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  • A MENSAGEM Á IGREJA EM LAODICÉIA

    A MENSAGEM À IGREJA EM LAODICÉIA

    “E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia: Tenho aqui o amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto”. Apocalipse 3:14.

    Laodicéia é o escorregamento de Filadélfia

    Vamos durante este tempo, estudar um pouco a palavra do Senhor. Hoje estamos chegando à sétima igreja, das sete desta profecia de Apocalipse 2 e 3. Hoje estamos chegando à consideração da igreja em Laodicéia. Apocalipse capítulo 3 desde o versículo 14. Se esta é a última das sete igrejas pelas quais o Senhor profetiza, quer dizer que esta igreja representa à igreja dos últimos tempos e é uma mensagem bastante séria. Eu não sei qual seja mais sério, se a de Tiatira ou a de Laodicéia; de qualquer jeito, a de Tiatira, que é tão grave, não foi lhe dito que poderia ser vomitada de Sua boca, mas a Laodicéia sim, se não se arrepender; ou seja, que esta última mensagem dada às igrejas, representando à igreja contemporânea, é uma mensagem séria; não há outra igreja depois desta; esta representa a última, a igreja dos tempos finais. A igreja de Éfeso representa aquele período apostólico imediatamente depois do apostolado original; a igreja em Esmirna representa o período das perseguições; a igreja de Pérgamo representa aquele período depois das perseguições, a partir de Constantino, quando a igreja e o Estado começaram a juntar-se e o cristianismo adotou parte do paganismo e o paganismo se cristianizou por fora, mas sem uma verdadeira conversão; depois a igreja em Tiatira representa aquela da idade média, aquelas épocas escuras da chamada “Pornocracia”, que não vamos falar dela; depois a igreja de Sardes representa à igreja da Reforma que saiu daquele período de escuridão, mas que não completou as coisas que deviam ser restauradas.

    Por fim, a igreja em Filadélfia representa aquela visão no corpo de Cristo que supera as divisões denominacionais; uma igreja missionária, uma igreja cristocêntrica, uma igreja bíblica, uma igreja à qual o Senhor abre a porta. Mas encontramos que o Senhor nesta passagem que vamos ler, dizer à igreja em Filadélfia (3:11): “Eis que cedo venho; retém o que tens, para que ninguém tome tua coroa”; isto é, que era necessário que, o que o Senhor revelou a Filadélfia para superar a condição de Sardes, deve ser retido. Os vencedores o retêm, mas os que não o retêm caem numa situação que depois é expressada em Laodicéia. Laodicéia representa o escorregamento de Filadélfia porque Laodicéia já não é outra vez o protestantismo clássico que está representado ali em Sardes. Aqui, Laodicéia vem depois das revelações claras da centralidade de Cristo, da palavra de Deus, da unidade do corpo de Cristo, guardar a palavra da paciência, levar a cruz do Senhor; isto foi já revelado no período de Filadélfia e os vencedores chegarão até o fim: “Eis que cedo venho, retém o que tens”; isto é, os vencedores na posição de Filadélfia serão assim achados na vinda do Senhor; terão na vinda do Senhor pessoas que estarão na posição de Filadélfia espiritualmente falando, bem como terão pessoas que estarão na posição de Tiatira; a Tiatira é menciona a segunda vinda do Senhor, portanto, terão pessoas que serão achadas na situação católico-romana que é expressada por Tiatira, outros achados na situação de Sardes, do protestantismo; outros achados na situação de Filadélfia. Mas alguns deslizaram, não reteram o que o Espírito já deu à igreja e entraram numa questão que está aqui descrita como vamos ler em toda esta mensagem do Senhor a Laodicéia, que retrata de maneira profética estes tempos. Eu creio que, o que o Senhor diz aqui à igreja em Laodicéia é bastante sério. Então vamos fazer o seguimento desta mensagem a Laodicéia. Primeiro lhes digo que quanto à crítica textual não existem variações nos manuscritos; todos os manuscritos dizem bem como aparece nesta tradução, de maneira que não é necessário fazer aclarações a respeito.

    Profundidade histórica de Laodicéia

    Façamos a primeira aclaração quanto à cidade de Laodicéia. A cidade de Laodicéia foi fundada no século III antes de Cristo, por volta do ano 250 a.C., por um rei chamado Antíoco II, Seleuco Antíoco II, da dinastia dos antíocos; no caso dele, dos seléucidas de Antíocos, antes que se dividissem. Ele teve uma esposa que ele amou muito, que se chamou Laodicé; então ele fundou a cidade de Laodicéia em honra de sua esposa Laodicé. Há seis cidades chamadas Laodicéia, fundadas em honra a Laodicé, mas que são distintas uma das outras, porque esta é Laodicéia de Lico; há um rio chamado Lico e esta cidade fica ao sul do rio Lico, na Ásia Menor; esta de apocalipse, portanto, é conhecida como Laodicéia de Lico; ou seja que as outras Laodicéias não têm nada a ver com esta; esta é a cidade que foi fundada por Antíoco II no século III antes de Cristo. Esta cidade chegou a ser uma cidade muito forte durante o império romano, que foi o império que surgiu depois da era dos Antíocos. Digamos que os Romanos, como diz Daniel 11, tiraram a hegemonia dos Antíocos e estabeleceram a hegemonia romana. A cidade de Laodicéia fica num cruzamento de importantes vias, de maneira que chegou a ser uma capital muito grande; Laodicéia chegou a ser uma cidade rica, uma cidade comercial, uma cidade bancária, uma cidade onde tinha muitas indústrias, uma cidade onde se produzia muita roupa; era uma cidade rica, era uma cidade próspera; todas as principais estradas passavam por Laodicéia, tanto as que vinham do norte, como as do oriente, como as de ocidente, juntavam-se ali e todo o comércio se centralizava, de tal maneira que Laodicéia com o tempo chegou a ser como uma espécie de metrópoles que tinha 20 aldeias dependendo dela e se lhe chama nos documentos antigos: “Metrópoles de Laodicéia”. Exteriormente Laodicéia era uma cidade próspera, uma cidade rica, uma cidade de banca, de muitos estabelecimentos bancários, comerciais, industriais, e as pessoas seguramente estavam muito felizes; ali tinha trabalho, tinha dinheiro, tinha uma vida fácil na parte econômica.

    Um grande terremoto

    O curioso é que esta cidade foi várias vezes sacudida por contínuos terremotos até que foi destruída completamente; hoje em dia não existe a cidade de Laodicéia; Laodicéia foi varrida por um terremoto, a única coisa que ficou, foi umas ruínas, que ficam na Turquia, e os muçulmanos lhe puseram um nome muçulmano, que quer dizer “Castelo antigo”, na palavra muçulmana traduzida; ou seja, os restos de um grande castelo que tinha existido; isso é a única coisa que sobrou, isto é, foi totalmente destruída por sucessivos terremotos até que teve um que a derrubou de tal maneira, que nunca mais a voltaram a reedificar. É curioso porque a Bíblia, que fala do juízo do Senhor sobre Babilônia no tempo final, também diz que o Senhor se lembrou de Babilônia, e se elevou a ira no cálice e derramou o cálice, a sétima taça sobre Babilônia; diz que veio um terremoto a nível mundial, que arrasou com a grande cidade que era Roma, Babilônia, e com as outras cidades; inclusive mudou a geografia; muitas ilhas desapareceram, muitos morros mudaram de lugar. Isso é o que está profetizado ao final sobre Babilônia, sobre o que é a Laodicéia final, o que chegará a ser o ecumenismo final, com uma mistura de cristianismo com ocultismo e com outras coisas. Laodicéia antiga foi destruída por um terremoto, e a igreja final, o cristianismo infiel do tempo do fim, será destruído também por um terremoto mundial. Então, vejamos como a história qualifica a profecia.

    Os direitos do povo

    Agora sim, vamos ler a mensagem. Como não tem comentários textuais ou variantes textuais, vamos seguir lendo e comentando; primeiro o leremos e depois seguiremos comentando. Apocalipse 3:14 a 22. Faremos a leitura primeiro, de uma só vez, para que o Espírito fale a cada um de nós, e depois voltaremos e comentaremos, com a ajuda do Senhor: “E”; se dão conta, que não tinha dito até aqui “E”? Sempre era vírgula: Escreve ao anjo da igreja em Éfeso; escreve a Esmirna; escreve a Pérgamo, mas agora diz: “E”, como quem diz, depois de tantas vírgulas, esta é a última conjunção, então é a final: “E”. Esta palavra “E” é a palavra grega kai, que pode ser traduzida por: também ou finalmente ou por fim. “14E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”; quer dizer que existe um espírito tipicamente laodizaico dentro da cristandade, que está representado logicamente nas lideranças; mas o Senhor se dirige precisamente a esse espírito que caracteriza o que se pode chamar a época de Laodicéia. “14E escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”. O que significa a palavra Laodicéia? A palavra Laodicéia vem de duas palavras gregas que são: laos e dikesis, que significam: Laos, o povo, os laicos; a palavra laicos vem de laos que é a palavra que significa o povo, e dikesis, que é a palavra que significa justiça ou direito. Se você escuta a palavra “teodicéia”, quer dizer: o direito divino; mas a palavra Laodicéia, são os direitos humanos, os direitos do povo; quer dizer que a palavra Laodicéia está representando a época final; e é curioso que o nome da palavra nomeia o espírito da época e é o espírito dos chamados “direitos humanos”. Quando foi que se tivemos notícia de que se tenha insistido tanto nos assuntos dos direitos humanos como nos últimos tempos? Digamos, desde a revolução francesa e da revolução americana pra cá, digamos assim, que começou a ser introduzido o espírito dos direitos humanos. Não é que tenha um pouco de mau nos direitos humanos, só que as vezes os direitos humanos pretendem ir além do direito divino, como se tivesse direito de negar a Deus, como se tivesse direito de negar a autoridade de Deus, como se tivesse direito de negar a palavra de Deus. Chegou a época em que as pessoas pretendem ter mais direitos legítimos.

    A última palavra às igrejas

    Quando dizemos que o espírito de Laodicéia é um espírito que o Senhor repreende, não queremos dizer que o Senhor não quer os direitos humanos. O que Ele não quer é que exista uma anarquia onde não seja reconhecida a autoridade da palavra do Senhor, Amém? Mas fixem-se em que só na palavra “Laodicéia”, se nos está mostrando o espírito tumultuoso, o espírito anárquico, o espírito competitivo do tempo do fim. Não foi assim em Tiatira. Tiatira foi terrível, mas Tiatira foi ditatorial; teve uma ditadura césaro-papista na Idade Média; também compare-o com essa época e você se dará conta de que Laodicéia e Tiatira são completamente diferentes, Amém? Como fala o Senhor então a Laodicéia? Ele está dando aqui a última palavra às igrejas; é a última palavra do Senhor às igrejas; depois vai falar dos selos, das trombetas, das taças da ira, mas aqui Ele está falando às igrejas, e é a última palavra do Senhor às igrejas, e por isso a nenhuma outra igreja Ele se apresenta como o Amém; mas aqui Ele está terminando; então olhem como se apresenta à igreja: “Isto diz o Amém...”; ou seja, a última palavra, assim é, assim seja, o Senhor é o Amém. Nos profetas, Deus é chamado de o Deus do Amém; é como dizer, o Ômega. Bem, como o Alfa é o princípio, a Ômega é o fim; o Senhor é o princípio e o fim; então sempre ao final se diz amém. Mas o Senhor diz que Ele é o Amém; ou seja, que Ele tem a última palavra; e esta é a última palavra à igreja em sua história universal.

    O princípio da criação de Deus

    Então diz o Senhor: “Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus, diz isto.” Esta expressão do Senhor também como o princípio tem criado dificuldades de entendimento a alguns; porque tinha dito o Amém e agora diz: o Princípio; em outras partes tinha dito o Primeiro e o Último, o Alfa e a Omega, o Princípio e o Fim; agora, como está ao final, diz primeiro o Amém, mas depois diz: o Princípio; porque Ele não é somente uma coisa, senão a outra, o que é o final é o que é o princípio. “O princípio da criação de Deus.” Esta expressão deu lugar a alguns maus entendidos, porque se interpretou de maneira isolada do resto da revelação. Que o Senhor Jesus Cristo se apresenta como o princípio da criação de Deus, não quer dizer que Ele seja a primeira criatura de Deus, porque Ele é Deus mesmo. No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. A expressão “o princípio da criação de Deus” quer dizer que por meio dele todas as coisas foram criadas, que nada tem origem sem Ele. “Todas as coisas por ele foram feitas, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). Isso quer dizer que o Senhor, que é o Amém, é também o princípio da criação de Deus. Se tomamos a criação de Deus no sentido antigo, desde o nada até a existência, à nova criação, nos dois sentidos Ele é princípio da criação de Deus; tanto da velha como da nova; as duas são a criação de Deus; Ele é a origem de todas as coisas; sem Ele nada tem existência; agora este é o que fala; ou seja, este é o diagnóstico do Senhor à cristandade dos últimos tempos, a última palavra de Deus à Igreja.

    Vomitar-te-ei da minha boca

    “15Eu conheço tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem deras fosses frio ou quente! 16Mas porquanto és morno, e não frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. Palavra seríssima do Senhor; nunca o Senhor tinha falado palavras tão fortes. Que coisa mais desagradável é o vômito! Mas ser considerados como algo que lhe produz ao Senhor vômito, quer dizer que é algo que o Senhor considera asqueroso.

    O que é o que o Senhor considera tão asqueroso? A indiferença, que não é nem água e nem limonada, nem fu nem fa; o Senhor quer que seja bem definido; Ele prefere que seja frio a que seja morno. Agora, que quer dizer frio? Frio quer dizer que não tem força, que não tem ânimo; Ele prefere que uma pessoa lhe diga: Senhor, não tenho forças, não sei nada; se tu não me ajudas, não posso nada; ou que esteja fervente, quente, em espírito, servindo-lhe, em verdadeiro espírito e verdade. Ele prefere que estejamos servindo do todo coração ou que estejamos reconhecendo nossa total impossibilidade, nossa total frieza e que estejamos a seus pés reconhecendo que não somos nada; mas o pretender ser e não ser; pretender que sejamos quentes, quando não somos tão quentes, somos mornos, isso ao Senhor lhe resulta em algo difícil. Sempre as coisas mornas são usadas para provocar vômitos; sempre se associou o água morna para produzir vômito. “16Mas porquanto és morno, e não és frio nem quente, te vomitarei de minha boca”; isto é, não posso engolir-te, não posso suportar-te nesta situação; como quem diz: se não vences isto..., graças a Deus que há vencedores da situação de Laodicéia, mas se não vences, que galardão vais ter? O galardão é para os que vencem; se não venceres, vomitar-te-ei de minha boca, não posso engolir-te, não posso aceitar-te nessa situação de indiferença. Que o Senhor nos ajude. A nenhuma outra igreja se chamou de morna, mas só a Laodicéia; quer dizer que o cristianismo dos últimos tempos não é um cristianismo consagrado; as pessoas se dizem cristãs sem serem verdadeiramente cristãs. Fixem-se no que o Senhor explica o que é a indiferença: “Porque (essa palavra “porque” aí está explicando a indiferença) tu dizes...” Ai, ai, ai! Aqui o Senhor está profetizando qual seria a confissão positiva da cristandade dos últimos tempos. Fixem-se: “tu dizes”; essa é uma confissão positiva; não está dizendo: sou magro, sou débil, preciso tua ajuda, não; sem ser verdadeiramente forte, está confessando coisas que não são. Quando em outra época se tinha ouvido falar tanto dos direitos humanos, da confissão positiva e da teologia da prosperidade como nesta época? Nenhuma outra época teve esta ênfase, mas por todas as partes que você for, você liga um televisor em programas de evangélicos e escuta uma quantidade de pregações de todas partes e esse é sua ênfase: confissão positiva, riqueza, propriedades, prosperidade, esse é a ênfase atual; e o Senhor já o tinha dito: “tu dizes”; essa é tua confissão; parece confissão positiva, mas o Senhor não ensina essa confissão; Ele diz que essa não é a realidade: “17Porque tu dizes: Eu sou rico, e me enriqueci”. Que outra época teve tanta riqueza, facilidades, geladeiras, aparelhos, tecnologia? “Tu dizes: Eu sou rico, e me enriqueci, e de nenhuma coisa tenho necessidade”. Se fosses frio, reconhecerias tua necessidade, mas não reconheces tua necessidade; está enganado, está enganando-se com sua própria auto-imagem que não é aprovada por Deus. “Dizes: Eu sou rico, e me enriqueci, e de nenhuma coisa tenho necessidade.” Que terrível é esta frase! O sentir-se satisfeito sem Deus, o sentir-se satisfeito com a riqueza material e não com Deus, isso é terrível. Dizes que não tens necessidade de nada, sentes-te satisfeito, estás feliz. Quantos parques há hoje em dia? Quando é que teve tantos parques como agora: como Disneylândia, Disneyworld, etc., televisão, novelas, distração? Ninguém tem que ter necessidade de Deus; “e não sabes”; isso quer dizer ignorância da realidade espiritual, uma época caracterizada pela ignorância espiritual. Pode ter cultura secular, cultura exterior, pode ser intelectual, mas não espiritual.

    Riqueza material, pobreza espiritual

    “Não sabes que tu és um desventurado”; um desventurado que diz ser rico, é melhor ser frio e dizer-lhe: Senhor, sou um desventurado; e saber que é um desventurado; então podes pedir-lhe ajuda, mas como diz que não é, sendo; sendo desventurado diz que é rico; Ele diz: “não sabes que tu és”; o Senhor diz: tu és um desventurado; ou seja, tua riqueza não é a verdadeira bem-aventurança; tua satisfação, tua comodidade, não é a verdadeira bem-aventurança.
    “Não sabes que tu és um desventurado, miserável, pobre”. À igreja em Esmirna que passava perseguições, o Senhor diz: conheço tua pobreza; mas entre parêntese lhe diz: mas tu és rico; ainda que tinha pobreza material, era rico espiritualmente; do contrário, este era rico materialmente mas pobre espiritualmente. Dizes que és rico, mas não sabes que és pobre; ou seja, estás enganado; o que tu consideras de valor, o que tu estimas, é um engano. Paulo dizia: o que eu estimava como ganho, agora o considero uma perda com o objetivo de ganhar a Cristo. Paulo viu, mas Laodicéia não viu.

    Que coisa séria é não ver! “Pobre, cego e nu”. Não vê; qualquer um vê sua vergonha, sua vergonha é pública. “18Por tanto, (aleluia! As últimas palavras do Senhor às igrejas) eu te aconselho que de mim (porque as riquezas que tens não são de mim, meu conselho é que de mim; tu dizes que és rico, mas essa não é verdadeira riqueza; verdadeiramente espiritualmente tu és pobre) compres ouro refinado em fogo”. Aqui o Senhor usa a palavra “compres”; quer dizer: paga o preço para ter a verdadeira riqueza espiritual.

    Comprar é pagar o preço

    Muita gente quer direitos humanos, quer riquezas, quer prosperidade; as palavras que sempre dizemos: saúde, dinheiro, amor, casa, carroça, bolsa, tudo fácil na terra, mas não quer a cruz, não quer o caminho estreito, não quer pagar o preço, e o Senhor a esta igreja lhe diz: “compres”; quer dizer: paga o preço, compra ouro; o ouro representa o metal mais valioso, que representa a natureza divina, o que é legítimo de Deus, o que é verdadeira riqueza espiritual. “Compres ouro refinado em fogo”; ou seja, o de Deus, que é capaz de passar a prova; o fogo é a prova; essa é a verdadeira riqueza, o que não se queima quando passa pelo fogo, essa é riqueza; mas o que se desfaz no fogo, o que quando vem a prova não permanece, é pura palha; mas o que passando a prova sobrevive, essa é verdadeira riqueza e essa se obtém com o pagar o preço; para obter do Senhor o que é o Senhor em nós e não nós somente.

    “De mim”, isto é, eu sou o que tenho este ouro, que passa a prova do fogo. Eu passei pela prova, passei pela morte, mas veja que Eu vivo; compra, paga o preço para ter o meu e não te enganes com o teu; compra de meu ouro refinado em fogo, para que sejas rico.

    Não é que o Senhor esteja no meio de uma teologia da prosperidade promovendo uma teologia da miséria, não; a alternativa da prosperidade não é a teologia da miséria, é a teologia da riqueza espiritual, essa é a alternativa, a riqueza da cruz; essa é a alternativa à teologia da prosperidade.

    “Para que sejas rico”. O Senhor quer que sejas rico, mas verdadeiramente rico, como Ele disse: “19Não tenhais tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde ladrões minam e furtam; 20senão ajuntai tesouros no céu, onde nem traça e nem a ferrugem corroem, e onde ladrões não minam nem furtam” (Mt.6:19-20). Essa é a verdadeira riqueza, Amém? Compra, paga o preço, para que não estejas satisfeito com o teu nem com o do mundo, senão com o que Eu te dê; o Meu é tua verdadeira riqueza; aí sim, serás verdadeiramente rico.

    “E vestimentas brancas para vestir-te”. Veja que roupa o Senhor queira dar: vestimentas brancas! O que Ele está dizendo à igreja? Parece que nem sequer se lembra de estar justificada, parece que no meio de sua prosperidade, no meio de sua alegria do mundo, no meio de seu desfrute dos benefícios da terra, esquece-se de cuidar ou estar em paz com Deus; porque se o Senhor está dizendo que precisa comprar-lhe vestimentas brancas para que não vejam sua vergonha, quer dizer que seus pecados estão sendo vistos pelos anjos de Deus, pelos demônios, não só por Deus, e até pelos homens também, que ainda que somos cegos, mas as vezes vemos.

    O preço das vestimentas

    Então quando o Senhor diz: compres vestimentas brancas, é porque uma parte da cristandade está em pecado, está vivendo em pecado, não confessou seus pecados, não acertou suas contas com Deus, acostumou-se a viver com contas acumuladas em sua consciência, adormecido, narcotizado pela prosperidade do mundo. Ai, Senhor Jesus, que terrível! “Compres ouro refinado em fogo, para que sejas rico, e vestimentas brancas para vestires”. Há que pagar o preço para andar em vestimentas brancas; é por graça. Por isso o irmão Dietrich Bonhoeffer, que foi um mártir do Senhor na Alemanha, (foi morto durante o tempo de Hitler; o mataram por ser fiel a sua consciência cristã. Ele disse uma frase que foi colocada como título de um livro que ele escreveu, muito bom livro: “O preço da graça”. Alguém pensa que a graça é grátis, mas ele falava do preço da graça, o que custou ao Senhor para dar-nos a graça e o que custa a nós viver na graça e não no ego, nem no natural, o preço da graça; por isso lhe diz: compra ouro refinado em fogo, e vestimentas brancas para vestir-te. Não estou dizendo que o sacrifício de Cristo não nos perdoa gratuitamente, mas para viver na graça, há que negar a si mesmo; podemos viver em Cristo por graça. O que quiser, venha e beba gratuitamente da água da vida, mas as vezes preferimos viver no humano, no natural, na carne e não no Espírito. Então para receber essa graça temos que negar a nós mesmo, primeiro crer, mas estar disposto a viver na fé, no novo homem.

    Então diz: “e que não se descubra a vergonha de tua nudez”. Esta palavra me parece tão misericordiosa, porque as vezes nós, quando somos um pouco legalistas, queremos que o Senhor envergonhe em público aos outros: Esse tem um pecado, como muito me agradaria que o Senhor lhe descobrisse a falta diante de todos. As vezes essa é nossa atitude e nos alegramos muito mais quando alguém é descoberto e envergonhado do que quando é guardado; alegro-me que o pilharam; mas o Senhor não é assim: O Senhor diz: “que não se descubra a vergonha de tua nudez”.

    Deve ocorrer somente quando é já necessário envergonhar às pessoas, como aconteceu com Davi que fez as coisas escondidinhas e não queria se arrepender; o Senhor teve que trazer a Natan, para lhe dizer: Tu o fizeste em segredo, agora em público tuas mulheres vão ser violadas; por que? Porque o tinha feito em segredo; mas a intenção do Senhor é cobrir-nos; compra de mim vestimentas brancas para vestir-te, e estarás justificado e limpo; confessa teus pecados e arrepende-te, ponto, para que não se descubra a vergonha de tua nudez, não deixes tuas coisas escondidas, confessa-as ao Senhor; se falhaste com alguém, pede perdão e arruma e pronto, acabou-se; o sangue me limpou; nunca mais o Senhor se lembrará, nem quer que você se lembre também; esquece. Mas enquanto estivermos guardado, a palavra é: estás nu, estás com umas vergonhas visíveis, paga o preço para que andes com vestimentas brancas e não se descubra; essa é a misericórdia de Deus que não quer envergonhar-nos, quer cobrir-nos: “que não se descubra a vergonha de tua nudez, e unge teus olhos com colírio, para que vejas”. Quer dizer que com nossos olhos naturais não vemos a realidade; pensamos que vemos e o Senhor diz: não sabes que és cego. Uma pessoa que não sabe que é cega, é uma pessoa que pensa que vê, mas não está vendo a realidade, está vendo alucinações, está obcecado com alguma coisa, mas não conhece a realidade, por isso não sabe que é cega. Uma pessoa que sabe que é cega, diz: Sou cego, não entendo Senhor, não entendo. Mas porque dizes que sabes... Ai Senhor! É melhor dizer como Jó: não entendo, eu falava o que não entendia; então Deus poderá abrir os olhos a alguém; mas se alguém pensa que já entendeu tudo, não sabe que está cego.

    O colírio de Deus

    Tenha o Senhor misericórdia de nós, de mim e de todos nós. “Unge teus olhos com colírio”; isto é, aplica a teus olhos algo que te faça ver. Você pensa que está vendo, mas o que está vendo não é a realidade, está enganado com tuas imaginações; o colírio é algo diferente do natural, o colírio é algo que opera na vista, que não está na pessoa. Nós precisamos que o Senhor abra nossos olhos, unja nossos olhos; mas o Senhor diz que nós devemos ungir nossos olhos; ou seja, que temos que ir ao Senhor para que o Senhor nos abra os olhos. Quando alguém pensa que está vendo, irmãos, é tão terrível, porque esse alguém nunca tem a oportunidade de reconhecer seus erros. Eu recordo quando estava sob a influência do branhamismo, durante os anos 73 ao 75; eu pensava que estava correto; eu lia, parecia-me correto o que lia, parecia-me bíblico; e enquanto eu pensei isso, nunca me dei conta do erro. Um dia se me ocorreu uma dúvida que foi do Espírito Santo; fui e me apartei a um lugar para orar, e lhe disse: Senhor, a mim, isto parece correto, mas quem sabe eu possa estar equivocado e não me dei conta; tu és o que sabes; eu quero seguir-te, ensina-me a verdade. Se isto que me parece a verdade, é a verdade, confirma-me; mas se estou equivocado e eu não consigo me dar conta, mostra-me. Quando fiz essa oração com sinceridade ao Senhor, aí, pouco a pouco, o Senhor começou a mostrar-me os erros que eu estava metido, e pouco a pouco fui tendo luz, porque era terrível suportar tantos erros inesperadamente. Eu ia no ônibus e me vinha à mente: mas este versículo diz tal coisa e o irmão aqui, que eu tenho respeito, diz outra coisa; e começou esse conflito; mas se ele é um profeta de Deus e eu quem sou, mas a Bíblia segue dizendo isto; tinha que escolher entre o que diz a palavra de Deus e o que diz outra pessoa. E quando aceitei isso e tive que ser dissidente por honrar ao Senhor e à verdade, aí se me mostrou um outro pouquinho; se és fiel no pouco, se te dará mais. Outra coisa, aqui há outro erro, aqui neste assunto de casal, divórcio e poligamia, aqui há um erro; aqui neste assunto que nega a Trindade, aqui há outro erro; aqui neste assunto da segunda vinda de Cristo há outro erro; e me começou a mostrar erro depois de erro, um depois de outro; se fores fiel num pouquinho e dependeres dele, e só confiares Nele e não em sua própria prudência, Ele te poderá ungir os olhos com colírio. É o que diz Provérbios: “5Confia no Senhor de todo teu coração, e não te apóies em tua própria prudência. 6Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará tuas veredas” (Prov. 3:5-6). Mas se alguém confia em sua própria prudência, que tudo está bem, sinto-me satisfeito; não tenho necessidade de nada, aqui estou contente, não vai ter mais. Que nunca fiquemos contentes com menos do que a plenitude de Cristo; que sempre procuremos mais de Cristo; que sempre tentemos ir mais adiante; ame mais ao Senhor que ao próprio ambiente, inclusive mais do que à Igreja; ame ao Senhor, avance em direção ao Senhor, siga ao Senhor, procure o Senhor. Senhor, preciso da tua luz; então Ele irá confirmar o que é Dele. Não há problema. Que perigo há? Nenhum; o que é Dele, Ele vai confirmar, mas o que não é dele, Ele vai mostrar e vai livrar-te. Temos que pô-lo em primeiro lugar em tudo; não temas ser dissidente se é por amor ao Senhor e sua Palavra, porque você não é nosso antes de ser do Senhor; você é do Senhor, amém? Primeiro o Senhor. Então quando eu digo ao Senhor: “faça o que o Senhor quiser”. Eu penso que está correto, mas pode ser que esteja equivocado e não me dou conta; aí Ele me mostra aos poucos; se for fiel a esse pouquinho, Ele me mostra outro pouquinho, depois outro pouquinho e outro pouquinho, e assim vai me mostrando e me corrigindo. Somos passiveis de erros e a pessoa fanática é a que pensam que vê e nunca duvida de que poderia estar equivocada; por isso é que temos que colocar o Senhor antes da nossa auto-complacência. Senhor, se estou enganado, desengana-me Senhor. Amém? Unge meus olhos com colírio para que veja, não aconteça que pense que estou vendo e sou cego, espiritualmente cego. Recomendo-lhes muito esse livro do irmão Austin Spark, “Ver - Visão espiritual, homens cujos olhos viram o rei”. Tremendo livro!

    Deus castiga aos que ama

    Agora, depois dessa palavra de que és cego, miserável, nu, morno, vomitar-te-ei, alguém pensaria, mas será que o Senhor está chateado comigo? Olhem o que diz: “19Eu repreendo e castigo a todos os que amo”. Quando uma pessoa é amada pelo Senhor passa por provas difíceis, não porque Deus não o ame, senão precisamente porque Ele o ama: “Eu repreendo”, e não só repreendo, “castigo”. Alguns dizem que Deus não castiga, mas aqui diz o Senhor que Ele castiga aos que ama: “repreendo e castigo a todos os que amo”. Há graus diferentes nas duas palavras. Repreender é admoestar, chamar a atenção, mas ainda não te acontece nada; mas se te chamou a atenção e não queres seguir ao Senhor, então tem que passar da repreensão ao castigo e o castigo pode ser uma coisa difícil que nos acontece, mas por que? Porque Ele nos ama, quer-nos livrar dos enganos; isto é, aos que amo, Eu os repreendo e os castigo. E diz mais: “Sê pois, zeloso”. Aqui zeloso é o contrário de morno. Morno é o que está satisfeito, não zeloso; o Senhor é zeloso e quer que nós sejamos zelosos. Uma pessoa zelosa é uma pessoa que quer as coisas puras e não misturadas nem mornas; o contrário de morno aqui é zeloso: “Sê pois zeloso, e arrepende-te”. O Senhor dá tempo à igreja em Laodicéia, à cristandade dos últimos tempos para arrepender-se e ser zelosa; isto é, ser uma pessoa que ama ao Senhor com cuidado: “20Eis que estou à porta e chamo”. Esta é uma das frases mais tremendas.

    O Senhor do lado de fora da Igreja

    O Senhor não diz que está dentro, senão fora; está querendo entrar mas nós estamos aqui com nossa festa, dizendo coisas, estando embriagados em nossas cobiças e o Senhor está batendo à porta. Ele não diz: estou dentro, não, estou à porta e chamo.

    Que coisa terrível! As vezes ter programas, estruturas, ter de tudo e não ao Senhor mesmo; mas isso o diz o Senhor à igreja em Laodicéia; Ele quer entrar. Agora, neste apelo, Ele chama à igreja, mas como Ele sabe que não toda a igreja vai ser vencedora, então fala aos indivíduos. Diz assim: “Eu estou à porta e chamo; se algum ouve minha voz”. Se alguém distingue o que é o que verdadeiramente o Senhor diz e o que Ele quer, estará disposto a abrir-lhe a porta ao Senhor em vez de estar enganado pensando que vê e não vê. “Se alguém ouve minha voz”; porque é que alguns não ouvem; se tem ouvido, ouve, mas se alguém ouve, abrirá a porta ao Senhor. Ele fala a toda a igreja: “Escreve ao anjo da igreja em Laodicéia”, fala ao espírito da igreja do tempo final. Se no meio desse espírito, alguém ouve minha voz, minha voz, porque as vezes ouvimos muitas vozes e especialmente nos tempos finais está profetizado que se ouviriam muitas vozes, muitos falsos profetas e até milagres e sinais, mas não é a voz do Senhor; mas se no meio dessa batalha do engano final, alguém, um ou outro por aí, ouvir minha voz e depois de ouvir abrir a porta e não deixar ao Senhor de fora, senão que chamar ao Senhor para dentro, então o Senhor diz: “entrarei em sua casa”.

    A cristandade de nome, sem o Senhor dentro, mas se me abrir a porta “entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele comigo”. Sempre o comer juntos era uma forma de como o Senhor representava a comunhão; a comunhão é comer juntos. “cearei com ele, e ele comigo”, cear juntos: “21Ao que vencer”. Isto sim é tremendo, terá vencedores nas condições de Laodicéia; e se você compara os galardões, a nenhuma igreja se lhe oferece um galardão tão grande como à igreja em Laodicéia; compare todos os galardões. A Éfeso, lhe darei a comer da árvore da vida. A Esmirna, não sofrerá dano da segunda morte. A Pérgamo, uma pedrinha branca. A Tiatira, lhe darei autoridade sobre as nações. A Filadélfia, o farei coluna no templo de meu Deus e nunca mais sairá de ali, mas aos vencedores do fim se lhes promete o maior galardão; olhem o que diz: “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em Meu trono, (que coisa tremenda!) bem como eu venci, (ao que vencer como eu venci) e me sentei com meu Pai em Seu trono”. O Pai quer delegar ao Filho tudo, e o Filho quer delegar aos vencedores finais, tudo. “Ao que vencer, lhe darei que se sente comigo em Meu trono, bem como eu venci, e me sentei com Meu Pai em seu trono”. Esta sim é a verdadeira riqueza, esta se é a verdadeira glória. “22O que tem ouvido (para ouvir Sua voz) ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Que o Senhor nos encontre despertos, conceda-nos arrepender da indiferença e nos conceda pagar o preço para ter ouro verdadeiramente espiritual, vestir-nos verdadeiramente com vestimentas brancas e ter os olhos ungidos para ver verdadeiramente. Que Deus nos ajude. A paz do Senhor Jesus seja com os irmãos.

  • UMA CASA PARA DEUS / 1

    A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.

    Uma Casa para Deus
    (1ª Parte)

    Gino Iafrancesco

    Vamos a Gênesis, o livro dos princípios. No capítulo 2, desde o verso 4, nos mostra como foi desenhado o homem. No capítulo 1 nos fala da missão do homem. E agora, no capítulo 2, para que tal missão possa ser cumprida, nos mostra a constituição do homem. A constituição do homem é segundo a missão do homem.

    Deus quer ser contido e expresso. Deus quer delegar autoridade, dar sua própria vida, e que nós sejamos seus colaboradores. Então, ele fez um homem tripartido, com espírito, alma e corpo. É o templo para Deus, é o vaso para Deus. Nosso espírito é o Lugar Santíssimo, nossa alma é o Lugar santo, e nosso corpo é o átrio.

    Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; farei uma ajudadora idônea para ele". Em Romanos diz que Adão é figura do que havia de vir, e em 2ª Coríntios que Eva representa à igreja. Então, vamos nos concentrar um pouquinho nesta parte.

    Casamento e edificação

    Gênese 2: 18: "E disse o Senhor Deus, não é bom que o homem esteja só; lhe farei...". Que descanso saber que é Deus que diz: "lhe farei...". Não foi um problema de Adão, foi um presente de Deus. Eva não podia se fazer sozinha. Assim, Deus decidiu fazer também para o seu Filho Jesus Cristo uma ajudadora idônea. O Rei quis fazer as bodas para o seu Filho. É Deus que determinou isto, e ele tem todo o poder, e ele está fazendo, e o levará totalmente a concretização.

    A palavra que em Gênese 2:22 se traduz como 'fez', pode-se traduzir mais exatamente como 'edificou'. Aqui começamos a ver pela primeira vez a união de edificação e esposa. "Edificou-lhe uma mulher". Sua companheira, que tem que ser sua esposa, é uma edificação. Ao longo de toda a palavra do Senhor, encontramos sempre este duplo motivo: casamento e edificação. Ao longo da Bíblia, vemos muitos casamentos: o casamento de Adão e Eva, de Jacó e Raquel, de Abraão e Sara, de Isaque e Rebeca. Através dessas relações de casais, Deus está revelando algo a respeito de si mesmo e de sua relação com o seu povo. Por toda a Bíblia vemos este motivo de casal desde o princípio e até o final de Apocalipse. Ali aparece também um casal - o Cordeiro e a esposa do Cordeiro.

    Quando o Senhor se revelou a Jacó em um sonho, este viu uma escada que ligava o céu com a terra. Acima estava o Senhor, e abaixo estava Jacó, com a sua cabeça sobre a pedra de cabeceira, e anjos subiam e desciam, ligando o céu com a terra. Quando Jacó despertou, assustou-se e disse: "Quão terrível é este lugar! Não é outra coisa que a casa de Deus e porta do céu" (Gên. 28:17). Neste lugar, que ele chamou Bet-el (Casa de Deus), o céu e a terra se unem. E aí encontramos outra vez, intercalado com a edificação, o casal.

    O tabernáculo se chama 'tabernáculo de reunião'; a arca se chama 'arca da aliança'. E aliança e reunião nos falam de casal, nos falam de comunhão, e também de edificação. Então, na edificação de Eva, no nome que Jacó colocou àquela pedra naquele lugar, Bet-el, vemos que Deus começa a introduzir o motivo da edificação da casa de Deus.

    A palavra "casa" também tem a conotação de "família". Por exemplo, a casa de Leví se refere à família de Leví; a casa de Jacó, a casa de Israel, tem a conotação de família. Assim casal, família, edificação, casa, todas estas coisas, estão relacionadas.

    A graça e a responsabilidade

    Em Êxodo 25, Deus diz a Moisés que peça ao povo, a aqueles que de coração, voluntária e espontaneamente, queriam colaborar com Deus, para fazer para ele o santuário, para que ele possa morar entre nós como um Pai no meio de sua família, sendo nosso Deus, e nós sendo seus filhos e filhas.

    "O Senhor falou com Moisés, dizendo: Diga aos filhos de Israel que tragam para mim uma oferta; de todo varão cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta". Claro que, para vir voluntariamente, precisamos ser sustentados pela graça, e a graça sustentará a nossa vontade. O Espírito revela qual é a vontade de Deus. Agora podemos olhar para o Senhor e dizer-lhe: "Senhor, desejo poder, desejo querer; necessito sua graça para fazer a sua vontade". E o Senhor disse: "Aquele que vem a mim, não lhe lançarei fora" (Jo. 6:37).

    Então, aqui, Deus pede certos materiais especiais ao seu povo, para levantar-lhe um santuário. Ele nos pede o que devemos lhe dar. Não é o que nós queremos lhe dar, mas sim o que ele nos pede. Ele edifica a sua casa com o que ele nos pede, e é claro que ele tem provido o que nos pede. Mas ele não vai vir e te dizer: "Bom, faz o que você achar melhor", mas sim dirá a você: "Quer cooperar comigo? Coopera nisto, me traga isto, me entregue isto". Todas estas coisas que ele nos pede, é a provisão de Deus em Cristo; ele faz sua casa com tudo àquilo que ele nos proveu em Cristo, e ele proveu para todos, com um coração sincero.

    Deus quer colaboradores, e nenhum colaborador pode fazer nada sem a graça. Mas a graça não quer fazer nada sem os seus colaboradores. A graça capacitará por graça os colaboradores, para que eles colaborem responsavelmente, esforçando-se na graça.

    Então, para começar a casa de Deus, temos que entender que esta casa é de uma reunião, um tabernáculo de reunião, arca da aliança. Reunião e aliança é matrimônio. Como um homem pode casar-se com uma mulher que não quer casar-se com ele? Agora, ele quer casar-se. A pergunta não é se ele quer. Ele já disse que quer. Agora, você quer? Essa é a pergunta: Também você quer?

    A visão da Casa de Deus

    Agora, vamos dar uma olhada panorâmica neste capítulo. Depois de nos dizer o que Deus quer, de nos mostrar o seu desejo de contar com a nossa responsabilidade, e nos prover a graça, - isto é, Cristo - que nos capacita para sermos responsáveis; então ele começa a descrever a casa de Deus de dentro para fora, e começa descrevendo primeiramente a arca do pacto.

    Esta arca, dentro do Santíssimo, representa a formação de Cristo na igreja. Depois ele descreve a mesa dos pães; continuando, o candelabro; em seguida, o tabernáculo e posteriormente o altar. O primeiro que ele descreve tem haver com a casa. Depois, a partir do capítulo 28 e o 29, descreve o sacerdócio, a consagração sacerdotal, as vestimentas sacerdotais, e prossegue com o altar do incenso, a pia de bronze. E assim, continua descrevendo os exercícios sacerdotais.

    Vejamos 1ª Pedro. No versículo 2:4, encontramos o seguinte. "achegando-vos para ele, pedra viva, desprezada certamente pelos homens, mas para com Deus escolhida e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados...". "achegando-vos para ele ... sois edificados". As frases ditas depois de "achegando-vos para ele...", são frases explicativas. Quem é ele? A pedra viva.

    A maneira de sermos edificados é achegando-nos a ele: "Sois edificados como casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus...".

    Notemos que Pedro está sintetizando em três assuntos -casa espiritual, sacerdócio santo e sacrifícios espirituais- o que o Espírito Santo tinha desenvolvido com detalhes em Êxodo. Nos capítulos 25, 26 e 27 temos a descrição da casa; nos capítulos 28 e 29, a descrição do sacerdócio, e no restante de Êxodo, em Levítico e em outros lugares, temos a descrição dos sacrifícios.

    Vamos nos deter um pouco na primeira: "achegando-vos para ele... sois edificados como casa espiritual". A descrição da casa espiritual aparece muitas vezes na Bíblia. Já vimos que Eva é uma edificação de Deus para Adão. Em seguida vemos Deus revelando-se a Jacó; e Jacó compreende a revelação, e vê que Deus quer uma relação celestial com a terra. E ele colocou um nome que expressa a síntese dessa revelação: Bet-el, casa de Deus.

    Ou seja, que essa mulher edificada por Deus corresponde a Bet-el, e Bet-el corresponde a este santuário, e o tabernáculo corresponde depois ao templo, e corresponde à visão de Ezequiel. A Ezequiel foi mostrada a casa de Deus quando o povo estava sendo infiel e estavam cativos na Babilônia. Deus seguia sonhando com a sua casa, e apesar da cidade e do templo estar arrasado, Deus disse a Ezequiel: "Se eles se arrependerem dos seus pecados, mostra-lhes o desenho da casa".

    Deus sempre quis essa casa, porque ela é a esposa do seu Filho. O Rei quis fazer as bodas para o seu Filho. Deus fez tudo para Cristo; Deus deu tudo ao seu Filho. Mas o mais precioso que lhe quis dar, junto com a sua plenitude, é uma esposa, uma ajudadora idônea que seja como ele, feita do próprio material dele, para que ele pudesse dizer o que não podia dizer da girafa, nem da galinha: "Isto é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne". Ou seja: "Esta é como eu". Ele se reconhecerá nela, e estará sempre com ela, e fará tudo com ela. Esse é o presente que o Pai quis dar ao Filho. Agradou ao Pai dar ao Filho toda plenitude; mas toda a plenitude do Pai, que está no Filho, pelo Espírito passou à igreja, para que essa plenitude divina, que passa pelo Pai, o Filho e o Espírito, agora retorne ao Filho em forma de igreja.

    Então, quando diz: "Casa espiritual", quando diz os detalhes do tabernáculo, a edificação do templo, a restauração do templo, a visão do templo, e em seguida o Senhor Jesus e a edificação da igreja, tuda fala da mesma coisa. De maneira que, quando vemos a edificação de Eva, vemos a Bet-el, vemos o tabernáculo, o templo, o cativeiro e a destruição, a diáspora ou dispersão, a restauração, a visão; tudo isso está falando da mesma coisa, e fala a nós. Fala do mistério de Cristo.

    Duas leituras: cristológica e eclesiológica

    No santuário, vemos que Deus começa a revelar de dentro para fora. Passa do Santíssimo, da arca, ao santo, a mesa e o candelabro, e depois segue para o átrio, o altar. Há um altar de ouro, outro altar de bronze no átrio, e em seguida revela-se o sacerdócio, as vestimentas, a constituição sacerdotal, o altar do incenso, e distintas classes de sacrifícios em Levíticos. Casa, sacerdócio e sacrifícios espirituais.

    Ainda que primeiro refere-se à arca, que tem haver com Cristo, porque primeiro é a cabeça e depois é o corpo, no entanto, primeiro Deus vai edificando o tabernáculo, e quando já está terminado coloca o arca no Santíssimo. Poderíamos começar a estudar a arca, mas primeiro teria que levantar o tabernáculo para colocar a arca.

    Na revelação, primeiro é a arca, e depois o tabernáculo; mas na prática é necessária a edificação do tabernáculo, para a entronização da arca. Foi depois que Salomão terminou o templo, que a arca foi entronizada.

    Sempre antes de descrever a arca, a mesa, o candelabro, o altar, o tabernáculo, Deus diz a seu povo: "Farás...". "Farás uma arca desta maneira ... Farás uma mesa para os pães da proposição; a farás assim ... Farás um candelabro; o farás assim ... Farás um santuário, um tabernáculo, conforme o modelo que te mostrei no monte ... Você faz tudo, mas conforme o modelo que eu te mostrei".

    O modelo é mostrado por Deus, as provisões vêm de Deus. Mas quem tem que fazê-lo somos nós.

    Há vários níveis de leitura deste capítulo 26 de Êxodo. Em primeiro lugar, há uma leitura histórica; se desejar, arquitetônica. Você lê sobre o passado, como era construído o templo. Trata-se do aspecto físico; do véu para fora, por assim dizer.

    Para Paulo, que foi escolhido por Deus para trazer a revelação do mistério de Cristo, para administrar o que é o corpo de Cristo, Deus o preparou como um artesão de barracas. Ele sabia como se unia uma cortina com a outra. Paulo tinha que edificar o corpo de Cristo, e a edificação do corpo de Cristo está tipificada no tabernáculo. Paulo tinha que ser um fabricante de tendas para entender este capítulo.

    Mas, toda a Palavra do Senhor, nos fala do mistério de Cristo. E a primeira parte do mistério de Cristo fala da Cabeça. Portanto, há uma segunda leitura, cristológica. Quer dizer, podemos ver em todos esses detalhes da casa de Deus, no tabernáculo, o Cristo de Deus.

    O verbo 'tabernaculizou entre nós', essa palavra foi usada oportunamente pelo Espírito Santo (João 1:14). A tradução diz 'habitou', 'morou'. Mas o grego diz 'tabernaculizou', e também João nos faz lembrar quando o Senhor Jesus disse: "Destruí este templo, e em três dias o levantarei". Eles diziam: "Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e você em três dias o levantará?". Mas ele falava do templo do seu corpo, e quando ressuscitou, levantou em três dias o templo.

    E esse templo refere-se em primeiro lugar ao Senhor Jesus. Mas todos aqui sabemos que o templo também abrange a igreja, e o que aconteceu com Cristo, aconteceu a favor da igreja. Se ele morreu, é para que morrêssemos com ele. Se Cristo morreu por todos, logo todos morreram. Então, do nível de leitura cristológico, devemos passar a um segundo nível, agora eclesiológico, sem negar o nível cristológico.

    Cristo também tem corpo, e, portanto, também à expressão de Cristo como um corpo que tem muitos membros. Cristo (1ª Cor. 12:12) é como um corpo que tem muitos membros, e embora sejam muitos os membros e têm distintas funções, são um só corpo, assim também Cristo.

    O corpo de Cristo é a segunda parte do mistério de Cristo. Portanto, tem que ter também, junto com a leitura cristológica, uma leitura eclesiológica.

    Inclusive, há outra leitura depois, que é escatológica. Acaso não fala também Apocalipse do "tabernáculo de Deus com os homens"? Mas agora estamos no tempo eclesiológico. Não vamos negar uma nem a outra. Vamos ler esta, mas não vamos ler tudo. Não vamos dizer tudo; nenhum de nós pode dizer tudo.

    A construção do tabernáculo

    Então, vamos a Êxodo 26:1. "Farás...". Isto tem que ser feito assim. "...o...". Não "...um dos...". Não há senão um só templo de Deus, um só corpo de Cristo. Por toda parte, a Bíblia fala do corpo de Cristo. Todos os ministros de Deus sejam apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres foram postos por Deus para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo.

    Você é pastor no corpo de Cristo e para o corpo de Cristo, ou é algo inferior? De que você é membro? Do corpo, ou de algo inferior? É um dos mestres do corpo de Cristo para ensinar o corpo de Cristo? Ou você não se deu conta que é do corpo e está trabalhando em algo inferior?

    Todos os membros do corpo de Cristo pertencem ao corpo, formam um só corpo com todos os outros, e devem edificar um só corpo. Fará um só tabernáculo, uma só tenda. É claro que, enquanto se constrói, vemos tábuas por aqui, estacas por lá; mas isso não é para sempre. Tudo isso tem que unir-se para, juntos, edificarmos uma só tenda.

    "Farás o tabernáculo de dez cortinas de linho torcido, azul, púrpura e carmesim; e o farás com querubins de obra primorosa". Os materiais que aparecem aqui nestas cortinas nos falam de Cristo. O azul nos fala do celestial, fala-nos do Verbo de Deus que estava com Deus, e era Deus, mas também se fez homem. Encarnou-se para derramar o seu sangue; por isso, aparece a cor vermelha, o carmesim ou escarlate. E o mesmo que se humilhou foi exaltado sobre todas as coisas, e aparece o púrpuro real.

    Quando se mescla o azul com o vermelho, dá o púrpuro. E o Senhor Jesus se humilhou, encarnou-se, mas foi exaltado novamente. Voltou para a glória. "Pai, glorifica-me tu ... com aquela glória -azul - que tinha contigo antes que o mundo existisse". Mas o azul descendeu, vestiu-se de vermelho, e subiu roxo, a realeza. Agora ele voltou a tomar a sua glória, mas agora em humanidade. Antes tinha sua glória em divindade, e voltou a tomá-la, agora em humanidade. Glorificou a humanidade com a sua glória.

    Por isso diz Paulo: "...aos que de antemão conheceu, também os predestinou ... E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Rom. 8:29-30). Quando ele glorificou nossa humanidade? Quando ele se vestiu de nós. Nós fomos postos nele, e ele se vestiu de nossa humanidade; passou-a pela morte, pela ressurreição, e a glorificou. Nossa glorificação se deu em sua glorificação. E agora o Espírito Santo toma o que é dele e passa a nosso espírito, e o está passando a nossa alma, e o está passando a nosso corpo, e terminará de passar totalmente.

    Nele fomos glorificados. Por isso é que aparecem estes tecidos aqui. Só que agora são dez. Dez cortinas de linho torcido, que fala da justificação, das ações justas dos santos, de azul, de púrpura e de carmesim. Mas agora não é uma só cortina, mas dez. As cortinas do tabernáculo se referem à edificação do corpo de Cristo. Cristo em nós, o que ele é e o que ele conseguiu, formando-se em nós. Estas cortinas são as mais interiores; referem-se ao novo homem. Mas, por que são dez? O número dez é o número da generalidade.

    Em Gênesis capítulo 10 aparece a lista das nações. Todas as nações estão representadas nesse dez. Quando aparece o governo mundial, que abrange todo mundo, são dez chifres os que lhe dão o seu poder. E agora os globalistas dividiram a terra em dez regiões. Uma federação de dez porções está destinada a ser a federação do governo mundial.

    O número 10 na Bíblia representa esta generalidade. Por exemplo, os filhos de Deus esperando a Cristo eram dez virgens. A generalidade está representada em dez.

    Seguimos lendo no versículo 2: "O comprimento de uma cortina será de vinte e oito côvados, e a largura da mesma cortina de quatro côvados ...". O comprimento de uma cortina, de vinte e oito côvados, ou seja, sete por quatro. O sete é o número da obra perfeita de Deus. Deus faz todas as coisas em sete: sete selos, sete trombetas, sete taças. Mas o número da criação é o quatro. Porque Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, além disso, Deus quis fazer a criação. Então, o número da criação é o número quatro.

    Por isso os querubins ou serafins que representam a criação, os querubins, com quatro asas, têm quatro rostos, representando a criação, os quatro ângulos da terra. Em Apocalipse 4 Deus é adorado pela criação, "...porque tu criastes todas as coisas, e por sua vontade existem e foram criadas". O quatro é o número da criação, e o número de sete por quatro é a obra de Deus na criação. Por isso, as cortinas tinham que ter vinte e oito côvados.

    E diz: "...todas as cortinas terão uma mesma medida" (V. 2). Não há uma raça superior a outra. Aos olhos de Deus, todos somos iguais; Deus não faz acepção de pessoas. "Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra". Uma com a outra: Colômbia com o Chile, Chile com o Brasil... Todas as nações, as etnias, as raças, as classes sociais, todas as cortinas.

    Primeiro, começa por um lado: cinco por aqui, cinco por lá. Mas, ao final, os mais opostos, são unidos. "Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra..." (v.3). Uma com a outra; não sem a outra. Com a outra. E as outras cinco cortinas, unidas uma com a outra. Sim, o Senhor tem uns e outros. "...por meio dele ambos temos entrada por um mesmo Espírito ao Pai" (Ef. 2:18). Ambos, os judeus e os gentis. "Também tenho outras ovelhas que não são deste redil; aquelas também devo trazer ... e haverá um rebanho, e um pastor" (Jo. 10:16).

    Claro, o Senhor tinha feito promessas aos judeus, terei que ir "primeiro aos judeus, e depois também aos gregos". Primeiro, trabalhava com uns por aqui, depois com outros por lá. "Pedro, você é apóstolo da circuncisão, trabalha por lá. Paulo, você é apóstolo dos gentis, trabalha por lá. Quantos anos esteve trabalhando, Paulo? Vêem, vou dar uma revelação, Gálatas 2. Vais subir a Jerusalém e, em particular, vais conversar com Tiago, com Cefas e João". E então, Deus promoveu a comunhão de uma equipe com a outra, e depois que se reconheceram mutuamente, deram-se a destra de companheirismo, para edificar um mesmo tabernáculo.

    Não é que uma equipe de servos de Deus edifica uma denominação, e o outro edifica a rival, e todas ficam mortas no campo de batalha. Não, uns e outros. Devem deixar-se unir com outros irmãos, umas equipes com outros, chegar a reconhecerem-se como membros do mesmo corpo. Diz que Tiago, Cefas e João, "...vendo a graça que nos tinha sido dada", porque o que atuou por lá, atuou também por aqui. Porque o que importa é o atuar de Deus.

    Então, segue dizendo aqui: "Cinqüenta laçadas..." (v.5). Pentecostes, cinqüenta. Laçadas: Enlaçados pelo Espírito, são de azul. "Cinqüenta laçadas farão na primeira cortina...". Aqui os judeus primeiro. "...e cinqüenta laçadas farão na orla da cortina que está no segundo grupo (a dos gentis); as laçadas estarão contrapostas uma à outra". Os cinqüenta laços de azul, celestiais, falam da comunhão, no Espírito, de um mesmo corpo. Ainda os mais contrapostos são entrelaçados para formar, com todas as cortinas, uma só tenda.

    "Fará também cinqüenta colchetes de ouro..." (v.6). por que "também"? Porque as laçadas unem, mas os colchetes apertam. E há colchetes de ouro, mas também tem de bronze. Os de ouro unem as cortinas de dentro, e os de bronze unem as cortinas de pêlo de cabra. A casa de Deus é feita com seres humanos. Por dentro, lindas cortinas de linho azul; por fora, cortinas de pêlo de cabra, tratado. Porque nós somos pecadores que somos salvos, incorporados na casa de Deus, e o pecado é tratado na casa de Deus.

    Os colchetes que unem as cortinas de linho são de ouro. Diz: "...o amor de Cristo nos constrange" (2ª Cor. 5:14). São colchetes de ouro. Mas o pêlo de cabra, a do homem exterior, requer colchetes de bronze. O bronze representa disciplina. Às vezes não queremos discernir o corpo de Cristo, e então cometemos juízo. Não o juízo eterno. Ah, uma enfermidade, ou até morreu antes de tempo. Colchetes de bronze. Não seria melhor nos entendermos?

    Sabe o que diz Paulo aos santos? "...ninguém defraude nem engane em nada a seu irmão; porque o Senhor é vingador de tudo isto, como já lhes temos dito e testificado" (1ª Tess. 4:6). "Lhes ensinamos e lhes demos exemplos concretos". O Senhor é vingador das ofensas que se fazem aos irmãos. Necessita-se de colchetes de bronze para mantê-los unidos. Porque as cabras não andam unidas; elas andam saltando daqui para lá. Por isso são necessários colchetes de bronze, a mão poderosa da disciplina de Deus, para manterem juntos a irmãos que não podem estar juntos.

    Mas isso é depois. Primeiro descreve as de dentro. "...colchetes de ouro, com os quais enlaçará as cortinas uma com a outra, e se formará um tabernáculo" (v.6). Ah, alguém poderia pensar: "Bom, já se formou, no número 6", mas o Senhor sabe. "Fará deste modo cortinas de pêlo de cabra para uma cobertura sobre o tabernáculo; onze cortinas fará" (v.7). E são mais largas. Estas de pêlo têm trinta côvados. É uma carga; seu pecado é uma carga da igreja, mas na igreja se trata o pecado dos membros da igreja. Sim, na igreja se cometem pecados, e se tratam, pois é uma carga.

    Então disse Deus: "O comprimento de cada cortina será de trinta côvados, e a largura de cada cortina de quatro côvados; uma mesma medida terão as onze cortinas" (v.8). Aqui há algo adicional. A outra é de vinte e oito côvados, esta de trinta. As outras eram dez, estas onze. Terá que tratar isto na igreja. Então diz assim: "E unirá cinco cortinas aparte e as outras seis cortinas aparte; e dobrará a sexta cortina na frente do tabernáculo" (v.9). Ou seja, é a porta.

    A cortina número onze está na porta, mas não é deixada pendurando como as demais, mas sim é enrolada e lançada para trás, igual o Senhor Jesus tomou os nossos pecados, e os lançou para trás. Por isso, na porta, a cortina não está pendurada, mas sim enrolada para trás, porque o Senhor Jesus condenou o pecado na carne, e ele tratou com o pecado. E quando alguém entra pela porta, trata-se o pecado. Era a cortina número seis. A onze, que era a seis, cinco e seis. A onze era a seis, o número do homem.

    Deus faz sua casa com seres humanos, conosco, os que temos caído, e em nossa carne temos a lei do pecado e da morte operando.

    Mas o Senhor, agora por cima dessa cortina, põe outra, Aleluia!, e diz: "E fará cinqüenta laçadas na orla da última cortina do primeiro grupo, e cinqüenta laçadas na orla da primeira cortina do segunda grupo" (v.10). Já explicamos a primeira vez, é o mesmo para aqui. "Fará deste modo cinqüenta colchetes de bronze..." (v.11). Você pode notar? Para tratar o homem interior, é de ouro, a natureza divina; o amor de Cristo nos constrange. Mas, para tratar com o velho homem, é de bronze - disciplina.

    "...os quais colocará pelas laçadas; e enlaçará os grupos para que se faça uma só coberta" (V. 11). O Senhor tratará conosco, com nossa natureza de cabra, para fazer uma só cortina, com todos os nossos irmãos, que também em sua carne são tão fracos como nós. Porque são do mesmo comprimento, também têm trinta côvados. Todos somos igualmente pecadores e miseráveis na carne, mas o Senhor nos dá vida por dentro, e disciplina por fora. A casa de Deus se edifica com vida e disciplina; vida para o homem interior, e disciplina para o homem exterior.

    E diz mais: "E a parte que sobra das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobra, pendurará nos fundos do tabernáculo. E um côvado de um lado e outro côvado do outro lado, que sobra ao longo das cortinas da tenda, pendurará sobre os lados do tabernáculo a um lado e ao outro, para cobri-lo" (vv. 12-13). Na igreja se cobrem os pecados. Tiago diz: "...cobrirá multidão de pecados". Quando fala com o seu irmão, quando trata com a situação de seu irmão com o objetivo de ganhá-lo, é proteção para a igreja.

    E diz: "Fará também para a tenda uma coberta de peles de carneiros tingidas de vermelho..." (v.14). Em cima da cobertura de pêlo de cabra, o Senhor põe peles de carneiro tingidas de vermelho. O carneiro é o macho das ovelhas, é o Senhor Jesus. "...tingidas de vermelho...", porque os pecados são cobertos, até os pecados que se cometem na igreja. O Senhor pagou por eles. As peles de carneiro se referem ao seu próprio sacrifício. "...de vermelho...", nos falando do sangue. Ele purifica à igreja. Não somente morreu pelos pecados individuais; ele se entregou pela igreja, para santificá-la, e apresentar-se a si mesmo uma igreja pura, santa, sem mancha e sem ruga. O Senhor cobre à igreja.

    E a última cortina de fora, diz assim: "...e uma coberta de peles de texugos em cima" (v.14). Os texugos não são muito bonitos. Lá nos desertos de Israel e do Sinaí, são como uns ratos grandes, de pele grossa; peludos, feios. No entanto, isso era o que se via do tabernáculo. O bonito estava por dentro: o ouro, a glória. Por fora, parecia um rato imenso. Já somos filhos de Deus!, mas o mundo não nos conhece. A Jesus não o conheciam, foi menosprezado. Homem de dores, o vimos, mas não o estimamos.

    "Ah, não é este o filho do carpinteiro, cujo pai e mãe nós conhecemos? Conhecemos tudo dele!". Não conheciam nada! Mas pensavam que conheciam. Menosprezaram-no. "Sem atrativo para que o desejássemos". A glória estava por dentro; por fora, ele era humilde. "Tivemos-lhe por açoitado, por ferido, por abatido". Por fora, era uma aparência de rato, de texugo.

    E a Escritura também diz o mesmo de nós. "Agora já somos filhos de Deus -diz João- mas ainda não se manifestou o que havemos de ser". Por isso o mundo não nos conhece, o mundo nos vê por fora. Narizes longos, chatos, sem um olho, coxos... Mas por dentro, a glória de Deus! Gloria ao Senhor!

    (Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).