Blog / Etiquetas / IGREJA

Mostrar todos los mensajes de blog

Mensajes de blog con la etiqueta 'IGREJA':


  • A MENSAGEM Á IGREJA EM LAODICÉIA

    A MENSAGEM À IGREJA EM LAODICÉIA

    “E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia: Tenho aqui o amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto”. Apocalipse 3:14.

    Laodicéia é o escorregamento de Filadélfia

    Vamos durante este tempo, estudar um pouco a palavra do Senhor. Hoje estamos chegando à sétima igreja, das sete desta profecia de Apocalipse 2 e 3. Hoje estamos chegando à consideração da igreja em Laodicéia. Apocalipse capítulo 3 desde o versículo 14. Se esta é a última das sete igrejas pelas quais o Senhor profetiza, quer dizer que esta igreja representa à igreja dos últimos tempos e é uma mensagem bastante séria. Eu não sei qual seja mais sério, se a de Tiatira ou a de Laodicéia; de qualquer jeito, a de Tiatira, que é tão grave, não foi lhe dito que poderia ser vomitada de Sua boca, mas a Laodicéia sim, se não se arrepender; ou seja, que esta última mensagem dada às igrejas, representando à igreja contemporânea, é uma mensagem séria; não há outra igreja depois desta; esta representa a última, a igreja dos tempos finais. A igreja de Éfeso representa aquele período apostólico imediatamente depois do apostolado original; a igreja em Esmirna representa o período das perseguições; a igreja de Pérgamo representa aquele período depois das perseguições, a partir de Constantino, quando a igreja e o Estado começaram a juntar-se e o cristianismo adotou parte do paganismo e o paganismo se cristianizou por fora, mas sem uma verdadeira conversão; depois a igreja em Tiatira representa aquela da idade média, aquelas épocas escuras da chamada “Pornocracia”, que não vamos falar dela; depois a igreja de Sardes representa à igreja da Reforma que saiu daquele período de escuridão, mas que não completou as coisas que deviam ser restauradas.

    Por fim, a igreja em Filadélfia representa aquela visão no corpo de Cristo que supera as divisões denominacionais; uma igreja missionária, uma igreja cristocêntrica, uma igreja bíblica, uma igreja à qual o Senhor abre a porta. Mas encontramos que o Senhor nesta passagem que vamos ler, dizer à igreja em Filadélfia (3:11): “Eis que cedo venho; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa”; isto é, que era necessário que, o que o Senhor revelou a Filadélfia para superar a condição de Sardes, deve ser retido. Os vencedores o retêm, mas os que não o retêm caem numa situação que depois é expressada em Laodicéia. Laodicéia representa o escorregamento de Filadélfia porque Laodicéia já não é outra vez o protestantismo clássico que está representado ali em Sardes. Aqui, Laodicéia vem depois das revelações claras da centralidade de Cristo, da palavra de Deus, da unidade do corpo de Cristo, guardar a palavra da paciência, levar a cruz do Senhor; isto foi já revelado no período de Filadélfia e os vencedores chegarão até o fim: “Eis que cedo venho, retém o que tens”; isto é, os vencedores na posição de Filadélfia serão assim achados na vinda do Senhor; terão na vinda do Senhor pessoas que estarão na posição de Filadélfia espiritualmente falando, bem como terão pessoas que estarão na posição de Tiatira; a Tiatira é menciona a segunda vinda do Senhor, portanto, terão pessoas que serão achadas na situação católico-romana que é expressada por Tiatira, outros achados na situação de Sardes, do protestantismo; outros achados na situação de Filadélfia. Mas alguns deslizaram, não reteram o que o Espírito já deu à igreja e entraram numa questão que está aqui descrita como vamos ler em toda esta mensagem do Senhor a Laodicéia, que retrata de maneira profética estes tempos. Eu creio que, o que o Senhor diz aqui à igreja em Laodicéia é bastante sério. Então vamos fazer o seguimento desta mensagem a Laodicéia. Primeiro lhes digo que quanto à crítica textual não existem variações nos manuscritos; todos os manuscritos dizem bem como aparece nesta tradução, de maneira que não é necessário fazer aclarações a respeito.

    Profundidade histórica de Laodicéia

    Façamos a primeira aclaração quanto à cidade de Laodicéia. A cidade de Laodicéia foi fundada no século III antes de Cristo, por volta do ano 250 a.C., por um rei chamado Antíoco II, Seleuco Antíoco II, da dinastia dos antíocos; no caso dele, dos seléucidas de Antíocos, antes que se dividissem. Ele teve uma esposa que ele amou muito, que se chamou Laodicé; então ele fundou a cidade de Laodicéia em honra de sua esposa Laodicé. Há seis cidades chamadas Laodicéia, fundadas em honra a Laodicé, mas que são distintas uma das outras, porque esta é Laodicéia de Lico; há um rio chamado Lico e esta cidade fica ao sul do rio Lico, na Ásia Menor; esta de apocalipse, portanto, é conhecida como Laodicéia de Lico; ou seja que as outras Laodicéias não têm nada a ver com esta; esta é a cidade que foi fundada por Antíoco II no século III antes de Cristo. Esta cidade chegou a ser uma cidade muito forte durante o império romano, que foi o império que surgiu depois da era dos Antíocos. Digamos que os Romanos, como diz Daniel 11, tiraram a hegemonia dos Antíocos e estabeleceram a hegemonia romana. A cidade de Laodicéia fica num cruzamento de importantes vias, de maneira que chegou a ser uma capital muito grande; Laodicéia chegou a ser uma cidade rica, uma cidade comercial, uma cidade bancária, uma cidade onde tinha muitas indústrias, uma cidade onde se produzia muita roupa; era uma cidade rica, era uma cidade próspera; todas as principais estradas passavam por Laodicéia, tanto as que vinham do norte, como as do oriente, como as de ocidente, juntavam-se ali e todo o comércio se centralizava, de tal maneira que Laodicéia com o tempo chegou a ser como uma espécie de metrópoles que tinha 20 aldeias dependendo dela e se lhe chama nos documentos antigos: “Metrópoles de Laodicéia”. Exteriormente Laodicéia era uma cidade próspera, uma cidade rica, uma cidade de banca, de muitos estabelecimentos bancários, comerciais, industriais, e as pessoas seguramente estavam muito felizes; ali tinha trabalho, tinha dinheiro, tinha uma vida fácil na parte econômica.

    Um grande terremoto

    O curioso é que esta cidade foi várias vezes sacudida por contínuos terremotos até que foi destruída completamente; hoje em dia não existe a cidade de Laodicéia; Laodicéia foi varrida por um terremoto, a única coisa que ficou, foi umas ruínas, que ficam na Turquia, e os muçulmanos lhe puseram um nome muçulmano, que quer dizer “Castelo antigo”, na palavra muçulmana traduzida; ou seja, os restos de um grande castelo que tinha existido; isso é a única coisa que sobrou, isto é, foi totalmente destruída por sucessivos terremotos até que teve um que a derrubou de tal maneira, que nunca mais a voltaram a reedificar. É curioso porque a Bíblia, que fala do juízo do Senhor sobre Babilônia no tempo final, também diz que o Senhor se lembrou de Babilônia, e se elevou a ira no cálice e derramou o cálice, a sétima taça sobre Babilônia; diz que veio um terremoto a nível mundial, que arrasou com a grande cidade que era Roma, Babilônia, e com as outras cidades; inclusive mudou a geografia; muitas ilhas desapareceram, muitos morros mudaram de lugar. Isso é o que está profetizado ao final sobre Babilônia, sobre o que é a Laodicéia final, o que chegará a ser o ecumenismo final, com uma mistura de cristianismo com ocultismo e com outras coisas. Laodicéia antiga foi destruída por um terremoto, e a igreja final, o cristianismo infiel do tempo do fim, será destruído também por um terremoto mundial. Então, vejamos como a história qualifica a profecia.

    Os direitos do povo

    Agora sim, vamos ler a mensagem. Como não tem comentários textuais ou variantes textuais, vamos seguir lendo e comentando; primeiro o leremos e depois seguiremos comentando. Apocalipse 3:14 a 22. Faremos a leitura primeiro, de uma só vez, para que o Espírito fale a cada um de nós, e depois voltaremos e comentaremos, com a ajuda do Senhor: “E”; se dão conta, que não tinha dito até aqui “E”? Sempre era vírgula: Escreve ao anjo da igreja em Éfeso; escreve a Esmirna; escreve a Pérgamo, mas agora diz: “E”, como quem diz, depois de tantas vírgulas, esta é a última conjunção, então é a final: “E”. Esta palavra “E” é a palavra grega kai, que pode ser traduzida por: também ou finalmente ou por fim. “14E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”; quer dizer que existe um espírito tipicamente laodizaico dentro da cristandade, que está representado logicamente nas lideranças; mas o Senhor se dirige precisamente a esse espírito que caracteriza o que se pode chamar a época de Laodicéia. “14E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”. O que significa a palavra Laodicéia? A palavra Laodicéia vem de duas palavras gregas que são: laos e dikesis, que significam: Laos, o povo, os laicos; a palavra laicos vem de laos que é a palavra que significa o povo, e dikesis, que é a palavra que significa justiça ou direito. Se você escuta a palavra “teodicéia”, quer dizer: o direito divino; mas a palavra Laodicéia, são os direitos humanos, os direitos do povo; quer dizer que a palavra Laodicéia está representando a época final; e é curioso que o nome da palavra nomeia o espírito da época e é o espírito dos chamados “direitos humanos”. Quando foi que se tivemos notícia de que se tenha insistido tanto nos assuntos dos direitos humanos como nos últimos tempos? Digamos, desde a revolução francesa e da revolução americana pra cá, digamos assim, que começou a ser introduzido o espírito dos direitos humanos. Não é que tenha um pouco de mau nos direitos humanos, só que as vezes os direitos humanos pretendem ir além do direito divino, como se tivesse direito de negar a Deus, como se tivesse direito de negar a autoridade de Deus, como se tivesse direito de negar a palavra de Deus. Chegou a época em que as pessoas pretendem ter mais direitos legítimos.

    A última palavra às igrejas

    Quando dizemos que o espírito de Laodicéia é um espírito que o Senhor repreende, não queremos dizer que o Senhor não quer os direitos humanos. O que Ele não quer é que exista uma anarquia onde não seja reconhecida a autoridade da palavra do Senhor, Amém? Mas fixem-se em que só na palavra “Laodicéia”, se nos está mostrando o espírito tumultuoso, o espírito anárquico, o espírito competitivo do tempo do fim. Não foi assim em Tiatira. Tiatira foi terrível, mas Tiatira foi ditatorial; teve uma ditadura césaro-papista na Idade Média; também compare-o com essa época e você se dará conta de que Laodicéia e Tiatira são completamente diferentes, Amém? Como fala o Senhor então a Laodicéia? Ele está dando aqui a última palavra às igrejas; é a última palavra do Senhor às igrejas; depois vai falar dos selos, das trombetas, das taças da ira, mas aqui Ele está falando às igrejas, e é a última palavra do Senhor às igrejas, e por isso a nenhuma outra igreja Ele se apresenta como o Amém; mas aqui Ele está terminando; então olhem como se apresenta à igreja: “Isto diz o Amém...”; ou seja, a última palavra, assim é, assim seja, o Senhor é o Amém. Nos profetas, Deus é chamado de o Deus do Amém; é como dizer, o Ômega. Bem, como o Alfa é o princípio, a Ômega é o fim; o Senhor é o princípio e o fim; então sempre ao final se diz amém. Mas o Senhor diz que Ele é o Amém; ou seja, que Ele tem a última palavra; e esta é a última palavra à igreja em sua história universal.

    O princípio da criação de Deus

    Então diz o Senhor: “Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto.” Esta expressão do Senhor também como o princípio tem criado dificuldades de entendimento a alguns; porque tinha dito o Amém e agora diz: o Princípio; em outras partes tinha dito o Primeiro e o Último, o Alfa e a Omega, o Princípio e o Fim; agora, como está ao final, diz primeiro o Amém, mas depois diz: o Princípio; porque Ele não é somente uma coisa, senão a outra, o que é o final é o que é o princípio. “O princípio da criação de Deus.” Esta expressão deu lugar a alguns maus entendidos, porque se interpretou de maneira isolada do resto da revelação. Que o Senhor Jesus Cristo se apresenta como o princípio da criação de Deus, não quer dizer que Ele seja a primeira criatura de Deus, porque Ele é Deus mesmo. No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. A expressão “o princípio da criação de Deus” quer dizer que por meio dele todas as coisas foram criadas, que nada tem origem sem Ele. “Todas as coisas por ele foram feitas, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). Isso quer dizer que o Senhor, que é o Amém, é também o princípio da criação de Deus. Se tomamos a criação de Deus no sentido antigo, desde o nada até a existência, à nova criação, nos dois sentidos Ele é princípio da criação de Deus; tanto da velha como da nova; as duas são a criação de Deus; Ele é a origem de todas as coisas; sem Ele nada tem existência; agora este é o que fala; ou seja, este é o diagnóstico do Senhor à cristandade dos últimos tempos, a última palavra de Deus à Igreja.

    Vomitar-te-ei da minha boca

    “15Eu conheço tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem deras fosses frio ou quente! 16Mas porquanto és morno, e não frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. Palavra seríssima do Senhor; nunca o Senhor tinha falado palavras tão fortes. Que coisa mais desagradável é o vômito! Mas ser considerados como algo que lhe produz ao Senhor vômito, quer dizer que é algo que o Senhor considera asqueroso.

    O que é o que o Senhor considera tão asqueroso? A indiferença, que não é nem água e nem limonada, nem fu nem fa; o Senhor quer que seja bem definido; Ele prefere que seja frio a que seja morno. Agora, que quer dizer frio? Frio quer dizer que não tem força, que não tem ânimo; Ele prefere que uma pessoa lhe diga: Senhor, não tenho forças, não sei nada; se tu não me ajudas, não posso nada; ou que esteja fervente, quente, em espírito, servindo-lhe, em verdadeiro espírito e verdade. Ele prefere que estejamos servindo do todo coração ou que estejamos reconhecendo nossa total impossibilidade, nossa total frieza e que estejamos a seus pés reconhecendo que não somos nada; mas o pretender ser e não ser; pretender que sejamos quentes, quando não somos tão quentes, somos mornos, isso ao Senhor lhe resulta em algo difícil. Sempre as coisas mornas são usadas para provocar vômitos; sempre se associou o água morna para produzir vômito. “16Mas porquanto és morno, e não és frio nem quente, te vomitarei de minha boca”; isto é, não posso engolir-te, não posso suportar-te nesta situação; como quem diz: se não vences isto..., graças a Deus que há vencedores da situação de Laodicéia, mas se não vences, que galardão vais ter? O galardão é para os que vencem; se não venceres, vomitar-te-ei de minha boca, não posso engolir-te, não posso aceitar-te nessa situação de indiferença. Que o Senhor nos ajude. A nenhuma outra igreja se chamou de morna, mas só a Laodicéia; quer dizer que o cristianismo dos últimos tempos não é um cristianismo consagrado; as pessoas se dizem cristãs sem serem verdadeiramente cristãs. Fixem-se no que o Senhor explica o que é a indiferença: “Porque (essa palavra “porque” aí está explicando a indiferença) tu dizes...” Ai, ai, ai! Aqui o Senhor está profetizando qual seria a confissão positiva da cristandade dos últimos tempos. Fixem-se: “tu dizes”; essa é uma confissão positiva; não está dizendo: sou magro, sou débil, preciso tua ajuda, não; sem ser verdadeiramente forte, está confessando coisas que não são. Quando em outra época se tinha ouvido falar tanto dos direitos humanos, da confissão positiva e da teologia da prosperidade como nesta época? Nenhuma outra época teve esta ênfase, mas por todas as partes que você for, você liga um televisor em programas de evangélicos e escuta uma quantidade de pregações de todas partes e esse é sua ênfase: confissão positiva, riqueza, propriedades, prosperidade, esse é a ênfase atual; e o Senhor já o tinha dito: “tu dizes”; essa é tua confissão; parece confissão positiva, mas o Senhor não ensina essa confissão; Ele diz que essa não é a realidade: “17Porque tu dizes: Eu sou rico, e me enriqueci”. Que outra época teve tanta riqueza, facilidades, geladeiras, aparelhos, tecnologia? “Tu dizes: Eu sou rico, e me enriqueci, e de nenhuma coisa tenho necessidade”. Se fosses frio, reconhecerias tua necessidade, mas não reconheces tua necessidade; está enganado, está enganando-se com sua própria auto-imagem que não é aprovada por Deus. “Dizes: Eu sou rico, e me enriqueci, e de nenhuma coisa tenho necessidade.” Que terrível é esta frase! O sentir-se satisfeito sem Deus, o sentir-se satisfeito com a riqueza material e não com Deus, isso é terrível. Dizes que não tens necessidade de nada, sentes-te satisfeito, estás feliz. Quantos parques há hoje em dia? Quando é que teve tantos parques como agora: como Disneylândia, Disneyworld, etc., televisão, novelas, distração? Ninguém tem que ter necessidade de Deus; “e não sabes”; isso quer dizer ignorância da realidade espiritual, uma época caracterizada pela ignorância espiritual. Pode ter cultura secular, cultura exterior, pode ser intelectual, mas não espiritual.

    Riqueza material, pobreza espiritual

    “Não sabes que tu és um desventurado”; um desventurado que diz ser rico, é melhor ser frio e dizer-lhe: Senhor, sou um desventurado; e saber que é um desventurado; então podes pedir-lhe ajuda, mas como diz que não é, sendo; sendo desventurado diz que é rico; Ele diz: “não sabes que tu és”; o Senhor diz: tu és um desventurado; ou seja, tua riqueza não é a verdadeira bem-aventurança; tua satisfação, tua comodidade, não é a verdadeira bem-aventurança.
    “Não sabes que tu és um desventurado, miserável, pobre”. À igreja em Esmirna que passava perseguições, o Senhor diz: conheço tua pobreza; mas entre parêntese lhe diz: mas tu és rico; ainda que tinha pobreza material, era rico espiritualmente; do contrário, este era rico materialmente mas pobre espiritualmente. Dizes que és rico, mas não sabes que és pobre; ou seja, estás enganado; o que tu consideras de valor, o que tu estimas, é um engano. Paulo dizia: o que eu estimava como ganho, agora o considero uma perda com o objetivo de ganhar a Cristo. Paulo viu, mas Laodicéia não viu.

    Que coisa séria é não ver! “Pobre, cego e nu”. Não vê; qualquer um vê sua vergonha, sua vergonha é pública. “18Por tanto, (aleluia! As últimas palavras do Senhor às igrejas) eu te aconselho que de mim (porque as riquezas que tens não são de mim, meu conselho é que de mim; tu dizes que és rico, mas essa não é verdadeira riqueza; verdadeiramente espiritualmente tu és pobre) compres ouro refinado em fogo”. Aqui o Senhor usa a palavra “compres”; quer dizer: paga o preço para ter a verdadeira riqueza espiritual.

    Comprar é pagar o preço

    Muita gente quer direitos humanos, quer riquezas, quer prosperidade; as palavras que sempre dizemos: saúde, dinheiro, amor, casa, carroça, bolsa, tudo fácil na terra, mas não quer a cruz, não quer o caminho estreito, não quer pagar o preço, e o Senhor a esta igreja lhe diz: “compres”; quer dizer: paga o preço, compra ouro; o ouro representa o metal mais valioso, que representa a natureza divina, o que é legítimo de Deus, o que é verdadeira riqueza espiritual. “Compres ouro refinado em fogo”; ou seja, o de Deus, que é capaz de passar a prova; o fogo é a prova; essa é a verdadeira riqueza, o que não se queima quando passa pelo fogo, essa é riqueza; mas o que se desfaz no fogo, o que quando vem a prova não permanece, é pura palha; mas o que passando a prova sobrevive, essa é verdadeira riqueza e essa se obtém com o pagar o preço; para obter do Senhor o que é o Senhor em nós e não nós somente.

    “De mim”, isto é, eu sou o que tenho este ouro, que passa a prova do fogo. Eu passei pela prova, passei pela morte, mas veja que Eu vivo; compra, paga o preço para ter o meu e não te enganes com o teu; compra de meu ouro refinado em fogo, para que sejas rico.

    Não é que o Senhor esteja no meio de uma teologia da prosperidade promovendo uma teologia da miséria, não; a alternativa da prosperidade não é a teologia da miséria, é a teologia da riqueza espiritual, essa é a alternativa, a riqueza da cruz; essa é a alternativa à teologia da prosperidade.

    “Para que sejas rico”. O Senhor quer que sejas rico, mas verdadeiramente rico, como Ele disse: “19Não tenhais tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde ladrões minam e furtam; 20senão ajuntai tesouros no céu, onde nem traça e nem a ferrugem corroem, e onde ladrões não minam nem furtam” (Mt.6:19-20). Essa é a verdadeira riqueza, Amém? Compra, paga o preço, para que não estejas satisfeito com o teu nem com o do mundo, senão com o que Eu te dê; o Meu é tua verdadeira riqueza; aí sim, serás verdadeiramente rico.

    “E vestimentas brancas para vestir-te”. Veja que roupa o Senhor queira dar: vestimentas brancas! O que Ele está dizendo à igreja? Parece que nem sequer se lembra de estar justificada, parece que no meio de sua prosperidade, no meio de sua alegria do mundo, no meio de seu desfrute dos benefícios da terra, esquece-se de cuidar ou estar em paz com Deus; porque se o Senhor está dizendo que precisa comprar-lhe vestimentas brancas para que não vejam sua vergonha, quer dizer que seus pecados estão sendo vistos pelos anjos de Deus, pelos demônios, não só por Deus, e até pelos homens também, que ainda que somos cegos, mas as vezes vemos.

    O preço das vestimentas

    Então quando o Senhor diz: compres vestimentas brancas, é porque uma parte da cristandade está em pecado, está vivendo em pecado, não confessou seus pecados, não acertou suas contas com Deus, acostumou-se a viver com contas acumuladas em sua consciência, adormecido, narcotizado pela prosperidade do mundo. Ai, Senhor Jesus, que terrível! “Compres ouro refinado em fogo, para que sejas rico, e vestimentas brancas para vestires”. Há que pagar o preço para andar em vestimentas brancas; é por graça. Por isso o irmão Dietrich Bonhoeffer, que foi um mártir do Senhor na Alemanha, (foi morto durante o tempo de Hitler; o mataram por ser fiel a sua consciência cristã. Ele disse uma frase que foi colocada como título de um livro que ele escreveu, muito bom livro: “O preço da graça”. Alguém pensa que a graça é grátis, mas ele falava do preço da graça, o que custou ao Senhor para dar-nos a graça e o que custa a nós viver na graça e não no ego, nem no natural, o preço da graça; por isso lhe diz: compra ouro refinado em fogo, e vestimentas brancas para vestir-te. Não estou dizendo que o sacrifício de Cristo não nos perdoa gratuitamente, mas para viver na graça, há que negar a si mesmo; podemos viver em Cristo por graça. O que quiser, venha e beba gratuitamente da água da vida, mas as vezes preferimos viver no humano, no natural, na carne e não no Espírito. Então para receber essa graça temos que negar a nós mesmo, primeiro crer, mas estar disposto a viver na fé, no novo homem.

    Então diz: “e que não se descubra a vergonha de tua nudez”. Esta palavra me parece tão misericordiosa, porque as vezes nós, quando somos um pouco legalistas, queremos que o Senhor envergonhe em público aos outros: Esse tem um pecado, como muito me agradaria que o Senhor lhe descobrisse a falta diante de todos. As vezes essa é nossa atitude e nos alegramos muito mais quando alguém é descoberto e envergonhado do que quando é guardado; alegro-me que o pilharam; mas o Senhor não é assim: O Senhor diz: “que não se descubra a vergonha de tua nudez”.

    Deve ocorrer somente quando é já necessário envergonhar às pessoas, como aconteceu com Davi que fez as coisas escondidinhas e não queria se arrepender; o Senhor teve que trazer a Natan, para lhe dizer: Tu o fizeste em segredo, agora em público tuas mulheres vão ser violadas; por que? Porque o tinha feito em segredo; mas a intenção do Senhor é cobrir-nos; compra de mim vestimentas brancas para vestir-te, e estarás justificado e limpo; confessa teus pecados e arrepende-te, ponto, para que não se descubra a vergonha de tua nudez, não deixes tuas coisas escondidas, confessa-as ao Senhor; se falhaste com alguém, pede perdão e arruma e pronto, acabou-se; o sangue me limpou; nunca mais o Senhor se lembrará, nem quer que você se lembre também; esquece. Mas enquanto estivermos guardado, a palavra é: estás nu, estás com umas vergonhas visíveis, paga o preço para que andes com vestimentas brancas e não se descubra; essa é a misericórdia de Deus que não quer envergonhar-nos, quer cobrir-nos: “que não se descubra a vergonha de tua nudez, e unge teus olhos com colírio, para que vejas”. Quer dizer que com nossos olhos naturais não vemos a realidade; pensamos que vemos e o Senhor diz: não sabes que és cego. Uma pessoa que não sabe que é cega, é uma pessoa que pensa que vê, mas não está vendo a realidade, está vendo alucinações, está obcecado com alguma coisa, mas não conhece a realidade, por isso não sabe que é cega. Uma pessoa que sabe que é cega, diz: Sou cego, não entendo Senhor, não entendo. Mas porque dizes que sabes... Ai Senhor! É melhor dizer como Jó: não entendo, eu falava o que não entendia; então Deus poderá abrir os olhos a alguém; mas se alguém pensa que já entendeu tudo, não sabe que está cego.

    O colírio de Deus

    Tenha o Senhor misericórdia de nós, de mim e de todos nós. “Unge teus olhos com colírio”; isto é, aplica a teus olhos algo que te faça ver. Você pensa que está vendo, mas o que está vendo não é a realidade, está enganado com tuas imaginações; o colírio é algo diferente do natural, o colírio é algo que opera na vista, que não está na pessoa. Nós precisamos que o Senhor abra nossos olhos, unja nossos olhos; mas o Senhor diz que nós devemos ungir nossos olhos; ou seja, que temos que ir ao Senhor para que o Senhor nos abra os olhos. Quando alguém pensa que está vendo, irmãos, é tão terrível, porque esse alguém nunca tem a oportunidade de reconhecer seus erros. Eu recordo quando estava sob a influência do branhamismo, durante os anos 73 ao 75; eu pensava que estava correto; eu lia, parecia-me correto o que lia, parecia-me bíblico; e enquanto eu pensei isso, nunca me dei conta do erro. Um dia se me ocorreu uma dúvida que foi do Espírito Santo; fui e me apartei a um lugar para orar, e lhe disse: Senhor, a mim, isto parece correto, mas quem sabe eu possa estar equivocado e não me dei conta; tu és o que sabes; eu quero seguir-te, ensina-me a verdade. Se isto que me parece a verdade, é a verdade, confirma-me; mas se estou equivocado e eu não consigo me dar conta, mostra-me. Quando fiz essa oração com sinceridade ao Senhor, aí, pouco a pouco, o Senhor começou a mostrar-me os erros que eu estava metido, e pouco a pouco fui tendo luz, porque era terrível suportar tantos erros inesperadamente. Eu ia no ônibus e me vinha à mente: mas este versículo diz tal coisa e o irmão aqui, que eu tenho respeito, diz outra coisa; e começou esse conflito; mas se ele é um profeta de Deus e eu quem sou, mas a Bíblia segue dizendo isto; tinha que escolher entre o que diz a palavra de Deus e o que diz outra pessoa. E quando aceitei isso e tive que ser dissidente por honrar ao Senhor e à verdade, aí se me mostrou um outro pouquinho; se és fiel no pouco, se te dará mais. Outra coisa, aqui há outro erro, aqui neste assunto de casal, divórcio e poligamia, aqui há um erro; aqui neste assunto que nega a Trindade, aqui há outro erro; aqui neste assunto da segunda vinda de Cristo há outro erro; e me começou a mostrar erro depois de erro, um depois de outro; se fores fiel num pouquinho e dependeres dele, e só confiares Nele e não em sua própria prudência, Ele te poderá ungir os olhos com colírio. É o que diz Provérbios: “5Confia no Senhor de todo teu coração, e não te apóies em tua própria prudência. 6Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará tuas veredas” (Prov. 3:5-6). Mas se alguém confia em sua própria prudência, que tudo está bem, sinto-me satisfeito; não tenho necessidade de nada, aqui estou contente, não vai ter mais. Que nunca fiquemos contentes com menos do que a plenitude de Cristo; que sempre procuremos mais de Cristo; que sempre tentemos ir mais adiante; ame mais ao Senhor que ao próprio ambiente, inclusive mais do que à Igreja; ame ao Senhor, avance em direção ao Senhor, siga ao Senhor, procure o Senhor. Senhor, preciso da tua luz; então Ele irá confirmar o que é Dele. Não há problema. Que perigo há? Nenhum; o que é Dele, Ele vai confirmar, mas o que não é dele, Ele vai mostrar e vai livrar-te. Temos que pô-lo em primeiro lugar em tudo; não temas ser dissidente se é por amor ao Senhor e sua Palavra, porque você não é nosso antes de ser do Senhor; você é do Senhor, amém? Primeiro o Senhor. Então quando eu digo ao Senhor: “faça o que o Senhor quiser”. Eu penso que está correto, mas pode ser que esteja equivocado e não me dou conta; aí Ele me mostra aos poucos; se for fiel a esse pouquinho, Ele me mostra outro pouquinho, depois outro pouquinho e outro pouquinho, e assim vai me mostrando e me corrigindo. Somos passiveis de erros e a pessoa fanática é a que pensam que vê e nunca duvida de que poderia estar equivocada; por isso é que temos que colocar o Senhor antes da nossa auto-complacência. Senhor, se estou enganado, desengana-me Senhor. Amém? Unge meus olhos com colírio para que veja, não aconteça que pense que estou vendo e sou cego, espiritualmente cego. Recomendo-lhes muito esse livro do irmão Austin Spark, “Ver - Visão espiritual, homens cujos olhos viram o rei”. Tremendo livro!

    Deus castiga aos que ama

    Agora, depois dessa palavra de que és cego, miserável, nu, morno, vomitar-te-ei, alguém pensaria, mas será que o Senhor está chateado comigo? Olhem o que diz: “19Eu repreendo e castigo a todos os que amo”. Quando uma pessoa é amada pelo Senhor passa por provas difíceis, não porque Deus não o ame, senão precisamente porque Ele o ama: “Eu repreendo”, e não só repreendo, “castigo”. Alguns dizem que Deus não castiga, mas aqui diz o Senhor que Ele castiga aos que ama: “repreendo e castigo a todos os que amo”. Há graus diferentes nas duas palavras. Repreender é admoestar, chamar a atenção, mas ainda não te acontece nada; mas se te chamou a atenção e não queres seguir ao Senhor, então tem que passar da repreensão ao castigo e o castigo pode ser uma coisa difícil que nos acontece, mas por que? Porque Ele nos ama, quer-nos livrar dos enganos; isto é, aos que amo, Eu os repreendo e os castigo. E diz mais: “Sê pois, zeloso”. Aqui zeloso é o contrário de morno. Morno é o que está satisfeito, não zeloso; o Senhor é zeloso e quer que nós sejamos zelosos. Uma pessoa zelosa é uma pessoa que quer as coisas puras e não misturadas nem mornas; o contrário de morno aqui é zeloso: “Sê pois zeloso, e arrepende-te”. O Senhor dá tempo à igreja em Laodicéia, à cristandade dos últimos tempos para arrepender-se e ser zelosa; isto é, ser uma pessoa que ama ao Senhor com cuidado: “20Eis que estou à porta e chamo”. Esta é uma das frases mais tremendas.

    O Senhor do lado de fora da Igreja

    O Senhor não diz que está dentro, senão fora; está querendo entrar mas nós estamos aqui com nossa festa, dizendo coisas, estando embriagados em nossas cobiças e o Senhor está batendo à porta. Ele não diz: estou dentro, não, estou à porta e chamo.

    Que coisa terrível! As vezes ter programas, estruturas, ter de tudo e não ao Senhor mesmo; mas isso o diz o Senhor à igreja em Laodicéia; Ele quer entrar. Agora, neste apelo, Ele chama à igreja, mas como Ele sabe que não toda a igreja vai ser vencedora, então fala aos indivíduos. Diz assim: “Eu estou à porta e chamo; se algum ouve minha voz”. Se alguém distingue o que é o que verdadeiramente o Senhor diz e o que Ele quer, estará disposto a abrir-lhe a porta ao Senhor em vez de estar enganado pensando que vê e não vê. “Se alguém ouve minha voz”; porque é que alguns não ouvem; se tem ouvido, ouve, mas se alguém ouve, abrirá a porta ao Senhor. Ele fala a toda a igreja: “Escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”, fala ao espírito da igreja do tempo final. Se no meio desse espírito, alguém ouve minha voz, minha voz, porque as vezes ouvimos muitas vozes e especialmente nos tempos finais está profetizado que se ouviriam muitas vozes, muitos falsos profetas e até milagres e sinais, mas não é a voz do Senhor; mas se no meio dessa batalha do engano final, alguém, um ou outro por aí, ouvir minha voz e depois de ouvir abrir a porta e não deixar ao Senhor de fora, senão que chamar ao Senhor para dentro, então o Senhor diz: “entrarei em sua casa”.

    A cristandade de nome, sem o Senhor dentro, mas se me abrir a porta “entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele comigo”. Sempre o comer juntos era uma forma de como o Senhor representava a comunhão; a comunhão é comer juntos. “cearei com ele, e ele comigo”, cear juntos: “21Ao que vencer”. Isto sim é tremendo, terá vencedores nas condições de Laodicéia; e se você compara os galardões, a nenhuma igreja se lhe oferece um galardão tão grande como à igreja em Laodicéia; compare todos os galardões. A Éfeso, lhe darei a comer da árvore da vida. A Esmirna, não sofrerá dano da segunda morte. A Pérgamo, uma pedrinha branca. A Tiatira, lhe darei autoridade sobre as nações. A Filadélfia, o farei coluna no templo de meu Deus e nunca mais sairá de ali, mas aos vencedores do fim se lhes promete o maior galardão; olhem o que diz: “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em Meu trono, (que coisa tremenda!) bem como eu venci, (ao que vencer como eu venci) e me sentei com meu Pai em Seu trono”. O Pai quer delegar ao Filho tudo, e o Filho quer delegar aos vencedores finais, tudo. “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em Meu trono, bem como eu venci, e me sentei com Meu Pai em seu trono”. Esta sim é a verdadeira riqueza, esta se é a verdadeira glória. “22O que tem ouvido (para ouvir Sua voz) ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Que o Senhor nos encontre despertos, conceda-nos arrepender da indiferença e nos conceda pagar o preço para ter ouro verdadeiramente espiritual, vestir-nos verdadeiramente com vestimentas brancas e ter os olhos ungidos para ver verdadeiramente. Que Deus nos ajude. A paz do Senhor Jesus seja com os irmãos.

  • UMA CASA PARA DEUS / 2

    A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.

    Uma Casa para Deus
    (2ª Parte)

    Gino Iafrancesco

    As tábuas

    E "farás para o tabernáculo tábuas de madeira de acácia, que estejam retas" (Ex. 26:15). Isto é bem complicado, pois as acácias são bem tortas - como nós. Mas o Senhor toma torto, e o endireita. Graças a Deus que ele não esperou que fôssemos retos - nos tomou tortos como somos, mas ele nos endireita.

    "O comprimento de cada tábua será de dez côvados, e de um côvado e meio a largura". Aqui torna a aparecer o número 10, que fala da universalidade. Cada tábua tem dez côvados de comprimento, e um côvado e meio de largura. Todas as tábuas são iguais. Deus não faz acepção de pessoas. Não importa a raça, a classe social, a nacionalidade, a cultura. Isso não conta para ele. O que o Senhor valoriza é que pertençam a ele. Deus quis ter toda classe de seres humanos. Para ele, cada homem tem o mesmo valor.

    Mas agora aparece um problema. Diz: "...e de um côvado e meio a largura". Vemos que a largura não é uma medida completa. O número 'um e meio' é um número imperfeito. O número de Deus é 3, um número completo, perfeito. Mas 'um e meio' quer dizer que não está completo, que essa tábua tem que estar com outra tábua. Juntos, temos três.

    Essas tábuas nos falam dos crentes. Os crentes são membros de um corpo; não podemos ser completos em nós mesmos; necessitamos dos nossos irmãos. Por isso, o Senhor Jesus disse: "...onde estão dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mat. 18:20).

    Há promessas que foram dadas à igreja. Por exemplo, o Senhor Jesus disse: "...as portas do Hades não prevalecerão contra ela" (Mat. 16:18), contra a igreja. Se eu, como indivíduo, segundo o meu pensamento e parecer, pretendo me abrigar debaixo dessa promessa, ela não é para mim. As promessas dadas às pessoas, são para as pessoas; mas as promessas apresentadas à igreja, somente como igreja podemos obtê-las.

    Então, a promessa de que as portas do Hades não prevalecerão, é uma promessa feita à igreja, como igreja. Temos que ter consciência de igreja, quer dizer, que não é você sozinho, nem eu sozinho, nem a soma de dois sozinhos, mas sim Cristo entre os dois. "...se dois de vós concordarem na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á feito" (Mat. 18:19). Temos que nos pôr de acordo, e esse acordo é o próprio Senhor Jesus, porque ele é a nossa paz. Por isso as tábuas não têm a largura suficiente em si mesma; têm uma meia medida, nos mostrando que temos que estar em comunhão com o outro, para fazer a medida completa.

    Deus quer que estejamos em comunhão. Por isso, Eclesiastes 4 nos fala que "o cordão de três dobras não se rompe logo" (V. 12) e que "Melhor são dois do que um; porque têm melhor paga do seu trabalho" (V. 9).

    O irmão Watchman Nee nos recordava este principio naquela passagem onde diz que um perseguirá mil, e dois perseguirão a dez mil. Se eu, por meu lado, persigo mil, e ele, por seu lado, persegue mil, nos escapam oito mil. Mas se juntos perseguimos o inimigo, vencemos a dez mil! Não é um mais um. Não, aqui não é uma questão de somar.

    O irmão Nee também dava um exemplo: Se você tiver um copo, e esse copo se quebra em pedaços, e em cada pedacinho você coloca a máxima quantidade de água possível, ao juntar todos os pedacinhos, essa quantidade de água será pouca. Mas se todos eles formam um só copo, o copo pode conter mais água. Por isso, um perseguirá mil, mas dois não só a dois mil, mas sim a dez mil. "Porque onde estão dois ou três congregados em meu nome, ali estou eu...", diz o Senhor. Esse é o princípio da igreja.

    Verso 17: "Duas espigas terá cada tábua, para as unir uma com a outra; assim farás todas as tábuas do tabernáculo". Deus quer que as tábuas estejam unidas uma com a outra. Esses encaixes nos falam de como são unidas uma tábua com a outra. Cada tábua está sobre bases de prata, e se une mediante uma espiga, um entalhe, com a tábua que está a sua direita e com outra espiga que está a sua esquerda. As tábuas estão unidas uma com a outra. Somos uma mesma coisa - somos o seu Corpo.

    Continuemos lendo. Diz o verso 18: "Farás, pois, as tábuas do tabernáculo...". Teria que prepará-las; eram acácias. João Batista disse: "O machado já está posto sobre a raiz das árvores; portanto, toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo" (Luc. 3:9). Ou seja, que essas árvores representam os seres humanos, bem tortos, como as acácias. Mas diz: "Farás, pois, as tábuas para o tabernáculo...". Ou seja, evangelizarás às pessoas, as discipularás e, dessas acácias tortas, farás tábuas para o tabernáculo.

    E agora, diz o seguinte: "...vinte tábuas para o lado meridional, ao sul. E farás quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas; duas bases debaixo de uma tábua para as suas duas espigas, e duas bases debaixo de outra tábua para as suas duas espigas. E do outro lado do tabernáculo, do lado do norte, vinte tábuas, e as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma tábua, e duas bases debaixo da outra tábua". Já são quarenta tábuas e oitenta bases.

    A prata, na Bíblia, representa a redenção. O siclo do resgate, a moeda do templo, era de prata. Cada um devia pagar um siclo de prata por seu resgate. Quer dizer que a redenção é o preço que o Senhor pagou para nos recuperar, e está representada pela prata. Portanto, uma tábua sobre bases de prata quer dizer que são pessoas redimidas. E quando são duas bases, é confirmação, é segurança, é verdade: essas pessoas são salvas, e pertencem à casa de Deus.

    Em cada base, há uma espiga a sua direita, e uma espiga à esquerda. Isto quer dizer que temos que nos unir não só com os da direita, mas também com os da esquerda; com estes irmãos... e com aqueles irmãos. Naturalmente, nós, às vezes, temos preferências; mas na comunhão nunca devem prevalecer as preferências humanas.

    O ser humano, em si mesmo, tem simpatias e tem antipatias; mas, na casa de Deus, nem as simpatias, nem as antipatias devem ter lugar. Na casa de Deus, a inclusividade de Cristo: todos os que ele recebera são nossos irmãos. Nós não podemos escolher os irmãos; temos que aceitar os irmãos que o nosso Pai gerou. Não somos nós que dizemos quais irmãos nós gostamos; é Deus que diz quem são os nossos irmãos.

    Deus quer que tenhamos irmãos com narizes largos, que às vezes se metem onde as pessoas não querem, e também irmãos com narizes chatos... Deus gerou toda classe de filhos, e são nossos irmãos. Por isso, cada tábua deve estar disposta a ser unida com as demais tábuas, por um lado, e por outro lado.

    Eu sei que exercer a prática de estar unido com pessoas que nos são simpáticas, é fácil. Mas, em Cristo, devemos nos exercitar em ter comunhão com os irmãos que para a carne são antipáticos. É fácil abraçar os que nos agradam, mas devemos abraçar a todos, porque isto agrada a Deus; devemos ter como irmãos aos que Deus tem como filhos. A quem o Senhor recebeu, nós devemos recebê-los.

    A nossa receptividade com os filhos de Deus deve ser a mesma de Deus. A igreja não pode ser menor do que é. Tampouco pode ser maior. As tábuas têm que estar em bases de prata - têm que ser pessoas redimidas. Mas, todos os redimidos, todos os que o Seu sangue limpou, e os que o Seu Espírito regenerou, são nossos irmãos. Nosso coração deve alargar-se para que possa caber todos os que cabem no coração do Senhor.

    Deus ordenou vinte tábuas para o norte, vinte tábuas para o sul, seis para o ocidente e duas tábuas nas esquinas. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo...". Posterior, porque o Senhor começou no oriente, porque o sol sai no oriente. O lado posterior é no ocidente, porque o sol circula para o ocidente. "...farás seis tábuas. Farás também duas tábuas para as esquinas do tabernáculo nos dois cantos posteriores...".

    No oriente, Deus não colocou nenhuma tábua. No ocidente colocou seis, e na esquina entre o ocidente e o norte, e na outra esquina entre o ocidente e o sul, colocou uma tábua e outra tábua. As tábuas do norte e do sul têm esta direção, e as do ocidente esta outra direção; mas as tábuas das esquinas não têm nem uma nem a outra, mas sim são oblíquas, mas unem às duas. 20 + 20 + 6 + 1 + 1 = 48 tábuas.

    Deus escolheu que em sua casa houvesse quarenta e oito tábuas - o corpo de Cristo representado em quarenta e oito tábuas. 48 é o resultado da multiplicação de 6x8. O número 6 é o número do homem, criado no sexto dia. Mas o 8 é, depois do 7, um novo começo; representa a ressurreição. O homem foi feito no sexto dia. Depois da queda, converteu-se em um velho homem. Mas, ao ser redimido, ressuscitado juntamente com Cristo, é um novo homem. Portanto, as 48 tábuas representam o novo homem, que é o corpo de Cristo. (Ver Efésios 2:11-16).

    Vejamos por que no oriente não há nenhuma tábua: porque o Senhor é zeloso. Por um lado, ele disse: "Não terás deuses alheios diante de mim" (Ex. 20:3). E também o Senhor Jesus disse: "Nem sejais chamados mestres..." (Mat. 23:10). A palavra ali não é didaskalos como aparece em Efésios 4, que se traduz como mestres ou tutores. Em Mateus 23, onde a tradução Reina-Valera diz mestres, a palavra é cateketes, de onde deriva 'catequista', que significa modelo. Podemos ter irmãos que nos ensinem, mas não podemos tê-los como modelos.

    Muitos irmãos nos podem ensinar. Deus quer que na igreja ensinemo-nos uns aos outros, exortemo-nos uns aos outros, e que aquele que tem esse dom de ensinar, ensine. Pode ser um didaskalos, mas não um cateketes; não um mestre no sentido de modelo. A ninguém chameis mestre no sentido de modelo, ao qual se deva amoldar, porque só um é o seu cateketes, só um é o seu catequista, só um é o seu modelo, o Cristo.

    Por isso, no oriente não pode haver nenhuma tábua, porque não há outro mediador entre Deus e os homens. Todas as tábuas estão ao redor, todos juntos fazemos recepção ao Senhor, todos olhamos para o oriente. Orientamo-nos pelo oriente, e o Sol da justiça é o Filho de Deus. Sai pelo oriente, tem entrada direta, sem mediadores, no corpo de Cristo. Na porta do oriente, só podia entrar Deus. O príncipe entrava por um flanco. Hoje em dia, a porta do oriente está fechada. Ninguém pode entrar por ela, só o Messias.

    No lado da porta do oriente, há uma porta estreita por onde o príncipe - por representar autoridade - tem que passar com cuidado; porque pela porta do oriente só pode entrar o Senhor. Por isso diz: "Porque há ... um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1ª Tim. 2:5). "...ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo. 14:6).

    Todas as tábuas têm a mesma medida, e estão aos pés do Senhor, rodeando-O; mas ninguém pode ficar nesse lugar. O que se põe como cabeça, fica sem cabeça. "E também àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, tragam para cá, e decapitai-os diante de mim", diz o Senhor (Luc. 19:27). Todos os que se puserem por cabeça, ficarão sem cabeça.

    As tábuas de esquinas

    Vejamos outros detalhes destas tábuas que rodeiam ao Senhor. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo, ao ocidente, fará seis tábuas". Então, aqui são vinte; por este outro lado, vinte, e por lá, seis. Mas o número 20 é um número incompleto. Se fosse 21, ou seja, 3x7, então seria algo bonito. E se fosse 7... Deus completa a sua obra em sete, mas não em seis. Mas ele completa este seis, e completa estes vinte, colocando tábuas de esquinas.

    Note que, no povo de Deus, às vezes, uns filhos de Deus caminham numa direção. Por exemplo, os calvinistas têm uma direção, e os arminianos têm outra; às vezes os pentecostais têm uma direção e os não pentecostais tem outra. E, se continuarem assim, se chocam. Então, o Senhor tem que ter alguns filhos que são como catalisadores.

    Vocês sabem o que, na química, é um catalisador? Por exemplo, um elemento que, por si só, não se pode mesclar com outro elemento. Não se suportam, resistem-se; pode haver uma explosão. Mas, então, há um terceiro elemento que pode ter comunhão com este elemento e pode ter comunhão com aquele outro elemento, e assim permite que os outros dois elementos, que não podem se ver nem pintados, estejam juntos.

    Na casa de Deus é necessário essa classe de irmãos pacificadores, que procuram que os irmãos não caiam nos extremos, mas sim completem os vinte para que sejam vinte e um, e completem os seis para que sejam sete. As tábuas de esquinas! "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mat. 5:9). Na casa de Deus é necessário irmãos conciliadores, irmãos que procurem evitar os extremos, que procurem ver o lado bom de cada um e possam assim estar juntos.

    O 6 se completa por um lado: 7; pelo outro lado: 8. Números de Deus. E o 20 se completa com o 21. Às vezes, nós somos um pouco quadrados, às vezes não aceitamos outro tipo de pensamento que seja um pouco diferente do nosso e, se seguirmos nessa direção, vamos nos chocar constantemente com os nossos irmãos.

    Estamos analisando as coisas; não chegamos ao fim. Cada um tem o direito de procurar entender da melhor maneira possível, e pode contar aos outros o que parece estar vendo; mas nada disso é definitivo, nada disso é dogmático. Temos que seguir entendendo juntos, porque a palavra do Senhor diz "compreendendo com todos os santos" as riquezas de Cristo. O que me falta, você o tem; o que você não tem, outro o tem, e, entre todos, temos tudo.

    O corpo tem que ser como um grande pijama. Um irmão gordo tem que ter um pijama grande, porque se for pôr o pijama de um menino, não vai caber o pé. Necessita um que seja para ele. Assim também, o Senhor Jesus é muito grande, e a sua plenitude necessita um grande pijama, que é o corpo de Cristo. Nossa estreiteza denominacional ou de escola não permite que caiba a perna do Senhor. Ele tem que caber na plenitude dos irmãos.

    A inclusividade do corpo de Cristo significa, no mínimo, três coisas. Primeiro, o corpo deve receber tudo o que é de Cristo, todas as riquezas de Cristo. Pode ser que alguém não goste dessas línguas tão estranhas, que alguns interpretem; mas o Senhor deu o dom de línguas também. Então, todos os dons, todos os ministérios, toda a Palavra, todos os aspectos da Palavra; claro, cada coisa com a sua importância.

    Os instrumentos do ministério têm cada um, a sua importância. Há colheres pequenas, há garfos, há grelhas para assar carne... Não vamos pôr a colher no lugar da arca. Não, ela tem o seu lugar. É necessário pôr cada coisa em seu lugar, dar a cada coisa a sua medida: o que é primário, em primeiro; o que é secundário, em segundo, e o que é terciário, em terceiro. A palavra de Deus diz: Primeiro, segundo, terceiro. O Senhor diz o que é maior e o que é menor.

    Às vezes, irmãos, no povo de Deus, têm desordenado a hierarquia de valores. Então, os irmãos que tomam esta linha se chocam com aqueles que tomam aquela outra linha, e Deus tem que pôr amortecedores, nas esquinas e dizer: "Espere irmão. Sim, sim, é evidente que o irmão é pós-tribulacionista, ou pré, mas é irmão! É evidente que aquele duvida das línguas, e diz que isso era para o tempo dos apóstolos, mas é irmão!

    Há coisas que são primárias, que são maiores, que são mais importantes, que são camelos! E há coisas que são mosquitos. Quando temos a consciência distorcida, coamos o mosquito, e engolimos o camelo. Então, irmãos, necessitamos do corpo de Cristo - irmãos que nos ajudem a colocar a cada coisa no seu lugar.

    Às vezes, nós, que estamos entendendo a igreja, pomos o candeeiro no Lugar Santíssimo. E vem por aí alguém apresentando a outro Jesus. Mas, como diz que ele também entende a igreja, então, metemos na panela sapos e cobras. Vocês estão se dando conta, irmãos? Primeiro é a arca. Se não apresenta o mesmo Jesus dos apóstolos, Deus e Homem verdadeiro, o Filho de Deus... Isso é o que está em primeiro, a arca.

    A primeira coisa fundamental é o próprio Senhor. Deus trino. O Filho, Deus com o Pai, e Homem verdadeiro, tentado em tudo, semelhante a nós; no propiciatório, morto por nossos pecados, para que sejamos justificados pela fé. A essência do evangelho, o que primeiro Paulo pregou: que Cristo - a arca - morreu pelos nossos pecados. "...primeiramente lhes ensinei o que também recebi: Que Cristo morreu por nossos pecados, conforme às Escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, conforme às Escrituras" (1ª Cor. 15:3-4).

    Esse é o fundamento, é o principal. A isso se refere a arca, a isso se refere o propiciatório: à pessoa e obra do Senhor Jesus, a essência do evangelho, que é sobre o Filho, que morreu por nossos pecados. "Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro" (1ª Tim. 1:15). O primeiro é primeiro. Quando começamos a pôr ordem em nossa escala de valores, começamos a ver o precioso dos irmãos, e podemos passar por cima dos mosquitos.

    Necessitamos de tábuas de esquinas, irmãos que ajudem à pacificação, à reconciliação, a acalmar os ânimos; catalisadores, pacificadores.

    Os gonzos

    Êxodo 26:24: "...as quais - as tábuas - se unirão desde baixo...". Quer dizer, edifica-se de baixo para cima. "...e deste modo se juntarão por seu alto com um gonzo". O gonzo (argolas) está em cima, ou seja, que Deus exerce certa pressão para que mantenhamos o nosso lugar em conformidade com as demais tábuas. Não podemos ir para lá ou para cá; necessitamos uma pressão divina. É como se fosse outra espécie desses colchetes de ouro que sustentavam os tecidos do interior, e os colchetes de bronze que sustentavam a cobertura de pêlo de cabra.

    O amor de Cristo nos constrange, mas a disciplina está representada no bronze. Então, vemos também a mão corretora de Deus. E agora vemos também outra espécie de colchete, mas que é um gonzo. Que já não é para as cortinas, mas sim para as tábuas, para retê-las em seu posto, para que não se adiantem, nem se atrasem, nem se entortem para um lado nem para o outro.

    Por exemplo, uma vez, Paulo estava em uma cidade; foi-lhe aberta uma porta ali, mas não teve descanso em seu espírito, por não ter achado o seu irmão Tito. Há coisas que têm que ser feita com outros, e se não estiver o outro, a coisa fica torcida. Precisamos ter sensibilidade no espírito, para saber que devemos estar com um irmão. Às vezes, Pedro fala, e os Onze o respaldam; às vezes, João fala; às vezes, Paulo. Qualquer um que fale, os Onze estão detrás. Levantou-se Pedro com os Onze, ou seja, eles tinham consciência do corpo, consciência de colegiado.

    Iremos ver essa conscientização em Atos 1, do 15 em diante. Aqui estão os apóstolos no cenáculo, orando para que viesse o Espírito Santo. Eles são a igreja, eles são como o tabernáculo. E o dia de Pentecostes, a nuvem de glória vai descer sobre o tabernáculo e vai enchê-lo. Mas então, o tabernáculo tem que estar preparado. Mas por lá há algo que falta.

    Então diz: "Naqueles dias Pedro se levantou no meio dos irmãos (e os reunidos eram como cento e vinte em número) - como os cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas quando Salomão inaugurou o templo, quando foi colocada a arca no Santíssimo - e disse: Varões irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura em que o Espírito Santo falou antes por boca de Davi a respeito de Judas, que foi guia dos que prenderam a Jesus...". E olhem o verso 17, como fala Pedro: "...e era contado conosco, e tinha parte neste ministério...".

    Olhe a consciência de Pedro: eles contavam um com o outro. Não era André sozinho, não era Tiago sozinho, não era Pedro sozinho. Pedro contava com eles, e eles contavam um com o outro. Quando uma pessoa via a Pedro, lembrava-se que João estava associado a ele, e o completava, o protegia, o ajudava. E também se cuidavam mutuamente. Era consciência de colegiado, consciência de equipe.

    Em outro capítulo, diz que há diversidade de ministérios; cada qual tem o seu próprio serviço. Isso, por um lado. Mas, por outro lado, todos juntos têm o ministério da Palavra do Novo Pacto, do Espírito, da justificação, da reconciliação.

    Eles eram muitos, mas o Novo Pacto é um só, a Palavra é uma só, o Espírito é o mesmo, a justificação que todos anunciam é a mesma, a reconciliação que todos promovem é a mesma. Ou seja, que o ministério do Novo Testamento é um bolo completo. Mas Pedro tinha um pedaço, João outro, Tiago outro, André outro, Bartolomeu outro.

    Aí temos a plenitude de Cristo no corpo: tudo o que é de Cristo, em todos os irmãos, e cada irmão funcionando na plenitude da sua função. Mas as vezes, bem, como Saul, dizemos: "Ai! Este Davi! As pessoas estão dizendo que Davi matou dez mil e que Saul só mil. Vou cravar-lhe uma lança! Davi me incomoda".

    Mas, quando viu o corpo, você sabe que tudo o que tem de Cristo é só uma parte, e que necessita tudo o que todos têm de Cristo, para que, como igreja, tenhamos o pijama grande, para que o Senhor caiba. Porque se o Senhor vai pôr o seu pé neste meu pijama, não lhe basta. Ele é muito grande e muito rico; cabe a samaritana por aqui, Nicodemos também, e o zelote, e o publicano; todos cabem.

    "Judas", diz Pedro, "tinha parte neste ministério". Quando ele diz: "...este ministério", e em seguida diz no verso 23 da mesma maneira: "E assinalaram a dois: a José, chamado Barsabás, que tinha por apelido Justo, e a Matias. E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra qual destes dois escolheste, para que tome parte neste ministério e apostolado...". O ministério, o apostolado, é o bolo completo. E Judas tinha uma parte, da que caiu, e então a ocupou Matias.

    Mas, note a consciência colegiada que tinha Pedro: "...e era contado conosco, e tinha parte neste ministério". Olhe como também Paulo falava, em 2ª Coríntios 4:1. No capítulo 3, tinha falado já do ministério da justificação, e no capítulo 5, vai falar sobre o ministério da reconciliação. Esse, o ministério da justificação, o da reconciliação, o do Espírito, o da Palavra, o do Novo Pacto, é o bolo completo.

    "Pelo qual, tendo nós este ministério, segundo a misericórdia que recebemos, não desmaiamos". "Tendo nós este...". Não você, o teu e eu o meu, que, por um lado, também é certo, mas não o podemos levar ao extremo do individualismo. O seu pedaço e o meu pedaço, e o pedaço de todos, é este ministério que nós temos. Por isso, as tábuas têm que estar uma com a outra, unidas por encaixes, mas também por gonzos e por barras. E todas as barras têm a mesma direção, e todas mantêm ajustado e aperfeiçoado o mesmo tabernáculo.

    As barras

    Êxodo 26:26. "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas de um lado do tabernáculo". Ou seja que por aqui, pelo sul, operam os cinco ministérios. Também são de madeira de acácia; são seres humanos. Mas Deus as desenhou para que, em comunhão com as outras barras, mantenham estas tábuas em ordem. Ou seja, que há três maneiras de manter as tábuas em ordem: por baixo, através dos encaixes; por cima, através dos gonzos, e pelo meio, através das cinco barras.

    "E ele mesmo constituiu a uns, apóstolos...", que é a barra do meio, que vai de um extremo ao outro. Esses são os apóstolos. E há também profetas, evangelistas, pastores e mestres. Cinco barras, também de madeira; também terá que cobri-las de ouro, como as tábuas. Então, diz assim: "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas". As barras são para as tábuas: o ministério é para a edificação do corpo de Cristo, para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério.

    "...e cinco barras para as tábuas do outro lado do tabernáculo, e cinco barras para as tábuas do lado posterior do tabernáculo, ao ocidente". Pelo sul, estão os cinco ministérios, pelo norte também, pelo ocidente também. No oriente, está só o Senhor, porque o que orienta a todos é a Cabeça.

    Mas o Senhor quis que a sua Casa fosse aperfeiçoada, edificada, pelos ministros que ele deu à igreja. Então, diz no verso 28: "E a barra do meio passará pelo meio das tábuas, de um extremo ao outro". Das cinco barras, ressaltou esta, porque diz a Palavra: "...primeiramente apóstolos, em seguida profetas, em terceiro mestres, em seguida os que fazem milagres, depois os que curam, os que ajudam, os que administram..." (1ª Cor. 12:28).

    Verso 29: "E cobrirás de ouro as tábuas...". Terá que cobrir as tábuas com ouro e também as barras. Não temos que ver a tábua, só o ouro que a cobre. Revestidos de Cristo, escondidos nele. A barra não se vê, a tábua não se vê; se vê o ouro. Deus nos esconde, para que nós não apareçamos, mas sim apareça somente o ouro.

    "E cobrirá de ouro as tábuas, e farás suas argolas de ouro para colocar por eles as barras; também cobrirá de ouro as barras". Observem que diz que as tábuas têm suas argolas. A cada tábua correspondem cinco argolas de ouro. Claro que da madeira não brotam argolas; é do ouro que saem as argolas. E, para que são as argolas? Para colocar as barras por elas, quer dizer, para assentar, apoiar e sustentar o ministério.

    Cada tábua, junto com a que está ao lado e a do outro lado, todas as vinte daqui, recebem as cinco barras. Cada barra recebe a plenitude do ministério. Não há tábua que tenha uma só argola, ou só duas argolas; todas têm cinco argolas, porque o Senhor quer que recebamos todo o bolo.

    Os véus

    Verso 30: "E levantará o tabernáculo conforme o modelo que te foi mostrado no monte". Vamos nos deter nesta última frase. Não podemos edificar a igreja como imaginamos, conforme o nosso parecer - como faziam os israelitas no tempo dos Juizes, em que não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem lhe parecia. Devemos edificar a casa conforme o modelo.

    Se Deus foi tão minucioso com a tipologia, com Moisés, e Moisés foi fiel, fez todas as coisas como o Senhor lhe tinha mandado; então não podemos cooperar com a casa de Deus sem ter em conta o modelo de Deus. Se a tipologia foi minuciosa, e se encarregou com cuidado, quanto mais a realidade!

    Depois nos fala de dois véus. Agora vemos que essa casa tem várias instâncias: tem um átrio, um Lugar Santo e um Lugar Santíssimo. E há um véu para entrar, tanto para a casa em geral, como um véu para passar do Lugar Santo ao Santíssimo, e aqui se descrevem os dois véus.

    No átrio, se está em contato com o mundo. O mundo chega até o átrio. No átrio estavam aquelas cortinas de linho branco torcido. A Palavra diz que o linho fino são as ações justas dos santos, e as pessoas do mundo, quando olham para o tabernáculo, a única coisa que vê são as boas obras do povo de Deus. "...para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Eles não vêem a arca, não vêem nada lá dentro. O que o mundo vê por fora é o linho torcido, as boas obras de um povo zeloso de boas obras.

    Depois, passa-se do Santo ao Santíssimo. Aqui descreve primeiro o véu que está no interior. Este véu, esta porta, refere-se ao Senhor Jesus. Por meio do Senhor Jesus, saímos do mundo e entramos na casa de Deus. De perdidos, a salvos. Mas também os salvos têm que passar da vida natural para a vida no Espírito. Uma pessoa pode ser salva e não ser espiritual. Você se está perdido, será salvo, entrando pela primeira porta. E se for salvo, seja prudente e entre para a vida do Espírito.

    Ou seja, há um véu que nos faz passar da perdição para a salvação, e o outro véu que, para os salvos, os faz passar da vida natural para a vida no Espírito. Os dois véus são dois aspectos da porta que é Cristo. Cristo é o que nos salva, e também o que nos aperfeiçoa. Faz-nos salvos, e nos faz vencedores.

    "Também farás um véu de azul" - que se refere à divindade, ao celestial. João nos mostrou o Verbo de Deus como o Filho de Deus - púrpura - Mateus nos apresentou o Senhor como o Rei - carmesim - Lucas apresentou o Filho do Homem, em sua humanidade, como ele se encarnou para derramar o seu sangue - e linho torcido..." - Marcos o apresentou como o servo: a atividade, os milagres do Senhor Jesus. Aqui temos o testemunho dos quatro evangelistas a respeito de um só véu que é o Senhor Jesus.

    E diz: "...será feito de obra primorosa, com querubins...", porque aquela casa, o tabernáculo, está destinado à reunião com o céu. Anjos sobem e descem. Então, está este acampamento, que somos nós aqui, e está por aqui mesmo o outro acampamento. Quando Jacó saiu do seu acampamento, para dar uma volta pelo lado, Deus abriu-lhes os olhos, e viu o outro acampamento. E disse: "Este lugar será chamado Maanaim - Dois acampamentos".

    Mas também: "O anjo de Jeová acampa ao redor dos que o temem" (Sal. 34:7). Eliseu o via; Geazi, não. Mas Eliseu orou para que Deus abrisse os olhos de Geazi, para que ele visse os carros de fogo rodeando aquele acampamento. Por isso, por todo o templo, aparecem querubins: no véu, dentro e nas portas, porque esta casa é de reunião do céu com a terra, e estes seres angelicais são ministradores para os que hão de herdar a salvação.

    Verso 32: "...e o porás sobre quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro; seus colchetes serão de ouro, sobre bases de prata". Quatro colunas aparecem aqui; mais fora aparecem cinco. Agora, de dentro para fora, aparecem quatro. Por fora é mais largo, por dentro é mais estreito; na medida em que se avança, é mais estreito. Essas quatro colunas, que eram de madeira, representam a Humanidade, e estavam sobre bases de prata. Fora, estavam sobre bases de bronze; mas dentro, sobre bases de prata, porque há uma hierarquia. Bronze, prata e ouro. O ouro nos fala da natureza divina; a prata, da redenção, e o bronze, do juízo de Deus.

    "E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levará para dentro do véu a arca do testemunho; e este véu fará separação entre o lugar santo e o santíssimo" (V. 33). Deus quer marcar muito bem a separação entre o Lugar Santíssimo e o Lugar Santo. Por isso, em Hebreus diz que: "a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que toda espada de dois fios; e penetra até partir - separar - a alma e o espírito" (Heb. 4:12).

    Ou seja, que no Lugar Santíssimo está o Senhor, e se refere ao espírito. A alma é o Lugar Santo, e entre o espírito e a alma tem que haver uma separação. Quando estamos fora, não entendemos isto, mas quando vamos avançando mais, diz: "Isto, ainda é da sua alma; agora tem que passar da alma para o espírito".

    Diante do véu estava o altar de ouro, com um incensário. O altar de ouro estava no Lugar Santo, de frente ao véu do Santíssimo. Hebreus diz que o incensário pertencia ao Santíssimo, porque, embora estivesse no altar de ouro, começava o trabalho no Lugar Santo, começava o incenso a subir. O Lugar Santíssimo é o lugar próprio do incensário. Ele descansa no altar de ouro, no Santo, mas ali, apenas é aceso, em seguida no ministério, na liturgia sacerdotal, é conduzido pelo sacerdote do Santo ao Santíssimo.

    Às vezes começamos a orar, e estamos em nós mesmos tratando de invocar ao Senhor. Mas, com a ajuda do nosso Sumo sacerdote - porque não sabemos orar como convém - o seu Espírito nos ajuda e nos introduz no espírito. Começamos na carne, ou na alma, confundidos, não sabemos o que fazer; mas, à medida que oramos, com o socorro do Senhor, o incensário é deslocado do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo.

    Em Êxodo aparece o incensário no Santo, mas em Hebreus 9 aparece como se pertencesse ao Santíssimo, porque realmente pertence aos dois. O sacerdote, no Santo, acende-o e o introduz. Quer dizer que nós somos transladados de nós mesmos, de nossa alma, dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, através do véu rasgado, através da morte juntamente com Cristo, para a vida no espírito, para a revelação.

    "E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levarás para dentro do véu a arca do testemunho...". A arca tem que ser entronizada. Primeiro temos um conhecimento exterior do Senhor. Como diz, antes conhecemos o Senhor segundo a carne; mas agora já não lhe conhecemos assim, agora temos o testemunho em nós mesmos. A arca é introduzida no Santíssimo, Cristo é formado em nós, conhecemos o Senhor por revelação. No princípio não é assim. Estamos no natural, e somos transladados para o espiritual.

    Outros detalhes do tabernáculo

    "Porás o propiciatório sobre o arca do testemunho no lugar santíssimo" (v.34). O sangue, que era derramada no átrio, deve ser introduzido no Lugar Santíssimo. Do objetivo, do histórico, tem que passar à experiência espiritual subjetiva. A pessoa tem que estar na presença do próprio Senhor, apresentando o sangue do Cordeiro, e ter em seu espírito o testemunho de que é um filho de Deus. "O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito, de que somos filhos de Deus" (Rom. 8:16).

    O sangue de Jesus Cristo nos limpa de toda a má consciência. A consciência é uma função do nosso espírito. A Bíblia diz, mas também o Espírito diz ao nosso espírito. E o sangue foi introduzido do altar de bronze do átrio até o mais íntimo da casa de Deus - o Lugar Santíssimo, o nosso espírito.

    "E porás a mesa fora do véu, e o candeeiro em frente da mesa do lado sul do tabernáculo...". Uma vez que temos a prioridade com Cristo, a respeito de quem é a doutrina dos apóstolos, então vem a comunhão uns com outros e o partir do pão; temos a mesa e o candeeiro, e depois vêm as orações.

    Em Atos 2 diz: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos...", que é a respeito de Jesus Cristo. Não cessavam de ensinar e de pregar a Jesus Cristo; não pregavam a si mesmos, mas sim a Jesus Cristo como Senhor. Primeiro Cristo, a arca, morto por nossos pecados. Aí está a arca. "...na comunhão uns com os outros, no partir do pão...". Essas duas coisas estavam uma frente à outra, equivalentes, uma ao norte e outra ao sul. A mesa dos pães da proposição e o candeeiro. E por último diz: "E perseveravam ... nas orações". Ou seja, no incensário, a mesa do altar de ouro, onde o incenso era preparado, era aceso e era introduzido.

    "Farás para a porta do tabernáculo uma cortina de azul, púrpura, carmesim e linho torcido, obra de bordador" (V. 36). Esse é também o Senhor Jesus, e o bordador é o Pai, que faz a obra primorosa através do Senhor Jesus.

    "E farás para a cortina cinco colunas de madeira de acácia, as quais cobrirás de ouro, com os seus colchetes de ouro; e fundirás cinco bases de bronze para elas" (V. 37). O véu interior, que separa o Lugar Santo do Santíssimo, tinha quatro colunas. Portanto, entre a coluna 1 e 2 há um espaço, entre a coluna 2 e 3 há outro espaço, e entre a coluna 3 e 4, outro espaço. São quatro colunas, que fazem três seções, porque a casa de Deus é a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Portanto, esse véu contém a divindade completa, a Trindade.

    Jesus disse: "O Pai que mora em mim" (João 14:10). Mas também Pedro diz que o Filho de Deus foi um varão cheio do Espírito Santo. Portanto, o véu cobre uma Trindade, porque o Pai está no Filho, e o Espírito Santo também ungiu ao Filho com poder, e fez maravilhas.

    A seção do meio, entre a segunda e a terceira coluna, era onde estava aberto o véu. Entrava-se pelo espaço do meio, porque não foi o Pai nem o Espírito Santo quem morreu por nós, mas sim o Senhor Jesus. Quando o Filho de Deus morreu, a seção do meio do véu foi rasgada.

    Mas agora, a porta de fora tem cinco colunas, ou seja, quatro espaços. Quer dizer, agora nós temos que caber também aí. O número 5 é o número da graça e o 4 é o número da criação. Se aqui tem quatro e aí cinco, fora é mais largo e dentro é mais estreito. "Segui o caminho estreito". Cada vez que avançamos, faz-se mais estreito, até que não caiba senão somente o Senhor Jesus.

    (Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).

  • UMA CASA PARA DEUS / 3

    A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.

    Uma Casa para Deus
    (3ª Parte)

    Gino Iafrancesco

    Pontos de referência no desenvolvimento do propósito de Deus

    Ao longo da Palavra do Senhor, aparecem certos pontos chaves de referência no desenvolvimento do propósito de Deus. O primeiro é Adão e Eva. Aqui Deus revela coisas fundamentais. Depois, no tempo de Abraão, de Isaque e de Jacó, temos outro ponto importante: Deus diz ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

    Nesses tempos tinha Ninrode, tinha Hamurabi e outros personagens, mas Deus disse ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A intervenção de Deus nas vidas desses patriarcas se constituiu em outro ponto importante de referência na obra continuada de Deus. Depois veio Moisés, e Deus começou a trabalhar com o povo de Israel, e deu a Lei. Então apareceu um novo ponto de referência na obra de Deus. Sempre temos que voltar para o ponto de Adão, ao ponto dos patriarcas e também ao ponto da Lei.

    Depois apareceu outro importante ponto de referência na história sagrada: Davi. Com ele, Deus abriu uma nova etapa no avanço de sua obra. Os reis seguintes, Deus os media por Davi. Todos estes pontos de referência vão desenvolvendo o propósito de Deus. Desde o primeiro, já se projeta o propósito.

    Nos estudos anteriores temos recordado superficialmente algumas dessas coisas. Agora queríamos nos deter um pouco na casa de Deus nos tempos de Davi e de Salomão. É um novo ponto de referência, e em cada novo ponto de referência, Deus acrescenta detalhes à revelação. Ele fala da mesma coisa, mas acrescenta a revelação.

    Todo o Antigo Testamento é uma preparação para o Novo. Lembremos que Deus diz que o que é relativo ao mistério do Novo Testamento pode ser visto com a ajuda das Escrituras dos profetas (Rom. 16:25-26). De maneira que não só estamos lendo a história sagrada. Deus está falando coisas espirituais; estas coisas são figuras das coisas espirituais. Assim que devemos ler do véu para dentro.

    A casa de Deus nos tempos de Davi e Salomão

    Primeiro, vamos abrir a palavra do Senhor no primeiro livro de Crônicas. No capítulo 17 temos um momento chave na história da revelação. Davi estava interessado em uma casa para Deus, e imaginava que poderia ser de cedro. Mas Deus - como também depois Salomão entendeu - não habita em templos feitos por mãos humanas. Deus tem sim no seu coração ter uma casa. Nesta passagem, ele fala da "minha casa". Mas não seria Davi o que a edificaria.

    Já em outra passagem, Deus lhe diz: "Tu tens derramado muito sangue; tu não me edificará casa. Mas o seu filho, ele me edificará casa". Então veio Salomão, um dos filhos de Davi, e segundo os planos que recebeu de Davi, seu pai, e que Davi recebeu de Deus, Salomão edificou o templo, o famoso templo de Jerusalém.

    Esta história é contada duas vezes na Bíblia: no livro dos Reis e no de Crônicas. Na primeira, a ênfase está em Salomão e sua casa; mas, na segunda, a ênfase está no Messias e a igreja. De maneira que Salomão, como filho de Davi, edificando o templo material para Deus, é figura do verdadeiro Filho de Davi, que é o Senhor Jesus, o verdadeiro Rei da paz, o qual edificaria casa para Deus. "Seu filho me edificará casa ... e firmarei o seu trono eternamente".

    É claro que o trono de Salomão não foi eterno, porque Salomão era só uma figura. O verdadeiro Filho de Davi é o Senhor Jesus. Não que o outro fosse falso; era apenas uma figura. Portanto, o Senhor Jesus tem uma encomenda de Deus - edificar casa a seu Pai. Então, a verdadeira casa de Deus, que o verdadeiro Filho de Davi edifica, é a igreja, é o corpo de Cristo.

    Assim, como vimos a edificação da igreja no tabernáculo, temos que ver também a edificação da igreja no templo. "Porque vós sois o templo do Deus vivente" (2ª Cor. 6:16). O Novo Testamento nos fala de sermos edificados como um templo santo, para morada de Deus no espírito, como a igreja, o corpo único de Cristo, a soma de todos os filhos de Deus de hoje, de ontem e de sempre. Somos o templo de Deus.

    Olhemos, então, no livro de Crônicas algumas palavras importantes. Primeiro, olhemos um pouco no 22 e depois no 28.

    "Depois mandou Davi que se reunisse os estrangeiros que havia na terra de Israel, e encarregou de entre eles pedreiros que lavrassem pedras para edificar a casa de Deus" (1 Crônicas 22:2). Deus usa estrangeiros para lavrar, para tratar com as pedras. "Deste modo preparou Davi muito ferro para os pregos das portas, e para as junturas; e muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (22:3). Muita cruz; muita disciplina, não é verdade?

    Leiamos em Colossenses 1:24, mas voltaremos para cá outra vez. "Agora me regozijo no que padeço por vós...". Não, não era que Paulo era masoquista; ele não se regozijava por causa das dores, mas sim porque essas dores serviam para outros. "...e cumpro na minha carne o que falta das aflições de Cristo por seu corpo, que é a igreja".

    Não entenda mal este verso; não diz que a Cristo faltam aflições, mas sim a Paulo faltava participar das aflições de Cristo um pouco mais. Cristo consumou a sua obra; mas nos concedeu não somente crer nele, mas também sofrer por ele.

    "...da qual fui feito ministro..." (Col. 1:25). Paulo era ministro do corpo, ministro da igreja. Não era o funcionário de alguma organização menor que o corpo; ele era um membro vivo do corpo vivo de Cristo, ele funcionava no corpo e para o corpo.

    Então, voltemos para Crônicas: "...muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (1 Cr. 22:3). Estas coisas não se devem contar, porque os sidônios e tírios haviam trazido para Davi abundância de madeira de cedro. "E disse Davi: Salomão meu filho é moço e de tenra idade, e a casa que se há de edificar ao Senhor há de ser magnífica por excelência - a igreja gloriosa - para renome e honra em todas as terras; agora, pois, eu lhe prepararei o necessário" (V. 5).

    Aqui, Davi está tipificando a Cristo em sua primeira vinda, preparando o necessário, para que Cristo em sua segunda vinda possa ser recebido pela igreja. Salomão é o filho de Davi que mostra o trabalho de Cristo ascendido, edificando a sua casa, para apresentar-se a si mesmo uma igreja, uma igreja santa e gloriosa, sem mancha e sem ruga. Devemos deixar que sejamos apresentados como uma igreja santa. Não estorvemos a unidade da igreja.

    Agora, vamos ao capítulo 28 para ver algumas expressões chaves ali. Disse Davi a Salomão: "Olhe, pois, agora, que o Senhor te escolheu para que edifique casa para o santuário; esforça-te, e faça-a. E Davi deu a Salomão seu filho o plano do pórtico do templo e suas casas, suas tesourarias, seus aposentos, suas câmaras e a casa do propiciatório.

    Deste modo o plano de todas as coisas que tinha em mente para os átrios da casa do Senhor, para todas as câmaras ao redor, para as tesourarias da casa de Deus, e para as tesourarias das coisas santificadas. Também para os grupos dos sacerdotes e dos levita - ou seja, da casa passa para o sacerdócio -, para toda - olhe esta expressão - a obra do ministério da casa do Senhor" (vers. 10 a 13).

    Essa expressão não é só do Novo Testamento; já está preparada no Antigo: Os obreiros edificando o corpo de Cristo com todos os santos, que estão tipificados no levantamento do templo de Deus e no erguimento do tabernáculo. E essa expressão - a obra do ministério da casa de Deus - que era o trabalho no tabernáculo e no templo, é também hoje o trabalho de todos os santos, ajudados, aperfeiçoados, pelos obreiros de Deus.

    Então, segue dizendo: "...e para todos os utensílios do ministério da casa do Senhor". Tenhamos presente o plano. Davi falou do plano da casa, do plano das tesourarias, das câmaras; inclusive dos instrumentos.

    Agora, saltamos uns versos, e vamos ler o 19. "Todas estas coisas, disse Davi, foram-me traçadas pela mão do Senhor, que me fez entender todas as obras do desenho". Assim que isto não foi somente uma ocorrência de Davi. Sim, Davi queria fazer casa para Deus, e Deus lhe explicou: "Davi, tu tens derramado muito sangue. Você não me edificará casa, mas o seu filho, ele me edificará casa". E então Deus revelou a Davi o desenho da casa, o plano detalhado em todas as coisas. E Davi passou a Salomão seu filho todo o plano, para que fizesse as coisas conforme o desenho que ele tinha recebido de Deus. Da mesma forma Deus está por trás deste desenho, assim como esteve por trás do desenho do tabernáculo.

    De maneira que se o tabernáculo é figura do verdadeiro tabernáculo, e o templo é figura do verdadeiro templo, devemos pôr a nossa atenção no desenho do templo, porque Deus está nos falando do mistério de Cristo, a igreja, através do tabernáculo e através do templo.

    Deus começa com algo singelo, com os traços mestres, e em seguida vai adicionando detalhes. Assim é que Deus atua. Em Gênesis 1:26, ele diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...". E os fez homem e mulher. No segundo capítulo, torna a falar da feitura do homem, mas acrescentando detalhes. É como um desenhista que primeiro traça as linhas principais, e depois, ao redor delas, põe os músculos, os nervos, a pele.

    Do mesmo modo, por exemplo, a Daniel, permitiu-lhe interpretar o sonho de Nabucodonosor, onde aparece a história da humanidade de forma ampla; mas em seguida, nas seguintes profecias fala do mesmo, mas acrescentando cada vez mais detalhes. Quando chega à última visão de Daniel, abrange três capítulos, e o que havia dito no sonho de Nabucodonosor e na visão dos capítulos 7, 8 e 9, agora está cheia de detalhes.

    Deus começa com a idéia principal: "Lhe edificarei uma mulher". Em seguida aparece Bet-el, a pedra, a unção, a libação; em seguida o tabernáculo, e depois o templo. Deus está falando durante toda a Bíblia da mesma coisa, porque toda a Bíblia fala do mistério de Cristo e a igreja. O mistério de Cristo é a chave de toda a Bíblia.

    Então, vejamos agora no livro de Reis a edificação do templo por Salomão. Mas não leremos somente arquitetura ou engenharia civil, mas sim o mistério de Cristo, porque o verdadeiro Filho de Davi está edificando o verdadeiro templo que é o corpo de Cristo. Ele é o arquiteto, e os ministros de Deus são também como peritos arquitetos que têm que interpretar o plano para a edificação. Paulo dizia: "...eu como perito arquiteto pus o fundamento..." (1ª Cor. 3:10).

    Esse é o trabalho do ministério do corpo de Cristo - interpretar os planos do arquiteto.

    A edificação do templo

    No capítulo 6 encontramos uma passagem que a Sociedade Bíblica titulou "Salomão edifica o templo". Ou seja, este é uma figura do Senhor Jesus edificando o corpo de Cristo. Vocês se lembram daquela passagem em Efésios onde fala da altura, a largura, a profundidade, o comprimento de Cristo? Bom, vamos começar ler algo a respeito disso aqui. Salomão edifica o templo - o filho de Davi edifica a casa de Deus.

    Vamos revisar do verso 1 ao 14. O Espírito Santo pode falar a você coisas que eu não vou dizer aqui. Você, depois, complementará, elaborará e enriquecerá isso.

    Fixemo-nos em algo: Do verso 1, já aparece um mistério. "No ano quatrocentos e oitenta depois que os filhos de Israel saíram do Egito...". Quando você faz uma cronologia absoluta da Bíblia, seguindo os anos que aparecem nela, notará que entre a saída do Egito e a edificação do templo por Salomão há muito mais do que quatrocentos e oitenta anos. Mas, se a toda essa quantidade de anos você lhe subtrai os anos em que eles estiveram sob governos alheios - por exemplo, quando estiveram debaixo dos midianitas ou outros gentios - ao subtrair esses anos perdidos, obterá exatamente quatrocentos e oitenta anos.

    Isto quer dizer que, para Deus, os anos perdidos não contam. Nós temos uma conta no céu. Paulo falava aos filipenses de que o que eles tinham feito estava registrado nos céus: "...busco fruto que abunde em sua conta" (Flp. 4:17). Alguns de vocês têm conta nos bancos, mas todos vocês têm conta nos céus, e essa conta está sendo engrossada. Mas o tempo perdido, o que ocupamos em outras coisas, quando não andamos no Senhor e no que é seu, não se conta. Não importa se os anos reais foram como seiscentos e trinta e tantos; para Deus, só foram quatrocentos e oitenta, porque enquanto eles estavam sob outros 'senhores', Deus não quer nem contar.

    O tempo que tem significado para Deus é este: quatrocentos e oitenta anos. E torna outra vez a aparecer o 48 por 10. Ontem estudávamos o 48, que era o número da casa. Agora, aqui aparece no tempo por 10 = 480. Muitas coisas que no tabernáculo são 1, no templo são 10. No tabernáculo é um castiçal; no templo são dez. Quer dizer que Deus quer a multiplicação do castiçal por toda a terra. No tabernáculo eram 48, no templo, 480.

    E diz: "...depois que os filhos de Israel saíram do Egito, o quarto ano do princípio do reino de Salomão sobre Israel...". O quarto ano. Note que primeiro é a cabeça; primeiro é Deus. Primeiro é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Também, quando foram cruzar o Jordão, depois de três dias, ou seja, no quarto dia. Isso quer dizer que, depois da cabeça, é o quarto. Depois dos três anos, em que se caracterizou quem é Salomão, porque ele é a cabeça de Israel, então chegou a hora de edificar. Primeiro, a cabeça, em seguida o corpo.

    "...no mês de Zif...", que é o segundo mês. Também o tabernáculo se edificou no segundo mês. O primeiro ano começou com o mês da páscoa. Tudo começa com a páscoa, tudo começa com o Senhor Jesus, sua morte por nós, sua ressurreição e sua ascensão. Então vem o Espírito, e começa a igreja. Não pode começar a casa no primeiro ano e no primeiro mês. No segundo mês começou a edificar a casa do Senhor.

    A casa que o rei Salomão edificou ao Senhor tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura. É como um retângulo, mas elevado, não plano. Esta é a casa de Deus. A igreja tem que ser cheia das medidas de Cristo. A Bíblia nos fala das medidas de Cristo. E esta é a casa de Deus. Deus está nos revelando algo com essas medidas.

    Em primeiro lugar, fala-nos do comprido: sessenta côvados. Aqui voltamos a ver a inclusividade do coração de Deus. Sessenta vem de seis por dez. Já sabemos que o número 6 é o número do homem. E o 10, o número da generalidade. Deus quer uma casa que tenha sessenta côvados de comprimento, ou seja, que incorpore toda classe de seres humanos. O mesmo se vê no tabernáculo: Deus quer uma casa com pessoas de toda tribo, língua, nação, e classe social. Nenhuma igreja poderá ser edificada para o Senhor com exclusões.

    Deus não exclui raças, não exclui classes sociais, nem analfabetos, nem eruditos. Paulo diz que o Senhor escolheu o vil, o menosprezado, o que não é. "Pois olhem, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres..." (1ª Cor. 1:26). Sim, pode haver algum, mas a maioria não é nobre. É normal existirem sangue azul e sangue vermelho na casa de Deus.

    Não podemos diminuir a casa, não podemos fazer igrejas de brancos onde não entram os negros, ou de negros, onde não entram os brancos. Não podemos fazer igrejas de ricos. Há pessoas que gostam de ir aos bairros dos ricos, porque lá andam de braços dados com o prefeito, com fulano e com cicrano, e não querem andar de braços dados com os do bairro mais pobre.

    A igreja abrange a todos os que o Senhor chama, a todos os que ele gerou. Essa é a medida de Deus; não podemos ter outra medida. Cada irmão tem que sentir-se cômodo na igreja, não importa que seja pobre, não importa que seja analfabeto, não importa a sua raça, a sua classe. O Senhor o escolheu, e esse é o comprimento da casa de Deus.

    A largura da casa

    Agora, a casa de Deus também tem largura. Mas é curioso que a largura é apenas um terço do comprido. É um retângulo. O comprido são sessenta; a largura, somente vinte, a terça parte. Neste ponto, discutem os calvinistas e os arminianos: Os calvinistas dizem que a expiação é limitada, ou seja, que o Senhor só morreu por alguns. E os universalistas dizem que morreu por todos. Aqui vemos este retângulo. Depois, haverá outro retângulo menor. Mas este primeiro retângulo nos ajuda a entender essa complicação.

    Vamos ao livro de Zacarias, olhar ali uma expressão importante. Zacarias 13:8-9 diz: "E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas terceiras partes serão cortadas nela, e se perderão; mas a terceira ficará nela. E colocarei no fogo à terceira parte, e os fundirei como se funde a prata, e os provarei como se prova o ouro. Ele - ou seja, este um terço do povo - invocará o meu nome, e eu lhe ouvirei, e direi: É meu povo; e ele dirá: O Senhor é meu Deus".

    Notemos que o Senhor diz claramente nessa profecia que dois terços se perderão; mas um terço passará pelo fogo, e ficará sendo o povo de Deus. Agora, o apóstolo João diz muito claramente: "Cristo ... é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1ª João 2:2). Ou seja, o sacrifício de Cristo tem a capacidade de salvar toda pessoa humana que possa existir. Se alguém não se salvar, não é porque o Senhor não quer, mas porque eles não querem, porque eles resistem, porque eles não recebem. Por isso se perdem.

    Deus "...quer que todos os homens sejam salvos" (1ª Tim. 2:4). Deus não quer que ninguém pereça. Deus quer que todos venham ao arrependimento. Mas se Deus quer que todos se salvem, por que nem todos se salvam? Não é porque Deus não queira; é porque o homem não quer. A luz veio ao mundo, mas "os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3:19), e esta é a condenação.

    De maneira que a casa de Deus tem forma de retângulo. Deus quer pessoas de toda tribo, língua, nação, sexo, e classe social; no entanto, nem todos serão salvos, somente aqueles que crêem. Então, a população mundial se reduz a um terço. Acaso não foi um terço que se rebelou? Deus tinha muitos anjos, mas a terça parte foi com Satanás. Então, Deus reservou esse outro terço para a sua glória, para a sua casa.

    Deus quer que todos sejam salvos. A expiação é universal, a intenção de Deus é sincera; ele quer a salvação de todos, mas na prática, é limitada, porque serão para os que crêem, os que estão em Cristo, e em Cristo são escolhidos.

    Por isso vemos um retângulo aqui. Embora o comprimento seja sessenta côvados, a largura é somente vinte, a terça parte. Se analisarmos a humanidade, hoje em dia, um terço pelo menos diz ser cristão, e outros dois terços dizem ser ou muçulmanos, ou budistas, ou hinduistas, ou animistas, ou qualquer outro 'ismo' diferente ao cristianismo.

    Uma igreja madura

    Voltemos para 1 Reis 6. "...e trinta côvados de altura" (V. 2). Vocês sabem o que quer dizer o número 30? Na Bíblia, é o número da maioridade. Hoje em dia, na Colômbia, os moços que têm dezoito anos, votam. Aos dezoito anos, são considerados maiores de idade. Claro que ainda não se mantêm, ainda não sustenta a sua esposa nem os seus filhos.

    A Bíblia considerava que a maioridade era aos trinta, não aos dezoito. Por isso o Senhor Jesus esperou até os trinta. Também os levita, aos vinte e cinco anos começavam a aproximar-se do tabernáculo, mas apenas aos trinta exerciam em plena atividade.

    E o que Deus quer quando diz que a sua casa tenha trinta côvados de altura? Quer dizer que a igreja está destinada à estatura da plenitude de Cristo. Deus não quer uma igreja de meninos; ele quer uma igreja madura. Como Cristo iria se casar com uma menina? Tem que casar-se com uma igreja madura.

    Deus quer uma igreja madura. A igreja deve evangelizar, deve lembrar-se dos homens; mas, depois de salvá-los, tem que discipulá-los, alimentá-los, instruí-los, ensiná-los, reuní-los como igreja, apresentá-los ao Senhor como igreja.

    Deus quer que venham à epignosis, ao pleno conhecimento da verdade. Ou seja, cresçam a uma posição em que possam compreender todo o conselho de Deus, a totalidade da Palavra, a palavra de Deus cumprida.

    Trinta côvados - a estatura da plenitude de Cristo. Uma igreja de salvos e maduros. Uma igreja de salvos discipulados, conduzidos à plenitude. Essas são as medidas que Deus disse: sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.

    Os vencedores

    Agora vamos ver a outra parte do retângulo. Verso 3: "E o pórtico diante do templo da casa...". Quando diz a casa, abrange o átrio, o lugar santo e o santíssimo. O templo da casa, o santuário, é o santo e o santíssimo. A casa em geral inclui o átrio. O pórtico do templo da casa não é o pórtico de fora, não é para que os perdidos se salvem, mas sim os salvos vençam. É outro retângulo.

    Deus quer que todos se salvem, mas só se salvam os que crêem. E quer que todos os que crêem sejam vencedores, mas somente será a metade. Eram dez virgens esperando o marido, as dez tinham azeite na lâmpada, mas só a metade tinha azeite na vasilha além da lâmpada.

    Então diz aqui: "E o pórtico diante do templo da casa tinha vinte côvados de comprimento ao largo da casa...". Ou seja, antes era sessenta de comprimento e vinte de largura. O vinte são os realmente crentes. Agora, este outro pórtico é outro retângulo de vinte côvados, o mesmo que tem ao largo da casa. Ou seja, abrange a todos os crentes.

    "...ao largo diante da casa era de dez côvados", ou seja, a metade. Podem notar? O Senhor morreu por todos, mas só se salvam um terço. Agora, Deus quer que todos os salvos sejam vencedores, mas somente a metade é prudente.

    Os outros são salvos, esperam o marido, têm azeite na lâmpada, e a lâmpada do Senhor é o espírito do homem. Se tiverem azeite na lâmpada, o seu espírito é regenerado, mas não têm azeite também na vasilha, não permitiram que a vida do Senhor passe para as suas almas - pensem conforme Cristo, tenham o sentir de Cristo, e a vontade renovada, e sigam a Cristo.

    Muitas virgens salvas são insensatas; só a metade é prudente, e fez que passasse o azeite da lâmpada para a vasilha, do espírito para a alma. Por isso aparece outro retângulo aqui. Vinte de largura, como o da casa - são os salvos. Mas só dez de comprimento - a metade.

    A necessidade de revelação

    "E fez à casa janelas largas por dentro e estreita por fora" (V. 4). Aqui vemos o mesmo princípio das peles de texugos no tabernáculo. Por fora, via-se como um grande ratão; por dentro estava a glória. Os de fora não viam. A Bíblia diz: "...aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). O homem natural não percebe as coisas que são do Espírito de Deus, e não pode entendê-las, mas o espiritual discerne todas as coisas.

    Por isso diz aqui que a casa tinha janelas largas por dentro e estreita por fora. Ou seja, quem está dentro pode ver tudo o que passa fora; mas o que está fora não pode ver bem o que há dentro.

    Assim é a casa de Deus. As coisas de Deus só se podem ver por revelação de Deus, de dentro para fora. Mas o homem natural, fora, não pode. Entender as coisas de Deus não é questão de capacidade. Os que estão dentro têm discernimento; os que estão fora não podem ver nem entrar.

    Os diáconos, bispos e obreiros

    "Edificou também junto ao muro da casa aposentos ao redor, contra as paredes da casa ao redor do templo e do lugar santíssimo; e fez câmaras laterais ao redor. O aposento de baixo era de cinco côvados de largura, o do meio de seis côvados de largura, e o terceiro de sete côvados de largura; porque por fora tinha feito pilastras de reforço para a casa ao redor, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (vers. 5-6).

    Deus não quer deixar à casa abandonada a si mesma; ele a rodeia de câmaras laterais. É o mesmo princípio que vimos no tabernáculo. Estavam todas as tábuas ao redor, mas o Senhor quis pôr cinco barras, para que essas barras protegessem e mantivessem as tábuas retas; a casa foi reforçada e guardada, nenhuma tábua se soltou, e fora mantida em seu lugar.

    Assim também, o Senhor mostrou a Davi e a Salomão que ele quer que a sua casa esteja rodeada por câmaras. Nessas câmaras se guardavam os tesouros; ali os sacerdotes se vestiam e se despiam, saíam de um estado comum e vestiam as vestimentas sacerdotais. Também na casa de Deus temos o diaconato, o bispado e o apostolado.

    Deus quer que a casa esteja resguardada, protegida, pelos diáconos, que têm que servir às necessidades dos santos, e pelos anciões. São necessários os presbíteros, que são os próprios bispos. Na Bíblia, bispos, pastores, presbíteros, intercambiam-se.

    Quando Paulo escreve a Tito começa lhe falando de que o tinha deixado em Creta para que corrigisse o que estava deficiente e estabelecesse presbíteros em cada igreja local. E em seguida diz: "Porque é necessário que o bispo...". Ele vem falando dos anciões. Primeiro começa a falar de como deve ser o caráter de cada um deles, mas agora já não lhe chama ancião, mas sim bispo, "...que for irrepreensível, marido de uma só mulher...".

    Bispos e anciões, na Bíblia, é a mesma coisa. Na igreja dos filipenses, estavam os santos com os bispos e diáconos. Desta maneira é a casa de Deus. No entanto, a igreja e os anciões não estão isolados. A igreja local não está isolada. Ela é parte da igreja universal, está em comunhão com outras igrejas, e a obra do Senhor está nas mãos dos obreiros, que trabalham a um nível mais universal que local.

    Os anciões cuidam da igreja em sua localidade, mas os obreiros edificam o corpo de Cristo universalmente. Portanto, Deus quer que os anciões tenham comunhão com os apóstolos. Por isso dizem os apóstolos: "...isso lhes anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco"- Esse 'nós' é a equipe dos obreiros, os apóstolos- e nossa comunhão - porque eles não estão isolados, têm uma comunhão- verdadeiramente é com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo" (1ª João 1:3). Por isso existe a comunhão apostólica, ou seja, a comunhão dos apóstolos entre si, e das igrejas com os apóstolos, e dos apóstolos com as igrejas.

    Então, diz Paulo a Timóteo: "Contra um ancião, não admita acusação, a não ser com duas ou três testemunhas. Aos que persistem em pecar, repreende-os diante de todos, para que os outros também temam" (1ª Tim. 5:19-20). Ou seja, que os obreiros fazem uma auditoria dos anciões que eles estabeleceram da parte de Deus. Deus os estabeleceu, mas usou a eles para fazê-lo, de maneira que os anciões estão sob a supervisão dos obreiros que os estabeleceram. Eles governam na igreja, mas na obra governam os obreiros. Os obreiros fundam uma igreja e estabelecem os anciões; mas, se os anciões se comportarem mal, então não se pode admitir acusação sem testemunhas contra um ancião.

    Os obreiros não podem se meter na jurisdição de outros, onde outros trabalharam. Isso cabe aos que trabalharam ali, os que evangelizaram, os que discipularam, os que edificaram. Os que instruíram à igreja, os que ensinaram, corrigem as coisas que faltam, nomeiam os anciões. Eles é que são apropriados para ouvir os problemas que às vezes causam os anciões.

    Então, em cima da segunda câmara, há uma terceira. A primeira câmara, que é o diaconato, tem cinco côvados de largura; mas a de cima é um pouco mais larga, tem mais responsabilidade, abrange mais, porque na igreja, os anciões governam os diáconos, e não os diáconos aos anciões. Então, sobre a segunda câmara, de seis côvados, Deus colocou uma terceira câmara de sete côvados. Portanto, os diáconos, os anciões, os obreiros, cuidam da igreja; rodeiam-na como as barras no tabernáculo.

    O diaconato está no primeiro lugar abaixo, mas há uma escada em forma de caracol que sobe do primeiro piso, dando voltas e voltas. A escada não é direta. Passa por uma prova, passa outra vez por aqui, um pouco mais alto, e quando foi aprovado, pode passar para o segundo lugar, ao segundo piso, e do segundo pode passar para o terceiro.

    Por exemplo, o irmão José, na igreja em Jerusalém, era um homem que servia, que ajudava e consolava os irmãos. E os apóstolos trocaram o nome dele por Barnabé, que quer dizer 'filho da consolação'. O irmão Barnabé começou a ser uma pessoa de confiança na igreja, e quando houve uma necessidade, então o enviaram para ver como estavam as coisas lá em Antioquia.

    Quando ele chegou a Antioquia, não era apóstolo, mas sim um colaborador dos apóstolos. E ele chegou e viu ali a graça de Deus. Ele não viu os problemas. E como era um homem bom, animou-os para que continuassem. Era alguém de confiança. Chegou a ser profeta e mestre, até que ficou em Antioquia, e chamou a outro jovem, outro irmão, que tinha sido problemático. Era Saulo.

    Mas Saulo também subiu a escada, e chegou a ser profeta e mestre, como outros irmãos. Em Antioquia havia profetas e mestres, mas não havia apóstolos. Mas, em determinado momento, o Espírito Santo dirigiu a outros irmãos: "apartem-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os chamei" (At. 13:2), e aí subiram a escada até o terceiro piso, até a câmara de sete côvados de largura. Foi ampliada a responsabilidade.

    Do capítulo 14, fala-se dos apóstolos Barnabé e Paulo. Mas não começaram por cima; começaram dentro da casa de Deus. Há irmãos que se caracterizam porque estão sempre servindo. "Então, vamos pô-los a prova - diz Paulo - para ver se podem ser diáconos". Ou seja, que já atuam como diáconos, sem serem. Quando passarem na prova, serão diáconos em atividade. Agora passam a servir a casa, rodeando a casa, primeiramente nos assuntos materiais, administrativos. Não se metem com doutrinas, claro, mas têm que guardar o mistério da fé e outras coisas.

    E entre esses irmãos, temos, por exemplo, a Estevão, que era diácono. Ele chegou a ser um homem de Deus, que não servia somente à igreja, mas também muito mais. Estevão ensinava, testificava, e foi o primeiro mártir da igreja. E também Felipe, que chegou a ser evangelista, ou seja, passando do primeiro piso para o segundo, não como hierarquia, mas sim como serviço, porque a responsabilidade na casa de Deus é para encarregar-se de maiores problemas.

    Cada vez que sobe, a responsabilidade é maior, os problemas são mais difíceis, assuntos que ninguém quer tocar. Mas são necessárias todas essas câmaras laterais ao redor da casa, para cuidá-la. E essa escada é em caracol, ou seja, que a pessoa passa e passa pelo mesmo lugar, mas cada vez um pouco mais. Não tem acontecido assim com você? A escada na casa de Deus é em caracol, repetindo e repetindo, para ir avançando.

    Sem acumular peso para a casa

    Seguimos em 1 Reis 6: "...por fora, havia pilastras de reforço ao redor da casa, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (V. 6). Olhem o cuidado do Senhor. Deus não quer que essas câmaras - esses diáconos, anciões e obreiros - não pesem sobre as paredes da casa. As vigas não é para pôr em cima da parede, mas sim nestas pilastras de reforço que eram feitas, para que não pesem demasiadamente.

    Vamos ver essas pilastras de reforço em 1ª Pedro 5:1-3: "Rogo aos anciões que estão entre vós, eu também ancião com eles - porque tinha subido do segundo para o terceiro piso -, e testemunha dos padecimentos de Cristo, que sou também participante da glória que será revelada: Apascentem o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando dele, não por força, mas sim voluntariamente; não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade; não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho".

    "...não por força...". Se for por força, pressionará demasiadamente. Os santos sentem que as pessoas estão fazendo as coisas por obrigação. 'Ai, porque acontece isto comigo. Por que você não prega, eu estou muito cansado?'. Se for por força, faz pressão sobre as paredes da casa, faz pressão sobre os santos. Onde está a pilastra de reforço, essa coluninha que terá que ser posta? Aí diz: "...voluntariamente...". A primeira pilastra é voluntariedade. Não por força, mas sim voluntariamente.

    Segundo "Não". "...não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade...". Hoje em dia é tão comum exaurir as ovelhas, é tão comum que uma pessoa comece a pregar sobre o dízimo e a prosperidade somente para encher os seus bolsos, fazendo dos santos uma mercadoria, como os fariseus que como pretexto faziam largas orações, mas tinham o olho na casa da viúva. 'Ah este irmão é rico, este pode ofertar bastante. Irmão, venha, sente-se aqui na tribuna'. Mas Tiago diz: 'Irmão, não façam acepção de pessoas na igreja'.

    "...não por ganho desonesto...". Essa viga não pode ser posta na parede, terá que pôr uma coluna, uma saliente aqui: "...de boa vontade...", voluntariedade.

    Mas são três pisos. E o outro é: "...não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho". Então aí você vê que as paredes da casa não estão suportando muito peso. Não há um senhorio exagerado, não estão exaurindo os santos, não estão fazendo as coisas por profissão, mas sim por amor, voluntariamente, de boa vontade, sendo exemplos para o rebanho. As câmaras laterais eram para guardar a casa em vez de sobrecarregá-la.

    Preparados nas pedreiras

    Verso 7: "E quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas, de tal maneira que quando a edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem qualquer outro instrumento de ferro". Assim como o ouro significa a natureza divina; a prata, a redenção; o bronze, a disciplina de Deus, o ferro significa a autoridade. (Apoc. 2:26-27). No entanto, quando se edificava a casa, as pedras já vinham preparadas. As pedras eram preparadas nas pedreiras.

    Há irmãos que estão nas pedreiras, sendo preparados. Alguns estão sofrendo marteladas. Lá sim se ouve a martelada. Essas pedreiras têm pessoas registradas como pessoas jurídicas, têm placas com nomes e tudo, e são filhos de Deus. São as pedras de Deus, e eles devem ser um só templo para Deus.

    Claro, as pedras são tiradas das pedreiras. Graças a Deus que há pedreiras, e as pessoas estão sendo salvas. Mas, o que vamos fazer com as pedras se for um montão de pedras na frente do terreno de cada um. Deus não pode viver aí. Como ele vai viver se pusermos um montão de pedras para cá e outro montão lá. Cada pedra tem que ser tratada e preparada na pedreira. E quando o Senhor traz, pode ser encaixado com os seus irmãos, porque se não encaixar, volta para a pedreira, para receber martelo, para receber cinzel.

    E quando já estiver preparado, então já pode ter comunhão com os seus irmãos, agora não é necessário que ouçam machadadas nem marteladas, como diz o verso 7: "...e quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas". Quando se encontram uns irmãos com outros, parece que era como já se conhecessem, como estando falando as mesmas coisas, a mesma linguagem. Estamos no mesmo Espírito.

    Mas se você se encontra com alguém, e ele diz: 'Eh, irmão, mas as irmãs aí usam a saia até aqui...'. Ou: 'Não puseram gravata para pregar'. Bom, que passem outros meses na pedreira, até que não mais se incomode que os irmãos não usem gravata. "...acabadas, de tal maneira...". Ou seja, de tal maneira já estavam acabadas, "...que quando as edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem nenhum outro instrumento de ferro". Era tudo tão suave, tão agradável.

    "Lavrou, pois, a casa - Lavrou, isso é à custa de golpes, não? - e a terminou; e a cobriu com artesanatos de cedro". Coberta de cedro; a cruz de cedro a cobria. Depois punha ouro, e no ouro punham palmeiras. De todas as maneiras, as pedras não eram vistas. Cada irmão por trás da cruz, negando-se a si mesmo, não fazendo as coisas por si mesmo. Caso contrário, retorna para a pedreira.

    "Edificou deste modo o aposento ao redor de toda a casa, da altura de cinco côvados - Graça. Cinco côvados, tudo é graça - o qual se apoiava na casa com madeiras de cedro". Mas, como se apoiava na casa? Naquelas pilastras de reforço, naquelas colunas.

    O objetivo é a Presença

    No verso 11, diz: "E veio a palavra do Senhor a Salomão dizendo: Com relação a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos e executares os meus decretos, e guardar todos os meus mandamentos andando neles, eu cumprirei contigo a minha palavra que falei com Davi seu pai; e habitarei nela...".

    O objetivo da casa é a presença. O que caracterizou os grandes avivamentos é a presença do Senhor. Edifica-se o tabernáculo para que a nuvem o encha; edifica-se a casa para que a nuvem a encha. Deus quer um lugar na terra para poder manifestar a sua presença. A terra está cheia da sua glória, mas não lhe conhecem. Ele quer que seja cheia do conhecimento da sua glória. E a glória de Deus quer encher a igreja. Para isso se edifica a casa: para a glória, para a presença.

    "...e não deixarei o meu povo de Israel. Assim Salomão edificou a casa e a terminou".

    (Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).

  • A IDENTIDADE DO TESTEMUNHO DA IGREJA

    Si este archivo adjunto contiene imágenes, no se mostrarán. Descargar el archivo adjunto original
    A IDENTIDADE DO TESTEMUNHO DA IGREJA

    Gino Iafrancesco Villegas

    Oremos:

    “Senhor, obrigado Pai pelo Senhor Jesus, obrigado Pai em nome do Senhor Jesus, obrigado Senhor pelo teu Espírito, pela tua fidelidade, pela tua bondade, pela tua presença, pela tua realidade, obrigado Pai; confiamos integralmente nosso ser ao Senhor; guarda-nos de nós mesmos e do inimigo; na tua confiança em Cristo Jesus. Amém”

    A NOSSA HERANÇA

    Irmãos, tenho para compartilhar com a Igreja aqui em Almirante Tamadaré, algo que o Senhor em várias ocasiões e em vários lugares me coloca para compartilhar com diversas igrejas. Isto que vou falar com os irmãos é algo que tenho falado também em outros lugares. Quem sabe algumas coisas vocês já conhecem, possivelmente tudo, mas é a carga do Espírito lembrar aos irmãos alguns pontos essenciais.

    A carga do meu coração para com a Igreja hoje aqui é para que o Espírito Santo possa nos dar discernimento da identidade de nosso testemunho. Nós, a Igreja, somos um testemunho do Senhor na terra, e o Senhor tem encomendado à Igreja, somente à Igreja, certas “coisas”, e vou falar “coisas” entre aspas porque é claro que o que o Senhor deu é muito mais do que “coisas”, Ele mesmo se deu, mas para resumir vamos usar uma palavra fácil.

    Às vezes com muita facilidade nós nos perdemos pelos ramos, ficamos pela periferia; às vezes damos voltas pela periferia sem discernir as prioridades e sem discernir o conteúdo que nos foi confiado. Então gostaria de chamar a atenção para alguns itens deste conteúdo que o Senhor deu à Igreja. Como estávamos cantando, “é a nossa posse, é a nossa herança”, é algo que somente nós, a Igreja, temos. É algo que é particular dos cristãos, particular da Igreja, você não encontra isso nem se quer nos monoteísmos judaico ou islâmico. Somente que, o que vamos lembrar e tomar consciência de novo, é algo próprio da nossa identidade cristã, e se encontra somente na Igreja. Não se encontra nem mesmo na academia ou na ciência, a menos que entre eles existam alguns irmãos, mas não quanto a acadêmicos, não quanto a cientistas, mas quanto a irmãos, a academia pode ter algumas destas coisas que vamos estar lembrando.

    OS FILHOS NOVOS

    Vamos imaginar que estamos abrindo um livro e que chegamos àquela página inicial onde aparece o conteúdo, o índice, onde aparecem mencionados os títulos dos capítulos. Se você quer ter uma idéia do que trata o livro, você lê o conteúdo e então tem uma idéia do que trata este livro, qual é o tema do livro. Isso é o que vamos fazer hoje à noite. Vamos somente dar uma olhada panorâmica; vamos com a ajuda do Senhor identificar alguns itens de suprema importância para a Igreja, os quais foram confiados à Igreja, são nosso tesouro, têm que ser nossa riqueza constante e nosso testemunho.

    Como o Senhor constantemente está recebendo filhos, e a mãe Igreja, como Paulo diz em Gálatas, está também tendo seus filhos para o Senhor, então a Igreja precisa estar alimentando bem aos filhos novos. Eles precisam conhecer quais são os “assuntos”, e vou falar entre aspas, porque não são só “assuntos” fundamentais. Cada um destes itens que vamos mencionar tem sido terrivelmente atacado pelo diabo. O diabo procura no máximo possível evitar que essas “coisas” sejam claras para a Igreja. Ele procura por todos os lados nos confundir, introduzir heresias, confusões, nos afastar do central e nos levar pelas periferias e pelos ramos. Então irmãos, gostaria que tomássemos nota em nosso coração para não esquecermos algumas “coisas” que gostaria de mencionar.

    A TRINDADE

    A primeira palavra que devemos tomar em conta, a primeira “coisa”, e não é “coisa”, que foi confiada à Igreja, a qual é o maior tesouro da Igreja e que é também o maior espetáculo, porque existem alguns espetáculos, e o maior espetáculo que sempre seguirá sendo por toda a eternidade é a própria Trindade. O próprio Deus que se revelou a nós como um Deus que é trino. Um Deus que é Pai, Filho que também é Deus com o Pai, e o Espírito Santo que é o Espírito do próprio Deus, que também é divino. ¿Como Deus poderia ter um Espírito que não fosse divino? Que fosse uma meia “coisa” ou “coisa”? Todo o Deus é divino, o Pai, o Filho e o Espírito Santo de Deus são o único Deus, mas este Deus se revelou trino à Igreja. Só a Igreja conhece a Deus em Trindade.

    O diabo procurou combater isto introduzindo, desde o começo da história da Igreja, heresias para confundi-la, para que ela não conhecesse a Deus e a Cristo. Se a Igreja não conhece a Cristo, não conhece Deus. Se a Igreja não recebe a Cristo, não recebe a Deus. Se não honra ao Filho não honra ao Pai. Irmãos, essa é a grande tragédia daqueles outros monoteísmos que não são o monoteísmo da Igreja. A grande tragédia do judaísmo que rejeitou ao Messias Jesus Cristo, a grande tragédia do islã que ama ao único Deus, que eles chamam Alá, e querem dar a vida por ele. Muitos estão se suicidando com bombas em uma guerra santa por motivos religiosos. Eles estão fazendo isso pensando que o fazem por Deus. Que coisa triste é isso, mas é verdadeira e tem que ser dita. Quem não recebe ao Filho, não recebe ao Pai; quem não tem o Filho, não tem tampouco o Pai; quem não honra ao Filho, não honra ao Pai.

    O único monoteísmo verdadeiro é o monoteísmo do cristianismo. É o monoteísmo, usando esta palavra da história da Igreja, trinitário. Esse é o maior espetáculo; não existe maior foco para nos concentrar e que nos atrai do que o próprio Deus. O assunto da Trindade não é somente um assunto teológico para os seminaristas ou quem sabe para os pastores ou alguns mestres. Deus se revelou trino à Igreja e isso é para toda ela. A Igreja conhece a Deus pelo Espírito e por Cristo. Graças ao Espírito conhecemos a Cristo e graças a Cristo conhecemos a Deus nosso Pai.

    A primeira “coisa” importante que foi revelada à Igreja, foi o próprio Deus. A criação, e ainda a redenção, foram reveladas somente por causa de Deus. Primeiramente estava o Pai e o Filho com o Espírito Santo; e foi por causa deste relacionamento interno da Trindade que veio a existir a criação e a redenção. A criação e a redenção têm origem e têm um destino que é a Trindade. A Trindade abrange tudo, é o “Alfa” e o “Omega”, tudo está nela. Foi porque o Pai amou o Filho e então quis dar-lhe um presente é que criou no Filho e com o Filho. Com Ele planejou e criou, nEle e para Ele; o Pai fez tudo no Filho. Esse é um assunto entre o Pai e o Filho. A criação, a redenção e o evangelho é um assunto entre o Pai e o Filho. É o Pai que ama o Filho e quer fazer-Lo marido de uma mulher, de uma esposa mística, a Igreja. Quer casá-Lo, quer que Ele seja o Cabeça de todas as coisas, de todo principado e potestade, e de todo varão, mas principalmente da Igreja. Ele quer casar Seu Filho com a Igreja; quer que Seu Filho Unigênito seja o Primogênito entre muitos irmãos. Todas as coisas foram feitas por causa deste relacionamento íntimo de Deus, o Pai com o Filho no Espírito Santo.

    O RELACIONAMENTO NA TRINDADE

    Irmãos, vamos continuar martelando mais neste ponto. Depois, se Deus nos conceder, passaremos para outros pontos; vamos nos deter um pouco mais aqui. O fato de que Deus tem um Filho Unigênito Eterno com Ele no Seu seio desde a eternidade e que Deus delegue a Ele o que delegou, isso nos fala muito de Deus. Conhecemos a Deus por causa do Filho; Deus tem um Filho e aí vemos a essência e natureza de Deus que é amor. Conhecemos a Deus, a Sua essência e a Sua natureza, porque Deus tem um Filho e agradou ao Pai que no Filho habitasse toda a plenitude; isso nos revela Deus. Se Deus não tivesse um Filho, se o Deus único não tivesse um Filho igual a Ele mesmo, ¿seria que Deus é amor? Mas o Deus único, centro legítimo de todas as coisas, princípio e fim de tudo, um Deus que é amor, diz que tem um Filho. Tudo o que Deus faz, o faz por causa da paixão que tem pelo Filho. É um Deus que não faz nada sem o Filho.

    Deste relacionamento interno da Trindade resulta o modelo e a dinâmica para as famílias, para a Igreja e para a sociedade, se receberem a Cristo e ao testemunho da Igreja. Este assunto da Trindade não é somente teológico, mas é extremamente prático; é sociológico e psicológico. Da Trindade vem a realização de todas as coisas; todas as coisas se realizam na Trindade, pela Trindade, diante dela e para ela. O “assunto” da Trindade é uma grande prioridade que a Igreja tem que ter e nunca deve esquece-la.

    O CONHECIMENTO DA TRINDADE

    Quanto temos que aprender a ver com olhos espirituais este espetáculo. Que o nosso espírito possa ver o espetáculo da Trindade. Não estou falando somente da doutrina intelectual da Trindade, ainda que precisamos do intelecto, pois Deus nos deu e precisamos dele, mas estou falando de uma percepção espiritual da Trindade. É do relacionamento do Pai com o Filho que o Espírito Santo nos faz conhecer e perceber a Trindade. Na medida em que vamos percebendo, vamos sendo conquistados, vamos cedendo a Ele e a essa visão dEle. O Pai vai transferindo o que é dEle a nosso ser e vamos sendo transformados na medida em que conhecemos a Deus na Sua Trindade.

    Quantas coisas o Pai poderia ter feito sozinho, mas Ele nunca quis. Nada do que foi feito foi feito sem o Filho. Antes de fazer, diz Provérbios capítulo 8, a Sabedoria de Deus, que é Cristo conforme primeira aos Coríntios 1:24, estava como o Seu Arquiteto. O Filho é o Arquiteto do Pai. Um arquiteto trabalha em comum acordo e segundo os interesses, a personalidade, o caráter e os objetivos do dono do que ele está fazendo. O Pai quer construir uma casa e o Arquiteto tem que conhecer o que Pai quer. Eles conversam e dizem: ‘Vamos fazer isso aqui, vamos colocar isso ali, vamos levantar isso assim’.

    Irmãos, olhem para o caráter de Deus, que é onipotente, que sabe tudo, que não precisa de nada, e é um Deus que compartilha a criatividade e não quer fazer nada sozinho. Os que são casados vão me entender, especialmente os que viajam. Quando saímos de viajem e vemos uma paisagem formosa, a primeira coisa que pensamos é: ‘Ah se ela estivesse comigo para que eu pudesse mostrar tudo isso a ela, para que ela se alegrasse comigo e para que eu desfrutasse com ela desta paisagem. Olhe que mar tão lindo! Olhe que montanhas e bosques!’ Queremos sempre compartilhar. Quando Deus falou: “não é bom que o homem esteja só”, não falou somente do homem Adão que era a figura daquele que viria. Em Romanos 5 fala sobre isso e em segunda aos Coríntios fala de Eva tipificando a Igreja. Paulo disse que não queria que assim como Eva foi enganada pela serpente a Igreja fosse também enganada. Ele estava comparando Eva com a Igreja e Adão com Cristo.

    A TRINDADE NA CRIAÇÃO

    Assim, essa Palavra: “não é bom que o homem fique só”, nasce do caráter de Deus; e por causa do Seu caráter Ele tomou essa determinação; esse foi o juízo de Deus, a Sua sentença: “Não é bom que o homem esteja só”; estar só é algo egoísta, é algo sem sentido. Deus é amor, e o que é bom e Aquele que é amor, compartilha o que é bom. Então Ele disse: “façamos uma ajudadora idônea para ele”; aqui Deus não estava falando somente de Adão e Eva; claro que também estava falando deles, mas estava falando mais. Adão e Eva são uma figura e também são pessoas históricas reais que servem de figura assim como Abraão, Sara, Agar, Ismael, Isaac que são personagens da história mas que servem de alegoria. Assim Adão é o primeiro homem histórico e Eva a primeira mulher histórica e por detrás destas pessoas históricas Deus está projetando revelação. Ele constituiu estas pessoas históricas, Adão e Eva, como figuras; por isso Ele disse: “Deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne.” “Mas eu digo isto”, disse Paulo, “de Cristo e a Igreja”, ou seja, o matrimonio é uma figura mística do mistério de Cristo e a Igreja; O que expressa Cristo e a Igreja? Expressa o caráter de Deus, Ele é amor.

    “Não é bom que homem esteja só”; assim como Deus, que é suficiente em si mesmo, que é amor, não ficou tranqüilo se não criasse. Se Ele tivesse criado somente até certo nível, não ficaria tranqüilo. Assim Ele tomou a decisão, o Pai o Filho e o Espírito Santo juntos: “Façamos o homem a nossa imagem e nossa semelhança”. Vamos fazer uma criatura que não fique pela metade, nem noventa porcento, mas vamos fazer uma criatura que seja como nós. Assim foi sempre, o Pai com o Filho, e continua sendo com o homem, com a Igreja; esse é o caráter de Deus. Quando vemos a relação do Pai com o Filho no Espírito, daí provem toda classe divina de inspiração e de realização.

    Ele é o Seu Arquiteto diante de Deus; “comigo são suas delícias” disse a Sabedoria de Deus que é Cristo, o Filho, o Verbo de Deus. Ele é a Palavra que expressa Deus. Cada palavra expressa uma coisa; microfone expressa isso; flor expressa isso; Bíblia expressa isso; mesa expressa isso; mas o Verbo de Deus é a Palavra que expressa e define claramente a Deus. É o Verbo de Deus que é a Palavra que expressa o auto-conhecimento e a Revelação de Deus. Ele sempre está com Deus como o Unigênito dEle.

    A VIDA NA TRINDADE

    Como o Pai tem vida em si mesmo deu ao Filho também ter vida em si mesmo. Assim os dois têm vida em si mesmos, ou seja, a vida divina, a vida em si, a vida eterna, a vida que vem de si mesmo. Nós todos temos a vida que vem dEle. Nossa vida é contingente e depende dEle, mas a vida dEle é auto-suficiente, é vida em si mesma, a vida divina.

    A essência de Deus que o Pai tem, Ele quis que o Filho também tivesse, mas não quis no tempo, pois isto foi uma decisão na eternidade. Então o Filho tem a mesma essência do Pai; é tão divino quanto o Pai somente que é Unigênito e o Pai é Ingênito. O Pai gerou o Filho mas não no tempo, porque o Filho é Sua imagem com a qual Ele se conhece, e pela qual Ele se revela. A imagem do Deus invisível é o Filho, e o Pai é o Deus invisível.

    A imagem pela qual Ele se revela, porque primeiro se conhece para depois se revelar, é o Seu Filho. A imagem é o Filho. Ele tem vida em si mesmo dada, e o Pai tem vida em si mesmo sem que ninguém dê. Ninguém deu vida em si mesmo ao Pai, mas o Filho tem a mesma vida, essência e natureza do Pai, somente que dada pelo Pai, e por isso Ele é chamado de Unigênito.

    O Pai deu vida em si mesmo, deu a arquitetura, deu a criação, e esta é a característica do amor: delegação, participação e comunhão, que é querer fazer com o outro, envolver o outro e interessar-se pelo outro.

    O COMPARTILHAR NA TRINDADE

    O Filho foi “contratado” como Arquiteto pelo Pai; Ele poderia fazer tudo sozinho, mas não quis fazer nada sem o Filho; tudo Ele faz pelo Filho. O Pai não precisa de anjos para nos cuidar, mas os anjos cuidam dos Seus santos; é do caráter de Deus. Um Deus que compartilha, que dá, que é solidário, que delega, que gosta da participação do outro, que gosta da realização e do gozo do outro. Conhecemos isso ao ver o Pai e o Filho.

    Vida em si mesmo, arquitetura, revelação de Deus também foi delegada ao Filho, que é o resplendor da glória do Pai. Ninguém pode ver o Pai diretamente senão através do Filho. O Pai é chamado o Deus invisível, mas se faz declarado através do Filho. Todas as aparições teofánicas parciais de Deus na história bíblica foram através do Filho que é o Revelador de Deus. A revelação foi delegada ao Filho; não há revelação de Deus sem o Filho, assim como não há criação de Deus sem Ele; não há planificação sem o Filho; não há amor de Deus sem o Filho.

    A DELEGAÇÃO NA TRINIDADE

    Há outra coisa grande que o Pai delegou ao Filho. Que coisa! Que confiança imensa! O Pai conhecia o Filho e ninguém sabia do que Ele era capaz. Mas o Pai conhecia o Filho e sabia do que Ele era capaz. O Pai que criou com Seu Filho sabia da rebelião, da queda, da miséria e do mal que viriam. Ainda assim o Pai delegou ao Seu Filho três coisas mais: redenção, juízo e reino.

    O Pai delegou ao Filho a redenção. Que coisa terrível, pois, exigia a santidade, a justiça e a glória de Deus depois do pecado do homem. Quem faria isso? O Pai sabia quem era Seu Filho, quem faria isso e quem seria tão leal para dar a vida por Deus e pelo povo de Deus.

    O sacrifício de Cristo tem dois aspectos: o aspecto de holocausto que é só para Deus, para vindicar a Sua glória, a Sua santidade, a Sua justiça que foi ferida, blasfemada e ofendida pelo homem; e a outra parte, a qual nós precisamos, que é a expiação. A expiação é para nós, e o holocausto é para Deus.

    Deus tinha que ser satisfeito e nós tínhamos que ser remidos. E a quem confiou o Pai isso? Ao Filho. O Pai permitiu tudo para mostrar o Seu Filho; isso é uma coisa que o Pai gosta. Como o Pai ama o Filho, Ele sabe o que o Pai quer fazer. O Pai quer revelar o Seu Filho e quer mostrar quem Ele é. Tudo o que o Pai permitiu tinha como objetivo mostrar quem é Seu Filho. O deleite do Pai é o Filho e Ele quer compartilhar esse deleite que tem no Filho.

    O Pai quer que nós também conheçamos Seu Filho e ao conhece-Lo verdadeiramente vamos querer de todo coração ser como Ele; vamos querer nos colocar nas mão de Deus para que Ele possa trabalhar em nós e nos faça semelhante a Seu Filho. Este será o maior gozo do Pai, ver Seu Filho sendo formado e aparecendo em outras pessoas, filhos dos quais Seu Filho é o Primogênito.

    A REDENÇÃO, JUIZO E REINO NA TRINDADE

    Irmãos, a redenção abriu o coração de Deus e mostrou o conhecimento que o Pai tem do Filho. Este plano de redenção executado pelo Filho, que foi provado em tudo porque Ele não foi eximido da provação, é uma coisa muito grande. O Filho não foi eximido da prova mas foi provado diante dos anjos e dos homens.

    Todos nós muitas vezes temos perdido a provação e temos sido reprovados. Mas graças a Deus que aquele Filho Unigênito de Deus que se fez Filho do Homem, que foi provado em tudo conforme a nossa semelhança, foi aprovado.

    A vida pública, e antes a privada, foram declaradas agradáveis a Deus por Ele próprio publicamente. Da vida privada, que ninguém conhecia, no momento do batismo Deus disse: “Este é meu Filho amado em quem tenho prazer”. Ninguém conhecia essa vida privada, só o Pai. Antes do ministério público o Pai declarou que tinha contentamento naquele Seu Filho. A vida privada foi vivida para agradar a Deus. Ninguém estava entendendo o que estava acontecendo, só Deus. Deus estava entendendo a vida privada e por isso deixou duas testemunhas no Novo Testamento, irmãos dEle: Tiago e Judas Tadeu. Estes irmãos de Jesus O chamam de “Kurios”, de Senhor. Eles aplicam palavras a seu irmão Jesus que só podem ser aplicadas a Deus. Pedro, Tiago, o outro Tiago mais velho, de Zebedeu, e João foram testemunhas do ministério público e viram a Sua glória na Sua transfiguração no monte Tabor. Mas Tiago e Judas Tadeu foram testemunhas de outra coisa, foram testemunhas da vida privada de seu irmão.

    Quando lemos a epistola de Tiago que diz: “Senhor Jesus Cristo”, para nós, depois de vinte e um séculos de cristianismo, pode não significar muito; mas ele, sendo Seu irmão na carne, chama-Lo de Senhor!, isso só se fala a Deus. Por isso Deus escolheu estas duas testemunhas no Novo Testamento. O Pai delegou a redenção ao Filho e Ele deu testemunho de uma vida irrepreensível.

    Depois delegou o juízo, e foi por isso que o Senhor Jesus disse: “O meu Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo juízo porque Ele é o Filho do Homem”. O Pai se absteve de julgar e preferiu confiar o juízo ao Seu Filho. Mas o Filho não julga por si mesmo senão que ouve ao Pai. Vemos nós aí este relacionamento formoso? Vemos que não existe outro espetáculo maior, outro assunto maior que a Trindade, que o relacionamento do Pai e o Filho no Espírito Santo. O Juiz que Deus constituiu para julgar a todos os homens e as demais criaturas, é o Seu Filho.

    Também delegou ao Filho o Reino, assentou o Filho à Sua destra, e é através dEle que conhecemos a Deus. Tudo isso, vida em si mesmo, arquitetura, criação, revelação, redenção, juízo e Reino, que são sete assuntos, mostram o que o Pai deu ao Filho.

    A IMPORTÂNCIA DA TRINDADE

    O Pai quis ter um Filho; isso nos mostra como Deus é e como o Filho é. Do mesmo jeito que o Pai é com o Filho, o Filho é com a Igreja. Assim como o Pai deu ao Filho, o Filho deu à Igreja. Assim como o Pai quer fazer tudo com o Filho, o Filho quer fazer tudo com a Igreja. O Pai delega glória ao Filho e o Filho diz, “A glória que me deste eu dei a eles”. Assim como o Pai passa para o Filho e o Filho passa para a Igreja, a Igreja passa para os maridos, os maridos passam para suas esposas, os pais passam para os filhos, as famílias passam para a sociedade; é um rio de vida, de inspiração e de realização que vem da Trindade.

    Irmãos, vendo a Igreja a importância deste “item” fundamental, que é o próprio Deus, não pode haver outra coisa anterior a ele. Nada mais pode ter o primeiro lugar. Este primeiro “item”, Trindade, a Igreja precisa conhecer, a divindade do Filho, a eternidade do Filho, a coexistência eterna do Filho com o Pai, a co-inerência das divinas pessoas e o que é distintivo de cada pessoa na Trindade.

    Só estou falando isso, o primeiro “item”, para que a Igreja celebre. Voltemos aqui e coloquemos aqui de novo o enfoque, nesta relação interna de Deus o Pai o Filho e Espírito Santo.

    O ASSUNTO CENTRAL: A TRINDADE

    Irmãos, quando o Espírito Santo começou a trabalhar na Igreja, quando lemos a história da Igreja podemos ver qual era a Sua tônica. Qual era o “assunto” ao qual o Espírito Santo estava conduzindo a Igreja nos primeiros séculos. Ele queria abrir os olhos da Igreja sobre quem é Jesus Cristo, que relação tem o Filho com o Pai.

    Alguns poderiam pensar que Jesus fosse um homem, ou um profeta que Deus adotou, acima do qual veio a unção; havia muitas opiniões acerca de Jesus. Mas o Espírito Santo esteve ensinando à Igreja, pois isto é o que Ele faria: “Quando vier … Ele me glorificará”. Quando o Espírito Santo veio começou a glorificar o Filho, a demonstrar quem é esse Filho. A Igreja começou a confessar a consubstancialidade do Filho com o Pai, e isto é o que escandaliza o judaísmo e o islã. O Espírito Santo mostrou à Igreja quem é o Filho de Deus.

    A ENCARNAÇÃO

    Então, irmãos, chegamos ao segundo “item” que já estava implicado no primeiro, mas tem que ser expressado de maneira explícita. O primeiro “item” é a riqueza e o tesouro da Igreja, pois é o que a Igreja tem por comida, a Trindade. O segundo item, que é o segundo espetáculo, porque também é um grande espetáculo, é a palavra chave: encarnação.

    Depois da palavra Trindade vem a palavra encarnação. A Igreja precisa conhecer a encarnação que é o segundo espetáculo: manifestado na carne, justificado em Espírito, visto dos santos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima na glória. Não há história maior, não há evento maior na história do que a encarnação do Filho de Deus, a vida humana do Verbo de Deus, que é o todo divino-humano.

    Em que consistiu a encarnação? É o despojamento, concepção no ventre da virgem Maria, nascimento e crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. Aprendendo pelo padecimento, pela obediência, e sendo aperfeiçoado como homem. Deus não tem que ser aperfeiçoado; Ele não tem nada o que aprender, mas Ele se fez Homem, Seu Filho o Verbo Divino, e viveu a vida humana mais singular.

    Esta é a segunda “coisa” a qual chamo a atenção da Igreja. A Igreja tem que estar vendo estes assuntos: Trindade e encarnação. A encarnação é o segundo grande tesouro da Igreja. Irmãos, é a Igreja que entende isso, é a Igreja que come disto; fora da Igreja as pessoas não entendem nada disso, estão cegas. É a Igreja que está tendo os seus olhos um pouquinho abertos para conhecer a Cristo, o Verbo encarnado de Deus que foi feito homem e em tudo semelhante ao homem; com espírito humano, com alma humana, com corpo humano; provou tudo segundo a nossa semelhança, mas sem pecado.

    Irmãos, não existe aqui uma coisa maior do que esta vida humana ter sido vivida na terra. Essa classe de vida teve que ser limpíssima e da qual o próprio Deus deu testemunho. Deus se sentiu obrigado, por causa de Seu caráter, de dar testemunho desta vida. Ele falou publicamente “Este é o meu filho amado em quem tenho prazer”.

    Já tinham profetizado acerca dEle que não se encontrou engano na Sua boca, nunca fez maldade e foi simbolizado por um Cordeiro sem defeito. Nesta vida precisamos nos deter, nesta Pessoa humana, divina e humana, Filho de Deus e ao mesmo tempo Filho do Homem, Profeta, Sacerdote e Rei.

    A EXPIAÇÃO

    A encarnação nos leva ao terceiro grande item, riquíssimo para a Igreja, terceira palavra chave dos assuntos da Igreja que nunca podemos esquecer: expiação. Terceira palavra chave, terceira riqueza e profundeza de Deus, expiação.

    O que é expiação? Da Trindade à encarnação, o Verbo Divino de Deus feito homem, foi morto pelos nossos pecados; isso é entrar no sentido da expiação.

    Irmãos, às vezes parece que a Igreja não viu o que é expiação. Houve séculos que pensavam que Ele morreu para nos dar exemplo de martírio. Algumas pessoas pensavam que a morte dEle era uma morte como a de outro mártir para nos dar exemplo. Claro que Ele nos deu exemplo, mas Ele não morreu só para nos dar exemplo, porque esse foi o preço dos nossos pecados.

    Recomendo aos irmãos um livro que já está publicado em português, demorou muito para ser publicado, mas agora já está nas livrarias cristãs. Este livro é do século onze, “Cur Deus Homo” é seu título em latim, e em português “Por que Deus se fez homem?” do nosso irmão Anselmo de Cantuária. Ele foi o irmão que Deus usou na história da Igreja para que o Espírito Santo através dele tocasse a tecla da expiação. Depois que nos primeiros séculos Ele mostrou quem era Jesus como Deus e como homem, nos séculos médios mostrou a expiação.

    O ENTENDIMENTO DA EXPIAÇÃO

    Irmãos, entender a Deus, a Cristo e a obra de Cristo tem sido o trabalho da Igreja por séculos. O Espírito Santo conduziu a Igreja nos primeiros séculos para que ela compreendesse quem era realmente Cristo. Finalmente no Concílio de Nicéia confessaram, como tinham que confessar, e não é que ali tenha começado o assunto, pois ele está na Bíblia, mas por fim foi entendido pela Igreja publicamente, que o Filho é consubstancial com o Pai, é Deus com o Pai. Ele é Deus de Deus e Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; esta foi a conclusão de quatro séculos.

    Bem, mas agora que já sabemos que o Verbo é Deus como fica este assunto de que Ele é homem também? Como se relaciona a divindade com a humanidade na Pessoa dEle? E aí vieram outros mais de dois séculos, o quarto, o quinto, e ainda o sexto para compreender bem o relacionamento entre a humanidade e a divindade na Pessoa única do Filho de Deus que se fez também Filho do Homem. Mas depois de que isso foi esclarecido na Igreja pelo Espírito Santo, chegou a era de compreender a expiação, ou seja, por onde Deus começa. Ele começa pela Pessoa e então pela obra de Cristo.

    Dentro do templo, no lugar santíssimo, no lugar central do testemunho de Deus, está a arca de ouro e madeira que fala da divindade e da humanidade do Senhor Jesus. Mas o que está em cima da arca? O propiciatório que nos fala da expiação. Propiciatório ou propiciação é a mesma coisa que expiação. Então quais são as “coisas” centrais as quais a Igreja tem que estar conhecendo? Ela tem que estar conhecendo a Trindade, a encarnação que é a humanidade de Cristo, e a expiação que é a obra de Cristo na cruz. Ela tem que estar conhecendo quantas coisas foram feitas na cruz, o que abrange a cruz de Cristo; a expiação e tudo o que está na cruz de Cristo.

    Como falei, somente estamos vendo o índice dos assuntos. Estou lembrando estes assuntos e trazendo a tona porque são “coisas” nossas, da Igreja, para que ela saiba que “coisas” formosas têm nas mãos. Não tem somente as doutrinas da Trindade mas tem a própria Trindade. Não tem somente a doutrina da encarnação, mas tem o próprio Cristo. Não tem somente a doutrina da expiação, mas tem a experiência da salvação.

    A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

    A palavra chave depois de expiação é justificação pela fé. Os irmãos novos têm que ver a importância destas “coisas”. O que é Trindade? O que é a encarnação? O que é expiação? O que é a ressurreição? Quem é o Espírito Santo? O que é justificação pela fé, perdão e limpeza dos nossos pecados, da mancha do pecado? O que é a crucificação do velho homem? A justificação, santificação, regeneração, renovação, vivificação, transformação e conformação na imagem de Cristo, toda a obra de Cristo.

    Foi depois dos séculos médios onze, doze, treze, quando o assunto da expiação ficou forte, graças principalmente ao trabalho do nosso irmão Anselmo, então chegou a era da Reforma. Aí o Espírito Santo começou a chamar a atenção para a outra tecla da melodia, a justificação pela fé.

    Já falamos que Ele é o Filho, que é o Deus também, tanto Deus como homem, e da morte expiatória; então agora somos salvos não pelas obras mas pela fé, “Justificados pois pela fé tendes paz para com Deus.” Foi quando veio Lutero que começou a Reforma e vieram com ele outros reformadores. Então o Espírito começou a tocar nesta nova tecla da melodia, esta nova página da partitura do drama da redenção. Então, irmãos, temos que desfrutar de novo com frescura, com realidade, como sendo nosso, e que seja posse dos novos este assunto da justificação pela fé.

    Irmãos, todos estes “itens” são combatidos pelo diabo. Ele não quer que creiamos na Trindade, na encarnação, na expiação, na essência do Evangelho, a justificação pela fé e a salvação eterna. Tudo isso o diabo combate, mas a Igreja aprecia, a Igreja vigia, a Igreja conhece, defende e proclama o testemunho. Tudo isso é o tesouro da Igreja. Essa palavra que é tão simples para os crentes protestantes, a justificação pela fé, tem que ser mastigada, desfrutada, conhecida e ser a posse dos irmãos mais novos. Eles têm que ter clareza do que é ser justificados pela fé e serem salvos pela graça de Deus. Esta é a primeira etapa, a primeira parte da salvação e é o aspecto jurídico dela.

    A IGREJA

    Então irmãos, a Trindade, a encarnação, a expiação, a ressurreição, o Espírito Santo e a justificação pela fé; agora chegamos a este item; “O Corpo”, a Igreja. Agora sim podemos passar do lugar santíssimo para o lugar santo onde encontramos a mesa e o candeeiro. Mas a mesa e o candeeiro estão em segundo lugar; em primeiro lugar esta a arca do testemunho. Deus e Cristo e a obra de Cristo recebida pela fé, então resulta a Igreja de Deus.

    Somente depois que ficou claro quem está dentro e quem está fora, quem é salvo e quem não, é que se pode entender a Igreja. Não adiantava o Espírito Santo tocar na “iglesiologia” se não esclarecesse primeiro o assunto da expiação e da justificação pela fé. Tinha que vir primeiro Lutero, Calvino, Melâncton, Zwínglio, todos eles, para depois virem os irmãos e começarem a ver o assunto da Igreja que é um Corpo.

    Quando vemos na história da Igreja, a sua separação do estado, aquela parte da Igreja, especialmente os Anglicanos que falavam que o rei da Inglaterra era seu vivo cabeça, toda aquela mistura e confusão, os irmão estavam tratando de definir se a Igreja é visível ou invisível, se o estado tem direito sobre a Igreja ou não. Quantos irmãos morrendo por se libertar do estado, separando a Igreja do estado. Irmãos, aqueles séculos dezesseis, dezessete, até o dezoito, foi o parto da Igreja, para que ela compreendesse a si mesma como “O Corpo de Cristo”. Hoje em nosso século somos devedores deste longo parto da Igreja. Hoje recebemos a comida mastigada mas levou séculos para se mastigar, dissolver, digerir até ficar claro.

    A ESCATOLOGIA

    Depois vem a escatologia; ela é o último capítulo da Teologia Sistemática. Se compreendemos a Igreja, o assunto dos vencedores, o assunto do arrebatamento, o Reino, o Milênio, depois da iglesiologia vem a escatologia, mas só depois de entender a Igreja. Não se pode entender a Igreja sem entender a justificação pela fé (salvação), e não se pode entender a justificação pela fé (salvação), se não entender a expiação; não se pode entender a expiação se não entender a encarnação (Cristo), e não se pode entender a encarnação (Cristo), sem entender a Trindade.

    Trindade, encarnação, expiação e todo o demais, ressurreição, Espírito Santo, e o efeito em nós da justificação pela fé, os demais efeitos; e então a Igreja, “O Corpo”. Somos um Corpo que guarda este conteúdo, este Deus, este Cristo, este Espírito, esta Vida, esta salvação, este testemunho; porque somos isto temos então esta esperança.

    O PROPÓSITO

    Agora sim chega o propósito. A Igreja também conhece o propósito eterno de tudo isto, da criação, da encarnação, da expiação, o propósito para a Igreja. Também conhece a escatologia, Cristo a esperança da glória, a glória de Deus expressada na Esposa. Deus tendo se revelado e Si dado plenamente, agora consumando o Seu amor, novo céu, nova terra e nova Jerusalém, uma Esposa tendo a glória de Deus.

    Então, irmãos, estas são minhas últimas palavras; ainda que últimas são também importantes: Corpo, Igreja, propósito eterno, Reino, nova Jerusalém, consumação e escatologia; vamos parar aqui. Era uma visão panorâmica para nos lembrar dos assuntos que são nossos, são da Igreja e que é o nosso pão diário, o pão para nossos filhos e para os filhos de Deus. Amém.

    Oremos:

    “Pai, agradecemos ao Senhor porque nos concedeu considerar algo da tua Palavra;possua-nos, conquista-nos para Ti, conquista-nos para a noiva do Teu Filho, conquista-nos, Senhor, para a alegria do Teu coração. Conceda-nos Te servir nos Teus assuntos, a Ti pessoalmente por meio do Teu Filho e do Teu Espírito em nome do Senhor Jesus; amém.”