolas; todas têm cinco argolas, porque o Senhor quer que recebamos todo o bolo.
Os véus
Verso 30: "E levantará o tabernáculo conforme o modelo que te foi mostrado no monte". Vamos nos deter nesta última frase. Não podemos edificar a igreja como imaginamos, conforme o nosso parecer - como faziam os israelitas no tempo dos Juizes, em que não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem lhe parecia. Devemos edificar a casa conforme o modelo.
Se Deus foi tão minucioso com a tipologia, com Moisés, e Moisés foi fiel, fez todas as coisas como o Senhor lhe tinha mandado; então não podemos cooperar com a casa de Deus sem ter em conta o modelo de Deus. Se a tipologia foi minuciosa, e se encarregou com cuidado, quanto mais a realidade!
Depois nos fala de dois véus. Agora vemos que essa casa tem várias instâncias: tem um átrio, um Lugar Santo e um Lugar Santíssimo. E há um véu para entrar, tanto para a casa em geral, como um véu para passar do Lugar Santo ao Santíssimo, e aqui se descrevem os dois véus.
No átrio, se está em contato com o mundo. O mundo chega até o átrio. No átrio estavam aquelas cortinas de linho branco torcido. A Palavra diz que o linho fino são as ações justas dos santos, e as pessoas do mundo, quando olham para o tabernáculo, a única coisa que vê são as boas obras do povo de Deus. "...para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Eles não vêem a arca, não vêem nada lá dentro. O que o mundo vê por fora é o linho torcido, as boas obras de um povo zeloso de boas obras.
Depois, passa-se do Santo ao Santíssimo. Aqui descreve primeiro o véu que está no interior. Este véu, esta porta, refere-se ao Senhor Jesus. Por meio do Senhor Jesus, saímos do mundo e entramos na casa de Deus. De perdidos, a salvos. Mas também os salvos têm que passar da vida natural para a vida no Espírito. Uma pessoa pode ser salva e não ser espiritual. Você se está perdido, será salvo, entrando pela primeira porta. E se for salvo, seja prudente e entre para a vida do Espírito.
Ou seja, há um véu que nos faz passar da perdição para a salvação, e o outro véu que, para os salvos, os faz passar da vida natural para a vida no Espírito. Os dois véus são dois aspectos da porta que é Cristo. Cristo é o que nos salva, e também o que nos aperfeiçoa. Faz-nos salvos, e nos faz vencedores.
"Também farás um véu de azul" - que se refere à divindade, ao celestial. João nos mostrou o Verbo de Deus como o Filho de Deus - púrpura - Mateus nos apresentou o Senhor como o Rei - carmesim - Lucas apresentou o Filho do Homem, em sua humanidade, como ele se encarnou para derramar o seu sangue - e linho torcido..." - Marcos o apresentou como o servo: a atividade, os milagres do Senhor Jesus. Aqui temos o testemunho dos quatro evangelistas a respeito de um só véu que é o Senhor Jesus.
E diz: "...será feito de obra primorosa, com querubins...", porque aquela casa, o tabernáculo, está destinado à reunião com o céu. Anjos sobem e descem. Então, está este acampamento, que somos nós aqui, e está por aqui mesmo o outro acampamento. Quando Jacó saiu do seu acampamento, para dar uma volta pelo lado, Deus abriu-lhes os olhos, e viu o outro acampamento. E disse: "Este lugar será chamado Maanaim - Dois acampamentos".
Mas também: "O anjo de Jeová acampa ao redor dos que o temem" (Sal. 34:7). Eliseu o via; Geazi, não. Mas Eliseu orou para que Deus abrisse os olhos de Geazi, para que ele visse os carros de fogo rodeando aquele acampamento. Por isso, por todo o templo, aparecem querubins: no véu, dentro e nas portas, porque esta casa é de reunião do céu com a terra, e estes seres angelicais são ministradores para os que hão de herdar a salvação.
Verso 32: "...e o porás sobre quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro; seus colchetes serão de ouro, sobre bases de prata". Quatro colunas aparecem aqui; mais fora aparecem cinco. Agora, de dentro para fora, aparecem quatro. Por fora é mais largo, por dentro é mais estreito; na medida em que se avança, é mais estreito. Essas quatro colunas, que eram de madeira, representam a Humanidade, e estavam sobre bases de prata. Fora, estavam sobre bases de bronze; mas dentro, sobre bases de prata, porque há uma hierarquia. Bronze, prata e ouro. O ouro nos fala da natureza divina; a prata, da redenção, e o bronze, do juízo de Deus.
"E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levará para dentro do véu a arca do testemunho; e este véu fará separação entre o lugar santo e o santíssimo" (V. 33). Deus quer marcar muito bem a separação entre o Lugar Santíssimo e o Lugar Santo. Por isso, em Hebreus diz que: "a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que toda espada de dois fios; e penetra até partir - separar - a alma e o espírito" (Heb. 4:12).
Ou seja, que no Lugar Santíssimo está o Senhor, e se refere ao espírito. A alma é o Lugar Santo, e entre o espírito e a alma tem que haver uma separação. Quando estamos fora, não entendemos isto, mas quando vamos avançando mais, diz: "Isto, ainda é da sua alma; agora tem que passar da alma para o espírito".
Diante do véu estava o altar de ouro, com um incensário. O altar de ouro estava no Lugar Santo, de frente ao véu do Santíssimo. Hebreus diz que o incensário pertencia ao Santíssimo, porque, embora estivesse no altar de ouro, começava o trabalho no Lugar Santo, começava o incenso a subir. O Lugar Santíssimo é o lugar próprio do incensário. Ele descansa no altar de ouro, no Santo, mas ali, apenas é aceso, em seguida no ministério, na liturgia sacerdotal, é conduzido pelo sacerdote do Santo ao Santíssimo.
Às vezes começamos a orar, e estamos em nós mesmos tratando de invocar ao Senhor. Mas, com a ajuda do nosso Sumo sacerdote - porque não sabemos orar como convém - o seu Espírito nos ajuda e nos introduz no espírito. Começamos na carne, ou na alma, confundidos, não sabemos o que fazer; mas, à medida que oramos, com o socorro do Senhor, o incensário é deslocado do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo.
Em Êxodo aparece o incensário no Santo, mas em Hebreus 9 aparece como se pertencesse ao Santíssimo, porque realmente pertence aos dois. O sacerdote, no Santo, acende-o e o introduz. Quer dizer que nós somos transladados de nós mesmos, de nossa alma, dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, através do véu rasgado, através da morte juntamente com Cristo, para a vida no espírito, para a revelação.
"E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levarás para dentro do véu a arca do testemunho...". A arca tem que ser entronizada. Primeiro temos um conhecimento exterior do Senhor. Como diz, antes conhecemos o Senhor segundo a carne; mas agora já não lhe conhecemos assim, agora temos o testemunho em nós mesmos. A arca é introduzida no Santíssimo, Cristo é formado em nós, conhecemos o Senhor por revelação. No princípio não é assim. Estamos no natural, e somos transladados para o espiritual.
Outros detalhes do tabernáculo
"Porás o propiciatório sobre o arca do testemunho no lugar santíssimo" (v.34). O sangue, que era derramada no átrio, deve ser introduzido no Lugar Santíssimo. Do objetivo, do histórico, tem que passar à experiência espiritual subjetiva. A pessoa tem que estar na presença do próprio Senhor, apresentando o sangue do Cordeiro, e ter em seu espírito o testemunho de que é um filho de Deus. "O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito, de que somos filhos de Deus" (Rom. 8:16).
O sangue de Jesus Cristo nos limpa de toda a má consciência. A consciência é uma função do nosso espírito. A Bíblia diz, mas também o Espírito diz ao nosso espírito. E o sangue foi introduzido do altar de bronze do átrio até o mais íntimo da casa de Deus - o Lugar Santíssimo, o nosso espírito.
"E porás a mesa fora do véu, e o candeeiro em frente da mesa do lado sul do tabernáculo...". Uma vez que temos a prioridade com Cristo, a respeito de quem é a doutrina dos apóstolos, então vem a comunhão uns com outros e o partir do pão; temos a mesa e o candeeiro, e depois vêm as orações.
Em Atos 2 diz: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos...", que é a respeito de Jesus Cristo. Não cessavam de ensinar e de pregar a Jesus Cristo; não pregavam a si mesmos, mas sim a Jesus Cristo como Senhor. Primeiro Cristo, a arca, morto por nossos pecados. Aí está a arca. "...na comunhão uns com os outros, no partir do pão...". Essas duas coisas estavam uma frente à outra, equivalentes, uma ao norte e outra ao sul. A mesa dos pães da proposição e o candeeiro. E por último diz: "E perseveravam ... nas orações". Ou seja, no incensário, a mesa do altar de ouro, onde o incenso era preparado, era aceso e era introduzido.
"Farás para a porta do tabernáculo uma cortina de azul, púrpura, carmesim e linho torcido, obra de bordador" (V. 36). Esse é também o Senhor Jesus, e o bordador é o Pai, que faz a obra primorosa através do Senhor Jesus.
"E farás para a cortina cinco colunas de madeira de acácia, as quais cobrirás de ouro, com os seus colchetes de ouro; e fundirás cinco bases de bronze para elas" (V. 37). O véu interior, que separa o Lugar Santo do Santíssimo, tinha quatro colunas. Portanto, entre a coluna 1 e 2 há um espaço, entre a coluna 2 e 3 há outro espaço, e entre a coluna 3 e 4, outro espaço. São quatro colunas, que fazem três seções, porque a casa de Deus é a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Portanto, esse véu contém a divindade completa, a Trindade.
Jesus disse: "O Pai que mora em mim" (João 14:10). Mas também Pedro diz que o Filho de Deus foi um varão cheio do Espírito Santo. Portanto, o véu cobre uma Trindade, porque o Pai está no Filho, e o Espírito Santo também ungiu ao Filho com poder, e fez maravilhas.
A seção do meio, entre a segunda e a terceira coluna, era onde estava aberto o véu. Entrava-se pelo espaço do meio, porque não foi o Pai nem o Espírito Santo quem morreu por nós, mas sim o Senhor Jesus. Quando o Filho de Deus morreu, a seção do meio do véu foi rasgada.
Mas agora, a porta de fora tem cinco colunas, ou seja, quatro espaços. Quer dizer, agora nós temos que caber também aí. O número 5 é o número da graça e o 4 é o número da criação. Se aqui tem quatro e aí cinco, fora é mais largo e dentro é mais estreito. "Segui o caminho estreito". Cada vez que avançamos, faz-se mais estreito, até que não caiba senão somente o Senhor Jesus.
(Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006). -
UMA CASA PARA DEUS / 3
A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.
Uma Casa para Deus
(3ª Parte)
Gino Iafrancesco
Pontos de referência no desenvolvimento do propósito de Deus
Ao longo da Palavra do Senhor, aparecem certos pontos chaves de referência no desenvolvimento do propósito de Deus. O primeiro é Adão e Eva. Aqui Deus revela coisas fundamentais. Depois, no tempo de Abraão, de Isaque e de Jacó, temos outro ponto importante: Deus diz ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.
Nesses tempos tinha Ninrode, tinha Hamurabi e outros personagens, mas Deus disse ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A intervenção de Deus nas vidas desses patriarcas se constituiu em outro ponto importante de referência na obra continuada de Deus. Depois veio Moisés, e Deus começou a trabalhar com o povo de Israel, e deu a Lei. Então apareceu um novo ponto de referência na obra de Deus. Sempre temos que voltar para o ponto de Adão, ao ponto dos patriarcas e também ao ponto da Lei.
Depois apareceu outro importante ponto de referência na história sagrada: Davi. Com ele, Deus abriu uma nova etapa no avanço de sua obra. Os reis seguintes, Deus os media por Davi. Todos estes pontos de referência vão desenvolvendo o propósito de Deus. Desde o primeiro, já se projeta o propósito.
Nos estudos anteriores temos recordado superficialmente algumas dessas coisas. Agora queríamos nos deter um pouco na casa de Deus nos tempos de Davi e de Salomão. É um novo ponto de referência, e em cada novo ponto de referência, Deus acrescenta detalhes à revelação. Ele fala da mesma coisa, mas acrescenta a revelação.
Todo o Antigo Testamento é uma preparação para o Novo. Lembremos que Deus diz que o que é relativo ao mistério do Novo Testamento pode ser visto com a ajuda das Escrituras dos profetas (Rom. 16:25-26). De maneira que não só estamos lendo a história sagrada. Deus está falando coisas espirituais; estas coisas são figuras das coisas espirituais. Assim que devemos ler do véu para dentro.
A casa de Deus nos tempos de Davi e Salomão
Primeiro, vamos abrir a palavra do Senhor no primeiro livro de Crônicas. No capítulo 17 temos um momento chave na história da revelação. Davi estava interessado em uma casa para Deus, e imaginava que poderia ser de cedro. Mas Deus - como também depois Salomão entendeu - não habita em templos feitos por mãos humanas. Deus tem sim no seu coração ter uma casa. Nesta passagem, ele fala da "minha casa". Mas não seria Davi o que a edificaria.
Já em outra passagem, Deus lhe diz: "Tu tens derramado muito sangue; tu não me edificará casa. Mas o seu filho, ele me edificará casa". Então veio Salomão, um dos filhos de Davi, e segundo os planos que recebeu de Davi, seu pai, e que Davi recebeu de Deus, Salomão edificou o templo, o famoso templo de Jerusalém.
Esta história é contada duas vezes na Bíblia: no livro dos Reis e no de Crônicas. Na primeira, a ênfase está em Salomão e sua casa; mas, na segunda, a ênfase está no Messias e a igreja. De maneira que Salomão, como filho de Davi, edificando o templo material para Deus, é figura do verdadeiro Filho de Davi, que é o Senhor Jesus, o verdadeiro Rei da paz, o qual edificaria casa para Deus. "Seu filho me edificará casa ... e firmarei o seu trono eternamente".
É claro que o trono de Salomão não foi eterno, porque Salomão era só uma figura. O verdadeiro Filho de Davi é o Senhor Jesus. Não que o outro fosse falso; era apenas uma figura. Portanto, o Senhor Jesus tem uma encomenda de Deus - edificar casa a seu Pai. Então, a verdadeira casa de Deus, que o verdadeiro Filho de Davi edifica, é a igreja, é o corpo de Cristo.
Assim, como vimos a edificação da igreja no tabernáculo, temos que ver também a edificação da igreja no templo. "Porque vós sois o templo do Deus vivente" (2ª Cor. 6:16). O Novo Testamento nos fala de sermos edificados como um templo santo, para morada de Deus no espírito, como a igreja, o corpo único de Cristo, a soma de todos os filhos de Deus de hoje, de ontem e de sempre. Somos o templo de Deus.
Olhemos, então, no livro de Crônicas algumas palavras importantes. Primeiro, olhemos um pouco no 22 e depois no 28.
"Depois mandou Davi que se reunisse os estrangeiros que havia na terra de Israel, e encarregou de entre eles pedreiros que lavrassem pedras para edificar a casa de Deus" (1 Crônicas 22:2). Deus usa estrangeiros para lavrar, para tratar com as pedras. "Deste modo preparou Davi muito ferro para os pregos das portas, e para as junturas; e muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (22:3). Muita cruz; muita disciplina, não é verdade?
Leiamos em Colossenses 1:24, mas voltaremos para cá outra vez. "Agora me regozijo no que padeço por vós...". Não, não era que Paulo era masoquista; ele não se regozijava por causa das dores, mas sim porque essas dores serviam para outros. "...e cumpro na minha carne o que falta das aflições de Cristo por seu corpo, que é a igreja".
Não entenda mal este verso; não diz que a Cristo faltam aflições, mas sim a Paulo faltava participar das aflições de Cristo um pouco mais. Cristo consumou a sua obra; mas nos concedeu não somente crer nele, mas também sofrer por ele.
"...da qual fui feito ministro..." (Col. 1:25). Paulo era ministro do corpo, ministro da igreja. Não era o funcionário de alguma organização menor que o corpo; ele era um membro vivo do corpo vivo de Cristo, ele funcionava no corpo e para o corpo.
Então, voltemos para Crônicas: "...muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (1 Cr. 22:3). Estas coisas não se devem contar, porque os sidônios e tírios haviam trazido para Davi abundância de madeira de cedro. "E disse Davi: Salomão meu filho é moço e de tenra idade, e a casa que se há de edificar ao Senhor há de ser magnífica por excelência - a igreja gloriosa - para renome e honra em todas as terras; agora, pois, eu lhe prepararei o necessário" (V. 5).
Aqui, Davi está tipificando a Cristo em sua primeira vinda, preparando o necessário, para que Cristo em sua segunda vinda possa ser recebido pela igreja. Salomão é o filho de Davi que mostra o trabalho de Cristo ascendido, edificando a sua casa, para apresentar-se a si mesmo uma igreja, uma igreja santa e gloriosa, sem mancha e sem ruga. Devemos deixar que sejamos apresentados como uma igreja santa. Não estorvemos a unidade da igreja.
Agora, vamos ao capítulo 28 para ver algumas expressões chaves ali. Disse Davi a Salomão: "Olhe, pois, agora, que o Senhor te escolheu para que edifique casa para o santuário; esforça-te, e faça-a. E Davi deu a Salomão seu filho o plano do pórtico do templo e suas casas, suas tesourarias, seus aposentos, suas câmaras e a casa do propiciatório.
Deste modo o plano de todas as coisas que tinha em mente para os átrios da casa do Senhor, para todas as câmaras ao redor, para as tesourarias da casa de Deus, e para as tesourarias das coisas santificadas. Também para os grupos dos sacerdotes e dos levita - ou seja, da casa passa para o sacerdócio -, para toda - olhe esta expressão - a obra do ministério da casa do Senhor" (vers. 10 a 13).
Essa expressão não é só do Novo Testamento; já está preparada no Antigo: Os obreiros edificando o corpo de Cristo com todos os santos, que estão tipificados no levantamento do templo de Deus e no erguimento do tabernáculo. E essa expressão - a obra do ministério da casa de Deus - que era o trabalho no tabernáculo e no templo, é também hoje o trabalho de todos os santos, ajudados, aperfeiçoados, pelos obreiros de Deus.
Então, segue dizendo: "...e para todos os utensílios do ministério da casa do Senhor". Tenhamos presente o plano. Davi falou do plano da casa, do plano das tesourarias, das câmaras; inclusive dos instrumentos.
Agora, saltamos uns versos, e vamos ler o 19. "Todas estas coisas, disse Davi, foram-me traçadas pela mão do Senhor, que me fez entender todas as obras do desenho". Assim que isto não foi somente uma ocorrência de Davi. Sim, Davi queria fazer casa para Deus, e Deus lhe explicou: "Davi, tu tens derramado muito sangue. Você não me edificará casa, mas o seu filho, ele me edificará casa". E então Deus revelou a Davi o desenho da casa, o plano detalhado em todas as coisas. E Davi passou a Salomão seu filho todo o plano, para que fizesse as coisas conforme o desenho que ele tinha recebido de Deus. Da mesma forma Deus está por trás deste desenho, assim como esteve por trás do desenho do tabernáculo.
De maneira que se o tabernáculo é figura do verdadeiro tabernáculo, e o templo é figura do verdadeiro templo, devemos pôr a nossa atenção no desenho do templo, porque Deus está nos falando do mistério de Cristo, a igreja, através do tabernáculo e através do templo.
Deus começa com algo singelo, com os traços mestres, e em seguida vai adicionando detalhes. Assim é que Deus atua. Em Gênesis 1:26, ele diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...". E os fez homem e mulher. No segundo capítulo, torna a falar da feitura do homem, mas acrescentando detalhes. É como um desenhista que primeiro traça as linhas principais, e depois, ao redor delas, põe os músculos, os nervos, a pele.
Do mesmo modo, por exemplo, a Daniel, permitiu-lhe interpretar o sonho de Nabucodonosor, onde aparece a história da humanidade de forma ampla; mas em seguida, nas seguintes profecias fala do mesmo, mas acrescentando cada vez mais detalhes. Quando chega à última visão de Daniel, abrange três capítulos, e o que havia dito no sonho de Nabucodonosor e na visão dos capítulos 7, 8 e 9, agora está cheia de detalhes.
Deus começa com a idéia principal: "Lhe edificarei uma mulher". Em seguida aparece Bet-el, a pedra, a unção, a libação; em seguida o tabernáculo, e depois o templo. Deus está falando durante toda a Bíblia da mesma coisa, porque toda a Bíblia fala do mistério de Cristo e a igreja. O mistério de Cristo é a chave de toda a Bíblia.
Então, vejamos agora no livro de Reis a edificação do templo por Salomão. Mas não leremos somente arquitetura ou engenharia civil, mas sim o mistério de Cristo, porque o verdadeiro Filho de Davi está edificando o verdadeiro templo que é o corpo de Cristo. Ele é o arquiteto, e os ministros de Deus são também como peritos arquitetos que têm que interpretar o plano para a edificação. Paulo dizia: "...eu como perito arquiteto pus o fundamento..." (1ª Cor. 3:10).
Esse é o trabalho do ministério do corpo de Cristo - interpretar os planos do arquiteto.
A edificação do templo
No capítulo 6 encontramos uma passagem que a Sociedade Bíblica titulou "Salomão edifica o templo". Ou seja, este é uma figura do Senhor Jesus edificando o corpo de Cristo. Vocês se lembram daquela passagem em Efésios onde fala da altura, a largura, a profundidade, o comprimento de Cristo? Bom, vamos começar ler algo a respeito disso aqui. Salomão edifica o templo - o filho de Davi edifica a casa de Deus.
Vamos revisar do verso 1 ao 14. O Espírito Santo pode falar a você coisas que eu não vou dizer aqui. Você, depois, complementará, elaborará e enriquecerá isso.
Fixemo-nos em algo: Do verso 1, já aparece um mistério. "No ano quatrocentos e oitenta depois que os filhos de Israel saíram do Egito...". Quando você faz uma cronologia absoluta da Bíblia, seguindo os anos que aparecem nela, notará que entre a saída do Egito e a edificação do templo por Salomão há muito mais do que quatrocentos e oitenta anos. Mas, se a toda essa quantidade de anos você lhe subtrai os anos em que eles estiveram sob governos alheios - por exemplo, quando estiveram debaixo dos midianitas ou outros gentios - ao subtrair esses anos perdidos, obterá exatamente quatrocentos e oitenta anos.
Isto quer dizer que, para Deus, os anos perdidos não contam. Nós temos uma conta no céu. Paulo falava aos filipenses de que o que eles tinham feito estava registrado nos céus: "...busco fruto que abunde em sua conta" (Flp. 4:17). Alguns de vocês têm conta nos bancos, mas todos vocês têm conta nos céus, e essa conta está sendo engrossada. Mas o tempo perdido, o que ocupamos em outras coisas, quando não andamos no Senhor e no que é seu, não se conta. Não importa se os anos reais foram como seiscentos e trinta e tantos; para Deus, só foram quatrocentos e oitenta, porque enquanto eles estavam sob outros 'senhores', Deus não quer nem contar.
O tempo que tem significado para Deus é este: quatrocentos e oitenta anos. E torna outra vez a aparecer o 48 por 10. Ontem estudávamos o 48, que era o número da casa. Agora, aqui aparece no tempo por 10 = 480. Muitas coisas que no tabernáculo são 1, no templo são 10. No tabernáculo é um castiçal; no templo são dez. Quer dizer que Deus quer a multiplicação do castiçal por toda a terra. No tabernáculo eram 48, no templo, 480.
E diz: "...depois que os filhos de Israel saíram do Egito, o quarto ano do princípio do reino de Salomão sobre Israel...". O quarto ano. Note que primeiro é a cabeça; primeiro é Deus. Primeiro é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Também, quando foram cruzar o Jordão, depois de três dias, ou seja, no quarto dia. Isso quer dizer que, depois da cabeça, é o quarto. Depois dos três anos, em que se caracterizou quem é Salomão, porque ele é a cabeça de Israel, então chegou a hora de edificar. Primeiro, a cabeça, em seguida o corpo.
"...no mês de Zif...", que é o segundo mês. Também o tabernáculo se edificou no segundo mês. O primeiro ano começou com o mês da páscoa. Tudo começa com a páscoa, tudo começa com o Senhor Jesus, sua morte por nós, sua ressurreição e sua ascensão. Então vem o Espírito, e começa a igreja. Não pode começar a casa no primeiro ano e no primeiro mês. No segundo mês começou a edificar a casa do Senhor.
A casa que o rei Salomão edificou ao Senhor tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura. É como um retângulo, mas elevado, não plano. Esta é a casa de Deus. A igreja tem que ser cheia das medidas de Cristo. A Bíblia nos fala das medidas de Cristo. E esta é a casa de Deus. Deus está nos revelando algo com essas medidas.
Em primeiro lugar, fala-nos do comprido: sessenta côvados. Aqui voltamos a ver a inclusividade do coração de Deus. Sessenta vem de seis por dez. Já sabemos que o número 6 é o número do homem. E o 10, o número da generalidade. Deus quer uma casa que tenha sessenta côvados de comprimento, ou seja, que incorpore toda classe de seres humanos. O mesmo se vê no tabernáculo: Deus quer uma casa com pessoas de toda tribo, língua, nação, e classe social. Nenhuma igreja poderá ser edificada para o Senhor com exclusões.
Deus não exclui raças, não exclui classes sociais, nem analfabetos, nem eruditos. Paulo diz que o Senhor escolheu o vil, o menosprezado, o que não é. "Pois olhem, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres..." (1ª Cor. 1:26). Sim, pode haver algum, mas a maioria não é nobre. É normal existirem sangue azul e sangue vermelho na casa de Deus.
Não podemos diminuir a casa, não podemos fazer igrejas de brancos onde não entram os negros, ou de negros, onde não entram os brancos. Não podemos fazer igrejas de ricos. Há pessoas que gostam de ir aos bairros dos ricos, porque lá andam de braços dados com o prefeito, com fulano e com cicrano, e não querem andar de braços dados com os do bairro mais pobre.
A igreja abrange a todos os que o Senhor chama, a todos os que ele gerou. Essa é a medida de Deus; não podemos ter outra medida. Cada irmão tem que sentir-se cômodo na igreja, não importa que seja pobre, não importa que seja analfabeto, não importa a sua raça, a sua classe. O Senhor o escolheu, e esse é o comprimento da casa de Deus.
A largura da casa
Agora, a casa de Deus também tem largura. Mas é curioso que a largura é apenas um terço do comprido. É um retângulo. O comprido são sessenta; a largura, somente vinte, a terça parte. Neste ponto, discutem os calvinistas e os arminianos: Os calvinistas dizem que a expiação é limitada, ou seja, que o Senhor só morreu por alguns. E os universalistas dizem que morreu por todos. Aqui vemos este retângulo. Depois, haverá outro retângulo menor. Mas este primeiro retângulo nos ajuda a entender essa complicação.
Vamos ao livro de Zacarias, olhar ali uma expressão importante. Zacarias 13:8-9 diz: "E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas terceiras partes serão cortadas nela, e se perderão; mas a terceira ficará nela. E colocarei no fogo à terceira parte, e os fundirei como se funde a prata, e os provarei como se prova o ouro. Ele - ou seja, este um terço do povo - invocará o meu nome, e eu lhe ouvirei, e direi: É meu povo; e ele dirá: O Senhor é meu Deus".
Notemos que o Senhor diz claramente nessa profecia que dois terços se perderão; mas um terço passará pelo fogo, e ficará sendo o povo de Deus. Agora, o apóstolo João diz muito claramente: "Cristo ... é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1ª João 2:2). Ou seja, o sacrifício de Cristo tem a capacidade de salvar toda pessoa humana que possa existir. Se alguém não se salvar, não é porque o Senhor não quer, mas porque eles não querem, porque eles resistem, porque eles não recebem. Por isso se perdem.
Deus "...quer que todos os homens sejam salvos" (1ª Tim. 2:4). Deus não quer que ninguém pereça. Deus quer que todos venham ao arrependimento. Mas se Deus quer que todos se salvem, por que nem todos se salvam? Não é porque Deus não queira; é porque o homem não quer. A luz veio ao mundo, mas "os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3:19), e esta é a condenação.
De maneira que a casa de Deus tem forma de retângulo. Deus quer pessoas de toda tribo, língua, nação, sexo, e classe social; no entanto, nem todos serão salvos, somente aqueles que crêem. Então, a população mundial se reduz a um terço. Acaso não foi um terço que se rebelou? Deus tinha muitos anjos, mas a terça parte foi com Satanás. Então, Deus reservou esse outro terço para a sua glória, para a sua casa.
Deus quer que todos sejam salvos. A expiação é universal, a intenção de Deus é sincera; ele quer a salvação de todos, mas na prática, é limitada, porque serão para os que crêem, os que estão em Cristo, e em Cristo são escolhidos.
Por isso vemos um retângulo aqui. Embora o comprimento seja sessenta côvados, a largura é somente vinte, a terça parte. Se analisarmos a humanidade, hoje em dia, um terço pelo menos diz ser cristão, e outros dois terços dizem ser ou muçulmanos, ou budistas, ou hinduistas, ou animistas, ou qualquer outro 'ismo' diferente ao cristianismo.
Uma igreja madura
Voltemos para 1 Reis 6. "...e trinta côvados de altura" (V. 2). Vocês sabem o que quer dizer o número 30? Na Bíblia, é o número da maioridade. Hoje em dia, na Colômbia, os moços que têm dezoito anos, votam. Aos dezoito anos, são considerados maiores de idade. Claro que ainda não se mantêm, ainda não sustenta a sua esposa nem os seus filhos.
A Bíblia considerava que a maioridade era aos trinta, não aos dezoito. Por isso o Senhor Jesus esperou até os trinta. Também os levita, aos vinte e cinco anos começavam a aproximar-se do tabernáculo, mas apenas aos trinta exerciam em plena atividade.
E o que Deus quer quando diz que a sua casa tenha trinta côvados de altura? Quer dizer que a igreja está destinada à estatura da plenitude de Cristo. Deus não quer uma igreja de meninos; ele quer uma igreja madura. Como Cristo iria se casar com uma menina? Tem que casar-se com uma igreja madura.
Deus quer uma igreja madura. A igreja deve evangelizar, deve lembrar-se dos homens; mas, depois de salvá-los, tem que discipulá-los, alimentá-los, instruí-los, ensiná-los, reuní-los como igreja, apresentá-los ao Senhor como igreja.
Deus quer que venham à epignosis, ao pleno conhecimento da verdade. Ou seja, cresçam a uma posição em que possam compreender todo o conselho de Deus, a totalidade da Palavra, a palavra de Deus cumprida.
Trinta côvados - a estatura da plenitude de Cristo. Uma igreja de salvos e maduros. Uma igreja de salvos discipulados, conduzidos à plenitude. Essas são as medidas que Deus disse: sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.
Os vencedores
Agora vamos ver a outra parte do retângulo. Verso 3: "E o pórtico diante do templo da casa...". Quando diz a casa, abrange o átrio, o lugar santo e o santíssimo. O templo da casa, o santuário, é o santo e o santíssimo. A casa em geral inclui o átrio. O pórtico do templo da casa não é o pórtico de fora, não é para que os perdidos se salvem, mas sim os salvos vençam. É outro retângulo.
Deus quer que todos se salvem, mas só se salvam os que crêem. E quer que todos os que crêem sejam vencedores, mas somente será a metade. Eram dez virgens esperando o marido, as dez tinham azeite na lâmpada, mas só a metade tinha azeite na vasilha além da lâmpada.
Então diz aqui: "E o pórtico diante do templo da casa tinha vinte côvados de comprimento ao largo da casa...". Ou seja, antes era sessenta de comprimento e vinte de largura. O vinte são os realmente crentes. Agora, este outro pórtico é outro retângulo de vinte côvados, o mesmo que tem ao largo da casa. Ou seja, abrange a todos os crentes.
"...ao largo diante da casa era de dez côvados", ou seja, a metade. Podem notar? O Senhor morreu por todos, mas só se salvam um terço. Agora, Deus quer que todos os salvos sejam vencedores, mas somente a metade é prudente.
Os outros são salvos, esperam o marido, têm azeite na lâmpada, e a lâmpada do Senhor é o espírito do homem. Se tiverem azeite na lâmpada, o seu espírito é regenerado, mas não têm azeite também na vasilha, não permitiram que a vida do Senhor passe para as suas almas - pensem conforme Cristo, tenham o sentir de Cristo, e a vontade renovada, e sigam a Cristo.
Muitas virgens salvas são insensatas; só a metade é prudente, e fez que passasse o azeite da lâmpada para a vasilha, do espírito para a alma. Por isso aparece outro retângulo aqui. Vinte de largura, como o da casa - são os salvos. Mas só dez de comprimento - a metade.
A necessidade de revelação
"E fez à casa janelas largas por dentro e estreita por fora" (V. 4). Aqui vemos o mesmo princípio das peles de texugos no tabernáculo. Por fora, via-se como um grande ratão; por dentro estava a glória. Os de fora não viam. A Bíblia diz: "...aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). O homem natural não percebe as coisas que são do Espírito de Deus, e não pode entendê-las, mas o espiritual discerne todas as coisas.
Por isso diz aqui que a casa tinha janelas largas por dentro e estreita por fora. Ou seja, quem está dentro pode ver tudo o que passa fora; mas o que está fora não pode ver bem o que há dentro.
Assim é a casa de Deus. As coisas de Deus só se podem ver por revelação de Deus, de dentro para fora. Mas o homem natural, fora, não pode. Entender as coisas de Deus não é questão de capacidade. Os que estão dentro têm discernimento; os que estão fora não podem ver nem entrar.
Os diáconos, bispos e obreiros
"Edificou também junto ao muro da casa aposentos ao redor, contra as paredes da casa ao redor do templo e do lugar santíssimo; e fez câmaras laterais ao redor. O aposento de baixo era de cinco côvados de largura, o do meio de seis côvados de largura, e o terceiro de sete côvados de largura; porque por fora tinha feito pilastras de reforço para a casa ao redor, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (vers. 5-6).
Deus não quer deixar à casa abandonada a si mesma; ele a rodeia de câmaras laterais. É o mesmo princípio que vimos no tabernáculo. Estavam todas as tábuas ao redor, mas o Senhor quis pôr cinco barras, para que essas barras protegessem e mantivessem as tábuas retas; a casa foi reforçada e guardada, nenhuma tábua se soltou, e fora mantida em seu lugar.
Assim também, o Senhor mostrou a Davi e a Salomão que ele quer que a sua casa esteja rodeada por câmaras. Nessas câmaras se guardavam os tesouros; ali os sacerdotes se vestiam e se despiam, saíam de um estado comum e vestiam as vestimentas sacerdotais. Também na casa de Deus temos o diaconato, o bispado e o apostolado.
Deus quer que a casa esteja resguardada, protegida, pelos diáconos, que têm que servir às necessidades dos santos, e pelos anciões. São necessários os presbíteros, que são os próprios bispos. Na Bíblia, bispos, pastores, presbíteros, intercambiam-se.
Quando Paulo escreve a Tito começa lhe falando de que o tinha deixado em Creta para que corrigisse o que estava deficiente e estabelecesse presbíteros em cada igreja local. E em seguida diz: "Porque é necessário que o bispo...". Ele vem falando dos anciões. Primeiro começa a falar de como deve ser o caráter de cada um deles, mas agora já não lhe chama ancião, mas sim bispo, "...que for irrepreensível, marido de uma só mulher...".
Bispos e anciões, na Bíblia, é a mesma coisa. Na igreja dos filipenses, estavam os santos com os bispos e diáconos. Desta maneira é a casa de Deus. No entanto, a igreja e os anciões não estão isolados. A igreja local não está isolada. Ela é parte da igreja universal, está em comunhão com outras igrejas, e a obra do Senhor está nas mãos dos obreiros, que trabalham a um nível mais universal que local.
Os anciões cuidam da igreja em sua localidade, mas os obreiros edificam o corpo de Cristo universalmente. Portanto, Deus quer que os anciões tenham comunhão com os apóstolos. Por isso dizem os apóstolos: "...isso lhes anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco"- Esse 'nós' é a equipe dos obreiros, os apóstolos- e nossa comunhão - porque eles não estão isolados, têm uma comunhão- verdadeiramente é com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo" (1ª João 1:3). Por isso existe a comunhão apostólica, ou seja, a comunhão dos apóstolos entre si, e das igrejas com os apóstolos, e dos apóstolos com as igrejas.
Então, diz Paulo a Timóteo: "Contra um ancião, não admita acusação, a não ser com duas ou três testemunhas. Aos que persistem em pecar, repreende-os diante de todos, para que os outros também temam" (1ª Tim. 5:19-20). Ou seja, que os obreiros fazem uma auditoria dos anciões que eles estabeleceram da parte de Deus. Deus os estabeleceu, mas usou a eles para fazê-lo, de maneira que os anciões estão sob a supervisão dos obreiros que os estabeleceram. Eles governam na igreja, mas na obra governam os obreiros. Os obreiros fundam uma igreja e estabelecem os anciões; mas, se os anciões se comportarem mal, então não se pode admitir acusação sem testemunhas contra um ancião.
Os obreiros não podem se meter na jurisdição de outros, onde outros trabalharam. Isso cabe aos que trabalharam ali, os que evangelizaram, os que discipularam, os que edificaram. Os que instruíram à igreja, os que ensinaram, corrigem as coisas que faltam, nomeiam os anciões. Eles é que são apropriados para ouvir os problemas que às vezes causam os anciões.
Então, em cima da segunda câmara, há uma terceira. A primeira câmara, que é o diaconato, tem cinco côvados de largura; mas a de cima é um pouco mais larga, tem mais responsabilidade, abrange mais, porque na igreja, os anciões governam os diáconos, e não os diáconos aos anciões. Então, sobre a segunda câmara, de seis côvados, Deus colocou uma terceira câmara de sete côvados. Portanto, os diáconos, os anciões, os obreiros, cuidam da igreja; rodeiam-na como as barras no tabernáculo.
O diaconato está no primeiro lugar abaixo, mas há uma escada em forma de caracol que sobe do primeiro piso, dando voltas e voltas. A escada não é direta. Passa por uma prova, passa outra vez por aqui, um pouco mais alto, e quando foi aprovado, pode passar para o segundo lugar, ao segundo piso, e do segundo pode passar para o terceiro.
Por exemplo, o irmão José, na igreja em Jerusalém, era um homem que servia, que ajudava e consolava os irmãos. E os apóstolos trocaram o nome dele por Barnabé, que quer dizer 'filho da consolação'. O irmão Barnabé começou a ser uma pessoa de confiança na igreja, e quando houve uma necessidade, então o enviaram para ver como estavam as coisas lá em Antioquia.
Quando ele chegou a Antioquia, não era apóstolo, mas sim um colaborador dos apóstolos. E ele chegou e viu ali a graça de Deus. Ele não viu os problemas. E como era um homem bom, animou-os para que continuassem. Era alguém de confiança. Chegou a ser profeta e mestre, até que ficou em Antioquia, e chamou a outro jovem, outro irmão, que tinha sido problemático. Era Saulo.
Mas Saulo também subiu a escada, e chegou a ser profeta e mestre, como outros irmãos. Em Antioquia havia profetas e mestres, mas não havia apóstolos. Mas, em determinado momento, o Espírito Santo dirigiu a outros irmãos: "apartem-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os chamei" (At. 13:2), e aí subiram a escada até o terceiro piso, até a câmara de sete côvados de largura. Foi ampliada a responsabilidade.
Do capítulo 14, fala-se dos apóstolos Barnabé e Paulo. Mas não começaram por cima; começaram dentro da casa de Deus. Há irmãos que se caracterizam porque estão sempre servindo. "Então, vamos pô-los a prova - diz Paulo - para ver se podem ser diáconos". Ou seja, que já atuam como diáconos, sem serem. Quando passarem na prova, serão diáconos em atividade. Agora passam a servir a casa, rodeando a casa, primeiramente nos assuntos materiais, administrativos. Não se metem com doutrinas, claro, mas têm que guardar o mistério da fé e outras coisas.
E entre esses irmãos, temos, por exemplo, a Estevão, que era diácono. Ele chegou a ser um homem de Deus, que não servia somente à igreja, mas também muito mais. Estevão ensinava, testificava, e foi o primeiro mártir da igreja. E também Felipe, que chegou a ser evangelista, ou seja, passando do primeiro piso para o segundo, não como hierarquia, mas sim como serviço, porque a responsabilidade na casa de Deus é para encarregar-se de maiores problemas.
Cada vez que sobe, a responsabilidade é maior, os problemas são mais difíceis, assuntos que ninguém quer tocar. Mas são necessárias todas essas câmaras laterais ao redor da casa, para cuidá-la. E essa escada é em caracol, ou seja, que a pessoa passa e passa pelo mesmo lugar, mas cada vez um pouco mais. Não tem acontecido assim com você? A escada na casa de Deus é em caracol, repetindo e repetindo, para ir avançando.
Sem acumular peso para a casa
Seguimos em 1 Reis 6: "...por fora, havia pilastras de reforço ao redor da casa, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (V. 6). Olhem o cuidado do Senhor. Deus não quer que essas câmaras - esses diáconos, anciões e obreiros - não pesem sobre as paredes da casa. As vigas não é para pôr em cima da parede, mas sim nestas pilastras de reforço que eram feitas, para que não pesem demasiadamente.
Vamos ver essas pilastras de reforço em 1ª Pedro 5:1-3: "Rogo aos anciões que estão entre vós, eu também ancião com eles - porque tinha subido do segundo para o terceiro piso -, e testemunha dos padecimentos de Cristo, que sou também participante da glória que será revelada: Apascentem o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando dele, não por força, mas sim voluntariamente; não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade; não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho".
"...não por força...". Se for por força, pressionará demasiadamente. Os santos sentem que as pessoas estão fazendo as coisas por obrigação. 'Ai, porque acontece isto comigo. Por que você não prega, eu estou muito cansado?'. Se for por força, faz pressão sobre as paredes da casa, faz pressão sobre os santos. Onde está a pilastra de reforço, essa coluninha que terá que ser posta? Aí diz: "...voluntariamente...". A primeira pilastra é voluntariedade. Não por força, mas sim voluntariamente.
Segundo "Não". "...não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade...". Hoje em dia é tão comum exaurir as ovelhas, é tão comum que uma pessoa comece a pregar sobre o dízimo e a prosperidade somente para encher os seus bolsos, fazendo dos santos uma mercadoria, como os fariseus que como pretexto faziam largas orações, mas tinham o olho na casa da viúva. 'Ah este irmão é rico, este pode ofertar bastante. Irmão, venha, sente-se aqui na tribuna'. Mas Tiago diz: 'Irmão, não façam acepção de pessoas na igreja'.
"...não por ganho desonesto...". Essa viga não pode ser posta na parede, terá que pôr uma coluna, uma saliente aqui: "...de boa vontade...", voluntariedade.
Mas são três pisos. E o outro é: "...não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho". Então aí você vê que as paredes da casa não estão suportando muito peso. Não há um senhorio exagerado, não estão exaurindo os santos, não estão fazendo as coisas por profissão, mas sim por amor, voluntariamente, de boa vontade, sendo exemplos para o rebanho. As câmaras laterais eram para guardar a casa em vez de sobrecarregá-la.
Preparados nas pedreiras
Verso 7: "E quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas, de tal maneira que quando a edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem qualquer outro instrumento de ferro". Assim como o ouro significa a natureza divina; a prata, a redenção; o bronze, a disciplina de Deus, o ferro significa a autoridade. (Apoc. 2:26-27). No entanto, quando se edificava a casa, as pedras já vinham preparadas. As pedras eram preparadas nas pedreiras.
Há irmãos que estão nas pedreiras, sendo preparados. Alguns estão sofrendo marteladas. Lá sim se ouve a martelada. Essas pedreiras têm pessoas registradas como pessoas jurídicas, têm placas com nomes e tudo, e são filhos de Deus. São as pedras de Deus, e eles devem ser um só templo para Deus.
Claro, as pedras são tiradas das pedreiras. Graças a Deus que há pedreiras, e as pessoas estão sendo salvas. Mas, o que vamos fazer com as pedras se for um montão de pedras na frente do terreno de cada um. Deus não pode viver aí. Como ele vai viver se pusermos um montão de pedras para cá e outro montão lá. Cada pedra tem que ser tratada e preparada na pedreira. E quando o Senhor traz, pode ser encaixado com os seus irmãos, porque se não encaixar, volta para a pedreira, para receber martelo, para receber cinzel.
E quando já estiver preparado, então já pode ter comunhão com os seus irmãos, agora não é necessário que ouçam machadadas nem marteladas, como diz o verso 7: "...e quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas". Quando se encontram uns irmãos com outros, parece que era como já se conhecessem, como estando falando as mesmas coisas, a mesma linguagem. Estamos no mesmo Espírito.
Mas se você se encontra com alguém, e ele diz: 'Eh, irmão, mas as irmãs aí usam a saia até aqui...'. Ou: 'Não puseram gravata para pregar'. Bom, que passem outros meses na pedreira, até que não mais se incomode que os irmãos não usem gravata. "...acabadas, de tal maneira...". Ou seja, de tal maneira já estavam acabadas, "...que quando as edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem nenhum outro instrumento de ferro". Era tudo tão suave, tão agradável.
"Lavrou, pois, a casa - Lavrou, isso é à custa de golpes, não? - e a terminou; e a cobriu com artesanatos de cedro". Coberta de cedro; a cruz de cedro a cobria. Depois punha ouro, e no ouro punham palmeiras. De todas as maneiras, as pedras não eram vistas. Cada irmão por trás da cruz, negando-se a si mesmo, não fazendo as coisas por si mesmo. Caso contrário, retorna para a pedreira.
"Edificou deste modo o aposento ao redor de toda a casa, da altura de cinco côvados - Graça. Cinco côvados, tudo é graça - o qual se apoiava na casa com madeiras de cedro". Mas, como se apoiava na casa? Naquelas pilastras de reforço, naquelas colunas.
O objetivo é a Presença
No verso 11, diz: "E veio a palavra do Senhor a Salomão dizendo: Com relação a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos e executares os meus decretos, e guardar todos os meus mandamentos andando neles, eu cumprirei contigo a minha palavra que falei com Davi seu pai; e habitarei nela...".
O objetivo da casa é a presença. O que caracterizou os grandes avivamentos é a presença do Senhor. Edifica-se o tabernáculo para que a nuvem o encha; edifica-se a casa para que a nuvem a encha. Deus quer um lugar na terra para poder manifestar a sua presença. A terra está cheia da sua glória, mas não lhe conhecem. Ele quer que seja cheia do conhecimento da sua glória. E a glória de Deus quer encher a igreja. Para isso se edifica a casa: para a glória, para a presença.
"...e não deixarei o meu povo de Israel. Assim Salomão edificou a casa e a terminou".
(Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).