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  • UMA CASA PARA DEUS / 2

    A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.

    Uma Casa para Deus
    (2ª Parte)

    Gino Iafrancesco

    As tábuas

    E "farás para o tabernáculo tábuas de madeira de acácia, que estejam retas" (Ex. 26:15). Isto é bem complicado, pois as acácias são bem tortas - como nós. Mas o Senhor toma torto, e o endireita. Graças a Deus que ele não esperou que fôssemos retos - nos tomou tortos como somos, mas ele nos endireita.

    "O comprimento de cada tábua será de dez côvados, e de um côvado e meio a largura". Aqui torna a aparecer o número 10, que fala da universalidade. Cada tábua tem dez côvados de comprimento, e um côvado e meio de largura. Todas as tábuas são iguais. Deus não faz acepção de pessoas. Não importa a raça, a classe social, a nacionalidade, a cultura. Isso não conta para ele. O que o Senhor valoriza é que pertençam a ele. Deus quis ter toda classe de seres humanos. Para ele, cada homem tem o mesmo valor.

    Mas agora aparece um problema. Diz: "...e de um côvado e meio a largura". Vemos que a largura não é uma medida completa. O número 'um e meio' é um número imperfeito. O número de Deus é 3, um número completo, perfeito. Mas 'um e meio' quer dizer que não está completo, que essa tábua tem que estar com outra tábua. Juntos, temos três.

    Essas tábuas nos falam dos crentes. Os crentes são membros de um corpo; não podemos ser completos em nós mesmos; necessitamos dos nossos irmãos. Por isso, o Senhor Jesus disse: "...onde estão dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mat. 18:20).

    Há promessas que foram dadas à igreja. Por exemplo, o Senhor Jesus disse: "...as portas do Hades não prevalecerão contra ela" (Mat. 16:18), contra a igreja. Se eu, como indivíduo, segundo o meu pensamento e parecer, pretendo me abrigar debaixo dessa promessa, ela não é para mim. As promessas dadas às pessoas, são para as pessoas; mas as promessas apresentadas à igreja, somente como igreja podemos obtê-las.

    Então, a promessa de que as portas do Hades não prevalecerão, é uma promessa feita à igreja, como igreja. Temos que ter consciência de igreja, quer dizer, que não é você sozinho, nem eu sozinho, nem a soma de dois sozinhos, mas sim Cristo entre os dois. "...se dois de vós concordarem na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á feito" (Mat. 18:19). Temos que nos pôr de acordo, e esse acordo é o próprio Senhor Jesus, porque ele é a nossa paz. Por isso as tábuas não têm a largura suficiente em si mesma; têm uma meia medida, nos mostrando que temos que estar em comunhão com o outro, para fazer a medida completa.

    Deus quer que estejamos em comunhão. Por isso, Eclesiastes 4 nos fala que "o cordão de três dobras não se rompe logo" (V. 12) e que "Melhor são dois do que um; porque têm melhor paga do seu trabalho" (V. 9).

    O irmão Watchman Nee nos recordava este principio naquela passagem onde diz que um perseguirá mil, e dois perseguirão a dez mil. Se eu, por meu lado, persigo mil, e ele, por seu lado, persegue mil, nos escapam oito mil. Mas se juntos perseguimos o inimigo, vencemos a dez mil! Não é um mais um. Não, aqui não é uma questão de somar.

    O irmão Nee também dava um exemplo: Se você tiver um copo, e esse copo se quebra em pedaços, e em cada pedacinho você coloca a máxima quantidade de água possível, ao juntar todos os pedacinhos, essa quantidade de água será pouca. Mas se todos eles formam um só copo, o copo pode conter mais água. Por isso, um perseguirá mil, mas dois não só a dois mil, mas sim a dez mil. "Porque onde estão dois ou três congregados em meu nome, ali estou eu...", diz o Senhor. Esse é o princípio da igreja.

    Verso 17: "Duas espigas terá cada tábua, para as unir uma com a outra; assim farás todas as tábuas do tabernáculo". Deus quer que as tábuas estejam unidas uma com a outra. Esses encaixes nos falam de como são unidas uma tábua com a outra. Cada tábua está sobre bases de prata, e se une mediante uma espiga, um entalhe, com a tábua que está a sua direita e com outra espiga que está a sua esquerda. As tábuas estão unidas uma com a outra. Somos uma mesma coisa - somos o seu Corpo.

    Continuemos lendo. Diz o verso 18: "Farás, pois, as tábuas do tabernáculo...". Teria que prepará-las; eram acácias. João Batista disse: "O machado já está posto sobre a raiz das árvores; portanto, toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo" (Luc. 3:9). Ou seja, que essas árvores representam os seres humanos, bem tortos, como as acácias. Mas diz: "Farás, pois, as tábuas para o tabernáculo...". Ou seja, evangelizarás às pessoas, as discipularás e, dessas acácias tortas, farás tábuas para o tabernáculo.

    E agora, diz o seguinte: "...vinte tábuas para o lado meridional, ao sul. E farás quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas; duas bases debaixo de uma tábua para as suas duas espigas, e duas bases debaixo de outra tábua para as suas duas espigas. E do outro lado do tabernáculo, do lado do norte, vinte tábuas, e as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma tábua, e duas bases debaixo da outra tábua". Já são quarenta tábuas e oitenta bases.

    A prata, na Bíblia, representa a redenção. O siclo do resgate, a moeda do templo, era de prata. Cada um devia pagar um siclo de prata por seu resgate. Quer dizer que a redenção é o preço que o Senhor pagou para nos recuperar, e está representada pela prata. Portanto, uma tábua sobre bases de prata quer dizer que são pessoas redimidas. E quando são duas bases, é confirmação, é segurança, é verdade: essas pessoas são salvas, e pertencem à casa de Deus.

    Em cada base, há uma espiga a sua direita, e uma espiga à esquerda. Isto quer dizer que temos que nos unir não só com os da direita, mas também com os da esquerda; com estes irmãos... e com aqueles irmãos. Naturalmente, nós, às vezes, temos preferências; mas na comunhão nunca devem prevalecer as preferências humanas.

    O ser humano, em si mesmo, tem simpatias e tem antipatias; mas, na casa de Deus, nem as simpatias, nem as antipatias devem ter lugar. Na casa de Deus, a inclusividade de Cristo: todos os que ele recebera são nossos irmãos. Nós não podemos escolher os irmãos; temos que aceitar os irmãos que o nosso Pai gerou. Não somos nós que dizemos quais irmãos nós gostamos; é Deus que diz quem são os nossos irmãos.

    Deus quer que tenhamos irmãos com narizes largos, que às vezes se metem onde as pessoas não querem, e também irmãos com narizes chatos... Deus gerou toda classe de filhos, e são nossos irmãos. Por isso, cada tábua deve estar disposta a ser unida com as demais tábuas, por um lado, e por outro lado.

    Eu sei que exercer a prática de estar unido com pessoas que nos são simpáticas, é fácil. Mas, em Cristo, devemos nos exercitar em ter comunhão com os irmãos que para a carne são antipáticos. É fácil abraçar os que nos agradam, mas devemos abraçar a todos, porque isto agrada a Deus; devemos ter como irmãos aos que Deus tem como filhos. A quem o Senhor recebeu, nós devemos recebê-los.

    A nossa receptividade com os filhos de Deus deve ser a mesma de Deus. A igreja não pode ser menor do que é. Tampouco pode ser maior. As tábuas têm que estar em bases de prata - têm que ser pessoas redimidas. Mas, todos os redimidos, todos os que o Seu sangue limpou, e os que o Seu Espírito regenerou, são nossos irmãos. Nosso coração deve alargar-se para que possa caber todos os que cabem no coração do Senhor.

    Deus ordenou vinte tábuas para o norte, vinte tábuas para o sul, seis para o ocidente e duas tábuas nas esquinas. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo...". Posterior, porque o Senhor começou no oriente, porque o sol sai no oriente. O lado posterior é no ocidente, porque o sol circula para o ocidente. "...farás seis tábuas. Farás também duas tábuas para as esquinas do tabernáculo nos dois cantos posteriores...".

    No oriente, Deus não colocou nenhuma tábua. No ocidente colocou seis, e na esquina entre o ocidente e o norte, e na outra esquina entre o ocidente e o sul, colocou uma tábua e outra tábua. As tábuas do norte e do sul têm esta direção, e as do ocidente esta outra direção; mas as tábuas das esquinas não têm nem uma nem a outra, mas sim são oblíquas, mas unem às duas. 20 + 20 + 6 + 1 + 1 = 48 tábuas.

    Deus escolheu que em sua casa houvesse quarenta e oito tábuas - o corpo de Cristo representado em quarenta e oito tábuas. 48 é o resultado da multiplicação de 6x8. O número 6 é o número do homem, criado no sexto dia. Mas o 8 é, depois do 7, um novo começo; representa a ressurreição. O homem foi feito no sexto dia. Depois da queda, converteu-se em um velho homem. Mas, ao ser redimido, ressuscitado juntamente com Cristo, é um novo homem. Portanto, as 48 tábuas representam o novo homem, que é o corpo de Cristo. (Ver Efésios 2:11-16).

    Vejamos por que no oriente não há nenhuma tábua: porque o Senhor é zeloso. Por um lado, ele disse: "Não terás deuses alheios diante de mim" (Ex. 20:3). E também o Senhor Jesus disse: "Nem sejais chamados mestres..." (Mat. 23:10). A palavra ali não é didaskalos como aparece em Efésios 4, que se traduz como mestres ou tutores. Em Mateus 23, onde a tradução Reina-Valera diz mestres, a palavra é cateketes, de onde deriva 'catequista', que significa modelo. Podemos ter irmãos que nos ensinem, mas não podemos tê-los como modelos.

    Muitos irmãos nos podem ensinar. Deus quer que na igreja ensinemo-nos uns aos outros, exortemo-nos uns aos outros, e que aquele que tem esse dom de ensinar, ensine. Pode ser um didaskalos, mas não um cateketes; não um mestre no sentido de modelo. A ninguém chameis mestre no sentido de modelo, ao qual se deva amoldar, porque só um é o seu cateketes, só um é o seu catequista, só um é o seu modelo, o Cristo.

    Por isso, no oriente não pode haver nenhuma tábua, porque não há outro mediador entre Deus e os homens. Todas as tábuas estão ao redor, todos juntos fazemos recepção ao Senhor, todos olhamos para o oriente. Orientamo-nos pelo oriente, e o Sol da justiça é o Filho de Deus. Sai pelo oriente, tem entrada direta, sem mediadores, no corpo de Cristo. Na porta do oriente, só podia entrar Deus. O príncipe entrava por um flanco. Hoje em dia, a porta do oriente está fechada. Ninguém pode entrar por ela, só o Messias.

    No lado da porta do oriente, há uma porta estreita por onde o príncipe - por representar autoridade - tem que passar com cuidado; porque pela porta do oriente só pode entrar o Senhor. Por isso diz: "Porque há ... um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1ª Tim. 2:5). "...ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo. 14:6).

    Todas as tábuas têm a mesma medida, e estão aos pés do Senhor, rodeando-O; mas ninguém pode ficar nesse lugar. O que se põe como cabeça, fica sem cabeça. "E também àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, tragam para cá, e decapitai-os diante de mim", diz o Senhor (Luc. 19:27). Todos os que se puserem por cabeça, ficarão sem cabeça.

    As tábuas de esquinas

    Vejamos outros detalhes destas tábuas que rodeiam ao Senhor. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo, ao ocidente, fará seis tábuas". Então, aqui são vinte; por este outro lado, vinte, e por lá, seis. Mas o número 20 é um número incompleto. Se fosse 21, ou seja, 3x7, então seria algo bonito. E se fosse 7... Deus completa a sua obra em sete, mas não em seis. Mas ele completa este seis, e completa estes vinte, colocando tábuas de esquinas.

    Note que, no povo de Deus, às vezes, uns filhos de Deus caminham numa direção. Por exemplo, os calvinistas têm uma direção, e os arminianos têm outra; às vezes os pentecostais têm uma direção e os não pentecostais tem outra. E, se continuarem assim, se chocam. Então, o Senhor tem que ter alguns filhos que são como catalisadores.

    Vocês sabem o que, na química, é um catalisador? Por exemplo, um elemento que, por si só, não se pode mesclar com outro elemento. Não se suportam, resistem-se; pode haver uma explosão. Mas, então, há um terceiro elemento que pode ter comunhão com este elemento e pode ter comunhão com aquele outro elemento, e assim permite que os outros dois elementos, que não podem se ver nem pintados, estejam juntos.

    Na casa de Deus é necessário essa classe de irmãos pacificadores, que procuram que os irmãos não caiam nos extremos, mas sim completem os vinte para que sejam vinte e um, e completem os seis para que sejam sete. As tábuas de esquinas! "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mat. 5:9). Na casa de Deus é necessário irmãos conciliadores, irmãos que procurem evitar os extremos, que procurem ver o lado bom de cada um e possam assim estar juntos.

    O 6 se completa por um lado: 7; pelo outro lado: 8. Números de Deus. E o 20 se completa com o 21. Às vezes, nós somos um pouco quadrados, às vezes não aceitamos outro tipo de pensamento que seja um pouco diferente do nosso e, se seguirmos nessa direção, vamos nos chocar constantemente com os nossos irmãos.

    Estamos analisando as coisas; não chegamos ao fim. Cada um tem o direito de procurar entender da melhor maneira possível, e pode contar aos outros o que parece estar vendo; mas nada disso é definitivo, nada disso é dogmático. Temos que seguir entendendo juntos, porque a palavra do Senhor diz "compreendendo com todos os santos" as riquezas de Cristo. O que me falta, você o tem; o que você não tem, outro o tem, e, entre todos, temos tudo.

    O corpo tem que ser como um grande pijama. Um irmão gordo tem que ter um pijama grande, porque se for pôr o pijama de um menino, não vai caber o pé. Necessita um que seja para ele. Assim também, o Senhor Jesus é muito grande, e a sua plenitude necessita um grande pijama, que é o corpo de Cristo. Nossa estreiteza denominacional ou de escola não permite que caiba a perna do Senhor. Ele tem que caber na plenitude dos irmãos.

    A inclusividade do corpo de Cristo significa, no mínimo, três coisas. Primeiro, o corpo deve receber tudo o que é de Cristo, todas as riquezas de Cristo. Pode ser que alguém não goste dessas línguas tão estranhas, que alguns interpretem; mas o Senhor deu o dom de línguas também. Então, todos os dons, todos os ministérios, toda a Palavra, todos os aspectos da Palavra; claro, cada coisa com a sua importância.

    Os instrumentos do ministério têm cada um, a sua importância. Há colheres pequenas, há garfos, há grelhas para assar carne... Não vamos pôr a colher no lugar da arca. Não, ela tem o seu lugar. É necessário pôr cada coisa em seu lugar, dar a cada coisa a sua medida: o que é primário, em primeiro; o que é secundário, em segundo, e o que é terciário, em terceiro. A palavra de Deus diz: Primeiro, segundo, terceiro. O Senhor diz o que é maior e o que é menor.

    Às vezes, irmãos, no povo de Deus, têm desordenado a hierarquia de valores. Então, os irmãos que tomam esta linha se chocam com aqueles que tomam aquela outra linha, e Deus tem que pôr amortecedores, nas esquinas e dizer: "Espere irmão. Sim, sim, é evidente que o irmão é pós-tribulacionista, ou pré, mas é irmão! É evidente que aquele duvida das línguas, e diz que isso era para o tempo dos apóstolos, mas é irmão!

    Há coisas que são primárias, que são maiores, que são mais importantes, que são camelos! E há coisas que são mosquitos. Quando temos a consciência distorcida, coamos o mosquito, e engolimos o camelo. Então, irmãos, necessitamos do corpo de Cristo - irmãos que nos ajudem a colocar a cada coisa no seu lugar.

    Às vezes, nós, que estamos entendendo a igreja, pomos o candeeiro no Lugar Santíssimo. E vem por aí alguém apresentando a outro Jesus. Mas, como diz que ele também entende a igreja, então, metemos na panela sapos e cobras. Vocês estão se dando conta, irmãos? Primeiro é a arca. Se não apresenta o mesmo Jesus dos apóstolos, Deus e Homem verdadeiro, o Filho de Deus... Isso é o que está em primeiro, a arca.

    A primeira coisa fundamental é o próprio Senhor. Deus trino. O Filho, Deus com o Pai, e Homem verdadeiro, tentado em tudo, semelhante a nós; no propiciatório, morto por nossos pecados, para que sejamos justificados pela fé. A essência do evangelho, o que primeiro Paulo pregou: que Cristo - a arca - morreu pelos nossos pecados. "...primeiramente lhes ensinei o que também recebi: Que Cristo morreu por nossos pecados, conforme às Escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, conforme às Escrituras" (1ª Cor. 15:3-4).

    Esse é o fundamento, é o principal. A isso se refere a arca, a isso se refere o propiciatório: à pessoa e obra do Senhor Jesus, a essência do evangelho, que é sobre o Filho, que morreu por nossos pecados. "Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro" (1ª Tim. 1:15). O primeiro é primeiro. Quando começamos a pôr ordem em nossa escala de valores, começamos a ver o precioso dos irmãos, e podemos passar por cima dos mosquitos.

    Necessitamos de tábuas de esquinas, irmãos que ajudem à pacificação, à reconciliação, a acalmar os ânimos; catalisadores, pacificadores.

    Os gonzos

    Êxodo 26:24: "...as quais - as tábuas - se unirão desde baixo...". Quer dizer, edifica-se de baixo para cima. "...e deste modo se juntarão por seu alto com um gonzo". O gonzo (argolas) está em cima, ou seja, que Deus exerce certa pressão para que mantenhamos o nosso lugar em conformidade com as demais tábuas. Não podemos ir para lá ou para cá; necessitamos uma pressão divina. É como se fosse outra espécie desses colchetes de ouro que sustentavam os tecidos do interior, e os colchetes de bronze que sustentavam a cobertura de pêlo de cabra.

    O amor de Cristo nos constrange, mas a disciplina está representada no bronze. Então, vemos também a mão corretora de Deus. E agora vemos também outra espécie de colchete, mas que é um gonzo. Que já não é para as cortinas, mas sim para as tábuas, para retê-las em seu posto, para que não se adiantem, nem se atrasem, nem se entortem para um lado nem para o outro.

    Por exemplo, uma vez, Paulo estava em uma cidade; foi-lhe aberta uma porta ali, mas não teve descanso em seu espírito, por não ter achado o seu irmão Tito. Há coisas que têm que ser feita com outros, e se não estiver o outro, a coisa fica torcida. Precisamos ter sensibilidade no espírito, para saber que devemos estar com um irmão. Às vezes, Pedro fala, e os Onze o respaldam; às vezes, João fala; às vezes, Paulo. Qualquer um que fale, os Onze estão detrás. Levantou-se Pedro com os Onze, ou seja, eles tinham consciência do corpo, consciência de colegiado.

    Iremos ver essa conscientização em Atos 1, do 15 em diante. Aqui estão os apóstolos no cenáculo, orando para que viesse o Espírito Santo. Eles são a igreja, eles são como o tabernáculo. E o dia de Pentecostes, a nuvem de glória vai descer sobre o tabernáculo e vai enchê-lo. Mas então, o tabernáculo tem que estar preparado. Mas por lá há algo que falta.

    Então diz: "Naqueles dias Pedro se levantou no meio dos irmãos (e os reunidos eram como cento e vinte em número) - como os cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas quando Salomão inaugurou o templo, quando foi colocada a arca no Santíssimo - e disse: Varões irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura em que o Espírito Santo falou antes por boca de Davi a respeito de Judas, que foi guia dos que prenderam a Jesus...". E olhem o verso 17, como fala Pedro: "...e era contado conosco, e tinha parte neste ministério...".

    Olhe a consciência de Pedro: eles contavam um com o outro. Não era André sozinho, não era Tiago sozinho, não era Pedro sozinho. Pedro contava com eles, e eles contavam um com o outro. Quando uma pessoa via a Pedro, lembrava-se que João estava associado a ele, e o completava, o protegia, o ajudava. E também se cuidavam mutuamente. Era consciência de colegiado, consciência de equipe.

    Em outro capítulo, diz que há diversidade de ministérios; cada qual tem o seu próprio serviço. Isso, por um lado. Mas, por outro lado, todos juntos têm o ministério da Palavra do Novo Pacto, do Espírito, da justificação, da reconciliação.

    Eles eram muitos, mas o Novo Pacto é um só, a Palavra é uma só, o Espírito é o mesmo, a justificação que todos anunciam é a mesma, a reconciliação que todos promovem é a mesma. Ou seja, que o ministério do Novo Testamento é um bolo completo. Mas Pedro tinha um pedaço, João outro, Tiago outro, André outro, Bartolomeu outro.

    Aí temos a plenitude de Cristo no corpo: tudo o que é de Cristo, em todos os irmãos, e cada irmão funcionando na plenitude da sua função. Mas as vezes, bem, como Saul, dizemos: "Ai! Este Davi! As pessoas estão dizendo que Davi matou dez mil e que Saul só mil. Vou cravar-lhe uma lança! Davi me incomoda".

    Mas, quando viu o corpo, você sabe que tudo o que tem de Cristo é só uma parte, e que necessita tudo o que todos têm de Cristo, para que, como igreja, tenhamos o pijama grande, para que o Senhor caiba. Porque se o Senhor vai pôr o seu pé neste meu pijama, não lhe basta. Ele é muito grande e muito rico; cabe a samaritana por aqui, Nicodemos também, e o zelote, e o publicano; todos cabem.

    "Judas", diz Pedro, "tinha parte neste ministério". Quando ele diz: "...este ministério", e em seguida diz no verso 23 da mesma maneira: "E assinalaram a dois: a José, chamado Barsabás, que tinha por apelido Justo, e a Matias. E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra qual destes dois escolheste, para que tome parte neste ministério e apostolado...". O ministério, o apostolado, é o bolo completo. E Judas tinha uma parte, da que caiu, e então a ocupou Matias.

    Mas, note a consciência colegiada que tinha Pedro: "...e era contado conosco, e tinha parte neste ministério". Olhe como também Paulo falava, em 2ª Coríntios 4:1. No capítulo 3, tinha falado já do ministério da justificação, e no capítulo 5, vai falar sobre o ministério da reconciliação. Esse, o ministério da justificação, o da reconciliação, o do Espírito, o da Palavra, o do Novo Pacto, é o bolo completo.

    "Pelo qual, tendo nós este ministério, segundo a misericórdia que recebemos, não desmaiamos". "Tendo nós este...". Não você, o teu e eu o meu, que, por um lado, também é certo, mas não o podemos levar ao extremo do individualismo. O seu pedaço e o meu pedaço, e o pedaço de todos, é este ministério que nós temos. Por isso, as tábuas têm que estar uma com a outra, unidas por encaixes, mas também por gonzos e por barras. E todas as barras têm a mesma direção, e todas mantêm ajustado e aperfeiçoado o mesmo tabernáculo.

    As barras

    Êxodo 26:26. "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas de um lado do tabernáculo". Ou seja que por aqui, pelo sul, operam os cinco ministérios. Também são de madeira de acácia; são seres humanos. Mas Deus as desenhou para que, em comunhão com as outras barras, mantenham estas tábuas em ordem. Ou seja, que há três maneiras de manter as tábuas em ordem: por baixo, através dos encaixes; por cima, através dos gonzos, e pelo meio, através das cinco barras.

    "E ele mesmo constituiu a uns, apóstolos...", que é a barra do meio, que vai de um extremo ao outro. Esses são os apóstolos. E há também profetas, evangelistas, pastores e mestres. Cinco barras, também de madeira; também terá que cobri-las de ouro, como as tábuas. Então, diz assim: "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas". As barras são para as tábuas: o ministério é para a edificação do corpo de Cristo, para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério.

    "...e cinco barras para as tábuas do outro lado do tabernáculo, e cinco barras para as tábuas do lado posterior do tabernáculo, ao ocidente". Pelo sul, estão os cinco ministérios, pelo norte também, pelo ocidente também. No oriente, está só o Senhor, porque o que orienta a todos é a Cabeça.

    Mas o Senhor quis que a sua Casa fosse aperfeiçoada, edificada, pelos ministros que ele deu à igreja. Então, diz no verso 28: "E a barra do meio passará pelo meio das tábuas, de um extremo ao outro". Das cinco barras, ressaltou esta, porque diz a Palavra: "...primeiramente apóstolos, em seguida profetas, em terceiro mestres, em seguida os que fazem milagres, depois os que curam, os que ajudam, os que administram..." (1ª Cor. 12:28).

    Verso 29: "E cobrirás de ouro as tábuas...". Terá que cobrir as tábuas com ouro e também as barras. Não temos que ver a tábua, só o ouro que a cobre. Revestidos de Cristo, escondidos nele. A barra não se vê, a tábua não se vê; se vê o ouro. Deus nos esconde, para que nós não apareçamos, mas sim apareça somente o ouro.

    "E cobrirá de ouro as tábuas, e farás suas argolas de ouro para colocar por eles as barras; também cobrirá de ouro as barras". Observem que diz que as tábuas têm suas argolas. A cada tábua correspondem cinco argolas de ouro. Claro que da madeira não brotam argolas; é do ouro que saem as argolas. E, para que são as argolas? Para colocar as barras por elas, quer dizer, para assentar, apoiar e sustentar o ministério.

    Cada tábua, junto com a que está ao lado e a do outro lado, todas as vinte daqui, recebem as cinco barras. Cada barra recebe a plenitude do ministério. Não há tábua que tenha uma só argola, ou só duas argolas; todas têm cinco argolas, porque o Senhor quer que recebamos todo o bolo.

    Os véus

    Verso 30: "E levantará o tabernáculo conforme o modelo que te foi mostrado no monte". Vamos nos deter nesta última frase. Não podemos edificar a igreja como imaginamos, conforme o nosso parecer - como faziam os israelitas no tempo dos Juizes, em que não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem lhe parecia. Devemos edificar a casa conforme o modelo.

    Se Deus foi tão minucioso com a tipologia, com Moisés, e Moisés foi fiel, fez todas as coisas como o Senhor lhe tinha mandado; então não podemos cooperar com a casa de Deus sem ter em conta o modelo de Deus. Se a tipologia foi minuciosa, e se encarregou com cuidado, quanto mais a realidade!

    Depois nos fala de dois véus. Agora vemos que essa casa tem várias instâncias: tem um átrio, um Lugar Santo e um Lugar Santíssimo. E há um véu para entrar, tanto para a casa em geral, como um véu para passar do Lugar Santo ao Santíssimo, e aqui se descrevem os dois véus.

    No átrio, se está em contato com o mundo. O mundo chega até o átrio. No átrio estavam aquelas cortinas de linho branco torcido. A Palavra diz que o linho fino são as ações justas dos santos, e as pessoas do mundo, quando olham para o tabernáculo, a única coisa que vê são as boas obras do povo de Deus. "...para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Eles não vêem a arca, não vêem nada lá dentro. O que o mundo vê por fora é o linho torcido, as boas obras de um povo zeloso de boas obras.

    Depois, passa-se do Santo ao Santíssimo. Aqui descreve primeiro o véu que está no interior. Este véu, esta porta, refere-se ao Senhor Jesus. Por meio do Senhor Jesus, saímos do mundo e entramos na casa de Deus. De perdidos, a salvos. Mas também os salvos têm que passar da vida natural para a vida no Espírito. Uma pessoa pode ser salva e não ser espiritual. Você se está perdido, será salvo, entrando pela primeira porta. E se for salvo, seja prudente e entre para a vida do Espírito.

    Ou seja, há um véu que nos faz passar da perdição para a salvação, e o outro véu que, para os salvos, os faz passar da vida natural para a vida no Espírito. Os dois véus são dois aspectos da porta que é Cristo. Cristo é o que nos salva, e também o que nos aperfeiçoa. Faz-nos salvos, e nos faz vencedores.

    "Também farás um véu de azul" - que se refere à divindade, ao celestial. João nos mostrou o Verbo de Deus como o Filho de Deus - púrpura - Mateus nos apresentou o Senhor como o Rei - carmesim - Lucas apresentou o Filho do Homem, em sua humanidade, como ele se encarnou para derramar o seu sangue - e linho torcido..." - Marcos o apresentou como o servo: a atividade, os milagres do Senhor Jesus. Aqui temos o testemunho dos quatro evangelistas a respeito de um só véu que é o Senhor Jesus.

    E diz: "...será feito de obra primorosa, com querubins...", porque aquela casa, o tabernáculo, está destinado à reunião com o céu. Anjos sobem e descem. Então, está este acampamento, que somos nós aqui, e está por aqui mesmo o outro acampamento. Quando Jacó saiu do seu acampamento, para dar uma volta pelo lado, Deus abriu-lhes os olhos, e viu o outro acampamento. E disse: "Este lugar será chamado Maanaim - Dois acampamentos".

    Mas também: "O anjo de Jeová acampa ao redor dos que o temem" (Sal. 34:7). Eliseu o via; Geazi, não. Mas Eliseu orou para que Deus abrisse os olhos de Geazi, para que ele visse os carros de fogo rodeando aquele acampamento. Por isso, por todo o templo, aparecem querubins: no véu, dentro e nas portas, porque esta casa é de reunião do céu com a terra, e estes seres angelicais são ministradores para os que hão de herdar a salvação.

    Verso 32: "...e o porás sobre quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro; seus colchetes serão de ouro, sobre bases de prata". Quatro colunas aparecem aqui; mais fora aparecem cinco. Agora, de dentro para fora, aparecem quatro. Por fora é mais largo, por dentro é mais estreito; na medida em que se avança, é mais estreito. Essas quatro colunas, que eram de madeira, representam a Humanidade, e estavam sobre bases de prata. Fora, estavam sobre bases de bronze; mas dentro, sobre bases de prata, porque há uma hierarquia. Bronze, prata e ouro. O ouro nos fala da natureza divina; a prata, da redenção, e o bronze, do juízo de Deus.

    "E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levará para dentro do véu a arca do testemunho; e este véu fará separação entre o lugar santo e o santíssimo" (V. 33). Deus quer marcar muito bem a separação entre o Lugar Santíssimo e o Lugar Santo. Por isso, em Hebreus diz que: "a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que toda espada de dois fios; e penetra até partir - separar - a alma e o espírito" (Heb. 4:12).

    Ou seja, que no Lugar Santíssimo está o Senhor, e se refere ao espírito. A alma é o Lugar Santo, e entre o espírito e a alma tem que haver uma separação. Quando estamos fora, não entendemos isto, mas quando vamos avançando mais, diz: "Isto, ainda é da sua alma; agora tem que passar da alma para o espírito".

    Diante do véu estava o altar de ouro, com um incensário. O altar de ouro estava no Lugar Santo, de frente ao véu do Santíssimo. Hebreus diz que o incensário pertencia ao Santíssimo, porque, embora estivesse no altar de ouro, começava o trabalho no Lugar Santo, começava o incenso a subir. O Lugar Santíssimo é o lugar próprio do incensário. Ele descansa no altar de ouro, no Santo, mas ali, apenas é aceso, em seguida no ministério, na liturgia sacerdotal, é conduzido pelo sacerdote do Santo ao Santíssimo.

    Às vezes começamos a orar, e estamos em nós mesmos tratando de invocar ao Senhor. Mas, com a ajuda do nosso Sumo sacerdote - porque não sabemos orar como convém - o seu Espírito nos ajuda e nos introduz no espírito. Começamos na carne, ou na alma, confundidos, não sabemos o que fazer; mas, à medida que oramos, com o socorro do Senhor, o incensário é deslocado do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo.

    Em Êxodo aparece o incensário no Santo, mas em Hebreus 9 aparece como se pertencesse ao Santíssimo, porque realmente pertence aos dois. O sacerdote, no Santo, acende-o e o introduz. Quer dizer que nós somos transladados de nós mesmos, de nossa alma, dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, através do véu rasgado, através da morte juntamente com Cristo, para a vida no espírito, para a revelação.

    "E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levarás para dentro do véu a arca do testemunho...". A arca tem que ser entronizada. Primeiro temos um conhecimento exterior do Senhor. Como diz, antes conhecemos o Senhor segundo a carne; mas agora já não lhe conhecemos assim, agora temos o testemunho em nós mesmos. A arca é introduzida no Santíssimo, Cristo é formado em nós, conhecemos o Senhor por revelação. No princípio não é assim. Estamos no natural, e somos transladados para o espiritual.

    Outros detalhes do tabernáculo

    "Porás o propiciatório sobre o arca do testemunho no lugar santíssimo" (v.34). O sangue, que era derramada no átrio, deve ser introduzido no Lugar Santíssimo. Do objetivo, do histórico, tem que passar à experiência espiritual subjetiva. A pessoa tem que estar na presença do próprio Senhor, apresentando o sangue do Cordeiro, e ter em seu espírito o testemunho de que é um filho de Deus. "O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito, de que somos filhos de Deus" (Rom. 8:16).

    O sangue de Jesus Cristo nos limpa de toda a má consciência. A consciência é uma função do nosso espírito. A Bíblia diz, mas também o Espírito diz ao nosso espírito. E o sangue foi introduzido do altar de bronze do átrio até o mais íntimo da casa de Deus - o Lugar Santíssimo, o nosso espírito.

    "E porás a mesa fora do véu, e o candeeiro em frente da mesa do lado sul do tabernáculo...". Uma vez que temos a prioridade com Cristo, a respeito de quem é a doutrina dos apóstolos, então vem a comunhão uns com outros e o partir do pão; temos a mesa e o candeeiro, e depois vêm as orações.

    Em Atos 2 diz: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos...", que é a respeito de Jesus Cristo. Não cessavam de ensinar e de pregar a Jesus Cristo; não pregavam a si mesmos, mas sim a Jesus Cristo como Senhor. Primeiro Cristo, a arca, morto por nossos pecados. Aí está a arca. "...na comunhão uns com os outros, no partir do pão...". Essas duas coisas estavam uma frente à outra, equivalentes, uma ao norte e outra ao sul. A mesa dos pães da proposição e o candeeiro. E por último diz: "E perseveravam ... nas orações". Ou seja, no incensário, a mesa do altar de ouro, onde o incenso era preparado, era aceso e era introduzido.

    "Farás para a porta do tabernáculo uma cortina de azul, púrpura, carmesim e linho torcido, obra de bordador" (V. 36). Esse é também o Senhor Jesus, e o bordador é o Pai, que faz a obra primorosa através do Senhor Jesus.

    "E farás para a cortina cinco colunas de madeira de acácia, as quais cobrirás de ouro, com os seus colchetes de ouro; e fundirás cinco bases de bronze para elas" (V. 37). O véu interior, que separa o Lugar Santo do Santíssimo, tinha quatro colunas. Portanto, entre a coluna 1 e 2 há um espaço, entre a coluna 2 e 3 há outro espaço, e entre a coluna 3 e 4, outro espaço. São quatro colunas, que fazem três seções, porque a casa de Deus é a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Portanto, esse véu contém a divindade completa, a Trindade.

    Jesus disse: "O Pai que mora em mim" (João 14:10). Mas também Pedro diz que o Filho de Deus foi um varão cheio do Espírito Santo. Portanto, o véu cobre uma Trindade, porque o Pai está no Filho, e o Espírito Santo também ungiu ao Filho com poder, e fez maravilhas.

    A seção do meio, entre a segunda e a terceira coluna, era onde estava aberto o véu. Entrava-se pelo espaço do meio, porque não foi o Pai nem o Espírito Santo quem morreu por nós, mas sim o Senhor Jesus. Quando o Filho de Deus morreu, a seção do meio do véu foi rasgada.

    Mas agora, a porta de fora tem cinco colunas, ou seja, quatro espaços. Quer dizer, agora nós temos que caber também aí. O número 5 é o número da graça e o 4 é o número da criação. Se aqui tem quatro e aí cinco, fora é mais largo e dentro é mais estreito. "Segui o caminho estreito". Cada vez que avançamos, faz-se mais estreito, até que não caiba senão somente o Senhor Jesus.

    (Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).

  • UMA CASA PARA DEUS / 3

    A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.

    Uma Casa para Deus
    (3ª Parte)

    Gino Iafrancesco

    Pontos de referência no desenvolvimento do propósito de Deus

    Ao longo da Palavra do Senhor, aparecem certos pontos chaves de referência no desenvolvimento do propósito de Deus. O primeiro é Adão e Eva. Aqui Deus revela coisas fundamentais. Depois, no tempo de Abraão, de Isaque e de Jacó, temos outro ponto importante: Deus diz ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

    Nesses tempos tinha Ninrode, tinha Hamurabi e outros personagens, mas Deus disse ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A intervenção de Deus nas vidas desses patriarcas se constituiu em outro ponto importante de referência na obra continuada de Deus. Depois veio Moisés, e Deus começou a trabalhar com o povo de Israel, e deu a Lei. Então apareceu um novo ponto de referência na obra de Deus. Sempre temos que voltar para o ponto de Adão, ao ponto dos patriarcas e também ao ponto da Lei.

    Depois apareceu outro importante ponto de referência na história sagrada: Davi. Com ele, Deus abriu uma nova etapa no avanço de sua obra. Os reis seguintes, Deus os media por Davi. Todos estes pontos de referência vão desenvolvendo o propósito de Deus. Desde o primeiro, já se projeta o propósito.

    Nos estudos anteriores temos recordado superficialmente algumas dessas coisas. Agora queríamos nos deter um pouco na casa de Deus nos tempos de Davi e de Salomão. É um novo ponto de referência, e em cada novo ponto de referência, Deus acrescenta detalhes à revelação. Ele fala da mesma coisa, mas acrescenta a revelação.

    Todo o Antigo Testamento é uma preparação para o Novo. Lembremos que Deus diz que o que é relativo ao mistério do Novo Testamento pode ser visto com a ajuda das Escrituras dos profetas (Rom. 16:25-26). De maneira que não só estamos lendo a história sagrada. Deus está falando coisas espirituais; estas coisas são figuras das coisas espirituais. Assim que devemos ler do véu para dentro.

    A casa de Deus nos tempos de Davi e Salomão

    Primeiro, vamos abrir a palavra do Senhor no primeiro livro de Crônicas. No capítulo 17 temos um momento chave na história da revelação. Davi estava interessado em uma casa para Deus, e imaginava que poderia ser de cedro. Mas Deus - como também depois Salomão entendeu - não habita em templos feitos por mãos humanas. Deus tem sim no seu coração ter uma casa. Nesta passagem, ele fala da "minha casa". Mas não seria Davi o que a edificaria.

    Já em outra passagem, Deus lhe diz: "Tu tens derramado muito sangue; tu não me edificará casa. Mas o seu filho, ele me edificará casa". Então veio Salomão, um dos filhos de Davi, e segundo os planos que recebeu de Davi, seu pai, e que Davi recebeu de Deus, Salomão edificou o templo, o famoso templo de Jerusalém.

    Esta história é contada duas vezes na Bíblia: no livro dos Reis e no de Crônicas. Na primeira, a ênfase está em Salomão e sua casa; mas, na segunda, a ênfase está no Messias e a igreja. De maneira que Salomão, como filho de Davi, edificando o templo material para Deus, é figura do verdadeiro Filho de Davi, que é o Senhor Jesus, o verdadeiro Rei da paz, o qual edificaria casa para Deus. "Seu filho me edificará casa ... e firmarei o seu trono eternamente".

    É claro que o trono de Salomão não foi eterno, porque Salomão era só uma figura. O verdadeiro Filho de Davi é o Senhor Jesus. Não que o outro fosse falso; era apenas uma figura. Portanto, o Senhor Jesus tem uma encomenda de Deus - edificar casa a seu Pai. Então, a verdadeira casa de Deus, que o verdadeiro Filho de Davi edifica, é a igreja, é o corpo de Cristo.

    Assim, como vimos a edificação da igreja no tabernáculo, temos que ver também a edificação da igreja no templo. "Porque vós sois o templo do Deus vivente" (2ª Cor. 6:16). O Novo Testamento nos fala de sermos edificados como um templo santo, para morada de Deus no espírito, como a igreja, o corpo único de Cristo, a soma de todos os filhos de Deus de hoje, de ontem e de sempre. Somos o templo de Deus.

    Olhemos, então, no livro de Crônicas algumas palavras importantes. Primeiro, olhemos um pouco no 22 e depois no 28.

    "Depois mandou Davi que se reunisse os estrangeiros que havia na terra de Israel, e encarregou de entre eles pedreiros que lavrassem pedras para edificar a casa de Deus" (1 Crônicas 22:2). Deus usa estrangeiros para lavrar, para tratar com as pedras. "Deste modo preparou Davi muito ferro para os pregos das portas, e para as junturas; e muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (22:3). Muita cruz; muita disciplina, não é verdade?

    Leiamos em Colossenses 1:24, mas voltaremos para cá outra vez. "Agora me regozijo no que padeço por vós...". Não, não era que Paulo era masoquista; ele não se regozijava por causa das dores, mas sim porque essas dores serviam para outros. "...e cumpro na minha carne o que falta das aflições de Cristo por seu corpo, que é a igreja".

    Não entenda mal este verso; não diz que a Cristo faltam aflições, mas sim a Paulo faltava participar das aflições de Cristo um pouco mais. Cristo consumou a sua obra; mas nos concedeu não somente crer nele, mas também sofrer por ele.

    "...da qual fui feito ministro..." (Col. 1:25). Paulo era ministro do corpo, ministro da igreja. Não era o funcionário de alguma organização menor que o corpo; ele era um membro vivo do corpo vivo de Cristo, ele funcionava no corpo e para o corpo.

    Então, voltemos para Crônicas: "...muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (1 Cr. 22:3). Estas coisas não se devem contar, porque os sidônios e tírios haviam trazido para Davi abundância de madeira de cedro. "E disse Davi: Salomão meu filho é moço e de tenra idade, e a casa que se há de edificar ao Senhor há de ser magnífica por excelência - a igreja gloriosa - para renome e honra em todas as terras; agora, pois, eu lhe prepararei o necessário" (V. 5).

    Aqui, Davi está tipificando a Cristo em sua primeira vinda, preparando o necessário, para que Cristo em sua segunda vinda possa ser recebido pela igreja. Salomão é o filho de Davi que mostra o trabalho de Cristo ascendido, edificando a sua casa, para apresentar-se a si mesmo uma igreja, uma igreja santa e gloriosa, sem mancha e sem ruga. Devemos deixar que sejamos apresentados como uma igreja santa. Não estorvemos a unidade da igreja.

    Agora, vamos ao capítulo 28 para ver algumas expressões chaves ali. Disse Davi a Salomão: "Olhe, pois, agora, que o Senhor te escolheu para que edifique casa para o santuário; esforça-te, e faça-a. E Davi deu a Salomão seu filho o plano do pórtico do templo e suas casas, suas tesourarias, seus aposentos, suas câmaras e a casa do propiciatório.

    Deste modo o plano de todas as coisas que tinha em mente para os átrios da casa do Senhor, para todas as câmaras ao redor, para as tesourarias da casa de Deus, e para as tesourarias das coisas santificadas. Também para os grupos dos sacerdotes e dos levita - ou seja, da casa passa para o sacerdócio -, para toda - olhe esta expressão - a obra do ministério da casa do Senhor" (vers. 10 a 13).

    Essa expressão não é só do Novo Testamento; já está preparada no Antigo: Os obreiros edificando o corpo de Cristo com todos os santos, que estão tipificados no levantamento do templo de Deus e no erguimento do tabernáculo. E essa expressão - a obra do ministério da casa de Deus - que era o trabalho no tabernáculo e no templo, é também hoje o trabalho de todos os santos, ajudados, aperfeiçoados, pelos obreiros de Deus.

    Então, segue dizendo: "...e para todos os utensílios do ministério da casa do Senhor". Tenhamos presente o plano. Davi falou do plano da casa, do plano das tesourarias, das câmaras; inclusive dos instrumentos.

    Agora, saltamos uns versos, e vamos ler o 19. "Todas estas coisas, disse Davi, foram-me traçadas pela mão do Senhor, que me fez entender todas as obras do desenho". Assim que isto não foi somente uma ocorrência de Davi. Sim, Davi queria fazer casa para Deus, e Deus lhe explicou: "Davi, tu tens derramado muito sangue. Você não me edificará casa, mas o seu filho, ele me edificará casa". E então Deus revelou a Davi o desenho da casa, o plano detalhado em todas as coisas. E Davi passou a Salomão seu filho todo o plano, para que fizesse as coisas conforme o desenho que ele tinha recebido de Deus. Da mesma forma Deus está por trás deste desenho, assim como esteve por trás do desenho do tabernáculo.

    De maneira que se o tabernáculo é figura do verdadeiro tabernáculo, e o templo é figura do verdadeiro templo, devemos pôr a nossa atenção no desenho do templo, porque Deus está nos falando do mistério de Cristo, a igreja, através do tabernáculo e através do templo.

    Deus começa com algo singelo, com os traços mestres, e em seguida vai adicionando detalhes. Assim é que Deus atua. Em Gênesis 1:26, ele diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...". E os fez homem e mulher. No segundo capítulo, torna a falar da feitura do homem, mas acrescentando detalhes. É como um desenhista que primeiro traça as linhas principais, e depois, ao redor delas, põe os músculos, os nervos, a pele.

    Do mesmo modo, por exemplo, a Daniel, permitiu-lhe interpretar o sonho de Nabucodonosor, onde aparece a história da humanidade de forma ampla; mas em seguida, nas seguintes profecias fala do mesmo, mas acrescentando cada vez mais detalhes. Quando chega à última visão de Daniel, abrange três capítulos, e o que havia dito no sonho de Nabucodonosor e na visão dos capítulos 7, 8 e 9, agora está cheia de detalhes.

    Deus começa com a idéia principal: "Lhe edificarei uma mulher". Em seguida aparece Bet-el, a pedra, a unção, a libação; em seguida o tabernáculo, e depois o templo. Deus está falando durante toda a Bíblia da mesma coisa, porque toda a Bíblia fala do mistério de Cristo e a igreja. O mistério de Cristo é a chave de toda a Bíblia.

    Então, vejamos agora no livro de Reis a edificação do templo por Salomão. Mas não leremos somente arquitetura ou engenharia civil, mas sim o mistério de Cristo, porque o verdadeiro Filho de Davi está edificando o verdadeiro templo que é o corpo de Cristo. Ele é o arquiteto, e os ministros de Deus são também como peritos arquitetos que têm que interpretar o plano para a edificação. Paulo dizia: "...eu como perito arquiteto pus o fundamento..." (1ª Cor. 3:10).

    Esse é o trabalho do ministério do corpo de Cristo - interpretar os planos do arquiteto.

    A edificação do templo

    No capítulo 6 encontramos uma passagem que a Sociedade Bíblica titulou "Salomão edifica o templo". Ou seja, este é uma figura do Senhor Jesus edificando o corpo de Cristo. Vocês se lembram daquela passagem em Efésios onde fala da altura, a largura, a profundidade, o comprimento de Cristo? Bom, vamos começar ler algo a respeito disso aqui. Salomão edifica o templo - o filho de Davi edifica a casa de Deus.

    Vamos revisar do verso 1 ao 14. O Espírito Santo pode falar a você coisas que eu não vou dizer aqui. Você, depois, complementará, elaborará e enriquecerá isso.

    Fixemo-nos em algo: Do verso 1, já aparece um mistério. "No ano quatrocentos e oitenta depois que os filhos de Israel saíram do Egito...". Quando você faz uma cronologia absoluta da Bíblia, seguindo os anos que aparecem nela, notará que entre a saída do Egito e a edificação do templo por Salomão há muito mais do que quatrocentos e oitenta anos. Mas, se a toda essa quantidade de anos você lhe subtrai os anos em que eles estiveram sob governos alheios - por exemplo, quando estiveram debaixo dos midianitas ou outros gentios - ao subtrair esses anos perdidos, obterá exatamente quatrocentos e oitenta anos.

    Isto quer dizer que, para Deus, os anos perdidos não contam. Nós temos uma conta no céu. Paulo falava aos filipenses de que o que eles tinham feito estava registrado nos céus: "...busco fruto que abunde em sua conta" (Flp. 4:17). Alguns de vocês têm conta nos bancos, mas todos vocês têm conta nos céus, e essa conta está sendo engrossada. Mas o tempo perdido, o que ocupamos em outras coisas, quando não andamos no Senhor e no que é seu, não se conta. Não importa se os anos reais foram como seiscentos e trinta e tantos; para Deus, só foram quatrocentos e oitenta, porque enquanto eles estavam sob outros 'senhores', Deus não quer nem contar.

    O tempo que tem significado para Deus é este: quatrocentos e oitenta anos. E torna outra vez a aparecer o 48 por 10. Ontem estudávamos o 48, que era o número da casa. Agora, aqui aparece no tempo por 10 = 480. Muitas coisas que no tabernáculo são 1, no templo são 10. No tabernáculo é um castiçal; no templo são dez. Quer dizer que Deus quer a multiplicação do castiçal por toda a terra. No tabernáculo eram 48, no templo, 480.

    E diz: "...depois que os filhos de Israel saíram do Egito, o quarto ano do princípio do reino de Salomão sobre Israel...". O quarto ano. Note que primeiro é a cabeça; primeiro é Deus. Primeiro é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Também, quando foram cruzar o Jordão, depois de três dias, ou seja, no quarto dia. Isso quer dizer que, depois da cabeça, é o quarto. Depois dos três anos, em que se caracterizou quem é Salomão, porque ele é a cabeça de Israel, então chegou a hora de edificar. Primeiro, a cabeça, em seguida o corpo.

    "...no mês de Zif...", que é o segundo mês. Também o tabernáculo se edificou no segundo mês. O primeiro ano começou com o mês da páscoa. Tudo começa com a páscoa, tudo começa com o Senhor Jesus, sua morte por nós, sua ressurreição e sua ascensão. Então vem o Espírito, e começa a igreja. Não pode começar a casa no primeiro ano e no primeiro mês. No segundo mês começou a edificar a casa do Senhor.

    A casa que o rei Salomão edificou ao Senhor tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura. É como um retângulo, mas elevado, não plano. Esta é a casa de Deus. A igreja tem que ser cheia das medidas de Cristo. A Bíblia nos fala das medidas de Cristo. E esta é a casa de Deus. Deus está nos revelando algo com essas medidas.

    Em primeiro lugar, fala-nos do comprido: sessenta côvados. Aqui voltamos a ver a inclusividade do coração de Deus. Sessenta vem de seis por dez. Já sabemos que o número 6 é o número do homem. E o 10, o número da generalidade. Deus quer uma casa que tenha sessenta côvados de comprimento, ou seja, que incorpore toda classe de seres humanos. O mesmo se vê no tabernáculo: Deus quer uma casa com pessoas de toda tribo, língua, nação, e classe social. Nenhuma igreja poderá ser edificada para o Senhor com exclusões.

    Deus não exclui raças, não exclui classes sociais, nem analfabetos, nem eruditos. Paulo diz que o Senhor escolheu o vil, o menosprezado, o que não é. "Pois olhem, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres..." (1ª Cor. 1:26). Sim, pode haver algum, mas a maioria não é nobre. É normal existirem sangue azul e sangue vermelho na casa de Deus.

    Não podemos diminuir a casa, não podemos fazer igrejas de brancos onde não entram os negros, ou de negros, onde não entram os brancos. Não podemos fazer igrejas de ricos. Há pessoas que gostam de ir aos bairros dos ricos, porque lá andam de braços dados com o prefeito, com fulano e com cicrano, e não querem andar de braços dados com os do bairro mais pobre.

    A igreja abrange a todos os que o Senhor chama, a todos os que ele gerou. Essa é a medida de Deus; não podemos ter outra medida. Cada irmão tem que sentir-se cômodo na igreja, não importa que seja pobre, não importa que seja analfabeto, não importa a sua raça, a sua classe. O Senhor o escolheu, e esse é o comprimento da casa de Deus.

    A largura da casa

    Agora, a casa de Deus também tem largura. Mas é curioso que a largura é apenas um terço do comprido. É um retângulo. O comprido são sessenta; a largura, somente vinte, a terça parte. Neste ponto, discutem os calvinistas e os arminianos: Os calvinistas dizem que a expiação é limitada, ou seja, que o Senhor só morreu por alguns. E os universalistas dizem que morreu por todos. Aqui vemos este retângulo. Depois, haverá outro retângulo menor. Mas este primeiro retângulo nos ajuda a entender essa complicação.

    Vamos ao livro de Zacarias, olhar ali uma expressão importante. Zacarias 13:8-9 diz: "E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas terceiras partes serão cortadas nela, e se perderão; mas a terceira ficará nela. E colocarei no fogo à terceira parte, e os fundirei como se funde a prata, e os provarei como se prova o ouro. Ele - ou seja, este um terço do povo - invocará o meu nome, e eu lhe ouvirei, e direi: É meu povo; e ele dirá: O Senhor é meu Deus".

    Notemos que o Senhor diz claramente nessa profecia que dois terços se perderão; mas um terço passará pelo fogo, e ficará sendo o povo de Deus. Agora, o apóstolo João diz muito claramente: "Cristo ... é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1ª João 2:2). Ou seja, o sacrifício de Cristo tem a capacidade de salvar toda pessoa humana que possa existir. Se alguém não se salvar, não é porque o Senhor não quer, mas porque eles não querem, porque eles resistem, porque eles não recebem. Por isso se perdem.

    Deus "...quer que todos os homens sejam salvos" (1ª Tim. 2:4). Deus não quer que ninguém pereça. Deus quer que todos venham ao arrependimento. Mas se Deus quer que todos se salvem, por que nem todos se salvam? Não é porque Deus não queira; é porque o homem não quer. A luz veio ao mundo, mas "os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3:19), e esta é a condenação.

    De maneira que a casa de Deus tem forma de retângulo. Deus quer pessoas de toda tribo, língua, nação, sexo, e classe social; no entanto, nem todos serão salvos, somente aqueles que crêem. Então, a população mundial se reduz a um terço. Acaso não foi um terço que se rebelou? Deus tinha muitos anjos, mas a terça parte foi com Satanás. Então, Deus reservou esse outro terço para a sua glória, para a sua casa.

    Deus quer que todos sejam salvos. A expiação é universal, a intenção de Deus é sincera; ele quer a salvação de todos, mas na prática, é limitada, porque serão para os que crêem, os que estão em Cristo, e em Cristo são escolhidos.

    Por isso vemos um retângulo aqui. Embora o comprimento seja sessenta côvados, a largura é somente vinte, a terça parte. Se analisarmos a humanidade, hoje em dia, um terço pelo menos diz ser cristão, e outros dois terços dizem ser ou muçulmanos, ou budistas, ou hinduistas, ou animistas, ou qualquer outro 'ismo' diferente ao cristianismo.

    Uma igreja madura

    Voltemos para 1 Reis 6. "...e trinta côvados de altura" (V. 2). Vocês sabem o que quer dizer o número 30? Na Bíblia, é o número da maioridade. Hoje em dia, na Colômbia, os moços que têm dezoito anos, votam. Aos dezoito anos, são considerados maiores de idade. Claro que ainda não se mantêm, ainda não sustenta a sua esposa nem os seus filhos.

    A Bíblia considerava que a maioridade era aos trinta, não aos dezoito. Por isso o Senhor Jesus esperou até os trinta. Também os levita, aos vinte e cinco anos começavam a aproximar-se do tabernáculo, mas apenas aos trinta exerciam em plena atividade.

    E o que Deus quer quando diz que a sua casa tenha trinta côvados de altura? Quer dizer que a igreja está destinada à estatura da plenitude de Cristo. Deus não quer uma igreja de meninos; ele quer uma igreja madura. Como Cristo iria se casar com uma menina? Tem que casar-se com uma igreja madura.

    Deus quer uma igreja madura. A igreja deve evangelizar, deve lembrar-se dos homens; mas, depois de salvá-los, tem que discipulá-los, alimentá-los, instruí-los, ensiná-los, reuní-los como igreja, apresentá-los ao Senhor como igreja.

    Deus quer que venham à epignosis, ao pleno conhecimento da verdade. Ou seja, cresçam a uma posição em que possam compreender todo o conselho de Deus, a totalidade da Palavra, a palavra de Deus cumprida.

    Trinta côvados - a estatura da plenitude de Cristo. Uma igreja de salvos e maduros. Uma igreja de salvos discipulados, conduzidos à plenitude. Essas são as medidas que Deus disse: sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.

    Os vencedores

    Agora vamos ver a outra parte do retângulo. Verso 3: "E o pórtico diante do templo da casa...". Quando diz a casa, abrange o átrio, o lugar santo e o santíssimo. O templo da casa, o santuário, é o santo e o santíssimo. A casa em geral inclui o átrio. O pórtico do templo da casa não é o pórtico de fora, não é para que os perdidos se salvem, mas sim os salvos vençam. É outro retângulo.

    Deus quer que todos se salvem, mas só se salvam os que crêem. E quer que todos os que crêem sejam vencedores, mas somente será a metade. Eram dez virgens esperando o marido, as dez tinham azeite na lâmpada, mas só a metade tinha azeite na vasilha além da lâmpada.

    Então diz aqui: "E o pórtico diante do templo da casa tinha vinte côvados de comprimento ao largo da casa...". Ou seja, antes era sessenta de comprimento e vinte de largura. O vinte são os realmente crentes. Agora, este outro pórtico é outro retângulo de vinte côvados, o mesmo que tem ao largo da casa. Ou seja, abrange a todos os crentes.

    "...ao largo diante da casa era de dez côvados", ou seja, a metade. Podem notar? O Senhor morreu por todos, mas só se salvam um terço. Agora, Deus quer que todos os salvos sejam vencedores, mas somente a metade é prudente.

    Os outros são salvos, esperam o marido, têm azeite na lâmpada, e a lâmpada do Senhor é o espírito do homem. Se tiverem azeite na lâmpada, o seu espírito é regenerado, mas não têm azeite também na vasilha, não permitiram que a vida do Senhor passe para as suas almas - pensem conforme Cristo, tenham o sentir de Cristo, e a vontade renovada, e sigam a Cristo.

    Muitas virgens salvas são insensatas; só a metade é prudente, e fez que passasse o azeite da lâmpada para a vasilha, do espírito para a alma. Por isso aparece outro retângulo aqui. Vinte de largura, como o da casa - são os salvos. Mas só dez de comprimento - a metade.

    A necessidade de revelação

    "E fez à casa janelas largas por dentro e estreita por fora" (V. 4). Aqui vemos o mesmo princípio das peles de texugos no tabernáculo. Por fora, via-se como um grande ratão; por dentro estava a glória. Os de fora não viam. A Bíblia diz: "...aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). O homem natural não percebe as coisas que são do Espírito de Deus, e não pode entendê-las, mas o espiritual discerne todas as coisas.

    Por isso diz aqui que a casa tinha janelas largas por dentro e estreita por fora. Ou seja, quem está dentro pode ver tudo o que passa fora; mas o que está fora não pode ver bem o que há dentro.

    Assim é a casa de Deus. As coisas de Deus só se podem ver por revelação de Deus, de dentro para fora. Mas o homem natural, fora, não pode. Entender as coisas de Deus não é questão de capacidade. Os que estão dentro têm discernimento; os que estão fora não podem ver nem entrar.

    Os diáconos, bispos e obreiros

    "Edificou também junto ao muro da casa aposentos ao redor, contra as paredes da casa ao redor do templo e do lugar santíssimo; e fez câmaras laterais ao redor. O aposento de baixo era de cinco côvados de largura, o do meio de seis côvados de largura, e o terceiro de sete côvados de largura; porque por fora tinha feito pilastras de reforço para a casa ao redor, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (vers. 5-6).

    Deus não quer deixar à casa abandonada a si mesma; ele a rodeia de câmaras laterais. É o mesmo princípio que vimos no tabernáculo. Estavam todas as tábuas ao redor, mas o Senhor quis pôr cinco barras, para que essas barras protegessem e mantivessem as tábuas retas; a casa foi reforçada e guardada, nenhuma tábua se soltou, e fora mantida em seu lugar.

    Assim também, o Senhor mostrou a Davi e a Salomão que ele quer que a sua casa esteja rodeada por câmaras. Nessas câmaras se guardavam os tesouros; ali os sacerdotes se vestiam e se despiam, saíam de um estado comum e vestiam as vestimentas sacerdotais. Também na casa de Deus temos o diaconato, o bispado e o apostolado.

    Deus quer que a casa esteja resguardada, protegida, pelos diáconos, que têm que servir às necessidades dos santos, e pelos anciões. São necessários os presbíteros, que são os próprios bispos. Na Bíblia, bispos, pastores, presbíteros, intercambiam-se.

    Quando Paulo escreve a Tito começa lhe falando de que o tinha deixado em Creta para que corrigisse o que estava deficiente e estabelecesse presbíteros em cada igreja local. E em seguida diz: "Porque é necessário que o bispo...". Ele vem falando dos anciões. Primeiro começa a falar de como deve ser o caráter de cada um deles, mas agora já não lhe chama ancião, mas sim bispo, "...que for irrepreensível, marido de uma só mulher...".

    Bispos e anciões, na Bíblia, é a mesma coisa. Na igreja dos filipenses, estavam os santos com os bispos e diáconos. Desta maneira é a casa de Deus. No entanto, a igreja e os anciões não estão isolados. A igreja local não está isolada. Ela é parte da igreja universal, está em comunhão com outras igrejas, e a obra do Senhor está nas mãos dos obreiros, que trabalham a um nível mais universal que local.

    Os anciões cuidam da igreja em sua localidade, mas os obreiros edificam o corpo de Cristo universalmente. Portanto, Deus quer que os anciões tenham comunhão com os apóstolos. Por isso dizem os apóstolos: "...isso lhes anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco"- Esse 'nós' é a equipe dos obreiros, os apóstolos- e nossa comunhão - porque eles não estão isolados, têm uma comunhão- verdadeiramente é com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo" (1ª João 1:3). Por isso existe a comunhão apostólica, ou seja, a comunhão dos apóstolos entre si, e das igrejas com os apóstolos, e dos apóstolos com as igrejas.

    Então, diz Paulo a Timóteo: "Contra um ancião, não admita acusação, a não ser com duas ou três testemunhas. Aos que persistem em pecar, repreende-os diante de todos, para que os outros também temam" (1ª Tim. 5:19-20). Ou seja, que os obreiros fazem uma auditoria dos anciões que eles estabeleceram da parte de Deus. Deus os estabeleceu, mas usou a eles para fazê-lo, de maneira que os anciões estão sob a supervisão dos obreiros que os estabeleceram. Eles governam na igreja, mas na obra governam os obreiros. Os obreiros fundam uma igreja e estabelecem os anciões; mas, se os anciões se comportarem mal, então não se pode admitir acusação sem testemunhas contra um ancião.

    Os obreiros não podem se meter na jurisdição de outros, onde outros trabalharam. Isso cabe aos que trabalharam ali, os que evangelizaram, os que discipularam, os que edificaram. Os que instruíram à igreja, os que ensinaram, corrigem as coisas que faltam, nomeiam os anciões. Eles é que são apropriados para ouvir os problemas que às vezes causam os anciões.

    Então, em cima da segunda câmara, há uma terceira. A primeira câmara, que é o diaconato, tem cinco côvados de largura; mas a de cima é um pouco mais larga, tem mais responsabilidade, abrange mais, porque na igreja, os anciões governam os diáconos, e não os diáconos aos anciões. Então, sobre a segunda câmara, de seis côvados, Deus colocou uma terceira câmara de sete côvados. Portanto, os diáconos, os anciões, os obreiros, cuidam da igreja; rodeiam-na como as barras no tabernáculo.

    O diaconato está no primeiro lugar abaixo, mas há uma escada em forma de caracol que sobe do primeiro piso, dando voltas e voltas. A escada não é direta. Passa por uma prova, passa outra vez por aqui, um pouco mais alto, e quando foi aprovado, pode passar para o segundo lugar, ao segundo piso, e do segundo pode passar para o terceiro.

    Por exemplo, o irmão José, na igreja em Jerusalém, era um homem que servia, que ajudava e consolava os irmãos. E os apóstolos trocaram o nome dele por Barnabé, que quer dizer 'filho da consolação'. O irmão Barnabé começou a ser uma pessoa de confiança na igreja, e quando houve uma necessidade, então o enviaram para ver como estavam as coisas lá em Antioquia.

    Quando ele chegou a Antioquia, não era apóstolo, mas sim um colaborador dos apóstolos. E ele chegou e viu ali a graça de Deus. Ele não viu os problemas. E como era um homem bom, animou-os para que continuassem. Era alguém de confiança. Chegou a ser profeta e mestre, até que ficou em Antioquia, e chamou a outro jovem, outro irmão, que tinha sido problemático. Era Saulo.

    Mas Saulo também subiu a escada, e chegou a ser profeta e mestre, como outros irmãos. Em Antioquia havia profetas e mestres, mas não havia apóstolos. Mas, em determinado momento, o Espírito Santo dirigiu a outros irmãos: "apartem-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os chamei" (At. 13:2), e aí subiram a escada até o terceiro piso, até a câmara de sete côvados de largura. Foi ampliada a responsabilidade.

    Do capítulo 14, fala-se dos apóstolos Barnabé e Paulo. Mas não começaram por cima; começaram dentro da casa de Deus. Há irmãos que se caracterizam porque estão sempre servindo. "Então, vamos pô-los a prova - diz Paulo - para ver se podem ser diáconos". Ou seja, que já atuam como diáconos, sem serem. Quando passarem na prova, serão diáconos em atividade. Agora passam a servir a casa, rodeando a casa, primeiramente nos assuntos materiais, administrativos. Não se metem com doutrinas, claro, mas têm que guardar o mistério da fé e outras coisas.

    E entre esses irmãos, temos, por exemplo, a Estevão, que era diácono. Ele chegou a ser um homem de Deus, que não servia somente à igreja, mas também muito mais. Estevão ensinava, testificava, e foi o primeiro mártir da igreja. E também Felipe, que chegou a ser evangelista, ou seja, passando do primeiro piso para o segundo, não como hierarquia, mas sim como serviço, porque a responsabilidade na casa de Deus é para encarregar-se de maiores problemas.

    Cada vez que sobe, a responsabilidade é maior, os problemas são mais difíceis, assuntos que ninguém quer tocar. Mas são necessárias todas essas câmaras laterais ao redor da casa, para cuidá-la. E essa escada é em caracol, ou seja, que a pessoa passa e passa pelo mesmo lugar, mas cada vez um pouco mais. Não tem acontecido assim com você? A escada na casa de Deus é em caracol, repetindo e repetindo, para ir avançando.

    Sem acumular peso para a casa

    Seguimos em 1 Reis 6: "...por fora, havia pilastras de reforço ao redor da casa, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (V. 6). Olhem o cuidado do Senhor. Deus não quer que essas câmaras - esses diáconos, anciões e obreiros - não pesem sobre as paredes da casa. As vigas não é para pôr em cima da parede, mas sim nestas pilastras de reforço que eram feitas, para que não pesem demasiadamente.

    Vamos ver essas pilastras de reforço em 1ª Pedro 5:1-3: "Rogo aos anciões que estão entre vós, eu também ancião com eles - porque tinha subido do segundo para o terceiro piso -, e testemunha dos padecimentos de Cristo, que sou também participante da glória que será revelada: Apascentem o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando dele, não por força, mas sim voluntariamente; não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade; não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho".

    "...não por força...". Se for por força, pressionará demasiadamente. Os santos sentem que as pessoas estão fazendo as coisas por obrigação. 'Ai, porque acontece isto comigo. Por que você não prega, eu estou muito cansado?'. Se for por força, faz pressão sobre as paredes da casa, faz pressão sobre os santos. Onde está a pilastra de reforço, essa coluninha que terá que ser posta? Aí diz: "...voluntariamente...". A primeira pilastra é voluntariedade. Não por força, mas sim voluntariamente.

    Segundo "Não". "...não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade...". Hoje em dia é tão comum exaurir as ovelhas, é tão comum que uma pessoa comece a pregar sobre o dízimo e a prosperidade somente para encher os seus bolsos, fazendo dos santos uma mercadoria, como os fariseus que como pretexto faziam largas orações, mas tinham o olho na casa da viúva. 'Ah este irmão é rico, este pode ofertar bastante. Irmão, venha, sente-se aqui na tribuna'. Mas Tiago diz: 'Irmão, não façam acepção de pessoas na igreja'.

    "...não por ganho desonesto...". Essa viga não pode ser posta na parede, terá que pôr uma coluna, uma saliente aqui: "...de boa vontade...", voluntariedade.

    Mas são três pisos. E o outro é: "...não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho". Então aí você vê que as paredes da casa não estão suportando muito peso. Não há um senhorio exagerado, não estão exaurindo os santos, não estão fazendo as coisas por profissão, mas sim por amor, voluntariamente, de boa vontade, sendo exemplos para o rebanho. As câmaras laterais eram para guardar a casa em vez de sobrecarregá-la.

    Preparados nas pedreiras

    Verso 7: "E quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas, de tal maneira que quando a edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem qualquer outro instrumento de ferro". Assim como o ouro significa a natureza divina; a prata, a redenção; o bronze, a disciplina de Deus, o ferro significa a autoridade. (Apoc. 2:26-27). No entanto, quando se edificava a casa, as pedras já vinham preparadas. As pedras eram preparadas nas pedreiras.

    Há irmãos que estão nas pedreiras, sendo preparados. Alguns estão sofrendo marteladas. Lá sim se ouve a martelada. Essas pedreiras têm pessoas registradas como pessoas jurídicas, têm placas com nomes e tudo, e são filhos de Deus. São as pedras de Deus, e eles devem ser um só templo para Deus.

    Claro, as pedras são tiradas das pedreiras. Graças a Deus que há pedreiras, e as pessoas estão sendo salvas. Mas, o que vamos fazer com as pedras se for um montão de pedras na frente do terreno de cada um. Deus não pode viver aí. Como ele vai viver se pusermos um montão de pedras para cá e outro montão lá. Cada pedra tem que ser tratada e preparada na pedreira. E quando o Senhor traz, pode ser encaixado com os seus irmãos, porque se não encaixar, volta para a pedreira, para receber martelo, para receber cinzel.

    E quando já estiver preparado, então já pode ter comunhão com os seus irmãos, agora não é necessário que ouçam machadadas nem marteladas, como diz o verso 7: "...e quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas". Quando se encontram uns irmãos com outros, parece que era como já se conhecessem, como estando falando as mesmas coisas, a mesma linguagem. Estamos no mesmo Espírito.

    Mas se você se encontra com alguém, e ele diz: 'Eh, irmão, mas as irmãs aí usam a saia até aqui...'. Ou: 'Não puseram gravata para pregar'. Bom, que passem outros meses na pedreira, até que não mais se incomode que os irmãos não usem gravata. "...acabadas, de tal maneira...". Ou seja, de tal maneira já estavam acabadas, "...que quando as edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem nenhum outro instrumento de ferro". Era tudo tão suave, tão agradável.

    "Lavrou, pois, a casa - Lavrou, isso é à custa de golpes, não? - e a terminou; e a cobriu com artesanatos de cedro". Coberta de cedro; a cruz de cedro a cobria. Depois punha ouro, e no ouro punham palmeiras. De todas as maneiras, as pedras não eram vistas. Cada irmão por trás da cruz, negando-se a si mesmo, não fazendo as coisas por si mesmo. Caso contrário, retorna para a pedreira.

    "Edificou deste modo o aposento ao redor de toda a casa, da altura de cinco côvados - Graça. Cinco côvados, tudo é graça - o qual se apoiava na casa com madeiras de cedro". Mas, como se apoiava na casa? Naquelas pilastras de reforço, naquelas colunas.

    O objetivo é a Presença

    No verso 11, diz: "E veio a palavra do Senhor a Salomão dizendo: Com relação a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos e executares os meus decretos, e guardar todos os meus mandamentos andando neles, eu cumprirei contigo a minha palavra que falei com Davi seu pai; e habitarei nela...".

    O objetivo da casa é a presença. O que caracterizou os grandes avivamentos é a presença do Senhor. Edifica-se o tabernáculo para que a nuvem o encha; edifica-se a casa para que a nuvem a encha. Deus quer um lugar na terra para poder manifestar a sua presença. A terra está cheia da sua glória, mas não lhe conhecem. Ele quer que seja cheia do conhecimento da sua glória. E a glória de Deus quer encher a igreja. Para isso se edifica a casa: para a glória, para a presença.

    "...e não deixarei o meu povo de Israel. Assim Salomão edificou a casa e a terminou".

    (Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).