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PANORAMA DAS SETE IGREJAS
PANORAMA DAS SETE IGREJAS
“O mistério das sete estrelas que viste em minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros que viste, são as sete igrejas”. Apocalipse 1:20.
Tempo de arrependimento
Vamos continuar estudando o Livro do Apocalipse. Hoje vamos ver só de forma panorâmica os capítulos 2 e 3, sem entrar de forma detalhada neles. No capítulo 1:19, o Senhor apresenta o livro de Apocalipse em três etapas João, o apóstolo. Diz: “Escreve as coisas que viste, e as que são, e as que têm de ser depois destas”. As coisas que viste, referem-se à visão do Cristo glorificado com tudo o que isso revela e que era que o que acaba de ver o apóstolo Juan. As coisas que são, como o diz o mesmo Senhor no verso 20: “As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros que viste, são as sete igrejas”; então as coisas que são, é o que corresponde aos sete anjos das sete igrejas e às sete igrejas; ou seja, as sete estrelas e os sete candeeiros. O mistério das sete estrelas na destra do Filho do Homem e dos sete candeeiros de ouro é as coisas que são. Depois diz: “As coisas que têm de ser depois destas”. Então no capítulo 4, diz: “Depois disto olhei”; aí corresponde às coisas que têm de ser depois. As coisas que viste, são, pois, de essência cristológica; as coisas que são, o que é agora, são de essência eclesiológica; e as coisas que têm de ser depois destas, são de essência escatológica. De maneira que nos capítulos 2 e 3 de Apocalipses, temos as coisas que são. Temos a vida e prova da Igreja no mundo, antes da vinda do Senhor e para a vinda do Senhor. Nestes dois capítulos, Deus nos mostra a vitória da Igreja, o discernimento que o Senhor tem dos problemas da Igreja; aí estão as advertências do Senhor à Igreja e o apelo ao arrependimento; é tempo de arrependimento. As coisas que são, são tempo de arrependimento. Essa palavra de arrepender-se aparece em todo o capítulo 2 e no capítulo 3; somente às igrejas em Esmirna e em Filadélfia, é que o Senhor não faz nenhuma repreensão, não lhes pede que se arrependam; mas o chamado de arrependimento do Senhor às igrejas durante toda a história da Igreja é constante. Nas coisas que são há uma demanda do Senhor permanente, que é arrependimento. Irmãos, estas são palavras diretas do Senhor Jesus às igrejas, palavras do Espírito às igrejas; e temos muito que aprender destes dois capítulos.
O aspecto de arrepender-se quero que vocês o vejam comigo, por exemplo, no capítulo 2, quando Ele fala à igreja em Éfeso, no verso 5, diz: “Recorda, por tanto, de onde caíste, e arrepende-te, e faz as primeiras obras”. Vemos um chamado ao arrependimento feito à igreja em Éfeso, tanto no histórico como no profético, representando um período específico da história eclesiástica. Como falei a Esmirna o Senhor não faz reprovação em nada, então não lhe pede para arrepender-se; pelo contrário, como a igreja está em perseguição o Senhor a anima a ser fiel até a morte. Na carta a Pérgamo, em 2:16, depois de ter-lhe dito o que o Senhor tem na contramão da igreja em Pérgamo, diz-lhe: “Por tanto, arrepende-te, pois se não, virei a ti, cedo, e brigarei contra eles com a espada de minha boca”. O Senhor segue chamando ao arrependimento; ou seja, é tempo de arrependimento. Desde a história da Igreja é tempo de arrependimento. Na mensagem a Tiatira, vocês podem ver o mesmo, depois de falar de Jezabel, etc., diz em 2:21: “E lhe dei tempo para que se arrependa, (para que deu tempo? Para que se arrependa) mas não quer arrepender-se de sua fornicação. Tenho aqui, eu a lanço em cama, e em grande tribulação aos que com ela adulteram, se não se arrependem das obras dela”. Aqui estamos vendo ao Senhor fazendo questão de o arrependimento.
No capítulo 3, quando Ele fala a Sardes, também diz: “Lembrar-te, pois, do que tens recebido e ouvido; e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei sobre ti como ladrão, e não saberás a que hora virei sobre ti”; ou seja, recorda o que tens recebido e ouvido; e guarda-o e arrepende-te. A Filadélfia o Senhor não faz reprovação, portanto, também não lhe pede que se arrependa. Mas a Laodicéia, que é a última destas sete igrejas e que representa a igreja moderna, o Senhor lhe diz no versículo 19: “Eu repreendo e castigo a todos os que amo; sê, pois, zeloso, e arrepende-te”; ou seja que a mensagem do apelo ao arrependimento da parte do Senhor é do inicio ao fim de toda a história da igreja.
Credenciais do Senhor
O Senhor com estes dois capítulos está retratando os problemas típicos da Igreja, seus pecados, suas quedas, e o Senhor lhe chama ao arrependimento e lhe dá a solução; também o Senhor, segundo o problema, apresenta-se à igreja com umas credenciais diferentes.
No capítulo 1, as coisas que viste: a visão do Cristo glorificado, se nos apresenta a visão integrada do Senhor Jesus; mas quando o Senhor começa a falar às igrejas, como as condições de cada igreja são diferentes, então o Senhor se apresenta a cada igreja, digamos, com um rosto diferente; não que Ele tenha muitas caras; o que quero dizer é que se o problema é X, Ele tem que se apresentar à igreja com uma porção de Seu ser para enfrentar essa situação. A situação em Esmirna era diferente à de Éfeso; então Ele se apresenta de maneira diferente, ainda que é o mesmo Senhor. A cada igreja Ele se apresenta de maneira diferente porque cada igreja representa uma situação diferente; então o Senhor tem as diferentes credenciais para tratar os problemas da igreja.
Éfeso.
Por exemplo, se vocês me acompanharem (hoje só estamos vendo de forma panorâmica), no capítulo 2, à igreja em Éfeso, que corria o perigo de que seu candeeiro fossa removido, o Senhor se apresenta a ela conforme à necessidade da igreja em Éfeso e lhe diz: “O que tem as sete estrelas em sua destra, o que anda no meio dos sete candeeiros de ouro, diz isto”; ou seja, o Senhor se apresenta como o que está entre os sete candeeiros, como o que vela para que cada candeeiro esteja em seu lugar; as estrelas estão em sua destra e Ele é o Sumo Sacerdote, e o Sumo Sacerdote tem o trabalho de manter os candeeiros em Seu templo. Éfeso tinha o problema de que o candeeiro podia ser tirado; por isso, é o Sumo Sacerdote o que tem que ter esses candeeiros adiante do Senhor; então, Ele fala a Éfeso o necessário e se apresenta nesse mesmo sentido, segundo sua necessidade.
Esmirna.
Ao contrário, igreja em Esmirna estava com outro problema; a igreja em Esmirna estava passando por perseguição, estava passando por pobreza, por tribulação, e ia passar ainda mais da que já estava passando; então o Senhor se lhe apresenta com outra credencial. Diz-lhe à igreja em Esmirna: “O primeiro e o último, o que esteve morto e viveu, diz isto”. Ele vai pedir à igreja em Esmirna que seja fiel até a morte, mas a igreja como vai ser fiel até a morte, sem a ajuda do Senhor? Então o Senhor se apresenta como o que esteve morto: Eu estive morto primeiro, eu não estou dizendo que vocês percorrerão um caminho pelo qual eu não tenha passado; eu passei pela morte e eu sei o que estou fazendo; Eu vivo pelos séculos dos séculos; Eu sou não só o primeiro, sou também o último; mataram-me, mas fixem-se em que venci a morte; portanto, tenho autoridade para encorajar-te a que também sejas fiel até a morte, e eu, o que vivo, o que venci a morte, te darei a coroa da vida e não sofrerás dano da segunda morte; não te preocupes com a primeira morte; a segunda é a perigosa.
Pérgamo.
O caso de Pérgamo era diferente; em Pérgamo tinha uma mistura do puro com o impuro: estavam os nicolaítas, estava a doutrina de Balaão, e o Senhor se lhe apresenta como o que tem a espada de dois fios. Se dão conta? A situação de Pérgamo requeria que o Senhor se apresentasse de uma maneira diferente da forma como se apresentou a Esmirna. O Senhor a Pérgamo, que estava misturado, Pérgamo: muito casado com o mundo; o Senhor tinha que se apresentar como aquele que separa o santo do profano, o puro do vil, o celestial do terrenal, o carnal do espiritual; o que tem a espada de dois fios, porque o caso de Pérgamo era de mistura.
Tiatira.
No caso de Tiatira estava nada menos que Jezabel sendo tolerada pela igreja e ensinando a fornicação e ensinando a idolatria, e eles a estavam tolerando; então o Senhor não a tolera e se apresenta como o Filho de Deus que tem olhos como chama de fogo; ou seja que penetra até o fundo para julgar o pecado da igreja.
Sardes.
Em Sardes, o que acontecia com Sardes era que tinha a tendência a deixar perder as coisas. O Senhor diz a Sardes: “não achei tuas obras perfeitas, que guarde as coisas que estão para morrer”; então a necessidade de Sardes é diferente e o Senhor se apresenta a Sardes como: “O que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas”; o Senhor representa a plenitude como remédio a sua situação de parcialidade, de perda, de nominalismo; Sardes tem nome de que vive mas não tem realmente vida; ou seja, que aparece a resposta para a condição de Sardes.
Filadélfia.
A Filadélfia, que é a quem o Senhor não lhe reprova nada e vai abrir uma porta, então se apresenta como: “o que tem a chave de Davi, o que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre”.
Laodicéia.
Agora, a igreja de Laodicéia, que é a igreja do tempo do fim, é a igreja morna, então o Senhor se lhe apresenta como o Amém, como o último, como o que si cumpre e se apresenta como: “a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”. Vemos, pois, que cada manifestação do Senhor, cada cara que o Senhor apresenta à igreja, corresponde-se com a necessidade da igreja.
Dois grandes grupos de igrejas
Outra coisa que devemos ver neste panorâmica, é as duas maneiras como estão agrupadas as igrejas aqui; ainda que no século XII, o arcebispo de Cantorbery Robert Landon dividiu a Bíblia em capítulos, e um século depois outro arcebispo, sucessor dele em Cantorbery a dividiu em versículos, originalmente quando a Bíblia foi escrita não tinha nem versículos nem capítulos; claro que são úteis porque rapidamente alguém encontra as coisas; mas as vezes as separações, nem sempre coincidem com as separações intrínsecas da Palavra. Aqui por exemplo, no capítulo 2, agruparam quatro igrejas, e no capítulo 3, agruparam três igrejas. No 2 agruparam: Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira, e no 3 agruparam: Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Agora, se vocês fizerem um estudo detido e minucioso, irão dar-se conta de que o agrupamento mais correta seria: no capítulo 2 somente Éfeso, Esmirna e Pérgamo; e no capítulo 3: Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, pelo seguinte: Fixem-se em como as três igrejas primeiras têm umas características, e as quatro igrejas finais têm outras características. O Senhor se dirige de maneira diferente às três primeiras e às quatro últimas, e vamos ver essa diferença na maneira como o Senhor lhes fala. Fixem-se comigo em como Ele fala às três primeiras. No capítulo 2, no versículo 7, o mesmo no versículo 11 e o mesmo no versículo 17, o Senhor coloca algo primeiro e algo depois, mas depois muda o ordem nas outras quatro igrejas; isso tem sentido. Então fixem-se em como Ele fala às três primeiras; em 2:7 diz: “O que tem ouvido, (Ele diz à igreja) ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Depois diz: “Ao que vencer, lhe darei a comer da árvore da vida, o qual está no meio do paraíso de Deus”. Esta mesma ordem, primeiro: “o que tem ouvido, ouça” e segundo: “ao que vencer”, aparece nas três primeiras igrejas. A Esmirna Ele diz no verso 11: “O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” E depois diz: “O que vencer, não sofrerá dano da segunda morte”. A mesma ordem aparece na terceira igreja, em Pérgamo, no versículo 17: “O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. E depois diz: “Ao que vencer, darei a comer do maná escondido, e lhe darei uma pedrinha branca, e na pedrinha estará escrito um nome novo, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”.
Desta maneira, chamando primeiro aos que têm ouvido para ouvir e depois prometendo recompensa aos vencedores, nesse ordem, fala-lhe o Senhor a estas três primeiras igrejas: A Éfeso, Esmirna e Pérgamo. Mas fixem-se em que a partir de Tiatira e seguindo com Sardes, Filadélfia e Laodicéia, o Senhor muda o ordem, o Espírito Santo muda o ordem. A Tiatira, Ele diz no capítulo 2, versículo 26, e começa dizendo primeiro o Senhor: “Ao que vencer e guardar minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e as regerá com vara de ferro, e serão quebradas como vaso do oleiro, como eu também a recebi de meu Pai; e lhe darei a estrela da manhã. O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Agora, a partir de Tiatira, primeiro o Senhor menciona o galardão aos vencedores e depois faz o apelo aos que têm ouvido para ouvir. O mesmo em Sardes nos versículos 5 e 6 do capítulo 3; diz: “O que vencer (e se fala primeiro do que vencer) será vestido de vestimentas brancas; e não apagarei seu nome do livro da vida, e confessarei seu nome adiante de meu Pai, e adiante de seus anjos. O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Primeiro mencionou agora ao que vencer. O mesmo em Filadélfia, no capítulo 3, versículos 12 e 13: “Ao que vencer, eu o farei coluna no templo de meu Deus, e nunca mais sairá de ali; e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, a qual desce do céu, vinda da parte de meu Deus, e meu novo nome . O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. O mesmo sucede na mensagem a Laodicéia, no versículo 21 do capítulo 3: “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em meu trono, bem como eu venci, e me sentei com meu Pai em seu trono. O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Vemos, pois, que nas três primeiras igrejas, o Senhor fala primeiro às igrejas e depois aos vencedores; mas nas quatro últimas igrejas, o Senhor fala primeiro aos vencedores e depois às igrejas; isso é muito interessante, porque às quatro últimas igrejas desde Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, não somente se fala primeiro aos vencedores, senão que a estas igrejas se lhes menciona a vinda de Cristo; ou seja que estas quatro igrejas, as condições reveladas nestas quatro igrejas, vão ser encontradas desta forma quando da Sua vinda; por isso o Senhor chama primeiro aos vencedores a vencer essas condições. Fixem-se em que no primeiro capítulo, quando o Senhor fala a Éfeso, não menciona de maneira clara a segunda vinda do Senhor, ainda que o versículo 5 si diz: “pois se não, virei cedo a ti, e tirarei o teu candeeiro de seu lugar, se não tiveres arrependido”, mas esse virei cedo a ti, e tirarei teu candeeiro, deve referir-se não precisamente à vinda do Senhor, senão ao juízo do Senhor a uma igreja local que não se arrependeu dos pecados que o Senhor lhe mostrou; então o Senhor removerá seu candeeiro; ou seja que não necessariamente ali se refere à vinda do Senhor; depois se você vê a mensagem a Esmirna ali não se menciona a segunda vinda do Senhor; se vê a mensagem a Pérgamo, aí sim no versículo 16, diz: “virei a ti cedo, e brigarei contra eles com a espada de minha boca”; claro que na segunda vinda de Cristo, Ele virá com a espada de sua boca; mas aqui no contexto de Pérgamo, é a visita ao pecado da igreja, no tempo da igreja; como também a Tiatira lhe diz: dei-lhe tempo a Jezabel que se arrependa; não quer arrepender-se, tenho aqui a arrojo em cama e aos que com ela adulteram; a seus filhos ferirei de morte; essa é uma visitação anterior à segunda vinda de Cristo. A Tiatira sim, Ele diz as coisas de uma maneira mais séria. Depois lhe diz no versículo 25: “mas o que tendes, retende-o até que eu venha”. Ou seja que aqueles vencedores da condição caída de Tiatira, da que o Senhor diz: aos que estão entre vocês que não têm essa doutrina dos caídos de Tiatira, não lhes porei outro ônus; então lhes diz o Senhor que retenham isso até que o Senhor venha; ou seja que terá vencedores da condição de Tiatira que estarão até a vinda do Senhor; de maneira que o que representa Tiatira na história da igreja é a condição católico romana; depois estaremos vendo com mais detalhes os versos; vai durar assim até a vinda do Senhor, mas o Senhor vai ter alguns vencedores aqui. Depois na mensagem a Sardes, também o Senhor menciona a segunda vinda de Cristo já com propriedade e diz no verso 3, do capítulo 3: “Lembrar-te, pois, do que recebeste e ouvistes; e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não velares, virei sobre ti como ladrão, e não saberás que hora virei sobre ti”; ou seja que desta igreja de Sardes, que no profético representa ao protestantismo, posterior ao catolicismo, muitos estarão nessa condição; serão surpresos nessa condição quando o Senhor vier, porque o Senhor fala à igreja de Sardes que representa o protestantismo dizendo-lhe: “virei sobre ti como ladrão”; ou seja que o Senhor menciona a segunda vinda de Cristo a Sardes. Menciona-lhe a segunda vinda de Cristo a Tiatira; quer dizer que terá situações de cristianismo representadas por Tiatira quando o Senhor vier, nessa condição; ou mesmo pessoas representadas na condição de Sardes serão encontradas nessa condição quando o Senhor vier. Agora o mesmo diz a Filadélfia, no capítulo 3, diz o verso 11: “Tenho aqui, eu venho cedo; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa”; ou seja que aqueles irmãos que estão na condição representada por Filadélfia, o Senhor quer que continuem assim, retendo o que têm; a Filadélfia o Senhor não lhe reprova nada, até que o Senhor vinha: “Tenho aqui, eu venho cedo; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa”. No caso de Laodicéia, que é a última, o Senhor menciona sua vinda, quando lhe diz no verso 20: “Tenho aqui, eu estou à porta e chamo”; entenda que estar à porta não é só agora na vida privada, senão também à porta da vinda do Senhor. Então, as quatro últimas igrejas, pela palavra do Senhor nos mostram que serão encontrados cristãos nestas diferentes condições: cristãos no estado de Tiatira, o que representa a igreja em Tiatira, cristãos no estado que representa a igreja em Sardes, cristãos no estado que representa a igreja em Filadélfia e cristãos no estado que representa a igreja em Laodicéia.
Um chamado aos vencedores
Nas primeiras três igrejas, o Senhor primeiramente fala à igreja em geral e depois fala aos vencedores; representa aqueles períodos antigos da história da Igreja. Éfeso representando aquele período imediatamente subseqüente ao período apostólico, Esmirna representando o período das perseguições, Pérgamo representando aquele período desde Constantino em adiante, da igreja misturada já com o mundo. Depois Tiatira representando o estado já católico romano, absolutista, desde a época daqueles Papas como Julio II, Inocencio III, Nicolás I, mas no caso da igreja católica terá cristãos nesse estado quando o Senhor vier, mas o Senhor chama a vencer nesse estado; o que o Senhor repreende da condição de Tiatira, deve ser vencido por alguns; depois o mesmo sucede quando depois do período católico, vem a Reforma representada por Sardes; o Senhor também diz que virá como ladrão; ou seja que terá pessoas vivendo o protestantismo, alguns vivendo a situação que o Senhor repreende a Sardes; então serão surpresos; isto é, o Senhor espera que as pessoas que estão no catolicismo sejam vencedoras para receber ao Senhor, os que estão no protestantismo sejam vencedores, os que superaram o período protestante e entraram em Filadélfia, que quer dizer o amor fraternal, a ação da unidade do corpo de Cristo, cristocêntrica, baseada na Palavra, que guardou Seu nome, cristocêntrica, Sua palavra e a paciência, representa uma etapa superior ao protestantismo; o Senhor a ela não lhe pede que se arrependa, senão que retenha o que tem, que mantenha sua fidelidade porque Ele vem cedo; ou seja que muitos irmãos estarão nesta condição quando o Senhor vier. Isto é, que a cristandade vai ser surpreendida em muitas condições: na condição de Tiatira: catolicismo romano; a condição de Sardes: protestantismo; a condição de Filadélfia: a visão do corpo de Cristo; e a condição caída de Laodicéia que quer dizer: os direitos humanos, o laicismo, a teologia da prosperidade; muitos serão achados nessa condição sem vencer. O Senhor chama todos a vencer.
As recompensas e os vencedores
Da mesma maneira como as condições são diferentes e se têm que vencer às condições, então, segundo as mesmas condições a vencer, são também as recompensas; por isso o Senhor não se apresenta a todas as igrejas da mesma maneira, ainda que é o mesmo Senhor, senão que a cada uma se apresenta segundo o que precisa essa igreja; mas também a cada um o Senhor lhe oferece uma recompensa que se corresponde com o que tem que vencer a igreja. Por exemplo, se vocês vêem a recompensa a Éfeso, qual era o problema mais grave de Éfeso? Que tinha perdido o primeiro amor, isto é, tinha obras, esforços, mas já não estava na comunhão íntima com o Senhor, já não estava no fluir da vida no Espírito; então o que o Senhor diz aos que vencerem? Te darei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus. Em outra situação, qual era o problema que tinha a igreja em Esmirna? A igreja em Esmirna estava em perseguições, estava sofrendo, estava em pobreza, estava em aflição; então a recompensa tem que ver justamente com isso; eles vão morrer a primeira morte; o diabo vai matar a alguns de vocês, mas o Senhor lhes diz: ao que vencer não sofrerá dano da segunda morte. Vemos que a recompensa se corresponde com o que eles tiveram que vencer; eles tiveram que vencer o temor à morte, tiveram que passar pela perseguição e pela morte mesma, pelo martírio, então a recompensa deles é que não sofrerão dano da segunda morte. Muitos passarão pela primeira e depois pela segunda, mas os que venceram e puseram suas vidas à morte pelo Senhor não sofrerão dano da segunda morte, que é a que separa do Senhor. No caso da igreja em Pérgamo que era uma igreja misturada, a qual o Senhor se apresentou como o que tinha a espada de dois fios, o Senhor a esta igreja oferece outra recompensa; diz ali: “Ao que vencer, darei a comer do maná escondido”; o que é escondido é o que é reservado, do qual não podem comer todos; somente quem está separado pode comer do escondido; os que estão misturados não podem comer do escondido. Segundo, diz que lhe daria uma pedrinha branca e nela um nome escrito que ninguém conhece. Quando a igreja se misturou com a política, a política da época tinha o costume de votar por bolas que eram pedrinhas brancas, justamente; mas aqueles que forem vencedores dessa condição de mistura, o Senhor vota por eles. Se dão conta? Lhe darei uma branca, lhe darei meu voto; te escolherei a ti, és um vencedor, então teu nome estará ali. Depois entraremos em mais detalhes, hoje somente estamos vendo de forma panorâmica. No caso de Tiatira, vocês vêem qual era a condição terrível de Tiatira; então era o período nada menos que do absolutismo papal quando os papas coroavam os imperadores, e se os imperadores não se submetiam ao Papa, então os Papas liberavam aos súbditos da obediência ao imperador, e por isso todos tinham que se submeter; e esse era o tempo desse governo, essa mulher dominante, Jezabel, que ensinava a idolatria, ensinava a fornicação espiritual, como a grande prostituta que fornica com os reis da terra. Ao que vencer isto, o Senhor lhe diz o seguinte: “Eu lhe darei autoridade sobre as nações”, porque lá nessa época todos queriam estar-se condoendo com o conde tal, com o príncipe tal; foi a época não só do feudalismo dos reis, duques e arquiduques, senão dos bispos e arcebispos; mas aos que vencerem isso, o Senhor sim, lhes dará verdadeira autoridade no milênio para reinar sobre as nações, “e as regerá com vara de ferro, .... e lhe darei a estrela da manhã”, que é o Senhor mesmo; Ele é a estrela da manhã. No caso de Sardes, que estava como perdendo o que tinha recebido o Senhor lhe diz: “O que vencer será vestido de vestimentas brancas; e não apagarei seu nome do livro da vida”. Sobre isto vamos ter todo um ensino longo porque isto precisa muito cuidado; e diz: “Será vestido de vestimentas brancas; e não apagarei seu nome do livro da vida, e confessarei seu nome adiante de meu Pai”. Fixem-se no que o Senhor reprova em Sardes: é que tem nome de que vive, mas está morto; isto é, tem nome que não é; Se vencer, o Senhor vai dar o nome que sim é verdadeiro, e vai-o vestir de vestimentas brancas, mostrando que realmente está separado e vive para Deus, e que não deixou perder o que o Senhor reprova que perderam. Agora vejamos o caso da igreja em Filadélfia. Filadélfia quer dizer amor fraternal, que é a comunhão do corpo de Cristo. Filadélfia é cristocêntrica e bíblica, e com paciência; então os outros, os que tinham menosprezado a estes, dizendo: nós somos judeus, nós temos algo que vocês não têm; a sinagoga de Satanás que diziam ser judeus e não o eram, que tinham pretensões quanto a eles, menosprezando-os, o Senhor diz que fará que aqueles venham e reconheçam aos que tinham menosprezado; e a estes que realmente viveram a realidade do corpo de Cristo, os fará coluna no templo do Deus vivo e nunca sairão dali; e porá sobre ele, o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém; ou seja, os reconhecerá como a esposa do Cordeiro. Por isso é muito importante realmente, irmãos, entender isto de Filadélfia; porque a igreja em Esmirna, a das perseguições daquela época dos césares, já passou; o Senhor não lhe reprovou nada, mas também não lhes abriu uma porta. À única igreja à qual o Senhor não reprova nada e o Senhor lhe abre a porta, é a Filadélfia; ou seja que o Senhor no contexto de todos estes capítulos está mostrando o que Ele não quer que seja a igreja e o que Ele sim quer que seja a igreja; o que Ele aprova; é como o sacerdote colocando azeite no candeeiro, nos lustres; e o que Ele reprova, é como o sacerdote com a espevitadeira tirando as partes secas do estopim para que não fumegue, nem enfumace o ambiente, verdade? Então a Laodicéia, que representa as pessoas da última época, que é quiçá a igreja mais acusada, onde o Senhor diz que aos mornos, que não se arrependerem, os vomitaria de sua boca; o que vencer a condição de Laodicéia tem uma recompensa altíssima; diz: “Ao que vencer, se sentará comigo em meu trono, bem como eu venci e me sentei com meu Pai em seu trono”; isto é, vencer a indiferença, vencer essa vida somente de comodidades e de dizeres, mas sem realidade espiritual, vencer isso, tem uma recompensa altíssima; o Senhor oferece a recompensa segundo a condição que os vencedores vençam. Cada época tem suas coisas más que têm que ser vencidas pela igreja em nome de Cristo.
Jesus Cristo é o vencedor
Cristo é a vitória sobre todos os problemas do diabo, sobre todos os problemas do mundo; e a luta do diabo e do mundo contra a Igreja se dá na história da Igreja; e Cristo é o que tem as credenciais para vencer qualquer situação da Igreja no mundo; portanto, o Senhor deixou espaço para que a Igreja viva Sua vida, defronte ao mundo e ao príncipe deste mundo em todas as situações, mas Cristo é a resposta e Cristo é a suficiência da Igreja para vencer qualquer situação. Cada época tem seu espírito, cada época tem seus males e Cristo venceu ao mundo e o demonstra através dos vencedores da igreja em todas as época. Uns vencedores foram escolhidos para mostrar a vitória de Cristo numas condições; depois o Senhor permitiu que o diabo mudasse as condições. Primeiro, as condições foram de perseguição e o diabo quis demonstrar que iria vencer ao Senhor e trouxe perseguição, como ele falou a respeito de Jó: “Deixa-me que toque sua carne e vais ver como blasfema adiante de Ti”; e assim mesmo o diabo pediu permissão, porque não vai poder tocar à igreja em Esmirna sem permissão, para tentar demonstrar a Deus que com perseguição não há igreja; e o Senhor, que é o vencedor, que esteve morto e viveu, concedeu vida aos vencedores, para vencer ao diabo. O diabo disse: como com perseguição não funcionou bem a coisa, então agora vou tentar com a política, vou-lhes dar os templos dos pagãos, agora vão ser encarregados da tesouraria do Estado, vão ser os juízes e os provou por outro lado, pelo lado de Pérgamo e de Tiatira; então o Senhor que é também o vencedor, que se apresentou com essa credencial específica para essa necessidade específica, demonstrou Sua vitória sobre esse outro aspecto contra o diabo e o mundo através dos vencedores dessa época.
Comodidade ou revolução
Mas o diabo cada vez sai com coisas novas e Deus deixa que venha com esse conto à igreja, e a igreja têm que vencer o diabo com todos os seus contos. A igreja passou por muitas situações. Agora a igreja dos tempos finais, a que vive em outras condições, agora o diabo deu prosperidade a muitos e revolução a outros: Laodicéia. Laodicéia são os direitos humanos, os direitos do povo, dos laicos (política separada de Deus); por um lado é revolução e por outro lado é prosperidade; somos ricos, enriquecidos e não temos necessidade de nada. A gente vive pensando na comodidade ou na revolução; e essa condição também tem que ser vencida pela igreja. O Senhor é o Amém, é a testemunha fiel; o Senhor não se tende para a esquerda nem para a direita. O Senhor venceu ao mundo, e diz à Sua igreja: “Confiai em mim, eu venci ao mundo”. João diz: “e esta é a vitória que vence ao mundo, nossa fé”; e essa vitória de Cristo sobre o mundo e da igreja em Cristo sobre o mundo, é demonstrada pelos vencedores em todo esse leque de situações mundiais com que o diabo resiste a Deus e à Igreja. O Senhor deixa ao diabo fazer das suas. O que vencer. Então, irmãos, devemos entender com respeito a nossa época que também a nós nos correspondeu, em união com a vida de Cristo todo suficiente, vencer as condições que o diabo nos pôs nesta época. Hoje não estamos na época da igreja primitiva, na época da Reforma, na época medieval; hoje estamos nestes últimos tempos, nessa igreja bem como a de Laodicéia e temos que vencer, temos que entender a que somos chamados a vencer. Uns foram postos por Deus para vencer uns aspectos, outros, outros; outros, outros; uns tiveram que vencer o temor à morte, ao martírio, mas outros têm que vencer a prosperidade, a comodidade que leva à indiferença. São coisas diferentes; tudo é a riqueza de Cristo, que Sua plenitude se expresse no corpo de Cristo, e o Corpo de Cristo está representado nestes sete candeeiros; mas estes sete candeeiros têm ao Filho do Homem entre eles; portanto, é a riqueza do Filho do Homem no corpo de Cristo em toda classe de situações tidas e por vir que o diabo possam trazer. O Senhor deixa que o diabo faça sua proposta, deixa-lhe que tente a Jó, dá-lhe permissão para que tentar a Pedro. Simão, Satanás te pediu para joeirar; e o Senhor diz: é necessário que através de muitas tribulações entremos no reino. As vezes as provas vêm por onde um não se imagina; está alguém preparado para estas e lhe vêm por outro lado, e o Senhor quer à Igreja preparada em tudo para vencer qualquer condição, qualquer situação. O Senhor é suficiente; Ele tem todas as credenciais para isso, para aquilo, para o outro, e então nós, em união com Cristo, devemos vencer tudo para receber os galardões que Ele tem; Ele é o melhor galardão, a estrela da manhã é um galardão; estar com Ele sentado perto dele em seu trono é um grande galardão; não tanto coisas exteriores que também são adicionadas. O importante é o Senhor mesmo, a plenitude de Deus, poder ser um com Ele, poder ser como Ele, poder representá-lo fielmente; mas para isso, para sermos capacitados para isso, temos que passar por todos estes fornos.Digamos que cada uma destas etapas é como um forno; aqui somos provados nesta situação, ali em outra, ali em outra; são sete situações, representando a plenitude das situações que o diabo puder apresentar. A igreja tem que vencer; então, mediante Deus, entraremos uma por uma às sete igrejas, mas era importante antes ver esta panorâmica das igrejas. -
A MENSAGEM À IGREJA EM EFESO
A MENSAGEM À IGREJA EM ÉFESO
"Escreve ao anjo da igreja em Éfeso: O que tem as sete estrelas em sua destra, o que anda no meio dos sete candeeiros de ouro, diz isto". Apocalipse 2:1.
No meio dos sete candeeiros
Irmãos, vamos à palavra do Senhor, ao Livro do Apocalipse. Vamos iniciar o capítulo 2 com a mensagem à igreja em Éfeso. Esta é a segunda carta que é dirigida aos Efesios; a primeira pelo apóstolo Paulo e esta segunda do Senhor Jesus, por mão do apóstolo João. Vamos ler inicialmente toda a carta aos Efesios, à igreja em Éfeso de Apocalipse capítulo 2, desde os versículos 1 ao 7; e depois, então, mediante o Senhor, voltaremos sobre nossos passos; mas para ter a visão completa, leiamos toda a carta:
"Escreve ao anjo da igreja em Éfeso: O que tem as sete estrelas em sua destra, o que anda no meio dos sete candeeiros de ouro, diz isto: Eu conheço tuas obras, e teu árduo trabalho e paciência; e que não podes suportar aos maus, e provaste aos que se dizem ser apóstolos, e não o são, e os achaste mentirosos; e sofreste, e tiveste paciência, e trabalhaste arduamente por amor de meu nome, e não desmaiaste. Mas tenho contra ti, que deixaste teu primeiro amor. Recorda, por tanto, de onde caíste e arrepende-te, e faz as primeiras obras; pois se não, virei cedo a ti, e tirarei teu candeeiro de seu lugar, se não te tiveres arrependido. Mas tens isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, darei a comer da árvore da vida, o qual está no meio do paraíso de Deus".
Que palavra formosa. Que palavra bela! Não é verdade, irmãos? É muito belo que o Senhor fale e que o Senhor fale com amor e que o Senhor fale porque Ele quer ter-nos próximo Dele; parecesse que fala com ciúme, com santo ciúme; Ele nos quer cerca Dele, Ele não é indiferente a nossa distancia, Ele sente nossa distância e quer se aproximar de nós; por isso Ele nos fala, Ele nos fala com muita retidão, Ele quer que falemos uns com os outros. Ele diz: se teu irmão pecar contra ti, vá tu e ele só, repreende a teu irmão, e se te ouvir ganhaste a teu irmão; se não te ouvir, toma duas ou três testemunhas, etc. Fixem-se em que o Senhor quer que falemos, Ele não quer que as coisas se deixem estar, que os males continuem que sejamos indiferentes aos males, não; Ele é o Sumo Sacerdote que se apresenta no meio dos candeeiros, porque um dos trabalhos dos sacerdotes era manter acesos esses candeeiros adiante de Deus, e aquilo era uma figura do trabalho de nosso Senhor Jesus Cristo, de seu trabalho sacerdotal; e Ele se apresenta aqui como o que está em meio. A primeira apresentação dele, tanto na visão gloriosa, quando se apresentou de uma forma geral podemos ver muitos detalhes, o primeiro que aparece dele é: e voltado vi sete candeeiros de ouro e no meio dos sete candeeiros, um semelhante ao Filho do Homem, vestido de uma roupa que chegava até os pés e cingido pelo peito com um cinto de ouro. A primeira coisa que se revelou na visão do Cristo glorificado foi Sua posição de sacerdote no meio das igrejas; e a primeira credencial que Ele apresenta quando vai falar à igreja em Éfeso e às igrejas pelo Espírito é isso: o que tem as sete estrelas em sua destra, o que anda no meio dos sete candeeiros de ouro; ou seja, como quem diz: eu me movo entre as igrejas, eu conheço tudo o que se passa nas igrejas, eu tenho a responsabilidade de que cada uma das igrejas seja um candeeiro limpo, que esteja alumiando diante de meu Pai, diante de Deus; então por isso o Senhor fala e não só fala, porque às vezes o que se fala se esquece, mas Ele diz: escreve; porque o Senhor não só quer falar a eles, senão que quer falar a todos nós; ao falar à igreja em Éfeso, quer falar a todas as igrejas de todos os lugares e de todas as épocas; por isso a ordem do céu: escreve. Depois diz: "Escreve ao anjo da igreja em Éfeso". Quando escreve ao anjo, claro que escreve a toda a igreja, mas aqui está representando o espírito da igreja, a autoridade espiritual da igreja; então por isso primeiro se dirige ao anjo da igreja, mas obviamente, pelo que diz mais abaixo, diz: "ouça o que o Espírito diz às igrejas", ainda que ao princípio diga: "Escreve ao anjo da igreja", fala às igrejas; então a primeira credencial com que Ele se apresenta especificamente neste caso de Éfeso, que é a primeira igreja, Ele se apresenta como o que tem as sete estrelas em sua destra, o que anda no meio dos sete candeeiros de ouro, diz isto. Éfeso é a primeira igreja à qual o Senhor se apresenta.
A importância de Éfeso
Na história da Igreja, o Espírito Santo começou a mover-se em Jerusalém, como estava prometido; de Jerusalém sairá a palavra de Jeová; e o Espírito Santo desceu inicialmente em Jerusalém. Depois vemos que passado um tempo, quando o Espírito Santo começou a trabalhar com os gentios, levantou o Senhor outro centro da obra que foi em Antioquia; vemos que Antioquía é o início do trabalho para com os gentios de uma maneira mais profunda; claro que já em Cesarea de Felipe, na casa de Cornélio, o Espírito Santo tinha iniciado com Pedro, a quem deu as chaves para abrir o reino; então Ele iniciou com os gentios em casa de Cornélio, mas é desde Antioquía, onde o ministério de Paulo, que é o apóstolo específico para os gentios, onde começa a se desenvolver. Depois aparece a fundação da igreja de Éfeso; e com o tempo, passando o tempo, Éfeso chegou a ser o centro principal do cristianismo, avançada já a idade primitiva e apostólica da Igreja. Em Éfeso Paulo esteve três anos; depois Paulo em suas viagens deixou em Éfeso a Áquila e a Priscila; depois deixou a Timóteo; depois o apóstolo João foi enviado pelo Senhor Jesus a Éfeso e ele viveu em Éfeso; como o Senhor Jesus tinha encomendado Maria, a João, então João levou Maria a Éfeso. Até hoje há uma casa onde se diz que João viveu com Maria em Éfeso. Felipe, o que tinha quatro filhas que profetizavam, também viveu em Éfeso, e as tumbas deles estão em Éfeso. Éfeso chegou a ser como um centro da obra, nos finais do século I; Éfeso foi como dizer, a primeira das igrejas a ser mencionada, a que representa a igreja em seus primeiros tempos, em suas primeiras etapas; a igreja em Éfeso representa a igreja apostólica e a igreja que continuou depois dos apóstolos, imediatamente; isto é, a igreja do primeiro século principalmente ali está representada em Éfeso.
Es posible que tu navegador no permita visualizar esta imagen.Éfeso era uma cidade já bastante antiga, e é interessante conhecer um pouco a história da cidade, porque quando se funda uma cidade se abrem portas a certos espíritos, e quando se fundam igrejas, a igreja se funda num contexto específico para introduzir o reino de Deus nesse contexto específico onde outros espíritos tinham reinado, reinado que possuíam desde a fundação da cidade; e depois vem o Senhor a inaugurar Sua igreja, Seu reino, e a enfrentar os espíritos que há. Por isso não é importante conhecer um pouquinho da história da cidade de Éfeso.
Revisão histórica de Éfeso
A cidade de Éfeso foi fundada mais ou menos uns 1200 anos antes de Cristo.
Trata-se de um homem que se chamava Andrópulos, filho de um rei de Atenas que se chamava Probo; então este Andrópulos filho deste rei de Atenas fundou uma colônia de Jônios na cidade de Éfeso e aí começou a adoração de uma deusa chamada Artemisa, em grego, e que depois os romanos a chamaram Diana; o nome dela em grego era Artemisa e ela era o centro da vida religiosa dessa cidade; e vocês recordam o que aconteceu quando Paulo chegou a Éfeso, como se levantaram os plateros de Artemisa dirigidos por Demetrio, o líder dos artífices, porque foi uma guerra não só religiosa, senão também econômica, porque a religião derivava na economia, o negócio; sempre ao redor dos santuários estão os comércios relacionados com a religião; então isso foi assim durante muito tempo em Éfeso. Mais ou menos no século VI antes de Cristo, a cidade foi tomada pelos persas, depois foi tomada pelos árabes; a cidade foi tomada também por um rei de Pérgamo que depois a presenteou, não só a cidade de Éfeso, mas também a província de Lídia onde estava Éfeso, ele a presenteou ao imperador romano.
De modo, pois, que passou por muitas situações essa cidade de Éfeso e chegou a ser precisamente por tudo isso uma cidade que era considerada a cidade principal do Ásia Menor; ainda que o proconsul, digamos, as vezes a parte do governo estava em Pérgamo, realmente a cidade de Éfeso foi a cidade forte; era um porto, foi uma cidade comercial, foi uma cidade religiosa; toda Ásia dependia da religião dessa cidade, que era o centro religioso; de maneira que vocês percebam que o que fez o Senhor nessa cidade foi muito importante.
A igreja que está em sua casa
Paulo começou por aí; as igrejas têm a ordem dos ponteiros do relógio, isto é, começa por Éfeso; depois sobe a Esmirna, sobe a Pérgamo e vai passando para Tiatira e vai baixando depois para Sardes e segue baixando a Filadélfia e chega abaixo a Laodicéia; e para ir de Laodicéia a Éfeso se fecha outra vez o círculo; ou seja, era um círculo praticamente geográfico, claro, não exato, mas mais ou menos um círculo seguindo os ponteiros do relógio; tinham mais ou menos essa ordem; as igrejas não são mencionadas em desordem, senão numa ordem específica, fazendo um círculo começando por Éfeso. Vocês se lembram da fundação, como Paulo chegou e encontrou ali uns discípulos de João o Batista que criam, tinham sido batizados com o batismo de João; mas então Paulo lhes completa o evangelho e eles receberam ao Senhor e foram batizados no nome do Senhor; Paulo pôs sobre eles suas mãos e receberam o Espírito Santo e eram ao todo como uns doze homens e Paulo ficou três anos nessa cidade, e esta cidade foi a escola da obra de Paulo, que teve influência em toda a região do Ásia Menor, a partir de Éfeso. Mas como lhes disse, ficou ali Áquila e Priscila; vocês recordam isso numa carta. Essa carta é 1ª aos Corintios; ali podemos ver uns contextos necessários para o final da carta. A primeira carta aos Corintios foi escrita precisamente desde Éfeso; então diz Paulo no capítulo 16, verso 19:"As igrejas de Ásia vos saúdam. Áquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa"; ou seja, na casa de Áquila e Priscila foi onde começou a reunir-se a igreja em Éfeso; "Áquila e Priscila"; fixem-se em que ele escreve desde Éfeso, mas escreve a nome das igrejas de Ásia; aí se vê a relação que tinha toda a região entre si e o lugar preponderante de Éfeso. As igrejas de Ásia, estas são de Ásia Menor, o que hoje é Turquia: "As igrejas de Ásia vos saúdam. Áquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa, saúdam-vos muito no Senhor". Eu gostaria que fôssemos um pouquinho a Atos dos Apóstolos. A fundação da igreja está no capítulo 19 de Atos; Apolo chegou a Éfeso depois da chegada de Paulo. Vamos a Atos 18:18: "Mas Paulo, tendo-se detido ainda muitos dias ali, depois se despediu dos irmãos e navegou a Síria, e com ele Priscila e Áquila, tendo-se raspado a cabeça em Cencréa, porque tinha feito voto. E chegou a Éfeso, (aí está a chegada de Paulo a Éfeso) e os deixou ali; (a Priscila e a Áquila; na casa deles foi onde começou a igreja em Éfeso) e entrando na sinagoga, discutia com os judeus, os quais rogavam que ficasse com eles por mais tempo; mas não cedeu, senão que se despediu deles, dizendo: É necessário que em todo caso eu guarde em Jerusalém a festa que vem; mas outra vez voltarei a vocês, se Deus quer". E Deus quis, porque depois voltou e foi quando ficou três anos; ou seja, que Paulo chegou a Éfeso, começou a pregar o evangelho em Éfeso; ao chegar deixou a Áquila e a Priscila e ele viajou, e enquanto ele viajou chegou Apolo a Éfeso. Isso está em Atos 18:24 a 27: "Chegou então a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloqüente, poderoso nas Escrituras. Este tinha sido instruído no caminho do Senhor; e sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente concernente ao Senhor, ainda que somente conhecia o batismo de João. E começou a falar com intrepidez na sinagoga; mas quando o ouviram, Priscila e Áquila, tomaram-no a parte e lhe expuseram mais exatamente o caminho de Deus. E querendo ele passar a Acaia..."; aí foi quando Apolo passou a Acaia e chegou a Corinto; é o que diz esse verso. Agora o 19:1 a 9 diz: "Aconteceu que enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, depois de percorrer as regiões superiores, (ele tinha querido ir a Jerusalém, mas o Senhor lhe mudou a rota e o mandou para as regiões superiores, como o diz o versículo 22 do mesmo capítulo 18) veio a Éfeso, e achando a certos discípulos, lhes disse: Recebestes o Espírito Santo quando crestes? E eles lhe disseram: Nem sequer ouvimos se há Espírito Santo. Então disse: Em que, pois, fostes batizados? Eles disseram: No batismo de João. Disse Paulo: João batizou com batismo de arrependimento, dizendo ao povo que acreditassem Naquele que viria depois Dele, isto é, em Jesus, o Cristo. Quando ouviram isto, foram batizados no nome do Senhor Jesus. E tendo-lhes imposto Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam em línguas e profetizavam. Eram ao todo uns doze homens. E entrando Paulo na sinagoga, falou com ousadia por espaço de três meses, discutindo e persuadindo a respeito do reino de Deus. Mas endurecendo-se alguns...". Aí vem aquele assunto de Demetrio e Artemisa, o chefe dos artífices do templo da deusa Artemisa; então teve aquela discussão, teve todos aqueles problemas, teve aquele alvoroço na cidade de Éfeso; então, tudo isso o podemos ver para entender como foi a história da cidade, por que coisas passou a cidade. Primeiro o vimos até a época da fundação da igreja; depois desta carta do Apocalipse temos que ver o que foi a história posterior da cidade.
Profecia de Paulo ao presbitério de Éfeso
Agora vimos quais foram as portas que se abriram, qual era o espírito de religiosidade de Artemisa que prevalecia na cidade; o curioso foi é que foi nesta cidade que foi viver Maria com João, e ali morreu Maria e ali está a casa de Maria em Éfeso, e em Éfeso foi onde se fez o concílio que chamou a Maria "Teotocos" ou "Mãe de Deus"; é uma coisa muito curiosa ver todas estas coisas. A religião que tinha era uma religião de Artemisa; negócios, portos; e depois chegou Paulo e encontrou esta situação que acabamos de ver e aí começou a igreja. Depois o Novo Testamento nos diz que Paulo ficou três anos na igreja; ele fez visitas esporádicas e esteve nessa igreja. Depois Paulo, quando ia para Jerusalém, chamou aos anciãos da igreja em Éfeso; já tinha anciãos em Éfeso; vocês podem ver isso também em Atos dos Apóstolos; aí no capítulo 20 verso 17, diz: "Enviando, pois, desde Mileto a Éfeso, fez chamar aos anciãos da igreja". Vêem? Já a igreja em Éfeso tinha anciãos, e é nesta ocasião que Paulo se despede e lhes dá umas instruções, e nestas instruções Paulo está praticamente profetizando o que aconteceria em Éfeso, que como 20 anos depois, o Senhor recrimina à igreja em Éfeso alguma coisa que começou a suceder. Então por isso é bom conhecer esta história para entender melhor o capítulo 20; porque temos que saber como começou a cidade, como começou a igreja, como se desenvolveu a igreja, o que aconteceu na igreja e por que então essa carta diz o que diz; não podemos entender bem a carta sem compreender todo o processo histórico. Por isso estamos aqui vendo a última mensagem de Paulo aos Elíseos; Paulo chamou aos anciãos de Éfeso, chamou-os a Mileto e lhes disse que essa era a última vez que iam ver seu rosto; o que fundou a igreja, Paulo, está falando aos responsáveis da igreja da seguinte maneira; não vou ler tudo, mas vou ler desde o versículo 26. Atos 20:26 e 27: "Por tanto, eu vos protesto no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque não vos deixei de anunciar todo o conselho de Deus". Esta palavra é muito importante tê-la presente para entender depois quando o Senhor diz: Recorda, de onde caíste; há que ver como foi a igreja em sua origem, que recebeu a igreja e como caiu a igreja e por que caiu. Então aqui em Atos 20: 27 diz: "porque não vos deixei de anunciar todo o conselho de Deus"; ou seja, Paulo está dizendo que praticamente ele cumpriu o trabalho que tinha com eles; era a última vez que viam seu rosto, ele já cumpriu sua palavra, ele sabia que o Espírito Santo lhe disse: até aqui vais trabalhar em Éfeso. Agora, fixem-se no que diz depois no versículo 28: "Por tanto, olhai por vós, e por todo o rebanho em que o Espírito Santo vos pôs por bispos, (aqui vemos como Paulo chama de bispos aos anciãos, não fazendo diferença) para apascentar a igreja de Deus, (diz o original grego) a qual ele ganhou por seu próprio sangue". O sangue de Deus; claro, então o tradutor preferiu dizer Senhor que Deus, mas o grego diz Deus. 29, "Porque eu sei (aqui está o que o Espírito Santo tinha posto com clareza no coração de Paulo) que depois de minha partida entrarão no meio de vocês lobos vorazes, (aí está o assunto dos nicolaítas) que não perdoarão ao rebanho. “30, E dentre vocês mesmos se levantarão homens que falam coisas perversas para arrastar após si, aos discípulos”. Que coisa terrível são estas que sairiam de entre os líderes! "31, Por tanto, velai, lembrando-vos que por três anos, de noite e de dia não cessei de admoestar com lágrimas a cada um. 32, E agora, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra de Sua graça, a qual é poderosa para vos edificaros e vos dar herança com todos os santificados. 33, Nem prata nem ouro nem vestido de ninguém cobicei. 34, Antes vocês sabeis que para o que me foi necessário a mim e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. 35, Em tudo vos ensinei que, trabalhando, assim, deve-se ajudar aos necessitados, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mas bem-aventurado é dar, do que receber". este é um ditado de Jesus que só se recorda por uma citação de Paulo; não aparece nos evangelhos: "36, Após dizer estas coisas, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles. 37, Então houve grande pranto por parte de todos; e lançando-se ao pescoço de Paulo, beijavam-lhe, 38, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera, que não veriam seu rosto. E o acompanharam até ao barco." Então aqui nós vemos como Paulo trabalhou por três anos, todos os dias, ensinando, admoestando, fazendo milagres, etc., e isto foi o que ficou do que fez Paulo.
A maturidade espiritual em Éfeso
Realmente o que fez Paulo começou a prevalecer em Éfeso. Em Éfeso estavam os pagões, estavam também os judeus e agora começava o cristianismo; realmente a igreja em Éfeso começa a crescer; chegou a ser uma grande igreja. Se vocês se dão conta, a carta aos Efesios que escreve Paulo, foi considerada uma das coisas mais profundas que se escreveram em toda a história da humanidade; nesta epístola se fala do propósito eterno de Deus, fala-se da predestinação, fala-se da profunda obra de Cristo, fala-se do mistério do corpo de Cristo; ou seja, esta é uma das cartas mais profundas; isso quer dizer que a igreja em Éfeso tinha atingido realmente um grande nível, algo muito alto. Eu penso que quando o Senhor diz a outras igrejas: “Lembrar-te do que recebeste, ou recorda de onde caíste, a Sardis diz o que recebeu que era também desse mesmo círculo; e a Éfeso diz: recorda de onde caíste; ao ler a carta de Paulo aos Efesios, damo-nos conta de quão profunda revelação tinha recebido essa igreja e como essa igreja tinha vivido por muito tempo uma vida elevada. O Senhor mesmo o reconhece, e diz: eu conheço tuas obras, teu árduo trabalho e paciência, e que não podes suportar aos maus; fixa-te que Paulo tinha dito exatamente isso, e provaste aos que se dizem ser apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos. Foi uma igreja madura, foi uma igreja que recebeu uma revelação profunda, foi uma igreja que não era ingênua a todos os levantes que Satanás queria trazer-lhes. Paulo mesmo pelo Espírito Santo lhes tinha dito que viriam lobos vorazes e por isso a igreja não suportava os maus, provava aos que se diziam ser apóstolos e os achava mentirosos. Quando alguém começa a ver tudo isto que diz aqui nesta carta: sofreste e tiveste paciência e trabalhaste arduamente por amor de Meu nome e não desmaiastes, esta pessoa se dá conta de que realmente a igreja em Éfeso foi uma igreja importante, uma igreja forte; foi realmente o centro da obra que serviu para fortalecer a toda Ásia.
Quando se deixa o primeiro amor
No entanto, aqui diz: "Mas tenho contra ti, que deixaste teu primeiro amor". Isto é a única coisa que o Senhor reprova à igreja em Éfeso; trabalha, mas veja que se pode trabalhar sem o primeiro amor, pode-se sofrer, pode-se trabalhar e, no entanto, sem o primeiro amor; aí é onde alguem vê como o que interessa ao Senhor não é o que fazemos, senão o que somos e como somos com Ele e como somos com outros por causa Dele; não é tanto o ativismo, ainda que o Senhor reconhece todo esse trabalho e o assunto do trabalho se fala duas vezes, não só uma vez; fixem-se em que no verso 2 diz: "conheço tuas obras, e teu árduo trabalho e paciência"; no versículo 3, diz: "sofreste, e tiveste paciência, e trabalhaste arduamente"; duas vezes o Senhor reconhece um trabalho árduo por amor de Seu nome; no entanto, vejam que o Senhor procura algo mais, o Senhor procura um trabalho com o primeiro amor.
Irmãos, para quem fala isto o Senhor? Para nós; não é suficiente fazer algo inclusive por amor, se não é o primeiro amor. O Senhor é um noivo que quer todo o amor de Sua noiva; temos que entender isto; e as vezes é possível fazer muitas coisas, trabalhar arduamente, sofrer, ter paciência, provar, resistir aos maus, não suportar as coisas más, provar aos falsos apóstolos e achá-los mentirosos, e o Senhor diz que é algo positivo, o Senhor diz que é positivo aborrecer o que Ele aborrece, mas há uma coisinha que o Senhor quer, que Ele reclama; ou seja que para Ele é de muito valor, é o primeiro amor; isso é a única coisa que Ele reprova em Éfeso; é possível tudo isso tendo perdido o primeiro amor. O Senhor diz à igreja que se arrependa; ou seja que se esse ponto central, porque o Senhor o considera central, que é o primeiro amor, se esse ponto se perde, por esse buraco vai entrar a destruição, até que o candeeiro seja tirado. Se não te arrependes, virei logo, porque isso sucede logo, virei cedo a ti e tirarei teu candeeiro de seu lugar, se não te arrependeris. O cedo quer dizer que a coisa é urgente, que as coisas mais preciosas podem se perder de um dia para outro se se perde o primeiro amor.
Problemas de doutrinas
Eu gostaria que fossemos à carta que Paulo escreveu a Timoteo, onde se explica por onde começou o buraquinho por onde se começou a degradar o primeiro amor. Vimos como foi a fundação da igreja, vimos a profundidade da carta dirigida a eles, o depósito encomendado a eles, vimos as advertências de Paulo quando se foi, e agora vamos às epístolas de Paulo a Timoteo; ele tem duas epístolas e eu quero ler na primeira Epístola, 1:3; aqui já não estava Paulo; agora quem estava à frente da igreja em Éfeso era Timoteo; Paulo já tinha estado, depois tinha deixado a Áquila e a Priscila, depois ele voltou, depois ficou um tempo ali; a igreja se reunia na casa deles; depois ficou Timoteo e isso o diz aqui no capítulo 1: "3, Como te roguei que ficasses em Éfeso, quando fui a Macedônia, para que mandasses a alguns que não ensinem diferente doutrina, 4, nem prestem atendimento a fábulas e genealogias intermináveis, que antes promovem disputas que o serviço de Deus na fé, assim te encarrego agora. 5, Pois o propósito deste mandamento é o amor nascido de coração limpo, e de boa consciência, e de fé não fingida, 6, das quais coisas desviando-se alguns, apartaram-se e vão em loquacidade frívola, 7, querendo ser doutores da lei, sem entender nem o que falam nem o que afirmam". Aqui nos damos conta do que foi o que começou a suceder em Éfeso, por onde se começou a degradar a condição da igreja em Éfeso. Começou por doutrinas; não era que tinham deixado a doutrina, foi que se centraram em doutrinas, em discussões a respeito da lei, em genealogias, em fábulas; o diabo foi muito sutil; eles não começaram com pecados grosseiros; aqui não fala de pecados grosseiros. Que foi o que Paulo tinha dito? Levantar-se-ão lobos vorazes que não perdoarão o rebanho, e levarão após si aos discípulos; e começaram com doutrinas, com coisas, isto é, com a mente doentia com um montão de assuntos; e assim a igreja deixou de ser espiritual e foi arrastada a um mundo de discussões, inclusive de coisas legalistas, de teologia; tudo isto era teologia, mas teologia sem o Espírito, teologia sem o amor, teologia sem a sinceridade; tinha trabalho seguramente, árduo trabalho, mas em que ambiente? Já não era uma questão de Espírito, já não era uma questão de amor; a coisa se voltou para discussões intermináveis. Olhem isto, aqui explica a alguém onde foi que começou o mau; revisemos de novo, prestem atenção: "Te roguei que ficasses em Éfeso, quando fui a Macedônia, para que mandasses a alguns...". Ah! Timoteo tinha que tomar uma atitude firme, "mandar a alguns”; notem que começou com alguns que começaram a ensinar diferente do que Paulo. Paulo ensinou no Espírito a economia de Deus, o conselho de Deus; eles começaram a tratar outros assuntos; desviaram-se do assunto central, desviaram-se das prioridades espirituais, e continuaram seguindo, tratando de coisas de Deus, não falavam coisas do mundo, não, todos eram assuntos de Deus, mas se voltaram discussões teológicas. Então diz assim: "que não ensinem diferente doutrina, nem prestem atendimento..."; então veja em que o diabo nos arrasta; sem dar-nos conta, há coisas que nos tiram da espiritualidade, de andar no Espírito, para estar em coisas, sim de Deus, claro, fala-se de Deus; a lei é de Deus, todas estas genealogias, claro, são as de Géneses, são as de Crônicas, são as de Nehemías, claro, sim; podemos dizer as de Lucas, as de Mateus, mas se entrou num espírito meramente mental, meramente almático, não espiritual; e diz: "nem prestem atendimento a fábulas e genealogias intermináveis, que antes promovem discussões do que (notem) economia (serviço de Deus – edificação, economia)". Aqui a palavra "edificação" é a mesma palavra "economia", que se traduz dispensacão, administração, mordomía, comissão, em outras palavras; ou seja que se apartaram da economia de Deus, apartaram-se do assunto central.
O centro da economia de Deus
Qual é o assunto central de Deus? A formação de Seu Filho em nós, a expressão de Seu Filho no corpo; tudo o que não seja Seu Filho em nós, ainda que seja uma questão muito erudita, ainda que seja uma questão de discussões, se se perdeu o Espírito, se se apagou o estopim, já não há luz, há discussões, as disputas afogando e sufocando a economia divina; a economia divina é o lugar que damos a Cristo para que Ele se forme em nós de forma corporativa e se manifeste em nós; mas Satanás foi astuto e semeou uma sementinha; como tinha dito o apóstolo Paulo, lobos vorazes que não perdoarão ao rebanho e levarão após si, não ao Senhor, depois de si aos discípulos; a pessoas sendo levada para uma doutrina, para outra doutrina, para diferentes doutrinas, todo mundo brigando por doutrinas, porque isto se diz o Espírito às igrejas, degradou-se, quando nos pomos somente a discutir doutrinas, há definhamento no tocante à vida. Claro que o Senhor quer, dizer pelo Espírito Santo também, que guardemos a doutrina; claro que o Senhor também quer que nós sejamos cuidadosos com Sua Palavra; mas vocês estão entendendo a diferença entre o que é espiritual, algo que é de todo coração, por algo que se volta somente em palavreado, uma interminável discussão de coisas, e o ambiente é logo perceptível. Quando estamos procurando ao Senhor, em vez de estar em adoração, em Espírito, sob a unção, estamos discutindo uns com os outros; aí começa a degradação da igreja, aqui se explica a degradação. Agora, por que Paulo diz isto? Aí volta e o diz; aí acabamos de ver. "Pois o propósito deste mandamento...". Qual mandamento? A encomenda que faz a Timoteo de mandar que não se distraiam nessas coisas. Aí Paulo diz: Mando-te que mandes, encarrego-te que mandes, que mandes que não ensinem outras coisas, que não se deixem distrair por fábulas, genealogias, discussões que levantam disputas; não se deixem meter nesse espírito, mantenham distância disso; o importante não é isso, o importante é a economia de Deus, a edificação de Cristo em nós. E diz: "o propósito deste mandamento é o amor...", esse é o objetivo; o mesmo Espírito que falou depois por João, desde Jesus, tinha falado já por Paulo; o propósito disto que te mando é o amor; o importante para Deus não é discutir essas coisas, "é o amor nascido de coração limpo". quao facilmente se desliza alguem do amor ao legalismo; quando perdemos o amor somos legalistas, saímos com cláusulas, saímos com leis, saímos com coisas para justificar nossa dureza. Se dão conta irmãos? Aí começa a destruição; o propósito é o amor. O que é que Ele diz? Deixaste o que? Teu primeiro amor; diz: o amor é primeiro e é o que diz Paulo; o propósito é o propósito que tinha Paulo, o propósito que tinha a igreja, o que Paulo tinha dito a Timoteo que também fizesse questão disso, que era o que João escreveu desde Éfeso: Filhinhos, amai-vos os uns aos outros, e falava dos falsos que saíram ensinando de Jesus Cristo coisas esquisitas, diferentes. Se dão conta? Esse foi o problema que aconteceu em Éfeso; então diz aqui: "O propósito deste mandamento é o amor nascido de coração limpo"; não outros interesses, e diz mais: "e de boa consciência". Quando as pessoas se acostumam a não estar com consciência limpa, começam a perder o amor. Se eu posso ofender, se eu posso pecar contra o Senhor e meus irmãos e não concerto, ou então se acostumo e penso que isso é o normal, aí começa a destruição de tudo, Depois segue a seguinte parte: "e de fé não fingida"; ou seja que as vezes se pode fingir a fé; há gente que finge crer mas que não está acreditando em espírito, não está com plena consciência e não está amando com coração sincero. Esse foi o buraco por onde se perdeu o primeiro amor; esse foi o problema. Se dão conta, irmãos? Aí foi; aí temos a epístola aos Efesios tão preciosa e a outra epístola aos Efesios tão séria, e no meio das duas outra epístola a Timoteo em Éfeso; roguei-te que fiques em Éfeso para que faças isto em Éfeso; aqui começou o problema; então por isso é muito importante entender para que sejamos vigilantes nisso, não nos deixemos arrastar meramente a formalismos, a fingimentos, a coisas não reais, senão que como diz o Senhor: arrepende-te; arrepender-se de ter perdido esse primeiro amor, esse amor sincero de coração puro, essa boa consciência, essa fé não fingida; se isso não se mantém, por ali se desfaz o candeeiro.
Os planos secretos e destruidores de Satanás
Irmãos, permitam-me que eu lhes conte um sonho que o Senhor me deu uma vez, que ilustra isto: Estava um grupo de irmãos no sonho; estávamos olhando uma casa grande, bonita, grande, que estava vazia ainda e que estava quase terminanda; e os irmãos estavam olhando; uns olhavam uma esquina, outros olhavam outra, todos estudando essa casa. Eu entendia que era a casa do Senhor, a igreja, mas a casa não estava finda, tinha partes boas, inclusive era uma casa antiga, mas ainda tinha coisas sem terminar, uma esquininha sem rebocar, alguma janela sem pôr, mas a casa era boa, era antiga, era grande, e os irmãos estavam estudando, olhando a casa, porque era nossa casa; mas num momento o Senhor me fez ver por uma janela para afora da casa, para o inferno; então olhei e via que do inferno subia uma escada como de caracol e Satanás vinha subindo por essa escada desde o inferno a meter-se na casa; então eu vi que ele vinha subindo e subindo; então comecei a dizer aos irmãos: Irmãos, preparem-se, estejam em oração, estejam orando porque Satanás quer infiltrar-se na igreja, quer causar problemas; e os irmãos não me davam atenção; então disse: Senhor, que faço para que os irmãos creiam em mim? E comecei a orar: Senhor, mostra-me qual é o plano secreto que traz Satanás, porque ele vinha subindo desde abaixo, subindo, vinha rápido e trazia um plano secreto e trazia algo como se fora embaixo do ponche; trazia um plano secreto para meter no meio da igreja; e eu orava ao Senhor: Senhor, mostra-me que é, para mostrar aos irmãos, mostra-me o que é plano secreto que traz Satanás; então o Senhor me disse qual era o plano secreto que ele trazia, e me disse: o PLANO SECRETO é, «em vez de kolynos, desconfiança»; essa era o plano secreto. Ele me disse duas vezes: o plano secreto que ele traz é «em vez de kolynos, desconfiança»; então eu entendi. Kolynos representa os dentes limpos, o sorriso amável, a camaradagem, a sinceridade, a comunhão; e a desconfiança representa esse espírito de desconfiança um do outro, de divisão; e me mostrou como uma salsicha, bem como um salchichão cheio de sangue sujo; esse era a desconfiança que o trazia escondido para injetá-lo entre os irmãos; então eu comecei a avisar aos irmãos e de repente entrou Satanás, mas quando entrou já não era o mesmo Satanás que eu via da janela para afora; ao entrar no salão era um irmão muito calmo, que queria fazer justiça no meio da igreja, mas tratando de fazer justiça começou a meter a desconfiança, ou seja, a desconfiança para destruir o ambiente são, livre, de companheirismo, de amizade, de comunhão, e trazer um ambiente difícil, de disensão, de contenda, de desconfiança, de má vontade, de vingança, de dureza; isso me mostrou o Senhor num sonho. Claro, eu não sabia que trazia, mas o Senhor me disse, essa é seu plano secreto, duas vezes: «Em vez de kolynos, desconfiança»; isso era o que ele vinha trazer, meter um espírito sutilmente; e o fazia através dos mesmos irmãos, e aí me acordei do sonho, mas com um entendimento que espero que nunca se me apague, senão que esteja alerta em isto. Então fixem-se no que diz ali na mensagem a Éfeso: há trabalho, árduo trabalho, não suporta aos maus, e isso não se o diz o Senhor como algo mau, isso se o diz como algo bom; o Senhor o diz como algo positivo. Vêem? Diz: "Conheço tuas obras, e teu árduo trabalho e paciência; e que não podes suportar aos maus"; isso é algo que o Senhor quer na igreja, que ante as coisas más não sejamos indiferentes, senão que tenha santidade do Senhor em Cristo; "e provaste aos que se dizem ser apóstolos"; fixem-se, a igreja tem que provar. Vem alguém e diz: Eu sou apóstolo; ah, você é apóstolo? Então nos engulimos tudo inteirinho; não; Paulo disse aos Gálatas: "Mas se ainda nós, ou um anjo do céu, anunciar-vos outro evangelho diferente do que anunciamos, seja anátema" (Gá. 1:8). De maneira que não pode a igreja receber outro evangelho diferente da revelação de Jesus Cristo que está no Novo Testamento com os apóstolos; então a igreja deve tratar os erros, mas a igreja tem que fazer isto não num espírito legalista, senão num espírito de amor sincero, de limpa consciência e de fé não fingida; se não, perde-se o primeiro amor, fica a casca, fica o hábito, fica a inércia e muitas coisas religiosas se fazem por inércia, fazem por costume e não em Espírito e com amor; aí se destrói tudo. Temos que estar vigiando; o Senhor nos chama ao arrependimento. Ele diz: "3, e sofreste, e tiveste paciência, e trabalhaste arduamente por amor de meu nome, e não desmaiaste"; aí está o perigo: "4, Mas tenho contra ti, que deixaste teu primeiro amor"; aí está.
Chamado ao arrependimento
"5, Recorda, por tanto, de onde caíste, e arrepende-te"; ou seja, recorda o melhor do que viveste comigo e segue-o vivendo. Que é o melhor do que recebeste? Que é o melhor do que viveste em minha presença? Mantém isso, o Senhor quer isso, o Senhor quer uma noiva amorosa, uma noiva próxima a Ele; Ele não quer um casal incensível, seco; Ele quer o verdadeiro amor. "Recorda, por tanto, de onde caíste, e arrepende-te"; este é o primeiro telefonema ao arrependimento à igreja; ou seja que a primeira coisa que a igreja tem que arrepender é de cair do primeiro amor, do amor sincero, da fé não fingida, da boa consciência; não cair daí; e diz: "e faz as primeiras obras"; agora fazes muitas obras mas não as fazes como antes; antes as fazias inspirado por amor; agora quiçá as fazes, há árduo trabalho, mas as fazes por costume, faz porque, bom, chegou a sexta-feira, é o dia da reunião; tem que ir à reunião. Então, irmãos, tudo o que não se faz por verdadeiro amor, temos que vigiar. Irmãos, isto eu não prego a outros, mas eu prego a mim primeiramente. Diz aqui: "pois se não", se não te arrependes e se não fizeres as primeiras obras, o maior nível que tiveste, voltar sempre a Ele; sempre temos que estar voltando lá; eu penso que essa é a primeira prioridade que tem a igreja: voltar-se a esse amor sincero com o Senhor. Então diz: "pois se não, virei cedo". Que coisa terrível! logo; alguém pensa que pode durar muito tempo assim; não, não, não; não muito tempo; arrepende-te logo, é logo, porque "virei logo a ti"; e quando diz "virei", quer dizer que o Senhor visitará nossa indiferença com o Senhor, deixando que o candeeiro seja tirado; "e tirarei teu candeeiro de seu lugar, se não te tiveres arrependido". Para que é o candeeiro? O candeeiro é para alumiar com a luz do Senhor; a luz é do Senhor. Se o Senhor se apaga, que faz o Senhor com uma casca, com uma instituição, mas sem vida? O mesmo que dizia depois a Sardes, isto é, o Senhor não aprova isso. Recordem quando dizia: Vos envergonhareis de Betel, vossa confiança; estáveis confiando em Betel, mas vos apartastes de mim; não digais: Betel, Betel, esta é Betel, esta é a casa de Deus, diz Deus pelo profeta; o assunto é Deus, não Betel; Betel é conseqüência, mas sem o Senhor não há Betel, não há corpo sem cabeça, e um corpo sem cabeça só está destinado a apodrecer-se.
O assunto do nicolaísmo
"E tirarei teu candeeiro de seu lugar, se não tiveres arrependido. 6, Mas tens isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço". Este assunto dos nicolaítas é um assunto sério que temos que olhar; por isso tenho estes três livros aqui à frente que são "Contra as heresias" de Irineo de Lyon, "Stromata" de Clemente de Alexandria e a "História Eclesiástica" de Eusebio de Cesarea; não pude ter aqui outro autor antigo que se chama Tertuliano, que em três obras dele, "Contra Marción", "A Prescrição dos Hereges" e "De Pudicia", nessas três obras ele fala dos nicolaítas antigos; então precisamos ver o assunto dos nicolaítas em dois níveis: no nível histórico antigo e no nível profético. Há uma coisa que diz aqui, que o Senhor aborrece as obras dos nicolaítas. Que teve dos nicolaítas na história antiga? Então, como disse, há quatro autores antigos: Irineo do século II, o mesmo Clemente que passou do II ao III, e já Eusebio que é um pouco posterior, e Tertuliano que foi da mesma época de Clemente e de Irineo, que falaram dos nicolaítas antigos. Eu quero ler o que eles falaram dos nicolaítas antigos, no sentido histórico. Primeiro vou ler o mais antigo que é Irineo; há duas passagens curtas onde fala Irineo disto; aqui diz Irineo no Livro I, o 26:3, primeiro "Contra as Heresias"; ele escreveu cinco livros contra as heresias; o primeiro diz assim: «Os nicolaítas tiveram por mestro a Nicolau, um dos sete primeiros diáconos ordenados pelos apóstolos; vivem desordenadamente, são plenamente caracterizados no Apocalipse de João porquanto ensinam que a fornicação e o comer carne oferecida aos ídolos são coisas indiferentes; por isso é que está escrito a respeito deles: tens a teu favor que aborreces as obras dos nicolaítas, que eu também aborreço». Essa é uma citação de Irineo. Há outra citação dele que está já não no livro I, senão no livro III, 11:1; diz Irineo o seguinte: «Esta mesma fé (falando da fé correta do Senhor) é pregada por João, discípulo do Senhor, que quis com seu evangelho extirpar o erro semeado entre os homens por Cerinto, e muito antes pelos assim chamados nicolaítas, uma ramificação separada da falsa gnose e refutá-la». Estas são as duas menções que faz Irineo, discípulo de Policarpo, o qual foi discípulo de João muito próximo, fazendo esta menção dos antigos nicolaítas. Vou ler o que diz Clemente de Alexandria, que foi um dos principais mestros da chamada escola de Alexandria, que foi fundada por Panteno e depois dirigida por Clemente, que foi o mestro de Origens; Origens sucedeu a Clemente de Alexandria. Nesta obra "Strómata" que quer dizer: "tapeçarias", Clemente de Alexandria também faz duas menções rápidas dos nicolaítas; então uma dessas menções está no livro II de Stromata, 118:1, e ele diz assim: «Mas não se dava conta o azarado que se deixava enredar por sua própria arte refinada do prazer, e evidentemente a esta opinião do sofista que se cria possuidor da verdade, acercava-se também Aristico de Cirene. Quando o reprovava a que freqüentasse assiduamente à meretriz de Corinto, respondia: eu sou quem possuo a Lays, não ela a mim; assim também os que se chamam seguidores de Nicolau, alegam como nota peculiar sua, mas desviada no sentido, a sentença: é necessário abusar da carne, mas aquele homem nobre (ou seja, Nicolau) ensinava que é necessário reprimir os prazeres e as concupiscencias, e exterminar este apetites e os impulsos da carne. Eles, os nicolaítas, pelo contrário, abandonam-se ao prazer como machos cabritos violentos, por assim dizer, contra seu corpo, vivem disolutamente, não sabem que o corpo se descompõe porque é natureza caduca, enquanto sua alma é afundada num lodo de vício já que estes seguem os ditames do puro prazer, não os daquele homem apostólico (Nicolau). Efetivamente, alguns, em que se diferenciam de Sardanápalo? (o rei de Nínive) Este é o epigrama que explica a vida, (o epigrama que há na tumba de Sardanápalo, rei de Nínive) tudo o que tenho o comi, falei mal e os prazeres amorosos que provei, mas o melhor, minha prosperidade foi abandonada, tenho aqui que sou cinza e fui rei da grande Nínive". Uma vida de prazer. No livro III de Stromata, em outra passagem segue dizendo Clemente de Alexandria no capítulo IV, o seguinte: "Recordamos aos provocadores da heresia de Marción do Ponto, que por oposição ao Criador, recusa o uso dos bens do mundo. Para ele, a causa da continência, se é que se a pode chamar continência, é o Criador mesmo, a quem este gigante em luta contra Deus pretende defrontar e guarda a continência sem querê-lo, porque condena a obra da criação.... Se aplicam a palavra do Senhor que diz a Felipe: deixa que os mortos enterrem a seus mortos. Considera não obstante, que também Felipe levava a mesma plasmação da carne, mas não era um cadáver contaminado. Como, pois, tendo um corpo de carne, não tinha um cadáver? Porque ressuscitou da tumba. O Senhor dá morte a suas paixões, fá-lo-á reviver em Cristo. Também recordamos o impío possuir em comum às mulheres, segundo Carpócrates, mas sobre a máxima de Nicolau; omitimos o que segue...».Por que é que chamavam nicolaítas e por que era que jogavam a culpa a Nicolau? Não era que Nicolau tivesse tido uma culpa grave, senão que teve um incidente que depois outros o interpretaram em outro sentido e o levaram a um extremo; então aqui Clemente vai contar qual foi o incidente do diácono Nicolau que está ali em Atos capítulo 6, numa ocasião, que depois outros o interpretaram mau e diziam que Nicolau o tinha dito assim e o tinha ensinado, e se foram ao extremo de ensinar liberdade por escravos de corrupção, que é o que tanto falam as epístolas de Paulo, de Pedro, de Judas, etc. Então, agora Clemente de Alexandria vem falando de Nicolau, e diz: «Ele tinha, diz-se, uma bela esposa; depois da ascensão do Salvador, ao ser reprendido como invejoso pelos apóstolos, ele conduziu a sua mulher no meio deles e convidou a que todos a tomassem por esposa, fato coerente, dizem, com sua célebre sentença: é necessário abusar da carne; e por coerência com aquele acontecimento, com este dito, ainda que de modo simplista e literal, os seguidores de sua heresia, abandonaram-se com severgonhisse à fornicação; pelo contrário, eu sei que Nicolau não teve relações com nenhuma outra mulher que com a que se tinha desposado e de seus descendentes, as filhas chegaram virgens até a velhice e o filho permaneceu sem manchar-se. Assim foram as coisas, ao mandar à invejada prostituta no meio dos apóstolos, era uma forma de recusar a paixão e a continência dos prazeres mais ansiados e ensinava como se deve abusar da carne. Por isso, ele fugia me parece, conforme o mandato do Salvador, o servir a dois senhores, ao prazer e a Deus. Mas também, diz que Matías ensinou a ele, ou seja, a combater a carne e menosprezá-la, sem conceder nenhuma licença ao prazer, senão a fortalecer o alma com a fé e a gnose. Não obstante, há quem interpreta à vulgar afrodita, como uma mística comunhão ofendendo inclusive, o nome mesmo». Ou seja, aí vem falando desse espírito de corrupção, de luxúria, que se vive entre algumas pessoas. Perceberam o que diz aqui Clemente? Eusebio não diz nada novo, senão que Eusebio o que faz é citar a Clemente da seguinte maneira, no livro III, de "A História Eclesiástica"; Eusebio de Cesarea, no capítulo 29, do livro III, ele diz o seguinte: «Por aquele então, consolidou-se também a heresia dos nicolaítas, mas durou muito pouco tempo. Esta também se menciona no Apocalipse de João. Eles afirmavam que Nicolau era um dos diáconos que, junto com Estevão, tinham sido encarregados pelos apóstolos do cuidado dos pobres. Clemente de Alexandria relata o seguinte no livro III de Stromata. Dizem que tinha uma mulher encantadora e que depois da ascensão do Salvador, acusando-o os apóstolos de ser zeloso, pô-la em meio e lhe concedeu unir-se com quem o quisesse, pois dizem que aquele fato estava de acordo com este dito: é preciso abusar da carne. Assim, seguindo o que teve lugar e o que se disse com simplicidade e sem prévio exame de raciocínio, prostituíram-se sem nenhum pudor, os que participavam desta heresia. Não obstante, consta-me que Nicolau não teve relação íntima com nenhuma mulher, com exceção de com a que se tinha casado, e ademais do que seus filhos, as filhas envelheceram virgens e o filho se conservou puro. Desta forma sua ação de pôr a sua esposa, da que estava zeloso, no meio dos apóstolos, foi uma expulsão da paixão e a continência dos prazeres mais perseguidos, ensinando a abusar da carne, porque creio que de acordo com a instrução do Salvador não queria servir a dois senhores, ao prazer e ao Senhor. Dizem que também Matías ensinava o mesmo, isto é, lutar contra a carne, abusar dela, sem conceder-lhe nada de prazer e fazer crescer a alma com a fé e o conhecimento. Seja pois, isto suficiente, a respeito dos que apesar de encarregar-se de perverter a verdade, fazem-no com mais rapidez do que se demora em dizê-lo». Por estas citações, podemos ter mais ou menos uma idéia, pelo que dizem Irineo, Eusebio e Clemente; também disso fala Tertuliano, mas não tenho seu texto aqui. Nicolau foi um diácono de Deus, cheio do Espírito Santo, como foi escolhido. Pela Bíblia não podemos dizer dele nada do que a Bíblia não diz. A Bíblia fala o seguinte dele; está em Atos capítulo 6, e é o único que fala de forma direta, no aspecto histórico de Nicolau. Diz em Atos 6:3: "3, Procurai, pois, irmãos, de entre vocês a sete varões de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, a quem encarreguemos deste trabalho". Ou seja que a igreja, para evitar problemas, precisa diáconos que se encarreguem do trabalho da administração das mesas, porque se não, tinha murmuracão entre eles porque uns agarravam o melhor e deixavam às viúvas dos gregos descuidadas; então começou a ter contendas, murmuracões, tensões. Qual foi a resposta? Nomear diáconos que se encarreguem disso com o Espírito Santo. Então isso foi o que sucedeu aqui: "4, E nós persistiremos na oração e no ministério da palavra. 5, Agradou a proposta a toda a multidão; e elegeram a Estevan"; notem, qual era o requisito? Bom depoimento, cheios do Espírito Santo e de sabedoria; e a igreja era de milhares de pessoas; e que a igreja escolha a sete, estes sete eram de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Então diz aqui: "e elegeram a Estevan, varão cheio de fé e do Espírito Santo, a Felipe, a Prócoro, a Nicanor, a Timão, a Parmenas, e a Nicolau prosélito de Antioquía; 6, aos quais apresentaram ante os apóstolos, que, orando, impuseram-lhes as mãos". Damo-nos conta, pois, de que Nicolau era um homem de Deus, por isso Clemente lhe chama um varão apostólico, porque foi nomeado pelos apóstolos. Agora, o que dão a entender as diferentes notícias, foi que num momento xis, teve um engano numa frase, num momento xis, que o trataram como zeloso, ele querendo dizer, atuou numa frase imprudente, disse uma frase imprudente, que depois foi mal entendida e usada equivocadamente por outros; mas se o mesmo Nicolau dos sete diáconos fez isto, então quer dizer que temos que ter as mulheres em comum e começaram a praticar todas essas coisas; claro que isso foi um erro de Nicolau, mas Nicolau mesmo o fez em outro espírito, fez equivocadamente, mas com uma intenção boa, ao querer dizer: não estou atado a nenhuma coisa; isso não quer dizer que os apóstolos o tenham aprovado e a igreja o tenha aprovado, mas os que o aprovaram foram os que depois foram chamados como nicolaítas porque tomaram essa prática e por isso chegou a ter corrupção; ou seja, Satanás sempre está procurando por onde se introduzir. Isso então, no sentido histórico, como também em outras épocas da igreja se deu. Há grupos que se dizem ser cristãos e caem em promiscuidade. Vou ter que falar dos que se chamam "os meninos de Deus", de Moisés David, um falso profeta, onde se misturam as coisas religiosas com luxúria e que até praticamente levam às garotas a praticar a promiscuidade. Então, essas coisas existem, são espíritos que o Senhor quer que nós aborreçamos. O Senhor diz que a igreja em Éfeso tinha aborrecido às obras dos nicolaítas e que então nós temos também que as aborrecer, porque temos que viver o que o Espírito diz às igrejas.
A conquista do laicado
Agora também recordemos que esta carta aos Efesios é uma carta profética, onde também os nomes têm um significado profético; então o assunto dos nicolaítas não se esgota aí. Muitos irmãos, eu creio que pelo Espírito Santo, viram outro aspecto dos nicolaítas; desgraçadamente alguns mencionam um caso e outros mencionam o outro e não mencionam os dois; é necessário mencionar os dois casos; este caso histórico que mencionamos e também este caso profético que vamos mencionar aqui. A palavra "nicolaítas" vem de duas raízes gregas: Nikao, que quer dizer: conquistar, e "laos", que quer dizer o laicado ou o povo; de maneira que nicolaísmo quer dizer a conquista do laicado; ou seja, um espírito de querer tomar-se o governo, a conquista, porque se chama conquistar ao laicado; é um espírito clericalista que ao princípio não existia na igreja; tinha sim apóstolos, mas qual era sua atitude? Tinha sim profetas, evangelistas, pastores e mestres, mas qual era sua atitude? O que diz Pedro: Não tornando senhores dos demais, mas o que começou a suceder? Começaram a aparecer já fora do que a Bíblia diz a respeito dos anciãos normais, arcebispos; começaram a aparecer cardeais, começaram a aparecer patriarcas que queriam controlar a todos os demais; mas não era assim no princípio; um espírito de conquista do laicado, um clericalismo; então, se o Senhor diz a Pedro, os pastores devem fazê-lo sem asenhorar-se dos demais, o que seja o maior, seja como o que serve, sem pretensões de estar dominando; esse espírito, também no sentido profético pelas raízes etimológicas da palavra nicolaita, também tem que ter em conta. O Senhor aborrece tudo o que seja clericalismo de domínio, quando se tira o sacerdocio dos santos, quando não se permite aos santos ter um acesso direto a Deus, senão que se proíbem as coisas e se quer asenhorar-se deles; e isso sucedeu terrivelmente na história da Igreja. Qualquer pessoa que conheça a história de vinte séculos, vinte e um séculos agora, estamos no XXI, dão-se conta de que teve muito abuso no assunto de conquista, no assunto de domínio. E para terminar este aspecto do nicolaismo, quero chamar o atendimento a isto: Justamente, depois desse processo de clericado que foi surgindo apareceram novos cargos que não estão na Bíblia; vocês não encontram na Bíblia arcebispos, não encontram na Bíblia, cardeais, não encontram na Bíblia patriarcas, e brigando o patriarca de Constantinopla com o de Roma, e depois não encontram na Bíblia papas, senão que isso foi um processo que se foi dando em vários séculos, desde o século IV, V até a idade média. Qualquer pessoa que conheça a Bíblia e conheça a história, sabe qual foi a marcha do pontificado. O primeiro papa que se colocou a tripla coroa dizendo ter jurisdição no céu, na terra e no purgatório, chamou-se precisamente, Nicolau I. Que coisa curiosa! Conquistou a tríplice coroa: o céu, a terra e o purgatório, Nicolau; então aí está também qualificado o nicolaismo nestes dois sentidos; no sentido profético pela etimologia das palavras, porque também há que ter em conta que esta carta não só é histórica, senão que também é profética, que mostra o que tinha começado a acontecer na igreja primitiva, mas que o Senhor aborrecia e o Senhor estava de acordo com que a igreja também aborrecesse o que Ele aborrecia, tanto no sentido histórico, aquela imundicia, aquela promiscuidade sexual, como também no sentido profético, aquele domínio, aquela conquista, que é também uma maneira de cruzar os limites espirituais, de meter-se com as coisas do Senhor e agarrá-las para si mesmo, uma coisa alheia que é também algo espiritual. Então isso é também aborrecido pelo Senhor.
Promessas aos vencedores
Agora, então chegamos ao último verso: "7, O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas". Como o Senhor quer que atendamos o que Ele como Sumo Sacerdote aprova e o que Ele desaprova, para que nós sejamos entendidos e nosso candeeiro não seja destruído, senão que se mantenha incólume para o Senhor, porque Ele, como se apresentou à igreja, como o que está no meio dos sete candeeiros, o que tem as sete estrelas, diz: eu sou o responsável por tudo e quero todos estes candeeiros diante de meu Pai. Não quero que teu candeeiro seja tirado; diz: "Ao que vencer, darei a comer da árvore da vida, o qual está no meio do paraíso de Deus." No meio do paraíso de Deus está a árvore da vida. A árvore da vida é a coisa central; o vitorioso se dirige ao central e o central é a vida de Cristo; Cristo é a árvore de vida. Qual é a promessa? A árvore de vida, por quê? Qual era o problema? Que tinham perdido o primeiro amor, tinham perdido a prioridade, tinham perdido a espiritualidade prioritária e tinham entrado em outras coisas. O diabo os tinha levado à periferia, aos bordeis, inclusive para fora; então aqui o Senhor diz: "Ao que vencer, darei a comer da árvore da vida". Ou seja, que os vitoriosos se dirigem ao centro. Onde está a árvore da vida? No meio do paraíso de Deus. Adão podia comer da árvore da vida, mas decidiu ir-se pelos ramos e comer do proibido; então foi fechado o caminho à árvore da vida; mas o que negar a si mesmo, tomar a cruz e se dirija ao essencial que é viver por Cristo, a vida, o Senhor dará a comer da árvore da vida; a recompensa é segundo o combate da igreja.
História final de Éfeso
Termino dizendo-lhes o que aconteceu com Éfeso; lá pelos anos 256, de qualquer jeito no terceiro século, foi destruído totalmente o templo de Alvo em Éfeso. Aí começou a destruição de Éfeso; depois, pelos anos seiscentos, no século VII, já quando Maomé tinha tomado o poder, então chegaram os muçulmanos e destruíram aos cristãos, destruíram as coisas cristãs, algumas não. O imperador Justiniano tinha construído à santa sabedoria, Santa Sofía, um grande templo que se chama o templo de Santa Sofía; esse não o destruíram, senão que puseram na cúpula, a meia lua dos muçulmanos, tiraram tudo o que era cruz, e agora é uma mesquita de Santa Sofía que foi construída por Justiniano, algo cristão. Aí nessa mesquita, o que antes era um templo cristão, celebraram-se em Éfeso quatro concílios: um primeiro para tratar de disciplina dos cléricos, o primeiro concílio no ano 200 quando Polícrates, de quem lhes falei da vez passada, que foi um líder em Éfeso, e que junto com outros irmãos dirigentes dessa região, chegaram a um concílio para tratar o assunto do movimento crerical. Isso se tratou no primeiro concílio de Éfeso, não o ecumênico. Depois, pelo ano 431 se celebrou o primeiro concílio ecumênico de Éfeso, que foi um concílio cristológico onde Cirilo de Alexandria presidiu, e se opôs ao nestorianismo que apresentava a duas pessoas em Cristo: uma pessoa humana e uma divina, e não duas naturezas numa pessoa; e aí foi quando a Maria foi chamada pela primeira vez Teotocos ou mãe de Deus; não querendo dizer que Deus tenha tido uma mãe, senão que Deus se submeteu a nascer como um homem, como o Verbo encarnado através de Maria; nesse sentido era que eles diziam Teotocos; mas vejam em que um espírito que já operava em Éfeso com Diana fez que essa palavra que num princípio queria dizer que o que nasceu de Maria era o Verbo de Deus feito carne, foi sendo levando em outro sentido e foi levando à mariolatría; e a mariolatría se desenvolveu com um exagero de certas verdades que foram faladas no primeiro concílio ecumênico de Éfeso, mas depois se desviou. Depois, no ano 449, teve outro segundo concílio de Éfeso, que foi chamado o Concílio dos Ladrões, porque tomaram a linha de Cirilo de Alexandria, que era correta no sentido de que na pessoa de Cristo tinha somente uma pessoa ainda que com natureza divina e humana; eles se foram ao outro extremo no sentido de dizer que Cristo tinha só uma natureza; isso foi Eutiques; então nesse concílio, o segundo de Éfeso, eles estabeleceram em concílio que Cristo só tinha uma natureza; os demais não o reconheceram; então se chamou a esse concílio, o concílio dos ladrões. Depois foi que veio o Concílio de Calcedonia onde se refutou esse concílio de Éfeso, e começaram a suceder problemas em Éfeso. Depois, no ano 470 e pouco, teve outro concílio em Éfeso onde se trataram de outros assuntos diferentes. Depois vieram os mulçumanos no século VII e destruíram a cidade, mataram aos cristãos, porque eles a conquistaram à força; e por último, quando já os mulçumanos tinham feito esse trabalho, vieram os mongois sob o comando de Tamerlão; o famoso Tamerlão dos mongois no século XI, ano 1050 por aí, e arrasaram completamente a cidade de Éfeso. Hoje em dia Éfeso não existe; a cidade de Éfeso foi varrida, por problemas, problemas, problemas. Ao não ser fiel ao Senhor, irmãos, se abre uma porta a uma coisa, despois a outra, despois a outra, até que veio o castigo do Senhor; e ela foi totalmente removida. Antes a cidade de Éfeso era um porto que ficava onde desembocava do rio Coisto, ali em Anatolia, ou seja na Turquía; ficava para o Mar Mediterrâneo, precisamente no mar Egeo; então aí era onde estava; mas depois, o rio Coisto foi sendo assoreado e foi afastando cada vez mais da cidade. Hoje em dia onde, a velha Éfeso dista onze kilômetro do antigo lugar; onde antes era um porto, agora é onze kilômetro só de detrito, ou seja, toda sujeira que trousse o rio, foi o afastando até que ficou totalmente destruído. Hoje em dia, no lugar que ocupava a antiga cidade de Éfeso, é uma pequena cidade turca mulçumana; ou seja, que realmente Éfeso hoje não existe. Que coisa triste! Despois de ter trabalhado com amor, com fidelidade, sofrido, e, no entanto alguém deixa que um vermizinho comece a comer o coração, se alguém não se arrepende a tempo, irmão, ele come tudo até terminá-lo. Então, irmãos é uma lição tremenda que temos que aprender desta carta do Senhor ao anjo da igreja em Éfeso, do Espírito às igrejas. Vamos orar a Deus, dar graças ao Senhor. -
RELACIÓN MIGRATORIA TUBALÍ-SINEA
RELACIÓN MIGRATORIA TUBALÍ-SINEA
La Tableta del Toledot Shem [Relaciones de Sem] dice inspiradamente: "B'ny Yefet: Gomer wMagog wMaday wYavan wTubal wMeshek wTyras" (Gn.10:2). Lo cual significa: "Hijos de Jafet: Gomer y Magog y Maday y Javán y Tubal y Mesek y Tiras". También dice inspiradamente: "wK'nahan yaled et-TSydon b'koro wet-Jet wet-haY'busy wet-haAmory wet-ha Girgashy wet-haJivy wet-ha Har'qy wet-haSyny wet-haArvady wet-TS'mary wet-haJamaty v'ajar nafotsu mishpjut haK'nahany" (Gn.10:15-18). Lo cual significa: "Y Canaán engendró a Sidón su primogénito y a Het y al Jebuseo y al Amorreo y al Gergeseo y al Heveo y al Araceo y al Sineo y al Arvadeo y al Zemareo y al Hamateo y después dispersáronse familias de los Cananeos".
Por su parte, el Libro de los Jubileos, de la época macabea, pero conteniendo tradiciones anteriores, nos informa: "Supo Cam que su padre había maldecido a su hijo menor y se ofendió con él, pues había maldecido a su hijo. Se separaron de su padre él y sus hijos: Cus, Mitsraim, Fut y Canaán, y se construyó una ciudad a la que dio el nombre de su mujer: Nahlatmehoc. Jafet, al verlo, tuvo celos de su hermano y construyó él también una ciudad a la que dio el nombre de su mujer: Adatnese. Pero Sem se quedó con su padre Noé, junto al cual construyó una ciudad en el monte, a la que dio asimismo el nombre de su mujer: Sedacatlebab. Estas tres ciudades estaban cerca del Monte Lubar: Sedacatlebab ante la falda oriental; Nahlatmehoc al sur, y Adatnese al oeste" (Jub.7:13-17). Al-Tabarí informa que Nahlatmehoc y Adatnese eran hijas de los antediluvianos Marub Ibn-Dermesil Mahuelita y Marazyl Ibn-Dermesil Mavielita respectivamente (Tab.202). El Monte Lubar es uno de los de la cadena Montañosa del Ararat. La costumbre de construir ciudades colocándoles nombres familiares había sido iniciada con Caín, el cual llamó a su primera ciudad con el nombre de su hijo Enok Cainita. Fue conocida como Unuk, y entonces como Uruk, Erek y Warka, la segunda después de Eridú que le precedía en dignidad.
Tubal fue el quinto hijo de Jafet y Adatnese, muy apegado a su siguiente hermano Mesek. Por su parte, Sin fue el octavo hijo de Canaán Camita, nieto de Cam y Nahlatmehoc, muy apegado a su vez su clan con los de sus hermanos Het y Araq. Estos dos, Tubal y Sin, fueron los principales patriarcas de los principales clanes que emigraron desde Siberia y China hacia la América pre-colombina. Otros emigrantes hubo también además; pero Tubal y Sin son quienes marcan la pauta genética mayor y primigenia. El Liber Antiquitatum, cuya última redacción como midrás suplementario al canónico Crónicas, fue, a más tardar, por la época de la destrucción de Jerusalem en el año 70 d.C., con tradiciones anteriores, falsamente atribuído en el Renascimiento a Filón de Alejandría, y que fue popularizado con ese título desde Basilea por la edición de Juan Ricardo en 1527, y emparentado con las Crónicas de Yerajmeel (ms.heb.1300), nos informa acerca de tres hijos de Tubal: su primogénito Fanata, y sus hermanos Nowa y Awa (L.A.4:2). El mismo extenso documento, que tiene 65 capítulos, nos informa también acerca de un antiquísimo Censo Jafetita realizado por Fenek, en tiempos de Nimrod, en el que aparecen contabilizados 9.400 descendientes de Tubal. Por su parte, el Censo de Nim-Marad, atribuía al clan del patriarca Sin, unos 3.000 hombres (L.A.5:4,5). El patriarca legislador Sin pertenecía a una generación posterior en relación con Tubal.
El 15 de Adar del año 3722 desde Adam, el profeta Ezequiel profetiza en nombre de Yahveh endechas sobre la multitud egipcia, y hace mención inspirada allí de la violencia de la multitud de Mesek y Tubal, por lo cual estos dos y su multitud se encuentran en el Seol: "Allí Mesek Tubal, y toda su multitud; sus alrededores: sus sepulcros; todos ellos incircuncisos, muertos a espada, pues sembraron el terror en la tierra de los vivientes. Y no yacen con los héroes caídos de los incircuncisos que descendieron al Seol con sus armas de guerra, poniendo sus espadas bajo sus cabezas; mas están sus iniquidades sobre sus huesos, porque fueron terror de héroes en tierra de los vivientes" (Ezq.32:26,27). Acerca de este tipo de violencia, nos dicen los textos hititas que Telepino abandonó furioso a su popia gente, llevándose las semillas y ganados, destruyendo villas, hacia las estepas hasta Lihzina, dejando desolación, hasta que fue atacado por abejas y obligado a regresar a su pueblo por las oraciones de su madre. A su retorno, sirvió a su pueblo. Adatnese es llamada también Anajana, Arinna, Irina, Iranana. El profeta Ezequiel profetiza además para los tiempos finales a Gog tierra del Magog, príncipe ruso de Mesek y Tubal, que con muchos pueblos serían quebrantados al avanzar contra Israel (Ezq.38:1ss).
Del nombre de Tubal proviene el de su clan, conocido también como Tipal en inscripciones hititas, Tabal o Tabâli o Tubla en los textos asirios, Tiber o Íber de los Tiberianos según Herodoto, Tibareni en los clásicos, Thobel de los Thobelitas, según Josefo, raíz de los Íberos. Tiglat-Falasar I hace mención en sus anales de aquellos Tubalitas que presionaban a la misma Mesopotamia. Tiglat-Falasar II relaciona en sus anales a 24 reyes de la tierra de Tubal que le rendían tributos en tiempos del imperio Asirio. Herodoto, en sus Nueve Libros de la Historia, y Jenofonte, en su Anabasis, sostienen que los clanes de Tubal emigraron inicialmente hacia la orilla meridional del Mar Negro. Mesek y Tubal llegaron a conformar la Satrapía # 19 del imperio persa en días de Darío. Algunos emigraron más al occidente hacia Italia alrededor del Tíber que recuerda su nombre, de donde siguió la emigración occidental hacia España como los primeros Íberos, según lo narra el historiador Josefo. Pero la migración principal no fue la occidental, sino la nororiental. Junto con los clanes de Mesek, los de Tubal emigraron hacia Rusia. Los clanes de Mesek dieron origen a los Moscovitas, y los de Tubal se extendieron por las estepas de Siberia. El nombre de Tubal es recordado allí en el nombre de la gran capital de la Rusia Asiática denominada Tobolks. La onomástica Tubal, Tabal, Tabâli, Tipal, Telepino, Tubla, Tobolks, Thobel, Tepaneco, Iber, Tiber, Tubareni, Tibareni, Sibareni desemboca en Siberia. La población original de Siberia fueron los Tubalitas, quienes fueron los principales emigrantes a la América precolombina. Tenochtitlan era la capital pre-azteca del pueblo llamado con el nombre de Tepaneco.
Bryan Sykes, profesor de genética de la universidad de Oxford, y consultor científico del Parlamento Británico, narra su epopeya del avance de la genética en su importate libro: "Las Siete hijas de Eva". Por medio del ADN mitocondrial se conoce la historia genética de las migraciones de la humanidad. Por ejemplo, se demostró que la variante 247 del ADN mitocondrial polinesio no era tan abundante en América precolombina, como se había supuesto. El seguimiento del cromosoma Y dio los mismos resultados del ADN mitocondrial. Uno de cada cien de los pobladores nativos de América proviene de una sola madre a través de Siberia (Ver la epopeya genética de Xenia en la obra mencionada de Brian Skypes). La secuencia genética siberiana está emparentada a la finesa, que a la vez se conecta a la de América del Sur, desde el Ártico hasta el Brasil. También por medio de una sola mujer progenitora de Armenia está conectado el europeo común con el resto del mundo en el ADN mitocondrial. Por medio de la reconstrucción genética se llega al resultado de que la colonización del resto del mundo provino de apenas uno de 13 clanes que moraban en África (Ver la epopeya genética del clan de Lara, según B. Skypes). El seguimiento genético permite deducir las migraciones tubalitas y sineas hacia América precolombina, siguiendo la principal línea desde Ucrania, por Mongolia, hacia América. Al respecto, Bryan Skypes se atreve a concluir después de rigurosa investigación en todo el globo: "Podemos tener la certeza absoluta de que fue de allí que partió la colonización de las Américas. Cuatro clanes mitocondriales dominan la genética de los nativos americanos. Todos los cuatro fueron reconstruídos con facilidad y hay vínculos genéticos obvios con personas que viven hoy en Siberia y en el centro-norte de Asia...Hubo dos períodos en que hubo un puente de tierra continua entre Siberia y Alaska...La frecuencia genética de los americanos nativos modernos favorece el más reciente...Reconstrucciones a partir de padrones siberianos y mongoles muestran con mucha claridad que los clanes ya estaban bien separados unos de los otros antes de que llegasen a América. Lo mismo se aplica al quinto extraño clan, aquel de Armenia, al que pertenece el 1% de los americanos nativos. Como ya vimos, aquel clan tuvo su origen en la frontera entre Europa y Asia " (pg.323, 324). La ausencia del clan armenio en las muestras de Siberia y Alaska, hace pensar en una nueva oleada migratoria por el litoral asiático, las islas Aleutianas y el Pacífico. Tenemos además los importantes clanes sineos.
El patriarca Sin, recordado como gran legislador, y héroe "deificado" por la posteridad, según la costumbre principalmente camita, fue llamado "señor de las leyes, ordenador de las leyes de cielo y tierra". Sin estableció su clan primigenio primeramente en la región del Líbano cerca a su hermano inmediatamente anterior: Araq. La ciudad primera fue llamada conforme a su onomástica: Syan, y aparece en los textos cuneiformes como Sianu. Parte de su clan emigró hacia el sur rumbo a la península que entonces tomó el nombre de Sinaí. Pero mayormente el contingente sineo se esparció dirigiéndose al oriente, primeramente rumbo a Sumeria, donde fue recordado en la onomástica de Abi-Sin, Naran-Sin y Senaquerib. Se asoció a los clanes hititas, llamadas Jaty, y Cathay, desplazándose hacia el lejano oriente, especialmente tras la caída del imperio Hitita. Los hititas del norte se mezclaron con los indoeuropeos, pero siempre hubo entre ellos un importante contingente de elevados pómulos, ojos oblicuos y craneos mongoloides, los del centro y sur, tal como aparecen en las representaciones gráficas. Debe notarse que las estructuras sintácticas sumerias son semejantes a las chinas y a las turcas. Ahí podemos ver la simbiosis hitita-sinea. Los chinos remontan su civilización a la ciudad capital de la provincia de Shensi situada a orillas del rio Wei que se dirige hacia el rio Amarillo. El nombre de su capital primigenia ha sido Siang-fu, lo cual significa: Padre Sin. Su primer rey fue conocido como Fu-hi de los montes Chin. Los escitas, que comerciaban con ellos, los referían como Sinae, y a su capital comercial occidental como Thinae o simplemente Thsin. Ya para la época del profeta Malaquías, la dinastía Tsin era suprema en el imperio Chino. Cuatro siglos antes de Malaquías, el profeta Isaías se refiere a ellos como Sinim (Is.49:12). Ha habido un buen número de investigadores que ha recuperado tales huellas; tales como J. Inglis (1877), C. A. Gordon (1889), C. R. Conder (1890), W. Boscawen (1896), A. Dillman (1897), W. J. Perry (1937), Arthur C. Custance (1975), de quienes nos declaramos abiertamente deudores, y sobre cuyos hombros estamos.
Por la misma época de las migraciones coreanas a Japón, los Jomon y los Yayoi, acontecieron las migraciones asiáticas hacia América. De los Jomon descendieron los Ainu. La cerámica Jomon es exactamente igual a la ecuatoriana precolombina, como puede observarse en la Prehistoria de Suramérica de J. Schobinger. Hubo además otra ruta migratoria sinea por los litorales arábigo, pérsico y paquistaní, de la cual una mínima parte pasó por Australia hacia América. Los isleños de las islas Marquesas dicen que sus ancestrales trajeron sus cocoteros del noreste; es decir, América. Pero, por la prueba genética, los polinesios migraron principalmente a partir de Taiwán. La religión de la América precolombina tiene el sello del Asia. Ilustraciones artísticas de Quetzalcoatl tienen trazos budistas. Las tradiciones hindúes Naga y las draconianas sino-japonesas se corresponden a la cultura Tlaloc. La especie de elefante típica de la India aparece representada en la cultura maya centroamericana; la secta Shin japonesa identifica a Tengú con el elefante Ganesha; y el cronista Fray Pedro Simón sostiene que en Mbacatá (Bogotá) era venerada por los Muiscas una "costilla de camello". La divinidad enttre los chibchas era llamada de Chimgagua; es decir, Hijo de Chim. El ciclo de las 4 edades "Yugas" orientales procedente de la India (Mahabharata), por la China, es el mismo de México (Códice Vaticano de pinturas mejicanas que hablan también del Diluvio y de la Gran Torre, llamando Chululan a Nimrod) y del Perú. De Babilonia y Egipto, por la India y China, hacia la Tartaria, el Tíbet y Mongolia, fluyeron doctrinas de la "civilizacióin" sinea hacia la América precolombina. Los Mayas colocaban las vísceras de los muertos de la misma manera como los egipcios en sus vasijas dedicadas a Horus. Por eso no es extraño que Timágenes, Solón, Platón, Proclo, Amiano Marcelino, Diodoro Sículo, mostrasen conocimiento de las tierras más al occidente del Atlántico. Cuando el misionero jesuita Pedro Grellon llegó al Asia Central, encontró en Tartaria a una mujer de los indios hurones de norteamérica que había llegado allí por el estrecho de Bering. Los Muiscas de la Sabana de Bogotá, al igual que los Kunas del Darién, y los Mayas de Chiapas y Yucatán, de la misma manera que los habitantes de las Islas Aleutianas que suben del Asia hacia Alaska, embalsaman a sus muertos con los mismos métodos; La cultura Su-Shen ligaba Corea, Siberia y América; y en cada lugar eran comunes sus corazas de hueso; ¿coincidencia? El profesor Elliot Smith siguió el rastro de los Pieles Rojas hasta más allá del Mar Caspio. Los antiguos japoneses incluían América en sus mapas antes de Cristobal Colón. También el almirante sino-británico Gavin Menzies documentó profusamente acerca de las incursiones chinas precolombinas en América, cuyo verdadero nombre, conforme a la tradición más antigua, debiera ser Alaska. De estas y muchas más correspondencias nos habla también Donald A. Mackenzie en su "América Precolombina".
He aquí, pues, la relación migratoria tubalí-sinea, central entre sus concomitantes, preparada para la primera camada cristiana precolombina.
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Teusaquillo, 2007, giv. -
RELACIÓN SOBRE LOS DÍAS DE PELEG
RELACIÓN SOBRE LOS DÍAS DE PELEG
Después de la caída del hombre, y su expulsión del Edén, aunque con la promesa de redención mediante la Simiente herida de la mujer, la humanidad antediluviana se corrompió y mezcló con los nefilim, por lo que fue destruída mediante la catástrofe diluviana, con excepción de Noé y su familia en un arca, juntamente con gran variedad de animales. Tras el Diluvio, la humanidad entera entró en el pacto noético con Yahveh Elohim. Pero poco a poco comenzó de nuevo a apartarse de Dios. Nimrod lideró un movimiento de resistencia a Yahveh Elohim, fundando varias ciudades bajo su hegemonía, y conduciendo la construcción de un inmenso zigurat en cuya cúspide estuviese plasmada la concepción astrológica corrompida por los arcontes caídos, y donde serían copularmente de nuevo recibidos, para organización de un imperio único rebelde. Esto sucedió después de los días de Cainán II Sala semita, quien había nacido en al año 1693 desde Adam, y que engendró a Sala II, el cual nació en 1723; éste último fue el padre de Heber, quien cruzó el Eufrates, y fue el patriarca que dió nombre a los hebreos.
En aquellos días Yahveh Elohim juzgó de nuevo a la humanidad, que ahora seguía las directrices de Nimrod, confundiendo sus lenguas a partir de Babel, y esparciéndolos a lo largo y ancho de y'vasha-erets-adama, a partir de la tierra de Sinar en Sumeria. Y para asegurar su dispersión, no solo cultural sino también física, y estorbar con impedimentos su conspiración y conjura, por medio de una gran catástrofe, secuela de los movimientos telúricos diluvianos que siguieron a la mudanza de los polos magnéticos de la tierra, que mudó el clima y la configuración del continente llamado luego Pangea, y también Gondwana, escindió ahora también violentamente con grandes hendiduras la superficie seca de la tierra, dando lugar al paso masivo de las grandes corrientes oceánicas, y dando inicio a la deriva de los continentes, y que aún ahora continúa inexorable amenazando ruina, de la misma manera como habló Yahveh por Isaías en su profecía sobre las bestias del Neguev: "Porque desechásteis esta palabra, y confiasteis en violencia y en iniquidad, y en ello os habéis apoyado; por tanto, os será este pecado como grieta que amenaza ruina, extendiéndose en una pared elevada, cuya caída viene súbita y repentínamente. Y se quebrará como se quiebra un vaso de alfarero..." (Is.30:13, 14a).
Eran, pues, los tiempos del patriarca Heber. En los días de aquella gran catástrofe, le nació a Heber su primogénito; entonces, para conmemorar aquel terrible acontecimiento, le llamó a su hijo con el nombre de Peleg. Por eso está escrito en el sacro y antiguo Toledot Shem (Relaciones de Sem), también incorporado por Moisés en B'reshit, lo siguiente: "wl'Heber yuler sh'ny banim shem haejad Peleg ky b'yamayn nifelega haerets v'shem ajayv Yaqtan". Lo cual significa: "Y a Heber nacieron dos hijos: nombrado el uno Peleg, ya que en sus días escindióse violentamente con hendiduras la tierra. Y nombrado su hermano Joctán" (Gn.10:25). Ésto aconteció en el año 1787 desde Adam, cuando Heber tenía 34 años.
El nombre Peleg viene del verbo "nifelega", que significa escindir violentamente con hendiduras; "nifelega" es la conjugación en tercera persona singular del verbo "pälag". Algunos traductores han traducido simplemente como "dividir", dando a entender apenas como si se tratase de distribuir o repartir los terrenos. Pero en ese sentido nunca es usado el verbo "pälag". El verbo que se usa en las Sagradas Escrituras para ese otro sentido de dividir, repartir o distribuir, es el verbo: "jälaq", como en Josué 18:10; 22:8; 2º Samuel 19:29; Isaías 9:3. Todo esto lo argumentó muy bien en Exeter, Inglaterra, en 1937 d.C., el autor Benjamín Adam, en su libro: "Historia del Paganismo". En cambio, la expresión hebrea "pälag", está cercana a "pä'ah", que significa despedazar. También la raíz hebrea "pele'" significa acontecimiento extraordinario y demasiado difícil e increíble, que causa estupenda destrucción; como lo explica el profesor Víctor P. Hamilton en el Diccionario Internacional de Teología del Antiguo Testamento.
Acerca de la antigüedad de la Tableta del sacro Toledot Shem, el profesor de antropología Arthur C. Custance, M.A., Ph.D. (1910-1985), en su libro: "Orígenes de las Naciones", la demuestra al exponer los muchos indicios de arcaicidad, tales como: el apenas incipiente desarrollo jafetita, el ensalzamiento cusita de los camitas en vez de Mitzraim, el silenciamiento de Tiro al lado de Sidón, la existencia de Sodoma y Gomorra como ciudades aún contemporáneas al escritor, la dedicación especializada a los joctanitas que decayeron en tiempos posteriores, al mismo tiempo que el silencio acerca de la descendencia de Peleg, de quien proviene nada menos que Abraham, la ausencia a cualquier referencia a Jerusalem, la cual es apenas conocida con el viejo nombre de Jebús. Cosas impensables para un supuesto escriba elohista o sacerdotal de los tiempos judíos tardíos a que atribuyen el documento los críticos escépticos de la hipótesis documentaria.
La deriva de los continentes por la rotación de la tierra y las presiones oceánicas, de que nos da noticia el Toledot Shem, documento arcaico semita (Gn.10:1b - 11:10a), tan evidente a simple vista cuando se observa la coincidencialidad de los bordes periféricos continentales, y los amontonamientos montañosos de las placas tectónicas, por ejemplo, hacia el norte en la cadena de los Himalayas, y hacia el occidente en la cordillera de los Andes, etc., comenzó a ser reconocida desde Alemania, en 1912, por Alfred Wegener, quien además señaló las coincidencias paleontológicas de la fauna y la flora, fracturadas por los hundimientos tectónicos, como en el caso de la morfología del nordeste brasilero y el golfo de Guinea; si bien, para varios casos, se hace necesaria una mayor consideración de los zócalos continentales. Las cadenas montañosas septentrionales de Noruega y Escocia tienen continuidad en Groenlandia y Canadá. El antiguo clima tropical boreal ha sido demostrado por los yacimientos de carbón, y la distribución generalizada del helecho glossopteris fósil. El aislamiento de la fauna australiana salvó a los marsupiales de los depredadores que en otras latitudes los extinguieron; aunque también se han descubierto fósiles marsupiales en la Antártida. Se está previendo también la separación de Sudamérica, y la unión de los océanos Pacífico y Atlántico. La consideración de las rocas imantadas ha demostrado que sí hubo un cambio de los polos magnéticos del planeta, como el que pudo darse en el Diluvio y otras ocasiones, y como los que se esperan en la apertura del sexto sello por el Cordero de Dios, y al derramarse la séptima taza apocalíptica. El providencial movimiento de la litosfera nos ha traído, pues, hasta aquí, donde nos ha tocado vivir nuestra historia. □
(Continúa, Dios mediante)...
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Teusaquillo, 2007, giv. -
RELACIÓN ALREDEDOR DEL HEPTAEMERÓN
RELACIÓN ALREDEDOR DEL HEPTÆMERON
Elohim, el Eterno y Altísimo Adonay, encabezó al principio, con Su Verbo y con Su Espíritu paterno-filial, la creación de todas las cosas del mundo invisible y del visible.
Con el ylem caótico que resultó del juicio sobre Lucero y la tercera parte de los ángeles, que se rebelaron contra Yahveh Adonay Elohim Elyon en la creación ex-nihilo primigenia, hizo, formó y compuso Elohim, en la creación, moviéndo en órbita sobre el ylem, la buena luz, el buen día y la buena noche cósmicos, los cielos primero y segundo (pues el tercero aún permanecía desde la expulsión de Lucero y sus huestes), los mares acumulados, la buena y'vasha-erets-adama, los buenos min, las buenas plantas, los buenos astros y constelaciones, zodiacales o no, las buenas señales, las buenas estaciones, la buena sucesión de los días, las semanas, los meses, los años, los eones. Y creó también Elohim los buenos seres nefésicos vivos, las buenas aves marinas, los buenos grandes tanines y todo buen animal que rebosa a miriadas las mojadas, mandando a éstas producir. E hizo Elohim buenas minas de vivientes nefésicos, buenas minas de behemot y buenas minas de remesas de adama, mandando a y'vasha-erets-adama producir.
Por fin hizo, formó y creó Elohim muy bueno adam de adama con cuerpo bazárico somático, y le insufló espíritu de vidas (biológica y almática) para que llegase a ser un viviente nefésico capaz de alimentar su espíritu de la vida eterna divina, de manera que pudiese contener, expresar y representar a Elohim en su propia imagen y semejanza. Adam fue hecho en dos géneros para crecer, fructificar y multiplicarse, de manera que gobernase a y'vasha-erets-adama para Elohim, guardándola de Lucero y sus huestes, llevando la cultura del Edén a toda la y'vasha-erets-adama, el continente único primigenio, llamado luego por los hombres: Pangea, rodeado por el cúmulo de los mares. Y entonces, también, a las obras de las manos divinas, pues todo había de serle puesto por Elohim bajo las plantas de los pies.
Adam: zacar y neqeva, fueron, pues, probados por Yahveh Elohim, en los términos del pacto edénico. Vivirían por la vida misma de Elohim, complemento y sentido de la suya creada, y así cumplirían el propósito del Altísimo de tener hijos e hijas como Su propio Hijo Unigénito, de modo a hacerlo Primogénito entre muchos hermanos y hermanas semejantes; o si escogieran vivir por sí mismos, independientes de Yahveh Elohim, como se había rebelado Lucero arrastrando a un tercio de los seres angélicos, entonces se separarían de Yahveh Elohim, lo cual es la muerte, excluyéndose de la vida, gloria y economía divinas. Y descansó el sábado Elohim de Su obra en la creación, y lo separó para sí, esperando que también el hombre, por alimentarse de Su vida divina, entrase también en Su reposo; aunque bien conocía de antemano Yahveh el dolor que el hombre mismo le produciría; pero menospreció al dolor y al oprobio, por el gozo inefable de al fin tener familia y reino eterno con los redimidos vencedores probados y aprobados, hechos semejantes a Su Hijo, y compañeros Suyos.
Del sacro y antiguo Toledot ha-shamayim v-et ha-erets (Relaciones de los cielos y la tierra), del sacro y antiguo Sefer toledot Adam (Libro de las relaciones de Adam), incorporados por Moisés a B'reshit, y de otros documentos sacros, hemos desentrañado esta relación. □ (Continúa, Dios mediante)...
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Teusaquillo, 2007, giv. -
ACERCA DEL HOMOSEXUALISMO
Acerca Del Homosexualismo
News Type: Opinion — Sat Dec 23, 2006 11:23 PM EST
education, biblia, homosexualismo, sodoma, sodomitas
cristianogiv
ACERCA DEL HOMOSEXUALISMO
EscriTo está:
"Profesando ser sabios, se hicieron necios,.../...Por lo cual también Dios los entregó a la inmundicia, en las concupiscencias de sus corazones, de modo que deshonraron entre sí sus propios cuerpos, ya que cambiaron la verdad de Dios por la mentira.../...Por esto Dios los entregó a pasiones vergonzosas; pues aun sus mujeres cambiaron el uso natural por el que es contra naturaleza, y de igual modo también los hombres, dejando el uso natural de la mujer, se encendieron en su lascivia unos con otros, cometiendo hechos vergonzosos hombres con hombres, y recibiendo en sí mismos la retribución debida a su extravío. Y como ellos no aprobaron tener en cuenta a Dios, Dios los entregó a una mente reprobada, para hacer cosas que no convienen..." (Rom.1:22,24,25a,26-28)
"¿No sabéis que los injustos no heredarán el reino de Dios? No erréis; ni los fornicarios,.../...ni los adúlteros, ni los afeminados, ni los que se echan con varones ... heredarán el reino de Dios..." (1Cor.6:9.../...10).
"Y manifiestas son las obras de la carne, que son: adulterio, fornicación, inmundicia, lascivia,...orgías, y cosas semejantes a estas; acerca de las cuales os amonesto, como ya os lo he dicho antes, que los que practican tales cosas no heredarán el reino de Dios"
(Gál.5:19,21
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"Porque sabéis esto, que ningún fornicario, o inmundo...tiene herencia en el reino de Cristo y de Dios. Nadie os engañe con palabras vanas, porque por estas cosas viene la ira de Dios sobre los hijos de desobediencia. No seais partícipes con ellos.../...y no participéis en las obras infructuosas de las tinieblas, sino más bien reprendedlas; porque vergonzoso es aun hablar de lo que ellos hacen en secreto." (Ef.5:5a,5c,6,11,12).
"Haced morir, pues, lo terrenal en vosotros: fornicación, impureza, pasiones desordenadas, malos deseos...; cosas por las cuales la ira de Dios viene sobre los hijos de desobediencia" (Col.3:5a,6).
"Pues la voluntad de Dios es vuestra santificación; que os apartéis de fornicación; que cada uno de vosotros sepa tener su propia esposa en santidad y honor; no en pasión de concupiscencia, como los gentiles que no conocen a Dios" (1Tes.4:3,4).
"Porque vendrá tiempo cuando no sufrirán la sana doctrina, sino que teniendo comezón de oir, se amontonarán maestros conforme a sus propias concupiscencias..." (2Tim.4:3).
"Cuando alguno es tentado, no diga que es tentado de parte de Dios; porque Dios no puede ser tentado por el mal, ni Él tienta a nadie; sino que cada uno es tentado, cuando de su propia concupiscencia es atraído y seducido. Entonces la concupiscencia, después que ha concebido, da a luz el pecado; y el pecado, siendo consumado, da a luz la muerte" (Stgo.1:13-15).
"Sabe el Señor librar de tentación a los piadosos, y reservar a los injustos para ser castigados en el día del juicio; y mayormente a aquellos que, siguiendo la carne, andan en concupiscencia e inmundicia..." (2Pd.2:9,10a).
"Como Sodoma y Gomorra y las ciudades vecinas, las cuales, de la misma manera que aquellos (ángeles caídos), habiendo fornicado (contra natura) e ido en pos de vicios contra naturaleza, fueron puestas como ejemplo, sufriendpo el castigo del fuego eterno"
(Jd.1:7 con paréntesis debidos al texto griego).
"Pero los cobardes e incrédulos, los abominables y homicidas, los fornicarios y hechiceros, los idólatras y todos los mentirosos tendrán su parte en el lago que arde con fuego y azufre, que es la muerte segunda"
(Ap.21:8).
"Asimismo como sucedió en los días de Lot.../...el día en que Lot salió de Sodoma, llovió del cielo fuego y azufre y los destruyó a todos. Así será en el día en que el Hijo del Hombre se manifieste" (Lc.17:28a,29,30).
"Los hombres de Sodoma eran malos y pecadores contra Yahveh en gran manera" (Gn.13:13).
"Pero antes que se acostasen, rodearon la casa los hombres de la ciudad, los varones de Sodoma, todo el pueblo junto, desde el más joven hasta el más viejo. Y llamaron a Lot, y le dijeron: ¿dónde están los varones que vinieron a ti esta noche? Sácalos, para que los conozcamos (carnalmente). Entonces Lot salió a ellos a la puerta, y cerró la puerta tras sí, y dijo: Os ruego, hermanos míos, que no hagais tal maldad. He aquí que yo tengo dos hijas que no han conocido varón; os las sacaré fuera, y haced con ellas compo bien os pareciere; solamente que a estos varones no hagáis nada, pues que vinieron a la sombra de mi tejado. Y ellos respondieron: Quita allá...Ahora te haremos más mal que a ellos.../...Entonces Yahveh hizo llover sobre Sodoma y Gomorra azufre y fuego de parte de Yahveh desde los cielos, y destruyó las ciudades..." (Gn.19:4-9a,9c,24,25a).
"...Condenó por destrucción a las ciudades de Sodoma y Gomorra, reduciéndolas a ceniza y poniéndolas de ejemplo a los que habían de vivir injustamente" (2Pd.2:6).
"...Ni haya sodomita de entre los hijos de Israel"
(Dt.23:17
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"Hubo también sodomitas en la tierra, e hicieron conforme a todas las abominaciones de las naciones que Yahveh había echado delante de los hijos de Israel.../...Asa hizo lo recto ante los ojos de Yahveh, como hizo David su padre. Porque quitó del pais a los sodomitas..." (1R.13:24; 15:11,12a).
"Los hipócritas de corazón atesoran para sí la ira, y no clamarán cuando Él (Dios) los atare. Fallecerá el alma de ellos en su juventud, y su vida entre los sodomitas"
(Job.36:13,14).
De todos estos versos inspirados por Dios, podemos comprender Su voluntad perfecta al respecto de tema tan moderno y viejo.
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A SATANIZAÇAO DO NATAL
A SATANIZAÇÃO DO NATAL
O conceito original do Natal era certamente profundo; e por seu mesmo significado e teor, também destinado a mais transcendental controvérsia; o qual explica a paulatina satanização do natal. A palavra “natal” é uma contração de outra palavra: “natividade”, e se refere ao nascimento da prometida Semente da Mulher que esmagaria a cabeça do dragão serpente, imperador da morte, a custo de Suas feridas, Sua morte expiatória, pois seria ferido no calcanhar quando esmagasse a cabeça da serpente.
A primeira origem de tal conceito provém do hiper arcaico documento titulado Sefer toledot Adam, ou “Livro das Relações de Adão”, incorporado e atualizado debaixo da divina inspiração por Moisés no Br"shit da Torah, normalmente chamado Gênesis, o primeiro livro do Pentateuco. Tal documento hiper arcaico é a segunda das relações incorporadas e atualizadas debaixo da divina inspiração por Moisés e aparece depois do Toledot ha-shamayim v-et ha-erets, ou “Relações dos Céus e da Terra”, que contem as primeiras origens e o Heptameron(ou sete dias)da obra e composição dos céus e da terra. O Sefer toledot Adam, segundo a capitulação e versificação alta - medieval de Canterbury, vai desde Gn.2:4b até Gn.5:1a . Na passagem 3:14-15, um verdadeiro proto – evangelho, está escrito o seguinte: “.14Então o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. .15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” [negritas deste autor].
Deus promete pois à serpente, a quem o apóstolo João divinamente inspirado em Apocalipses chama : “o dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e satanás” (Ap. 12:9), que a Semente da Mulher esmagaria sua cabeça, ainda que fosse ferido. Tal ferida no calcanhar eqüivalia à Sua morte expiatória para redimir do pecado e da morte o homem, que havia sido introduzido neles pelo querubim caído Lúcifer. Tal expiação foi prefigurada no sacrifício do animal de cuja as peles recobriu a nudez disfarçada dos nossos pais primogênitos. É essa a razão pela qual Eva, quando deu a luz a Caim, disse de forma exaltada: “Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR” (Gn.4:1). Caim significa adquirido. Provavelmente Eva pensou que Caim já seria a semente prometida. De tal maneira, Caim seria o primeiro protótipo do falso cristo, o qual assassinou o seu irmão Abel, o qual certamente se cobria, como foi com os seus pais, com o sacrifício expiatório do mais gordo de suas ovelhas, prefiguração do sacrifício de Cristo. Mas diferente do possível pensamento de Eva, o que realmente começou a acontecer na pré figurativa história de Caim e Abel, foi o início da inimizade prometida por Deus entre duas linhas, a da serpente e a de Deus. Também Caim, debaixo de inspiração maligna, antecipou-se apressadamente a chamar Enoque, iluminado, a seu primogênito; mas o verdadeiro iluminado de Deus o Enoque descendente de Sete, o qual também profetizou sobre a futura vinda dAquele que esmagaria a cabeça da serpente. O Enoque cainita era um falso iluminado, igualmente o seu pai Caim não era a verdadeira semente prometida. Mas o Enoque setita sim, profetizou por inspiração divina: “14Quanto a este(os ímpios) foi também que profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, 15para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticam e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele. 16Os tais murmuradores, são desobedientes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros.” (Jd.1:14-16). A história deste Enoque setita era também conhecida pelos sumérios e caldeus, chamando-os em seu idioma de: Enmeduranna de Sipar, segundo o Prisma Well-Blundell (W:B:444,62) com o catálogo de personagens antediluvianos e outros documentos. Por sua parte, o antigo historiador dos caldeus, de nome Beroso, se refere a Enoque setita como: Evedoranjos de Pautibibla, também chamado Emenduranki. Tais tradições passaram no período intertestamentairo aos quatro conhecidos livros do Ciclo de Enoque: o etíope–grego, o eslavo. O hebreu e o arameu, ademais dos fragmentos coptos. O irmão de Jesus CRISTO, Seu apóstolo Judas Tadeu Lebeu seleciona de tal tradição o fundamental. Nessa mesma época, o rabino Ismael acrescenta tal tradição com suas “visões” da Merkabah. A sua vez, também Lameque setita, pai de Noé, tinha a esperança de que este algo assim como a semente prometida(Gn.5:28-29, do Toledot Nojá); mas Noé foi apensa uma prefiguração típica, pois salvou a humanidade na arca durante o Dilúvio. Do qual o apóstolo Pedro nos ensina que é uma prefiguração do batismo em Cristo (1Pd.3:20-23). Mas já passado o Dilúvio, aparece outro protótipo do anticristo: Ninrode , ou Nino, quem está por detrás da chamada civilização de Nim-Marad, equivalente a Suméria. Sua esposa Semiramis, depois da morte trágica daquele, deifica ao herói mediante o espiritismo; e dali surge o modelo mitológico da mãe que se torna esposa do filho, pois Samiramis considerou a Ninrode como Zoroastra, isto é, a semente prometida. A este respeito, recomendo o leitor ao capítulo 7 do livro “Pespectiva del Hombre”, deste mesmo autor: “Relaciones histórico-mitologales”. Sobre tal transformação mitológica bem nos informa Alexander Hislop, com a sua abundante bibliografia no seu recomendável livro: “Las Dos Babilonias”, o qual lhe custou a vida, pois o mataram por isso em 1854. Baseado nele e outros estudos históricos, recentemente Ralf Woodrow escreveu sua famosa “Babilônia, a Religião dos Mistérios”, onde nos informa da paganização da cristandade periférica a partir de Constantino.
Mas não vamos nos adiantar tanto. Depois da época de Ninrode, aparece Abraão, pai da Fé. A este vem a promessa de que em sua semente seriam bendita todas as famílias na terra. De modo que a Emente da Mulher seria também a Semente de Abraão; e assim sucessivamente, viria pela linha de Isaque, de Jacó Israel e da tribo de Judá. E então também da família de Isai(Jessé) e do rei Davi. Nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, Isaías e Miquéias profetizam acerca de tal nascimento. Isaías profetizou: “Portanto, o SENHOR mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel (Deus conosco).../...Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso , Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos exércitos fará isto” (Is.7:14; 9:6-7).
De sua, Miquéias profetizou: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cuja as origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto, o SENHOR os entregará até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz, então, os restantes dos seus irmãos voltará aos filhos de Israel” (Mq.5:2-3). De modo que, por um lado, Isaías acrescenta ao quadro profético fato de que a Semente da Mulher que viria por Abraão, Isaque, Israel, Judá, Isai(Jessé) e Davi, seria realmente uma semente de mulher; isto é, de uma jovem donzela virgem. O qual seria o sinal divino. E por outro lado, Miquéias acrescentou que nasceria na cidade de Belém de Judá. Isso foi o que profetizou Isaías e Miquéias mais de 700 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, como consta na documentação desenterrada pela arqueologia em Qumram e outros lugares. Ademais, Miquéias dá a entender que a vinda do Messias seria em duas etapas: a primeira em Belém, para sofrer como expiação; mas os deixaria por um tempo esperando o pacto espiritual do povo do Deus. Então, depois da formação de Cristo na Sua igreja e a conversão de Israel para ser enxertado na sua própria oliveira, regressaria para reinar, já não a Belém, senão no monte das oliveiras, também segundo outras profecias.
O significado profundo do natal, ou natividade, é o recebimento do nascimento do Messias em Belém, que veio para desfazer as obras do Diabo. Por isso o dragão, segundo Apocalipses, para na frente da Mulher, com a intenção de devorar o menino após o seu nascimento. E agora já não é mais o turno de Caim, nem de Nirode, senão de Roma por mão de Herodes, chamado pelo seus de o grande, para levantar-se contra o Ungido de Deus. Mas avisados sobrenaturalmente fogem para o Egito. Depois da conversão de Constantino, imperador romano, a serpente procura então imitação na paganização da cristandade periférica. O paganismo continua então adotando os nomes cristãos para as festas pagãs, e isso com a conivência de líderes contemporizadores e de curta visão. O solstício de inverno no hemisfério norte, figurado com uma aureola solar especial, dá lugar à festa do sol invicto, com pano e fundo mitraico, tão apreciado por Carlos Gustavo Jung, guru da nova era, que é a velha era de novo. A festa do sol invicto, pois ao Messias nas Sagradas Escrituras é chamado de: O Sol da Justiça, é convertida então na celebração do nascimento do menino Jesus, mas totalmente fora das verdadeiras conotações cronológicas, senão apenas temáticas.
O aspecto cronológico verdadeiro do nascimento e Jesus é o seguinte: o sacerdote Zacarias, casado com Isabel, que era parente da virgem Maria, pertencia a classe de Abias, a oitava classe entre os 24 turnos sacerdotais estabelecidos por Davi. A cada classe correspondiam 15 dias entre os 360 do ano lunar para exercer a liturgia sagrada no santuário. A oitava classe , a de Abias, à qual Zacarias pertencia, o pai de João o batista, completava sua liturgia ao terminar o quarto mês, rebyhy. O ano bíblico e cósmico começa no equinócio de primavera, quando brota a vida, segundo a vontade de Deus expressa a Israel na Torah (Êxodo 12), no mês de Abib Nissán, entre a segunda quinzena de março e a primeira de abril. Depois dos meses (1)Abib Nissán, (2)Zif, (3)Siván e (4)hebyhy, ao terminar Zacarias a sua liturgia, Isabel sua esposa concebe e no sexto mês de sua gravidez, Maria então concebe pelo Espírito Santo conforme a profecia e o novo anúncio divino pelo anjo Gabriel. Portanto, o 6 meses de Isabel correspondem a (5)hamyshy, (6)Elul, (7)Etanim, (8)Bul, (9)Kisleu, (10)Tebet, no décimo mês do ano, Tebet, o sexto da gravidez de Isabel, aparece Gabriel a Maria para anunciar-lhe a concepção de Jesus. Tebet eqüivale a segunda quinzena de dezembro e a primeira de janeiro. Contando então os nove meses da gravidez de Maria, teremos: (11)Shebat, (12)Adar, (1)Abib Nissán, (2)Zif, (3)Siván, (4)rebyhy, (5)hamyshy, (6)Elul, (7)Etanim. Portanto, Jesus Cristo nasceu no sétimo mês do ano bíblico e cósmico, chamado nas Sagradas Escrituras: Etanim, que corresponde com a segunda quinzena de setembro e a primeira de outubro, o mês do zodíaco astrônomo corresponde a Virgo, pois o Messias nasceu da virgem como Semente da Mulher. Neste mês se celebra o dia da expiação, pois Jesus Cristo nasceu de uma virgem para morrer pelos nossos pecados e redimir-nos do pecado e da morte. O ciclo que começa em Virgo termina em Leo, pois o Messias regressará pela segunda vez como o Leão da tribo de Judá para julgar e reinar.
Dionísio o Exíguo, o erudito depois do calendário gregoriano que substituiu ao juliano, e que usamos atualmente, está defasado em um septenário(sete anos), pois errou ao colocar o nascimento de Jesus Cristo depois da morte de Herodes, chamado de grande pelos seus. No entanto, Jesus Cristo nasceu antes da morte de Herodes, pois este foi visitado magos da Anatólia(Ásia Menor) depois do nascimento do menino Jesus. Passado um tempo, este Herodes organizou a matança do filhos inocentes de Raquel em Efrata, quando José, Maria e Jesus já haviam fugido para o Egito. O fenômeno astral que guiou os magos desde sua terra, em três etapas até Belém, foi descoberto pelo grande astrônomo Johanes Kepler, que comprovou cientificamente que uns anos antes da morte de Herodes, se viu três vezes desde o ângulo de Belém, a conjunção dos planetas Júpiter e Saturno. Desde a presença do profeta Daniel na Pérsia como líder dos magos, os mazdeitas esperavam ao Rei dos Judeus prometido. E posto que Júpiter é o planeta real e Saturno o sabatino(saturday), e o sábado está ligado aos judeus , a conjunção de Júpiter e Saturno significou para eles o sinal do nascimento do Reis dos Judeus. A conjunção também se deu, pois, no mês de Etanim. Mas vemos então o desejo da serpente de fazer-se igual a Deus, quando na forma ocultista influencia no desenho da estrela de Belém, um pentagrama com duas pontas para cima, como os chifres do rosto de bezerro(ou bode de Mendes) do querubim caído. O intuito de Lúcifer sempre foi satanizar o natal.
A partir de Francisco de Assis, iniciou-se a lembrar-se do natal com a elaboração de presépio. Desgraçadamente, a partir dos países nórdicos juntamente com a conivência luterana, introduziu-se a figura da árvore de natal. Vemos então como a serpente substituiu ao presépio com a árvore de natal e o nascimento de Jesus com a “terna” história de santa Klaus, Papai Noel. O que era uma celebração religiosa e espiritual, foi transformado pela serpente em orgia de bebedices e comilanças, cada vez mais parecida ao halloween das bruxas. De fato, ao lado de Papai Noel começaram a aparecer as mamães Noel sexis com roupas menores. Começou-se a falar de magia e fantasia e agora está rodeada de duendes; precisamente dos servidores da serpente, igualmente os comerciais inspirados que estão por detrás da balela universal. Porque não é somente em um país que esta satanização vem acontecendo, senão em todo mundo, onde, como Caim, Ninrode e Judas Iscariote, as elites “iluminadas” através das multinacionais roubam o show, deificando o dragão. Hoje mesmo recebi um folheto de propaganda para celebrar o natal com duendes e dragões, enquanto o nome do Senhor Jesus Cristo é ridicularizado. Este é o espírito que está por detrás da satanização atual e antiga do natal. Detrás do programa de usurpação maligna e luciferana, estão as elites do druismo iluminat, digitador da maçonaria, cujo Conselho de 13 Grande Druidas, não faz muito presidido por Gaven Frost em seu programa de ocultização do cristianismo, segundo os testemunhos de Lance Collins ou John Todd, Mike O” Connors e outros, realiza o ecumenismo ocultista das elites esotéricas anticristãs. Tenho passado por vário países e pude observar que a manipulação da educação e do comércio não é um assunto local e sim global. Em todos os colégios das minhas filhas e em vários países, se promove o mesmo filme de Aladim e a lâmpada mágica(maravilhosa), para induzir às crianças e os jovens, se não podem com os adultos, ao ocultismo. O livro pedido para leitura à minha filho no colégio “Carlos Basa calabaza”, onde um demônio malcheiroso se faz amigo de um criancinha para que nunca venha a separar dele. Promoveram Batman como herói dos jovens; e quando alcançaram o objetivo de novo culto, declararam com feroz propaganda a Batman como o rei dos demônios. Natal nada tem a ver com duendes, nem dragões, nem magia, nem fantasia, nem comilanças e bebedices, papais Noel e mamãezinhas sexis, como se fosse outro halloween de bruxas; natal tem a ver com o nascimento virginal de Jesus Cristo em Belém para desfazer as obras do diabo, perdoar nossos pecados e conduzir-nos à glória divina ao outro da morte. Satanás e seus dráculas só desejam deformar a imagem de Deus no homem e reduzi-lo ao tormentoso inferno com uma gargalhada sinistra. DISSE Jesus Cristo: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.”
Gino Iafrancesco V., 2006, Bogotá -
LA SATANIZACIÓN DE LA NAVIDAD
LA SATANIZACIÓN DE LA NAVIDAD
El concepto original de la Navidad era ciertamente profundo; aunque por su mismo significado y tenor, también destinado a la más trascendental controversia; lo cual explica la paulatina satanización de la navidad. La palabra "navidad" es una contracción de la otra palabra "natividad", y se refiere al nacimiento de la prometida Simiente de la Mujer que aplastaría la cabeza del dragón serpiente, emperador de la muerte, a costa de Sus heridas, Su muerte expiatoria, pues sería herido en el calcañal cuando aplastase la cabeza de la serpiente.
El origen primigenio de tal concepto proviene del híper arcaico documento titulado Sefer toledot Adam, o "Libro de las Relaciones de Adán", incorporado y actualizado bajo divina inspiración por Moisés en Br'shit de la Torah, comúnmente llamado Génesis, libro primero del Pentateuco. Tal documento híper-arcaico es la segunda de las relaciones incorporadas y actualizadas bajo divina inspiración por Moisés, y aparece después de Toledot ha-shamayim v-et ha-erets, o "Relaciones de los Cielos y la Tierra", que contiene los primeros orígenes y el Heptaemerón (o Siete Días) de la hechura y composición de los cielos y la tierra. El Sefer toledot Adam, según la capitulación y versificación alta-medieval de Canterbury, va desde Gn.2:4b hasta Gn.5:1a. En el pasaje 3:14-15, un verdadero proto-evangelio, está escrito lo siguiente: "Y Yahveh Elohim dijo a la serpiente: Por cuanto esto hiciste, maldita serás entre todas las bestias y entre todos los animales del campo; sobre tu pecho andarás, y polvo comerás todos los días de tu vida. Y pondré enemistad entre ti y la mujer, y entre tu simiente y la simiente suya; Ésta te herirá en la cabeza, y tú le herirás en el calcañar" [negritas de éste autor].
Dios promete, pues, a la serpiente, a quien el apóstol Juan en el Apocalipsis llama también divinamente inspirado: "el dragón, la serpiente antigua, que se llama diablo y Satanás" (Ap.12:9), que la Simiente de la Mujer aplastaría su cabeza, aunque fuese herido. Tal herida en el calcañal equivalía a Su muerte expiatoria para redimir del pecado y de la muerte al hombre, que había sido introducido en ellos por el querubín caído Luzbel. Tal expiación fue prefigurada en el sacrificio del animalito con cuyas pieles se recubrió la desnudez disfrazada de nuestros padres primigenios. Es esa la razón por la cual Eva, cuando parió a Caín, dijo exaltadamente: "Por voluntad de Yahveh he adquirido varón" (Gn.4:1). Caín significa adquirido. Probablemente Eva pensaba que Caín era ya la simiente prometida. De tal manera, Caín sería el primer prototipo de falso cristo, el cual asesinó a su hermano Abel, el cual sí se cobijaba, como lo fueron sus padres, con el sacrificio expiatorio de lo más gordo de sus ovejas, prefiguración del sacrificio de Cristo. Pero a diferencia del posible pensamiento de Eva, lo que realmente comenzó a acontecer en la pre-figurativa historia de Caín y Abel, fue el inicio de la enemistad prometida por Dios entre dos líneas, la de la serpiente y la de Dios.
También Caín, bajo inspiración maligna, se anticipó y apresuró a llamar Enok, iluminado, a su primogénito; pero el verdadero iluminado de Dios fue el Enok descendiente de Set, el cual también profetizó de la futura venida de Aquel que aplastaría la cabeza de la serpiente. El Enok cainita era un falso iluminado, al igual que su padre Caín no era la verdadera simiente prometida. Pero el Enok setita sí profetizó por inspiración divina: "De éstos (los impíos) también profetizó Enok, séptimo desde Adán, diciendo: He aquí, vino el Señor con sus santas decenas de millares, para hacer juicio contra todos, y dejar convictos a todos los impíos de todas sus obras impías que han hecho impíamente, y de todas las cosas duras que los pecadores impíos han hablado contra Él. Estos son murmuradores, querellosos, que andan según sus propios deseos, cuya boca habla cosas infladas, adulando a las personas para sacar provecho" (Jd.1:14-16). La historia de este Enok setita era conocida también por los sumerios y caldeos, llamándolo en su idioma como: Enmenduranna de Sipar, según el Prisma Well-Blundell (W:B:444, 62) con el catálogo de personajes antediluvianos, y otros documentos. Por su parte, el antiguo historiador de los caldeos, de nombre Beroso, se refiere a Enok setita como: Evedoranjos de Pautibibla, también llamado Emenduranki. Tales tradiciones pasaron en el período intertestamentario a los cuatro conocido libros del Ciclo de Enok: el etiópico-griego, el eslavo, el hebreo y el arameo, además de los fragmentos coptos. El hermano de Jesucristo, Su apóstol Judas Tadeo Lebeo, por inspiración divina entresaca de tal tradición lo fundamental. Por esa misma época, el rabino Ismael acrecienta tal tradición con sus "visiones" de la Merkabah.
A su vez, también Lamek setita, padre de Noé, tenía la esperanza de que éste fuese algo así como la simiente prometida (Gn.5:28-29, del Toledot Nojá); pero Noé fue apenas una prefiguración típica, pues salvó a la humanidad en el arca durante el Diluvio. De lo cual el apóstol Pedro enseña que es una prefiguración del bautismo en Cristo (1Pd.3:20-23). Pero pasado ya el Diluvio, aparece otro prototipo del anticristo: Nimrod, o Nino, quien está detrás de la llamada civilización de Nim-Marad, equivalente a Sumeria. Su esposa Semirámis, tras la muerte trágica de aquel, deifica al héroe mediante el espiritismo; y de allí surge la matriz mitológica de la madre esposa del niño, pues Semiramis consideró a Nimrod como Zeroasta; es decir, la simiente prometida. Remito en este respecto al lector al capítulo 7 del libro "Perspectiva del hombre", de este mismo autor: "Relaciones histórico-mitologales". De tal trasformación mitológica bien nos informa Alexander Hislop, con su abundante bibliografía, en su encomiable libro: "Las Dos Babilonias", el cual le costó la vida, pues lo mataron por eso en 1854. Basado en él, y otros estudios históricos, luego Ralf Woodrow escribe su famosa "Babilonia, Misterio religioso", donde nos informa de la paganización de la cristiandad periférica a partir de Constantino.
Pero no nos adelantemos tanto todavía. Inmediato a la época de Nimrod, aparece Abraham, padre de la Fe. A Éste se le promete que en su simiente serían bendecidas todas las familias de la tierra. De modo que la Simiente de la Mujer sería también Simiente de Abraham; y así sucesivamente, vendría por la línea de Isaac, de Jacob Israel y de la tribu de Judá. Y entonces también de la familia de Isaí y del rey David. En días de Uzías, Jotam, Acaz y Ezequías, reyes Judá, profetizan Isaías y Miqueas acerca de tal nacimiento. Isaías profetiza: "Por tanto, el Señor mismo os dará señal: he aquí que la virgen concebirá, y dará a luz un hijo, y llamará Su nombre Emmanuel (Con nosotros Dios)…/…Porque un niño nos es nacido, hijo nos es dado, y el principado sobre Su hombro; y se llamará Su nombre Admirable, Consejero, Dios fuerte, Padre eterno, Príncipe de paz. Lo dilatado de Su imperio y la paz no tendrán límite, sobre el trono de David y sobre Su reino, disponiéndolo y confirmándolo en juicio y en justicia desde ahora y para siempre. El celo de Yahveh sabaot hará esto" (Is.7:14; 9:6-7).
Por su parte, Miqueas profetiza: "Pero tú, Belén Efrata, pequeña para estar entre las familias de Judá, de ti me saldrá el que será Señor en Israel; y sus salidas son desde el principio, desde los días de la eternidad. Pero los dejará hasta el tiempo que dé a luz la que ha de dar a luz; y el resto de sus hermanos se volverá con los hijos de Israel" (Mq.5:2-3). De modo que, por una parte, Isaías acrecienta al cuadro profético el hecho de que la Simiente de la Mujer que vendría por Abraham, Isaac, Israel, Judá, Isaí y David, sería realmente una simiente de mujer; es decir, de una joven doncella virgen. Lo cual sería la señal divina. Y Miqueas, por su parte, acrecienta que nacería en la ciudad de Belén de Judá. Esto lo profetizan Isaías y Miqueas más de 700 años antes del nacimiento de Jesucristo, como consta en la documentación desenterrada por la arqueología en Qumram y otros lugares. Miqueas da a entender además que la venida del Mesías sería en dos etapas: una primera, desde Belén, para sufrir como expiación; pero los dejaría por un tiempo esperando el parto espiritual del pueblo de Dios. Entonces, tras la formación de Cristo en Su iglesia, y la conversión de Israel para ser reinsertado en su propio olivo, regresaría para reinar, ya no a Belén, sino al monte de los olivos, también según otras profecías.
El significado profundo de la navidad, o natividad, es el recibimiento del nacimiento del Mesías en Belén, quien vino para deshacer las obras del diablo. Por eso el dragón, según Apocalipsis, se para frente a la Mujer, con la intención de devorar al niño tan pronto nazca. Y ahora no es el turno ni de Caín, ni de Nimrod, sino de Roma por mano de Herodes, llamado por los suyos, el grande, para levantarse contra el Ungido de Dios. Pero avisado sobrenaturalmente huye a Egipto. Tras la conversión de Constantino, emperador romano, la serpiente procura entonces mimetizarse en la paganización de la cristiandad periférica. Continúa el paganismo barnizando de nombres cristianos las fiestas paganas, y eso con la connivencia de líderes contemporizadores y de corta visión. El solsticio de invierno en el hemisferio norte, señalado con una aureola solar especial, da lugar a la fiesta del sol invicto, de trasfondo mitraico, tan apreciado por Carlos Gustavo Jung, gurú de la nueva era, que es la vieja era de nuevo. La fiesta del sol invicto, pues que al Mesías se le llama en las Sagradas Escrituras: El Sol de Justicia, es convertida entonces en la celebración del nacimiento del niño Jesús, pero fuera de connotaciones verdaderamente cronológicas, sino apenas temáticas.
El aspecto cronológico verdadero del nacimiento de Jesucristo es el siguiente: El sacerdote Zacarías, casado con Elizabeth, la pariente de la virgen María, pertenecía a la clase de Abías, la octava clase entre los 24 turnos sacerdotales establecidos por David. A cada clase correspondían 15 días entre los 360 del año lunar para ejercer la liturgia sagrada en el santuario. La clase octava, la de Abías, a la que pertenecía Zacarías, padre de Juan el bautista, completaba su liturgia al terminar el cuarto mes, rebyhy. El año bíblico y cósmico comienza en el equinoccio de primavera, cuando brota la vida, según voluntad de Dios expresa a Israel en la Torah (Exodo 12), en el mes de Abib Nisán, entre la segunda quincena de marzo y la primera de abril. Tras los meses (1) Abib Nisán, (2) Zif, (3) Siván y (4) rebyhy, al terminar su liturgia Zacarías, concibe su esposa Elizabeth, y al sexto mes de Elizabeth concibe María por el Espíritu Santo, conforme a la profecía y al nuevo anuncio divino por el ángel Gabriel. Por lo tanto, los 6 meses de Elizabeth corresponden a (5) hamyshy, (6) Elul, (7) Etanim, (8) Bul, (9) Kisleu, (10) Tebet. En el décimo mes del año, Tebet, el sexto del embarazo de Elizabeth, aparece Gabriel a María para anunciarle la concepción de Jesús. Tebet equivale a la segunda quincena de diciembre y a la primera de enero. Contando entonces los nueve meses del embarazo de María, tenemos: (11) Shebat, (12) Adar, (1) Abib Nisán, (2) Zif, (3) Siván, (4) rebyhy, (5) hamyshy, (6) Elul, (7) Etanim. Por lo tanto, Jesucristo nació en el séptimo mes del año bíblico y cósmico, llamado en las Sagradas Escrituras: Etanim, que corresponde con la segunda quincena de septiembre y la primera de octubre, el mes del zodiaco astronómico correspondiente a Virgo, pues el Mesías nació de la virgen como Simiente de la Mujer. En ese mes se celebra el día de la expiación, pues Jesucristo vino de la virgen para morir por nuestros pecados y redimirnos del pecado y de la muerte. El ciclo que comienza en Virgo termina en Leo, pues el Mesías regresará por segunda vez como el león de la tribu de Judá para juzgar y reinar.
Dionisio el Exiguo, el erudito tras el calendario gregoriano que reemplazó al juliano, y que rige la modernidad, está desfasado en un septenario, pues él erró al colocar el nacimiento de Jesucristo después de la muerte de Herodes, el llamado por los suyos, el grande. Sin embargo, Jesucristo nació antes de la muerte de Herodes, pues fue visitado por los magos de Anatolia después del nacimiento del niño Jesús. Pasado un tiempo, este Herodes organizó la matanza de los inocentes hijos de Raquel en Efrata, cuando José, María y Jesús ya habían huido a Egipto. El fenómeno astral que guió a los magos desde su tierra, en tres etapas, hasta Belén, fue descubierto por el gran astrónomo Johanes Kepler, quien demostró científicamente que unos años antes de la muerte de Herodes, se vio tres veces, desde el ángulo de Belén, la conjunción de los planetas Júpiter y Saturno. Desde la presencia del profeta Daniel en Persia como jefe de los magos, los mazdeistas esperaban al Rey de los Judíos prometido. Y puesto que Júpiter es el planeta real, y Saturno el sabatino (saturday), y el sábado está ligado a los judíos, la conjunción de Júpiter y Saturno les significó la señal del nacimiento del Rey de los Judíos. La conjunción también se dio, pues, en el mes de Etanim. Pero entonces vemos el deseo de la serpiente de hacerse igual a Dios, cuando influye en la forma ocultista como diseñan a la estrella de Belén, un pentáculo con dos puntas para arriba, como los cuernos del rostro de becerro del querubín caído. Luzbel siempre ha querido satanizar la navidad.
A partir de Francisco de Asís, comenzó a recordarse la natividad con la elaboración del pesebre. Desgraciadamente, desde los países nórdicos, y con la connivencia luterana, se introdujo la figura del árbol de navidad. Vemos entonces como la serpiente suplantó al pesebre con el árbol de navidad, y al nacimiento de Jesús con la "tierna" historia de santa Klaus, Papá Noel. Lo que era una celebración religiosa y espirtual, fue convertida por la serpiente en una orgía de bebedicies y comilonas, cada vez más asimilada al halloween de las brujas. De hecho, al lado de Papá Noel comenzaron a aparecer sexis mamás Noel en paños menores. Comenzó a hablarse de magia y fantasía, y ahora está rodeada de duendes; precisamente de servidores de la serpiente, al igual que los inspiradores comerciales que están detrás de la patraña universal. Porque no es en un solo pais donde esta satanización está aconteciendo, sino en todo el mundo, donde las élites "iluminadas" cual Caín, Nimrod y Judas Iscariote, a través de sus multinacionales, se roban el show deificando al dragón. Hoy mismo recibí una cartilla de propaganda para celebrar la navidad con duendes y dragones, mientras el Nombre de Jesucristo es ridiculizado. Ese es el espíritu que está detrás de la satanización actual y antigua de la navidad.
Detrás de tal programa de usurpación maligna y luciferiana están las élites del druidismo iluminati, digitador de la masonería, cuyo Consejo de 13 Grandes Druidas, no hace mucho presidido por Gaven Frost en su programa de ocultización de la cristiandad, según los testimonios de Lance Collins o John Todd, Mike O'Connors, y otros, realiza el ecumenismo ocultista de las élites esotéricas anticristianas. He vivido en varios países y puedo notar que la manipulación de la educación y del comercio no es un asunto local, sino global. En todos los colegios de mis niñas, en varios países, promueven la misma película de Aladino y la lámpara maravillosa, para inducir a los niños y a los jóvenes, si no pueden con los adultos, al ocultismo. El libro de lectura pedido a mi hija en el colegio era "Carlos Basa calabaza", donde un apestoso demonio se hace amigo del infante para que nunca pueda desprenderse de él. Promovieron a Batman como héroe de los jovencitos; y cuando ya los tenían atrapados en el nuevo culto, declararon con feroz propaganda a Batman como rey de los demonios. Navidad nada tiene que ver con duendes, ni dragones, ni magia, ni fantasía, ni comilonas y bebedicies, papás Noel y mamitas sexis, como si fuera otro halloween de brujas, sino con el nacimiento virginal de Jesucristo en Belén para desahacer las obras del diablo, perdonar nuestros pecados y conducirnos a la gloria divina al otro lado de la muerte. Satanás y sus dráculas solo desean deformar la imagen de Dios en el hombre y reducirlo al tormentoso infierno con una carcajada tétrica. Jesucristo dijo: "El que no está conmigo, está contra mi…/…El que conmigo no recoge, desparrama".
Gino Iafrancesco V., 2006, Bogotá. -
ASSUNTOS DE MATRIMÔNIO E DIVÓRCIO
Blog Entry ASSUNTOS RELACIONADOS AO MATRIMÔNIO E AO DIVÓRCIO (Gino Iafrancesco V.)
INTRODUÇÃO
Tudo que é relacionado com o matrimônio e o divórcio são assuntos de suma importância, que não podem passar desapercebidos pela Igreja. Vamos tratá-los nesta ocasião, esquadrinhando a Palavra de Deus, pelo Seu Santo Espírito. Em nenhum momento pretendemos ser dogmáticos, porém mostrar nossa interpretação conforme à Bíblia. Procuremos, pois, deixar que a Palavra de Deus fale, e procuremos entender o que ela diz. Não devemos chegar a ela com nossos preconceitos ou com qualquer interpretação de outra pessoa; não chegar à Escritura com nossos sentimentos, porque quando impomos nossos sentimentos, nossos conceitosà Bíblia, então, não a deixamos falar o que ela diz, mas queremos seguir falando e colocando nossa própria opinião. Se alguém tem seus próprios gostos, preferências e preconceitos, isto interfere na legítima interpretação da Bíblia.
O que necessitamos é agradar a Deus segundo o que Ele nos oferece em Sua Palavra, em qualquer coisa que Ele nos oferece em Sua Palavra. Se Deus diz “A”, ou disse “B” ou disse “C”, para nós isso deve ser indiferente. Porém se nós queremos que diga “C”, quando disse “A”, provavelmente diremos “AC”; corremos o risco de acrescentar nossa opinião ao o que Deus disse. Por isso, irmãos, nosso interesse é agradar a Deus. Se Deus falou por Sua Palavra acerca destas coisas, devemos ir a Sua Palavra para ver o que Ele declarou.
Não estamos aqui para tratar de casos específicos, mas sim de casos genéricos; de maneira que só vamos tratar aqui o aspecto doutrinário, sem mencionar fulano ou cicrano, nem nenhum nome próprio; somente a doutrina, e tudo à luz da Palavra. E havendo analisado bem as coisas que acontece dentro de cada igreja, possam então ser julgados esses casos. Às vezes não conhecemos bem o que a Palavra diz nem conhecemos bem os casos, e nos metemos a diagnosticar, a receitar sem conhecer nem o remédio nem o caso em particular. Tudo isto vamos ver à luz da Palavra de Deus com a ajuda da providência divina. Vamos procurar ler o que a Palavra disse, deixemos Deus dizer o que Ele diz a respeito.
Inicialmente quero começar lendo uma passagem do Antigo Testamento, e depois vocês vão ver por que razão começo pelo Antigo Testamento. Leremos também no Novo Testamento, porém as passagens que vamos ler no Novo Testamento, estarão fazendo referência à parte do Antigo Testamento e à tradição israelita, é este foi o ambiente do tempo do Senhor Jesus. O Senhor Jesus se moveu no meio de Israel; Israel tinha já raízes; havia uma raiz bíblica e também uma raiz popular, também havia escolas, tradições e costumes, e isso servia de pano de fundo para o ambiente das perguntas que foram feitas ao Senhor Jesus e para as respostas do Senhor Jesus a respeito. É por isso que vamos começar pelo Antigo Testamento.
Vamos dividir o tabuleiro em quatro partes. A primeira parte se divide em duas linhas para distinguir das outras três, e corresponde ao Antigo Testamento, corresponde ao regime da Lei. Isto com relação ao divórcio e casamento. As outras três partes do tabuleiro correspondem ao Novo Testamento. As outras três seções, as do Novo Testamento, são: A primeira: o regime ordinário; a segunda: o regime da exceção, e a terceira: o regime misto. Agora que vamos ler os versos, então, vou explicar porque dividi o tabuleiro nestas quatro partes.
O REGIME DA LEI
Vejamos primeiro, qual era, no Antigo Testamento, o regime da lei no que tange ao matrimônio e divórcio; veremos o aspecto específico do divórcio e do novo casamento. Não vamos entrar na parte da cerimônia e bodas, mas vamos considerar especificamente tudo relacionado com o matrimônio e o divórcio. Leremos em Deuteronômio 24. Às vezes, debaixo dos subtítulos que são colocados nas passagens bíblicas e que não são parte do texto, encontramos umas referências bíblicas que indicam que o que se está dizendo nesta passagem também é tratado em outras passagens. Quando esses subtítulos não trazem outras referências, isso quer dizer que esse tema não é tratado em mais nenhuma outra passagem. Em Deuteronômio 24, encontramos um subtítulo chamado “Leis Humanitárias”, que vem desde o capítulo 23 (na Bíblia em português, encontramos o título “Leis Diversas” ), e continua até o capítulo 25, indo até o verso 17, que fala sobre o que fez Amaleque com Israel quando este vinha do Egito. Esta seção do livro de Deuteronômio, que vai do capítulo 23.15 até ao 25.16, tem o título “Leis Diversas”, e não tem nenhuma referência debaixo desse subtítulo. Isto quer dizer que o tema se trata exclusivamente nesta passagem, e não é tratado em nenhum outro lugar da Bíblia. Leiamos pois, em Deuteronômio 24:1, qual foi o regime que Deus, pela mão de Moisés, até a vinda de Cristo, instituiu para com Israel, no Antigo Testamento. Leiamos:
“Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos, por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio e lha dará na mão, e a despedirá de sua casa”.
O que aqui se traduz por "coisa vergonhosa" é uma palavra hebraica que aparece somente uma vez em toda a Bíblia, e aqui o tradutor a chamou de “coisa vergonhosa”; porém, como a palavra não aparece em outro lugar, então, criou certa confusão para o povo de Israel. O povo de Israel dizia: “Bom, o que quer dizer coisa vergonhosa? Qual é o alcance dela?” Então, se formaram varias escolas de interpretação. Entre os rabinos antes de Jesus, houve o que chamaram "o par", mostrando-nos que houve duas escolas com duas linhas distintas de interpretação. Estas duas linha de ensinoé o que se denomina de “par”. Estas linhas de interpretação foram passando de geração em geração, até chegar aos mais renomados intérpretes da Lei, que foram, de um lado, Hilel (o Gamaliel de Atos 5:34 era neto de Hilel), e, do outro lado, Shamai. Estes foram dois rabinos muito respeitados, que eram os com maior autoridade na interpretação da Bíblia. É importante saber isto, porque na própria Bíblia, no Antigo Testamento, diz Deus em uma Lei que, se algum caso fosse de difícil resolução, que se fosse consultar os anciões do povo. O povo tinha a Bíblia; porém, se alguém tivesse dificuldade para interpretá-la, devia ir perguntar aos sacerdotes, aos anciões, e, segundo eles lhes dissessem, assim fariam.
Mas o que aconteceu é que, no caso do divórcio e casamento, graças aos problemas que constantemente estavam presenciando, sempre surgiam questões no meio do povo de Israel. E, segundo lemos em Deuteronômio 24:1, esta palavrinha que se traduz por "coisa vergonhosa" causava muita dificuldade na interpretação. Então, vinham perguntar aos rabinos o que queria dizer “coisa vergonhosa”, pois a palavra aparece somente uma vez no texto, e não havia outros versos com os quais pudessem fazer uma comparação, para poder dizer: "Refere-se mais ou menos a isto."
Temos, pois, que a escola de Hilel era uma escola ampla, uma escola bem liberal. Basicamente, Hilel interpretava esta palavra, “coisa vergonhosa”, por qualquer coisa que incomodasse ao esposo. Então os que seguiam a linha de interpretação de Hilel permitiam o divórcio por qualquer coisa que desagradasse ao marido; qualquer coisa por menor que fosse, por exemplo: deixar queimar o arroz.
Por outro lado, Shamai era o representante de uma escola mais restrita, e interpretava esta palavra “coisa vergonhosa” como “fornicação”, e não aceitava nenhuma outra coisa para autorizar o divórcio, mas sim que houvesse tido um caso de fornicação. Este era o ambiente que se vivia no tempo do Senhor Jesus. Então, os judeus correram ao Senhor para que Ele lhes interpretasse esta passagem, porque este era o regime da lei; e eles estavam debaixo da lei e queriam obedecer a Deus por meio da lei de Moisés e obedecer à interpretação dos anciões do povo, dos quais Deus lhes havia dito que, quando não entendessem, fossem a eles.
Acontece porém, que Hilel permitia várias causas para dar-se o divórcio; em contrapartida, Shamai somente permitia em caso de fornicação. Por isso, no Novo Testamento encontramos o Senhor dizendo que a verdade sobre isso é o que Ele mesmo diz. Porém antes que passemos ao Novo Testamento, continuemos lendo em Deuteronômio 24. Vamos ler os versos 2-4.
“Se ela, pois, saindo da casa dele, for e se casar com outro homem, e este também a desprezar e, fazendo-lhe carta de divórcio, lha der na mão, e a despedir de sua casa; ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer; então seu primeiro marido que a despedira, não poderá tornar a tomá-la por mulher, depois que foi contaminada; pois isso é abominação perante o Senhor. Não farás pecar a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança”.
Até aqui temos o caso do divórcio e casamento no regime do Antigo Testamento. Com esses questionamentos que havia no meio do povo de Israel, com essas duas escolas, uma bem liberal e outra restrita, a de Hilel e a de Shamai, agora chegam onde o Senhor Jesus está, o rabi, o mestre, e lhe perguntam, e estas perguntas aparecem registradas nos Evangelhos de Mateus e de Marcos.
O REGIME ORDINÁRIO
Os trechos de Mateus aparecem nos capítulos 5 e 19. Note-se que no capítulo 19, debaixo do subtítulo "Jesus ensina sobre o divórcio”, junto aparece referência a Marcos 10:1-12 e a Lucas 16:18. A referência de Lucas só cita o regime ordinário na boca do Senhor Jesus, sem ambientá-lo. Marcos ambienta a pergunta e cita também o regime ordinário, assim como Lucas; Mateus também ambienta a pergunta assim como Marcos, porém Mateus, além do regime ordinário que registraram Marcos e Lucas, também registra “o regime de exceção” . Só Mateus recorda da boca do Senhor Jesus o regime de exceção; porque o normal é recordar a regra. Se o que se quer ensinar é a normalidade, a regra, então, se ensine a regra, e a regra, nesse caso, é o regime ordinário. Agora, será que porque aqui e só aqui se ensina a regra, e só lá em Mateus se ensinou a exceção, será que temos de evitar a exceção? É aí que está a questão.
Primeiro vamos analisar, lendo o que diz Mateus e o que diz Marcos, porque os dois estão registrando o assunto baseado em suas memórias. Lembremos de uma coisa: Marcos não era um discípulo seguidor direto de Jesus Cristo. Marcos era intérprete de Pedro; havia sido cooperador de Pedro. Pois, segundo a tradição, nos escritos de Papias de Hierápolis, e daí por diante, a tradição eclesiástica diz que o Evangelho de Marcos foi escrito quando Pedro chegou a Roma e ensinou o evangelho de forma oral, não na ordem, mas segundo a necessidade. Então foi-lhe pedido que o que se havia sido ensinado na forma oral ficasse também registrado na forma escrita. O mesmo Pedro, em sua Segunda Epístola, diz que ele diligentemente procurou que eles sempre tivessem memória das coisas que ele lhes havia ensinado da parte do Senhor Jesus (3.2).
E Marcos era o intérprete de Pedro, pois, segundo a tradição, foi pedido a Marcos que escrevesse o que Pedro havia ensinado. Por isso, o Evangelho de Marcos é considerado como se fosse o Evangelho de Pedro. E apesar de Marcos mesmo não haver sido um discípulo direto do Senhor, porém se vê que seu Evangelho é muito visual, porque menciona detalhes que só uma pessoa que os viu poderia dizer. Por exemplo, disse que estava recostado sobre tal parte, que fez tal coisa, com tal expressão, que havia tantos a sua direita, tantos à esquerda; esses são detalhes que só uma pessoa que viu, uma testemunha ocular, podia dar. Vemos que realmente o que Marcos estava dizendo era o que Pedro já tinha dito; Marcos foi intérprete de Pedro. Papias de Hierápolis, um discípulo do apostolo João, disse que João havia lido o que Marcos escreveu, e comentou que Marcos em nada faltou, que tudo o que havia dito Marcos em seu Evangelho era verdade, com a ressalva de que só não foi observada a ordem cronológica; e explica o porquê: porque Pedro ensinava segundo a ocasião, segundo o que se necessitava. Então o Evangelho de Marcos está recomendado, avaliado pelo apostolo João, que foi íntimo de Jesus.
Alguns dizem que Mateus se baseou em Marcos, porém essas são conjecturas dos estudiosos das questões sinópticas, ou seja, a relação de Mateus com Marcos e com Lucas e com João; porém, Mateus, sim, era um dos doze apóstolos que seguiram a Jesus; de maneira que, ainda que Marcos não tenha registrado a regra da exceção, Mateus era um dos apóstolos e não necessariamente tinha de confiar em tudo o que Marcos escreveu, pois ele sim havia estado presente, sendo testemunha ocular dos atos de Jesus, e se recordou dos detalhes. Então, o que aconteceu? Uma mesma situação pode ser contada por duas pessoas de forma diferente; palavras mais ou menos parecidas, porém um esquece uns detalhes e omite outros, e o outro esquece outros detalhes e também omite outros.
Vamos, pois ler os dois relatos, porque a coisa não sucedeu duas vezes, mas sim uma só vez, porém havia uma testemunha que era Mateus e outra testemunha que era Pedro, e Marcos ouviu o que contava Pedro; agora vamos ouvir as lembranças de Pedro por meio de Marcos, e as lembranças de Mateus, e vamos colocá-las juntas com o fim de ter uma visão mais completa do que foi perguntado e do que foi respondido. Porque se nós somente tomarmos Marcos, veremos que Mateus disse algumas outras coisas. Então, vamos querer dizer que Mateus não foi inspirado. E se tomamos a Mateus, que disse umas coisas, porém não disse outras de que falou Marcos, então, poderemos também dizer que Marcos não foi inspirado. Não necessariamente é assim. Lembre-se de que a arca tinha de ser levada por quatro levitas, e a arca representava Cristo; agora vemos os quatro evangelistas – Mateus, Marcos, Lucas e João – levando o testemunho do Senhor Jesus.
O Senhor permitiu que Ele pudesse ser contemplado destes quatro ângulos, porque um só não é suficiente para captar tudo. O Espírito Santo pode guiar e fazer ver as coisas, segundo a preparação e o lugar que essa pessoa vai estar no plano de Deus, pode estar inclinada a lembrar-se muito mais de umas coisas, que lhe chamam mais atenção, a uns detalhes, e a outras coisas ela não as tem em conta, não porque não existiram, mas simplesmente porque para ela não tiveram tanto significado, porque ela não havia sido preparada para este aspecto. Porém para o outro era outro objetivo, com outro enfoque, com outra preparação, e tinha de haver testemunhas destes quatro ângulo. Portanto, tinha a possibilidade de ver as coisas que o outro não viu e que a outro foi mostrado ou que teve a sua atenção capturada.
Se vamos sair hoje à noite com alguns irmãos, e nesse encontro nos é contado por vários outros irmãos o que se passou na reunião de hoje, veremos que cada um dos irmãos vai contar seu próprio testemunho; com certeza, após ouvirmos a um, a outro, a outro e a outro, vamos ter muitas coisas coincidentes. Por quê? Porque foi uma mesma coisa que aconteceu, porém cada um vai querer enfatizar aquilo que mais lhe chamou a atenção, e vai passar por cima do que não foi interessante para ele.
Então, seguramente o que chamou mais a atenção de Mateus foi algo que não interessou aos outros evangelistas; porém, não é porque os outros evangelistas se calaram que vamos nos calar também, porque o Senhor Jesus não o calou; é por isso que temos os testemunhos de Mateus e Marcos. Vamos ler agora em Mateus 19.1-3:
“Tendo Jesus concluído estas palavras, partiu da Galiléia, e foi para os confins da Judéia, além do Jordão; e seguiram-no grandes multidões, e curou-os ali. Aproximaram-se Dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo.”
Fixe-se neste detalhe que Mateus captou. Eles Lhe perguntavam não só se é lícito repudiar a sua mulher, mas agregaram as palavras “por qualquer motivo”. Por quê? Lembre-se do pano de fundo que havia. A escola de Hilel interpretava essa passagem de Deuteronômio, aquela “coisa vergonhosa ”, praticamente de maneira tão ampla, que qualquer coisa podia caber aí, e isso é o que aparece aqui em Mateus como “qualquer coisa”. Eles estavam duvidando. "Será que por qualquer coisa pode repudiar o homem a sua mulher?" Continuemos lendo o trecho, versos 4 e 5:
“Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne?”
Aqui o Senhor está citando Gênesis 1.27 e 2.24. Logo o Senhor tira conclusões dizendo:
“Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mt 19.6).
Aqui a pergunta ainda não estava tão exata. Eles Lhe haviam perguntado: “Pode-se repudiar por qualquer motivo?” Não, isso não é o normal. Deus que os fez no principio, os fez um só, e o que Deus ajuntou, o homem não tem o direito de separar. Porém eles ainda não ficaram satisfeitos. Por quê? Porque eles não eram cristãos; eles eram israelitas, e mesmo os que eram cristãos, que criam Nele, ainda estavam debaixo do regime da lei de Moisés. O que se vê hoje no Novo Testamento ainda não era claro naquele momento. E aqui os que perguntavam eram os fariseus.
“Responderam-lhe: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?" (v. 7).
Eles estavam se referindo a Deuteronômio 24.1-4, onde Moisés fala que, no caso de alguma “coisa indecente” – esta estranha palavra que era o motivo da controvérsia, que Hilel a convertia em “qualquer coisa” e Shamai a descrevia como “fornicação” – autorizava repudiar. Então o Senhor lhes responde:
“Disse-lhes Ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio" (v. 8).
Antes da queda do homem, Deus os havia estabelecido assim; e aqui o Senhor está dizendo: “Bom, vocês vão a Moisés e encontram essa situação; porém, vocês sabem por que Moisés lhes disse desta maneira?” Isso foi depois da queda. Por outro lado, Gênesis 1.18-25 fala do principio, de antes da queda; depois da queda os corações ficaram endurecidos. Pela dureza do coração do homem – pois depois da queda o coração do homem se endureceu – Moisés lhes permitiu dar a carta de divórcio. Quando Deus planejou o homem macho e fêmea, Ele não planejou o repúdio. Alguns dizem que esta provisão tinha por objetivo proteger os direitos de propriedade da mulher divorciada, pois a carta de divórcio obrigava o marido a renunciar ao direito de seu dote.
O REGIME DA EXCEÇÃO
Vejamos então como interpretar esta passagem da lei, sem entrar na linha de interpretação de Hilel ou de Shamai, e Jesus, neste caso, deu razão a Shamai. Veja como o Senhor segue dizendo:
“Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt 19.9).
Lembre-se de que, na lei de Moisés, Deus havia predito que viria um profeta semelhante a Moisés (Dt 18.15-19), e toda alma que não o ouvisse, seria tirada do meio do povo. Ou seja, Jesus não estava contradizendo a Moisés. Jesus disse: “Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em Mim; porque de Mim ele escreveu” (Jo 5.46). Moisés profetizou que um Profeta semelhante a ele seria levantado; então, todo o Israel esperava o Profeta, que se referia ao Messias, ao Servo de Deus, que seria a Palavra final. Por isso a samaritana dizia: “Sei que há de vir o Messias, chamado o Cristo; quando Ele vier nos declarará todas as coisas” (4.25). Porque já a lei havia terminado, já tinham vindo os profetas, porém havia controvérsias; então, eles esperavam que quem dirimisse as controvérsias seria o Messias Profeta. Então Jesus está falando com propriedade. Em outras partes também diz: “Ouvistes que foi dito aos antigos (...) mas Eu vos digo”. Então Jesus está falando como aquele que viria e que ia fala ainda mais além do que Moisés, e que Moisés mesmo havia predito, como também outras passagens do Antigo Testamento. De maneira, pois, que Jesus está clareando o que havia sido dito por Moisés, por causa da situação da queda, a dureza dos corações; porém antes da queda não foi assim, pois não era esse o plano original de Deus. Agora vem a queda, vieram também os problemas, porém o mesmo Moisés disse que viria um profeta; e agora esse profeta é o Senhor Jesus, que diz com autoridade:
“Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt 19.9).
Aqui o Senhor Jesus estabelece uma exceção. Marcos e Lucas recordam este ensino do Senhor Jesus, porém sem a exceção. Jesus introduziu uma exceção; por isso falamos do “regime da exceção”. O verso 9 de Mateus 19 sem a exceção ficaria só como o regime ordinário. Ficaria assim: “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.” Aí tiramos o “a não ser por causa de fornicação” somente com o intuito de tornar mais fácil o entendimento do regime ordinário.
Nós, em espanhol, podemos colocar a exceção ao principio, no meio ou no final do verso; pois esta é uma regra gramatical válida em espanhol. Por outro lado, no idioma grego não se pode fazer isso. No grego, a exceção tem de ser posta no meio do texto. Por exemplo: podemos dizer: "Aqui todos são colombianos, menos os que nasceram em outro país " ou: "Exceto os que nasceram em outro país, aqui todos são colombianos". Ou seja, podemos pôr a exceção no principio, podemos pôr no final ou, às vezes, se pode colocar no meio da frase. No idioma grego, a exceção da regra tem de ser colocada no meio do que se está fazendo a exceção; essa é a regra da gramática grega. Toda exceção fica no meio do que se está excetuando.
Notem que Marcos e Lucas não citam a exceção; ou melhor, que Marcos 10.2-12 e Lucas 16.18 pertencem ao regime ordinário. Mateus 19.9 cita o regime ordinário; Marcos 10 cita o regime ordinário; Lucas 16 cita o regime ordinário; Romanos 7 cita o regime ordinário; 1Coríntios 7 cita o regime ordinário e o regime misto. O regime de exceção só é citado por Mateus 5.32 e 19.9, e o regime misto só é citado em 1Coríntios 7.
“Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério” (Mt 5.32).
Aqui, como em Mateus 19.9, se refere ao regime ordinário, porém menciona o regime da exceção, quando diz: “A não ser”. Neste caso de não ter havido fornicação, então, se salta ou passa por cima dessa frase, como já dissemos antes. A interpretação que Hilel fazia dessa “coisa indecente” aqui em Deuteronômio 24 não é aceita pelo Senhor Jesus; mas sim o que dizia Shamai. Dessa “coisa indecente”, o único que se permite para que haja divórcio e a pessoa possa ficar livre e possa se casar outra vez, é somente no caso em que tenha havido fornicação; porque isto o havia mandado Deus depois da queda por mão de Moisés. “Qualquer que repudiar a sua mulher, salvo por causa de fornicação...”. É importante ter em conta que a ação adúltera de um dos cônjuges é igual à morte, pois o adultério rompe o vínculo matrimonial; ao unir-se sexualmente com outra pessoa, se faz um com essa outra pessoa (1Co 6.16).
CONCORDÂNCIA TEXTUAL
Então, qual é o regime ordinário? Vemos ver em Marcos e Lucas, onde não aparece a exceção. Adiantemos um pouco, leiamos Marcos 10.11:
“Ao que lhes respondeu: Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela”.
O que é um adultério? Um adultério se comete quando um homem ou uma mulher que já tenha casado se casa com outra(o), sendo que já está casado(a). Isso é o que diz em Romanos 7. Durante a vida do marido, a mulher não pode casar-se com outro e vice-versa; e o que se casa com a repudiada, ou seja, o segundo marido dela – aquele a quem Hilel havia dito: “Não, não, fique tranqüilo, não tem problema” – esse comete adultério. Segundo a interpretação de Hilel, Moisés diz: "Qualquer coisa, por qualquer motivo; se a pessoa se divorcia e se casa com outro, porque aqui diz Moisés que se você encontrar coisa indecente, então pode repudia e dar carta de divórcio, e ela poderá ir e se casar com outro." Porém, o que disse Jesus? “E eu vos digo (...)”. Jesus não está contradizendo a Moisés, mas à interpretação liberal de Hilel, “qualquer coisa”, e está dando razão a Shamai, que dizia que a única coisa indecente pela qual se podia repudiar era quando houvesse caso de fornicação.
Agora, Jesus disse: “Mas Eu vos digo,” ou seja, Quem fala é a máxima autoridade de quem é dito: “A Ele ouvi...”. E não há nenhuma outra autoridade para nós acima de Jesus. Vemos que o Senhor estabeleceu, Ele mesmo, o regime ordinário; ou seja, qualquer que repudiar sua mulher e se casar com outra, adultera; isso é um adultério; e o que se casa com a repudiada, o segundo que se casar com a que acabou de ser repudiada, também adultera. Esse é o regime ordinário; claro que tem uma exceção, que é citada em Mateus 5.32 e em 19.9, no caso de fornicação.
Agora vemos o regime ordinário em Marcos 10.1,2:
“Levantando-se Jesus, partiu dali para os termos da Judéia, e para além do Jordão; e do novo as multidões se reuniram em torno Dele; e tornou a ensiná-las, como tinha por costume. Então se aproximaram Dele alguns fariseus e, para o experimentarem, lhe perguntaram: É lícito ao homem repudiar sua mulher?"
Note que aqui em Marcos estão faltando algumas palavras que registrou Mateus. Mateus foi cuidadoso. Aqui o texto de Marcos diz: “É lícito repudiar a sua mulher”; porém Mateus insistiu “por qualquer coisa”; ou seja, Mateus está tendo uma visão mais ampla que Marcos. Mateus é uma testemunha ocular; por outro lado, Marcos era uma testemunha de uma testemunha. Aí está, pois, a primeira diferença. Segue o verso 3:
“Ele, respondendo, lhes disse: o que vos mandou Moisés?”
Aqui vemos que o Senhor não está contra Moisés. Ele sabe que Deus os pôs debaixo da lei de Moisés, e Ele lhes disse: “O que vos mandou Moisés?" Vejamos a resposta no verso 4:
“Eles disseram: Moisés permitiu dar carta de divórcio, e repudiá-la.”
Veja como eles dizem de maneira tão ampla; ou seja, Moisés permitiu-nos dar carta de divórcio e repudiar. Porém, qual era a condição colocada por Moisés? Moisés disse: “Se achar nela alguma coisa indecente”. Essa tradução no seu original é uma palavra hebraica que é traduzida por "fornicação". Por isso o Senhor Jesus dá razão ao rabino Shamai; porém eles estão falando ao Senhor como se Moisés lhes houvesse dado liberdade absoluta, o que não é verdade. Era má interpretação que se fazia de Moisés. Por isso lhe disseram: "Moisés permitiu dar carta de divórcio, e repudia-la." O que respondeu o Senhor Jesus? Leiamos o verso 5:
“Disse-lhes Jesus: Pela dureza dos vossos corações ele vos deixou escrito esse mandamento”.
Ou seja, Deuteronômio 24, que não é exatamente igual ao que eles estavam dizendo. Eles estavam dizendo na prática que era permitido: "Se não gostar da sua mulher, divorcie-se da sua mulher e case-se com outra." Vamos continuar lendo, versos de 6 a 10.
“Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne; assim já não são mais dois, mas uma só carne. Porquanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem. Em casa os discípulos interrogaram-no de novo sobre isso.”
Isto é uma lembrança de Pedro por meio de Marcos, da qual Mateus passou por cima; em troca aqui Marcos disse que a continuação do assunto já não foi ali mesmo, mas mais tarde em casa, e somente com os discípulos. Se lermos somente em Mateus, pareceria que as perguntas foram formuladas todas pelos fariseus; porém quando lemos em Marcos vemos que o assunto continuou com os discípulos; ou melhor, que o regime ordinário, sobre o qual Ele respondeu aos fariseus, é aplicado aos discípulos e ensinado aos discípulos, e estabelecido no interior da Igreja agora também. Por isso temos de ver em Mateus e Marcos para ter mais completa as coisas, a partir dos dois pontos de vista. Logo continua Marcos dizendo:
“Ao que lhes respondeu: Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela; e se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério” (vv. 11,12).
Note que o verso 12 não tinha sido dito por Mateus, porém o Senhor o disse, e é registrado aqui por Marcos; ou seja, a conversa foi mais longa, porém está muito resumida tanto da parte de Mateus como de Marcos. Mateus não registrou este último detalhe. Tenhamos em conta que Mateus escreve seu Evangelho dirigido principalmente aos judeus, em um ambiente judeu; porém Marcos está escrevendo em Roma, para os romanos, onde a cultura era diferente da judaica. De modo que entre a cultura judaica era muito raro que a mulher repudiasse o marido, porém na cultura romana, para quem escrevia Marcos, era muito comum. Agora Marcos, segundo a necessidade foi muito mais amplo, embora falando em poucas palavras.
Lembre-se de que tanto Mateus como Marcos disseram que Jesus ia pregando que os homens se arrependessem porque o tempo havia chegado. Será que Jesus só dizia estas duas frases? Não. Este é o resumo, a essência do que Ele dizia. Ele falava muitas coisas, porém a essência se podia resumir nessas frases, como o resumem Mateus e Marcos. Falaram a mesma coisa. Eles falaram bastante, e voltaram a falar bastante, e logo, de uma forma resumida, a essência é dita aqui em Mateus de forma resumida aos judeus, e Marcos em outro contexto, também fala de forma resumida aos romanos, porém, ao juntar tudo, podemos ter um quadro mais completo.
Então, no regime ordinário, qualquer que repudiar sua mulher (aqui Ele está falando aos homens), e se casa com outra, adultera, comete adultério contra ela; e se a mulher repudiar a seu marido, e se casa com outro, ela adultera também; e o que se casa com a repudiada, comete adultério. Vendo portanto, como o regime ordinário tem várias frases:
Primeira frase: qualquer que repudiar a sua mulher e se casar com outra, adultera.
Segunda frase: e o que se casar com a repudiada, adultera.
Terceira frase: e se a mulher repudiar a seu marido e se casar com outro, adultera.
Esse é o regime ordinário estabelecido pelo Senhor Jesus.
Agora vamos ver em Lucas 16.18, onde Lucas não ambienta as coisas, porém como acaba de mencionar a lei, então imediatamente introduz o assunto. Fixe-se no contexto em que fala Lucas. Lucas no capítulo 15 fala das parábolas: da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo. Agora no capítulo 16, fala da parábola do mordomo injusto, e, logo depois, registra, a partir do verso 16:
“A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar Nele.”
Com isto o Senhor está dizendo: "A lei e o Antigo Testamento chegam até Mim; agora Eu sou Aquele de Quem falaram a lei e os profetas, o que vai estabelecer todas as coisas". Segue dizendo no verso 17:
“É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei”.
Jesus não está contradizendo a lei, mas sim a interpretação liberal que vinha da escola do rabino Hilel. Continua dizendo, no verso 18:
“Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério”.
Aqui Lucas disse o mesmo que falou Mateus; somente sem a exceção. Aqui Lucas está falando da lei. Vemos, pois, que o regime ordinário está em Mateus 19, em Marcos 10 e em Lucas 16.18.
Agora vamos a Romanos 7, onde aparece de novo o regime ordinário. Aqui aparece citado, não com o propósito de ensinar acerca do tema, e isto é digno de se ter em conta. Aqui o apóstolo Paulo está tratando de outro tema. Qual é esse tema? O tema da relação entre a lei e a graça, entre o regime do antigo pacto da letra e o novo pacto do Espírito. Porém logo toma o assunto do matrimônio somente como um exemplo; ou seja, não vai entrar em todos os detalhes, mas toma a essência do regime ordinário do matrimônio para usá-lo como exemplo, para que nós entendamos agora a relação de havermos casado com outro marido, que é Cristo, estando já mortos para a lei. Aqui o tema não é casamento; o tema é outro, porém se utiliza o regime ordinário como analogia para outro assunto. É muito importante ter isso em conta, porque, se vamos estudar o tema da salvação e encontramos um versículo em Timóteo que diz: “Porém a mulher se salvará dando a luz filhos, se permanecerem na fé, amor e santificação, com modéstia" (1Tm 2.15), se somente pretendemos estabelecer a doutrina da salvação da mulher por meio da gravidez, então as que não tem filhos, as estéreis, não podem ser salvas. Porém o tema de Paulo em sua primeira carta a Timóteo não é a salvação. Ele está falando da aplicação da salvação como resultado na vida normal de uma família. Mas quando em Efésios, Romanos, Gálatas, fala de salvação, aí sim fala muito claro que a salvação é por meio da fé sem obras; é graça.
Temos de ter em conta que quando o tema é um assunto, esse tema tem de estar sendo tratado com propriedade aí, porque esse é o tema a tratar. Porém, quando se menciona a salvação no contexto do tema, não se pode interpretar como se esse fosse um versículo definido a respeito da salvação. O mesmo está sucedendo neste caso em Romanos 7. Em Romanos 7 o tema é a lei e a graça; porém uma analogia utilizada neste assunto do regime ordinário do matrimonio, de forma que se fala de maneira restrita, sem nenhuma exceção. Vejamos Romanos 7.1-3:
“Ou ignorais, irmãos pois falo aos que conhecem a lei, que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que ele vive? Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido”.
Aqui está falando do regime da lei, não do Senhor Jesus. Por isto é que se diz: até que a morte os separe. Isto sai desta passagem. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamada adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido”.
Aqui está falando como o que o Senhor Jesus disse. Ainda que não o repudie, também adultera se esta se casar com outra pessoa. Logo disse o seguinte versículo:
“Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus" (v. 4).
Em Romanos 7.3, Paulo cita o regime ordinário em concordância com a lei e em concordância com Jesus, porém não menciona a exceção. "Estás dizendo que não existe a exceção?" Sim, existe. Paulo tinha de mencioná-la se não fosse esse o tema? Não. A exceção aqui estaria fora de lugar.
Agora, onde está o tema? Em 1Coríntios 7. E aí ele menciona dois regimes. Menciona o ordinário e o regime misto. Em 1 Coríntios 7.10, lemos sobre o regime ordinário, porém deve-se ter em conta que existe uma exceção estabelecida pelo Senhor Jesus, em concordância com Moisés, interpretada de acordo com a linha de Shamai, e que está em Mateus 5.32 e 19.9. Os versos estudados que se referem ao regime ordinário se aplicam aos casos em geral, exceto no caso em que o Senhor estabeleceu uma porta de salvação. Porque se você vai aplicar estes versos onde o Senhor disse: "Salvo neste caso", então, você está passando por cima do Senhor Jesus e você está pondo uma carga mais pesada do que o Senhor colocou. Porque o Senhor Jesus, sim, estabeleceu uma exceção que você está ignorando.
Se você trata um caso somente com os versos do regime ordinário, porém esse é um caso de exceção, você está fazendo um uso equivocado destes versos, não importa em qual livro esteja escrito no Bíblia. Podemos ter todos esses versos marcados, porém não se aplicam no caso de exceção; se aplicam a todos os demais casos, menos à exceção. Do contrário, a exceção não seria a exceção. Lemos, pois, o regime ordinário em 1Coríntios, com Paulo tratando do assunto do matrimônio. Os versos 10 e 11 de 1Coríntios 7 concordam com os já vistos em Mateus 19, em Marcos 10, em Lucas 16 e em Romanos 7. Eles dizem:
“Todavia, aos casados, mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido; se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.
Tenhamos mui presente que a primeira carta de Paulo aos coríntios foi escrita por volta do ano de 53 d. C., antes que se houvessem escrito os Evangelhos de Marcos e de Mateus; ou seja, Paulo está lembrando das palavras do Senhor Jesus, da tradição oral. Quando Paulo fala em 1Tessalonicenses 4.15: "Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor", quer dizer que essa é uma citação da tradição oral, pois, quando foi escrita esta carta, ainda não havia sido escrito nenhum dos Evangelhos. Paulo disse: "Todavia, aos casados, mando, não eu mas o Senhor"; ou seja, Paulo está baseado na tradição oral do regime ordinário estabelecido pelo Senhor Jesus. "Mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido; se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”. Aqui Paulo está tratando com outras palavras as implicações. As palavras que Paulo usa são muito interessantes, porque usa a palavra separação, que é diferente da palavra divórcio, a qual vem na forma da palavra repúdio.
A palavra separação não é o mesmo que divórcio. Por que ele diz que se a pessoa se separar que fique sem se casar? Porque está separada, porém o vínculo continua; se, então, se unir a outro, adultera. Por que adultera? Porque não aconteceu divórcio, não foi destruído o vinculo matrimonial. A palavra divórcio é a palavra grega apolio de onde vem a palavra Apolion, que significa "destruidor". Apolio significa "destruir"; é o mesmo que dizer que, no divórcio, no legítimo divórcio, em um caso de exceção por fornicação de um dos cônjuges, ou dos dois, que é a única causa legítima de divórcio estabelecida por Jesus, nesse caso o vínculo matrimonial se destrói.
Então, uma coisa é divórcio e outra coisa é separação. Aqui disse que “a mulher não se aparte do marido; se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”. É o mesmo que dizer "continua casada". Como diz em Romanos: "Verdadeiramente vive o marido....". Por isso é até que a morte os separe. Não pode casar-se com outro se seu marido ainda vive; deve ficar sem se casar ou reconcilie-se com seu marido; porém não se pode unir a outro varão, porque isso seria adultério, o qual é pecado. Não se separe. Então, separação é uma coisa e divórcio é outra. São duas coisas diferentes.
REGIME MISTO
Agora dirá alguém: "Bom, aqui Paulo com suas palavras resumiu o regime ordinário." Porém, vejamos em 1Coríntios 7, do verso 12 em diante. Tenhamos em conta que a primeira carta aos coríntios foi escrita por inspiração do Espírito Santo, e Paulo foi constituído apóstolo pelo Senhor. Agora, fixe como o Espírito Santo guiou as coisas. Já temos visto as implicações de dois regimes: o ordinário e o de exceção. Por que não há somente um regime? Vejamos o que disse Paulo: "E aos demais eu digo, no Senhor" (v. 12), ou seja: "Eu não escutei, não me recordo na tradição oral de nenhuma palavra que o Senhor Jesus tenha dito acerca de outros casos." Porém Paulo está dizendo que este regime ordinário que ele cita nos versos 10 e 11, que concorda com Mateus, Marcos, Lucas e Romanos, este regime ordinário não envolve todos os casos. Ou seja, que se você tomar estes versos e se os aplicar a todos os casos, estará anulando o regime da exceção e estará anulando o regime misto. Porém quando disse aqui: "E aos demais", significa que não são todos os casos que estão cobertos no regime ordinário e no de exceção, mas há outros casos normais entre crentes que tem seus problemas, porém que não houve fornicação nem da parte de um nem de outro.
Então, qual é o regime ordinário? Bom, se repudiar a sua mulher e se casar com outra, adultera; e o que se casar com a repudiada, adultera; e se a mulher repudiar a seu marido e se casar com outro, também adultera; por isso, se, porém, se apartar, que fique sem casar ou se reconcilie com o marido, e que o marido não deixe a mulher (v. 11). Esse é o regime ordinário.
Porém, esse regime ordinário envolve tudo? Pelo Espírito Santo, Paulo ensina que não, porque aqui diz: "E aos demais eu digo, não o Senhor" (v. 12). Isto quer dizer que há alguns casos que estão fora do regime ordinário, e significa que o Senhor Jesus não falou desses casos. Paulo não está entendendo que Jesus falou de todos os casos; o Senhor somente falou de uns. "Esses sobre os quais o Senhor falou, mando, não eu; aos que estão unidos em matrimonio, mando, não eu, mas o Senhor; porém o Espírito Santo me mostra que nem todos os casos foram tratados pelo Senhor Jesus", e agora o Espírito Santo toca nestes casos por meio da Igreja, e leva Paulo a tratar dos outros casos e ordenar assim também em todas as Igrejas.
Então, quais são esses outros, esses mais que não estão no regime ordinário? Ele o chama de regime misto. É o de um crente casado com um incrédulo, em que o incrédulo torna a vida do crente insuportável. Esse não é o caso de que fala o Senhor Jesus aqui. Então, se você se encontra com um desses casos que pertencem ao regime misto, e lhe aplica os versos do regime ordinário, vai colocar em uma situação extremamente difícil uma pessoa à qual o Senhor mesmo e o Espírito Santo não colocou nessa situação.
Então, quais são os demais casos que não cabem dentro do regime ordinário? São estes que aparecem aqui; são os do regime misto. Diz no verso 12: "Mas aos outros digo eu, não o Senhor"; ou seja, o regime ordinário é o que se relaciona com o que mandou o Senhor, porém estes são outros casos que sucedem, que o Senhor não menciona. O que o Senhor trata, está no contexto dos fariseus e dos discípulos, de Seu povo, porém não trata dos casos relacionados com incrédulos. Porém nós vamos evangelizando e encontramos casos de irmãos que estão nesta situação, e o Espírito Santo nos move e ajuda-nos a ver o que fazer com estes outros casos, e em outros demais casos. Isso quer dizer que o regime ordinário não abrange todos os casos.
" Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula, e ela consente em habitar com ele, não se separe dela" (v. 12). Isto é, no caso de um matrimonio misto, de um crente e um incrédulo, não é lícito ao crente tomar a iniciativa de divorciar-se. Se algum crente está casado com uma mulher incrédula, e ela não adulterou, então, ele não pode divorciar-se; não deve tomar a iniciativa, se ela consente em viver com ele. Agora, se ela abandona a casa e se vai, este é outro caso. O que sucede neste caso? Segue dizendo a Palavra de Deus, nos versos 13 e 14:
"E se alguma mulher tem marido incrédulo, e ele consente em habitar com ela, não se separe dele. Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente; de outro modo, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos."
Aí se tem em conta principalmente os filhos. Se o incrédulo não tem problemas, então, não se separem. Porém continuamos lendo o verso 15:
"Mas, se o incrédulo se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão; pois Deus nos chamou em paz."
Aqui se refere a um caso de regime misto. Os outros casos são de regime ordinário. No caso de regime misto, se o incrédulo quer se separar, separe-se. O que acontece, então, com o irmão ou com a irmã? Não está sujeito à servidão neste caso. De maneira que se você quer se sujeitar à servidão, então, se decida. Não está sujeito à servidão em semelhante caso, mas à paz a que Deus nos chamou. Se o cônjuge incrédulo se separar e for embora, o cônjuge crente não deve ficar sujeito à servidão. Os casos não são todos iguais; por isso Paulo fixa estes casos diferentes. Neste caso é melhor que o crente não tome a iniciativa do divórcio, se não houve adultério. Por quê? "Porque quem sabe se tu salvarás ao teu cônjuge." Porém se o incrédulo toma esta decisão, então se separa, e não está o crente sujeito à servidão em semelhante caso. E isto está ordenado em todas as Igrejas. São os casos que aprova o regime ordinário, não o regime de exceção. Porém não deve o crente tomar a iniciativa, a menos que haja o caso de adultério. Se houver adultério, então, se pode divorciar se quiser.
"Pois, como sabes tu, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, como sabes tu, ó marido, se salvarás tua mulher? Somente ande cada um como o Senhor lhe repartiu, cada um como Deus o chamou. E é isso o que ordeno em todas as igrejas" (vv. 16,17).
Então, o regime misto, registrado no capítulo 7, do verso 12 ao 17, da primeira carta de Paulo aos coríntios, é uma ordenança apostólica por meio do Espírito Santo, não de palavras do Senhor, porque o Senhor não tratou desses casos, mas os deixou ao Espírito Santo. Em uma ocasião Ele disse: "Ainda tenho muitas coisas que dizer, porém agora não as podeis entender. Porém quando vier o Espírito da verdade, Ele os guiará a toda a verdade" (Jo 16.12,13). “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu; e tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu" (Mt 18.18).
Então, o que temos aqui? Outro regime: o regime misto. O que fazer com os demais casos? O que é dito em 1Coríntios 7.12-17; e isso é uma ordem apostólica a todas as Igrejas. Agora você pode dizer: “Não, Paulo não é o Senhor." Isso é verdade; Paulo não é o Senhor. Porém o Espírito Santo foi quem guiou a Paulo, e o Espírito Santo lhe inspirou para tratar desses e de outros casos que não estão no regime ordinário.
UMA ÊNFASE FINAL
Terminamos enfatizando de novo o regime de exceção. Vamos aos capítulos 5 e 19 de Mateus. O Sermão do Monte registra o que estabeleceu o Senhor Jesus sobra a exceção. Diz em Mateus 5.27-32:
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno. Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério”.
Ou seja, expõe à mulher ao adultério. Se ela decide viver com outro, ela adultera, mas isso não se aplica se houve fornicação. Em caso de fornicação não se aplicam os verso do regime ordinário. Em Mateus 5.32 e 19.9 o Senhor disse que o regime ordinário estabelece uma exceção. Mateus 19.9 diz: “E Eu vos digo que qualquer que repudiar a sua mulher, salvo por causa de fornicação, e se casar com outra, adultera; e o que casar com a repudiada, adultera”. Se houve fornicação, o regime ordinário não se aplica necessariamente. Há uma exceção. Não é que esteja obrigado a repudiar ou a divorciar; pode perdoar. Porém o Senhor sabe como é a situação; então, o Senhor mesmo, em Mateus 5.32 e 19.9, estabeleceu uma exceção. Qual é essa exceção? Fornicação. Qual é essa coisa indecente? É a fornicação. Vemos pois, que tinha razão o rabino Shamai, que é a mais próxima do ensino do Senhor Jesus.
Agora, o que é fornicação? Fornicação é toda relação sexual ilícita. O adultério cabe dentro da fornicação. A palavra fornicação é muito mais ampla que a palavra adultério. Se a relação ocorre entre dois solteiros, não é adultério, é fornicação; porém se a fornicação é entre um solteiro e um casado, ou entre dois casados, essa fornicação é adultério; ou seja, a palavra adultério envolve menos que a palavra fornicação, porém a palavra adultério está inclusa na palavra fornicação. O adultério é incluído na fornicação, segundo o uso do próprio Senhor Jesus. Vamos ver como o Senhor usa essas palavras, trocando adultério e fornicação.
Leiamos Apocalipse 2 a partir do verso 20. Estes versos correspondem ao regime da exceção, ao definir fornicação e ver que o adultério sempre inclui a fornicação. Por que dizemos isto? É porque existem alguns irmãos que dizem que a fornicação só acontecia se o homem descobrisse que sua esposa não era virgem ao realizar-se o casamento, tendo como o único motivo para então poder repudiar a esposa, porém se depois de casado houvesse adultério em sua esposa, tem de suportar. Assim pensam alguns hoje. Ou se houve adultério por parte do marido, a mulher tem de suportá-lo. Porém o que diz aqui a Palavra do Senhor? Vejamos como, na boca de Jesus, adultério e fornicação não são duas coisas separadas, mas que uma está dentro da outra. Se houve adultério, houve fornicação, e se houve fornicação no casado, houve adultério. Veja os versos em Apocalipse 2.20-22:
“Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela.”
Aqui o Senhor Jesus está dizendo que fornicar com ela é adulterar com ela. O Senhor está dizendo que fornicação e adultério se relacionam. Se alguém pretende dizer que, por "causa de fornicação" significa que a mulher não era virgem quando chegou ao matrimônio, e que isto não implica o adultério, não está dando o alcance que Jesus dá à palavra fornicação. Vemos isso na citação de Apocalipse, que fala de cometer fornicação os que com ela adulteram. Vemos, pois, que adulterar é fornicação. Portanto, a exceção é a seguinte: em nenhum outro caso, senão no caso de fornicação (e aí se inclui o adultério), o cônjuge pode repudiar ao outro. Não há caso que justifique, por exemplo: se portar mal, ser drogado. Deus não dá nenhum outro motivo para divorciar-se; não há motivo para divorciar-se, a não ser somente em caso de fornicação. Se repudiar por outro motivo e se casar com outra, é adultério; e se alguém se casa com a repudiada, é um adúltero.
Ou seja, não há senão uma só causa de divórcio legítimo estabelecido pelo Senhor Jesus, e que deixa a pessoa livre: se houve fornicação. Nesse caso, a pessoa ofendida tem direito, se quiser, ao divórcio. Não está obrigada, pode perdoar, ou então não perdoar e se decidir a solicitar o divórcio. E se se mantiver sem casar-se de novo e sem se divorciar, o outro está ligado; porém se a pessoa o perdoa, porém quer divorciar-se, somente tem direito se houve fornicação. Se houve fornicação, está dentro dessa porta aberta a um novo casamento. Só pode haver divórcio por causa da única causa estabelecida pelo Senhor, por ser a única culpa: a fornicação. Se houve fornicação por parte de um dos cônjuges (não somente da mulher), então o outro cônjuge, por ser afetado, tem direito de divorciar-se, e ficar assim livre e casar-se com outro livre. Aí não se aplica o regime ordinário, porque esse regime não se aplica ao regime de exceção. A pessoa fica no legítimo direito do divorcio. E se houve fornicação, pode-se divorciar, e se casar novamente.
Quando já houve o divórcio legítimo, outorgado pela pessoa ofendida, ou se os dois se traíram, então, os dois se dão mutuamente carta de divórcio legítimo. Às vezes, somente ela tem direito a divorciar-se ou às vezes somente ele tem direito. Às vezes, os dois têm direito dentro do regime de exceção, se houve fornicação. Se houve fornicação não se pode aplicar estes versos do regime ordinário, porque o Senhor disse: "exceto" ou "salvo". "Isto é assim, salvo nestes casos"; "isto é assim, a não ser neste outro caso", há a salvação do divórcio; pode-se dar carta de divórcio.
Para esta carta de divórcio há uma data, há testemunhas, há uma causa legítima; e se entrega para que a pessoa saiba que foi divorciada, e pode apresentar sua carta de divórcio e deixar a outra pessoa livre, porque se divorciou legitimamente, porque houve fornicação. A partir desse momento, a pessoa fica livre por estar debaixo do regime de exceção. Você pode encontrar todos estes versos, porém não se aplicam neste caso, porque aqui se aplica outro regime, o da exceção.
Tudo deve ser feito conforme as leis do país onde se resida. Se alguém não encaminha o processo às autoridades competentes e cumpre os requisitos que exigem a lei, ao ir a um cartório para se casar de novo, esta pessoa poderá ser acusada de bigamia; porque também o Senhor quer que se obedeça às leis do país em que se vive. O divórcio deve ficar legalmente reconhecido. O divórcio deve ser feito diante do Estado. Deve ser feita uma carta de divórcio, conforme diz o Senhor, porém deve fazer-se diante do Estado, no lugar em que se registra e se legaliza, diante das autoridades competentes.
O ofendido é o que dá o divórcio, não o pede. Porque isso é que diz que, se alguém casar e achar nessa pessoa uma causa de fornicação, lhe dará carta de divórcio e a deixará livre; então ela irá para sua casa e poderá casar-se com outro, porque a deixou livre, porque encontrou coisa indecente, que, de acordo com Shamai, fornicou. Não é o que adultera o que dá o divorcio, mas o ofendido. Se não se divorciam, tampouco podem-se casar. Se não se der carta de divórcio, tendo direito a ela, continua casado e não se pode casar com outro. Se der a carta de divórcio, fica livre e o outro também fica livre. Porém, isto no caso de fornicação.
Os católicos vão ao extremo de proibir o divórcio nos casos em que o Senhor não o proíbe, e há outros que vão ao extremo de concedê-lo por qualquer outra causa que o Senhor não admite, pelo cônjuge ser viciado em drogas ou por outro motivo não legítimo.
Que o Senhor nos ajude. Amém.
("Assuntos de Matrimônio e Divórcio", ministrado na localidade de Tunjuelito, Santafé de Bogotá, D. C., Colômbia, em 23 de janeiro de 1999. Os direitos são do autor. Permite-se a reprodução total e a distribuição gratuita do presente documento, sem qualquer alteração, com a única condição de citar inteiramente a fonte a fim de colaborar e preservar a integridade do texto. Sem tal citação, o autor não pode fazer-se responsável por um novo -
A IDENTIDADE DO TESTEMUNHO DA IGREJA
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A IDENTIDADE DO TESTEMUNHO DA IGREJA
Gino Iafrancesco Villegas
Oremos:
“Senhor, obrigado Pai pelo Senhor Jesus, obrigado Pai em nome do Senhor Jesus, obrigado Senhor pelo teu Espírito, pela tua fidelidade, pela tua bondade, pela tua presença, pela tua realidade, obrigado Pai; confiamos integralmente nosso ser ao Senhor; guarda-nos de nós mesmos e do inimigo; na tua confiança em Cristo Jesus. Amém”
A NOSSA HERANÇA
Irmãos, tenho para compartilhar com a Igreja aqui em Almirante Tamadaré, algo que o Senhor em várias ocasiões e em vários lugares me coloca para compartilhar com diversas igrejas. Isto que vou falar com os irmãos é algo que tenho falado também em outros lugares. Quem sabe algumas coisas vocês já conhecem, possivelmente tudo, mas é a carga do Espírito lembrar aos irmãos alguns pontos essenciais.
A carga do meu coração para com a Igreja hoje aqui é para que o Espírito Santo possa nos dar discernimento da identidade de nosso testemunho. Nós, a Igreja, somos um testemunho do Senhor na terra, e o Senhor tem encomendado à Igreja, somente à Igreja, certas “coisas”, e vou falar “coisas” entre aspas porque é claro que o que o Senhor deu é muito mais do que “coisas”, Ele mesmo se deu, mas para resumir vamos usar uma palavra fácil.
Às vezes com muita facilidade nós nos perdemos pelos ramos, ficamos pela periferia; às vezes damos voltas pela periferia sem discernir as prioridades e sem discernir o conteúdo que nos foi confiado. Então gostaria de chamar a atenção para alguns itens deste conteúdo que o Senhor deu à Igreja. Como estávamos cantando, “é a nossa posse, é a nossa herança”, é algo que somente nós, a Igreja, temos. É algo que é particular dos cristãos, particular da Igreja, você não encontra isso nem se quer nos monoteísmos judaico ou islâmico. Somente que, o que vamos lembrar e tomar consciência de novo, é algo próprio da nossa identidade cristã, e se encontra somente na Igreja. Não se encontra nem mesmo na academia ou na ciência, a menos que entre eles existam alguns irmãos, mas não quanto a acadêmicos, não quanto a cientistas, mas quanto a irmãos, a academia pode ter algumas destas coisas que vamos estar lembrando.
OS FILHOS NOVOS
Vamos imaginar que estamos abrindo um livro e que chegamos àquela página inicial onde aparece o conteúdo, o índice, onde aparecem mencionados os títulos dos capítulos. Se você quer ter uma idéia do que trata o livro, você lê o conteúdo e então tem uma idéia do que trata este livro, qual é o tema do livro. Isso é o que vamos fazer hoje à noite. Vamos somente dar uma olhada panorâmica; vamos com a ajuda do Senhor identificar alguns itens de suprema importância para a Igreja, os quais foram confiados à Igreja, são nosso tesouro, têm que ser nossa riqueza constante e nosso testemunho.
Como o Senhor constantemente está recebendo filhos, e a mãe Igreja, como Paulo diz em Gálatas, está também tendo seus filhos para o Senhor, então a Igreja precisa estar alimentando bem aos filhos novos. Eles precisam conhecer quais são os “assuntos”, e vou falar entre aspas, porque não são só “assuntos” fundamentais. Cada um destes itens que vamos mencionar tem sido terrivelmente atacado pelo diabo. O diabo procura no máximo possível evitar que essas “coisas” sejam claras para a Igreja. Ele procura por todos os lados nos confundir, introduzir heresias, confusões, nos afastar do central e nos levar pelas periferias e pelos ramos. Então irmãos, gostaria que tomássemos nota em nosso coração para não esquecermos algumas “coisas” que gostaria de mencionar.
A TRINDADE
A primeira palavra que devemos tomar em conta, a primeira “coisa”, e não é “coisa”, que foi confiada à Igreja, a qual é o maior tesouro da Igreja e que é também o maior espetáculo, porque existem alguns espetáculos, e o maior espetáculo que sempre seguirá sendo por toda a eternidade é a própria Trindade. O próprio Deus que se revelou a nós como um Deus que é trino. Um Deus que é Pai, Filho que também é Deus com o Pai, e o Espírito Santo que é o Espírito do próprio Deus, que também é divino. ¿Como Deus poderia ter um Espírito que não fosse divino? Que fosse uma meia “coisa” ou “coisa”? Todo o Deus é divino, o Pai, o Filho e o Espírito Santo de Deus são o único Deus, mas este Deus se revelou trino à Igreja. Só a Igreja conhece a Deus em Trindade.
O diabo procurou combater isto introduzindo, desde o começo da história da Igreja, heresias para confundi-la, para que ela não conhecesse a Deus e a Cristo. Se a Igreja não conhece a Cristo, não conhece Deus. Se a Igreja não recebe a Cristo, não recebe a Deus. Se não honra ao Filho não honra ao Pai. Irmãos, essa é a grande tragédia daqueles outros monoteísmos que não são o monoteísmo da Igreja. A grande tragédia do judaísmo que rejeitou ao Messias Jesus Cristo, a grande tragédia do islã que ama ao único Deus, que eles chamam Alá, e querem dar a vida por ele. Muitos estão se suicidando com bombas em uma guerra santa por motivos religiosos. Eles estão fazendo isso pensando que o fazem por Deus. Que coisa triste é isso, mas é verdadeira e tem que ser dita. Quem não recebe ao Filho, não recebe ao Pai; quem não tem o Filho, não tem tampouco o Pai; quem não honra ao Filho, não honra ao Pai.
O único monoteísmo verdadeiro é o monoteísmo do cristianismo. É o monoteísmo, usando esta palavra da história da Igreja, trinitário. Esse é o maior espetáculo; não existe maior foco para nos concentrar e que nos atrai do que o próprio Deus. O assunto da Trindade não é somente um assunto teológico para os seminaristas ou quem sabe para os pastores ou alguns mestres. Deus se revelou trino à Igreja e isso é para toda ela. A Igreja conhece a Deus pelo Espírito e por Cristo. Graças ao Espírito conhecemos a Cristo e graças a Cristo conhecemos a Deus nosso Pai.
A primeira “coisa” importante que foi revelada à Igreja, foi o próprio Deus. A criação, e ainda a redenção, foram reveladas somente por causa de Deus. Primeiramente estava o Pai e o Filho com o Espírito Santo; e foi por causa deste relacionamento interno da Trindade que veio a existir a criação e a redenção. A criação e a redenção têm origem e têm um destino que é a Trindade. A Trindade abrange tudo, é o “Alfa” e o “Omega”, tudo está nela. Foi porque o Pai amou o Filho e então quis dar-lhe um presente é que criou no Filho e com o Filho. Com Ele planejou e criou, nEle e para Ele; o Pai fez tudo no Filho. Esse é um assunto entre o Pai e o Filho. A criação, a redenção e o evangelho é um assunto entre o Pai e o Filho. É o Pai que ama o Filho e quer fazer-Lo marido de uma mulher, de uma esposa mística, a Igreja. Quer casá-Lo, quer que Ele seja o Cabeça de todas as coisas, de todo principado e potestade, e de todo varão, mas principalmente da Igreja. Ele quer casar Seu Filho com a Igreja; quer que Seu Filho Unigênito seja o Primogênito entre muitos irmãos. Todas as coisas foram feitas por causa deste relacionamento íntimo de Deus, o Pai com o Filho no Espírito Santo.
O RELACIONAMENTO NA TRINDADE
Irmãos, vamos continuar martelando mais neste ponto. Depois, se Deus nos conceder, passaremos para outros pontos; vamos nos deter um pouco mais aqui. O fato de que Deus tem um Filho Unigênito Eterno com Ele no Seu seio desde a eternidade e que Deus delegue a Ele o que delegou, isso nos fala muito de Deus. Conhecemos a Deus por causa do Filho; Deus tem um Filho e aí vemos a essência e natureza de Deus que é amor. Conhecemos a Deus, a Sua essência e a Sua natureza, porque Deus tem um Filho e agradou ao Pai que no Filho habitasse toda a plenitude; isso nos revela Deus. Se Deus não tivesse um Filho, se o Deus único não tivesse um Filho igual a Ele mesmo, ¿seria que Deus é amor? Mas o Deus único, centro legítimo de todas as coisas, princípio e fim de tudo, um Deus que é amor, diz que tem um Filho. Tudo o que Deus faz, o faz por causa da paixão que tem pelo Filho. É um Deus que não faz nada sem o Filho.
Deste relacionamento interno da Trindade resulta o modelo e a dinâmica para as famílias, para a Igreja e para a sociedade, se receberem a Cristo e ao testemunho da Igreja. Este assunto da Trindade não é somente teológico, mas é extremamente prático; é sociológico e psicológico. Da Trindade vem a realização de todas as coisas; todas as coisas se realizam na Trindade, pela Trindade, diante dela e para ela. O “assunto” da Trindade é uma grande prioridade que a Igreja tem que ter e nunca deve esquece-la.
O CONHECIMENTO DA TRINDADE
Quanto temos que aprender a ver com olhos espirituais este espetáculo. Que o nosso espírito possa ver o espetáculo da Trindade. Não estou falando somente da doutrina intelectual da Trindade, ainda que precisamos do intelecto, pois Deus nos deu e precisamos dele, mas estou falando de uma percepção espiritual da Trindade. É do relacionamento do Pai com o Filho que o Espírito Santo nos faz conhecer e perceber a Trindade. Na medida em que vamos percebendo, vamos sendo conquistados, vamos cedendo a Ele e a essa visão dEle. O Pai vai transferindo o que é dEle a nosso ser e vamos sendo transformados na medida em que conhecemos a Deus na Sua Trindade.
Quantas coisas o Pai poderia ter feito sozinho, mas Ele nunca quis. Nada do que foi feito foi feito sem o Filho. Antes de fazer, diz Provérbios capítulo 8, a Sabedoria de Deus, que é Cristo conforme primeira aos Coríntios 1:24, estava como o Seu Arquiteto. O Filho é o Arquiteto do Pai. Um arquiteto trabalha em comum acordo e segundo os interesses, a personalidade, o caráter e os objetivos do dono do que ele está fazendo. O Pai quer construir uma casa e o Arquiteto tem que conhecer o que Pai quer. Eles conversam e dizem: ‘Vamos fazer isso aqui, vamos colocar isso ali, vamos levantar isso assim’.
Irmãos, olhem para o caráter de Deus, que é onipotente, que sabe tudo, que não precisa de nada, e é um Deus que compartilha a criatividade e não quer fazer nada sozinho. Os que são casados vão me entender, especialmente os que viajam. Quando saímos de viajem e vemos uma paisagem formosa, a primeira coisa que pensamos é: ‘Ah se ela estivesse comigo para que eu pudesse mostrar tudo isso a ela, para que ela se alegrasse comigo e para que eu desfrutasse com ela desta paisagem. Olhe que mar tão lindo! Olhe que montanhas e bosques!’ Queremos sempre compartilhar. Quando Deus falou: “não é bom que o homem esteja só”, não falou somente do homem Adão que era a figura daquele que viria. Em Romanos 5 fala sobre isso e em segunda aos Coríntios fala de Eva tipificando a Igreja. Paulo disse que não queria que assim como Eva foi enganada pela serpente a Igreja fosse também enganada. Ele estava comparando Eva com a Igreja e Adão com Cristo.
A TRINDADE NA CRIAÇÃO
Assim, essa Palavra: “não é bom que o homem fique só”, nasce do caráter de Deus; e por causa do Seu caráter Ele tomou essa determinação; esse foi o juízo de Deus, a Sua sentença: “Não é bom que o homem esteja só”; estar só é algo egoísta, é algo sem sentido. Deus é amor, e o que é bom e Aquele que é amor, compartilha o que é bom. Então Ele disse: “façamos uma ajudadora idônea para ele”; aqui Deus não estava falando somente de Adão e Eva; claro que também estava falando deles, mas estava falando mais. Adão e Eva são uma figura e também são pessoas históricas reais que servem de figura assim como Abraão, Sara, Agar, Ismael, Isaac que são personagens da história mas que servem de alegoria. Assim Adão é o primeiro homem histórico e Eva a primeira mulher histórica e por detrás destas pessoas históricas Deus está projetando revelação. Ele constituiu estas pessoas históricas, Adão e Eva, como figuras; por isso Ele disse: “Deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne.” “Mas eu digo isto”, disse Paulo, “de Cristo e a Igreja”, ou seja, o matrimonio é uma figura mística do mistério de Cristo e a Igreja; O que expressa Cristo e a Igreja? Expressa o caráter de Deus, Ele é amor.
“Não é bom que homem esteja só”; assim como Deus, que é suficiente em si mesmo, que é amor, não ficou tranqüilo se não criasse. Se Ele tivesse criado somente até certo nível, não ficaria tranqüilo. Assim Ele tomou a decisão, o Pai o Filho e o Espírito Santo juntos: “Façamos o homem a nossa imagem e nossa semelhança”. Vamos fazer uma criatura que não fique pela metade, nem noventa porcento, mas vamos fazer uma criatura que seja como nós. Assim foi sempre, o Pai com o Filho, e continua sendo com o homem, com a Igreja; esse é o caráter de Deus. Quando vemos a relação do Pai com o Filho no Espírito, daí provem toda classe divina de inspiração e de realização.
Ele é o Seu Arquiteto diante de Deus; “comigo são suas delícias” disse a Sabedoria de Deus que é Cristo, o Filho, o Verbo de Deus. Ele é a Palavra que expressa Deus. Cada palavra expressa uma coisa; microfone expressa isso; flor expressa isso; Bíblia expressa isso; mesa expressa isso; mas o Verbo de Deus é a Palavra que expressa e define claramente a Deus. É o Verbo de Deus que é a Palavra que expressa o auto-conhecimento e a Revelação de Deus. Ele sempre está com Deus como o Unigênito dEle.
A VIDA NA TRINDADE
Como o Pai tem vida em si mesmo deu ao Filho também ter vida em si mesmo. Assim os dois têm vida em si mesmos, ou seja, a vida divina, a vida em si, a vida eterna, a vida que vem de si mesmo. Nós todos temos a vida que vem dEle. Nossa vida é contingente e depende dEle, mas a vida dEle é auto-suficiente, é vida em si mesma, a vida divina.
A essência de Deus que o Pai tem, Ele quis que o Filho também tivesse, mas não quis no tempo, pois isto foi uma decisão na eternidade. Então o Filho tem a mesma essência do Pai; é tão divino quanto o Pai somente que é Unigênito e o Pai é Ingênito. O Pai gerou o Filho mas não no tempo, porque o Filho é Sua imagem com a qual Ele se conhece, e pela qual Ele se revela. A imagem do Deus invisível é o Filho, e o Pai é o Deus invisível.
A imagem pela qual Ele se revela, porque primeiro se conhece para depois se revelar, é o Seu Filho. A imagem é o Filho. Ele tem vida em si mesmo dada, e o Pai tem vida em si mesmo sem que ninguém dê. Ninguém deu vida em si mesmo ao Pai, mas o Filho tem a mesma vida, essência e natureza do Pai, somente que dada pelo Pai, e por isso Ele é chamado de Unigênito.
O Pai deu vida em si mesmo, deu a arquitetura, deu a criação, e esta é a característica do amor: delegação, participação e comunhão, que é querer fazer com o outro, envolver o outro e interessar-se pelo outro.
O COMPARTILHAR NA TRINDADE
O Filho foi “contratado” como Arquiteto pelo Pai; Ele poderia fazer tudo sozinho, mas não quis fazer nada sem o Filho; tudo Ele faz pelo Filho. O Pai não precisa de anjos para nos cuidar, mas os anjos cuidam dos Seus santos; é do caráter de Deus. Um Deus que compartilha, que dá, que é solidário, que delega, que gosta da participação do outro, que gosta da realização e do gozo do outro. Conhecemos isso ao ver o Pai e o Filho.
Vida em si mesmo, arquitetura, revelação de Deus também foi delegada ao Filho, que é o resplendor da glória do Pai. Ninguém pode ver o Pai diretamente senão através do Filho. O Pai é chamado o Deus invisível, mas se faz declarado através do Filho. Todas as aparições teofánicas parciais de Deus na história bíblica foram através do Filho que é o Revelador de Deus. A revelação foi delegada ao Filho; não há revelação de Deus sem o Filho, assim como não há criação de Deus sem Ele; não há planificação sem o Filho; não há amor de Deus sem o Filho.
A DELEGAÇÃO NA TRINIDADE
Há outra coisa grande que o Pai delegou ao Filho. Que coisa! Que confiança imensa! O Pai conhecia o Filho e ninguém sabia do que Ele era capaz. Mas o Pai conhecia o Filho e sabia do que Ele era capaz. O Pai que criou com Seu Filho sabia da rebelião, da queda, da miséria e do mal que viriam. Ainda assim o Pai delegou ao Seu Filho três coisas mais: redenção, juízo e reino.
O Pai delegou ao Filho a redenção. Que coisa terrível, pois, exigia a santidade, a justiça e a glória de Deus depois do pecado do homem. Quem faria isso? O Pai sabia quem era Seu Filho, quem faria isso e quem seria tão leal para dar a vida por Deus e pelo povo de Deus.
O sacrifício de Cristo tem dois aspectos: o aspecto de holocausto que é só para Deus, para vindicar a Sua glória, a Sua santidade, a Sua justiça que foi ferida, blasfemada e ofendida pelo homem; e a outra parte, a qual nós precisamos, que é a expiação. A expiação é para nós, e o holocausto é para Deus.
Deus tinha que ser satisfeito e nós tínhamos que ser remidos. E a quem confiou o Pai isso? Ao Filho. O Pai permitiu tudo para mostrar o Seu Filho; isso é uma coisa que o Pai gosta. Como o Pai ama o Filho, Ele sabe o que o Pai quer fazer. O Pai quer revelar o Seu Filho e quer mostrar quem Ele é. Tudo o que o Pai permitiu tinha como objetivo mostrar quem é Seu Filho. O deleite do Pai é o Filho e Ele quer compartilhar esse deleite que tem no Filho.
O Pai quer que nós também conheçamos Seu Filho e ao conhece-Lo verdadeiramente vamos querer de todo coração ser como Ele; vamos querer nos colocar nas mão de Deus para que Ele possa trabalhar em nós e nos faça semelhante a Seu Filho. Este será o maior gozo do Pai, ver Seu Filho sendo formado e aparecendo em outras pessoas, filhos dos quais Seu Filho é o Primogênito.
A REDENÇÃO, JUIZO E REINO NA TRINDADE
Irmãos, a redenção abriu o coração de Deus e mostrou o conhecimento que o Pai tem do Filho. Este plano de redenção executado pelo Filho, que foi provado em tudo porque Ele não foi eximido da provação, é uma coisa muito grande. O Filho não foi eximido da prova mas foi provado diante dos anjos e dos homens.
Todos nós muitas vezes temos perdido a provação e temos sido reprovados. Mas graças a Deus que aquele Filho Unigênito de Deus que se fez Filho do Homem, que foi provado em tudo conforme a nossa semelhança, foi aprovado.
A vida pública, e antes a privada, foram declaradas agradáveis a Deus por Ele próprio publicamente. Da vida privada, que ninguém conhecia, no momento do batismo Deus disse: “Este é meu Filho amado em quem tenho prazer”. Ninguém conhecia essa vida privada, só o Pai. Antes do ministério público o Pai declarou que tinha contentamento naquele Seu Filho. A vida privada foi vivida para agradar a Deus. Ninguém estava entendendo o que estava acontecendo, só Deus. Deus estava entendendo a vida privada e por isso deixou duas testemunhas no Novo Testamento, irmãos dEle: Tiago e Judas Tadeu. Estes irmãos de Jesus O chamam de “Kurios”, de Senhor. Eles aplicam palavras a seu irmão Jesus que só podem ser aplicadas a Deus. Pedro, Tiago, o outro Tiago mais velho, de Zebedeu, e João foram testemunhas do ministério público e viram a Sua glória na Sua transfiguração no monte Tabor. Mas Tiago e Judas Tadeu foram testemunhas de outra coisa, foram testemunhas da vida privada de seu irmão.
Quando lemos a epistola de Tiago que diz: “Senhor Jesus Cristo”, para nós, depois de vinte e um séculos de cristianismo, pode não significar muito; mas ele, sendo Seu irmão na carne, chama-Lo de Senhor!, isso só se fala a Deus. Por isso Deus escolheu estas duas testemunhas no Novo Testamento. O Pai delegou a redenção ao Filho e Ele deu testemunho de uma vida irrepreensível.
Depois delegou o juízo, e foi por isso que o Senhor Jesus disse: “O meu Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo juízo porque Ele é o Filho do Homem”. O Pai se absteve de julgar e preferiu confiar o juízo ao Seu Filho. Mas o Filho não julga por si mesmo senão que ouve ao Pai. Vemos nós aí este relacionamento formoso? Vemos que não existe outro espetáculo maior, outro assunto maior que a Trindade, que o relacionamento do Pai e o Filho no Espírito Santo. O Juiz que Deus constituiu para julgar a todos os homens e as demais criaturas, é o Seu Filho.
Também delegou ao Filho o Reino, assentou o Filho à Sua destra, e é através dEle que conhecemos a Deus. Tudo isso, vida em si mesmo, arquitetura, criação, revelação, redenção, juízo e Reino, que são sete assuntos, mostram o que o Pai deu ao Filho.
A IMPORTÂNCIA DA TRINDADE
O Pai quis ter um Filho; isso nos mostra como Deus é e como o Filho é. Do mesmo jeito que o Pai é com o Filho, o Filho é com a Igreja. Assim como o Pai deu ao Filho, o Filho deu à Igreja. Assim como o Pai quer fazer tudo com o Filho, o Filho quer fazer tudo com a Igreja. O Pai delega glória ao Filho e o Filho diz, “A glória que me deste eu dei a eles”. Assim como o Pai passa para o Filho e o Filho passa para a Igreja, a Igreja passa para os maridos, os maridos passam para suas esposas, os pais passam para os filhos, as famílias passam para a sociedade; é um rio de vida, de inspiração e de realização que vem da Trindade.
Irmãos, vendo a Igreja a importância deste “item” fundamental, que é o próprio Deus, não pode haver outra coisa anterior a ele. Nada mais pode ter o primeiro lugar. Este primeiro “item”, Trindade, a Igreja precisa conhecer, a divindade do Filho, a eternidade do Filho, a coexistência eterna do Filho com o Pai, a co-inerência das divinas pessoas e o que é distintivo de cada pessoa na Trindade.
Só estou falando isso, o primeiro “item”, para que a Igreja celebre. Voltemos aqui e coloquemos aqui de novo o enfoque, nesta relação interna de Deus o Pai o Filho e Espírito Santo.
O ASSUNTO CENTRAL: A TRINDADE
Irmãos, quando o Espírito Santo começou a trabalhar na Igreja, quando lemos a história da Igreja podemos ver qual era a Sua tônica. Qual era o “assunto” ao qual o Espírito Santo estava conduzindo a Igreja nos primeiros séculos. Ele queria abrir os olhos da Igreja sobre quem é Jesus Cristo, que relação tem o Filho com o Pai.
Alguns poderiam pensar que Jesus fosse um homem, ou um profeta que Deus adotou, acima do qual veio a unção; havia muitas opiniões acerca de Jesus. Mas o Espírito Santo esteve ensinando à Igreja, pois isto é o que Ele faria: “Quando vier … Ele me glorificará”. Quando o Espírito Santo veio começou a glorificar o Filho, a demonstrar quem é esse Filho. A Igreja começou a confessar a consubstancialidade do Filho com o Pai, e isto é o que escandaliza o judaísmo e o islã. O Espírito Santo mostrou à Igreja quem é o Filho de Deus.
A ENCARNAÇÃO
Então, irmãos, chegamos ao segundo “item” que já estava implicado no primeiro, mas tem que ser expressado de maneira explícita. O primeiro “item” é a riqueza e o tesouro da Igreja, pois é o que a Igreja tem por comida, a Trindade. O segundo item, que é o segundo espetáculo, porque também é um grande espetáculo, é a palavra chave: encarnação.
Depois da palavra Trindade vem a palavra encarnação. A Igreja precisa conhecer a encarnação que é o segundo espetáculo: manifestado na carne, justificado em Espírito, visto dos santos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima na glória. Não há história maior, não há evento maior na história do que a encarnação do Filho de Deus, a vida humana do Verbo de Deus, que é o todo divino-humano.
Em que consistiu a encarnação? É o despojamento, concepção no ventre da virgem Maria, nascimento e crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. Aprendendo pelo padecimento, pela obediência, e sendo aperfeiçoado como homem. Deus não tem que ser aperfeiçoado; Ele não tem nada o que aprender, mas Ele se fez Homem, Seu Filho o Verbo Divino, e viveu a vida humana mais singular.
Esta é a segunda “coisa” a qual chamo a atenção da Igreja. A Igreja tem que estar vendo estes assuntos: Trindade e encarnação. A encarnação é o segundo grande tesouro da Igreja. Irmãos, é a Igreja que entende isso, é a Igreja que come disto; fora da Igreja as pessoas não entendem nada disso, estão cegas. É a Igreja que está tendo os seus olhos um pouquinho abertos para conhecer a Cristo, o Verbo encarnado de Deus que foi feito homem e em tudo semelhante ao homem; com espírito humano, com alma humana, com corpo humano; provou tudo segundo a nossa semelhança, mas sem pecado.
Irmãos, não existe aqui uma coisa maior do que esta vida humana ter sido vivida na terra. Essa classe de vida teve que ser limpíssima e da qual o próprio Deus deu testemunho. Deus se sentiu obrigado, por causa de Seu caráter, de dar testemunho desta vida. Ele falou publicamente “Este é o meu filho amado em quem tenho prazer”.
Já tinham profetizado acerca dEle que não se encontrou engano na Sua boca, nunca fez maldade e foi simbolizado por um Cordeiro sem defeito. Nesta vida precisamos nos deter, nesta Pessoa humana, divina e humana, Filho de Deus e ao mesmo tempo Filho do Homem, Profeta, Sacerdote e Rei.
A EXPIAÇÃO
A encarnação nos leva ao terceiro grande item, riquíssimo para a Igreja, terceira palavra chave dos assuntos da Igreja que nunca podemos esquecer: expiação. Terceira palavra chave, terceira riqueza e profundeza de Deus, expiação.
O que é expiação? Da Trindade à encarnação, o Verbo Divino de Deus feito homem, foi morto pelos nossos pecados; isso é entrar no sentido da expiação.
Irmãos, às vezes parece que a Igreja não viu o que é expiação. Houve séculos que pensavam que Ele morreu para nos dar exemplo de martírio. Algumas pessoas pensavam que a morte dEle era uma morte como a de outro mártir para nos dar exemplo. Claro que Ele nos deu exemplo, mas Ele não morreu só para nos dar exemplo, porque esse foi o preço dos nossos pecados.
Recomendo aos irmãos um livro que já está publicado em português, demorou muito para ser publicado, mas agora já está nas livrarias cristãs. Este livro é do século onze, “Cur Deus Homo” é seu título em latim, e em português “Por que Deus se fez homem?” do nosso irmão Anselmo de Cantuária. Ele foi o irmão que Deus usou na história da Igreja para que o Espírito Santo através dele tocasse a tecla da expiação. Depois que nos primeiros séculos Ele mostrou quem era Jesus como Deus e como homem, nos séculos médios mostrou a expiação.
O ENTENDIMENTO DA EXPIAÇÃO
Irmãos, entender a Deus, a Cristo e a obra de Cristo tem sido o trabalho da Igreja por séculos. O Espírito Santo conduziu a Igreja nos primeiros séculos para que ela compreendesse quem era realmente Cristo. Finalmente no Concílio de Nicéia confessaram, como tinham que confessar, e não é que ali tenha começado o assunto, pois ele está na Bíblia, mas por fim foi entendido pela Igreja publicamente, que o Filho é consubstancial com o Pai, é Deus com o Pai. Ele é Deus de Deus e Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; esta foi a conclusão de quatro séculos.
Bem, mas agora que já sabemos que o Verbo é Deus como fica este assunto de que Ele é homem também? Como se relaciona a divindade com a humanidade na Pessoa dEle? E aí vieram outros mais de dois séculos, o quarto, o quinto, e ainda o sexto para compreender bem o relacionamento entre a humanidade e a divindade na Pessoa única do Filho de Deus que se fez também Filho do Homem. Mas depois de que isso foi esclarecido na Igreja pelo Espírito Santo, chegou a era de compreender a expiação, ou seja, por onde Deus começa. Ele começa pela Pessoa e então pela obra de Cristo.
Dentro do templo, no lugar santíssimo, no lugar central do testemunho de Deus, está a arca de ouro e madeira que fala da divindade e da humanidade do Senhor Jesus. Mas o que está em cima da arca? O propiciatório que nos fala da expiação. Propiciatório ou propiciação é a mesma coisa que expiação. Então quais são as “coisas” centrais as quais a Igreja tem que estar conhecendo? Ela tem que estar conhecendo a Trindade, a encarnação que é a humanidade de Cristo, e a expiação que é a obra de Cristo na cruz. Ela tem que estar conhecendo quantas coisas foram feitas na cruz, o que abrange a cruz de Cristo; a expiação e tudo o que está na cruz de Cristo.
Como falei, somente estamos vendo o índice dos assuntos. Estou lembrando estes assuntos e trazendo a tona porque são “coisas” nossas, da Igreja, para que ela saiba que “coisas” formosas têm nas mãos. Não tem somente as doutrinas da Trindade mas tem a própria Trindade. Não tem somente a doutrina da encarnação, mas tem o próprio Cristo. Não tem somente a doutrina da expiação, mas tem a experiência da salvação.
A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
A palavra chave depois de expiação é justificação pela fé. Os irmãos novos têm que ver a importância destas “coisas”. O que é Trindade? O que é a encarnação? O que é expiação? O que é a ressurreição? Quem é o Espírito Santo? O que é justificação pela fé, perdão e limpeza dos nossos pecados, da mancha do pecado? O que é a crucificação do velho homem? A justificação, santificação, regeneração, renovação, vivificação, transformação e conformação na imagem de Cristo, toda a obra de Cristo.
Foi depois dos séculos médios onze, doze, treze, quando o assunto da expiação ficou forte, graças principalmente ao trabalho do nosso irmão Anselmo, então chegou a era da Reforma. Aí o Espírito Santo começou a chamar a atenção para a outra tecla da melodia, a justificação pela fé.
Já falamos que Ele é o Filho, que é o Deus também, tanto Deus como homem, e da morte expiatória; então agora somos salvos não pelas obras mas pela fé, “Justificados pois pela fé tendes paz para com Deus.” Foi quando veio Lutero que começou a Reforma e vieram com ele outros reformadores. Então o Espírito começou a tocar nesta nova tecla da melodia, esta nova página da partitura do drama da redenção. Então, irmãos, temos que desfrutar de novo com frescura, com realidade, como sendo nosso, e que seja posse dos novos este assunto da justificação pela fé.
Irmãos, todos estes “itens” são combatidos pelo diabo. Ele não quer que creiamos na Trindade, na encarnação, na expiação, na essência do Evangelho, a justificação pela fé e a salvação eterna. Tudo isso o diabo combate, mas a Igreja aprecia, a Igreja vigia, a Igreja conhece, defende e proclama o testemunho. Tudo isso é o tesouro da Igreja. Essa palavra que é tão simples para os crentes protestantes, a justificação pela fé, tem que ser mastigada, desfrutada, conhecida e ser a posse dos irmãos mais novos. Eles têm que ter clareza do que é ser justificados pela fé e serem salvos pela graça de Deus. Esta é a primeira etapa, a primeira parte da salvação e é o aspecto jurídico dela.
A IGREJA
Então irmãos, a Trindade, a encarnação, a expiação, a ressurreição, o Espírito Santo e a justificação pela fé; agora chegamos a este item; “O Corpo”, a Igreja. Agora sim podemos passar do lugar santíssimo para o lugar santo onde encontramos a mesa e o candeeiro. Mas a mesa e o candeeiro estão em segundo lugar; em primeiro lugar esta a arca do testemunho. Deus e Cristo e a obra de Cristo recebida pela fé, então resulta a Igreja de Deus.
Somente depois que ficou claro quem está dentro e quem está fora, quem é salvo e quem não, é que se pode entender a Igreja. Não adiantava o Espírito Santo tocar na “iglesiologia” se não esclarecesse primeiro o assunto da expiação e da justificação pela fé. Tinha que vir primeiro Lutero, Calvino, Melâncton, Zwínglio, todos eles, para depois virem os irmãos e começarem a ver o assunto da Igreja que é um Corpo.
Quando vemos na história da Igreja, a sua separação do estado, aquela parte da Igreja, especialmente os Anglicanos que falavam que o rei da Inglaterra era seu vivo cabeça, toda aquela mistura e confusão, os irmão estavam tratando de definir se a Igreja é visível ou invisível, se o estado tem direito sobre a Igreja ou não. Quantos irmãos morrendo por se libertar do estado, separando a Igreja do estado. Irmãos, aqueles séculos dezesseis, dezessete, até o dezoito, foi o parto da Igreja, para que ela compreendesse a si mesma como “O Corpo de Cristo”. Hoje em nosso século somos devedores deste longo parto da Igreja. Hoje recebemos a comida mastigada mas levou séculos para se mastigar, dissolver, digerir até ficar claro.
A ESCATOLOGIA
Depois vem a escatologia; ela é o último capítulo da Teologia Sistemática. Se compreendemos a Igreja, o assunto dos vencedores, o assunto do arrebatamento, o Reino, o Milênio, depois da iglesiologia vem a escatologia, mas só depois de entender a Igreja. Não se pode entender a Igreja sem entender a justificação pela fé (salvação), e não se pode entender a justificação pela fé (salvação), se não entender a expiação; não se pode entender a expiação se não entender a encarnação (Cristo), e não se pode entender a encarnação (Cristo), sem entender a Trindade.
Trindade, encarnação, expiação e todo o demais, ressurreição, Espírito Santo, e o efeito em nós da justificação pela fé, os demais efeitos; e então a Igreja, “O Corpo”. Somos um Corpo que guarda este conteúdo, este Deus, este Cristo, este Espírito, esta Vida, esta salvação, este testemunho; porque somos isto temos então esta esperança.
O PROPÓSITO
Agora sim chega o propósito. A Igreja também conhece o propósito eterno de tudo isto, da criação, da encarnação, da expiação, o propósito para a Igreja. Também conhece a escatologia, Cristo a esperança da glória, a glória de Deus expressada na Esposa. Deus tendo se revelado e Si dado plenamente, agora consumando o Seu amor, novo céu, nova terra e nova Jerusalém, uma Esposa tendo a glória de Deus.
Então, irmãos, estas são minhas últimas palavras; ainda que últimas são também importantes: Corpo, Igreja, propósito eterno, Reino, nova Jerusalém, consumação e escatologia; vamos parar aqui. Era uma visão panorâmica para nos lembrar dos assuntos que são nossos, são da Igreja e que é o nosso pão diário, o pão para nossos filhos e para os filhos de Deus. Amém.
Oremos:
“Pai, agradecemos ao Senhor porque nos concedeu considerar algo da tua Palavra;possua-nos, conquista-nos para Ti, conquista-nos para a noiva do Teu Filho, conquista-nos, Senhor, para a alegria do Teu coração. Conceda-nos Te servir nos Teus assuntos, a Ti pessoalmente por meio do Teu Filho e do Teu Espírito em nome do Senhor Jesus; amém.”